Grilagem de terra é responsável por 35% do desmatamento na Amazônia, diz Ipam

Segundo análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a grilagem tem se mantido na Amazônia ano a ano, contribuindo para o desmatamento na região. Foto: Jeso Carneiro/Flickr.

Fonte: O Eco

A grilagem de terras públicas foi responsável por desmatar 3.416 quilômetros quadrados na Amazônia entre 01 de agosto de 2018 a 31 de junho de 2019. Os dados são do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que divulgou na quarta-feira (20) uma análise sobre o assunto.

É como se 85 áreas do tamanho do Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado do país, virassem pasto em um ano para que grileiros ocupassem ilegalmente terras públicas. Usurpar e forjar documentos para transformar área de floresta em terra produtiva é uma das causas do desmatamento na Amazônia.

Após a divulgação dos dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do INPE, os especialistas do IPAM analisaram que 35% da área desmatada ocorreu em áreas não-designadas e sem informação.

“Isso é grilagem de terras”, afirma o diretor-executivo do IPAM, André Guimarães. “Essas florestas são públicas, ou seja, é patrimônio de todos os brasileiros, que é dilapidado ilegalmente para ficar na mão de alguns poucos”, afirma André Guimarães.

Segundo a diretora sênior de Ciência do IPAM, Ane Alencar, a grilagem tem se mantido na Amazônia ano a ano, com um incremento recente em terras não-designadas.

A regularização fundiária de terras griladas na Amazônia é um dos objetivos do governo, que prepara uma medida provisória para implementar a chamada regularização por autodeclaração. A ideia é que proprietários, ocupantes e assentados possam apenas declarar posse e apresentar um georreferenciamento da suposta propriedade, para, assim, receber o título. Segundo especialistas, a proposta não apenas legaliza áreas de grilagem e roubo de terras públicas como aumenta os conflitos no campo.



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