A contemporaneidade das Ciclofaixas na Cidade de São Jorge dos Ilhéus

“Todo mundo tem direito à vida, todo mundo tem direito igual”.

Por Elvis Pereira Barbosa*

Motoqueiro caminhão pedestre
Carro importado carro nacional
Mas tem que dirigir direito
Para não congestionar o local
Tanto faz você chegar primeiro
O primeiro foi seu ancestral
É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial
A cidade é tanto do mendigo
Quanto do policial
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

(Trecho da música Rua da Passagem, Lenine).

Vivemos tempos diferentes, o ano de 2020 tem nos mostrado isto a todo instante. Esta afirmação pode ser aplicada à nossa cidade, São Jorge dos Ilhéus como carinhosamente gosto de chamá-la.

Mostrando o quão diferente estamos, gostaria de chamar a atenção para a maneira como nos deslocamos dentro do nosso território, principalmente na zona urbana. Nestes tempos de pandemia, após passarmos meses em confinamento por conta da crise sanitária (eu ainda sigo confinado, saindo de casa apenas quando há necessidade), redescobrimos a cidade e percebemos como é maravilhoso poder circular por ela, seja a pé ou de bicicleta. Entretanto, alguns dos velhos atores seguem ignorando essa mudança de paradigma e que tem influenciado positivamente muitas pessoas, levando-as a “descobrirem estas novas maneiras” de interagir com a cidade.

Nestes últimos meses, o número de novos ciclistas aumentou significativamente e a ciclovia da nova ponte demonstrou a urgência da ligação da zona Norte com a zona Sul para facilitar a circulação de bicicletas pela cidade. Um fato a ser observado é o aumento do fluxo de ciclistas na ciclofaixa do Malhado/Litorânea Norte e recentemente na nova ciclofaixa Parque Infantil – Barra. Os ciclistas comuns, que usam a bicicleta para o trabalho/deslocamento estão usando de maneira intensa aquele trecho. Porém, nem tudo são flores.

Infelizmente, alguns usuários de carros fazem as críticas – muitas delas sem fundamento – e ameaçam apagar a obra recém-construída. Alegam que a ciclofaixa criou o engarrafamento nos horários de pico, uma vez que estreitou a via. Entretanto, os veículos que seguiam estacionados ao longo do dia, desde antes da construção da ciclofaixa, seguem parados no mesmo local. Não seria este o principal problema? Os carros que ficam parados no lado esquerdo daquela via atrapalham o fluxo do tráfego no local, porém, este aspecto não é questionado pelos usuários daquela avenida e nem pelos demais proprietários de automóveis da cidade que passam por ali. Sobra então para os ciclistas.

Há solução para o problema? Sim, inúmeras, como a proibição dos carros estacionados ao longo da avenida Ubaitaba no trecho Parque Infantil – Barra, a criação de estacionamentos nas vias transversais, a maior fiscalização/sinalização da via pela SUTRAM, entre outras proposições. O que não podemos admitir como solução, é apagar a sinalização que foi feita, destruindo desta maneira uma opção criativa e legal que já está sendo bastante usada por ciclistas comuns. Infelizmente, esta é a proposta que alguns candidatos à vaga de Alcaide da cidade ou de candidatos as vagas de Edis já estão apresentando nesta campanha eleitoral ao Palácio Paranaguá ou a Câmara de Vereadores.

Ao usuário de veículo automotor, resta apenas perceber que os ciclistas chegaram à cidade de São Jorge dos Ilhéus e estão amparados por uma legislação federal. Esta é uma mudança positiva que veio para ficar, é um caminho sem volta e os primeiros giros dos pedais já foram realizados.

“Todo mundo tem direito à vida, todo mundo tem direito igual”.

Elvis Pereira Barbosa é cicloativista, aluno da UFSB e professor no curso de Licenciatura em História da UESC.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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