Autorizada a abertura de mais estabelecimentos em Ilhéus – Morra quem morrer!

É assim em Itabuna, e em Ilhéus não há de ser diferente.

Os grupos de interesse e as pessoas que, por isto ou aquilo, acreditam que o comércio deve ser reaberto venceram uma importante batalha, e o resto que se dane!

Por: Júlio Gomes.

Neste momento em que a Covid-19 avança em nossa cidade, causando elevação nas notificações de óbitos diárias, lotação dos leitos de UTIs disponíveis e no qual vivemos a trágica realidade da perda de um número cada vez maior de pessoas, o Município de Ilhéus autorizou, nesta terça-feira, dia 22/07/2020, por meio do Decreto nº 52, a abertura de novas categorias de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços.

Não vamos aqui nos estender em intrincadas elucubrações técnicas. Dois fatos falam alto o bastante para ultrapassarmos esta questão. O primeiro é que no Boletim divulgado pelo Município de Ilhéus na segunda-feira, dia 21, foram registradas mais dez mortes de moradores de nosso Município por Covid-21.

O segundo é que cada um de nós aqui em Ilhéus já perdeu um conhecido, ao menos um amigo para esta pandemia. E muitas famílias já perderam entes queridos, em tristes casos que todos nós conhecemos.

Em razão da vigência do Decreto Municipal nº 052/2020, a partir da 0 (zero) hora do dia 22 de julho de 2020 ficam autorizados o funcionamento de floriculturas, papelarias e livrarias; lojas de eletrodomésticos, áudios e vídeos; lojas de equipamentos de telefonia e comunicações, tabacarias, lojas de brinquedo e artigos recreativos; lojas de departamentos de variedades ou magazines; de estabelecimentos bancários e financeiros; do comércio varejista de suprimentos de informática e lojas de cosméticos; de hotéis e afins (motéis). Enfim, quase tudo, sendo exceção o que deverá permanecer fechado.

Quanto às medidas de proteção recomendadas, sabemos que ficarão, em sua grande maioria, no papel, assim como ficou o toque de recolher decretado na semana passada em Ilhéus, que boa parte da população ignorou, e que o próprio Poder Público não prestigiou, pois não se mobilizou para que fosse cumprido.

Lembro, aqui, da expressão usada pelo Prefeito do vizinho município de Itabuna, ao determinar a abertura de setores do comércio naquela cidade: “Morra quem morrer!”

Conhecendo a política e a vida, sei perfeitamente que esta frase, muito mais do que expressar o pensamento do gestor em si, traduz a violenta pressão que ele sofreu por parte de determinados grupos de interesse, muito fortes na localidade, que se sentem prejudicados pelas medidas restritivas e partem com tudo para cima do Poder Público, que afinal de contas não é mais do que a expressão dos interesses predominantes em uma sociedade. Há um ponto em que ceder às pressões pode tornar-se a única opção, sobretudo em ano de eleições municipais.

É assim em Itabuna, e em Ilhéus não há de ser diferente.

Os grupos de interesse e as pessoas que, por isto ou aquilo, acreditam que o comércio deve ser reaberto venceram uma importante batalha, e o resto que se dane!

Penso nos profissionais de saúde, que todos os dias arriscam suas vidas para tentar salvar àqueles que se contaminam e caem doentes de Covid-19. Não estranhemos se eles também passarem a pensar mais em si, pois, afinal, a opção da sociedade, expressa pelo Poder Público, foi: Morra quem morrer!

No meio de toda esta loucura coletiva, deste salve-se quem puder, redobro minhas cautelas pessoais, até onde seja possível. Não quero virar estatística e minha família precisa de mim, vivo.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *