Por que Ilhéus ainda não parou tudo?

Por isso, repito, é aterrorizante andar por Ilhéus como andamos na quinta, sexta e neste sábado e vermos tudo funcionando quase normalmente, com grande fluxo de pessoas nas ruas, dando toda a oportunidade para que o vírus, silenciosamente, contamine a todos, sem que haja praticamente mais nada a fazer em favor das pessoas contaminadas depois disso.

 

Por Julio Gomes.

Muitos de nós estamos acompanhando, com a maior preocupação, o avanço avassalador da epidemia de Corona Vírus no mundo, e aquilo que começou na distante China, matando milhares, já se transferiu para a Europa, onde somente neste sábado, dia 21/03/2020, eu um único país, a Itália, matou 793 pessoas, em uma tragédia que aumenta a cada dia.

O Vírus, como todos sabem, já está no Brasil desde 26 de fevereiro, quando foi registrado o primeiro caso, e no momento em que escrevo este texto temos no Brasil 1.128 casos, com 18 óbitos, e na Bahia 41 casos confirmados. Isso oficialmente, pois sabemos que estes números devem ser apenas a ponta do iceberg, já que os números reais tendem a ser muito, muito maiores. E isso apenas 25 dias após o registro do primeiro caso no Brasil.

Em Itabuna a vida seguia aparentemente normal até que, no dia 19 de março, foi oficialmente notificado o primeiro caso, e o Prefeito daquele município imediatamente decretou o fechamento do comércio e a cessação da imensa maioria das atividades, recomendando expressamente que a população permanecesse em casa; e na pequena Itacaré o Prefeito também adotou medidas administrativas drásticas, além de alertar de forma veemente, por meio de áudios de WhatsApp,  que todos permanecessem em casa ante as gravíssimas ameaças à vida de todos, sem exceções.

Enquanto isso, aqui em Ilhéus, a vida segue quase normal. Excetuado o necessário fechamento de escolas e Igrejas, e mais umas poucas medidas administrativas ineficazes, tais como a simples restrição do funcionamento do comércio das 9:00 às 15:00 horas (Decreto nº 19, de 20/03/2020) – o que na prática é uma autorização para que ele continue aberto – quase nada foi feito, de maneira absolutamente assustadora, aterrorizante!

Afirmo isso porque não há remédio nem tratamento eficaz contra o Corona Vírus, e já foi dito pelo Governo Federal que o Sistema de Saúde Pública entrará em colapso, assim como que a única coisa que podemos fazer é permanecer em casa para diminuir a velocidade de disseminação do Vírus e, portanto, a mortalidade que ele trará.

Por isso, repito, é aterrorizante andar por Ilhéus como andamos na quinta, sexta e neste sábado e vermos tudo funcionando quase normalmente, com grande fluxo de pessoas nas ruas, dando toda a oportunidade para que o Vírus, silenciosamente, contamine a todos, sem que haja praticamente mais nada a fazer em favor das pessoas contaminadas depois disso.

Ando pelas ruas e vejo os pobres trabalhadores se espremendo em ônibus lotados e fechados no mesmo ar condicionado, e lojas e mercados cheios de potenciais doentes e de possíveis vítimas fatais do terrível Vírus.

Brasília Parou. Salvador parou. Itabuna parou. Itacaré parou. Mas em Ilhéus tudo continua funcionando quase normalmente, e todos se preparam para lotar ônibus, lojas, canteiros de obras, fábricas e toda a espécie de estabelecimento onde se trabalha, na segunda-feira, como se Ilhéus estivesse situada em Marte, fora do planeta Terra, ou como se isso não pudesse custar, em futuro mais do que próximo, a vida de dezenas ou centenas de ilheenses, já que o Corona Vírus não é suscetível de tratamento eficaz, nem haverá leito nos hospitais para todos.

Passo nas ruas, olho o rosto dos pobres comerciários, dos ambulantes e das donas de casa, e fico pensando no rastro de dor e morte que o não fechamento do Comércio e atividades que não sejam absolutamente essenciais deverá causar. Não dormi na noite passada pensando nisso, e também em minha família, porque não moro em Saturno, nem estou cego.

Finalizo este texto com um apelo veemente, cheio de urgência, onde clamo para que as autoridades de nosso Município determinem, pelo amor de Deus, a paralisação de todas as atividades que não sejam estritamente essenciais, para que não venhamos a pagar, com um número cada vez maior de mortos, por cada minuto de atraso na determinação do fechamento total e absoluto das atividades não essenciais em nossa cidade.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.



6 responses to “Por que Ilhéus ainda não parou tudo?

  1. Bom dia, vcs tem que entender que não se pode parar tudo de vez, tem muita gente que tem trabalho informal, e necessidade do dia a dia , vcs podem ficar em casa recebem sem fazer nada, quero ver ir para feira livre, quero ver ser motorista de aplicativo, de táxi ou moto táxi, os ambulantes o que vão fazer agora me diga aí vc

  2. Infelismente isso causou um impacto radical
    E melhor nos resguardar e esta vivo e saudavel pra recomeçar
    Infeslimnte
    Temos que passar por isso e essas pessoad que que tem medo de parar com medo de nao ter dinheiro comida ou seila oque mais nao tem medo de um virus mortal arriscam os que estao se previnindo contas vao atrazar vai ficar sem dinheiro bolso pode ate passar necessidade e dai e se contrair o viris ainda transmitir pra quem nao tem nada aver
    Tem parar sim
    So pesso encarecidamente que tem comida divida com quem nao pq sem comida e agua ai sin ia ficar estreito

  3. Vamos parar tudo, não é? Isso é muito bom para quem é funcionário público ou tem muita grana no bolso. E aqueles que dependem do que vendem ou produzem para alimentar a família?

  4. Farmácia é comércio, não é? E se a pessoa for acometida de um mal súbito e precisar comprar um remédio, ou a losartana do hipertenso terminou, como é que fica? Vai ao hospital pedir e se arriscar a pegar a doença chinesa? E como ele chegará ao hospital se não há transporte circulando?

  5. Supermercado, mercearia, quitanda, padaria, açougue. Tudo isso é comércio, não é? Tens estoque de alimentos? Para quantos dias? Quanto tempo irá durar essa situação de contaminação?

  6. Quanto tempo ficaremos escondidos? Estaremos seguros em nossos lares? será que pessoas mais apavoradas e famintas não tentarão invadir nossas casas? Acho melhor não fechar nada, não parar nada e continuarmos a viver honradamente e respeitando as leis de higiene. Haverá muito menos mortes.

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