Monarca, mito, besta-fera e vingador: o que a “Caverna do dragão” nos diz de Bolsonaro?

Na contramão da maioria dos líderes mundiais, o mito coloca-se acima das autoridades científicas. Em tom profético, insiste que a Covid-19 – doença que já ceifou milhões de vidas mundo afora – no Brasil se manifesta na forma de pequenos surtos gripais.

Por Caio Pinheiro.

À semelhança de Luís XIV, monarca francês que verbalizou “O Estado sou eu”, marcando o caráter absolutista do seu reinado, onde todas as garantias individuais foram suprimidas por um governo autocrático, despótico e teocrático, Bolsonaro, até aqui presidente da República, também tenta se afirmar simbolicamente como “monarca absoluto”. Para os amantes da alternância democrática do poder, o “mito” torna-se ameaçador da sucessão democrática, visto que se mostra refratário à transitoriedade do seu cargo. O mito utilizará artifícios para se manter no poder à semelhança da ditadura?

Alguns sinais preocupam. Na contramão da maioria dos líderes mundiais, o mito coloca-se acima das autoridades científicas. Em tom profético, insiste que a Covid-19 – doença que já ceifou milhões de vidas mundo afora – no Brasil se manifesta na forma de pequenos surtos gripais. Para sustentar mais esse absurdo, apoia-se na tese pseudocientífica da “natural imunidade” dos brasileiros. Daí sentenciar que “o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha, tá certo? E não acontece nada com ele. Eu acho até que muita gente já foi infectada no Brasil, há poucas semanas ou meses, e ele já tem anticorpos que ajuda a não proliferar isso daí”.

Pelo andar da carruagem, eu, simples mortal, começo a especular que o coronavírus é um ser extraterrestre com poderes de invisibilidade, e Bolsonaro, depois de ter sido abduzido, voltou à terra tendo como tarefa comandar uma invasão alienígena, que, pelo quadro, objetiva liquidar a espécie humana. Mas calma, não se assuste, apenas estou tentando acompanhar o modus operandi do pensamento bolsonarista. Resolvi seguir o conselho do deputado Sargento Isidoro: “para conversar com doido, só outro doido”. Então, interessado em entender o mito, ao mesmo momentaneamente, me dei o direito de ser doido. (mais…)

O ministro da saúde permaneceu no cargo. O que isso nos mostra?

É importante ressaltar este aspecto expresso em torno do episódio de Mandetta porque ele não mostra uma dicotomia entre progressistas e conservadores, nem entre direita e esquerda, nem mesmo do grupo partidário A contra o grupo partidário B, algo que é normal na vida política. Vai muito além disso.

Por Julio Gomes.
Todo o Brasil acompanhou, no dia de ontem, com imensa expectativa, o desenrolar da crise deflagrada em torno da possível exoneração do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, possibilidade que vinha sendo ventilada pelo Presidente Bolsonaro desde a semana passada, e com mais intensidade ainda nos últimos dias.
Na segunda-feira pela manhã, houve um quase anúncio da exoneração do Ministro da Saúde, e faltou unicamente a publicação da mesma no Diário Oficial da União para que ela se concretizasse.

Entretanto, devido a fortes resistências de diversos setores da institucionalidade e da sociedade brasileira, Mandetta se manteve no cargo, e Bolsonaro se viu obrigado a recuar a esse respeito.

Manifestaram-se a favor da permanência do Ministro da Saúde, de forma clara e direta – como raramente se vê na vida política – setores como o Congresso Nacional, por meio dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado; o Supremo Tribunal Federal, por intermédio de dois de seus Ministros; e também as principais associações médicas e científicas de todo o Brasil, além de inúmeros outros setores importantes da sociedade.

Também não passou despercebida, especialmente para os mais atentos, a firme posição dos militares que ocupam altos cargos no governo acerca da permanência de Mandetta, expressa entre outros pelo Ministro Chefe da Casa Civil, General Braga Netto, atual homem forte do Governo. Sobre a coesão dos militares em torno desta posição, também é significativo que, ao final da tarde de ontem, tenha sido o Vice-Presidente General Mourão quem tenha anunciado, publica e formalmente, a permanência do Ministro da Saúde em sua pasta. (mais…)

A pandemia do coronavirus e a epidemia de feminicídio: precisamos falar de autocuidado!

Posto dessa forma, a quarentena me chamou à reflexão. Na verdade, o isolamento social nos impôs a imersão em dimensões até aqui esquecidas. Refiro-me a ter de enxergar aquilo que só via. Enxergar-me.

Por Nicole Rodrigues Vieira.

Sabemos que variadas são e serão as consequências da Covid-19. Sem dúvidas, implicações sanitárias, econômicas e políticas têm sido noticiadas com destaque pela grande mídia. Contudo, como mulher, devo lembrar que a pandemia criou uma atmosfera propícia ao patriarcado, pois o machismo – com toda carga de subjugação imposta às mulheres – faz com que, nesse momento de isolamento social, os casos de violência contra a mulher tenham aumentado de maneira assustadora. Para usarmos as palavras da filósofa Djamila Ribeira, vivemos associada à pandemia uma “epidemia de feminicídio”.

Em todo o país, verifica-se um aumento das chamadas para o Ligue 180, serviço de denúncias ligado à rede de atendimento à mulher. Foi registrado um aumento de 9% das denúncias de violência contra a mulher em apenas uma semana. Esse dado vai de encontro com os fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo os quais uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre violência física ou sexual, a maioria sendo provocada por parceiro íntimo. Estamos ainda muito longe de um estado de conscientização, até por parte de grande número de mulheres que não sabem, por exemplo, identificar violências e abusos mais sutis ou naturalizados (e não menos graves).

É claro que essa situação exige uma discussão mais aprofundada, principalmente para melhor orientar as medidas protetivas. No entanto, entidades da sociedade civil e o poder público têm se mobilizado contra tal estado de coisas. Exemplo da intransigência observada contra o feminicídio é a campanha “Quarentena Sim! Violência Não”, criada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Na mesma toada do judiciário baiano, o Núcleo de Apoio à Mulher do Ministério Público de Pernambuco (NAM/MPPE) lançou a ação “Mulher, você não está sozinha! ”. Somam-se a essas inciativas os canais de denúncias e campanhas em prol da proteção das mulheres vitimadas pela violência. (mais…)

Religião x Ciência

No mundo atual, ciência e religião conseguem conviver bastante bem, mas isto desde que uma continue respeitando o limite da outra, o que depende, talvez, mais de cada um de nós, pessoas comuns, do que dos profissionais das ciências e das religiões.

Por Julio Gomes.

Ao longo da história da humanidade, um dos temas centrais de debates, disputas e fortes controvérsias é a oposição que durante séculos marcou a relação das instituições religiosas, com relação às realizações científicas.

Enquanto a religião se baseia sobretudo na fé, nos sentimentos, naquilo que há de mais subjetivo, a ciência, por seu próprio caráter e por definição, é racional, lógica, e prima pela objetividade.

As características acima explicam, em parte, o porquê de religião e ciência terem sido, durante séculos, antagonistas, inimigas, pois enquanto a fé queria nos conduzir tão-somente pela crença cega, muitas vezes contra fatos do mundo real; a ciência procurava se impor unicamente pelo que os limitados sentidos humanos apreendiam, sem dar chance para aquilo que o sexto sentido, a alma – ou espírito – pudessem manifestar, negando peremptoriamente tudo o que proviesse deste campo.

Durante séculos a Igreja queimou vivos aos pesquisadores acusando-os de bruxaria, assim como àqueles que estudavam fisiologia humana utilizando cadáveres – o que impediu o avanço da medicina durante séculos – e forçou cientistas a abjurarem publicamente suas descobertas científicas, para poderem continuar vivos. (mais…)

Uma conjuntura que nos envergonha

O eleitor é masoquista; gosta de sofrer para ter arrependimento tardio pra se queixar de algo amargo, e de emitir juízos de valores incongruentes, póstumos e inúteis.

Por Mohammad Jamal.

A depender do contexto e da tipologia dos elementos que os denomina assim; vocês são de fato uns chatos de galocha, umas malas mesmo. Ainda bem; digo eu!

Como eleitor, sinto-me refém duma etnia cujos princípios ideológicos e morais aberrantes, nos ofendem e agridem, enquanto paralelamente nos convertem em coniventes involuntários e apoiadores inescapáveis de suseranos que deliquem sobre a ética coletiva, como se esta não existisse. A lei nos obriga a escolher entre mercadorias que sequer passaram por um rudimentar “controle de qualidade”. E o que é pior: de produção maciça e em cadeia sucessória interminável, como cupins vorazes.

Vocês são chatos sim! Muito chatos! Quem lhes manda ou orienta serem cidadãos moralmente limpos, honestos, irreprováveis? Seus chatos. Vocês ainda não entenderam “o espírito da coisa” e vão assim, neófitos, na maior, imiscuindo-se nesse lodaçal da política sem terem lido a “cartilha da expertise dirigida” ou adquirirem anticorpos contra vaias, apupos, censura pública, repúdio, escárnio moral, ódio, aversão…

Seus chatos. Pensam que o Nada Consta, as Cartas de Créditos, os Certificados Irrestritos que lhes asseguram e atestam idoneidade moral, ética e honradez comprovadas a público e em Cartórios, vai torná-los da noite para o dia em “queridinhos do povo” junto com essa imprensa tendenciosa com o caixa quebrado? Pois sim! Falta o principal: a malemolência da expertise e aquele papo furado que assegura riqueza, prosperidade e fartura ao povão! “Ate carros de luxo, importados, vocês poderão comprar!”. Contraditoriamente, à atualidade financeira do trabalhador ficou difícil comprar a mistura e o ovo baratinho. Imagina! (mais…)

Até onde vai nosso direito de sair?

Ao ficarmos em casa, além de nos protegermos, protegemos também nossos familiares, pois não traremos para dentro de nossas moradas a chance de contágio de uma enfermidade que pode ser fatal.

Por Julio Gomes.

Neste momento grave de avanço do Corona Vírus no Brasil e no mundo, temos nos deparado com situações completamente inusitadas, inimagináveis até um mês atrás, e que mudaram substancialmente nossas rotinas e nossas vidas.

Aqui no Brasil, uma das alterações mais perceptíveis em nosso cotidiano é a recomendação para ficarmos em casa, feita pelo Ministério da Saúde, pela OMS – Organização Mundial de Saúde e por todas as autoridades sanitárias, reforçada pelos governadores dos estados e constantemente massificada pela mídia.

De fato, para pessoas comuns como eu e você, que não temos poderes de Estado nem poder econômico ou político, ficar em casa parece ser, neste momento, a única coisa que podemos fazer para contribuir no combate ao avanço do vírus, de forma a impedir ou, ao menos, retardar o adoecimento das pessoas, sobretudo para diminuir o impacto no sistema de saúde, que não é capaz de cuidar de milhares de pessoas ao mesmo tempo, pois há um limite em sua capacidade de atendimento.

A grande maioria de nós não trabalha na área de saúde, não é policial, não trabalha em serviços essenciais, assim definidos através de leis e decretos. Estes podem até trabalhar com restrições, cautelas, proteções individuais ou em sistema de rodízio, mas não podem parar totalmente, e têm de enfrentar o risco de uma eventual contaminação, de forma mais direta.

Entretanto, nós outros, que podemos permanecer no lar, que podemos trabalhar em regime de home office, que não temos obrigações urgentes, que temos alimentos para sobreviver neste período, não só podemos como devemos ficar em casa. (mais…)

Mourão na Presidência, já!

Não se pede aqui novas eleições, nem que se descumpra a Constituição Federal, que determina que nos casos de vacância da Presidência deve, de imediato, assumir o Vice-Presidente.

Por Julio Gomes.

Todo o Brasil assistiu, estarrecido, aos atos de profunda irresponsabilidade do Presidente Jair Bolsonaro ontem, em Brasília, quando circulou pelas ruas sem máscaras, sem qualquer tipo de proteção, tirando selfies e agindo de forma totalmente contrária a tudo aquilo que o Ministério da Saúde e a OMS – Organização Mundial de Saúde, recomendam com relação à prevenção do contágio pelo Corona Vírus.

Falando besteiras ao afirmar que existe perspectiva de tratamento eficaz para o Covid-19 – fato já negado por todos os profissionais que atuam na área de saúde – o Presidente ainda encontrou tempo para bater boca com repórteres, se comportando como um adolescente de 12 anos que não consegue sair das redes sociais e posta coisas tão imbecis que o Twitter tem de excluí-las, agindo como candidato a super-herói que foi às ruas para trocar murros com o Vírus, em atitude totalmente ridícula e insana.

Neste momento grave em que vivemos o Presidente da República deveria estar mobilizando recursos financeiros, materiais e humanos para o enfrentamento do Vírus; deveria estar agilizando a criação de mecanismos para a distribuição do auxílio emergencial às pessoas carentes, já aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado; deveria estar montando hospitais de campanha, como estão fazendo os governadores da Bahia, de São Paulo e de outros estados; deveria estar em contato com autoridades de outros países, para saber como melhor proceder em harmonia internacional, deveria, enfim, estar liderando o país em torno da luta contra o Covid-19.

Porém, nosso atual Presidente – e digo isso com todo respeito à pessoa humana de Jair Bolsonaro – simplesmente demonstra em todos os momentos que não tem capacidade mental para isso. Mostra-se totalmente incapaz de compreender a extrema gravidade do que está acontecendo no mundo e no Brasil e, portanto, mais incapaz ainda de tomar qualquer iniciativa que seja, nesse sentido, em favor do povo brasileiro.

Não há mais o que esperar de Bolsonaro, exceto bravatas, bate bocas inúteis, imaturidade e vergonhosos constrangimentos.

Chega!

É necessário que o Vice-Presidente da República – que foi eleito com o mesmo número de votos do Presidente e que também representa a opção política expressa pelo povo brasileiro nas últimas eleições presidenciais – assuma as rédeas do país, para que tenhamos uma liderança capaz de agir, de aglutinar, de decidir, de implementar, de harmonizar e conduzir o Brasil, juntamente com os demais Poderes da República (Legislativo e Judiciário) e com o apoio de prefeitos e governadores, de forma a evitar o desastre total, que resultaria na morte, talvez, de dezenas de milhares de brasileiros, pelo Corona Vírus.

Não se pede aqui novas eleições, nem que se descumpra a Constituição Federal, que determina que nos casos de vacância da Presidência deve, de imediato, assumir o Vice-Presidente.

O que se pede é que uma pessoa que se mostra, todos os dias, visivelmente incapaz, seja substituída por outra, legitimamente eleita, que possa tirar o Brasil da escabrosa situação em que se encontra, abrindo perspectivas para que o país enfrente a pandemia que já está aqui instalada, e que tenha condições de conduzir, com equilíbrio, os destinos do Brasil.

Mourão na Presidência, já!

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

Retorno ao trabalho para quem?

E como trabalharão essas pessoas ao reassumirem seus postos de serviço? Para muitas delas manter isolamento ou distanciamento será absolutamente impossível, pois terão de atender no comércio, de compartilhar a operação de uma máquina, de ocupar um mesmo cômodo na construção civil ou na fábrica, de prestar um serviço diretamente a uma pessoa ou a domicílio.

 

Por Julio Gomes.

Todos nós temos assistido aos pedidos de alguns setores da sociedade para que as pessoas retornem ao trabalho, de forma quase normal, e temos visto, inclusive, carreatas em alguns lugares do Brasil reivindicando que isto ocorra de imediato.

Ao assistir os vídeos de algumas dessas carreatas, certos fatos me chamaram a atenção, e o principal deles foi que muitos desses veículos trafegavam com os vidros fechados e, naturalmente, com o ar condicionado ligado, com seus ocupantes convenientemente isolados do ambiente exterior, seguros dentro dos veículos, que não raro era um modelo top de linha do mercado automobilístico.

Fiquei a pensar: sendo atendido o pleito dessas pessoas, elas irão, certamente, se deslocar para o trabalho em seus próprios veículos. Isso se forem se deslocar até lá, pois parecendo ser pessoas de uma condição social mais alta, muitas delas poderão trabalhar em regime de home office, ou até controlar de casa o trabalho que voltou a ser realizado em suas empresas, escritórios, fábricas, sem precisar estar fisicamente presentes.

E seus empregados, como irão para o trabalho? Decerto que em ônibus urbanos, no trem suburbano ou no metrô lotado, dividindo o mesmo vão com dezenas de pessoas desconhecidas, durante cerca de uma hora na ida, mais uma hora no retorno para casa.

E como trabalharão essas pessoas ao reassumirem seus postos de serviço? Para muitas delas manter isolamento ou distanciamento será absolutamente impossível, pois terão de atender no comércio, de compartilhar a operação de uma máquina, de ocupar um mesmo cômodo na construção civil ou na fábrica, de prestar um serviço diretamente a uma pessoa ou a domicílio.

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Confesso que vivi

Foi-se a juventude, e ouvir músicas não é mais a mesma coisa. Foram-se as festas, em sua grande maioria. Beber nem pensar, senão no dia seguinte se acorda todo quebrado, com um mal-estar pra lá de indesejável.

Por Julio Gomes.

Ultimamente, ou melhor, de alguns anos para cá, tenho sentido muita falta de algumas coisas que antes eram fundamentais, essenciais, quase que o centro de uma outrora despreocupada e jovem existência.

Exemplos? Ouvir música! Quando se é jovem, como são importantes as músicas que ouvimos, como nos marcam, como servem de compasso para nossos amores e aventuras, como se associam às descobertas do mundo que vamos fazendo, ficando gravadas em nossos sentidos, em nosso subconsciente, em nossas almas…

Como é importante também estar com a turma, com aqueles que cresceram junto com a gente, fazendo as mesmas brincadeiras, frequentando a mesma escola, assistindo aos mesmos programas, na TV ou no computador, tendo os mesmos ídolos. Isso nos dá o sentimento de pertencermos a uma determinada geração, e de que ela fará tudo novo, tudo melhor, tudo diferente e mais prazeroso…

Como é desafiador conseguir entrar no cinema quando o filme é censurado para menores de 18 anos? E como é a ânsia de querer entrar em uma boate de adultos, quem sabe até mesmo dirigir um carro, pagar suas próprias despesas e – isto é o principal – ser livre para poder namorar…

Até no paladar a Coca-Cola tem um sabor mais vivo, o acarajé um dendê mais ativo, as comidas um sabor mais irresistível, e as bebidas alcoólicas só têm lado bom, pois seu efeito deletério ainda é somente um papo chato dos mais velhos. (mais…)

O capitão Bolsonaro e a tempestade viral: quem será jogado ao mar?

São 200 milhões de brasileiros, que, independentemente das suas predileções políticas e ideológicas, esperam que o navio no qual estão transladando seja comandado com competência. Para isso, se faz necessário um capitão capaz de mobilizar todos os instrumentais disponíveis, do inverso, dificilmente conseguiremos ultrapassar esse mar revolta no qual tenderemos a imergir sem esperança de um dia emergir.

Por Caio Pinheiro.

Sim, vivemos uma pandemia; e por mais que muitos não queiram reconhecer, nosso sistema de saúde é inepto para agir com a celeridade demandada por uma crise sanitária dessa magnitude. Essa convicção é atestada pela corrida de gestores estaduais e municipais no intuito de reduzir a curva de contaminação da população pela Covid-19. Todos têm consciência da precariedade da rede de atenção básica, daí projetaram a catástrofe que será ter uma população demandando eficiência de um sistema de saúde pública precário há décadas, quer seja em função de gestões ineficientes e fraudulentas, ou mesmo das limitações orçamentárias agravadas pela PEC dos gastos.

Nesse momento em que o caos nos espreita a cada esquina, florescem narrativas destinadas ao descortinamento das causas da crise. Cientistas, políticos e religiosos assumem a dianteira na peregrinação rumo à verdade. Esse é um comportamento esperado, dado a gravidade da situação. Entretanto, responsabilidade e cautela se fazem necessárias. É hora de exercitarmos a temperança e fortalecermos as redes colaborativas. Toda ação de combate ao vírus é salutar. Ciência, religião e política precisam sem arrogância demarcar seus nichos de atuação, prevalecendo entre as mesmas a cooperação, do contrário, sucumbiremos aprisionados no ego das vaidades.

São 200 milhões de brasileiros, que, independentemente das suas predileções políticas e ideológicas, esperam que o navio no qual estão transladando seja comandado com competência. Para isso, se faz necessário um capitão capaz de mobilizar todos os instrumentais disponíveis, do inverso, dificilmente conseguiremos ultrapassar esse mar revolta no qual tenderemos a imergir sem esperança de um dia emergir.

Infelizmente, a catástrofe espraia-se a olhos vistos. Estamos num navio robusto, que, como registra sua história, conseguiu superar tempestades intermitentes, mas seu atual capitão, do alto de sua arrogância, insiste na subestimação da tempestade, e, pior, menospreza a opinião de alguns dos seus mais experientes comandados. Estes, municiados de evidências científicas, apontam para a uma solução menos traumáticas em benefícios dos tripulantes, sem, ademais, desconsiderar as avarias que o navio (Brasil) sofrerá. (mais…)

O vírus do golpe

Fica complicado para países dependentes, como o Brasil, contar com a ajuda externa. Especialmente com o desprestígio internacional que marca o atual governo. A gestão confusa e pouco eficiente das finanças nacionais (controle fiscal desequilibrado, câmbio desfavorável e esvaziamento dos ativos) mostra que o país não está preparado para enfrentar os graves eventos que se avultam. Não tem muito fôlego para sair do sufoco.

Por Ramayana Vargens.

Diante de um paciente na UTI, o médico avalia: a chance de sobrevivência é de 0,02 %. O mesmo percentual previsto para o crescimento do PIB nacional em 2020. O número expressa que o doente tem poucas possibilidades de escapar do pior. Caso idêntico ao da economia do Brasil, se o governo não mudar, rápida e radicalmente, suas formas de tratamento à situação crítica do país. Infelizmente, o Executivo tem demonstrado que a ambição do poder não permite correções de rumo nas equivocadas e danosas estratégias governamentais. A prioridade continua sendo usar a máquina estatal para manter-se no comando da nação. Seguindo esse objetivo, o presidente tenta creditar aos inevitáveis prejuízos causados pelo Convid-19 o fracasso de sua política econômica.

A economia é a única (e mais poderosa) trincheira que sobra ao presidente para defender o que resta de sua popularidade e garantir o apoio institucional que ainda o sustenta. O rigoroso discurso de combate à corrupção, durante a campanha, foi sendo diluído por fatos e denúncias. No ambiente virtual que criou a torcida organizada eleitoral do presidente é fundamental manter um tom veemente de incitação e enfrentamento. Provocação, desafio e ânimos exaltados são alimentos indispensáveis para a unidade de um contingente formado a partir da paixão exacerbada (ódio a Lula e repúdio ao PT). O presidente fala e age para seus seguidores – grupo que não se mobilizou em torno de propostas políticas fundamentadas. O papel do líder alfa é estimular o comportamento combativo para transformar qualquer contrariedade em confronto e porrada. Assim, quando o jogo republicano e os meios legais não legitimarem suas decisões, há a possibilidade de rebelar seus apoiadores para criar um clima de conturbação social e tomar medidas de exceção. (mais…)

E se o presidente fosse Mourão?

Sinceramente, é difícil saber qual seria o melhor caminho para o Brasil em um momento tão grave como este que vivemos.

Por Julio Gomes.

No início destas linhas quero, desde já, expressar o máximo respeito pelas leis de nosso país, pelo resultado da última eleição para Presidente da República e pela pessoa do Sr. Jair Bolsonaro. Mas respeitar não significa fechar os olhos para a realidade, nem deixar de sonhar com um Brasil melhor.

Toda a nação brasileira assistiu, na noite de ontem, ao pronunciamento do Presidente Bolsonaro, no qual ele defendeu o fim da quarentena e o retorno ao trabalho e às aulas, culpando a imprensa e os governadores dos estados pelo que considera alarmismo e minimizando a pandemia que está matando milhares de pessoas pelo mundo, ao chama-la de “gripezinha” e “resfriadinho”.

As palavras do Presidente contrariam frontalmente tudo o que a ciência diz e o que foi aprendido no enfrentamento do Covid-19 até então. Somente as políticas de isolamento têm se mostrado eficazes no sentido de frear o altíssimo índice de contágio da doença e a rapidez impressionante de sua propagação, o que se torna crucial ante a inexistência de vacinas, de medicamentos eficazes e, sobretudo, de leitos e pessoal em quantidade suficiente para atender aos casos mais graves, o que aumenta demasiadamente as chances de morte entre estes últimos casos.

O Presidente não anunciou a destinação de verbas para enfrentar a pandemia, nem de mais leitos de UTI, nem de compra de ventiladores pulmonares, nem de contratações emergenciais de pessoal especializado, nem de montagem de hospitais de campanha, nem nada associado à prevenção ou tratamento da doença e de seus efeitos gravíssimos, que era o que a nação esperava e precisava, de forma urgente. Em lugar disso, apenas fanfarronices, como se ainda estivéssemos na campanha eleitoral. (mais…)

O que o Dia Mundial da Água tem a ver com o novo coronavírus?

Lavar corretamente as mãos é um dos atos mais importantes para combater a disseminação do novo coronavírus e frear seus efeitos nefastos: superlotação em hospitais, redução da atividade econômica e, principalmente, perda de vidas.

Por Felipe Madureira.

Os serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário se somam aos de drenagem de água pluviais e coleta e manejo de resíduos sólidos e compõem, conforme a Política Nacional de Saneamento Básico (Lei 11.445/2007), os quatro serviços públicos essenciais que esse instrumento regulamenta.

São serviços básicos, porque seu acesso pleno dignifica e garante saúde, mobilidade e qualidade de vida. Investir no setor é reduzir gastos em unidades de atendimento à saúde e demonstrar compromisso com o meio ambiente e com a sustentabilidade.

O Dia Mundial da Água, celebrado domingo, 22 de março, não serve apenas para alertar sobre a esgotabilidade de um recurso fundamental à vida, que é a água; mas também sobre a responsabilidade que todos nós temos, como cidadãos, em usar adequadamente esse recurso. O uso responsável passa pelo consumo moderado de água tratada nas rotinas diárias; por processos de otimização e de reaproveitamento das indústrias e lavouras; e pela ocupação e uso do solo, respeitando a importância das matas ciliares e da conservação de rios, lagos e nascentes. E também pelo uso adequado das redes de esgotamento sanitário, que são fundamentais para o ciclo da água para abastecimento, pois se devolve à natureza um efluente tradado com mínima carga poluidora. (mais…)

Corona vírus em Ilhéus: e os trabalhadores das indústrias?

Forçar os trabalhadores das indústrias a trabalhar a partir de amanhã, quando quase todos os demais ficarão em suas casas, contraria diretamente as determinações do Ministro da Saúde do Governo Federal.

Por Julio Gomes.

Sem dúvida, houve avanços nas últimas horas em Ilhéus, com relação ao combate à disseminação do Corona Vírus, e isto começou a acontecer com mais visibilidade hoje, quando o comércio fechou às 15:00 horas para não reabrir amanhã nem nos próximos quinze dias, ressalvadas as atividades essenciais; fato acompanhado pela suspensão do serviço de transporte coletivo urbano, que ocorrerá a partir da meia-noite de segunda para terça-feira, tudo em obediência ao Decreto nº 20, de 22/03/2020, publicado pelo poder Executivo do Município de Ilhéus.

Outras medidas importantes também constam do mesmo Decreto acima, e constituem passos importantes para o enfrentamento da crise gerada pelo Covid-19, porém, obviamente, não esgotam todas as questões relacionadas à prevenção da disseminação do Vírus.

Há setores de nossa sociedade que parecem ser dotados de invisibilidade, ou que, aparentemente, podem ser ignorados quanto à biossegurança e respeito à vida que lhes é devido, mesmo se tratando de trabalhadores que contribuem ativamente para a geração de renda e sobrevivência econômica de nosso Município. (mais…)

A prática do isolamento

É lamentável quando médicos que atuam na política (e com poder de decisão) deem importância pouco significativa para uma situação drástica que tem tirado vidas de forma tão rápida e dramática. É constrangedor testemunhar a falta de prontidão humanitária dos recursos públicos para conter um desastre vultuoso que ameaça a comunidade.

Por Ramayana Vargens.

Ilhéus conta com bons médicos. Nomes de comprovada competência (em todas as áreas) que há algum tempo atendem a comunidade e que conquistaram a confiança das famílias. Esse time tem sido reforçado e renovado com bons profissionais que vieram de outras partes para morar e trabalhar na região. Ilhéus tem um dedicado corpo de enfermagem, excelentes psicólogos, boas equipes de assistência social e socorristas tarimbados. Contamos com bons cursos de medicina e de outras áreas da saúde. Não falta material humano, disposto e habilitado, para enfrentar o COVID-19. Esta é uma certeza. Mas e a estrutura hospitalar e a capacidade de gestão em momentos de crise?

São muitas as dúvidas. Em relação aos hospitais, temos ilhas de excelência- não uma boa estrutura geral capaz de atender todas as demandas de saúde da população (principalmente das comunidades mais carentes). Convivemos com um quadro de dificuldades, sacrifícios e deficiências nos diversos níveis de atendimento básico. As inúmeras falhas no sistema mostram um quadro preocupante muito anterior ao coronavírus. Numa situação de acirramento da pandemia, quais são as reais condições do município?

Quantos leitos estão preparados para receber os casos mais graves? Quantos respiradores (indispensáveis para sobrevivência dos pacientes) nós dispomos? Quais as providências para capacitar um maior número de profissionais na operação e monitoramento dos equipamentos especializados? Quais as medidas em andamento para ampliar a capacidade de atendimento? Existem estratégias para melhorar as precárias condições sanitárias do município e minimizar seus efeitos nocivos? Como frear a proliferação acelerada do vírus que pode ocorrer nas áreas desassistidas dos altos, das periferias e da abandonada zona rural? (mais…)