“Palito e Botijão” estreia na praça do Teatro Municipal de Ilhéus nesta quinta-feira

Espetáculo estreia nesta quinta-feira, 13.

Nesta quinta-feira (13,) estreia na praça em frente ao Teatro Municipal de Ilhéus, às 17 horas a peça “Palito e Botijão – Os Reis da Rua”, espetáculo de palhaços com estrutura de rua. E no dia, 12, um dia anterior, acontecerá a pré-estreia do trabalho na Associação Centro Educacional de Ação (ACEAI), no Nossa Senhora da Vitória, também no mesmo horário.

A peça nasce da parceria dos atores clowns, Ed Paixão (Trupe Teatro Sem Fim), e Gilberto Morais (Cia. de Teatro Mistura), veteranos na arte local, que através de um processo de pesquisa de imersão e aprofundamento do jogo clássico entre o Branco e o Augusto, o inteligente e o atrapalhado, trazem para a cena, um espetáculo com o humor nosense da década de 20, do século passado, com gags e reprises inspiradas na famosa dupla “O Gordo e o Magro” com toda uma contextualização para os dias atuais, bebendo muito da identidade local da terra do cacau.

O Branco e o Augusto são dois arquétipos importantes para o universo teatral e circense. O primeiro é inteligente, harmônico, gracioso e belo (O gordo). Ele é tido como a voz daquilo que se deve fazer, daquilo que a sociedade reconhece. O segundo, é a criança e o animal que não sucumbe ao “status quo” e que se rebela ao ver a perfeição (O magro). Esta relação, no entanto, não é como o bem e o mal ou o ying e yang, e sim uma relação dialética, onde a autoridade é sempre questionada. O patrão é o Branco e o proletário é o Augusto. A função social do clown está inserida numa discussão de tese e antítese, pois ele denuncia as angústias e as debilidades da sociedade em que está inserido, como explicito numa cena do filme do Gordo e o Magro, onde eles carregam uma arma de destruição em massa dentro de uma mala de couro, exemplificando a racionalização do mal e a banalidade da guerra.

“Eu e Ed, trabalhamos juntos pela primeira vez na proposta do “Clube dos Palhaços” no início de 2018, na Tenda TPI, que era um processo de experimentação, de muito improviso, com um roteiro pré-definido de ações, mas sem a obrigatoriedade da criação de diálogos para serem memorizados, e analisávamos muito o que funcionava no resultado de cada intervenção, o que era aproveitável, ou descartável, no fluxo de energia gerado entre os artistas e o público. Como desfecho, sentimos a necessidade de montarmos um espetáculo com um texto dramatúrgico, e usando como base as experimentações realizadas dentro do clube, com uma história bem amarrada, onde a diferenciação do jogo do Branco e do Augusto ficassem bem ressaltadas, e só agora nos meses de janeiro e fevereiro conseguimos fazer isso se tornar realidade, por meio de uma agenda de ensaios consolidada de segunda a sábado, o que gerou a fluidez de um trabalho bem artesanal, focado nos mínimos detalhes. A professora e palhaça, Bete Dorgam, sempre destacou, que a gente não escolhe o palhaço da gente, a gente simplesmente percebe como ele é e vai aos poucos convivendo com ele. Você nasce com teu palhaço, vive com ele, e morre com ele. Ele vai embora com você. Ele é intransferível. A cada trabalho a gente busca aprender com ele e evoluir com sua generosidade e humildade com a plateia na arte do riso. Nesse trabalho específico pontuamos o jogo de peteca dos arquétipos com o esqueleto de desenho animado, onde os papeis se invertem em algumas cenas. Então o “Gordo” também será um “Augusto” em determinado momento da peça e o “Magro” será o “Branco”.” Explica Gilberto Morais.

O espetáculo estará em cartaz, nesta quarta, 12, com a pré-estreia no ACEAI, e a estreia oficial, dia 13, na praça do Teatro Municipal de Ilhéus, sempre às 17 horas em ponto. A peça tem classificação livre para todas as idades e a garantia do deslumbre de um humor genuíno e clássico da nova década de 20. A peça tem apoio do espaço ACEAI, do Observatório Astronômico da UESC, e do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães.

Obs: As datas estão sujeitas a alteração em caso de chuva.



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