De quem tenho inveja

Imagino a ventura infinita de quem o viu curar, de quem o viu comer, de quem o viu andar e passar, ainda que ao longe, sempre belíssimo, sempre sublime, sempre inesquecível.

Por: Julio Gomes.

Seu belo carro não me causa inveja. Talvez devesse causar, pois o meu está precisando, talvez, de aposentar-se. Também não desejo ter uma mansão imensa, com inúmeros quartos, salas, garagens, cômodos em profusão. Não! Daria trabalho para limpar e manter, daria despesas e simplesmente não preciso disso tudo. O tamanho de minha família não justifica a posse de tal morada.

Do importante cargo que você ocupa, pleno de altas responsabilidades, talvez eu quisesse o poder para realizar, no seu exercício, algo de bom para todos, mesmo sabendo das complicações que isto inevitavelmente traria. Mas o salário, o status, a posição social em si mesma, nada me dizem, se dissociadas da possibilidade de realizar alguma coisa proveitosa em favor, especialmente, de quem mais precisa.

Dinheiro? Seria bom ter uma reserva, algum patrimônio que fornecesse segurança econômica, algo que não deve ser desprezado, que se deve até buscar, dentro de certos limites. Porém nada de ficar obcecado por ter o primeiro milhão, nem de entesourar riquezas, nem de querer figurar entre os mais ricos. Caixão não tem gaveta e dinheiro não é sinônimo de felicidade.

Seus louros de vitória, seus bens, sua posição social, embora tendo meu respeitoso reconhecimento, muito pouco me dizem.

Quer saber a quem e ao que realmente invejo? De quem eu gostaria de estar no lugar, ao ponto de achar que valeria a pena correr o risco de perder a própria vida para isto? Aqueles a quem entendo que foi dada a mais sublime fortuna, a glória máxima que se pode ter aqui na Terra?

Pois vou dizer: Invejo àqueles e àquelas que, há dois mil anos atrás, tiveram a indescritível primazia de conviver com Jesus Cristo.

Invejo aos que ouviram sua voz, aos que o viram passar, àqueles que viram os ventos tocarem seus cabelos, aos que tiveram o privilégio de ver sua silhueta embelezando, de forma sublime, o quadro de todos os lugares por onde passou.

Jesus! Perfeito, belo, exato, íntegro, vivo.

Não o imagino crucificado, nunca. Vejo-o, em minha imaginação, andando a pé, seguido pelo povo sofrido, nas trilhas que ligavam as pequenas cidades da Judeia. Vejo-o em um pequeno saveiro atravessando o Mar da Galileia. Vejo-o dormindo, à noite, em humilde quarto com humílima cama rústica, na casa de Simão Pedro. Imagino-o retirando-se do convívio das pessoas, ao fim do dia, para orar sozinho em uma montanha próxima, no altar da natureza. Vejo-o, com olhos da imaginação, retornar na manhã seguinte, mais leve do que a brisa, com a túnica mais alva do que a manhã, com o rosto mais resplandecente do que o sol.

Imagino o tom de sua voz, suave e de paz infinita quando ensina, quando exorta. Mas que quando repreende, faz tremer a alma.

Imagino a ventura infinita de quem o viu curar, de quem o viu comer, de quem o viu andar e passar, ainda que ao longe, sempre belíssimo, sempre sublime, sempre inesquecível.

A estes invejo, de todo coração, de toda alma, com toda a sinceridade. E a mais ninguém.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

 



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