Menos de 1% dos sites brasileiros são acessíveis para pessoas com deficiência

Acessibilidade para pessoas com deficiência ainda é menor que 1% em sites brasileiros.

Menos de 1% dos sites brasileiros são acessíveis para pessoas com deficiência, revelou um levantamento feito pelo Movimento Web para Todos, em parceria com a BigData Corp. O estudo mostrou que dos 14 milhões de sites que estão ativos no Brasil atualmente, 99% foram reprovados nos testes de acessibilidade.

A situação é ainda mais complicada  quando se trata dos sites governamentais:  nas esferas federal, estadual e municipal o percentual cai para 0,34%

O levantamento foi realizado a partir de testes que avaliaram diversos elementos das páginas, buscando detectar barreiras de navegação enfrentadas por pessoas com deficiência, além de questões técnicas. As falhas encontradas criam obstáculos para quem tem alguma dificuldade, o que dificulta e em muitos casos até impossibilita a navegação da pessoa com autonomia em determinada plataforma.

E os dados são alarmantes: 93,7% dos sites brasileiros falhou em algum dos testes realizados, outros 99,39% apresentaram pelo menos uma falha. Em 52,38% dos sites, houve problemas de formulários e 83,56% falhas de links. E 5,6% dos sites ativos (que tenham sido atualizados em até três meses atrás) falharam em todos os testes aos quais foram submetidos.

“O que é mais impressionante para mim é que teoricamente essa validação que fizemos, como é estrutural e automatizada, não tem desculpa para ter a quantidade de problemas que encontramos, porque é muito fácil identificar esse tipo de problema e eventualmente corrigir. Não é que um site que falhou em um teste será impossível para uma pessoa com deficiência, mas a experiência na navegação deixará a desejar”, destacou o  presidente da BigData Corp, Thoran Rodrigues, de acordo com informações publicadas pela Agência Brasil.

Já a idealizadora do Movimento Web para Todos, Simone Freire, pontuou que o estudo revela o que o mundo digital é totalmente excludente para pessoas com algum tipo de deficiência,  uma população que chega a 45 milhões de pessoas no Brasil.

 “Independentemente da deficiência que eles têm, o mundo digital precisa estar preparado para esse tipo de navegação. A acessibilidade significa eliminar as barreiras de navegação para todos, não só para as pessoas com deficiência”, afirmou, também segundo publicação da Agência Brasil.

O problema é que ao contemplar essa acessibilidade, os sites dificultam a navegação da pessoa com deficiência, seja para quem acessa em um tablet, no mobile ou em um computador convencional.

Além disso, ao não atender essa demanda, os sites descumprem a  Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, sancionada em julho de 2015 e em vigência desde janeiro de 2016, que obriga organizações com representação no país a ter suas páginas na web acessíveis para pessoas com deficiência.

“Temos diversas leis a nosso favor, como a LBI, que em seu artigo 63 obriga organizações com representação no país a terem suas páginas web acessíveis para as pessoas com deficiência”, relembrou Simone.

Dentre as soluções estão os sites terem linguagem html acessível para softwares de leitura de tela, comandos de voz, além de terem ferramentas que traduzem o português para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).



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