Manoelito chamou Marão de “malandro” e “sem palavra”, meses depois conseguiu uma boquinha no governo

Notinhas.

Tudo mudou entre Manoelito Puentes e o prefeito Mário Alexandre.

Em novembro de 2019, o BG publicou declaração do presidente do Sindicato dos Radialistas de Ilhéus, Manoelito Puentes, na qual ele chamou o prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, de “malandro” e “sem palavra” (leia aqui).

Na ocasião, Puentes estava indignado com a governo municipal. Em tom de arrependimento, disse ter seguido “esse malandro, subindo morro e ouvindo a conversa ‘cuida de mim, Doutor”. Na época Manoelito disse que o prefeito “cuida apenas da própria família e dos estrangeiros”.

Nove meses depois, em agosto de 2020, Manoelito foi nomeado como Chefe de  Divisão de Pesca e Aquicultura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município, em pleno período eleitoral.  A mudança de postura em relação a Marão girou 180º.

Manoelito que antes chamava o prefeito de “malandro”, “sem palavra” e dizia que ele mentia sobre o posto de saúde do Teotônio Vilela (veja aqui), nesta segunda-feira (13), assinou uma nota pública do Sindicato dos Radialistas de Ilhéus dando a entender que o radialista Luke Rey se afastou da rádio Gabriela FM por livre e espontânea vontade. O texto não levou em consideração que as nove ações judiciais movidas pelo prefeito exercessem opressão econômica sobre o profissional e a emissora que o emprega.

O radialista Luke Rey suspendeu suas atividades profissionais na última sexta-feira (09) por conta das ações judiciais movidas por Marão.

Hoje a Gabriela FM divulgou uma nota pública sobre o afastamento de Luke Rey. Leia a nota.

OS PROFISSIONAIS DA GABRIELA FM, RADIALISTAS E TÉCNICOS VÊM A PÚBLICO ESCLARECER AS RAZÕES PARA O AFASTAMENTO DE LUKE REY DA PROGRAMAÇÃO DA EMISSORA.

1 – Desde a pré-campanha eleitoral, profissionais da Gabriela FM têm sido vítimas de uma campanha sistemática de intimidação, através de ações judiciais, impetradas pelo prefeito Mário Alexandre e por seu partido, PSD, em função da divulgação de fatos jornalísticos e análises críticas dos atos e omissões por parte da atual Gestão Municipal.

2 – A partir de 11 de setembro, 12 ações foram impetradas contra profissionais da emissora. Desse total, nove tiveram como alvo Luck Rey, um dos líderes de audiência do rádio ilheense. O expressivo volume de ações, por si só, demonstra a intenção intimidadora. Acrescenta-se que a estrutura jurídica montada pelo prefeito atua de forma ostensiva em prejuízo ao livre exercício da imprensa, não se limitando a Gabriela FM, mas também a outros veículos não considerados aliados da Gestão Municipal, a exemplo do Blog do Gusmão, que igualmente responde a várias ações de censura impetradas pelo prefeito e o PSD.

3 – Como se sabe no âmbito jurídico, a repetição sistemática de ações contra o mesmo suposto autor, conforme as impetradas pelo prefeito e seu partido político contra Luck Rey, se torna um caminho para possíveis sanções legais que, no caso, poderiam ser multas ou até mesmo o seu afastamento do exercício profissional. Diante desses fatos, os seus colegas insistiram junto a ele e a direção da emissora, para tirá-lo do ar, ainda que temporariamente.

4 – Ressalta-se que os autores da enxurrada de ações contra o radialista, obviamente utilizaram-se da estratégia de opressão econômica, ciente de que o profissional não teria condições financeiras de arcar com os elevados custos advocatícios ensejados por tantas ações.

5 – Como profissionais de imprensa, estranhamos a atitude do presidente do Sindicato dos Radialistas de Ilhéus, Manoelito Puentes, já que a primeira obrigação da instituição é a defesa da liberdade de expressão. No nosso entendimento, o citado presidente deveria ter se afastado das suas funções sindicais ao ter assumido, em 27 de agosto último, o cargo de Chefe de Divisão de Pesca e Aquicultura, na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Município, em pleno período eleitoral, o que coloca sob suspeita a sua necessária isenção.

6 – Por fim, ressaltamos que Luck Rey continuará tendo todo o apoio dos seus colegas da Gabriela FM, assim como da direção da emissora, mas principalmente do seu grande público, de toda a sociedade de Ilhéus e de todos que defendem a liberdade de imprensa.



2 responses to “Manoelito chamou Marão de “malandro” e “sem palavra”, meses depois conseguiu uma boquinha no governo

  1. É no mínimo muito estranha e singular a conduta dos representantes sindicais dos radialistas posicionar-se contra um destacado membro da classe processado judicialmente por 9 vezes e, por conseguinte, colocar-se em desabono de todos os representados sindicalizados. Pelo visto, há poderes exercidos por políticos que ainda permanecem desconhecidos na nossa vã ignorância. É “Miocolá” pra não ser processado também. Sou apenas um “inleitor”, viu!

  2. Tendo chegado ainda inteiro e lúcido à minha velhice e, feliz por não haver caducado; devo dizer que já vi de tudo em livros de literatura, na imprensa, na história e vocabulário popular, mas essa bizarra NOTA PÚBLICA nos impactou. Me fez relembrar o impacto que me causou ter lido, assustado, O “Discurso da Servidão Voluntária” ora remontado na vida real. Essa obra prima da sociopolítica foi escrito em 1548 quando Étienne de La Boétie tinha apenas 18 anos, e é uma crítica à legitimidade dos governantes, chamados por ele de “tiranos”. … Para dominar a meia dúzia, ou seja, os seus cortesãos, o tirano atira-lhes migalhas, e estes, gratos, aceitam-nas à submissão. Estou assustado.

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