Bahia tem mais oito municípios com transporte suspenso; total chega a 380

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em Baianópolis. Foto: diocesedebarreiras.org.br .

Baianópolis, Baixa Grande, Barra do Mendes, Brejões, Ibititá, Mundo Novo, Planaltino e Serra Dourada terão o transporte intermunicipal suspenso a partir de domingo (19). A decisão, que tem o objetivo de conter o avanço do coronavírus na população baiana, foi publicada em decreto no Diário Oficial do Estado (DOE) deste sábado (18).

Ficam proibidas nesses municípios a circulação, a saída e a chegada de qualquer transporte coletivo intermunicipal, público e privado, rodoviário e hidroviário, nas modalidades regular, fretamento, complementar, alternativo e de van. O decreto ainda mantém suspensas, até 31 de julho, a circulação, a saída e a chegada de ônibus interestaduais no território baiano.

O decreto também autoriza a retomada do transporte intermunicipal em Boquira, Caém, Caraíbas e Malhada de Pedras, cidades com 14 dias ou mais sem novos casos de Covid-19.

Lista de municípios

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Bahia registra 2.284 casos de Covid-19 nas últimas 24 horas

Segundo informações da secretaria estadual de saúde, na Bahia, nas últimas 24 horas, foram registrados 2.284 casos de Covid-19 (taxa de crescimento de +2,0%), 45 óbitos (+1,7%) e 3.827 curados (+4,2%). Dos 118.657 casos confirmados desde o início da pandemia, 94.923 já são considerados curados, 20.996 encontram-se ativos e 2.738 tiveram óbito confirmado de Covid-19.​

Faculdade de Ilhéus oferece linha de crédito sem fiador e sem consulta ao SPC

Faculdade de Ilhéus. Foto: Pedro Augusto.

A Faculdade de Ilhéus acaba de lançar mais uma modalidade de crédito educacional para quem deseja ingressar em um curso superior. Através do Mais Acesso, o cidadão ou cidadã poderá obter o financiamento até 50 ou 40 por cento do curso, sem a necessidade de fiador e sem consulta ao SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), e realizar a graduação profissional.

Ao longo de sua existência, a instituição tem adotado uma série de medidas para facilitar o acesso dos interessados ao curso superior. Nesse sentido, lançou também o novo Vestibular On-Line 2020.2, cujas inscrições estão abertas e são gratuitas. Através do site, a pessoa pode efetuar a inscrição e, por meio de uma plataforma digital, realizar imediatamente a prova do vestibular ou prestá-la no momento mais adequado, sem sair de casa.

A Faculdade completa, em outubro, 18 anos de atuação no município de Ilhéus, mas com abrangência regional, tendo em vista acolher estudantes de outras cidades circunvizinhas. O Vestibular On-Line disponibiliza vagas para os cursos de graduação em Administração, Ciências Contábeis, Direito, Enfermagem, Engenharia Civil, Nutrição, Odontologia e Psicologia.

Mais Acesso – A nova forma de financiamento, sem fiador e sem consulta ao SPC, tem como objetivo desburocratizar ainda mais a realização do curso superior em uma instituição com credibilidade na área de produção do conhecimento. Os interessados podem obter informações mais detalhadas pelo telefone (73)2101-1700.

Além do crédito educacional Mais Acesso, a Faculdade possui um sistema próprio de financiamento, o Cred-IES–Cesupi, que oferece crédito para subsidiar até 70 por cento da mensalidade, do início ao fim do curso. Após a conclusão da graduação, o estudante negocia diretamente a quitação do financiamento.

A Faculdade também incentiva a realização do curso de graduação profissional com o financiamento até 100 por cento do curso através do FIES, programa de crédito estudantil do Governo Federal.

O estudante que deseja fazer sua graduação na Faculdade de Ilhéus também tem como opção o aproveitamento obtido na prova do ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. Caso o interessado já possua graduação, o acesso a qualquer curso oferecido na instituição dispensa o exame de vestibular.

Lockdown em Uruçuca gerou efeitos positivos, mas o período foi insuficiente

Uruçuca.

O lockdown realizado em Uruçuca de 11 a 15 de junho trouxe efeitos positivos, mas não duradores no combate à Covid-19..

Logo após a suspensão das atividades não essenciais, decretada pelo prefeito Moacyr Leite Junior, a circulação de pessoas diminuiu de 60% a 65% para 40% a 45%.

Em Uruçuca, o número de casos novos diminuiu do 10º ao 14º dia após a redução da mobilidade populacional. De 22 a 29 de junho, os efeitos positivos passaram a ser constatados, uma vez que a tendência semanal de casos novos diminuiu. Isto aconteceu porque há um período de tempo necessário que inicia na infecção e passa pelo surgimento dos sintomas, busca por atendimento médico, até o conhecimento do resultado positivo.

Estágios da infecção por SARS-COV2 e métodos diagnósticos. Fonte: Grupo Força Colaborativa COVID-19 Brasil, Orientações sobre Diagnóstico, Tratamento e Isolamento de Pacientes com COVID-19.

Antes do lockdown, a tendência semanal variava de 5 a 10 casos novos por dia. Com a radicalização necessária das medidas protetivas, Uruçuca registrou uma queda considerável, menos de 5 casos novos a cada 24 horas.

Porém, com o fim das restrições no dia 16 de junho, a partir do dia 30 do mesmo mês o número de casos novos cresceu novamente, voltando a variar de 5 a 10 por dia. Isso indica que o lockdown durante quatros dias foi insuficiente.

Segundo especialista da UESC ouvido pelo BG, o lockdown deve ter 14 dias consecutivos, no mínimo.

Os dados citados neste texto são do Informativo Epidemiológico Microrregião Ilhéus-Itabuna, publicado pela UESC ontem (quinta-feira, 9).

Veja o Informativo Epidemiológico da UESC.

Comércios abertos e 100% de ocupação nos leitos de UTI; prefeitos de Ilhéus e Itabuna apertaram a tecla “foda-se”

Pressionados pelos setores produtivos da economia, Marão e Fernando Gomes vão colocar mais vidas humanas sob o risco da morte.

Em menos de 30 dias, as duas cidades podem necessitar de mais 490 leitos de UTI, caso o isolamento social caia para 25% (índice anterior à pandemia).

O Informativo Epidemiológico Microrregião Ilhéus-Itabuna, publicado ontem (quinta-feira, 9) pela Universidade Estadual de Santa Cruz, torna evidente que os prefeitos Mário Alexandre e Fernando Gomes se distanciaram da ciência e da academia ao tomarem decisões erradas sobre o enfrentamento à Covid-19.

As duas cidades mantêm suas áreas comerciais em funcionamento, apesar de haver ocupação total nos leitos de UTI destinados ao tratamento de pacientes em estado grave.

De 02 a 08 de julho, Ilhéus registrou mais 282 casos de Covid-19, com aumento de 20% e estava com 548 casos ativos. A cidade mantém taxa de isolamento social em torno de 40%. Se continuar com esse índice, até o dia 06 de agosto vai necessitar de mais 15 leitos de UTI. Caso o isolamento social caia para 25%, serão necessários mais 100 leitos.

Já Itabuna, na mesma semana, registrou mais 487 casos, com aumento de 18% e estava com 1278 cacos ativos. A cidade mantém taxa de isolamento em torno de 40%. Se continuar com esse índice, até o dia 06 de agosto vai necessitar de mais 130 a 140 leitos de UTI. Caso o isolamento social caia para 25%, segundo a projeção do Informativo da UESC, serão necessários aproximadamente 390 leitos de UTI.

Vale lembrar que as duas cidades não dispõem de recursos para instalar mais leitos de UTI e atender essa demanda. Os sistemas municipais de saúde também não conseguirão mais profissionais especializados para labutar nesse tipo de equipamento hospitalar.

O índice de contaminação (coeficiente de incidência por 100 mil habitantes) de Ilhéus no dia 08 de julho foi de 1.023,86. Em Itabuna foi 50% maior (1.520).

Nos boletins de ontem (quinta-feira, 9), Ilhéus registrou 75 mortos e Itabuna 79.

Veja o Informativo Epidemiológico da UESC.

Covid-19: áudio do Dr. Espírito Santo recomenda uso de Ivermectina; epidemiologista da UESC afirma que efeitos positivos não foram provados

Ivermectina: a substância “milagrosa” mais comentada nas redes sociais.

 

Reportagem: Emilio Gusmão.

Num áudio que circula no Whatsapp, o médico geriatra Antonio Espírito Santo, profissional muito respeitado em Ilhéus, recomenda o uso da substância Ivermectina para reforçar o organismo contra os efeitos nocivos da Covid-19.

A Ivermectina é uma medicação usada para o tratamento de verminoses, sarna (escabiose) e piolhos (pediculose). Segundo o médico, a substância é muito usada na África e esse fato justifica a baixa incidência do novo coronavírus no continente.

Antonio Espírito Santo menciona cidades onde o uso gerou bons resultados e revela que profissionais da medicina têm usado a medicação.

Ouça o áudio do médico.

 

Sobre o uso da Ivermectina, o BG ouviu a epidemiologista e professora da UESC, Anaiá da Paixão Sevá, membro da equipe responsável pelo Informativo Epidemiológico Microrregião Ilhéus-Itabuna, publicado às quintas-feiras no site da universidade.

Anaiá Sevá disse que ainda não há estudos científicos comprovando a eficácia da medicação para o tratamento da Covid-19. A informação baseada na África não se justifica do ponto de vista epidemiológico, pois não é possível garantir que a baixa incidência está vinculada ao uso da Ivermectina. Podem existir fatores genéticos ou de outras características dos africanos que impedem ou amenizam os sintomas da Covid-19, explica a professora.

Anaiá Sevá: epidemiologista e professora da UESC. Foto: Jornal da USP.

“Será que todos os [pacientes] que não estão doentes foram de fato vermifugados? E os [pacientes] que estão doentes não foram vermifugados? Essa afirmação sobre a África pode ser considerada uma falácia ecológica. Esse erro ocorre quando abrange dados de uma população inteira (no caso de um continente) para justificar a causa [ou a baixa incidência] de uma doença sem especificar outros fatores”, disse a epidemiologista.

A professora reconheceu a existência de casos no Brasil em que pessoas usaram Ivermectina no tratamento da sarna, e posteriormente tiveram Covid-19, mas não a desenvolveram de forma grave. No entanto, ela adverte que não há estudos capazes de provar quais danos seriam causados, caso essas pessoas não tivessem usado o vermífugo. Anaiá explica que estudos com “grupos de controle” podem indicar o histórico e as características de quem usou ou não a Ivermectina, para que a eficácia da substância seja avaliada.

A professora admite a eficácia da Ivermectina em alguns casos observados, mas lembra que até agora, não há estudos comparativos entre quem tomou e quem não tomou.

“A medicação precisa sempre ser indicada pelo médico que está acompanhando o paciente. Todo medicamento, se for usado de forma incorreta, pode ser perigoso e causar efeitos prejudiciais à saúde”, advertiu Anaiá Sevá.

Fernando Gomes afirma que números da Covid-19 de Ilhéus não são verdadeiros

Notinhas.

Fernando Gomes no programa Balanço Geral. Imagem extraída de vídeo.

“Os seus títulos têm relevância, porém, o mais importante é a natureza dos seus argumentos”.

Otavio Filho (escritor, professor aposentado e artista plástico).

 

O prefeito de Itabuna, Fernando Gomes, não é médico e não tem formação de nível superior, contudo, em entrevista ao apresentador Tom Ribeiro, da TV Cabrália, nesta quarta-feira (3), ele deu uma aula de verdade (em relação aos números da Covid-19) ao seu colega de Ilhéus, Mário Alexandre, que usa jaleco e fez o juramento de Hipócrates.

Fernando, um octogenário reconhecidamente lúcido, colocou em dúvida os números apresentados pela cidade vizinha. “Têm municípios aí que não estão falando a verdade. Ilhéus mesmo tem problema. Aqui tem mil [casos] e morreram 39. Lá tem 500 [casos] e morreram 37. Eu acho que está errado esse número”, disse o prefeito. Especialistas em epidemiologia e estatística afirmam que o número de mortos é proporcional ao número de infectados. A quantidade de óbitos não mente, regra que evidencia a manipulação dos dados em Ilhéus.

O prefeito itabunense também disse que em sua gestão a mentira sobre a pandemia não é admitida. “Eu não quero número errado aqui comigo. Eu quero a coisa certa. Tem que me dar o que é correto, para passar o que é correto. Eu não quero mentira em meu governo”, falou em voz alta.

Apesar de ressaltar a importância dos números reais, Fernando cometeu o mesmo erro que Mário Alexandre ao determinar a reabertura do comércio local a partir da próxima semana.

Ontem o BG revelou, em primeira mão, um texto do Físico Zolacir Trindade (UESC) com questionamentos à veracidade do estudo assinado pelo secretário de saúde de Ilhéus, Geraldo Magela, que justificou com dados manipulados a reabertura do comércio.

Assista.

“Repugnante”. Defensor Público Tandick Resende afirma ter ficado “arrasado” após ler processo de idosa contra Geraldo Magela

Geraldo Magela.

O Defensor Público Tandick Resende, personalidade do Direito reconhecida pela competência e sensibilidade social, gravou um vídeo em que demonstra estarrecimento com o drama vivido pela idosa de 73 anos, autora de acusações graves contra o secretário de saúde de Ilhéus.

Tandick Resende. Foto: arquivo pessoal.

Dona Clarice de Cunto teria sido vítima de um golpe em 2013, quando vendeu uma casa localizada em Olivença para Geraldo Magela.

No vídeo, Tandick Resende externa indignação: “a que ponto chegou esse senhor Geraldo Magela, atual secretário de saúde. Deixou essa senhora sem o que há de mais primordial, depois da vida, que é ter sua casa própria”.

O defensor público afirma que leu os autos do processo e ficou “muito arrasado”. Com 27 anos de experiência como operador do Direito, Tandick Resende disse que jamais se deparou com algo tão “repugnante”.

Resende pediu que a sociedade de Ilhéus reflita e “que a justiça seja feita em relação a Dona Clarice”.

O vídeo foi gravado no último sábado, 30 de maio. Assista.

Mesaque Soares: acusação de idosa contra Magela existe e o prefeito deve demiti-lo

Dona Clarice (a vítima) e o silencioso Geraldo Magela.

Em publicação com vídeo no Facebook, o advogado Mesaque Soares confirma a existência da acusação feita por uma idosa de 73 anos contra o secretário de saúde de Ilhéus.

Geraldo Magela é acusado de aplicar um golpe na aposentada Clarice de Cunto que em 2013 lhe vendeu uma casa em Olivença.

Mesaque Soares.

No vídeo postado neste sábado, 30, Mesaque Soares afirma que a informação da reportagem procede. “É verdadeiro esse processo que ele responde. Fake news é o que eles produzem. Aos invés de enfrentar a verdade, discutir a verdade, eles promovem mentira”.

No texto que acompanha o vídeo, o advogado declarou que o prefeito de Ilhéus “deveria demitir Magela, que além de ter comprado álcool em gel numa ‘budega’ de Coaraci, fato que está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual, é acusado de lesar uma senhora de 73 anos”.

Mesaque Soares é o segundo profissional do Direito que se manifesta sobre o caso. Ontem publicamos o comentário do advogado e ex-vereador Nizan Lima, que classificou Magela como “secretário estelionatário“.

Veja o vídeo de Mesaque Soares.

Nizan Lima: permanência de Magela na secretaria de saúde vai atestar a desmoralização do governo Mário Alexandre

Nizan Lima. Foto encontrada no Google.

A reportagem investigativa do BG que revelou uma acusação grave contra o secretário de saúde de Ilhéus causou forte indignação em muitos leitores.

Geraldo Magela é acusado de aplicar um golpe numa senhora de 73 anos que lhe vendeu uma casa em Olivença.

O ex-vereador e advogado Nizan Lima, que esteve no legislativo ilheense durante cinco mandatos, num comentário enviado ao blog encarou a reportagem como motivo suficiente para a exoneração de Magela, classificado por ele como “secretário estelionatário”.

Segundo Nizan, a permanência de Magela vai atestar a desmoralização do governo Mário Alexandre. “Manter um indivíduo desse na Administração da Secretaria de Saúde, gerindo milhões do Poder Público, é um ato insano do Prefeito que devia, também ser acompanhado pela Câmara Municipal de Ilhéus, se esta realmente existisse”, escreveu.

Leia abaixo o comentário completo do ex-vereador.

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Exclusivo. Secretário de saúde de Ilhéus, Geraldo Magela, é acusado de aplicar um “golpe” numa idosa de 73 anos

O Blog do Gusmão valoriza textos curtos e objetivos, porém, a história que contaremos a seguir é rica em detalhes tristes. Nos esforçamos para manter a atenção dos leitores e pedimos paciência, pois a leitura completa será um sinal de respeito ao sofrimento alheio.

Clarice de Cunto vai completar 74 anos em junho deste ano. Ex-empresária, durante muitos anos foi dona de uma distribuidora de produtos descartáveis e de limpeza em São Paulo. Depois das muitas voltas que a vida deu, hoje ela divide um apartamento com Idália, sua ex-sócia e amiga de longa data. As duas residem na capital paulista e pagam pelo aluguel do pequeno imóvel R$ 1.340 por mês.

Clarice nunca foi casada e não teve filhos. Seus parentes mais próximos residem no interior do estado de São Paulo. Típica aposentada brasileira de baixo poder aquisitivo, não tem funcionária ou cuidadora. Problemas de saúde sérios afirma que não tem. “Sinto apenas alguns tremores, mas não costumo ir ao médico”. Sobre o orçamento apertado explica: “tive que tomar uma decisão: ou pagava aluguel ou pagava plano de saúde. Fui obrigada a escolher as despesas do apartamento para não ficar sem um teto”.

Com a pandemia do novo coronavírus, Clarice tem seguido as recomendações do isolamento social e está confinada em casa. Para adquirir produtos de primeira necessidade, tem ligado para um supermercado próximo que entrega em domicílio.

O maior receio de Clarice neste momento é a Covid-19. Idosa e pertencente ao grupo de risco, ela teme não estar viva para ver a Justiça definir uma questão que lhe envolve diretamente. Em 2013, ela afirma ter sido seriamente prejudicada por um homem que “adquiriu” o único imóvel que lhe pertencia. Esse fato mudou completamente a sua vida.

Clarice comprou uma casa em Olivença em 1999 e seu objetivo era morar perto de uma irmã. Depois de um tempo, a parente mudou-se para São Paulo e ela foi junto. O imóvel passou a ser alugado, mas os problemas com a conservação tornaram-se comuns.

Em 2013 Clarice vendeu a casa para Geraldo Magela Ribeiro, atual secretário de saúde de Ilhéus. Os detalhes da transação ao longo de dois anos, segundo relato da idosa, colocam o caráter do comprador em dúvida.

Geraldo Magela.

Clarice e Magela acordaram o valor do imóvel em R$ 350 mil. O comprador daria R$ 50 mil à vista e o restante seria financiado pela Caixa Econômica Federal. No ato da assinatura do contrato de compra e venda, Magela pagou apenas R$ 15 mil e se comprometeu a pagar o restante (R$ 35 mil) em até 60 dias.

Clarice acreditou em Magela e retornou a São Paulo. Seu objetivo era acompanhar de perto o drama vivido por um sobrinho muito próximo que estava em tratamento devido a um câncer.

Enquanto ela estava em São Paulo ao lado do sobrinho que definhava, Magela não pagou o restante da entrada. Por motivos que desconhecemos, ele colocou uma de suas filhas, que é médica, como a compradora oficial. O financiamento da Caixa Econômica (em nome da filha) só foi liberado seis meses depois, mas com valor abaixo do acordado (R$ 256 mil) que foi depositado numa conta bancária de Clarice. Daí em diante, conforme consta no processo judicial, o caso ganhou características de um típico “golpe” aplicado numa pessoa indefesa.

Clarice estava abalada com o sofrimento do sobrinho e essa situação a deixou vulnerável. Ao mesmo tempo, conforme relato da senhora, Magela começou a dizer que não tinha como pagar o valor que faltava da entrada. Disse que possuía um apartamento em Itabuna cuja documentação não estava regularizada. A única saída era contrair empréstimo junto a um banco. O imóvel seria dado como garantia, mas para isso, era necessário providenciar os documentos. A regularização tinha um custo, mas ele não tinha o recurso. Magela pediu a Clarice que lhe emprestasse parte do dinheiro pago pela Caixa. Na esperança de receber tudo que ele lhe devia, a aposentada disse sim, várias vezes.

No processo que tramita na 4ª Vara de Feitos de Relação de Consumo Cíveis e Comerciais de Ilhéus (clique aqui), Clarice afirma que emprestou R$ 161 mil a Geraldo Magela. Parte do dinheiro que a Caixa Econômica pagou à aposentada, cuja origem é o financiamento realizado em nome da filha de Magela, foi parar, aos poucos, nas mãos do pai.

A advogada de Clarice, Lara Kauark, afirma que Magela agiu de má-fé nos vários pedidos de empréstimo que fez. O suposto recurso contraído junto a um banco para quitar a entrada jamais foi viabilizado. A dívida do comprador com a vendedora mais do que triplicou. Antes era de R$ 79 mil e depois saltou para R$ 240 mil.

Clarice relatou a Lara Kauark que Magela fazia pressão por mais dinheiro emprestado, dando garantias de que o recurso para quitação da entrada estava para ser liberado. “Certa vez, ele ligou para pedir mais dinheiro e recomendou que ela fosse rapidamente ao banco fazer a transferência. Na pressa de pegar o ônibus em Olivença, dona Clarice tomou uma queda”, contou Lara Kauark ao BG.

Clarice de Cunto, a vítima. Foto enviada por amigos.

O sobrinho, que era advogado e auxiliava Clarice a resolver muitos problemas, não resistiu ao câncer e faleceu. O irmão de Clarice (pai do rapaz) vivia em cadeira de rodas por ser paraplégico. Após a morte do filho o abalo foi tão forte que ele também morreu pouco tempo depois. “Os órgãos dele foram parando aos poucos”, explica Clarice.

A morte dos parentes deixou Clarice muito abalada e ainda mais vulnerável aos pedidos de Magela. Por não ter recebido todo o dinheiro, Clarice voltou a residir na casa junto com os novos “donos”. Como a situação não foi resolvida, o relacionamento debaixo do mesmo teto ficou difícil e ela disse que foi hostilizada algumas vezes, revela o casal Georgia Couto e Saulo Guimarães. Os dois foram vizinhos de Clarice em Olivença e tornaram-se amigos. Depois de um tempo decidiram morar na zona sul de Ilhéus, mas a amizade foi mantida. Quando perceberam que Clarice corria riscos, Georgia e Saulo pediram que ela saísse da casa e fosse passar um tempo na residência deles.

“Clarice estava nervosa, muito abalada e não conseguia raciocinar direito, por isso decidimos tirá-la da casa”, explica Saulo Guimarães, que é testemunha da aposentada no processo que tramita no fórum de Ilhéus. “Clarice sempre foi dinâmica, participativa e gostava de ler. Com a venda da casa, que se arrastava há dois anos sem receber todo o dinheiro, ela mudou bastante e ficou completamente desorientada. A família dela só ficou sabendo do problema depois. Com a venda do único imóvel que possuía, Clarice queria comprar um pequeno apartamento em São Paulo, guardar um pouco do dinheiro e viver o resto da vida sem passar necessidade”, conta Georgia Couto.

Clarice admite ter ficado anestesiada e triste. Em sinal de gratidão, disse que teria sido pior se não fosse a ajuda de Georgia e Saulo. O casal amigo orientou que ela contratasse a advogada Lara Kauark, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Itabuna. Kauark disse ao BG que a aposentada estava em situação de risco e ressaltou traços marcantes na personalidade da cliente: “ela não mente, pois todas as vezes que lhe faço perguntas, o relato sempre é igual”.

Clarice tem documentos que provam os empréstimos feitos e após reunir todas as provas, o processo foi protocolado em março de 2015 contra Magela, a esposa e as filhas (uma é a compradora oficial e a outra proprietária do apartamento de Itabuna). O BG não vai revelar todos os nomes, pois só Magela é pessoa pública.

Nos pedidos feitos ao juiz Julio Gonçalves da Silva Junior, Clarice busca receber os R$ 240 mil devidos por Magela e uma indenização por danos morais e materiais.  A advogada também pediu uma liminar judicial que bloqueasse a matrícula em cartório do apartamento localizado em Itabuna, pertencente a Magela e uma de suas filhas.  A liminar foi negada.

Em agosto de 2018, a filha médica de Magela, que conseguiu o financiamento na Caixa Econômica Federal (cuja maior parte do dinheiro foi “emprestada ao pai”), propôs um acordo considerado indecoroso pela advogada Lara Kauark.  A filha se dispôs a pagar apenas o valor da entrada e um pouco mais (R$ 80 mil no total) nas seguintes condições: R$ 35 mil no momento da homologação do acordo; 3 parcelas de R$ 7 mil semestrais e 24 parcelas mensais de mil reais a contar da homologação.

Lara Kauark, advogada de Dona Clarice. Foto: Facebook.

O dinheiro que Magela tomou emprestado de Clarice (R$ 161 mil) não foi reconhecido pela filha como parte da dívida. Na proposta, ela afirma não ter participado do contrato do empréstimo, e que a responsabilidade pelo valor devido é dos seus pais.

Ao recusar o acordo, Lara Kauark afirmou que a filha de Magela esteve várias vezes na casa e presenciou conversas entre os pais e Clarice. Lembrou o fato da ex-proprietária ter permanecido no imóvel, justamente por não ter recebido todo o valor. A advogada encarou a proposta como um “disparate” e disse que os devedores demonstraram “falta de caráter” ao não honrar os compromissos.

Segundo Lara Kauark, três endereços diferentes de Geraldo Magela foram informados à justiça, mas ele nunca foi intimado. Após inúmeras tentativas dos oficiais de justiça, Magela foi convocado para a audiência de conciliação por meio de um edital público, mas não compareceu na data marcada, no dia 02 de fevereiro deste ano.  Segundo a advogada, a ausência de Magela vai propiciar que ele seja julgado à revelia, ou seja, sem no mínimo ter contestado as acusações.

Lara Kauark afirma que Dona Clarice foi engambelada e é vítima de um estelionato afetivo. “Ela foi mantida sob erro por dois anos”, ressalta. Também contou ao BG que Geraldo Magela responde a outros processos na justiça trabalhista e já não possui nenhum bem em nome dele. A advogada acha que sua cliente vai ganhar a causa, só que Magela, a esposa e as filhas ainda poderão recorrer ao Tribunal de Justiça da Bahia. Além disso, quando o processo tiver um desfecho, o judiciário terá dificuldades para encontrar dinheiro e propriedades em nome do réu. Segundo Lara Kauark, Magela disse a Clarice que não acionasse a justiça, pois ele tem muitos “acessos”.

O BG perguntou a Lara Kauark por quais motivos Geraldo Magela não responde uma ação criminal pela prática de estelionato. Ela explicou que Dona Clarice tem medo de possíveis represálias e atentados contra a sua vida, por isso, resolveu entrar com uma ação apenas na vara cível. Apesar de uma lei estabelecer direito à prioridade para os idosos, a causa de Clarice tramita há cinco anos no fórum Epaminondas Berbert de Castro. Lara Kauark acredita que a causa será julgada logo após o retorno dos prazos processuais, paralisados devido à pandemia do novo coronavírus. O BG apurou que a Defensoria Pública do Estado da Bahia passou a acompanhar o caso devido à demora.

“Eu tenho 10 anos na advocacia. Faço parte da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Bahia e fui presidente da comissão dessa mesma área na OAB/Itabuna. Essa é a história mais triste que eu já me deparei como advogada. Dona Clarice tem 73 anos. É uma mulher indefesa e idosa, sem filhos e marido. Ela tem medo de morrer e não receber o dinheiro. Para se fazer presente nas audiências, é obrigada a comprar passagens de avião. Aconteceu uma vez de a audiência ser desmarcada, e ela ter que arcar com os custos do cancelamento das passagens. Tudo isso me deixa muito sensibilizada e eu sei que Magela fez tudo de propósito, após ter pedido que Dona Clarice acreditasse em sua palavra. Vale lembrar que ele e a filha trabalham na área de saúde”, disse Lara Kauark à reportagem do BG.

Dona Clarice recebe R$ 1.544 de aposentadoria. Ela acredita que existe uma justiça muito acima desse mundo. “Dessa ninguém consegue se safar. Se eu tive que passar por isso, Deus é capaz de resolver”, afirma com fé. Ela assume os aborrecimentos com o processo e se diz injustiçada, pois em sua vida, garante que nunca teve um protesto judicial. “Nunca paguei juros e nunca atrasei contas, devido à formação que meu pai me deu”.

No dia 22 de abril, o Blog do Gusmão tentou ouvir Geraldo Magela sobre as acusações feitas por Dona Clarice. Enviamos mensagens via Whatsaap e e-mail, mas ele não deu retorno. No dia 25 de maio, tentamos falar com o secretário de saúde por meio da secretaria municipal de comunicação. Pedimos que uma jornalista da SECOM intermediasse o contato. Também não recebemos resposta. Vale lembrar que Geraldo Magela reside na casa que pertenceu a Dona Clarice. Neste momento de combate ao novo coronavírus, ele é um dos responsáveis pela gestão dos recursos da saúde que atendem o povo de Ilhéus, incluindo milhares de idosos.

A casa que pertenceu a Dona Clarice, hoje habitada por Geraldo Magela, localizada na rua Marechal Castelo Branco (conhecida como rua do meio), em Olivença. Foto: Blog do Gusmão.

No dia 04 de maio deste ano, o ator Flavio Migliaccio, 85, foi encontrado morto em seu sítio localizado em Rio Bonito, no interior do estado do Rio de Janeiro. Migliaccio deixou uma carta aos familiares com a seguinte afirmação: “a humanidade não deu certo”. A forma como a morte do artista aconteceu deixou muitas pessoas chocadas. Consagrado no teatro, cinema e televisão, ele esperava há mais de 20 anos o pagamento de uma indenização devida pela TVE. Este motivo e outros cansaram Flavio Migliaccio.

Dona Clarice espera há 7 anos pelo fim do seu problema. Ela assume que foi ingênua. “Nunca fui tontinha. Vivi a circunstância de ter sido enganada por um homem voltado para si e desonesto. Certa vez ele chorou para mim e me deu certeza de que me pagaria, pois o sonho dele era ter uma casa em Olivença. Fui enganada, não consigo explicar por que emprestei dinheiro para ele, mas não posso me desesperar e ficar doente. Sou dizimista e Deus é a minha religião”.

Emocionada ela afirma: “o golpe que me aplicaram não pode acabar com a minha vida. Deverei honrar até o fim a vida que Deus me deu”.

Magela e os dribles na verdade

Notinhas.

Magela: o craque dos dribles.

Se a verdade fosse um quarto zagueiro, o atual secretário de saúde de Ilhéus, Geraldo Magela, seria um Neymar da vida.

Magela foi secretário de saúde de Teixeira de Freitas e quando deixou a pasta, em setembro de 2010, foi denunciado por deixar uma dívida de R$ 10 milhões. O então prefeito da cidade, Padre Aparecido, o chamou de mentiroso publicamente.

Como secretário de saúde de Itabuna, no final do governo do Capitão Azevedo (2009-2012), teve passagem muito contestada, não deixou saudade e foi acusado de agredir uma sindicalista.

Como competência não é critério para o prefeito Mário Alexandre, Magela assumiu o comando da saúde de Ilhéus em julho de 2018.

Pessoas que trabalharam com Magela afirmam que ele tem o costume da “palavra flácida” e gosta de “pregar peças”. No dia 05 de abril deste ano, disse que desconhecia o contrato firmado com uma “bodega” de Coaraci para o fornecimento de R$ 500 mil convertidos em álcool gel. O Diário Oficial do Município o desmentiu, pois no dia 24 de março publicou a homologação do contrato assinada pelo próprio secretário de saúde.

A mais nova “meia verdade” de Magela diz respeito à Covid-19. Na última quinta-feira, 7, ele afirmou que Ilhéus tinha 267 casos confirmados da doença (123 pessoas em isolamento domiciliar e 144 altas médicas). A soma do secretário passaria pela “prova dos nove” se não fosse por um detalhe. E o número de 11 mortos?

Na pressa de inflar o total de altas médicas e espalhar notícia positiva, Magela excluiu a quantidade de óbitos da relação de casos confirmados.

Especialistas em Vigilância Epidemiológica ouvidos pelo BG disseram que o número de mortos é parte do total de casos confirmados.

Sendo assim, concluímos que, mais uma vez, Magela faltou com a verdade.

Ouça essa notinha narrada por Emilio Gusmão.

Vídeo de festa postado na quarta-feira (06) traz uma voz bem parecida com a de Marão

Notinhas.

Postagem de Suelen Valiense com Fábio Junior publicada no Instagram na quarta-feira, 6.

Ilhéus vive dias tensos e de bastante sofrimento.

Comércio fechado, muitos desempregados e a morte rondando corações e mentes.

A cidade tem 13 óbitos e a maior taxa de contaminação por Covid-19 na Bahia.

Em paralelo, o secretário municipal de turismo, Fábio Junior, e o prefeito Mário Alexandre foram denunciados por promoverem festas no Condomínio Aldeia Atlântida, no privilegiado litoral sul do município.

As supostas festas, se realmente aconteceram, desrespeitam o isolamento social e afrontam a preocupação de todos que moram em Ilhéus com o novo coronavírus. Inegavelmente, não é tempo de alegria.

No vídeo abaixo, publicado na noite da última quarta-feira, 6, no Instagram da “digital influencer” Suelen Valiense, uma voz bem parecida com a de Marão, e embargada pelo álcool, se destaca ao pronunciar uma frase de conteúdo escatológico.

Na mesma data, Suelen Valiense também publicou uma foto ao lado do secretário Fábio Junior.

Veja e, principalmente, ouça.