Néo Bastos era um homem de alma leve, da paz, e o seu descanso eterno poderia ter esperado

Manuel Félix Kruschewsky Bastos (Néo Bastos). 25/06/1959 – 30/07/2020.

Por Emilio Gusmão.

Quando uma pessoa amiga falece, normalmente potencializamos suas virtudes e olvidamos seus defeitos. Já que “a memória é uma ilha de edição”, como escreveu o poeta Wally Salomão, é bom que seja assim. Dorival Caymmi dizia que viveu muito por ter privilegiado só as boas lembranças.

Eu não fui amigo íntimo de Néo Bastos e só conheci suas virtudes. Posso afirmar que ele era um homem de alma leve, cordial e de excelente conversa. Era aquela pessoa que possibilita plena satisfação nos bate-papos fortuitos sobre assuntos diversos, com ênfase no futebol.

Seu jeito calmo, voz macia e o vocabulário correto e simples remetem a um estado de ser típico de nossa cidade. A tranquilidade marca Ilhéus, e Néo era uma figura humana que representava muito bem esse espírito, essa maneira de viver. Bater um papo com Néo propiciava um bem-estar parecido com os efeitos de uma caminhada contemplativa numa de nossas praias. Néo era um homem de paz.

Percebo que a Covid-19 tem levado, preferencialmente, pessoas admiráveis. Néo Bastos não merecia morrer dessa forma. Vai me fazer muita falta nas conversas não programadas na fila do Banco do Brasil, em frente ao Cine Santa Clara e nas ruas estreitas do Centro da Cidade.

A paz sempre esteve contigo, Néo, por isso, penso que o seu descanso eterno veio cedo. É uma pena.

Não irei ao seu velório, pois a conversa, mesma rápida, não poderá acontecer. Porém, assim que o tempo abrir farei uma caminhada na praia.



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