As eleições nos EUA e um novo mundo

 

“É muito mais do que a derrota de um partido político, é a derrota de um conjunto de valores e atitudes diante da vida que infelicita ao próximo, que põe para baixo, que nega a ciência, a racionalidade, o respeito às leis e às Instituições”

 

Por Julio Gomes.

De todas as reações ao resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos, que após uma demorada contagem de votos proclamou a vitória do Democrata Joe Bidem sobre Donald Trump, a que mais emociona, dentre as que pudemos assistir, foi a manifestação ao vivo do comentarista da grande rede de comunicações CNN, reproduzida em quase todas as redes sociais, a que tivemos acesso no YouTube

 Nela, o comentarista começa dizendo que “É mais fácil ser um pai esta manhã, é mais fácil dizes aos seus filhos que ter caráter importa”, e prossegue em um discurso em primeira pessoa do singular que, surpreendentemente, traduz perfeitamente os sentimentos de todos que querem um mundo melhor e uma vida melhor para todas as pessoas.

A derrota de Trump não foi simplesmente a derrota de um partido político, coisa que ocorre em qualquer eleição, pois sempre alguém ganha e alguém perde, sendo fato corriqueiro. Não!

A derrota de Trump significa a derrota da estupidez, da arrogância sem limites, do racismo mal disfarçado de uns e explícito de outros, daqueles que alçaram a grosseria, a discriminação, os maus sentimentos em relação ao próximo à categoria de virtude que deveria ser ostentada publicamente e praticada no cotidiano, como se fosse uma grande virtude.

É muito mais do que a derrota de um partido político, é a derrota de um conjunto de valores e atitudes diante da vida que infelicita ao próximo, que põe para baixo, que nega a ciência, a racionalidade, o respeito às leis e às Instituições.

Foi justamente a superação desses referenciais negativos anteriormente citados que fez com que o ocidente se livrasse das amarras medievais, dos entraves do Antigo Regime, dos horrores da escravidão e pudesse constituir um mundo livre, democrático, baseado na crença de que todos somos iguais e de que temos direitos iguais e inalienáveis.

É nesse mundo de direitos iguais, de liberdade política, econômica e social que almejamos viver, sem retroceder a um passado que nos repugna, que nos envergonha, que visitamos nos livros e aulas de história justamente para que nunca mais venhamos a repetir erros tais como acreditar em regimes em ditaduras, em superioridade racial ou em guerras como instrumento de progresso da humanidade. Chega!

Queremos Educação, Ciência, Trabalho, Diversidade, Amor ao Próximo, Direitos e também Limites e Respeito com relação aos Outros, tudo isso escrito assim, com letras maiúsculas. O governo Trump significava o contrário disso tudo.

Não era uma simples disputa entre os partidos Democrata e Republicano, pois já houve diversos presidentes republicanos nos EUA, mas nenhum colocou em tão baixo patamar os valores humanos. Por isso o mundo festeja a derrota de Trump.

Não temos ilusões de que continuaremos a ter problemas com os Estados Unidos e com Joe Bidem. Mas serão problemas em um patamar de normalidade, de racionalidade, do mínimo respeito que deve reger as relações internacionais e humanas, porque não queremos mais a Idade das Trevas, e sim um mundo justo, democrático e onde o amor possa vicejar e permear as relações entre todas as pessoas, sem exceções!

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.



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