Ilheense que mora na Suiça conta como o pais enfrenta o novo coronavírus

Parque em Lausanne durante feriado na Suiça, na última segunda-feira (01). (Foto: Robert Gusmão).

Por Robert Gusmão Alves.

Écublens, dia 03 de junho de 2020.

Atualmente, a Suíça contabiliza um número de 3.871 casos confirmados de Covid-19 e 1.657 óbitos pela infecção.

A curva vem sendo descendente, sinalizando que as medidas que foram adotadas pela Confederação e o Ministério da Saúde vem funcionando. Ainda no dia 11 de março, o “Tessin”, região que faz divisa com a Itália, que até então era o país onde o vírus tinha sido mais letal, foi a primeira a fechar escolas e fronteira.

O pequeno país, que está no meio desse “tiroteio europeu”, conta com um sistema de saúde que vem se mostrando sólido e eficaz, e não veio a colapsar, como ocorreu notadamente na França e igualmente na Itália. A “assurance maladie”, o equivalente a um plano de saúde que é obrigatório para cada cidadão domiciliado no país, vem arcando com as despesas hospitalares e custeia parte do transporte de pacientes em ambulâncias.

No dia 02 de junho, o número de óbitos devido à Covid-19 foram três, mas não ocorreram óbitos em todo território suiço nas últimas 24 horas. Segundo o Ministério da Saúde, um total de 400.793 testes foram efetuados, com somente 9% positivos.

O índice de contaminação se mantém a 360 casos por 100.000 habitantes, com uma idade média de 52 anos de idade nos casos confirmados.

Nesse mesmo dia, o jornal “20 minutes” destaca numa manchete: “Bolsonaro e a pandemia: como Trump, só que pior”. A coluna publicada pelo jornal local vem batendo na tecla, citando a “obsessão econômica e pela Cloroquina” que destaca o Brasil no noticiário internacional.

A seguinte pergunta é: quem terá mais sangue nas mãos e força de bater com os punhos firme em pontas de facas? Essa teimosia vem custando muitas vidas e é um exemplo a não ser seguido, mas sabemos que a realidade é outra de um continente para outro.

No dia 13 de março, foi adotada a estratégia: um “confinamento semi-aberto”, declarado pela Confederação. Fechamento de estabelecimentos, como restaurantes e escolas, mantendo assim só serviços essenciais, como supermercados e farmácias.

A estratégia foi benéfica a todos, evitando subnotificações e ocupações de leitos hospitalares.

Medidas adotadas como empréstimos de bancos com juros muito baixos para ajudar alguns empresários a manterem suas empresas e funcionários não evitaram que várias pessoas fossem parar no “chômage partiel”, que é uma espécie de seguro desemprego.

Poucas pessoas circularam nas ruas bem esvaziadas e diante das aglomerações a fiscalização foi bem rígida, com policiais circulando de bicicleta ao redor de parques para multar reuniões com mais de 5 pessoas. A multa é o equivalente hoje a R$ 600,00.

Em contraponto, uma boa parte, notadamente jovens, minimizam a situação como em algumas partes do mundo, saindo nas ruas e à beira de lagos como se tudo estivesse normal.

Verdade que podemos às vezes não entender muito bem a situação e o que vem sendo recomendado, como por exemplo: o uso de máscara, que só posteriormente foi recomendado. Mas o fato é que, passar em meio de um tiroteio, ainda de olhos fechados, mostra uma conscientização e insensibilidade de boa parte da população mundial. Na Suiça a situação foi diferente e a imensa maioria deu exemplo

Uma volta à quase normalidade no dia 11 de maio

Café em Lausanne. (Foto: Robert Gusmão)

Com reabertura de alguns estabelecimentos, restaurantes e salas no quadro esportivo foram disponibilizadas com restrições e distanciamento.

O Retorno foi bem pensado, de maneira progressiva em diferentes etapas do desconfinamento. As Medidas especiais foram adotadas como esse café localizado no centro de Lausanne, que no primeiro momento fez um serviço de consumo “delivery”. Quando foi possível retomar o atendimento presencial, o estabelecimento adotou um cuidado maior com a higiene, desinfectando mesas e cadeiras pós passagem dos clientes. Divisórias também foram instaladas.

A Suíça também vem lutando nessa corrida contra o vírus e fez surgir uma esperança a partir do desenvolvimento de uma nova vacina contra a Covid-19.

O Hospital Universitário de Genebra (“HUG”), junto com Sociedade de Genebra de Biotecnológicas (“MaxiVAX”), no Departamento de Imunoterapia de Cânceres, vem desenvolvendo uma técnica de encapsulação celular, método que vem sendo testado em ratos de laboratório. Em breve, e se o resultado for conclusivo, poderemos ver testes clínicos nas próximas semanas.

 A Europa não é perfeita. O sistema de saúde da França se mostrou atordoado por essa crise sanitária, mas alguns países (como a Alemanha) mostraram organização com maior aporte de recursos, servindo de exemplo para os demais, com uma situação mais controlada.

Reconheço que vivemos em outra realidade, talvez, até em outro planeta, mas, neste momento, o que conta é a sensibilidade quando se trata de resguardar a vitalidade.

* Robert Gusmão é brasileiro nascido em Ilhéus, estuda gastronomia e reside em Écublens na Suiça.



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