Bonitinha mas ordinária

Aquela mocinha sem pudores, liberada, Black Friday, moderninha, que faz sexo casual poli genérico, que experimenta todas as drogas e, acorda da noitada tranquila olhando o GPS para saber situar-se onde passou a noite; desobrigada das flexíveis regras morais da modernidade, já não nos espanta com seus arroubos de liberalismos permissivos. Não estou me referindo àquela septuagenária, mas ainda sexualmente ativa, à época, a Bubulina, personagem icônica em Zorba o Grego, livro de Nikos Kazantzakis, porque para alguns padrões atuais podemos dizer muito da sua recatada vestalidade. Tampouco traço referências paralelas àquelas moças de olhares gulosos, da Rua Augusta, das mais baratinhas da Avenida Jockey Club e, vou mais longe. Bangladesh é um dos poucos países muçulmanos onde a prostituição em bordéis registrados é legal. O Kandapara, em Tangail, tem cerca de 200 anos, sendo o mais antigo e um dos maiores da região. Têm também as infelizes mulheres de Nova Délhi, nascidas na etnia Perna, casta indiana que força as mulheres a se prostituir. Mas todo esse longo prólogo se faz necessário para que eu mesmo, em agonia moral, entenda alguns porquês da prostituição, ou seria criminalidade no âmbito politico partidário.

Por Mohammad Jamal.

Sodoma é aqui?

Mas isso não ocorre apenas em Daca, Nova Délhi, São Paulo, Brasília; predomina em todo Brasil. A prostituição moral, os desvios de condutas, as roubalheiras, etc.; deixaram de constituir ocorrências episódicas, passando a predominar como metodologia única o exercício e praticas políticas. A política brasileira, como julgam alguns, não vive um momento atípico, conforme demonstram o estranhamento e a indignação de todos os brasileiros com fatos recentes reprisados da nossa história. Apropriar-se de forma espúria do erário público em benefício próprio, passou a ser tão trivial quanto registrar uma candidatura no TRE: Apenas uma candidatura! Nada se perde. Estamos vivenciando um estado de consensualidade, condescendência e mútuas tolerâncias que, juntas, tornam impossível separar réus de vítimas; acho que somos todos, povo e políticos, os réus na materialidade desses delitos só apenáveis com cadeia depois de transitadas em julgado em segundas, terceiras, quartas instâncias; quer dizer: nunca. O exemplo clássico está aí mesmo, nas ruas em pré-campanha para presidente. Que horror!

Nos circos de antigamente tinha Mata Cachorros!

Dou por exemplo os trios elétricos e blocos carnavalescos baianos que utilizam cordas e leões de chácara para afastar penetras expertos, aqueles quem não pagaram por um “abadá”, situando-nos todos no mesmo bloco, mas por foras das cordas. Já anunciava o nosso craque Gerson, na propaganda dos cigarros Clássicos: “Brasileiro gosta de levar vantagem em tudo, certo?”. As “vantagens” continuadas estão custando-nos muito caro! Vê-se nitidamente, a desagregação que resulta do apodrecimento moral e ético que atinge uma classe em especial, a dos políticos. Indiferentes, eles fomentam o descrédito que acomete os brasileiros com relação aos institutos legais do Estado obscuramente representados pelo legislativo, executivo e, em sendo parcialmente politizado via “indicações”, quando deveria ser por méritos, o judiciário. Diante de tanta delinquência institucionalizada; alforrias auto atribuídas; “imunidades e foros especiais”, indulgências genéricas e impunidades. Nesse sumidouro imoral, o brasileiro vê-se como cidadão de segunda categoria quando afere e se dá conta da desimportância com que o estado de direito encara seus valores morais, sua idoneidade, sua integridade jurídica, seus direitos constitucionais, sua moral coletiva… É povo? Que se explodam! Diria o deputado Justus Verissimo (do Chico Anísio).

Fujam dos cafetões truculentos.

Estamos pagando caro por essas “vantagens” típicas da expertise inata à política brasileira. Exercemos com indiferença e omissão os direitos plenos duma cidadania constitucional duvidosamente democrática e excessivamente liberal. Nossa “tolerância” confunde-se com um pactuar volitivo, como se mancomunássemos inconscientemente com tudo aquilo de errado que nos é prejudicial e adverso coletivamente. Claro, se a nossa parte de “expertos” no botim levar alguma vantagem ou for poupada do penhor físico e do custo moral resultante, fica bem pra nós! Assim está tudo bem! Será? Para mim, Não.

“Chamo de preguiçoso o homem que podia estar melhor empregado” (Sócrates)

A indolência epicurista e preguiçosa para com a cidadania; talvez o simples esnobismo num elitismo social visivelmente decadente; o comodismo, o quietismo conformista, a ataraxia generalizada, fazem com que nosso povo esqueça e ate se enfastie do Exercício Pleno da Cidadania, tendo consciência de que estamos aqui para ser enganados. Que assistamos impassíveis, todas as formas de atitudes capituladas como desvios de conduta, contravenção, roubo, apropriação indébita, com inquestionável resignação de normalidade. Deixa pra lá… De nada adianta reclamar! E não adianta nada mesmo. Tudo confunde o eleitor, inclusive as leis, manipuladas por estetas eloquentes em linguagem retórica e preciosismos linguísticos, ininteligíveis para a maioria dos brasileiros pessimamente escolarizados. E ficamos reclusos nas urdiduras veladas das fofocas de comadres, nas mesas dos bares, nas festas e batizados, como lavadeiras nas pedras do lagar esfregando as roupas sujas às beiradas dos rios esgotos.

“O mentiroso deveria ter em mente que, para ser acreditado, precisa apenas dizer as mentiras necessárias”… E ele as disse!

Brasil resultou assim após os governos petistas, exatamente como não o desejávamos; mas como uma resultante consequência da omissão e tola credulidade daqueles abaixo da linha da miséria. Cá está nosso país à mercê dos cupins, nossos representantes, que se alimentam vorazmente dos seus constituintes morais, do seu erário e do suor do seu povo. Os exemplos e os fatos saltam aos nossos olhos tolos de decepção. São bilhões roubados que jamais voltarão aos cofres públicos. A plebe é medíocre e amnésica, há que se reconhecer. E a política, uma “feira do rolo” onde se negocia de tudo; quotas de cargos, informações, parcerias, empregos, nepotismos cruzado, e se faz um lucrozinho por baixo dos panos, longe do Judiciário, mas às vistas do povo, que é míope como uma toupeira. Mãos delicadas, unhas pintadas, eles não aram, não gradeiam, não adubam, não plantam nada! Não trabalham! Mas colhem com fartura o produto que fazem brotar numa terra virtualizada pela retórica da loquacidade e do engodo. O enriquecimento ilícito é prêmio e o galardão.

Definitivamente, esse DNA não é meu.

Nesse ponto tentamos encontrar inutilmente em nossa vasta genealogia e história pregressa, o cromossoma atávico recessivo que transmite por gerações em gerações essas aberrantes excepcionalidades morais. Nada! Essas são velhas raízes ruins da nossa etnosociologia. Já à época do Brasil colônia, o erudito Jesuíta Padre Vieira, em sua linguagem típica elaborada no barroco europeu já admoestava com as chamas do inferno nossos lusos colonizadores, também chegados ao ócio e aos mimos palacianos, à mão boba, mas experta dos gatunos.

“O que eu posso acrescentar pela experiência que tenho, é que não só do Cabo da Boa Esperança para lá, mas também das partes do Aquém, se usa igualmente a mesma conjugação. Conjugam por todos os modos o verbo rapio, porque furtam de todos os modos da arte… Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo… Furtam pelo modo imperativo… Furtam pelo modo mandativo… Furtam pelo modo optativo…

Furtam pelo modo conjuntivo… Furtam pelo modo potencial… furtam pelo modo permissivo… Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes, em que se vão continuando os furtos. “… E Que raízes, diga-se, impossíveis de desarraigá-las tal como dentes sisos com abcessos. Haja boticões.

 

Será que votar certo adianta? Mas votar em quem? Quem será o nosso Messias imune às imoralidades? Mesmos com todos os equívocos e singularidades do nosso presidente, um militar da caserna, de ultradireita como eu; se continuar assim, sem roubar e sem se permitir corromper, asseguro que de minha parte, estou muito satisfeito e me arrisco nutrir esperanças pelo soerguimento econômico e social do nosso país.



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