Eleição democrática, participativa e sem Covid no Sistema Confea/Crea

É preciso que o Sistema se conecte com momento atual em que o país aprofunda o debate sobre democracia, transparência e liberdade. Fazer a eleição com urnas de lona em apenas em 32 localidades distribuídas nos 417 municípios da Bahia vai na contramão dos anseios da sociedade, além de colocar em risco a vida e a saúde dos participantes do processo eleitoral.

Por Ubiratan Felix.

“O Sistema CONFEA/CREA é um gigante”, disse recentemente o presidente em exercício da entidade em um vídeo institucional. Com quase 1 milhão de profissionais registrados, o Sistema – que representa os detentores do saber tecnológico no Brasil – insiste em fazer eleição no próximo dia 15 de julho de 2020 de forma presencial, usando urnas de lona em meio à pandemia de Coronavírus.

O argumento contrário à eleição por internet é a “suposta falta de segurança e confiabilidade”. Se analisarmos, de forma mais minuciosa, constataremos que se trata de uma falácia. Diariamente, milhões de investidores, inclusive no Brasil, realizam operações de bilhões de dólares em compra e venda de ações. O Congresso Nacional brasileiro e parlamentos de diversos países aprovam projetos e recursos bilionários virtualmente. Os Tribunais Superiores da Justiça no Brasil e no mundo proferem sentenças de modo virtual e remoto, assim como o Sindicato de Engenheiros da Bahia, o do Rio de Janeiro e o do Paraná que realizam há muitos anos eleições pela internet de forma remota. Conselhos profissionais, como o de Administração e de Arquitetura e Urbanismo, realizam eleições pela internet e de fo rma remo ta com o índice de participação nas urnas acima de 60%, enquanto o nosso Sistema apresenta índice de aproximadamente 8% em condições normais, ou seja, sem COVID.

A eleição por internet e de forma remota ampliará a participação dos profissionais, facilitando o acesso destes à “urna de votação”. Na Bahia, apenas 32 localidades terão urnas presenciais, ou seja, em alguns casos o profissional terá que viajar 400 quilômetros para votar. Este método, além de dificultar a participação dos profissionais em tempos de COVID 19, não garante a segurança dos votantes, uma vez que parte deles têm perfil de idade e comorbidade dos grupos de risco.

É fundamental revigorar a democracia participativa do Sistema CONFEA/CREA. Por isso, defendemos que a eleição seja por meio de voto eletrônico remoto pela internet, transformando os computadores de mesa, smartphones e notebooks dos profissionais da Engenharia, Agronomia e Geociências em urnas eletrônicas, possibilitando que os quase 30 mil profissionais registrados no CREA-BA tenham plenas condições de escolher as lideranças que levarão o Sistema para a modernidade do século 21 no pós-pandemia, sem riscos de contrair a Covid-19.

É preciso que o Sistema se conecte com momento atual em que o país aprofunda o debate sobre democracia, transparência e liberdade. Fazer a eleição com urnas de lona em apenas em 32 localidades distribuídas nos 417 municípios da Bahia vai na contramão dos anseios da sociedade, além de colocar em risco a vida e a saúde dos participantes do processo eleitoral.

Defendemos a realização das eleições em dezembro de 2020 porque precisamos, acima de tudo, preservar a vida dos profissionais que mantêm e contribuem financeiramente para o funcionamento do Sistema, dos seus servidores e seus familiares. A manutenção do voto presencial e das eleições em julho em um cenário que as projeções indicam o aumento dos municípios atingidos, das pessoas contaminadas e mortas é uma total irresponsabilidade e falta de compromisso com a vida.

Votar pela internet é garantir a democracia, a transparência e a vida de todos os profissionais e servidores do Sistema CONFEA/CREA.

* Ubiratan Felix é engenheiro civil e presidente do SENGE-Ba.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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