Óleo nas praias: oceanógrafo pede cautela com o banho de mar

Rian Pereira.

O BG entrevistou Rian Pereira, graduado em Oceanologia pela FURG, mestre em Geociências pela UFRGS e doutor em Geologia Marinha, Costeira e Sedimentar pela UFBA. Na entrevista, Rian falou sobre as consequências do derramamento de óleo que em outubro assolou todo litoral do Nordeste. A conversa com o pesquisador aconteceu no último sábado, 30, durante a roda de conversas do Instituto Bambuzal no condomínio Vivendas do Atlântico. O evento é organizado pela professora e antropóloga Geórgia Couto que uma vez por mês, sempre aos sábados, reúne um especialista, para numa roda de conversas, debater temas da atualidade.

Segundo Rian, áreas como a Baía de Camamu, que é o maior estuário da região, tem grande potencial para receber as manchas, por ser uma área vulnerável à migração do óleo. O oceanógrafo informou também que nos colchões rochosos, a exemplo dos que existem em Itacaré, há grande variedade de organismos, de perfil incrustante (que se prende às rochas) como algumas algas, cujo ambiente é propício para fixação do óleo.

Segundo Rian, a ingestão de frutos do mar e o banho devem ser feitos com cautela, pois o fato é recente e é importante que os órgãos responsáveis analisem a balneabilidade das praias e acompanhem os pescados para verificar o grau de contaminação. “Mariscos e ostras, por serem organismos que se fixam à superfície do mar, só filtram a água daquele local em busca de nutrientes. Se a água estiver contaminada, afeta os tecidos do organismo que se for consumido pelo homem pode gerar problemas”, informou Rian.

Roda de conversa com Rian Pereira. Foto: Emilio Gusmão.

Ele destacou também que a responsabilidade pela limpeza das praias deveria ser do governo federal, mas quem de fato realizou o trabalho foram os governos estadual e municipal. “Em Ilhéus, a ação de voluntários como o Grupo de Amigos da Praia (GAP) foi de fundamental importância para a limpeza das praias. Outros órgãos como o Corpo de Bombeiros e os setores de limpeza da prefeitura contribuíram e somaram esforços pela limpeza” disse Rian.

Sobre a situação de aparente normalidade das praias, Rian acredita que o fato de não vermos manchas de óleo, não significa que a água esteja em condições próprias para o banho. É preciso aguardar as respostas dos órgãos que cuidam das praias até elas serem liberadas para banho, afirmou o oceanógrafo.



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