Parodiando: O auto dos Compadecidos

“Sobre as inter-relações dos poderes democráticos, Estado e povo, predomina uma neorrealidade ambivalente, desavergonhadamente deletéria, escancarada e clientelista. Povo e governo vivem em mundos distintamente antagônicos, separados que estamos por muros altos de faces duplas. Somos parceiros distintos de nós mesmos no ambiente supostamente pátrio; a pátria é deles e, em nome da suposta “democracia plural”, negociam como commodities os princípios pétreos legados por Rousseau, pai da moderna democracia, claro, não isso que vige no Brasil”.

Por Mohammad Jamal.

Falar sobre as malfeitorias políticas já não dá mais audiência, ibope, leitura, público. Notícias estampadas sob o cunho apelativo em manchetes chamativas ou sensacionalistas já não despertam interesse algum nos leitores. Há um processo contínuo de erosão moral cronificado sobre as condutas das figuras públicas na política brasileira. Antigamente morria-se de rir das piadas e esquetes teatralizados em caráter cômico pastelão ou tórridos de ironias e críticas ferinas aos atos e condutas das aberrantes personagens do métieur político!  Imagino que o humorismo temático daquela época supunha-se singularmente ficcional; pode ser. Mas a corporificação do ficcionismo que se supunha preso e estacionário sob o abstracionismo do humor como tema, de fato, evoluiu e transmutou-se para um concretismo existencial amargo e intratável. A realidade superou em muito a ficção.

Quem poderia imaginar? A moça liberada, que arriscou fazer sexo antes do casamento, denominaram-na puta. E àquele que roubava; que tomava por empréstimo e não devolvia; que prometia e não cumpria com os compromissos assumidos, eram chamados de ladrões! Os pequenos delinquentes morais daquela época são hoje, condescendentemente imputados como simples e corriqueiros inadimplentes; mercê da reinterpretação semântica do adjetivo “ladrão”, que na atualidade é plenamente lavável, reciclável, reutilizável, reerguido como vestal e, portanto, plenamente reelegível por muitos com a ajuda implícita do texto da Constituição Brasileira de 1988 em seu artigo 5°, inciso LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Por isso, reprimimos a ânsia do vômito quando somos obrigados a votar “nos mesmos”, tão sujos quanto esteio de poleiro de galináceos. A tanto desceu o padrão de tolerância que já há congressistas condenados e encarcerados, mas liberados extemporaneamente para o pleno exercício das atividades parlamentares inerentes aos seus mandatos na câmara, interagindo sabe-se lá, Allah, costurando remendos à Constituição Brasileira e ao vetusto Código Penal em causa própria pela manutenção das suas “conquistas” no decurso da “velha política” teimosa e resistente às fumigações antiparasitárias.

Sobre as inter-relações dos poderes democráticos, Estado e povo, predomina uma neorrealidade ambivalente, desavergonhadamente deletéria, escancarada e clientelista. Povo e governo vivem em mundos distintamente antagônicos, separados que estamos por muros altos de faces duplas. Somos parceiros distintos de nós mesmos no ambiente supostamente pátrio; a pátria é deles e, em nome da suposta “democracia plural”, negociam como commodities os princípios pétreos legados por Rousseau, pai da moderna democracia, claro, não isso que vige no Brasil. No lado de dentro, o lado “deles”, simbolicamente as ruas são seguras; acarpetadas para carruagens douradas na forma dos seus carros blindados, luxuosos importados; motorista particular e parrudos seguranças pessoais; jatinhos executivos e viagens em primeira classe dão o toque VIP à “autoridade” personificada pagos pelo nosso suado dinheirinho, extorquido em via impostas e taxas. Cartões corporativos dão acesso a bebedouros seletivos que vertem champanhe; vinhos caros… Água mineral Perrier. Jornais, revistas, sites e bancos estão sempre de portas escancaradas para recebê-los efusivamente; mulheres e Adônis, prontos para servi-los a tempo e a qualquer hora.

Do lado de lá, as urnas para coleta de envelopes de sugestões e possíveis reclamações com tapinhas nas costas, substituem as desconfortáveis Delegacias Circunscricionais de polícia, onde ralamos para registrar um B.O. Além disso, lá não há juízes, promotores, Ministério Público, Tribunais, etc. que perturbem seus doces farnientes. Um céu de mimos e privilégios… Até o SUS a que nos foi quase totalmente suprimido o acesso por sucateado; do lado de lá atende no Sírio e Libanês; Albert Einstein… Clínica Bambina, “tudo free”, com ouvi dizer lá em Serra Talhada: “De grátis”! Mas do lado de cá, nosso lado, nem é preciso falar; seria redundantemente tedioso repetir o que todos nós, povo, vivenciamos no dia-a-dia. No lado de cá, nosso lado, SUS é SUS mesmo, um SUSto apenas! E não adianta gritar, engula a dor; gritar e gemer piora o humor do apressado doutor com centenas de doentes para atender em quatro horas de plantão!

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As manifestações favoráveis a Moro e o uso da liberdade de expressão

“Apoiar Moro neste momento, com atos públicos na rua, soa tão desarrazoado quanto apoiar os policiais militares de São Paulo acusados de estuprar dentro da própria viatura uma jovem que lhes pediu auxílio, ou apoiar o sargento da Aeronáutica flagrado na Espanha com 39 quilos de cocaína em sua mala”.

Por Julio Gomes.

No dia 30 de junho de 2019 assistimos as manifestações a favor do hoje ministro e ex-juiz Sérgio Moro, que ocorreram em várias capitais e cidades brasileiras.

Como vivemos e acompanhamos os fatos em Ilhéus, tendo assistido pessoalmente à manifestação pró Moro quando a mesma passou em frente ao local onde resido, a tentação de fazer uma avaliação quanto ao tamanho, número de carros, composição de pessoas e outros detalhes é grande, mas resistiremos a ela em nome de um objetivo maior: analisar o que cabe ou não no atual momento por que passa o Brasil.

É necessário deixar claro, em primeiro lugar, que o direito de manifestar-se nas ruas é legítimo e está previsto legal e constitucionalmente. Afinal de contas, ainda temos traços de democracia, embora enfraquecidos, e este direito deve ser defendido e preservado.

Entretanto, diante da gravidade da conduta imputada ao então Juiz Sérgio Moro, cabem reflexões mais amplas. Vejamos.

Um dos requisitos legais mais sagrados na atuação de um Juiz de Direito é sua imparcialidade. Os advogados têm a atribuição de defender a uma das partes e, no processo penal, cabe à promotoria a função de acusar. É assim que deve e tem que funcionar o Poder Judiciário, no Brasil e em qualquer lugar do mundo, para que se busque fazer Justiça!

Quando um Juiz de Direito pende para um dos lados em disputa judicial, ajudando a defesa ou a promotoria, acaba-se a imparcialidade do Juiz. É exatamente isso que as recentes denúncias veiculadas pelo site The Intercept têm nos mostrado, que o Juiz Moro, ao julgar o Presidente Lula, teria orientado a Promotoria quanto à seleção de testemunhas, de procedimentos acusatórios, de quem deveria ou não ser denunciado pelo Ministério Público, das provas a serem produzidas nos autos, enfim, teria atuado decisivamente em favor da acusação, atos que resultam, obviamente, na condenação de qualquer réu.

O momento, ante a gravidade da conduta imputada ao ex- juiz Moro, não seria de apoio, mas de exigir que todas as denúncias sejam rigorosamente apuradas, para que não pairem dúvidas sobre a conduta do magistrado, que caso se mostre tendenciosa, deve resultar na anulação de todo o processo e em seu retorno à Primeira Instância, para que possa ser julgado por um Juiz imparcial, como a lei exige.

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Sai de baixo. Lá vem o Brasil descendo a ladeira…

“Lembram a Petrobrás? Até dia desses quebrada e falida ao extremo, vítima dos saques, assaltos e furtos qualificados praticados por quadrilhas políticas muito bem organizadas! Pois é, ela está novinha em folha e riquíssima novamente, até já distribuindo dividendos aos seus acionistas! Nada como uma boa política de preços, pra eles claro, para ressuscitar a saúde financeira de grandes conglomerados estatais. Gasolina, óleo diesel, gás de cozinha, naftas e solventes vendidos quase de graça aos consumidores brasileiros né. Pena que a fronteira com a Venezuela fica um pouco longe senão iríamos abastecer nossas carroças automotivas por lá”.

Por Mohammad Jamal.

Sócrates bebeu cicuta, e você, vai tomar uma? Aqueles que se dão ao trabalho de ler as bobagens existenciais que escrevo por aqui sabem. Não gosto de escrever sobre política porque o assunto nos deixa com um ranço apodrecido muito ruim na boca envenena nossos humores e contamina nossos líquidos corporais com radicais tóxicos, um veneno lento e mortal.

Com vaselina e cunilíngua é mais caro. Falar sobre política fazia-me sentir igual àquelas prostitutas de antigamente, quando pelas manhãs iam se banhar e lavar ‘as partes’ do labor e da faina de ontem à noite nas águas mornas e cristalinas do Rio Cachoeira, que outrora sobrevivia belo e balneável quando por aqui cheguei ainda criança, a umas dezenas de anos passados. No wash up das manhãs diga-se, o único do dia, elas, as prostitutas, queixavam-se umas às outras sobre os calotes e “penduras” aplicados na noite anterior por fudeões expertos e matreiros cuja cor do نقود ‘naqud’ (dinheiro) não veria nunca mais. Era no ritual coletivo do banho matinal, enquanto desembaraçavam e penteavam-se umas às outras, catando um piolho aqui, um chato ali, esmagados sem dó nem piedade entre as unhas dos polegares, num “ploft” mortal, quase um revide sobre o simulacro corporificado do algoz caloteiro, enquanto faziam seu muro das lamentações inserindo não os bilhetinhos com queixas e rogos nas frestas de pedras, mas os seus cânticos fúnebres lamentosos aos ouvidos das colegas de tão infortunada profissão! – Ufa, que parágrafo longo não! – Isso porque nada, absolutamente nada, nem a Lava Jato, poderia repatriar de volta às suas bolsas empobrecidas a paga pelos serviços, a assistência sexual performática que forneceu profissional e dedicadamente ao sedento visitante. Tal como acontece com os calotes políticos, claro, data vênia, ressalvadas e resguardadas devidamente as imagens e conceito públicos dessas probas profissionais do sexo a quem não cabe censura alguma à sua honestidade e princípios.

As míticas personagens do Sermão do Bom Ladrão – Os Sermões (padre Antônio Vieira) Mas nossos políticos? Me acudam (sic) aí porque eu estou aqui pra acudir vocês! A eles, os políticos, essas enguias viscosas, ninguém pega, ninguém tasca, ninguém dá calote. Raríssimos caíram porque afoitos demais, exageraram na quantidade e volume do saque e pilhagem muito evidentes na bagagem. Raros foram temporariamente parar atrás das grades aguardarem impacientes à iminente transferência para o conforto do semiaberto nas suas mansões e coberturas tríplex, que ninguém é menino.

“Só se deverá acreditar num Deus que ordene aos homens a justiça e a igualdade” (George Sand). A vista cansada, a rigidez muscular reumática talvez, padecentes na fase crônica na chikungúnya, os braços curtos e as pernas trôpegas claudicantes da nossa justiça amparada por num cajado frágil, um código processual conspícuo não obstante desvirtuado e enxertado por medidas de exceções, vacinas, ressalvas e privilégios para legisladores eleitos pelo povo, permitem que títulos de indulgências e salvaguardas transformem políticos em senhores do universo, deuses no Olimpo nos céus do país de São Saruê. “Eu tenho a força” (He-Man) e o poder… E ai de quem mexer comigo! E lá se vão eles, escada acima, enriquecendo prematura e vorazmente a cada dia de mandato, e o Brasil, segue cabisbaixo, e vencido, desce a ladeira; todo fodido, pobre, arregaçado tal e qual seus indesejados inquilinos, o povo, o trabalhador, o aposentado, o produtor, os tais que insistem em estrilar e reclamar entre muxoxos e resmungos silenciosos contra o gigantismo das aberrações praticadas por nossos representantes no executivo e legislativo contra os contribuintes; os mesmos miseráveis contumazes pagadores de impostos, extraídos na tora dos salários e aposentadorias e embutidos em tudo que consumimos, até as exéquias e urnas funerárias estão tributados.

A rainha estuprada refez seu hímen cirurgicamente! Agora está pronta pra servir a outra orgia monetária.   Lembram a Petrobrás? Até dia desses quebrada e falida ao extremo, vítima dos saques, assaltos e furtos qualificados praticados por quadrilhas políticas muito bem organizadas! Pois é, ela está novinha em folha e riquíssima novamente, até já distribuindo dividendos aos seus acionistas! Nada como uma boa política de preços, pra eles claro, para ressuscitar a saúde financeira de grandes conglomerados estatais. Gasolina, óleo diesel, gás de cozinha, naftas e solventes vendidos quase de graça aos consumidores brasileiros né. Pena que a fronteira com a Venezuela fica um pouco longe senão iríamos abastecer nossas carroças automotivas por lá.

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É da lei e natureza do escorpião

“A verdade é que, em vez de usar seu tempo na prefeitura para administrar – e bem – Canavieiras, utiliza parte de seu tempo para atacar os adversários pelas redes sociais, num português chulo e ortografia ridícula, tratando seus desafetos como verdadeiros inimigos figadais. Se esses escusos procedimentos fossem só no particular já não pegaria bem, imagine editando uma “live” no Facebook, gravada dentro do próprio gabinete do prefeito”.

Por Walmir Rosário.

Dizia Tancredo Neves que o político tem de ter medo até para descer do meio-fio e para isso precisa se cercar de todos os cuidados. E o mais mineiros dos políticos sabia muito bem do que afirmava, de promotor público em São João Del-Rei, foi vereador, deputado estadual, federal, senador, governador e presidente da República, que embora não tenha tomado posse, foi eleito pela esperança do povo na construção de um Brasil melhor. Mas isso não faz diferença para o prefeito de Canavieiras, Clóvis Almeida.

Outra lei implacável é a conhecida terceira lei de Newton, cuja teoria diz: “Para toda ação (força) sobre um objeto, em resposta à interação com outro objeto, existirá uma reação (força) de mesmo valor e direção, mas com sentido oposto. Mas, ao que parece, o prefeito Almeida talvez não saiba ou não acate o que seu professor de física ensinou em sala de aula. Pode ser que não deva ter dado a importância necessária, ou, quem sabe, tentar mostrar que Newton estaria errado…

A verdade é que, em vez de usar seu tempo na prefeitura para administrar – e bem – Canavieiras, utiliza parte de seu tempo para atacar os adversários pelas redes sociais, num português chulo e ortografia ridícula, tratando seus desafetos como verdadeiros inimigos figadais. Se esses escusos procedimentos fossem só no particular já não pegaria bem, imagine editando uma “live” no Facebook, gravada dentro do próprio gabinete do prefeito.

Para ele não existe local mais adequado. Em algumas “lives” em que foi obrigado – ou aconselhado – a apagar, cometia crimes de discriminação e homofobia, xingava outros tantos, ofendia familiares de vereadores e ainda atentava contra a religião. Esse procedimento de ditador ganha o mundo pelas redes sociais sem qualquer cerimônia e num discurso chegou a ofender os conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) sem qualquer dissimulação.

E age de forma descivilizada no varejo ou no atacado sem qualquer cerimônia, não se sabe por entender que, como conseguiu escapar da cassação pelo Tribunal Regional Eleitoral num processo com provas robustas de crime por abuso de abuso do poder econômico, inclusive com depoimentos testemunhais e notas fiscais emitidas fora de hora. Para o prefeito de Canavieiras, a frase “a justiça tarda mas não falha” é coisa de zé mané, e que o Ministério Público é coisa pra inglês ver. Basta ter paciência que seu dia chegará.

De certa maneira, seus atos espalhafatosos não são divulgados com o destaque que deveria nos meios de comunicação para não parecer perseguição. Nos momentos em que são levados ao conhecimento por meio dos veículos – rádio, jornal e TV – tenta se defender como se fosse um homem de Deus, apenas por ter ingressado numa religião protestante, acreditando que ao exclamar as palavras, amém, aleluia, Oh, Glória, Jesus está no comando, apagará todos os seus pecados. Ledo engano!

De motoprópria não conseguiu chegar a um cargo público eletivo, mas por ironia da política se elegeu prefeito de Canavieiras com o apoio do ex-prefeito Zairo Loureiro, que tanto eles escrachava. Teriam falhado as leis de Tancredo Neves e Isaac Newton, ou foi uma simples coincidência. Aliás, o fato de Almeida pegar um carro de som e se postar em frente da prefeitura para esculhambar o prefeito foi bastante lembrado e se transformou num “meme” de campanha.

Pouco importou e Almeida, sem grupo político expressivo, mas com o apoio dos Talibãns – como é conhecido o grupo político liderado por Zairo Loureiro – vence a eleição. Antes mesmo da posse, como um escorpião, começa a destilar seu veneno contra os correligionários. Se chegou rachado à posse, assim que sentou na cadeira de prefeito, também agindo como escorpião, iniciou a canibalização do grupo, espalhando seus membros, em vez de ciscar pra dentro, como manda a lei da política.

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Da saga quem tem medo de Glenn Greenwald: meu juiz favorito vs jararaca

“aviso aos leitores dessas ideias permitidas que minhas reticências  a Moro não implica simpatia pela corrupção; apenas preferência pela justiça em detrimento do justiçamento. A política justicialista emplacada por Moro e o procurador Deltan Dallagnol, desde sempre violou a inviolabilidade do nosso ordenamento constitucional, mesmo que tenha sido apresentada como um movimento cruzadista contra a corrupção, chaga que asfixia nossas esperanças num país mais justo e inclusivo”.

Por Caio Pinheiro.

Bolsonaro é de fato um ser camaleônico. Parece ter lido ao menos parte das lições de como conquistar e manter o poder escritas por Maquiavel. Entrou para o meio político, fez amigos e aliados, mas esqueceu do fundamental: para quem pretende conquistar o poder não é possível prescindir de exercê-lo! Contudo, nesse aspecto faço referências elogiosas ao “mito”, ele nunca disse que iria exercer a “chefia do governo”, queria ser apenas “chefe de estado”, já que jamais abriria mão de mitificar-se reiteradamente. E assim o fez, terceirizou as responsabilidades administrativas do país entre “tchutchucas”, “olavetes” e “capitão nascimento” na sua versão “meu juiz favorito”.

A reminiscência patológica da guerra fria, o ódio às minorias, uma leitura falaciosa das disparidades socioeconômicas, um estrangeirismo subserviente e a simplificação analítica de questões muito complexas, fazem do governo Bolsonaro um campo de terra infértil. Nesse sentido, concordo com Rodrigo Maia, vulgo “fluminense”: o governo Bolsonaro é um deserto de ideais! Na verdade, o correto seria dizer que na ausência de ideias sobram convicções úteis e convenientes, mesmo que não se saiba até quando terão permeabilidade social a julgar pelos últimos levantes populares. .

Se não bastasse, como parte do greem team Bolsonarista, o ex-juiz e agora super-ministro Sergio Moro (até quando não sabemos!) tenta desencalacrar-se da mesma armadilha que usou contra seus adversários-réus. O site The Intercept, seguindo o modus operandi da Lava-Jato, deu ressonância ao que muitos cidadãos e cidadãs insistem em denunciar: há uma trama meticulosamente armada contra os interesses nacionais que, em linhas gerais, efetiva-se com a anuência de frações expressivas do executivo, legislativo, judiciário e grandes veículos de comunicação.

Antes de seguir nessa tese, aviso aos leitores dessas ideias permitidas que minhas reticências  a Moro não implica simpatia pela corrupção; apenas preferência pela justiça em detrimento do justiçamento. A política justicialista emplacada por Moro e o procurador Deltan Dallagnol, desde sempre violou a inviolabilidade do nosso ordenamento constitucional, mesmo que tenha sido apresentada como um movimento cruzadista contra a corrupção, chaga que asfixia nossas esperanças num país mais justo e inclusivo.

Contudo, todos esses imbróglios decorrentes da politização da justiça foram capitados pelos holofotes midiáticos em 2016. Logo após o então juiz Sergio Moro, titular da 13ª Vara Criminal de Curitiba, reconhecer a irregularidade no grampo que interceptou a conversa da presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, indaguei a um amigo também juiz o que ele achava do caso. Para minha surpresa ouvir como resposta: esse cara é louco! Não me dei por satisfeito e voltei a inquiri-lo. Questionei-lhe o motivo de achar um colega de ofício louco. Tive como resposta uma frase seca: o que ele fez é crime! Como a devolutiva foi seca e rapidamente descontextualizada, encerrei meus questionamentos e passei a conversar sobre amenidades.

Insatisfeito, mergulhei na compreensão dos argumentos instados pelo ex-juiz para exercer prerrogativas que não eram suas. Segundo o mesmo, havia determinado a interrupção da intercepção telefônica, por despacho de 19/03/2016, às 11:12:22. O diálogo entre Lula e Dilma havia sido recolhido às 13h32, entretanto o delegado da Polícia Federal Luciano Flores de Lima (responsável pelas investigações) e as operadoras de telefonia foram informados da suspensão dos grampos até as 12h18, mas mesmo assim Moro determinou o levantamento do sigilo de todo processo, inclusive da conversa entre a presidente e o antecessor dela.

Em despacho, Moro argumentou que o levantamento propiciaria “assim não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas também o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal. A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras”. Para fortalecer seu argumento de que nem mesmo o presidente “tem privilégio absoluto” na proteção de suas conversas, Moro remeteu-se ao caso Us vs Nixon, de 1974, em que a Suprema Corte dos EUA decidiu que o então presidente Richard Nixon não poderia se negar a disponibilizar gravações de conversas na Casa Branca a outros entes do Estado.

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Supositório e rojão em notícias do Reino de São Saruê

“Não será porque tentaram charquear na guampa o nosso herói justiceiro, nosso ministro, Moro, virando-o pelo avesso, torturando-o com se na fogueira da santa inquisição em busca de pecados imaginários na sua extensa biografia pautada na honradez da ética e na fidelidade aos princípios das leis e da justiça. Tal como vimos ontem naquele tribunal inquisitivo/parlamentar armado para denegrir a instituição judiciária e depredar a imagem honrada de um dos mais destacados magistrados brasileiros que teve a coragem de enfrentar a corrupção e a criminalidade instaladas em todas as instâncias políticas do país. Não, por isso não”.

Por Mohammad Jamal.

Viva São João! Esperanças, ânimo, motivação, alegria minha gente! Não se deixem deprimir por tão pouco! Vai ter fogos de artifício, fogueira, canjica, amendoim cozido! E ufanem-se! Tomemos Brasília, por exemplo, claro, consideradas as devidas proporções, nós também temos nossa quadrilha! Não obstante o enfrentamento dos problemas comuns e similares com o M.P/BA. mas é nossa, é gente da gente, é da terra, nativa da cidade! Tem padre, delegado, juiz, jagunços, noiva prenhe, tem noivo com escolta policial, casamento na tora. Tudo isso caracterizado com indumentárias típicas do rico Folclore rural nordestino; tem sanfoneiro, zabumba e triângulo para um bom “rela bucho” no forró e note que a cidade está ha anos caracterizada para esses festejos, “uma belezura de Clêuza”, uma jaca de fim de feira!

É festa, “é tempo de alegria”, sorria e curta, se esbalde nessa farra junina de ano inteiro. Note que falei ANO INTEIRO viu? Porque o outro, a rotatória, está uma luta manter incólume dos assédios e agressões políticas.  Sejamos menos puristas. Quem muito quer, muito perde! O ‘poglesso’, ou melhor, o ‘pogresso’, há deixa pra lá, esquece. Tenho a língua pegada, não consigo pronunciar esse substantivo corretamente. Não é porque estamos com um foguete e um rojão atochados lá atrás, que vamos perder nosso brilho e alegrias de viver e curtir ou as singulares motivações típicas de brasileiro, resignado, desligado, largado na vida, “sem lenço, sem documento…” num foda-se lá quem quiser.

Saltando cocôs órfãos. Chegou a hora de afastarmos solenemente com os pés, como se faz com os cocôs órfãos, as merdas bastardas, armadilhas malcheirosas que pontuam nosso caminho e, de abolirmos e repudiarmos as leituras pressurosas dos doutos analistas políticos; desses que veem através as paredes e predizem veementes os adventos apocalípticos em futuros próximos de se abaterem sobre nossa população, claro, não obstante os discretos indícios que os motivam e impelem os negros vaticínios. Ideologias de esquerda, gramscismo, interesses e motivações político/partidárias, por ascendência de status nas cadeias de poder e de consumo. Ora, não será por que uma irrelevante e minúscula banda podre supostamente com algum predomínio sobre eleitores cadastrados no laço nos bolsões da pobreza e, jactando-se apoiada e armada pela suposta confiança, apoio e sufrágio dos miseráveis e excluídos desassistidos diga-se, massa de manobras, que a banda parasítica de componentes e serviçais da velha política, habituada a viver com mimos no bem bom dos privilégios VIPS, à custa dos nossos impostos, suor do nosso trabalho vá conseguir mexer no nosso ânimo e bom humor. Ânimo minha gente, alegria. Viva São Joao! Tem fogueira, viu?

Joga bosta na Geni. Não será por causa das ações perpetradas por reconhecidos inimigos internos da nação e suas tentativas desesperadas para desestabilizar politicamente e ate derrubar o governo eleito por maioria do eleitorado e parar o Brasil; para libertar criminosos encarcerados condenados em segunda instância, ressuscitar a velha ditadura vermelha da corrupção que arruinou o país nos últimos vinte anos que, como eleitores fiéis ao patriotismo brasileiro que vamos deixar de reagir à altura, perder nossas alegrias diante das ameaças e subterfúgios criminosos típicos dos canalhas. É São João, gente. Tem guerra de espadas, tem foguetes, tem rojões. Imaginem o que podemos fazer com toda essa pólvora? Sejamos criativos, por favor. É São João, alegria, forro, arrasta pés, fogo e quentura.

Notícias do Paraguai, pirataria, claro! Não será porque tentaram charquear na guampa o nosso herói justiceiro, nosso ministro, Moro, virando-o pelo avesso, torturando-o com se na fogueira da santa inquisição em busca de pecados imaginários na sua extensa biografia pautada na honradez da ética e na fidelidade aos princípios das leis e da justiça. Tal como vimos ontem naquele tribunal inquisitivo/parlamentar armado para denegrir a instituição judiciária e depredar a imagem honrada de um dos mais destacados magistrados brasileiros que teve a coragem de enfrentar a corrupção e a criminalidade instaladas em todas as instâncias políticas do país. Não, por isso não. O Moro deu um banho nos flanelinhas vermelhas e rechaçou-os com argumentos irrefutáveis que as escutas criminosas fruto do terrorismo cibernético supostamente de cunho jornalístico-investigativo era falso e vazio de qualquer resquício aético ou criminoso. E saiu de lá exausto após nove horas de inquirições e intimidações inócuas, com estatura de homem público íntegro, maior e mais fortalecida por nossa confiança, para o júbilo dos brasileiros que amam de fato sua pátria. É São João, festa, alegria, forró. Coisa que só vemos por aqui, na rica cultura nordestina. Estou dentro e vou aproveitar.

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O cão chupando manga

“Algum antropólogo já conseguiu definir o biótipo genérico da raça brasileira? Claro que não. Somos o calor lúdico e a beleza da mãe África, somos o refrigério colorido das nossas águas que os índios carregavam nos cabelos molhados, somos os tratores e as tulipas dos holandeses de Maurício de Nassau, somos os apressados e aguerridos combatentes de Nicolas Durand de Villigagnon, os somos portugueses, os mouros, somos os árabes que para aqui vieram como turcos, somos turcos, somos hispânicos, franceses, enfim, somos gente. Pessoas brasileiras, a gente mais bonita desse planeta”.

Por Mohammad Jamal.

O cão chupando manga? Não, nunca vi, é verdade, não vi mesmo. Eu também nunca vi um apupado vocativo de “loira burra” levar ninguém para a cana, aos costumes. Também nunca ouvi um “teje Preso” por causa de observações tipo: “Seu albino cara de Michael Jackson” ou “seu moreno cor de cocô”!

Um muslime radical eu? Dia desses, um temerário cidadão após desancar imprecações contra a minha religião e descendência; virou-se para mim e bradou: _ Muçulmano homem bomba! Todo muçulmano é doido e perigoso detrás dessa barba!

Uma cédula de sete Reais? Num lapso, pensei. Vou levar esse senhor para a delegacia e denunciá-lo por declarada e evidente manifestação pública de preconceito religioso e étnico/racial contra a minha pessoa. Mas logo em seguida pensei melhor sobre a questão: Qual a casuística e incidência quantitativa de pessoas que foram enjauladas aos costumes porque destrataram muçulmanos árabe/descendentes? Conclusão; ninguém!

No pau e na tora. Optei então por oferecer ao desafeto arrogante e fanfarrão, um nariz quebrado e dois dentes incisivos amolecidos, seguidos de breves momentos de escuridão em transitória labirintite. As UPAs e P. Socorro do também atendem essas emergências de tiro pela culatra. De resto é fazer exame de corpo delito e chorar no ombro do delegado. Porrada ninguém tira. 

Preto é teu passado. Tenho preconceito contra preconceituosos. A opção não foi em revide pelo “preconceito”. Não acredito que ele exista, senão quando instilado na indevida baixa autoestima que acomete pessoas de alguns grupos étnico-raciais, notadamente afrodescendentes, a quem prefiro chamar de brasileiros, como o sou e como me sinto.

Vira latas sem “pedrigri’fe”. Algum antropólogo já conseguiu definir o biótipo genérico da raça brasileira? Claro que não. Somos o calor lúdico e a beleza da mãe África, somos o refrigério colorido das nossas águas que os índios carregavam nos cabelos molhados, somos os tratores e as tulipas dos holandeses de Maurício de Nassau, somos os apressados e aguerridos combatentes de Nicolas Durand de Villigagnon, os somos portugueses, os mouros, somos os árabes que para aqui vieram como turcos, somos turcos, somos hispânicos, franceses, enfim, somos gente. Pessoas brasileiras, a gente mais bonita desse planeta.

Prefiro sabão de coco. Branco-Branco, só mesmo o sabão Homo que lava mais branco, mas não lava a alma escura e encardida dos estúpidos preconceituosos que teimam em viver por aqui como se fossem filhos brancos do Tio Sam que, no entanto, sem concessões, passam horas na revista minuciosa da aduana, examinados até os dentes e pregas quando desembarca em aeroporto norte americano para ver a Disneylândia.

Ah foi ótimo! Enquanto renegam sua concepção, nem se apercebem quando o sinhozinho dos engenhos e cafezais, tonto de amor e luxúria, deu aquela transada “fast fuckig” incrível com a sua musa deusa de ébano, lá no escurinho da senzala, “encoxando” sobre a mesa da cozinha a mucama perfumada no azeite de dendê, cravo, canela e pimenta de cheiro e caiu desmaiado no borralho, em êxtase, quando ela o aceitou por esposo.

Minha mãe negra me deu de mamar. Sou apaixonado por tudo da mama África, suas deusas e orixás, sua cultura e negritude e até pelo seu sofrimento, sua coragem e estoicismo resilientes. Você que leu esse meu breve comentário, observou que o fizestes em sobreposição dos contrastes? Explico: as letras são negras sobre um fundo branco. Agora defina qual a cor te transmitiu essa minha reflexão?

Gente não tem cor. Tem sentimentos. Tem alma.

Mohammad Jamal é literato e articulista do Blog do Gusmão.

Breve ensaio: o ponto de ruptura não é constitucional

“Estruturalmente a anatomia estética humana é bela, perfeita, mas a essência da sua personalidade, seu conteúdo abstrato, sua natureza, índole, ímpetos comportamentais ególatras, superam muitas vezes a monstruosidade voraz e instintiva da irracionalidade animal”.

 

Por Mohammad Jamal.

Não é a Inês de Castro.  Eu te perdoo. Perdoo porque tu não és a verdadeira ré neste senário inquisitório onde acólitos e prosélitos do futebol, membros ativos numa sociedade autofágica que prioriza o consumo, que subverte e deprecia os valores morais e te apedrejam até a morte. Perdoo-te porque sei que subsistem entre nós muitas mentes que provaram ser fortes e resilientes, no entanto, igualmente envolvidas pelas adversidades existenciais que magoam e ferem sentimentos, humilhadas, ao atingirem limites máximos do seu psiquismo, prorrompem em lágrimas e cedem ao desespero quando se lhes destroem o pouco que ainda resta da autoestima que baliza a razão. Os limites sensoriais da razão são tênues não obstante à flexibilidade incidente que relativiza e subverte valores da ética e da moral no âmbito do consciente coletivo.

Objeto imemorial. A coisificação do ser racional, sua despersonalização; a negação dos valores primordiais do ente humano, a banalização do pudor em paralelo à ablação de todos os limites constitutivos da personalidade social condizente, equivalem a um impositivo processo de monetarização de todo o contexto filosófico, ético e moral, valores primordiais que orientam o comportamento humano em sociedade, onde a moral são os costumes, regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade. Suprimir tais valores é como nos impedir de respirar. “A razão ou o juízo é a única coisa que nos faz homens e nos distingue dos animais.“ Está no livro Discurso do Método, de 1637. (René Descartes)

Levantamento do patrimônio abstrato. O inventário da sua sensibilidade e valores morais, se flexibilizados, poderão ser comercializados por preços acessíveis, para não dizer, irrisórios de mercadoria ordinária. Qual é o teu valor monetário? Tem desconto? É à vista ou pode parcelar? Cartão ou dinheiro? Nossos sentimentos, nossas condutas, nossas ações e nossos comportamentos são modelados pelas condições em que vivemos (família, classe e grupo social, escola, religião, trabalho, circunstâncias políticas, etc.). Somos formados pelos costumes da nossa sociedade que nos educa para respeitarmos e reproduzirmos os valores propostos por ela como bons e, portanto, como obrigações e deveres. Dessa forma, valores e maneiras parecem coexistir por si e em si mesmos, parecem ser naturais e intemporais, fatos ou dados com os quais nos relacionamos desde o nosso nascimento. Somos recompensados quando os respeitamos ou punidos quando os transgredimos.

A teoria das Incertezas imprecisas. Mas aí vem uma questão ambígua: A sociopolítica, a etnologia política, língua, costumes, práticas, cultura, são elementos evolutivos logo, mutagênicos. Velhos hábitos, costumes e práticas sociais são esquecidos no obsoletismo e assim, substituídos por modus vivendi “mais modernos”, ergonômicos; convenientes em forçosa adequação aos diferentes futuros, dada a perspectiva teórica segundo a qual os fenômenos sociais e culturais da vida humana estão sujeitos a leis gerais de transformação, sendo análogas e complementares às da evolução biológica darwiniana, e que determinam o surgimento de formas mais complexas ou, inversamente mais primitivas a partir de formas mais simples e a crescente diferenciação entre as várias sociedades e culturas em estágios sociais ditos “evolutivos”. Eu acrescentaria instintivo-estagnado.

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Cogito, ergo sum ‘Penso, logo existo. René Descartes errou?

“Sabemos o quão perigoso é a pratica do jornalismo combativo, investigativo, sensato e construtivista, mesmo em sendo apolítico e apartidário. Uma referência à utilidade pública. A antítese do que aqui se inscreve claro num Português de bom tom. Não é aquele jornalismo escandaloso, sensacionalista, mórbido e unilateral, levianamente ofensivo; sabiamente professoral e irrecorrível; coisa que em algumas oportunidades vemos beirar o vulgar. Desse jornalismo que instila hoje os ódios opinativos de ontem, é de se esperar vê-lo amanhã, sobraçando parcialidades apologéticas para um outrora hipotético desafeto”.

Por Mohammad Jamal.

O planeta agoniza!

مغفرة maghfira; ‘peço perdão’. Perdão àqueles poucos dados a ler os longos prólogos pseudoliterários que escrevo por aqui. Maghfira, porque perplexo, não me arrisco abordar um assunto de tamanha magnitude e complexidade que sobressaí às fronteiras do país mundo afora causando estupor e devastação, consternação. Um tsunami, um terremoto de magnitude >10, uma hecatombe muito mais devastadora porque afetou o PIB brasileiro, a cotação de moedas fortes tipo o Euro, o Dólar, o Iene, o Renminbi; a nossa Bolsa de Valores e outras espelhadas pelo mundo capitalista. Que afetou nosso sistema de saúde sobrecarregando nossos modernos e bem aparelhados hospitais, UPAs e Postos Médicos com centenas de milhares de pessoas acometidas por crises nervosas e síndromes hipertensivas. Vocês se lembram do ‘Evento de Tunguska’, nome de uma inóspita região da Sibéria, inacessível até a década de 1920? Lá onde um imenso meteoro se chocou contra um continente há 105 anos provocando uma explosão com potência mil vezes maior que a da bomba de Hiroshima? Pois é semelhante a esta devastação causado ao emocional e aos bolsos vazios dos brasileiros nesse momento. Digam que viram a devastada Tunguska!  Deixo esse assunto os para renomados jornalistas das grandes redes internacionais de TVs, jornais e rádios. Esse incidente ou affaire envolvendo o jogador e herói pelo futebol brasileiro transcende minha capacidade de refletir racionalmente sobre tão relevante assunto. É muito pra mim! Também tenho sentimentos, viu?

Demóstenes, a mente maravilhosa; gago, usou seixos na boca ate se tornar o melhor orador da história!  Sobriedade, seriedade e bom senso, são fatores primordiais no equilíbrio opinativo de um jornalista. A confiança e credibilidade da opinião pública esclarecida se conquistam pela discussão sensata de temas de interesse coletivo e pela exposição de opiniões embasadas em pesquisas e análises que dão suporte ao conhecimento aprofundado da matéria e sobre tudo, na confiabilidade das fontes ou mesmo das bibliografias referenciadas no artigo. Alie-se a isso, uma redação correta, informal e de fácil entendimento, sem os aforismos e neologismos esdrúxulos que submetem nosso raciocínio e discernimento interpretativo a um permanente estado de transliteração vocabular. Eu mesmo vez em quando desencontro as palavras e, tome cacos neológicos!

Quem tem Sul, tem medo.

Sabemos o quão perigoso é a pratica do jornalismo combativo, investigativo, sensato e construtivista, mesmo em sendo apolítico e apartidário. Uma referência à utilidade pública. A antítese do que aqui se inscreve claro num Português de bom tom. Não é aquele jornalismo escandaloso, sensacionalista, mórbido e unilateral, levianamente ofensivo; sabiamente professoral e irrecorrível; coisa que em algumas oportunidades vemos beirar o vulgar. Desse jornalismo que instila hoje os ódios opinativos de ontem, é de se esperar vê-lo amanhã, sobraçando parcialidades apologéticas para um outrora hipotético desafeto. Mas aí, já incutindo e suavizando com eufemismos bem colocados, aquilo que ontem criticava em veemente e locução de arauto. O senso comum faz esse jornalismo se apequenar gradativamente decadente, com a perda de espaço e, consequentemente, sendo varrido da credibilidade das massas em razão da repulsa que o jornalismo retórico faz despertar sobre si no seio da opinião pública. Esse estereótipo jornalístico agrada a bem poucos e não cumpre seu papel informativo; não conquista audiência nem leitores; não gera ou modifica opiniões e conceitos embasados no empirismo dos fatos. Esse jornalismo extravagante necessita diariamente o combustível impactante do escandaloso, do sobressalto constrangedor, da denúncia opressiva, representados nas exemplares autópsias públicas com que retrata em seu modelo “jornalístico singular” o dia-a-dia informativo e opinativo e o disponibiliza em mídias com a policromia de tintas aberrantes desfocadas de realidade.

Com licença da má palavra.

A escatologia em jornalismo é uma aberração. Antes de oferecer um exemplo bastante ilustrativo, com cuidado faço um breve prólogo para assegurar que: Na minha reflexão, não pretendo ser elitista ou discriminativo. Sigo por regra, axiomas que prevalecem no senso comum sobre a maioria da opinião pública racional como, “conheço pessoas e não indivíduos”.  “Não concordo com o que dizes, mas, lutarei ate à morte para que preserves o teu direito de dizê-lo e, com uma breve restrição, “Beleza e religião não se discute”, mas discute-se a estética moral (sic). Fator em que me embaso neste comentário, para criticar os conteúdos estético-jornalísticos, cobrar o respeito ao vernáculo, à etimologia e à semiótica da linguagem literária jornalística dos comunicólogos que se autoatribuem e se permitem privilégios de ser particulares quando o correto seria o coletivo sensato, inteligente e imparcial sem concessões ou indulgências.

Fede mas está boa, eu garanto.

A grande imprensa vende em público nas ‘feiras de notícias’ carcaças sabidamente apodrecidas dos nossos políticos mãos sujas; daqueles que derraparam da propriedade legítima, que saltaram a origem da fonte legal, para o lucro fácil e farto da rendosa “advocacia administrativa”, do suborno; das vilanias mais esdrúxulas que emporcalha moralmente os Representantes da Nação, em sua maioria, arvores daninhas – se é que existem – que frutificam suculentos ilícitos nos pomares das contas do Estado, a nosso passivo. À antítese de Maximilien de Robespierre. O mesmo que, em se apercebendo do enfraquecimento dos princípios políticos libertários da Revolução Francesa e, a desconfiança no seio do povo em razão das cisões políticas entre os Comitês com o forte líder populista e da burguesia, Danton. Robespierre resolveu solicitar uma audiência com este peso pesado representante da nação, para tentar apaziguar as diferenças político-ideológicas através algumas concessões de comum acordo visando salvaguardar a sobrevivência dos princípios da Revolução Francesa. Ao declarar sua intenção aos membros do comitê que liderava, foi, nesse instante, abruptamente instado por Louis Antoine Léon de Saint-Just, segundo na hierarquia do Comitê, com a seguinte questão: “Você vai se rebaixar a pedir uma audiência com Danton?”. Ao que respondeu de pronto, Robespierre: “Pelo bem da Revolução, serei capaz de me submeter às maiores baixezas!”. Tendo por meta o bem do povo, ele exclui vaidade, a relevância da posição política que representava junto Comitês e a própria autoestima, colocando-a muito abaixo dos interesses maiores do povo e da nação! Um altruísta. Um mito, uma ficção política na contemporaneidade. Mas nem por isso, por toda essa imundície e impudicícia praticadas pelos representantes da nação da nação contra o casmurro povo brasileiro, não nos farão posar de cócoras pra eles, afinal, ainda estamos vivos! E Precisamos resolver nossos monstros secretos, tratar nossas feridas clandestinas, nossa insignificante insanidade oculta, nossas diferenças de excluídos e, irmos pra cima buscar o resgate do monstruoso passivo que eles acumularam com o povo, com os “caixas” das estatais brasileiras e o erário público que dissiparam entre si.

Sonhos? Se não encontrar nessa, vá a outras padarias ate achar o seu.

Não podemos jamais esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los em seguida como servos da nossa inteligência. Não devemos ter medo da dor; devemos sim, ter medo de não enfrentá-la, não criticá-la, não usá-la. Necessitamos expurgar do Brasil os parasitas, flagelos de Allah e, par e passo, desinfetar as profundas feridas causadas por esses oligarcas. Nada supera o incisivo efeito terapêutico de um voto bem aplicado!  E ainda podemos escolher a via que desejamos infundir esse remédio definitivo: intramuscular; intravenoso; por enema, supositórios…

Mohammad Jamal é literato e articulista do Blog do Gusmão.

Quero ver Irene rir, quero ver Irene dar sua risada

“O que temos agora, aos nossos olhos, se trata de uma sociedade quem tem, com boa vontade, Castro Alves como pouco mais que um fetiche de personagem heroico, que pouco ou nada o lê, ignora a intenção do local de memória dedicado a ele, mas também…fixou popularmente Dona Irene, mulher negra e seu trabalho familiar com o acarajé, alçada ou não pela elite cacaueira àquele espaço, o referencia como sua praça (deveras democratizada ao longo dos anos como um espaço permitido a outros estratos sociais), e em que as pessoas se alimentam, até hoje, do seu legado de trabalho”.

Por Elisabeth Zorgetz.

Esta semana, as páginas locais de Ilhéus nas redes sociais publicaram um Projeto de Lei, nº 044 de 2019, de autoria do Vereador Nerival Nascimento, que dispõe sobre a alteração do nome da Praça Castro Alves para Praça da Irene. Não tenho conhecimento sobre a votação do projeto. Um rebuliço tomou as redes, incitados por consultas informais à comunidade, menções de repúdio e outras discordâncias. Lugar-comum, embora nada injusto, comentários sobre o estado de ócio dos vereadores da cidade, ocupados com “frivolidades” como nomes de praças e logradouros vieram aos montes. Outros sugeriram reformar a praça, localizada na Avenida Soares Lopes, ao invés de se preocupar com seu nome. Muitos ficaram consternados ao perceber que o nome verdadeiro da praça seja Castro Alves e não Irene, mesmo com a presença silenciosa do busto daquele. Alguns pediram eventos que salvassem, às pressas, a memória do poeta Castro Alves, uma vez evidente a ignorância da juventude. Esses comentários se aproximam de onde quero chegar agora, embora ainda não completamente. Se avizinhava a pergunta: e quem é Irene, senão a velha baiana do acarajé? Outros ousavam: fiel serviçal das elites ilheenses, negra da casa, inexpressiva historicamente, talvez pela cultura…Quando então a completa negação: Fica Castro Alves, Irene não. Foi aí que eu, alheia a qualquer tipo de pensamento sobre fixar Irene num papel, vendo de onde surgiam tais discursos, levantei as orelhas e ativei o faro, como um desgraçado cão ao cheiro da carne podre.

Ainda que nem desde sempre, somos uma nação que abraça prontamente o bem do passado e descarta o mal, e de forma explícita quando o assunto é memória e espaços. Com isso quero dizer que não tivemos o inverso anteriormente, mas que contemporaneamente a memória em todos os espaços, tangíveis e intangíveis, ainda não honra seus verdadeiros lutadores nacionais. Lembremos Le Goff: “O monumento tem como características o ligar-se ao poder de perpetuação, voluntária ou involuntária, das sociedades históricas (é um legado à memória coletiva)”. Os monumentos são importantes diante do seu papel na formação da memória histórica. Essa memória histórica consiste nas histórias que contamos sobre quem somos, de onde viemos e molda poderosamente as maneiras pelas quais concebemos nossas possibilidades e orientações políticas no presente e no futuro. Sendo assim, Castro Alves, como poucas figuras que ocupam bustos, estátuas e dão nome aos espaços públicos urbanos brasileiros, nos honra como baiano abolicionista, ferrenho intelectual antiescravista, artista primoroso, de reconhecimento internacional. Sua presença pétrea é quase um alívio, diante de tantos canalhas que ocupam tais espaços nas cidades deste país.

Castro Alves, jovem estudante de direito republicano, escreve, aos 17 anos, o poema O Povo ao Poder, cuja conhecida estrofe remete, coincidentemente, às praças. “A praça! A praça é do povo/ Como o céu é do condor/ É o antro onde a liberdade/ Cria águias em seu calor!/ Senhor!… pois quereis a praça?/ Desgraçada a populaça/ Só tem a rua seu…/Ninguém vos rouba os castelos/ Tendes palácios tão belos/ Deixai a terra ao Anteu”. Apesar da aparente tez morena, Alves era filho de um português e uma cigana espanhola, sua brasilidade se constrói no cotidiano, ao lado de figuras como Tobias Barreto e Rui Barbosa, cercados, como os jovens de boa condição em sua época, de pajens, escravos de família, etc. Homem de sua época, Alves foi uma voz artística/militante sensível e expressiva contra as penúrias da escravidão. Morre muito jovem, num tempo em que a brevidade da existência de um homem branco, jurista, boêmio e artista engajado e de qualidade bastavam para inscrever sua eternidade na história.

Agora pensemos o Brasil antes e depois dos vinte anos de Alves. Todo o continente americano, na verdade, foi um exemplo clássico de países com leis raciais complexas, duras e violentas (os nazistas, por exemplo, fizeram várias referências aos modelos e precedentes americanos no processo de elaboração das Leis de Nuremberg e suas aplicações anti-semitas, contra judeus, e outras parcelas da população na Europa). A dimensão torpe do racismo americano foi potencialmente e efetivamente semelhante ao emblemático horror racial que emerge na Alemanha de 30, voltada para outro tipo de vítima. Suas implicâncias, no Brasil, se traduzem no racismo estrutural sobre as relações de trabalho, condição econômica, segregação socioespacial das famílias negras, baixa escolaridade e difícil acesso ao ensino superior, violências e extermínios agudizados sobre a juventude negra, alto volume penitenciário, e muitos etc.

Embora os espaços educacionais e de produção de conhecimento ainda não tenham tido as oportunidades e estímulos necessários para discutir a questão racial no Brasil, todos, gostemos ou não, conhecemos o tema, em níveis distintos de apreensão. Quando o foco se volta para a questão do reparo, para a ação da sociedade no presente à luz do que agora entendem sobre seu passado, o consenso é quase impossível e o distanciamento do problema é abissal. Algumas formas de reparação em torno da memória (que contribuem ativamente à história pública e provocam estímulos coletivos e subjetivos às populações alvos da discriminação na sociedade, como autoestima, consciência de si como classe, reconhecimento da ancestralidade, cultura, protagonismos, prejuízos geracionais, etc.) se provaram relativamente aceitas, como centros de pesquisa, memoriais e marcadores históricos relacionados à escravidão, pedidos de desculpas institucionais formais, cotas sociais e raciais em universidades e concursos, etc.., embora não em todo lugar.

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Mídia Ninja: mais um brado da mídia contra-hegemônica

“o jornalismo independente tornou-se uma problemática para os grupos de comunicação hegemônicos, pois tornam mais evidente seu descompromisso com o pluralismo étnico, responsável pela sub-representação dos negros na TV”.

Por: Nicole Rodrigues Vieira.

Regular a mídia urge, mas enquanto a sociedade brasileira não enfrenta esse debate, o jornalismo contra-hegemônico floresce como um brado irrefutável pela democratização da comunicação no país. Hoje amplamente dominado por um oligopólio formado pela Rede Globo e grupos transnacionais, como Time Warner, Disney e Fox, nosso sistema de comunicação distanciou-se do compromisso deontológico com a verdade, curvando-se às demandas mercadológicas de quem o controla.

Entretanto, explorando as possibilidades comunicacionais abertas pelas tecnologias de comunicação e informação, o jornalismo independente vem forjando estratégias e criando espaços onde a cidadania ativa ganha expressividade graças às possibilidades abertas pelas tecnologias de comunicação e informação. A autonomia dessa modalidade de jornalismo, em termos históricos, representa um contraponto ao jornalismo industrial ou tradicional, pois concebe novas formas de sociabilidade, que a despeito de se viabilizar economicamente, age balizado em inegociáveis compromissos éticos.

Nesse sentido, o jornalismo independente tornou-se uma problemática para os grupos de comunicação hegemônicos, pois tornam mais evidente seu descompromisso com o pluralismo étnico, responsável pela sub-representação dos negros na TV. Essa realidade foi analisada por Luciana Barreto, ativista do movimento negro e apresentadora do Jornal Repórter Brasil (RJ), ao comentar que: “a representatividade da cultura negra é como um pilar essencial no país, é uma peça chave para o crescimento do Brasil como um todo’’. Contudo, a referida apresentadora considera que há um futuro possível, com referências negras ocupando espaços importantes na televisão.

Sintonizado com essa perspectiva, o coletivo Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), enquadrado dentro da categoria de mídia contra-hegemônica, é uma iniciativa de comunicação compromissada em refletir o pluralismo étnico, cultural e político que consubstancia o tecido social nacional.  Desde 2011, o referido coletivo vem fazendo enorme diferença na comunicação independente do país, dando voz e visibilidade aos seguimentos tradicionalmente invisibilizados e emudecidos pela mídia corporativa.

Nascido de uma mídia digital chamada ’Circuito Fora do Eixo’’, caracterizada enquanto rede de produção cultural que atua em coletivos e movimentos sociais por todo o Brasil, em 02 de janeiro de 2019, a Mídia Ninja abriu novas portas com uma sede na Bahia, especificamente na cidade de Salvador, objetivando conectar-se com as novas lutas e narrativas da sociedade baiana. Essa associação que a Mídia Ninja tem com as lutas sociopolíticas, contempla o próprio pluralismo e as lógicas inovadoras de produção e publicização das informações.

A Mídia Ninja consegue estabelecer uma relação peculiar com o seu público, alcançando índices de audiência impressionantes em suas redes, já atingido 1 milhão de seguidores. É visível como suas produções, a exemplo dos vídeos exclusivos postados semanalmente em seu canal do Youtube, têm potencializado a ampliação de outras redes ao enaltecer as transmissões instantâneas e a captação de áudio e vídeo em movimento.

Como meio alternativo à mídia convencional e com uma perspectiva de dentro para dentro, as mídias contra-hegemônicas têm refletido, apoiado e difundido ações sociais, culturais, políticas e econômicas de iniciativa popular que visam à garantia dos direitos fundamentais.  Com efeito, assim como os ninjas, eu também acredito no movimento e na transformação social, a partir de uma experiência radical de mídia livre e permeável a novas narrativas. Desta feita, concluo, que é a força social dos coletivos midiáticos que manterá de pé a necessidade de democratizar os meios de comunicação.

Nicole Rodrigues Vieira é estudante do curso de Jornalismo da Unime/Itabuna.

Sobre a greve das Universidades Estaduais do Estado da Bahia

“Estou tomando emprestado aqui um título de uma obra de Hannah Arendt, Verdade e Política, na qual a pensadora afirma que a política é a arte da mentira e a verdade é a arte do conhecimento, dos fatos. Política, mentira e discurso são, em se tratando da política brasileira, idênticos. Argumentar cientificamente contra o discurso (a mentira) é muito mais difícil do que fazer afirmações discursivas, sem base real. Para Hannah Arendt, é muito mais fácil convencer um público com discursos, mesmo falsos, do que com verdades, pois estas exigem base concreta, sólida, enfim, conhecimento”.

Por Sérgio Ricardo Ribeiro Lima.

Prezados leitores e acompanhadores desse importante meio de comunicação que é o Blog do Gusmão.

Nesse momento peço a atenção das senhoras e senhores para tratar de um assunto que nos tem trazido profundo constrangimento material, moral e emocional: a greve das universidades estaduais do Estado da Bahia.

Esta greve iniciou-se há, aproximadamente, dois meses. Ela desencadeou-se em razão dos ataques (intromissões) – externos e internos – do governo da Bahia, Rui Costa, sobre as universidades, com corte de R$ 110.720.553,20 no orçamento das 4 universidades, o que tem comprometido várias atividades acadêmicas.

Há quatro anos que professores e funcionários das universidades estaduais, em particular, e os servidores públicos do estado, em geral, não tem reposição das perdas inflacionárias, o que vem corroendo os salários reais, cuja perda já chegou a, aproximadamente, 24% (segundo o IPC – Indice de Preços ao Consumidor -, o percentual acumulado da inflação desde 2015, quando Rui Costa assumiu, é de 23,66%). Não se trata de aumento de salário, mas sim, reposição das perdas decorrentes da inflação. Isso é um direito de todo trabalhador brasileiro, seja de instituição particular ou pública. Está na Constituição de 1988 (Capítulo II, Art. 7, item IV).

Por último, o governo da Bahia respondeu arbitrariamente aos professores com o não pagamento dos salários nos meses de maio (em torno de 30% de corte) e junho (total).

Na última negociação com os representantes do governo, o mesmo solicitou uma contraproposta. Ontem, 04/06/2019, em Salvador, os professores foram impedidos de protocolarem uma nova proposta na Secretaria de Educação, fechada e ocupada pela polícia.

Não faz parte do comportamento dos professores atitudes violentas em suas manifestações e reivindicações. No entanto, o governo mandou a polícia ocupar a secretaria.

O gráfico abaixo ilustra a RLI (Receita Líquida de Impostos) e o orçamento das universidades. Esse orçamento exposto no gráfico é o executado (efetivo) e não o orçado (apresentado pelo governo). O orçamento das universidades diminuiu de 5,14% da RLI, em 2015, para 4,46%, em 2018 (R$110 milhões).

Desde dezembro de 2016 que a Associação dos Docentes das quatro universidades vem protocolando uma pauta de diálogo com o governo sobre estas questões e o governo, até este momento, não respondeu em nenhuma delas.

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Nem todos os economistas se rendem

Texto publicado no site Outras Palavras.

Entidade a ser lançada em Brasília sustenta: “pensamento único” será superado. Papel da profissão é pensar caminhos para garantir bem-estar, igualdade e projetos que resgatem país do atraso e dependência.

 

Por Paulo Kliass.

Dia sim, outro também, os grandes meios de comunicação oferecem alguma manchete para seus leitores afirmando que “os economistas” pensam isso ou propõem aquilo. Nossos jornalões e as redes de televisão não se cansam de se apoiar na suposta narrativa técnica, neutra e isentona dessa entidade inatingível chamada de “os economistas” para oferecer suporte para medidas de política econômica de inspiração conservadora. Em geral, diga-se de passagem, trata-se de decisões a respeito das quais a maioria do povo nem imagina a natureza e muito menos as consequências.

Já falei e escrevi milhares de vezes a respeito de tal falácia. Não existe apenas uma única visão a respeito do fenômeno econômico. A economia não é uma ciência ou um campo do conhecimento que possa ser tratado como pertencendo ao ramo das chamadas “ciências exatas”. Muito pelo contrário! A economia é uma ciência social, um filão das tais “ciências humanas”, essas mesmas que o capitão considera desnecessárias e que pretende inviabilizar em nossas universidades a partir de agora.

Como muitas vezes a expressão final das movimentos da dinâmica da economia surge sob a forma de números, os mal intencionados tendem a tratá-la como algo unânime e tecnicamente consensual. No entanto, os resultados de variáveis como índice de inflação, taxa de câmbio, mensuração do Produto Interno Bruto (PIB), taxa de salários, reservas internacionais, balança comercial, superávit primário e tantos outros não têm quase nada de técnico em sua definição ou apuração.

Economia política ou apenas economia?

Pouco gente comenta, mas os famosos economistas clássicos como Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx tratavam sua área de estudo e pesquisa como sendo “economia política”. Ocorre que, aos poucos, a corrente de economistas mais ligados à tradição anglo-americana no século XX promoveu a sutil subtração do adjetivo “política” dessa expressão. Com isso, a antiga “political economy” transformou-se simplesmente em “economics”. Ao retirar o segundo termo imaginavam que tudo ficaria mais fácil, pois essa coisa de “política” só faz complicar a vida das pessoas.

Toda segunda-feira as editorias de economia em nossas terras abrem suas colunas afirmando que “os economistas” preveem menor crescimento do PIB ou maior taxa de inflação. No entanto, quase nunca explicam que se trata de uma pesquisa encomendada pelo Banco Central (BC) junto à nata do dos dirigentes do sistema financeiro para avaliar a política econômica do governo e as expectativas desse seleto grupo para algumas variáveis relevantes da economia. Assim, fica evidente que a Pesquisa Focus não reflete o pensamento dos economistas em seu conjunto. Na verdade, há muito tempo que a maioria desses profissionais reclamamos por mudanças nesse modo de o BC avaliar a política monetária. Por que não incluir, por exemplo, na amostra da pesquisa professores universitários e pesquisadores de centros independentes dos interesses do financismo?

Em geral, os integrantes do “establishment” tem horror ao debate e à polêmica. Assim, preferem ficar isolados na ilha do conservadorismo da ortodoxia e evitam que vozes dissonantes tenham acesso aos meios de comunicação. Esse é o caso dos momentos em que se propõem ajustes fiscais às custas da maioria da população, como se não houvesse outras formas de se promover algumas mudanças nos rumos da economia. São típicos os momentos de busca de apoio desesperado às medidas de política monetária arrochada, onde a nossa taxa de juros ficou no patamar de campeã mundial sem nenhum tipo de espaço para questionamento no interior da nata das finanças.

Contra a voz única do conservadorismo ortodoxo!

Manipulação de dados e informações revelou-se como prática rotineira na tentativa de obter algum grau de apoio às medidas antinacionais, antipopulares e antidemocráticas. Ao envelopar o saber econômico com o véu da coisa técnica e inacessível, as elites evitaram a ampliação do debate a respeito dos rumos do país para o conjunto da população. No entanto, acabaram por entregar o poder de decisão a um reduzido grupo de profissionais umbilicalmente vinculados a uma parcela das nossas classes dominantes – os arautos do financismo.

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Entre casos, histórias e o consciente opinativo a descoberto

Por Mohammad Jamal.

Chibata: Borracheiro filósofo. Essa semana conduzi meu ‘automóvel’ Chevette à borracharia do Zé Chibata (apelido) pra colocar umas perucas nos pneus carecas iguais ovo de pata. Chibata, sujeito grandalhão, alegre e que, como de habito, está sempre metendo o pau no “sistema” com seu jeitão filosófico pornô/sarcástico. Bom anfitrião, bem humorado e sorridente, recebeu-me com o seu costumeiro “tapete vermelho”:_ O senhor aceita uma caipirinha seu ‘Mamede’? Agradeci assegurando que nunca bebo nada alcoólico. Mãos à obra, ele já removendo os pneus da minha charrete, arrisquei uma breve pergunta: Chibata, o que você preferia ser, um milionário ou um político? Ele parou, olhou sério para meu Chevette e, respondeu: _ Político; porque, além de milionário eu também seria poderoso. – Isso responde ao seu questionamento sobre filosofia, cultura e escolaridade? Pois é, esse é o povão mesmo!

Não gosto de escrever sobre assuntos políticos tal como não os discuto. Não dá em nada, não são contributivos. Esse assunto, igual aos conflituosos discursos teológicos sobre religiões diversas, alteram os ânimos, mexem na adrenalina, criam antipatias, destroem amizades e, no final, tudo permanece no campo do abstracionismo teórico, do vago, do improvável separando amigos e distanciando pessoas umas das outras, muito mais que os smartphones. E digo mais aos pretensos “geradores de opinião”, os alquimistas das palavras, mestres na eloquência e doutores no convencimento das massas tanto quanto àqueles, tidos supostamente como integrantes da claque que aqui embaixo, que leem esses mantras surrados ou ouvem calados esses cânticos roucos dos pavões. Nem dez por cento é verdade! Há uma evidente relativização sociopolítica sobraçando e transmutando filosofia dos valores da moral, da ética, do pudor comportamental. A sociedade espelha aquilo que o sistema se lhe impõe. Há uma incredulidade endêmica nos seres humanos, já há opiniões formadas, resistência oriunda do empirismo vivenciado. Ressabiada, a população já não acredita nos bons propósitos daquele que escreve e que subliminarmente, deixa escapar indícios dos seus interesses políticos pessoais aos ouvidos do Zé Povão, já calejado e escolarizado nessas matreirices expertas. Não desperdicem seu tempo mostrando-nos onde vamos tomar. Já sabemos de cor e salteado. Somos uma minúscula peça no tabuleiro da sociopolítica, mas ainda assim, por mais insignificante que transpareçamos, devemos defender nossa posição impedido que “coisifiquem” nossa cidadania. Penso, logo existo. Ou não?

O empirismo existencial. Há vernáculos e axiomas antigos que são quase irrefutáveis. Eles se propagam pela cultura oral por décadas e às vezes, por centenas de anos. Quando criança, eu caminhava pelos campos cultivados com meu pai e ele sempre aproveitava o silencio da natureza para ensinar-me e aconselhar sobre a vida e de como sobrevivê-la bem. Numa dessas manhãs invernais, muito frio, temperatura beirado o zero grau, a névoa encobrindo a paisagem, papai me falou com a serenidade de sempre: “Tenha cuidado e atenção com os homens”. Esse é o mais perigoso dos animais, porque sua racionalidade visa sempre o predomínio da saciedade e a preservação da sua própria individualidade. Já aqueles bem falantes, eloquentes, manipuladores conceituais, são falsos, traidores e desonestos; não confie neles. Eles falam muito para confundir e manipular seu discernimento crítico. Os singulares homens de pequena estatura, esses sim são mais perigosos que os grandalhões porque suas baixas estaturas os fazem se resguardar e temer ate os moinhos de vento. Por isso são dissimulados, arteiros, fingidos, costumam abater seus desafetos pelas costas, literalmente. Às vezes cravam o khanajr, (adaga) pelas costas ate atingir o coração e a ponta sair entre a clavícula e o pescoço. Além do mais, eles são alvos pequenos, portanto, difíceis de serem atingidos e até de serem capturados. Já os homens grandes, esses são os menos perigosos, porque se julgam gigantes poderosos, altos fortes, arrogantes, ameaçadores, cheios de autoconfiança. Esses não são perigosos porque são fáceis de atingir, nos pés, na cabeça, nos órgãos, são alvos enormes à mira. Em geral são de pouca inteligência e acham que o seu tamanho avantajado lhes confere a primazia do poder. “Você pode até dar as costas para um grandalhão, mas nunca para um baixinho.”. De tantos conselhos, muitos transcenderam à modernidade filosófica brasileira e, a despeito de tudo, ainda são úteis ate hoje espelhando minhas precauções nessa guerra de interesses políticos pessoais pelo predomínio dos projetos de poder que grassam no país há décadas, indiferentes aos prejuízos causados à população de tolos que comem calados aquilo os lhes dão no brete e a campo. Massa a campo.

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Rota para a fogueira

“o presidente está acuado. Seu governo é um fracasso. Suas estratégias são equivocadas e sem objetividade. Suas medidas são absurdas e os resultados são pífios e prejudiciais. Não tem prestígio político, perdeu confiança e apoio da área econômica, não é bem visto nas altas Cortes e não tem força para mobilizar as Forças Armadas em sua defesa. É vertiginosa a queda de sua aceitação junto ao eleitorado”.

Por Ramayana Vargens.

Os círculos políticos de Brasília estão agitados e apreensivos. A divulgação, pelo Presidente da República, de um manifesto virulento – assinado por autor desconhecido, depois assumido por inexpressivo correligionário – foi inesperada e impactante. São impropérios pesados contra os poderes da União, afirmando que o país é ingovernável. Acusações raivosas que abrem a cortina de um cenário que talvez seja o último ato da opera bufa que este governo representa. A metralhadora giratória do escriba radical (certamente municiada com os 5000 projéteis que a Lei da Bala propõe para o cidadão) não poupa ninguém. Atinge a todos, como num fulminante ataque terrorista. O miliciano do texto extraoficial, mas abrigado nas redes de Vossa Excelência, desrespeita e debocha da seriedade do Judiciário; duvida da honestidade e dos propósitos do Congresso; insulta a classe política e o empresariado; e diz que a Presidência não governa e não serve para nada. Prato cheio para os especuladores pisotearem a economia afundada e lucrarem com a drástica situação do país, que ele (o jagunço do whatsapp) chama de “moribundo-Brasil”.

Não é o caso de ser purista e fazer a apologia hipócrita do bom funcionamento da Justiça e do Legislativo. Há muita falcatrua para ser desfeita e extirpada. Nem todo mundo é santo e existe muito rabo preso em comprometimentos espúrios. Mas a gravidade do momento requer ponderação e discernimento. Um presidente, realmente preocupado com a situação nacional, não pode legitimar (e louvar) um panfleto tão demolidor e inconsequente.    A quem serve o capanga-redator? Única resposta evidente: à desordem, ao caos generalizado. Por que esticar a corda rota e provocar mais desequilíbrio na instabilidade das instituições? É a estratégia desesperada do artilheiro cercado: detonar uma granada, para tentar a fuga na fumaça da explosão.

A reação de repulsa foi imediata. Os analistas políticos (também alvo do extremista das palavras) apontam o motivo principal para a torpe agressão aos valores republicanos e ao funcionamento da democracia: o presidente está acuado. Seu governo é um fracasso. Suas estratégias são equivocadas e sem objetividade. Suas medidas são absurdas e os resultados são pífios e prejudiciais. Não tem prestígio político, perdeu confiança e apoio da área econômica, não é bem visto nas altas Cortes e não tem força para mobilizar as Forças Armadas em sua defesa. É vertiginosa a queda de sua aceitação junto ao eleitorado. Sua imagem de salvador impoluto, contra a corrupção e pela restauração moral dos bons costumes, desmoronou rapidamente. A face oculta de seu currículo (agora exposta com mais evidência) espanta e afasta os bem-intencionados, que acreditaram em seu discurso cheio de promessas e patriotadas.

Após a sistemática desvalorização e desmonte da Educação, no atual governo, reapareceu (com destaque) seu acidentado perfil como estudante militar. Nada elogiável. Não conseguiu chegar ao nível superior de preparação dos oficiais. Não teve formação para funções de alto comando. Fez só o curso básico do oficialato, sem estar qualificado para ser promovido a major, tenente-coronel, coronel e chegar a general. Foi barrado na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (Eceme) por não ter “Embasamento intelectual e cultural, necessários ao futuro oficial do estado maior e assessor de alto nível da força” faltando “conhecimento interdisciplinar de História, Geografia, Geopolítica e Estratégia, necessário à continuidade da instituição de caráter permanente ‘Exército Brasileiro’” (documento citado por Clóvis Rossi, Folha de São Paulo, 17/05/2019).

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