Covid-19: áudio do Dr. Espírito Santo recomenda uso de Ivermectina; epidemiologista da UESC afirma que efeitos positivos não foram provados

Ivermectina: a substância “milagrosa” mais comentada nas redes sociais.

 

Reportagem: Emilio Gusmão.

Num áudio que circula no Whatsapp, o médico geriatra Antonio Espírito Santo, profissional muito respeitado em Ilhéus, recomenda o uso da substância Ivermectina para reforçar o organismo contra os efeitos nocivos da Covid-19.

A Ivermectina é uma medicação usada para o tratamento de verminoses, sarna (escabiose) e piolhos (pediculose). Segundo o médico, a substância é muito usada na África e esse fato justifica a baixa incidência do novo coronavírus no continente.

Antonio Espírito Santo menciona cidades onde o uso gerou bons resultados e revela que profissionais da medicina têm usado a medicação.

Ouça o áudio do médico.

 

Sobre o uso da Ivermectina, o BG ouviu a epidemiologista e professora da UESC, Anaiá da Paixão Sevá, membro da equipe responsável pelo Informativo Epidemiológico Microrregião Ilhéus-Itabuna, publicado às quintas-feiras no site da universidade.

Anaiá Sevá disse que ainda não há estudos científicos comprovando a eficácia da medicação para o tratamento da Covid-19. A informação baseada na África não se justifica do ponto de vista epidemiológico, pois não é possível garantir que a baixa incidência está vinculada ao uso da Ivermectina. Podem existir fatores genéticos ou de outras características dos africanos que impedem ou amenizam os sintomas da Covid-19, explica a professora.

Anaiá Sevá: epidemiologista e professora da UESC. Foto: Jornal da USP.

“Será que todos os [pacientes] que não estão doentes foram de fato vermifugados? E os [pacientes] que estão doentes não foram vermifugados? Essa afirmação sobre a África pode ser considerada uma falácia ecológica. Esse erro ocorre quando abrange dados de uma população inteira (no caso de um continente) para justificar a causa [ou a baixa incidência] de uma doença sem especificar outros fatores”, disse a epidemiologista.

A professora reconheceu a existência de casos no Brasil em que pessoas usaram Ivermectina no tratamento da sarna, e posteriormente tiveram Covid-19, mas não a desenvolveram de forma grave. No entanto, ela adverte que não há estudos capazes de provar quais danos seriam causados, caso essas pessoas não tivessem usado o vermífugo. Anaiá explica que estudos com “grupos de controle” podem indicar o histórico e as características de quem usou ou não a Ivermectina, para que a eficácia da substância seja avaliada.

A professora admite a eficácia da Ivermectina em alguns casos observados, mas lembra que até agora, não há estudos comparativos entre quem tomou e quem não tomou.

“A medicação precisa sempre ser indicada pelo médico que está acompanhando o paciente. Todo medicamento, se for usado de forma incorreta, pode ser perigoso e causar efeitos prejudiciais à saúde”, advertiu Anaiá Sevá.



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