Até onde vai nosso direito de sair?

Ao ficarmos em casa, além de nos protegermos, protegemos também nossos familiares, pois não traremos para dentro de nossas moradas a chance de contágio de uma enfermidade que pode ser fatal.

Por Julio Gomes.

Neste momento grave de avanço do Corona Vírus no Brasil e no mundo, temos nos deparado com situações completamente inusitadas, inimagináveis até um mês atrás, e que mudaram substancialmente nossas rotinas e nossas vidas.

Aqui no Brasil, uma das alterações mais perceptíveis em nosso cotidiano é a recomendação para ficarmos em casa, feita pelo Ministério da Saúde, pela OMS – Organização Mundial de Saúde e por todas as autoridades sanitárias, reforçada pelos governadores dos estados e constantemente massificada pela mídia.

De fato, para pessoas comuns como eu e você, que não temos poderes de Estado nem poder econômico ou político, ficar em casa parece ser, neste momento, a única coisa que podemos fazer para contribuir no combate ao avanço do vírus, de forma a impedir ou, ao menos, retardar o adoecimento das pessoas, sobretudo para diminuir o impacto no sistema de saúde, que não é capaz de cuidar de milhares de pessoas ao mesmo tempo, pois há um limite em sua capacidade de atendimento.

A grande maioria de nós não trabalha na área de saúde, não é policial, não trabalha em serviços essenciais, assim definidos através de leis e decretos. Estes podem até trabalhar com restrições, cautelas, proteções individuais ou em sistema de rodízio, mas não podem parar totalmente, e têm de enfrentar o risco de uma eventual contaminação, de forma mais direta.

Entretanto, nós outros, que podemos permanecer no lar, que podemos trabalhar em regime de home office, que não temos obrigações urgentes, que temos alimentos para sobreviver neste período, não só podemos como devemos ficar em casa.

Ao ficarmos em casa, além de nos protegermos, protegemos também nossos familiares, pois não traremos para dentro de nossas moradas a chance de contágio de uma enfermidade que pode ser fatal.

Ficando em casa também deixamos de sobrecarregar serviços e pessoas com tarefas que podem esperar, que na verdade não nos trarão nenhum prejuízo com sua ausência.

Ficar em casa proporcionará mais liberdade para quem precisa de fato estar nas ruas, que estarão com menos pessoas e, portanto, com menos possibilidades de contaminação, com vias livres para que se circule à vontade, com muito mais segurança.

Nosso lazer, nossos exercícios, nosso consumo deste ou daquele produto, tudo isso pode ser feito em casa, mediante as adaptações necessárias.

Por tudo isso, se você pode ficar em casa, não encare isso como uma simples opção, mas como um dever cívico, como necessidade a ser cumprida, como um ato de amor e, talvez, como a única contribuição eficaz, porém essencial e intransferível, que você pode dar neste momento tão difícil e doloroso para milhões de pessoas em todo o mundo.

Não é opção, é obrigação de solidariedade, de respeito humano, e um ato de amor a si e ao próximo: fique em casa.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *