Militares no Ministério da Saúde: qual o resultado disso?

É cada vez maior o número de cidadãos que, insatisfeitos com a forma como o Governo Federal está tratando a crise gerada pelo Coronavírus, espera ou pede pela saída do atual titular do Ministério da Saúde, e deseja que uma pessoa com formação técnica compatível com as exigências do cargo assuma a pasta.

Por Julio Gomes.

Recente Polêmica envolvendo o Ministro do Superior Tribunal Federal, Gilmar Mendes; e o Ministro da Saúde, General Eduardo Panzuelo, chamou a atenção da nação para um fato sobre o qual poucos têm coragem de falar: a permanência, há dois meses (desde a saída do médico Nelson Teich, ocorrida em 15 de maio) de um general sem nenhuma formação técnica na área de saúde à frente deste Ministério, em plena pandemia de Coronavírus, que já matou cerca de 75 mil brasileiros até esta data (15/07/2020).

Segundo Gilmar Mendes, além do general também há presença de “28 militares dos cargos de cúpula do Ministério da Saúde, dificuldade em executar o orçamento, portanto, colapso do serviço de saúde”.

Também foi veiculado recentemente que a maioria dos brasileiros é contra a presença fardada no poder político, segundo pesquisa do Datafolha realizada nos dias 25 e 26 de maio deste ano.

Não desejamos aprofundar os argumentos do Ministro do STF, mas chamar a atenção para outro aspecto relacionado a esta mesma discussão.

É cada vez maior o número de cidadãos que, insatisfeitos com a forma como o Governo Federal está tratando a crise gerada pelo Coronavírus, espera ou pede pela saída do atual titular do Ministério da Saúde, e deseja que uma pessoa com formação técnica compatível com as exigências do cargo assuma a pasta.

Por todos estes fatos, cabe aqui ressaltar o quanto se mostra imprescindível, inalienável e inegociável a continuidade do Regime Democrático em nosso país.

Caso estivéssemos sob um regime ditatorial, quem fizesse a mais leve crítica à atuação dos governantes no exercício dos cargos públicos poderia ser sumariamente preso, sem ordem judicial, e levado para local ignorado, onde talvez fosse submetido a sessão de tortura ou, até mesmo, “desaparecido”, sob a acusação de ser “comunista”. Isto ocorreu, por exemplo, com o Deputado Rubens Paiva, durante a ditadura.

Ignorando que quem ingressa na vida e nos cargos públicos está sujeito tanto a elogios quanto a críticas, durante pelo menos 21 anos, de 1964 a 1985, os militares governaram o Brasil ocupando os mais diversos cargos: a Presidência, a direção de grandes empresas estatais, diversos ministérios e cargos chaves em escolas, hospitais e em diversos outros órgãos e setores que, inúmeras vezes, nada tinham a ver com sua formação.

Nestes cargos, seja por falta de aptidão ou por outro motivo qualquer, muitos eram verdadeiros peixes fora d’água, juntando ao seu redor, frequentemente, apenas os bajuladores, aqueles que tudo aceitam em troca de uma benesse pessoal, enquanto funcionários mais independentes, mais técnicos, ou se sentiam sem espaço ou eram preteridos. Assim o Brasil suportou, por décadas, a presença alienígena e indesejável de pessoas despreparadas ocupando os mais diversos setores públicos da vida civil.

Observando o passado e o que ocorre hoje no Brasil, talvez seja mais fácil compreender porque a maior parte dos brasileiros deseja que os militares estejam fora da vida civil e focados em seus quartéis. Não se trata de preconceito. É apenas a vontade de ver as pessoas assumirem as funções para as quais estão de fato preparadas; e deixar aquelas em que não têm formação para quem tenha, de fato, capacidade técnica para exercê-las.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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