Como saber o programa de Governo de Cada Candidato?

“No calor da disputa os candidatos faziam grandes comícios nas maiores cidades do país, participavam de debates na TV transmitidos ao vivo para todo o Brasil, davam inúmeras entrevistas e apresentavam suas propostas de governo”.

 

 

Por Julio Gomes.

Eleições para Presidente da República no Brasil. O ano, penso que tenha sido 1989, pleito em que as principais lideranças inseridas na disputa eram Fernando Collor, Lula e Leonel Brizola.

Eram as primeiras eleições diretas para Presidente desde 1960, pois a ditadura instalada em 1964 instituiu, para aquele ano, o famigerado Colégio Eleitoral, em que um grupo de poderosos, ocupantes de altos cargos públicos, decidia quem seria o mandatário maior do país, retirando do povo a prerrogativa de escolhê-lo direta e livremente.

Por isso mesmo – após 29 anos sem poder votar para Presidente – havia grande frenesi e intenso interesse em torno do pleito, o primeiro a ser realizado após a Constituição de 1988, em mais um passo que consolidava a redemocratização do Brasil.

No calor da disputa os candidatos faziam grandes comícios nas maiores cidades do país, participavam de debates na TV transmitidos ao vivo para todo o Brasil, davam inúmeras entrevistas e apresentavam suas propostas de governo.

Ganhava especial destaque o programa de governo de cada candidato, onde cada um expunha, de forma mais ampla e detalhada, o conjunto de transformações que pretendia implementar.

Foi aí que ocorreu um episódio do qual jamais me esquecerei. Enquanto Lula e Collor desfilavam propostas, Leonel Brizola, mais idoso, experiente e com seu jeito característico, muito direto e sincero, ao ser insistentemente questionado por repórteres acerca de seu programa de governo, impacientou-se e respondeu, mais ou menos nestes termos: – Quantos programas de governo você quer? Eu posso mandar fazer e te dar vários deles.

Depois, olhando o repórter que ficou em silêncio, atônito, continuou respondendo, agora mais calmo e assertivo: – Se você quer saber o programa de governo de um candidato, olhe o passado dele. Cada um pode falar o que quiser, mas é seu passado que revela quem ele é, o que irá fazer.

Advirto que as palavras acima são a recriação de um diálogo do qual não me lembro as exatas palavras, mas do qual jamais me esquecerei, pelo sentido correto e profundo.

Passados tantos anos, hoje vivenciamos as eleições para Prefeito em Ilhéus. Aqui, tal como lá ocorreu, os candidatos apresentam propostas e acenam rumos futuros.

Entretanto, sem desmerecer a importância de um programa de governo formal, penso que devemos olhar para cada candidato observando, acima de tudo, o seu passado.

O que realizaram, ou não, nos anos anteriores? Como são no desempenho de sua profissão? São conhecidos por sua conduta mais ou menos correta? Como são em suas empresas, com seus empregados, são bons patrões? São falastrões inconsequentes ou sustentam o que afirmam? Como são até mesmo na parte pública de sua vida pessoal, que muito pode dizer acerca de seu caráter e reais propósitos?

Nosso passado fala por nós, fidedignamente e em alta voz, para quem está atento e quer ouvir.

Qualquer um pode abrir a boca e dizer qualquer coisa. Mas ninguém muda sua conduta passada, seja ela boa ou ruim, e é justamente através dela que melhor se pode conhecer quem é cada candidato, e o que realmente deverá fazer ao chegar no poder.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.



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