Presidente do PSOL/BA, Fábio Nogueira declara apoio a candidata Bernadete Souza, em Ilhéus

Bernadete é candidata a prefeita de Ilhéus pelo PSOL Foto: Reprodução.

O presidente estadual do Partido Socialismo e Liberdade  PSOL/BA, Fábio Nogueira divulgou nota nesta quinta-feira (05) declarando apoio a candidata Bernadete Souza, que concorre ao cargo de Prefeita de Ilhéus, pelo partido.

A candidata a vice na chapa é Jack Meira, também do PSOL. Na nota, Fábio fala da representatividade de Bernadete como mulher negra, Ialorixá e assentada da Reforma Agrária e de seu papel para ajudar a construir um novo cenário com alternativas de caráter democrático e popular.

Leia a nota na íntegra.

A alternativa de esquerda em Ilhéus: Bernadete 50.

A cidade de Ilhéus tem uma história de resistência e luta negra e indígena. Desde a invasão de seu território pelos portugueses, a exploração de matéria prima, a violência praticada contra negros e indígenas, a formação dos latifúndios e o ciclo do cacau, a cidade vem sendo governada – salvo raras exceções – por representantes das oligarquias locais que só se fazem se alterar no poder.

Os impactos disso estão na péssima qualidade dos serviços públicos, a ausência transparência por parte do poder municipal e de participação popular, assim como, a dependência de projetos que irão finalmente colocar a cidade na “linha do desenvolvimento” (a exemplo do Porto Sul). Os descendentes da elite cacaueira que enriqueceu à custa do trabalho negro e indígena no passado, hoje, quer recuperar o tempo perdido em alternativas que representam o “velho em forma de novo” e cabe a nós questionar estes projetos de desenvolvimento e modernização que são excludentes e concentram riqueza nas mãos de poucos.

Mas assim como a resistência Tupinambá – que até hoje resiste – e a luta negra pela terra, contra o latifúndio e o racismo – vozes se erguem para apontar alternativas democráticas, modernas e inclusivas de desenvolver a cidade e distribuir riqueza e renda. E nas eleições de 2020, Ilhéus tem uma alternativa genuína da esquerda e popular: Bernadete Souza Ferreira. Mulher negra, pedagoga, Ialorixá, líder comunitária, trabalhadora rural e assentada da Reforma Agrária.

Bernadete é uma voz que se ergue – com outras – para dizer não ao fatalismo político que quer condenar a cidade a escolher entre seis e meia dúzia. Esta cidade, de cultura e resistência tão importantes para a Bahia, nunca foi governada por uma mulher. Nem por uma mulher negra. É preciso aprofundar a democracia, torná-la popular, inclusiva e participativa. Ilhéus precisa de um choque de democracia e participação na gestão municipal. Só Bernadete, por sua história, trajetória, combatividade e coerência tem condições de apresentar isso ao povo ilheense. Desta forma, na cidade de Ilhéus estão colocadas duas alternativas: uma de caráter oligárquico – representada pelas diversas candidaturas do campo da direita e do centro – e outra de caráter popular e democrático, representada por Bernadete e os que apoiam a Frente Popular.

O caminho da direita oligárquica todos já conhecemos. A mesma forma de fazer política, do cálculo pragmático, das conveniências de ocasião e a política do “me ajeita que eu te ajeito” que dão o tom, até hoje, da política na cidade de Ilhéus.

Por isso pergunto a quem é e reivindica a esquerda na cidade de Ilhéus: É possível um projeto de esquerda prosperar quando adere a esta política? Quando se alia as velhas oligarquias que diz combater? Não iremos tirar lições do golpe parlamentar e midiático de 2015, quando chegou ao poder, Michel Temer, vice de Dilma, do MDB, e antigo aliado de primeira hora dos governos do PT? Será possível que quem é de esquerda na cidade de Ilhéus irá votar em uma alternativa que não a representa, que é o mais do mesmo, a mesma oligarquia repaginada e que não apresenta nada de novo na forma de governar e estabelecer prioridades? Acredito que não. Até porque a consciência do eleitor de esquerda é livre, crítica e independente.

Quem é de esquerda, não tem vergonha de sua “história negra”, ao contrário, é orgulhoso desta e não reproduz o preconceito em suas falas. Para construir o novo é necessário fortalecer alternativas de caráter democrático e popular. Por isso, no dia 15 de novembro, quem é de esquerda e defende a democracia na cidade de Ilhéus irá votar Bernadete 50!

*Fábio Nogueira, presidente do PSOL/BA, professor da UNEB e militante do Círculo Palmarino.



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