Política, políticos, fatos consumados

Há também uma síndrome grave em que se constata acometida nossa paciente cidade: ela é soropositiva da síndrome da deficiência imunológica contra maus políticos! Ilhéus não possui anticorpos que possam defendê-la das graves infecções recorrentes por infestações vetorizadas por votos em maus políticos, oportunistas, proxenetas, preguiçosos e suas corriolas de lactentes e parasíticas de todos os tipos e subtipos.

Por: Mohammad Jamal.

Vendendo lote de Bitcoins baratinhos! Pelo que estamos vendo passivos e estarrecidos, a política liderar a lista restrita dos bons negócios em nosso país? Ressalvados, é claro, uma diversificada segmentação de negócios arriscados ainda relativamente lucrativos como tráfico de armas, de drogas, as grandes milícias, etc. não obstante os altos riscos que envolvem os “empresários” que optarem por investir nesses segmentos de atividades tidas ao revés das leis. E a corrupção na política, porque não inclui-la; Mas fica uma dúvida cruel: em qual classificação a colocaríamos?

Mártires da nossa história. Não vamos ocultar ou ignorar os reconhecidos sacrifícios a que se submetem os postulantes para adentrarem a esse rentabilíssimo negócio onde, se observarmos superficialmente, o povo representa o seu principal insumo e mercadoria. Não estão ocultos da visão crítica dos eleitores, os sacrifícios à custa da auto martirisação para ascender nesse ramo de negócios. É de se destacar alguns méritos. Nunca se mencionou a venda de filhos ou aluguel de esposa, mas as mortes de candidatos inadimplentes por dívidas contraídas com financiadores ciganos, essas são inúmeras. No vale tudo para fazer capital financeiro para arcar com os elevados custos de campanhas, vendem o único imóvel onde reside, o carro, lançam-se ávidos a empréstimos impagáveis na rede bancária, claro, quando encontram algum incauto avalista de boa fé; descontam cheques insolúveis de fundos, vendem sítios, bicicletas, patinetes e as poucas joias heranças de família se ainda existentes, porque se eleitos, vão recuperar todo o capital investido com correção monetária e lucros farisaicos de usura, mas vale tudo, desde que pelo bem do polvo, esse octópode que vota.

Tudo por dinheiro. E tem a guerra sangrenta pelo dinheiro grátis, do nosso suor. E tudo isso porque na hora do “vamos ver” da divisão do Fundo para Financiamento de Campanha, aos neófitos, os sem cash de votos, os integrantes de partidos anões, os possíveis azarões, cabe-lhes somente a merreca de alguns milhares de reais na partilha; bolsa insuficiente para adentrarem a esse seleto ambiente draconiano onde do “pescoço pra baixo é canela”.

He-Man. Sabe com quem está falando? Aqueles que já estão dentro recebem o naco de leão alfa e, no bem bom, viciados nos mimos, luxo e fartura fazem de tudo para manter-se no cargo. Cobiçam sequiosos à posição daquele que está mais acima da sua gradiente de poder, enquanto urdem silenciosamente estratégias traiçoeiras para derrubá-lo. Por regra geral, exageram ferozes os esforços nos combates encarniçados para barrar a entrada dos novos postulantes. Nesse ramo, a concorrência não é benvinda nem salutar, não melhora, tampouco estimula a rentabilidade do capital investido, é só concorrência mesmo; uma grave ameaça.

O olhar complacente sobre a derrota. Com muito desconforto e inquietação assisto da janela do meu barracão, daqui do Barro Vermelho/Vilela, a velha cidade outrora Capitania Hereditária, definhar à tísica sua bela imagem que já serviu de inspiração a escritores, artistas plásticos e fotógrafos famosos. Isso me tem causado sentimentos de intensa decepção e desesperança quase suficientes para me fazer recluso às quatro paredes do meu barraco. Isso para não ter que confrontar o trágico quadro de saúde da nossa cidade, agônico e terminal, coisa que só agrada aos mórbidos e aos políticos, não a mim.

Tá um caco. Nesse estágio da vida, Ilhéus mostra-se tal e qual uma filha bastarda e abandonada. Isso porque aqueles que, fingindo esperanças e cura, se propuseram adotá-la, mas apenas seduziram-na, exploraram-na e a abandonam à própria sorte quando dela já tiraram quase tudo, menos a autoestima que ainda lhe resta.

Analogias e psicanálise. Acometida pela síndrome da alienação parental, Ilhéus evolui sob o modelo de educanda, enquanto prisioneira é espoliada por oportunistas que a drenam até vê-la cair exangue e de joelhos a pedir por clemência. Na verdade, essa analogia à síndrome da alienação parental, também conhecida como implantação de falsas memórias, é a expressão cunhada pelo médico-psiquiatra norte-americano Richard Gardner para designar o ato de prover uma criança de uma série de informações que denigram um dos genitores com o intuito de que ela o odeie, sem qualquer justificativa plausível. Tal conduta se faz presente, geralmente, em separações conflituosas de casais quando o cônjuge que fica com a guarda dos filhos, utiliza as crianças como instrumento de vingança contra os genitores que não detêm a guarda. “Nesse caso presente, nos referimos por analogias a uma suposta síndrome de alienação não parental, mas similarmente política”, quando a cidade mãe, essa sim, maltratada, violentada física e emocionalmente e em seguida abandonada por seu cônjuge político, faz com que sua prole – filhos eleitores – odeie justa e merecidamente o cônjuge político omisso. E são muitos aqueles que esposaram Ilhéus apoiados pelos dos filhos crédulos dessa cidade.

Psicanálise das massas. Há também uma síndrome grave em que se constata acometida nossa paciente cidade: ela é soropositiva da síndrome da deficiência imunológica contra maus políticos! Ilhéus não possui anticorpos que possam defendê-la das graves infecções recorrentes por infestações vetorizadas por votos em maus políticos, oportunistas, proxenetas, preguiçosos e suas corriolas de lactentes e parasíticas de todos os tipos e subtipos.  Há vacinas contra essas “doenças debilitantes”, entretanto, o que mais nos choca, não obstante a tudo que testemunhamos empiricamente, é que o povo faz questão de ver padecer em sofrimento sua cidade, porquanto se nega a ser vacinado preventivamente contra esses males! Ainda mais agora que a cidade ganhou uma D. Ponte, toda iluminada, igual uma arvores de Natal, linda.

O pão mofado fede a rabo do cão. Não gosto de falar sobre políticos e politica como representação democrática do povo porque ambos são elementos de fatos consumados. Que podemos fazer contra esses fatos em andamento, inevitáveis, irrecorríveis próximos de se consolidarem realidade? Usar o voto como medicamento heroico? Fala sério vai. Se você pretende trocar a cangalha pela canga ou, seis deles por meia dúzia vivendo à custa dos nossos impostos, iluda-se com esse artifício democrático contra eles, “um direito constitucional obrigatório”, o voto. Os mesmos de sempre serão reconduzidos regados a vinho Borgonha, trufas negras e caviar do Mar Cáspio e você, na farofa de ovo baratinho comendo o pão que o diabo amassou com mãos imundas com que coçava o rabo.

O movimento “Vamos às Ruas dia 15”, para protestarmos contra as condutas do Congresso Nacional – Câmara e Senado – e as decisões polêmicas do STF, não foi planejado e/ou organizado pelo Presidente Bolsonaro, nasceu da insatisfação e repúdio da população brasileira. Mas nosso Presidente, como bom brasileiro, estadista democrata, patriota de elevado espirito cívico, mostrou que é um direito do povo demonstrar seu repúdio e indignação com os métodos políticos nocivos ao país sendo praticados abertamente contra o cidadão trabalhador. Ficar em casa é como avalizar tudo isso que está acontecendo no Legislativo praticado por políticos profissionais contra os interesses dos brasileiros trabalhadores. Política não é profissão. Por isso não gosto de escrever sobre política. São fatos consumados, “Agora é tarde, Inês é morta”. A expressão vem de uma história na qual um nobre queria se casar com Inês, porém, já era tarde demais, pois ela já estava morta.

Mohammad Jamal é colunista do Blog do Gusmão.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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