A história triste de um mocotó que não deu certo

Notinhas.

O prefeito e Joelia. Na antipolítica ambiental do governo Marão, o que menos importa é o mocotó.

Desde abril de 2018, quando José Nazal deixou a secretaria de planejamento e desenvolvimento sustentável, o prefeito Mário Alexandre tem afirmado no meio empresarial que suas determinações à superintendência de meio ambiente são cumpridas rapidamente e sem questionamentos.

Agilidade e presteza reconhecidas fizeram a superintendente de meio ambiente, Joelia Sampaio, supor que tinha “muita moral com Marão” (como se diz de maneira coloquial).

Joelia costumava visitar o gabinete do alcaide municiada de baguetes e pães deliciosos, na tentativa de reforçar o seu prestígio por meio do estômago. Glutão convicto apesar de já ter feito cirurgia bariátrica, Marão até os farelos ingeria.

Mas faltava o pulo do gato.

Joelia queria ter mais “status”. Sonhava com o posto de secretária.

Apoiada pelo Ministério Público estadual, convenceu o prefeito a transformar a superintendência em secretaria. O projeto foi enviado à Câmara de Vereadores e aprovado rapidamente.

Para garantir a nomeação, Joelia preparou, em sua própria residência, um delicioso “mocotó” para o prefeito. O prato foi preparado com muito afeto, gordura e substância.

O mocotó foi comprado num açougue de confiança. Cada quilo foi lavado com um limão rosa escolhido a dedo. Uma panela de pressão novinha foi comprada para o cozimento. Alhos, cebolas picadas, pimenta-do-reino, cominho, hortelã, coentro, massa de tomate, sal, pimentas de cheiro e pimentas ardidas foram adicionados com carinho e muita esperança. Em paralelo, não faltaram tripas e o bucho para o tão requisitado “mocofato”.

O prato foi servido e Marão lambeu os dedos e melou a camisa. Satisfeitíssimo, olhou para a assessora e disse: “Obrigado! Quero você sempre comigo. Vamos pra luuuuta!”. Os demais convidados também aprovaram.

Dias depois, Marão nomeou o advogado Mozart Aragão como titular da nova secretaria. Joelia, se quiser, vai continuar como superintendente (sua família assim deseja).

Observadores xeretas e maldosos atribuem a falta de sorte ao cozimento interrompido para a troca do botijão de gás. Outros falam que a anfitriã exagerou na pimenta e no carinho.

É provável que o motivo jamais seja esclarecido e que Joelia se dê por satisfeita, apesar do imenso esforço.

A vida é assim mesmo.



One response to “A história triste de um mocotó que não deu certo

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk essa história foi tirada das páginas de algum livro de Jorge Amado? não paro de rir, excelente!!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *