Ciclovias em Ilhéus: críticas e reconhecimento

Entretanto, há pelo menos mais um aspecto desta discussão que merece atenção, pois se é correto avaliar e tecer críticas às obras realizadas pelo Poder Público, é preciso, igualmente, reconhecer a positividade da iniciativa de quem tenta fazer algo de bom, mesmo correndo o risco de cometer algum erro.

Por Julio Gomes.

Muito se tem comentado, sobretudo entre ciclistas, sobre a implantação de um novo trecho de ciclovia na Barra, no espaço que vai do Parque Infantil até a sinaleira situada ao fim da Barra, junto à rua que dá acesso à passarela para o São Miguel.

O principal ponto de controvérsia gira em torno do fato de que a ciclovia já existente, que vem do malhado pelo lado direito da via (para quem trafega no sentido Centro – Zona Norte) é interrompida pouco antes do Posto de Saúde Sara Kubitschek e ressurge cerca de cem metros após, só que do lado esquerdo da pista, o que obrigará o ciclista a cruzar a via para poder continuar trafegando pela ciclovia.

Para tornar ainda mais dramática a situação, após passar para o lado esquerdo da pista e pedalar por cerca de 500 metros, a ciclovia se interrompe novamente para retornar para o lado direito da mesma pista, obrigando o ciclista a cruzá-la de volta, criando dois riscos de grave acidente por atropelamento, há cerca de 500 metros entre si.

Quem é ciclista sabe o quanto é perigoso ficar cruzando uma pista de um lado para outro, e também está ciente de que em caso de acidente com outro veículo a parte mais frágil é a bicicleta, e o candidato preferencial a sofrer grave lesão ou morrer é o ciclista.

Por tudo isso não se trata, aqui, de uma questão menor, sem importância, mas de algo que pode salvar ou fazer com que se perca uma vida humana. E por isso inúmeros ciclistas questionam a forma como a ciclovia está sendo colocada, e reivindicam que ela deveria continuar, do início ao fim, sempre pelo mesmo lado da pista – no caso o lado direito – para melhor prevenir contra a ocorrência de graves acidentes.

Entretanto, há pelo menos mais um aspecto desta discussão que merece atenção, pois se é correto avaliar e tecer críticas às obras realizadas pelo Poder Público, é preciso, igualmente, reconhecer a positividade da iniciativa de quem tenta fazer algo de bom, mesmo correndo o risco de cometer algum erro.

Nesse sentido, é imprescindível admitir que a atual gestão do Município de Ilhéus foi a única a implantar ciclovias na cidade, pois nenhum outro prefeito colocou um metro sequer desse equipamento urbano tão importante para que nós, ciclistas, possamos trafegar com mais segurança.

Há cerca de 20 anos nós, ciclistas, reivindicamos que a prefeitura implantasse ciclovias, porém todos os gestores anteriores simplesmente jamais nos atenderam. Quando um dos nossos, para chamar a atenção das autoridades, pintou de forma tosca e ilustrativa um arremedo de ciclovia entre a saída da Ponte do Pontal (a antiga) e a entrada da Sapetinga, foi ameaçado de todas as formas: de prisão, de multa, por meio de críticas cruéis, tudo isso sem jamais dialogar com os ciclistas de nossa cidade. Apenas repressão e respostas negativas, foi tudo o que recebemos dos prefeitos anteriores ao que aí está.

Para ser ainda mais exato e justo, a única ciclovia existente na cidade que não foi feita pelo atual prefeito é aquela criada junto com a nova Ponte do Pontal (Ponte Jorge Amado), que foi implantada pelo governo do Estado da Bahia nesta obra recém-inaugurada, colocando Ilhéus em um novo e superior patamar de mobilidade urbana.

Assim, se é necessário tecer críticas à forma como está sendo implantada a ciclovia na Barra, é igualmente importante reconhecer que finalmente nossa cidade passou a ter ciclovias, graças às iniciativas da atual gestão municipal e também do governo do Estado da Bahia, para quem endereçamos nosso reconhecimento, mas sem abrir mão, jamais, de apresentar nossas sugestões e reivindicações.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



One response to “Ciclovias em Ilhéus: críticas e reconhecimento

  1. Essa gestão foi muito boa para a mobilidade urbana do ciclista, porém a ciclofaixa deve ser melhor pensada por nossos orgaos de transito, pois ao mesmo tempo que ela inclui o ciclista, tambem cria perigo, pois atravessar rua é algo altamente perigoso.

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