De maneira injusta e sem provas, Policia Civil prende servente acusado de matar a esposa

Ivanildo e Leonildes: morte repentina e prisão injusta após sete anos de casamento. Fotos enviadas pelo Whatsaap.

 

Reportagem: Emilio Gusmão.

A luta do Estado brasileiro para diminuir a violência contra as mulheres levou a Policia Civil de Ilhéus a cometer um erro.

No último sábado, 07, o servente Ivanildo Coelho da Cruz (35 anos), ajudado por alguns amigos, colocava alguns móveis num caminhão. Ele, o único filho de 8 anos e a esposa Leonildes dos Santos Silva (29 anos), moradores de Una, mudavam de residência.

Por volta das 21 horas, Leonildes passou mal subitamente e caiu no chão. Como ela estava fora da casa, a queda foi presenciada pelas pessoas que faziam a mudança.

Auxiliado pelos amigos, Ivanildo levou a esposa para o Hospital de Una, que ao perceber a gravidade do estado de saúde da paciente, fez o encaminhamento para o Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus.

Após ser socorrida no Costa do Cacau, Leonildes faleceu por volta das 3 horas da madrugada de domingo, dia 08. A médica Candice Messias, por meio de uma “receita médica” que consta no inquérito policial, não conseguiu definir a causa da morte e encaminhou o corpo para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Ilhéus.

O levantamento cadavérico realizado pelo DPT apontou evidências de morte violenta, com lesão interna na traquéia de Leonildes em vários pontos, com intenso sangramento dentro do pescoço e com uma lesão no couro cabeludo. Conforme o resultado, há indícios de que Leonildes foi esganada e morta por asfixia mecânica.

Segundo o advogado Mesaque Soares, Ivanildo acompanhou o sofrimento da esposa do início ao fim. Quando saiu o resultado do levantamento cadavérico, ele estava no DPT.

Diante dos indícios de morte violenta revelados pelo laudo, policiais civis prenderam Ivanildo em flagrante nas dependências do DPT de Ilhéus. Ele foi levado para a delegacia (7ª Coorpin), onde ficou preso na carceragem.

A prisão de Ivanildo acusado de ter matado a esposa surpreendeu vários moradores de Una, onde o servente é tido como homem tranquilo, educado e introspectivo.

Relatos das testemunhas afirmam que o casal vivia em paz e harmonia. Os dois eram adeptos da Igreja Pentecostal “Uma Palavra de Vida”. O pastor da agremiação religiosa, Eronildo Silva de Jesus, disse em depoimento nunca ter percebido sinais de violência doméstica no relacionamento do casal.

Os três rapazes que ajudaram Ivanildo na mudança, e que presenciaram a queda de Leonildes, prestaram depoimentos na delegacia de Una com afirmações sobre a inocência do acusado.

Uma das testemunhas, um adolescente de 15 anos, afirmou ter presenciado o tombo de Leonildes. Disse que após ser avisado, o marido imediatamente tentou destravar a boca da esposa em convulsão.

Conforme o inquérito, mais duas mulheres que também acompanharam a mudança testemunharam a favor da inocência de Ivanildo.

Ivanildo trabalha na empresa Prest Service, prestadora de serviços do Hotel Transamérica, em Comandatuba (Una).  Sua patroa, Wilma Souza, disse ao delegado Renato Ribeiro que o comportamento do funcionário sempre foi exemplar.

No inquérito não há nenhum depoimento que tenha desmentido a versão das testemunhas que presenciaram a queda de Leonildes.

Funcionários do Hotel Transamérica e blogueiros de Una ouvidos pelo BG disseram não acreditar que Ivanildo tenha sido violento com a esposa. Segundo familiares, Leonildes teve convulsões na infância e na adolescência.

Mesaque Soares.

Segundo o advogado Mesaque Soares, a defesa de Ivanildo trabalha com a hipótese de ter ocorrido erro nos procedimentos de primeiros socorros realizados pelo Hospital Regional Costa do Cacau.

A médica Candice Messias afirma em receita médica que foram realizadas duas tentativas de intubação da paciente. Mesaque Soares acredita que a primeira tentativa, sem sucesso, pode ter gerado as lesões internas na traquéia e o sangramento dentro do pescoço.

Sobre a lesão no couro cabeludo, o advogado afirma que provavelmente foi gerada pela queda, pois Leonildes era obesa. Segundo uma das testemunhas, foram necessárias três pessoas para colocá-la no carro que a levou para o Hospital de Una.

Mesaque Soares disse ao BG que a Polícia Civil adotou a “lei do menor esforço”. A atuação da polícia, neste caso, destoou totalmente da normalidade. Com o resultado do laudo cadavérico, a polícia deveria ter investigado o caso em Una, ouvido vizinhos e parentes para detectar provas de violência doméstica.

Segundo o advogado, o resultado do exame apontou a causa da morte, mas não revelou o autor do suposto feminicídio, por isso, a prisão em flagrante foi ilegal. “Na dúvida, a polícia decidiu prender, quando o correto é investigar para apontar possíveis culpados”.

Mesaque Soares explicou que provavelmente o corpo de Leonildes será exumado para que ocorra um exame mais detalhado sobre a causa da morte.

O BG tentou ouvir um representante da Polícia Civil e a assessoria do Hospital Regional Costa do Cacau. Não conseguimos contato, mas estamos disponíveis para esclarecimentos.

Na última quarta-feira, 11, o juiz Eduardo Gil Guerreiro, da Vara Criminal de Una, mandou soltar Ivanildo.

O servente ficou três dias encarcerado na 7ª Coorpin e não acompanhou o velório e o sepultamento da esposa. Os dois foram casados durante sete anos.

Atualizado às 16h11min.

O delegado Evy Paternostro explicou a prisão de Ivanildo e confirmou a inocência. Clique aqui.



2 responses to “De maneira injusta e sem provas, Policia Civil prende servente acusado de matar a esposa

  1. Merece pela falha reparar o dano de reclusão indevida e do trauma causado pela prisão e por provar o esposo de se despedir da esposa no funeral. Quem vai pagar por isso?

  2. Quanto constrangimento e sofrimento o esposo perde a mulher no lugar onde deveriam salvar sua vida acompanha todo o procedimento para que esposa seja sepultada e é preso injustamente fica numa cela com 9 detendos , com todo o tipo de pessoa , não pôde ver o sepultanento da esposa seu filho de 8 anos fica sem a mãe e sem o apoio do pai. Quem ira pagar? So descansarei quando a justiça for feita. Minha família sofre. A muita coisa que ainda não foi dita. Foram 3 dias na delegacia fizeram pouco caso.

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