A diferença entre falta de instrução e ignorância

A verdadeira ignorância se refere àqueles que fazem questão de ignorar algo, fazendo-o muito mais por opção pessoal do que por falta de oportunidade de aprender.

Por Julio Gomes.

Frequentemente vemos alguém se referir a outra pessoa que não teve oportunidade de estudar, ou que cresceu na roça ou em outro ambiente mais rude, como sendo uma pessoa ignorante. Porém este raciocínio pode ser tremendamente equivocado e injusto. Vejamos:

Sem instrução formal, sem escolarização ou mesmo sem alfabetização são aquelas pessoas que não puderam frequentar a escola, ou que lá ficaram por bem pouco tempo, sem ter a condição de avançar nos estudos. Obviamente as letras fornecidas pela escola fazem uma falta enorme, mas não tornam uma pessoa, necessariamente, ignorante.

A verdadeira ignorância se refere àqueles que fazem questão de ignorar algo, fazendo-o muito mais por opção pessoal do que por falta de oportunidade de aprender.

Talvez você pense que não existam pessoas que não queiram aprender, mas existem, e muitas. Isto ocorre porque aprender requer esforço, raciocínio, atenção, concentração, foco. Ou seja, dá trabalho!

Além disso o aprendizado de algo pode nos colocar, frequentemente, em posição pessoal muito desconfortável, porque enquanto erramos por ignorância não carregamos o sentimento de culpa. Porém, a partir do momento em que passarmos a compreender e avaliar melhor nossa conduta, a responsabilidade sobre nossos atos pesará muito mais e nossa consciência passará a cobrar mudanças de atitude que simplesmente não queremos adotar, para não abandonarmos nossos vícios, nossas fraquezas, nossas comodidades, nosso lado ruim, que todos nós temos.

O verdadeiro ignorante não é tanto o que não sabe, mas acima de tudo o que não quer saber, e que agindo assim faz surgir a partir de sua ignorância uma conduta estúpida, frequentemente de graves consequências negativas.

Vemos isso, atualmente, com relação à questão da vacinação contra a Covid-19.

Há pessoas que, desinformadas ou conduzidas por outras de má fé e de péssimo caráter, dizem que não irão tomar a vacina porque pode lhes fazer mal. Nesse caso, falta informação, esclarecimento e, talvez, um pouco de raciocínio lógico para concluir que é mil vezes melhor tomar uma vacina que, como qualquer outra medicação, pode eventualmente apresentar algum efeito colateral, do que ficar sujeito à ação de um vírus que mata milhões de pessoas e que pode tirar nossa vida – ou a de quem mais amamos – em poucos dias, cruelmente.

Há outros, porém – e aqui infelizmente se incluem alguns professores, advogados, economistas, filósofos, oficiais militares e até mesmo pessoas com formação superior na área de saúde – que afirmam em alto e bom som que não irão tomar a vacina, o que é anunciado com a arrogância típica dos estúpidos, seguida de uma argumentação inconsistente, pífia, ou de uma risada debochada, para coroar a imbecilidade proferida.

Estes últimos são os verdadeiros ignorantes. São aqueles que apesar de terem instrução, preferem não ver, não argumentar, não raciocinar, não avançar na vida, arrastando a si e a quem os segue para o atraso, para o fundo do poço, se fechando na mais profunda ignorância, que frequentemente tem custado a vida de centenas de milhares de brasileiros e, não raramente, a deles próprios.

A cada um segundo as suas escolhas.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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