O uso de máscaras faciais em Ilhéus

julio nova

Porém, além da imposição legal, há outro aspecto que merece ser considerado, que se relaciona à forma como vivemos e como valorizamos e respeitamos – ou não – a vida alheia.

Por Julio Gomes.

Com a publicação do Decreto Municipal nº 030/2020 entrou em vigor em Ilhéus, desde segunda-feira passada, dia 27 de abril, a obrigatoriedade do uso de máscaras faciais para todas as pessoas que estiverem dentro deste Município, como forma de tentar conter o drástico aumento do contágio de COVID-19, cujo número de diagnósticos positivos para o Corona Vírus tem, recentemente, dobrado a cada cinco dias.

Em grande parte por conta deste Decreto, a partir de segunda-feira aumentou, de forma significativa, o número de pessoas que passaram a circular utilizando as máscaras, o que pode ser constatado pela simples observação de quem caminha pelas ruas e demais espaços em nossa cidade.

Entretanto, em contraste com a grande maioria que adotou as máscaras, ainda há aqueles que teimam em andar pelas ruas sem usá-las, ou usando-as sob o queixo, carregando-as nas mãos ou nos bolsos, onde são absolutamente ineficazes.

Faz-se necessário ressaltar, inicialmente, que até antes do dia 27 de abril o uso das máscaras era uma opção, mas a partir desta data tornou-se uma obrigação legal, imposta a todos sob as penas da lei que, portanto, deve e tem de ser respeitada.

Porém, além da imposição legal, há outro aspecto que merece ser considerado, que se relaciona à forma como vivemos e como valorizamos e respeitamos – ou não – a vida alheia.

Quem circula utilizando sua máscara facial é visto como pessoa responsável, respeitosa, que valoriza à própria vida e a vida das outras pessoas, fazendo com que nos sintamos melhor e confortados ao estarmos perto delas, mesmo sem abrir mão do distanciamento físico mínimo de cerca de um metro e meio que, ainda assim, se faz necessário.

Já aquelas poucas pessoas que teimam e circular sem usar máscaras estão permanentemente passando atestado de desprezo pela própria vida, de incapacidade de compreender a gravidade do momento que o Brasil e o mundo vivem, e de seu total desprezo pela saúde, segurança e vida das demais pessoas, em um ato que vai muito além da simples má educação, na medida em que pode ocasionar a contaminação e até a morte das demais pessoas.

Quando vemos pessoas sem máscaras, vem de dentro de nós um impulso instintivo de nos afastarmos dela, de aumentarmos a distância, de nos ausentarmos o mais rápido possível de sua presença, pois se ela não valoriza a vida, nós outros valorizamos.

Portanto, se você andar pelas ruas sem máscaras e as pessoas franzirem a testa, com a expressão labial de desagrado ocultada pelo pano que a cobre, mas demonstrando desagrado e reprovação na parte visível da face; e caso se afastem de você o mais rápido possível, não estranhe, porque foi sua atitude de andar sem máscara que provocou tal situação.

E desde já compreenda que se as pessoas que hoje lhe veem sem máscara passarem a ter uma atitude negativa com relação à sua pessoa – atitude que poderá perdurar mesmo após o fim da pandemia, que passará, mas deixará seu lastro de dor e morte pela perda de pessoas muito queridas – aceite sem reclamações essa situação de afastamento e repulsa que você mesmo criou, pois na vida cada um colhe aquilo que plantou.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Siga o canal do autor clicando neste link.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *