O que o Dia Mundial da Água tem a ver com o novo coronavírus?

Lavar corretamente as mãos é um dos atos mais importantes para combater a disseminação do novo coronavírus e frear seus efeitos nefastos: superlotação em hospitais, redução da atividade econômica e, principalmente, perda de vidas.

Por Felipe Madureira.

Os serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário se somam aos de drenagem de água pluviais e coleta e manejo de resíduos sólidos e compõem, conforme a Política Nacional de Saneamento Básico (Lei 11.445/2007), os quatro serviços públicos essenciais que esse instrumento regulamenta.

São serviços básicos, porque seu acesso pleno dignifica e garante saúde, mobilidade e qualidade de vida. Investir no setor é reduzir gastos em unidades de atendimento à saúde e demonstrar compromisso com o meio ambiente e com a sustentabilidade.

O Dia Mundial da Água, celebrado domingo, 22 de março, não serve apenas para alertar sobre a esgotabilidade de um recurso fundamental à vida, que é a água; mas também sobre a responsabilidade que todos nós temos, como cidadãos, em usar adequadamente esse recurso. O uso responsável passa pelo consumo moderado de água tratada nas rotinas diárias; por processos de otimização e de reaproveitamento das indústrias e lavouras; e pela ocupação e uso do solo, respeitando a importância das matas ciliares e da conservação de rios, lagos e nascentes. E também pelo uso adequado das redes de esgotamento sanitário, que são fundamentais para o ciclo da água para abastecimento, pois se devolve à natureza um efluente tradado com mínima carga poluidora.

Lavar corretamente as mãos é um dos atos mais importantes para combater a disseminação do novo coronavírus e frear seus efeitos nefastos: superlotação em hospitais, redução da atividade econômica e, principalmente, perda de vidas. A vida é o que realmente importa. E, infelizmente, muitos ainda não perceberam que a forma como a água é utilizada agora impactará na oferta de água do futuro. Que fraudes na distribuição e desperdícios prejudicam a todos: idosos, crianças, mães e instituições que precisam intensificar seus esforços de higiene e não podem descontinuar seus serviços, em benefício da população.

A Embasa também precisa fazer sua parte para que não falte água tratada nas torneiras, mesmo levando em conta a situação de estresse hídrico de alguns de seus mananciais, antes mesmo da crise do coronavírus. Por isso, adotou medidas como suspensão de férias programadas de todos os colaboradores vinculados à área operacional; intensificação do trabalho nas ruas, para dar mais agilidade às manutenções de redes e ramais; e montagem de um gabinete de crise com a Coelba, já que energia elétrica é um dos principais insumos para viabilizar os processos de captação, produção e distribuição de água tratada. O acesso de água de qualidade é, ainda, viabilizado à população por meio da política tarifária, que permite que a Embasa cobre a mesma tarifa em todos os municípios onde atua, mesmo nos de pequeno e médio porte, onde as receitas são insuficientes para cobrir as despesas.

O que o dia da água tem a ver com o novo coronavírus? Tudo. Quem, figurativamente, “lava as mãos” para o futuro do saneamento, também demonstra falta de amor e de respeito ao próximo e ao planeta onde vive, em especial neste momento, onde os interesses coletivos se sobrepõem aos individuais e TODOS precisam fazer sacrifícios para que a tudo volte à normalidade o mais rápido possível.

Água e saneamento: essa agenda é de todos!

Felipe Madureira é engenheiro e Gerente Regional da Embasa em Itabuna. 

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *