Bolsonaro e Paulo Guedes: o amor líquido entre o bobo da corte e a raposa faminta

Nasceu 2020 e morreu 2019. Sim, o tempo inexorável, passou rapidamente. Parece que foi ontem quando comemorávamos o início de 2019. Naquele momento, como sempre, os bem-intencionados e otimistas de plantão, mesmo que utopicamente, conseguiram irradiar suas crenças num futuro próspero. Ouvia-se nos mais diversos espaços, frases do tipo: quero esquecer 2018, ele foi muito pesado! Mas, infelizmente, nos despedimos de 2019 e recepcionamos 2020 com um sentimento de frustração. Penso que o novo ano se inicia sob uma névoa a ocultar a precarização da vida de milhões de brasileiros.

Por: Caio Pinheiro.

Em termos conjunturais, esperava que no alvorecer de 2020 pudéssemos comemorar a reestruturação da economia, mas, infelizmente, temos que nos contentar com dados manipulados que estão longe de demonstrar nossa realidade econômica, onde a estagnação é uma condição objetivamente irrefutável. Nesse sentido, até aqui, todas as medidas capitaneadas pelo Chicago Boy Paulo Guedes apontam na direção da manutenção do quadro recessivo. Me parece que os deuses da economia bolsonarista perderam seus superpoderes.

Por conta dessa realidade, até mesmo grandes expoentes do nosso utraliberalismo, a exemplo de Armínio Franco, ex-presidente do Banco Central, colocam-se contrários ao receituário de Guedes.  Segundo Fraga, enquanto o enfrentamento da desigualdade social e a equalização da renda forem preocupações secundárias, ficará difícil materializar um ambiente economicamente promissor. E antes que seja acusado de “velhaco comunista” (comunista sou, mas, velhaco, não!), lembro que os EUA, referência maior para nossos liberais, enfrentou a crise de 2008 implementado uma política monetária expansionista. Ou seja, Invés de demonizar o Estado, realizou reformas que promoveram maior investimento em educação, ciência e infraestrutura.

E assim seguimos enquanto o país dos paradoxos. Não bastasse, Bolsonaro, sendo fiel ao seu servilismo a Trump, resolveu tomar partido no assassinado do general Qassem Suleimani, chefe da Força Quds do Irã e um dos homens mais fortes do Oriente Médio. O Itamarati, através de seu chefe, rompeu uma tradição diplomática segundo a qual o Brasil sempre agiu em favor do distencionamente diplomático. Essa postura bizarra, pode nos trazer prejuízos econômicos, pois, só no ano passado vendemos 2,2 bilhões de dólares ao Irã em produtos agropecuários. Na pauta de exportações estiveram: milho, soja e carne.

Enquanto isso, durante o convescote anual da elite mundial em Davos, na Suíça, Guedes, apresentará o Brasil que prospera para os ricos, como o país que se desenvolve em favor de todos. Certamente comemorará nossa vergonhosa vice-liderança entre os países como maior concentração de renda no mundo, visto que é um dos concentradores. Mas nem tudo são flores, pois quando voltar à colônia (Brasil, nação que não pertence aos nativos) terá de enfrentar uma investigação do Ministério Público Federal sobre fundos de pensão. Isso mesmo!

Graças à atuação do Deputado Paulo Ramos, do PDT, veterano da Assembleia Constituinte, Guedes encontra-se na mira do MPF, dado as fortes evidências de ser sócio oculto de empresas e fundos beneficiados por decisões do governo. Vale salientar que, caso seja provado, essa condição configura um ato delituoso, previsto pela lei 12.813, de 2013 como “Conflito de Interesse”.

Segundo à denúncia do deputado Paulo Ramos, o ministro Paulo Guedes, “integra, seja como administrador ou sócio – inclusive possivelmente oculto – uma vasta rede composta por bancos e fundos de investimentos” que “se revezam não apenas na mesma sociedade, como também em várias outras, coligadas ou não, formando uma espécie de teia societária”. Tradução: laranjal! Mais: “tudo aponta” que Guedes após aderir à campanha de Bolsonaro, direcionou “uma série de reestruturações societárias nas empresas, fundo e todo tipo de investimentos em que tivesse participação, a fim de se ocultar”

Dúvidas não me restam do quanto mau essa turma tem feito e fará ao Brasil. Guedes e seus subordinados subordinam-se ao capital financeiro, que, vale reiterar: é um capital parasitário. Incompatível com qualquer política de reestruturação produtiva, o capital financeiro tornou-se como mostra Rana Fohoorar, editora do Financial Times, “um vento contrário ao desenvolvimento econômico e não um catalizador”. Por fim, espero que esse vento se torne rarefeito logo, do contrário, produzirá um dilúvio dizimador dos oprimidos, e, somente desses, já que Guedes e os seus estarão seguros na sua arca de Noé especulativa.

Caio Pinheiro é professor especialista em História Regional e em História do Brasil, e Mestre em História, Práticas Sociais e Representações.



4 responses to “Bolsonaro e Paulo Guedes: o amor líquido entre o bobo da corte e a raposa faminta

  1. Esse deve ser mais um professor do PT que levou a educação brasileira aos mais baixos índices. PARABÉNS.

  2. Piada pronta seu texto professor! Quero que a equipe econômica privatize TUDO e não fique nada sobre o poder do Estado que só sabe roubar e é ineficiente!

  3. A pobreza argumentativa do cidadão que escreveu este texto é tão grande, que é digno de pena. Capta somente os dados que lhe interessa, omite outros para formar algumentos sem base real e escreve com um linguajar altamente impopular e rebuscado para tentar transmitir a sua intelectualidade de botequim.

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