Maradona: um legado, uma lição

Por Julio Gomes.

Não há dúvida de que o argentino Diego Maradona, se não foi o melhor de todos, foi um dos melhores jogadores de futebol que já existiu, em um patamar ao qual pouquíssimos esportistas, de qualquer modalidade, conseguem chegar.

Goleador, genial, campeão do mundo e líder da seleção Argentina em suas maiores conquistas, Maradona era conhecido e admirado dentro e fora de seu país natal.

Entretanto, Dieguito, como era carinhosamente chamado, não se limitava a ser somente um jogador de futebol: abraçava causas sociais e políticas, se posicionava publicamente em favor das ideias em que acreditava, se manifestava por um mundo mais justo e vivia, apaixonadamente.

Mas, a nos mostrar que não há perfeição em nenhum de nós, mortais, Diego Maradona também tinha suas dificuldades, suas idiossincrasias, suas fraquezas, que quanto a ele se mostravam ligadas ao uso de drogas, do qual jamais conseguiu se desvencilhar.

Esse uso de drogas pesadas – que ele assumia, com sua personalidade voluntariosa e sincera – veio a lhe custar caro demais. Prejudicou sua carreira por meio de um sem-número de problemas e de duas suspensões enquanto ainda atuava como jogador, e o fez encerrá-la mais cedo, e de forma não desejável.

É certo que todos os feitos de Maradona não serão jamais apagados pelos equívocos que cometeu fora de campo. Mas é igualmente certeiro afirmar que se não fosse a droga ele teria feito muito mais, muito melhor, assim como qualquer pessoa faz mais e melhor quando não está presa ao vício.

Faz-se necessário tocar neste ponto, fazer esta reflexão nos dias de hoje, em que as pessoas, pelos mais variados motivos, evitam falar sobre as drogas, adotam eufemismos, desconversam e, com isso, vê-se aumentar as fileiras daqueles que têm suas vidas destruídas.

Maradona morreu aos 60 anos, com o corpo duramente corroído pelos estragos causados pelas drogas, enquanto outros jogadores que são mais ou menos da mesma geração como Zico, Careca, Romário e Renato Gaúcho, são hoje senhores plenamente ativos e muito saudáveis dentro da faixa de idade em que se encontram.

Drogas não alisam, especialmente aquelas chamadas de “pesadas”. Destroem a qualquer pessoa. Aos mais pobres ou frágeis, arrasam rapidamente. E àqueles que ganharam muito dinheiro – muito mesmo – e foram bem-sucedidos, como nosso ídolo argentino, destroem também, implacavelmente, caso não consigam se libertar do vício.

De Maradona herdamos a admiração por seu futebol, por suas conquistas, por sua coragem cidadã, por seus posicionamentos ousados em favor dos menos favorecidos, atraídos por seu imenso calor humano, que o tornava, quanto a isso, quase brasileiro.

Mas ele também nos deixa uma mensagem que, embora subliminar, grita bem alto a todos: precisamos estar atentos ao mal social e pessoal que as drogas causam, constituindo-se, como vício, em verdadeira enfermidade, que para ser vencida necessita da superação pessoal de quem a ela se submete; e também do apoio, amparo, políticas públicas e esforços de toda a sociedade, para que sonhos e vidas não sejam destruídas.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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