Pandemia, saúde e bicicletas

Apesar de todas as dificuldades, há sempre a luta e a esperança de que o Poder Público instale ciclovias; de que motoristas deixem de ver os ciclistas como empecilhos ao tráfego; e de que possamos, mediante um investimento viável para a imensa maioria das pessoas, utilizar a bicicleta com segurança e cuidar melhor de nossa saúde.

Por Julio Gomes.

Não é hora de defender, neste momento do avanço de mortes por COVID-19, o retorno às atividades econômicas nem àquilo que ainda chamamos de vida normal. Mas, mesmo deixando marcas inapagáveis, este momento trágico há de passar, pelo que devemos nos preparar para a nova vida no pós-pandemia que, no futuro, virá.

Em países da Europa duramente castigados pelo coronavírus, tais como Inglaterra e França, um dos aspectos que se afirmam como tendência é o uso da bicicleta nos deslocamentos de pessoas nas cidades, para retomar às atividades sem as aglomerações inevitáveis que ocorrem nos transportes coletivos; e também buscar mais saúde, algo que todos nós, sem dúvida, passamos a valorizar mais, no mundo inteiro.

Nos dois países acima mesmo durante o período mais difícil da pandemia as oficinas destinadas à manutenção de bicicletas figuraram como serviços essenciais, paralelamente à suspensão do funcionamento de ônibus, trens, metrô e outros meios de transporte em que há alto potencial de contágio.

Entretanto, os governos destes países foram muito além disso. Para incentivar o uso de bicicletas no período de desconfinamento, o governo francês decidiu criar um fundo de 20 milhões de euros, de onde sai uma ajuda individual única de 50 euros por pessoa (cerca de R$ 290,00) para quem quiser efetuar reparos em suas bicicletas.

Na Inglaterra, o Primeiro-Ministro afirmou, dia 6 de maio, que vislumbra “uma nova era de ouro para o ciclismo”, tendo anunciado uma série de medidas de incentivo ao uso da bicicleta, o que foi seguido por um pacote bilionário para o incentivo do ciclismo e de caminhadas.

Itália, Espanha, Alemanha e Bélgica também adotam iniciativas semelhantes, promovendo, entre outras medidas, o aumento do número e da quantidade de quilômetros de ciclovias e ciclofaixas nas cidades.

Estamos no Brasil e, obviamente, não esperamos que governos que não fornecem UTIs, nem respiradores, nem renda mínima para trabalhadores, nem socorro às pequenas e médias empresas venham a promover políticas de incentivo ao ciclismo como forma de prevenção contra novos contágios. Sabemos que, ressalvadas raras exceções dentre aqueles que exercem altos cargos públicos, estamos abandonados à nossa própria sorte.

Mas se os governos podem não estar preocupados com nossa saúde e segurança, nós estamos, e isso nos leva a considerar seriamente a hipótese de adotar, na volta às atividades, a “bike” como meio de transporte, evitando as terríveis aglomerações que sempre existiram nos ônibus e demais meios de transporte urbano que utilizamos, o que reduz nossas chances de contágio e melhora significativamente nossa qualidade de vida.

Apesar de todas as dificuldades, há sempre a luta e a esperança de que o Poder Público instale ciclovias; de que motoristas deixem de ver os ciclistas como empecilhos ao tráfego; e de que possamos, mediante um investimento viável para a imensa maioria das pessoas, utilizar a bicicleta com segurança e cuidar melhor de nossa saúde.

Em Ilhéus, a existência da ciclofaixa que liga o Malhado ao Parque infantil e, especialmente, a abertura daquela que virá com a inauguração da nova ponte, permitindo a travessia Pontal – Centro com ampla segurança e desfrutando de um visual maravilhoso, serão incentivos extras para adotarmos o uso mais intenso e cotidiano da bicicleta, oportunizando mudarmos nossos hábitos de vida para melhor.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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