Uso incorreto da água é desafio para a universalização do saneamento, afirma gerente da Embasa

Felipe Madureira, gerente regional da Embasa. Foto: Ascom.

Dia 22 de março é o Dia Mundial da Água, mas há pouco o que comemorar. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), embora tenha havido avanço em direção às metas definidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, quase 2,5 bilhões de pessoas ainda não têm acesso aos serviços de saneamento básico e 750 milhões não possuem uma fonte de água melhorada. O Brasil, um dos países mais privilegiados em oferta de água doce do planeta, amarga o acesso desigual à água potável e rede de esgoto e convive, diariamente, com a cultura do desperdício. Sobre essas e outras questões, ouvimos* o gerente regional da Embasa, Felipe Madureira. O gestor é responsável pelas operações da concessionária em Ilhéus e em outros 26 municípios do sul do estado. 

Felipe, 2016 foi um ano desafiador para o município de Ilhéus, porque, mesmo cercado por fontes de água, parte da cidade passou por meses de racionamento. O que a Embasa fez para evitar que uma nova crise hídrica aconteça?

Felipe – Diversas intervenções de caráter emergencial que foram feitas para mitigar os efeitos da estiagem, que atingiu Ilhéus e quase todos os outros municípios da região, deixaram um legado positivo para a oferta e a qualidade do serviço de abastecimento de água da cidade. Exemplificamos com a implantação de novas estações elevatórias de água tratada e a substituição de tubulações, abaixo da ponte Lomanto Júnior. Isso aumentou em 11% o percentual de contribuição do Rio Santana frente ao abastecimento geral de Ilhéus. A gente ressalta que a Embasa não é dona dos recursos hídricos de Ilhéus e que eles possuem múltiplos usos (navegação, agricultura, etc.). Nós obtemos uma outorga de utilização, que para o serviço de abastecimento de água é válida apenas para a represa do Iguape e a barragem do Santana. Essa permissão é dada pelos órgãos ambientais. Para o futuro, estudamos aumentar ainda mais a contribuição do rio Santana por meio da implantação de uma nova adutora e trazer água do Rio de Contas. A Embasa vai se antecipar ao aumento da demanda provocado pela implantação do Porto Sul. Mas qualquer solução em relação a uma nova fonte de abastecimento depende do consentimento dos órgãos ambientais. E com ou sem estiagem, desenvolvemos ações de educação ambiental o ano inteiro, especialmente agora em alusão ao Dia da Água.

Represa do Rio Iguape. Foto: José Nazal.

A Embasa já noticiou, em diversas ocasiões, ações para combater as fraudes na utilização da água tratada. Por que essas fraudes, na visão da empresa, dificultam a universalização do serviço?

Felipe – Porque os desvios comerciais contribuem para a cultura do desperdício e aumentam o nosso custo operacional, que poderia ser revertido na expansão dos serviços. Precisamos, para atender satisfatoriamente aos nossos consumidores regulares, captar e tratar mais água do que o necessário, e deixamos de arrecadar de quem usa de forma irregular e indiscriminadamente. Há doze anos Ilhéus é referência na Bahia na implantação de um programa de combate às perdas de água, o “Com+Água”, que aplicou R$ 2,6 milhões em ações operacionais de combate a vazamentos e quebramentos de rede; recuperação de clientes em situação irregular e ações de cidadania e educação ambiental. A participação da comunidade, nesse projeto, é fundamental para o sucesso do programa. Em 2019, estaremos de volta ao Teotônio Vilela e também no Alto do Amparo e Legião. 

Como a Embasa pretende se aproximar da comunidade nas comemorações pelo Dia Mundial da Água?

Felipe – Estão previstas ações socioeducativas em diversas frentes. Alunos do Colégio da Polícia Militar farão visita à estação de tratamento do Distrito Industrial, faremos uma blitz educativa na loja de atendimento, no Centro, levaremos teatro a grupos escolares do Teotônio Vilela e faremos palestras em várias instituições de ensino. Esse ano, a Embasa convida a todos a entrar no clima do uso responsável, sempre de forma lúdica e interativa. A empresa é a responsável pelo abastecimento, mas todos nós, com nossas atitudes, somos responsáveis pela disponibilidade de água para esta e para futuras gerações.

* Material produzido pela assessoria de comunicação da Embasa.