Covid-19: um alerta em primeira pessoa

Mesmo com os cuidados com a saúde que a maturidade me levou a ter, vi em poucos dias uma pneumonia viral tomar quase 50% de meus pulmões. Fui feliz, dei sorte, estou aqui convalescendo e compartilhando experiências com as demais pessoas. Mas para muitos, para milhares, não houve final feliz.

Por Julio Gomes.

Desde algum tempo nossos artigos têm abordado, entre seus temas, a necessidade de enfrentarmos adequadamente as gravíssimas consequências da instalação da Covid-19 no Brasil, com enfoque tanto em ações institucionais quanto pessoais, aquelas que não cabem propriamente aos governos, mas a cada um de nós, de forma intransferível.

Porém, o que este escriba sinceramente não esperava era ver-se envolvido como paciente neste drama. Preferimos pensar sempre que os raios só cairão sobre as casas alheias…

Trabalhando com as equipes do Município de Ilhéus encarregadas de fazer a prevenção à Covid-19 nas ruas, em nossa equipe nos vimos, de um dia para outro, partes do problema. Mas fui eu quem parece ter desenvolvido os sintomas mais graves. Após uma semana em casa, sem apresentar melhoras, tive de ser levado ao Hospital, onde somente após cerca de uma semana de internamento logrei a melhoria tão desejada.

Mas melhora de Covid-19, para quem sai do hospital, ainda não quer dizer cura total, parecendo muito mais com uma autorização para continuar com o tratamento em casa, domiciliar, observando cautelas, mantendo repouso, tomando a prescrição medicamentosa, para que não se dê margem a retrocessos.

Aproveito-me do espaço público de que disponho para fazer algumas considerações necessárias. As primeiras são um necessário agradecimento à Providência Divina e a todos os que, com muito zelo e profissionalismo, cuidaram de mim, sem exceções!

A segunda é reforçar, junto a todos e todas, a necessidade de mantermos nossas cautelas, nosso distanciamento social, nosso uso de máscaras, nossas reservas, restringindo, neste período, nossas ações ao que realmente seja necessário, sem ousadias comunitárias ou pessoais que só trazem más consequências.

Mesmo com os cuidados com a saúde que a maturidade me levou a ter, vi em poucos dias uma pneumonia viral tomar quase 50% de meus pulmões. Fui feliz, dei sorte, estou aqui convalescendo e compartilhando experiências com as demais pessoas. Mas para muitos, para milhares, não houve final feliz.

Por isso, se cuide, cuide dos outros, cuide da vida. Tudo isso passará, em mais ou menos tempo, e poderemos celebrar, novamente, a alegria de estarmos juntos, se soubermos construir, com responsabilidade, limites e racionalidade, o futuro melhor que desejamos.

Que Deus nos abençoe a todos e todas, e que cada um faça, efetivamente, no momento histórico e social em que vivemos, a parte que lhe cabe fazer.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.



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