A nova ponte e os novos ilheenses

Uma cidade mais bonita, mais moderna, mais desenvolvida requer pessoas mais aptas a transitar e viver neste novo espaço, utilizando-o de forma adequada e segura. Essa é a contribuição pessoal que cada um de nós deve dar. É a nossa parte para termos uma cidade e uma vida melhor para todos.

Por Julio Gomes.

Nem tudo está perfeito, mas ela é simplesmente maravilhosa!

É isso o que sentimos quando vemos a Nova Ponte e seu entorno: faltam detalhes, tais como a conclusão de alguns pisos e dos espaços multiusos junto à circulação na orla sul da ponte, no Pontal, assim como a colocação de lixeiras ao longo das vias. Falta, sobretudo – isto não é detalhe – cuidados com a arborização e outros aspectos que valorizem a orla norte, junto ao Centro de Ilhéus.

Mas a Nova Ponte é fascinante, encantadora, e os ilheenses e visitantes de nossa terra já descobriram isso, intensamente.

Pode ser pela manhã, nas primeiras horas do dia, junto aos esportistas mais disciplinados (ou com menos tempo livre); ou ao cair da tarde, com o sol menos intenso, quando famílias inteiras passam a explorar a beleza da paisagem e o frescor da brisa. O que se vê, a qualquer hora, de carro, de bike, de skate ou a pé, são pessoas felizes a utilizar o novo e imponente equipamento urbano.

Entretanto é importante lembrar que uma casa melhor, uma cidade melhor, um mundo melhor, também requer habitantes melhores. E nós, nesse esforço, vamos aprendendo a usar a Nova Ponte da forma mais adequada, mais segura, que mais a valoriza, e isso cabe a cada um de nós.

A primeira contribuição a ser feita é não deixarmos lixo nesta paisagem urbana, pois eu mesmo já removi uma garrafa pet de refrigerante e já vi papéis enfiados na grade de proteção lateral (guarde corpo) da Ponte. Precisa dizer que higiene e educação são fundamentais?

Outra questão a ser destacada é o uso adequado das vias, pois ao lado das pistas para veículos, nas partes laterais da ponte, a passagem que vai do Centro para o Pontal é destinada sobretudo aos pedestres; e os ciclistas devem utilizar, obrigatoriamente, a via lateral no sentido Pontal – Centro.

Aqui também cabe um chamamento ao bom senso: pedestres devem, o mais possível, deixar a ciclofaixa livre para ciclistas; e ciclistas devem compreender que ali não é uma pista de corridas, mas uma faixa a ser usada com bom senso e muita atenção, já que as bikes, ao final da descida da ponte, podem atingir facilmente 40 km/h, velocidade capaz de causar graves acidentes.

Outro ponto a requerer a atenção de todos é a necessidade de atravessarmos as vias nas faixas destinadas à travessia de pedestres, principalmente no Pontal, onde ela, corretamente, se situa a cerca cem metros após o fim da Ponte, pois seria perigoso instalar uma faixa no fim da descida e da curva, onde os carros vêm com velocidade e com pouca visibilidade. Cabe a todos nós fazermos a travessia no local correto, sobre as faixas.

De igual forma, os motoristas também devem estar atentos ao fato de que as pistas no entorno da Ponte são vias que permitem certa velocidade na circulação dos veículos, pelo que é necessário parar o veículo e dar passagem a quem busca fazer a travessia sobre a faixa de pedestres.

Uma cidade mais bonita, mais moderna, mais desenvolvida requer pessoas mais aptas a transitar e viver neste novo espaço, utilizando-o de forma adequada e segura. Essa é a contribuição pessoal que cada um de nós deve dar. É a nossa parte para termos uma cidade e uma vida melhor para todos.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

Deus no comando

Nossas cautelas são absolutamente indispensáveis. Se pensarmos que Deus já decidiu tudo, então não adianta ter limite de velocidade nas estradas, nem cuidados especiais com armas de fogo, nem evitar situações de risco, nem usarmos EPIs (equipamentos de proteção individual) no trabalho, nem cuidar da saúde, não fumar etc. Afinal, já estaria irremediavelmente decidido o dia, a hora e a forma da morte de cada um de nós!

Por Julio Gomes.

A atitude de alguns irmão e irmãs de fé cristã tem chamado nossa atenção de forma especial nestes últimos meses, o que traz a necessidade de aprofundar um assunto que, embora já abordado, merece novas e mais acuradas considerações.

Esclareço, inicialmente, que aquilo que será objeto de nossos comentários servem a todos os que são ou se consideram cristãos: evangélicos, católicos, espíritas e outras vertentes do cristianismo. E, devido ao alcance social, aplica-se também às demais religiões, desde as afro-brasileiras às de origem oriental.

Tenho visto desde o início da pandemia pessoas que, por contarem com a proteção divina, se recusam a adotar cuidados elementares tais como: usar máscaras, evitar ir às ruas desnecessariamente, conversar muito de perto, enfim, que agem sem as mínimas cautelas necessárias; e que teimam em frequentar locais públicos, com grande número de idosos, mesmo depois que alguém, em sua residência, recebeu diagnóstico positivo no exame para Coronavírus ou se encontra em quarentena ou tratamento de Covid.

Em primeiro lugar faz-se necessário afirmar que se expor-se a risco é problema seu – o que só funciona na teoria, porque na prática quando algo dá errado corremos para pedir ajuda aos outros – devemos entender, definitivamente, que expor a terceiros não faz parte de nossos direitos. Se alguém quer correr riscos, que faça isso sozinho, não leve ninguém consigo!

Outra questão que merece ser melhor elucidada é a de que a proteção divina não exclui nossos cuidados.

Tenho visto muita gente dizer que quem estiver marcado por Deus para morrer, vai morrer. Concordo, mas pergunto: e quem dentre nós sabe quais são as pessoas que têm, por desígnio divino, a destinação de falecer por Covid? Ninguém!

Acredito que se for da vontade do Altíssimo que alguém, na condição de médico, ao trabalhar durante esta pandemia, venha a se contaminar e morrer, ninguém poderá evitá-lo. Mas creio igualmente que se um profissional qualquer, médico, vendedor, policial, açougueiro, motorista ou mecânico, negligenciar os cuidados elementares a serem adotados, se contaminar e morrer, a culpa disso será dele, e isto terá ocorrido não porque Deus quis, mas pelo uso equivocado do livre arbítrio da própria pessoa.

Nossas cautelas são absolutamente indispensáveis. Se pensarmos que Deus já decidiu tudo, então não adianta ter limite de velocidade nas estradas, nem cuidados especiais com armas de fogo, nem evitar situações de risco, nem usarmos EPIs (equipamentos de proteção individual) no trabalho, nem cuidar da saúde, não fumar etc. Afinal, já estaria irremediavelmente decidido o dia, a hora e a forma da morte de cada um de nós!

As pessoas podem, sim, provocar a própria morte, antes da “hora marcada”, e a até mesmo sem desejarem isso. Basta agirem de forma negligente ou imprudente.

Creio, firmemente, que Deus está no comando, que Jesus governa nosso planeta, e que jamais somos abandonados pela Providência Divina, na qual deposito a mais fervorosa fé. Mas lembro sempre que Deus nos deu dois braços, duas pernas, cérebro, olhos, ouvidos e tudo o mais, em um corpo saudável e perfeito, para que, no uso de nosso livre arbítrio, façamos a nossa parte, trabalhando, cuidando, acautelando, evitando, protegendo e tomando todas as providências necessárias para a manutenção de nossa saúde e de nossa vida.

Na hora certa, o Altíssimo nos chamará de volta à vida espiritual. Mas isso é decisão dele, e não nossa. Tudo o que cabe a Deus, Ele já fez. Façamos nós a nossa parte, cuidando da melhor forma possível de si, e de quem depende de nós.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

Inquisitivo e Confessional. Porque?

Sabedoria, dignidade humana? Para que servem hoje em dia? O gênio, o talento, são dádivas divinas, ou não? Uma aflição divina. Uma chama breve e pecaminosa de dons naturais, (rejeito as virtudes demoníacas da arte) mas o mal é necessário. Porquanto constitui alimento para algumas genialidades no âmbito da materialidade cumulativa. Que fariam eles sem o brilho dos metais?

Por Jamal Padilha.

Moralistas, meros palermas intelectuais. A sensibilidade literária enquanto doutrina e os pressupostos que a constituem se assentam na ideia de que o homem, enquanto inatamente virtuoso e benevolente, deseja de modo sincero o bem estar de todos e, consequentemente, é capaz de sentir e compreender não só às suas próprias emoções, mas também àquelas sentidas e experienciadas por outrem. Os ideais patentes nesta doutrina do século XVIII assumem-se como características indispensáveis enquanto definição do caráter do indivíduo, e em sentido mais lato, de ética social, de moralidade pública de humanismo.

Sem temor às ratoeiras. Quando leio as notícias sobre Operações pega-ratos, Lava jato bem como alguns ensaios políticos do grande ficcionista e intelectual Luiz; dá-se comigo as mesmas angustias de quando deito a ler os repetitivos .

Textos Selecionados – mais conhecidos por Delações Premiadas – dos intuitivos ladrões da República de São Saruê, nosso deflorado e extorquido Brasil. Claro, falta aos textos, romance, paixões sublimes ao estilo shakespeariano e sobram lascívias e luxúrias carnais untadas pelo sêmen podre da ganancia pelos valores materiais, esputos que embalam a retórica dos eloquentes instintos dos nossos inventivos representantes políticos quando, de lá dos altos púlpitos da nação, manipulam sábios as massas marionetes enquanto enriquecem a custa de vidas humanas abatidas pela Covid-19.

Desperdícios. Lembro-me que lá em casa tínhamos uma ampulheta muito antiga, uma relíquia que eu admirava extasiado. Ela servia para marcar o tempo das aulas de piano e pelas longas duas horas que eu havia me dedicado aos meus estudos formais. A velha ampulheta teria sido dada de presente por meu avô ao meu pai, por isso, ela ocupava lugar de destaque sobre o piano, quando o executávamos e depois posta sobre a estante imponente, frente aos inúmeros livros, como se uma guardiã das memórias que a literatura havia aprisionado para a posteridade. Desperdícios.

A beleza, quer dizer, o desafio da conceituação espiritual de beleza, sem academicismos. Quem não nega a própria habilidade artística para criar o belo a partir do espírito? Sim, eu nego, é exatamente o que nego peremptoriamente apaixonado. A meu entendimento, na visão do imaginário coletivo, nosso trabalho como artista é só trabalho mesmo… Produção. Nosso criacionismo literário dissipa-se como as brumas das manhãs invernais, lentamente, sobre o deserto vazio e gélido dos seres sem almas, que nos transparecem personagens que teatralizam sombras míticas na caverna de Platão; sombras assustadoras, diga-se. O caráter do indivíduo atual nos assusta e estarrece. Feras, lobos, chacais…

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A velha Ilhéus e a nova ponte

Não se trata, aqui, de problemas ocorridos pouco antes da inauguração da ponte, pois sua obra durou cerca de quatro anos, ao longo dos quais nenhum projeto de melhoria urbana adjacente à área da Nova Ponte foi executado. Os administradores públicos se alternam no tempo, mas o descuido permanece o mesmo, com algumas poucas e raríssimas exceções.

Por Julio Gomes.

Manhã do dia 27 de julho de 2020, véspera do 486º aniversário de fundação da cidade de Ilhéus. Ao passar pelas Avenidas Soares Lopes e Dois de Julho, deparamo-nos com o novo cartão postal da cidade: a Nova Ponte Ilhéus – Pontal, estaiada, bela, moderna, a erguer-se imponente, alterando para sempre a paisagem da Terra de Jorge Amado.

Impossível não olhar a Nova Ponte, seja a noite, com sua iluminação em que se alternam variadas cores; ou de dia, onde se mostra mais alta do que o Outeiro de São Sebastião e o Morro de Pernambuco.

Mas é igualmente impossível não reparar o entorno da ponte, o Centro da cidade e as vias onde desaguará seu tráfego, assim como o forte contraste de tudo isso como o novo que a ponte representa, porque ao redor da Nova Ponte se observa o mesmo velho descuido de sempre.

Passando pela Avenida Soares Lopes, chama a atenção o matagal, alto em alguns lugares, cortado na véspera em outros, porém sempre com o mesmo aspecto de tristonho abandono.

Prosseguindo pela mesma Soares Lopes, vemos as cenas de quase sempre: lixeiras públicas, as poucas existentes, abarrotadas, derramando. Calçamento sempre esburacado no passeio público, clamando por manutenção jamais realizada. Asfalto sofrido, gasto; e os restos de uma obra largados ao lado do BOBs, na antiga Central de Turismo, onde canos, areia, calçamento quebrado e entulho desvalorizam a paisagem.

Infelizmente, não se trata de exceções. Um pouco adiante, em cima do que deveria ser o jardim da orla, ergue-se uma construção com térreo e primeiro andar, cujas obras não pararam nem mesmo durante a pandemia, consubstanciando o feio e o absurdo.

Seguindo em direção à catedral, nota-se os arbustos cercados de brotos, evidenciando o descuido mais elementar, tudo sempre em meio a uma limpeza sofrível, precária; e na Av. Dois de Julho, que até poucos anos atrás foi um local de boa vida noturna, com bons restaurantes e singular urbanização, com seus canteiros e sua iluminação com postes especiais, mostra-se hoje o mesmo ar de decadência e desleixo.

Junto à catedral, na mesma data de hoje, quem passou teve o profundo desgosto de ver a prefeitura arrancando duas belas e grandes árvores, talvez para que ali, no futuro, seja colocada a barraquinha de algum apaniguado, que a transformará em um bar desprovido de banheiro, função que ficará destinada, talvez, ao matagal da Avenida.

Nem mesmo o entorno da nova ponte escapa à desídia geral. Na vertente ao norte, junto ao Centro, os canteiros receberam os tapetes de grama pela metade: 200 metros antes do início da ponte é o barro vermelho que ressalta dos canteiros novos. E as áreas no entorno da ponte, cheias de matagal, já apresentam aquela erosão que é filha do descuido, por não se ter feito uma cobertura vegetal adequada junto à obra finalizada.

Não se trata, aqui, de problemas ocorridos pouco antes da inauguração da ponte, pois sua obra durou cerca de quatro anos, ao longo dos quais nenhum projeto de melhoria urbana adjacente à área da Nova Ponte foi executado. Os administradores públicos se alternam no tempo, mas o descuido permanece o mesmo, com algumas poucas e raríssimas exceções.

Querida Nova Ponte, seja muito benvinda a Ilhéus. Não repare a conduta deseducada e pouco cidadã de muitos de nós, moradores da cidade; e perdoe, desde já, pelo inacreditável descuido de nossos administradores locais. Não se deixe abater, Nova Ponte, tão desejada e tão bela: nós a amaremos, e nos orgulharemos de sua presença, a alegrar nossas vidas e a nos mostrar que é possível sonhar e construir um futuro melhor.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

Coronavírus e nossas vidas: algumas reflexões

Penso que uma atitude de negação sistemática das cautelas que a realidade impõe, ou de extrema negligência com cuidados básicos pode nos levar, no atual momento, a um retorno antecipado para o mundo espiritual. Você quer testar esta hipótese e pagar para ver? Eu não!

Por Julio Gomes.

O acompanhamento atento e reflexivo acerca da evolução da pandemia e de nossas atitudes têm conduzido a algumas reflexões importantes, que julgo dignas de compartilhamento.

A primeira delas diz respeito ao que podemos fazer. Residindo no interior da Bahia, sem ocupar nenhum cargo público importante, sem ser rico nem pessoa de destaque social, o que fazer para ajudar com relação à tragédia que vemos abater-se sobre milhares de pessoas e de famílias brasileiras? O que fazer para ajudar àqueles que se encontram expostos, trabalhando nas instituições de Saúde?

Um eventual auxílio pessoal a algum amigo mais necessitado decerto conta pouquíssimo, é uma gota d’água no oceano. Faz diferença apenas, talvez, para quem o recebeu, por alguns pouquíssimos dias, e nada mais do que isso. Podemos e devemos ajudar desta forma, mas sem ilusões quanto ao modestíssimo alcance de tal ato.

Não sendo grande empresário, nem prefeito, nem governador, nem juiz ou algo equivalente, as ações ficam restritas, a mais das vezes, ao cuidado pessoal e no âmbito da família, únicos onde nós – pessoas comuns – realmente podemos fazer diferença.

Ao ter de ir para o trabalho, cumpre, sim, tomar todas as cautelas ao alcance: manter o distanciamento possível das demais pessoas, higienizar sempre as mãos, usar máscaras, retornar para casa assim que puder e, após isto, procurar o mais possível não sair. É o que temos feito. O que mais uma pessoa comum pode fazer, além disso?

É bem pouco, sem dúvida, e por isso mesmo penso que seja uma obrigação agir desta forma. É tudo o que, em minha insignificância social, está ao meu alcance, e por isso mesmo deve ser feito com empenho e zelo.

A outra reflexão diz respeito ao fatalismo – ou predestinação – e ao livre arbítrio.

Embora isso possa surpreender a quem conheça este autor, que é festeiro, esportista, amigo da vida social intensa, desde a feira do Malhado até uma boa casa noturna, considero tudo isso plenamente compatível com uma sólida fé em Deus, até por precisar de Sua misericórdia para alguns pecados.

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Estar na internet não vai garantir suas vendas durante a pandemia

O relacionamento nas mídias sociais não se dá na lógica verticalizada. Não existe uma única verdade absoluta. Seu cliente não é refém da sua loja. Ele tem o poder de curtir, comentar ou não em suas publicações. A pessoa que, antes, era passiva, agora se tornou um consumidor ativo.

Por Talita Barbosa.

A pandemia da Covid-19 não só nos obrigou a rever nossos hábitos de higiene, mas também a repensar nossas práticas de consumo. Para manter o distanciamento social, as pessoas têm dado preferência a compras feitas pela internet, seja por um site de e-commerce ou pelo WhatsApp da loja.

Descobrimos, então, que o que seria o futuro digital já se faz presente em nossas vidas. Com o “novo normal”, milhares de empresas precisaram se adaptar de um dia para o outro. Correram para criar seus perfis nas mídias sociais e colocar site de e-commerce na internet.

Mas apenas ter perfis em plataformas digitais e site não são sinônimo de sucesso nas vendas on-line. Entender como cada canal funciona e como ocorre a comunicação, num universo onde não existe mais um cliente passivo, está sendo um desafio para muitos empresários.

O relacionamento nas mídias sociais não se dá na lógica verticalizada. Não existe uma única verdade absoluta. Seu cliente não é refém da sua loja. Ele tem o poder de curtir, comentar ou não em suas publicações. A pessoa que, antes, era passiva, agora se tornou um consumidor ativo.

Mídias sociais são muito mais sobre relacionamentos e comunidades do que lucro acima de tudo. Para entender isso melhor, basta observar o sucesso das empresas Netflix e Nubank na internet. O que elas têm em comum? Procuram ser amigas dos seus consumidores e construir uma comunidade engajada na internet.

Os seguidores do Nubank se sentem tão íntimos do banco, que são capazes de defendê-lo em discussões virtuais, caso alguém ouse reclamar de algum serviço. Sequer percebem que se trata de uma empresa que possui uma receita de R$ 2,1 bilhões e não de alguém indefeso.

Investir numa estratégia de marketing digital, que tenha como objetivo construir um relacionamento a longo prazo com os clientes pode ser incrivelmente benéfico para o empresário, além de ser mais barato.

Se tornar amigo do seu cliente exige uma estratégia digital bem fortalecida, mas em compensação o dinheiro gasto com anúncios será bem menor. Sim, o futuro é digital, mas o relacionamento continuará sendo de humano para humano.

Talita Barbosa é jornalista, estrategista digital na @artcontentagencia e pós-graduanda em gestão cultural (UESC).

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

Carta autofágica. Uma catarse do íntimo consciente

Aos 74 anos, sinto-me como aquela menina que ganhou uma cesta de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicentemente, mas percebendo que faltam poucas para o fim, rói agora até os caroços. Eu certamente teria reservado as mais maduras, doces e suculentas para o final e as degustaria lentamente. Eu compreendo que a cor tem muito mais importância quando nos retiram a luz.

Por Jamal Padilha.

Carta apócrifa. Agora, após ler a sua carta, e de não queima-la, como me recomendaste, e de devolve-la íntegra a fim de demonstrar que não foi utilizada para nenhum outro fim, senão a confrontação do seu conteúdo e caráter; acredito que este seja o momento azo para radiografar-me como réu ante o meu autojulgamento e, de expor o meu diagnóstico e libelo sentencial.

Sou um Banco de dados com enorme HD. Sou um incorrigível colecionador de memórias e as utilizo para sobreviver ao passado e adaptar-me ao negro presente que vivencio. Nada escapa à sensibilidade perceptiva da minha memória, que a tudo registra, que a tudo recupera e tudo conta, anota e guarda. Agora mesmo, após acabar de ler esta carta apócrifa eu contei a minha idade. Contei meus anos e descobri que com os meus setenta e quatro, terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Alhamd lilah, Graças a Deus.

Degustando os sabores da vida. Aos 74 anos, sinto-me como aquela menina que ganhou uma cesta de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicentemente, mas percebendo que faltam poucas para o fim, rói agora até os caroços. Eu certamente teria reservado as mais maduras, doces e suculentas para o final e as degustaria lentamente. Eu compreendo que a cor tem muito mais importância quando nos retiram a luz.

Agora tenho pressa. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Nem aquelas passando a limpo os familiares. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, seus bens, seus talentos. Eu não tenho nada. Eu não quero nada de ninguém a não ser a mais sincera espontaneidade. Isso sim vale muito para mim. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos, utopias de areias que as marés do tempo apagam da memória. Não participarei de conversas em que se estabelecem prazos fixos para reverter à miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de fim-de-semana com a proposta de se atingir a essência da mais profunda espiritualidade. A minha alma já está ao alcance da minha mão! Já não tenho tempo para reuniões intermináveis, meramente circunstanciais para discutir estatutos, normas, procedimentos, regimentos internos e vida alheia. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que apesar da idade cronológica pesar-lhe sobre os ombros, continuam imaturas, vaidosas, pedantes e inseguras porem, perfeitas ante seu próprio julgamento.

Sem lenço e documento. Não uso mais o relógio. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos a limpo” onde tentamos sem sucesso auto explicar-nos; fazer-nos entender ante o tamanho desinteresse claramente demonstrado pelos nossos interlocutores moucos.

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Eleição democrática, participativa e sem Covid no Sistema Confea/Crea

É preciso que o Sistema se conecte com momento atual em que o país aprofunda o debate sobre democracia, transparência e liberdade. Fazer a eleição com urnas de lona em apenas em 32 localidades distribuídas nos 417 municípios da Bahia vai na contramão dos anseios da sociedade, além de colocar em risco a vida e a saúde dos participantes do processo eleitoral.

Por Ubiratan Felix.

“O Sistema CONFEA/CREA é um gigante”, disse recentemente o presidente em exercício da entidade em um vídeo institucional. Com quase 1 milhão de profissionais registrados, o Sistema – que representa os detentores do saber tecnológico no Brasil – insiste em fazer eleição no próximo dia 15 de julho de 2020 de forma presencial, usando urnas de lona em meio à pandemia de Coronavírus.

O argumento contrário à eleição por internet é a “suposta falta de segurança e confiabilidade”. Se analisarmos, de forma mais minuciosa, constataremos que se trata de uma falácia. Diariamente, milhões de investidores, inclusive no Brasil, realizam operações de bilhões de dólares em compra e venda de ações. O Congresso Nacional brasileiro e parlamentos de diversos países aprovam projetos e recursos bilionários virtualmente. Os Tribunais Superiores da Justiça no Brasil e no mundo proferem sentenças de modo virtual e remoto, assim como o Sindicato de Engenheiros da Bahia, o do Rio de Janeiro e o do Paraná que realizam há muitos anos eleições pela internet de forma remota. Conselhos profissionais, como o de Administração e de Arquitetura e Urbanismo, realizam eleições pela internet e de fo rma remo ta com o índice de participação nas urnas acima de 60%, enquanto o nosso Sistema apresenta índice de aproximadamente 8% em condições normais, ou seja, sem COVID.

A eleição por internet e de forma remota ampliará a participação dos profissionais, facilitando o acesso destes à “urna de votação”. Na Bahia, apenas 32 localidades terão urnas presenciais, ou seja, em alguns casos o profissional terá que viajar 400 quilômetros para votar. Este método, além de dificultar a participação dos profissionais em tempos de COVID 19, não garante a segurança dos votantes, uma vez que parte deles têm perfil de idade e comorbidade dos grupos de risco.

É fundamental revigorar a democracia participativa do Sistema CONFEA/CREA. Por isso, defendemos que a eleição seja por meio de voto eletrônico remoto pela internet, transformando os computadores de mesa, smartphones e notebooks dos profissionais da Engenharia, Agronomia e Geociências em urnas eletrônicas, possibilitando que os quase 30 mil profissionais registrados no CREA-BA tenham plenas condições de escolher as lideranças que levarão o Sistema para a modernidade do século 21 no pós-pandemia, sem riscos de contrair a Covid-19.

É preciso que o Sistema se conecte com momento atual em que o país aprofunda o debate sobre democracia, transparência e liberdade. Fazer a eleição com urnas de lona em apenas em 32 localidades distribuídas nos 417 municípios da Bahia vai na contramão dos anseios da sociedade, além de colocar em risco a vida e a saúde dos participantes do processo eleitoral.

Defendemos a realização das eleições em dezembro de 2020 porque precisamos, acima de tudo, preservar a vida dos profissionais que mantêm e contribuem financeiramente para o funcionamento do Sistema, dos seus servidores e seus familiares. A manutenção do voto presencial e das eleições em julho em um cenário que as projeções indicam o aumento dos municípios atingidos, das pessoas contaminadas e mortas é uma total irresponsabilidade e falta de compromisso com a vida.

Votar pela internet é garantir a democracia, a transparência e a vida de todos os profissionais e servidores do Sistema CONFEA/CREA.

* Ubiratan Felix é engenheiro civil e presidente do SENGE-Ba.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

100 dias de Covid-19 na Bahia

O resultado desse enorme esforço são os números que a Bahia vem apresentando, que são destaque no cenário nacional. Temos um dos mais baixos coeficientes de incidência do país e temos conseguido atender a todos, com um taxa de contágio e letalidade em decréscimo.

Por Fábio Vilas-Boas.

Decorridos 100 dias do surgimento do primeiro caso de Covid-19 em nosso estado, chorando pelas vidas perdidas, vale destacar algumas vitórias nessa guerra.

Graças à liderança integral do governador Rui Costa, conseguimos abrir mais de 2.000 leitos hospitalares, sendo mais de 800 de UTI. Contratamos milhares de profissionais dedicados ao combate à pandemia, ampliamos em 2.000% a capacidade de testagem RT-PCR do Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-Ba) e a descentralizamos para cinco regiões do interior.

Para os profissionais de saúde, montamos um pronto atendimento exclusivo, contratamos um hotel para os infectados, aprovamos uma lei estadual que garante seguro de perda de renda e em caso de óbitos por Covid-19, além de investimentos em EPIs. Todas as nossas unidades foram dotadas de túneis de desinfecção e sistemas de climatização de ar com renovação e filtragem EPA.

Na área social, criamos um incentivo financeiro para que os acometidos pela Covid-19 pudessem permanecer em isolamento social e montamos unidades de acolhimento e tratamento.

O resultado desse enorme esforço são os números que a Bahia vem apresentando, que são destaque no cenário nacional. Temos um dos mais baixos coeficientes de incidência do país e temos conseguido atender a todos, com um taxa de contágio e letalidade em decréscimo.

Estamos no meio da guerra com muito ainda a fazer. Mas estamos avançando com a liderança do governador Rui Costa e confiantes na vitória .

Bahia! Aqui é trabalho.

* Fábio Vilas-Boas é secretário de saúde da Bahia.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

Incerteza requer cautela

Mesmo sem ter formação técnica na área de saúde, mas utilizando de observação cuidadosamente atenta, de bom senso e também do sagrado direito de manifestação que todo cidadão possui em uma Democracia, ouso afirmar que não é hora de abrir ainda mais estabelecimentos comerciais, que não é hora de entulharmos de pessoas o Centro da cidade mais do que já entulhamos – e isso não serve só para as autoridades, mas para cada um de nós ilheenses também – nem de permitir o retorno da circulação de ônibus, nem nenhuma outra iniciativa que possa, de forma real ou potencial, apontar para um aumento do número de contágios, adoecimentos e óbitos.

Por Julio Gomes.

Desde o início da pandemia temos acompanhado muito atentamente os fatos a ela relacionados: notícias, boletins epidemiológicos, pronunciamento de autoridades públicas e de cientistas, evolução do número de casos, tudo isso tem sido visto e estudado com a maior atenção, e com ênfase ainda maior no que se refere à Bahia e a Ilhéus.

Observando atentamente percebemos muito do que resultou em ganhos e do que não deu resultados positivos; e quem se esforçou neste ou naquele sentido. Também ficou exposto tanto o que se quis mostrar quanto muito do que se quis esconder.

Na Bahia, salta aos olhos o esforço do Governo do Estado em enfrentar a pandemia, desde seu início: restrições à circulação de veículos e pessoas, abertura de hospitais de campanha e de novos leitos, compra e distribuição de equipamentos e insumos e inúmeras outras ações sem dúvida foram decisivas para que não tivéssemos na Bahia – ao menos até agora – as terríveis cenas de sepultamentos em massa e de colapso total do sistema de saúde que vimos em muitas cidades e capitais situadas em outros estados.

Ainda assim, apesar dos grandes esforços das autoridades estaduais, a Covid-19 avança fazendo vítimas na Bahia, que já passam de mil casos fatais; e temos hoje 74% de todos os leitos de UTI ocupados – a taxa de ocupação mais alta que me recordo de ter visto desde o início da pandemia – tudo isso segundo o Boletim Epidemiológico nº 80, publicado pela SESAB – Secretaria de Estadual de Saúde, em 12/06/2020.

Aqui em Ilhéus a situação também não é nada tranquilizadora. Ocupamos o 5º lugar do estado em número absoluto de casos ativos e ocorreram 59 óbitos em nosso município, conforme consta do mesmo Boletim Epidemiológico nº 80 acima citado.

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Vamos derrubar estes símbolos

Devemos rever, sobretudo, as estátuas, os ícones, os modelos sociais que norteiam nossas ações hoje. E caso identifiquemos neles a presença do racismo, da misoginia, da homofobia, do desprezo à vida dos demais seres humanos, que leva à morte, tenhamos a mesma coragem dos manifestantes europeus, arrancando e jogando no fundo do rio tudo aquilo que não serve mais para o mundo melhor que desejamos construir.

Por Julio Gomes.

Estados Unidos, dia 25/05/2020. Após ser acionada, a polícia intercepta um home negro acusado de tentar comprar um maço de cigarros com uma nota falsa. Quatro policiais brancos participam da operação e colocam o acusado contra o chão, imobilizando-o, e um deles passa a comprimir com o joelho o pescoço do homem, que se debate por quase nove minutos dizendo que não conseguia respirar. Toda a cena é filmada por uma adolescente negra, de 17 anos, e termina com a morte de George Floyd, de 47 anos, por asfixia.

A cena, que você provavelmente já assistiu pela TV aberta ou pela internet, viraliza no mundo inteiro e provoca fortes protestos em todos os Estados Unidos e em diversos outros países do mundo, durante vários dias, contra a violência racial e contra as violências praticadas também em face de outras minorias sociais, como imigrantes, homossexuais, mulheres, pobres em geral e outros grupos discriminados.

Além do alcance e intensidade dos protestos na nação Americana onde Floyd foi assassinado, outro aspecto destas manifestações também merece atenção especial: o ataque e derrubada de diversas estátuas na Europa.

Não se trata de quaisquer estátuas. Na Inglaterra os manifestantes derrubaram, rolaram e atiraram no rio a estátua de Edward Colston (1636 – 1721), comerciante que se tornou multimilionário mediante a exploração do tráfico de pessoas, arrancadas da África para o trabalho escravo e a morte, no Caribe e na América. Estima-se que Colston tenha transportado cerca de 84 mil homens, mulheres e crianças, reduzidas à escravidão, e que em torno de 19 mil morreram na viagem de navio para as Américas.

Outra estátua vandalizada foi a do Rei Leopoldo II (1835 — 1909), da Bélgica. A História nos diz que ele se apossou e administrou como uma propriedade privada o Congo Belga (Atual República Democrática do Congo, na África), escravizando, mutilando e matando cerca de 10 milhões de pessoas negras. A estátua foi retirada da praça pública pelas autoridades locais e guardada em um museu.

Estas ações trazem em si uma simbologia fortíssima: a não aceitação, por parte das pessoas e do mundo atual, de celebrações em torno daqueles que atingiram o ápice da pirâmide social e política utilizando como base a escravização, o racismo, a miséria e a matança de milhares ou milhões de seres humanos.

O mundo grita, nas manifestações que ocorrem nas ruas, nos cartazes, na internet, a plenos pulmões que não aceita mais as práticas desumanas que promovem o enriquecimento absurdo de alguns poucos, mediante a degradação e o sangue de populações inteiras. Nem ontem, nem hoje.

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Temos de “estar juntos” na unidade dos propósitos, sem sucumbirmos ao perigo das verdades únicas.

Busque conhecer o funcionamento das instituições, dos poderes, dos direitos, das garantias, ou seja, vá em busca de informações variadas que ajudem na qualificação da cidadania. Todo cidadão é um ser de direitos, mas também garantidor dos mesmos. Para isso, conhecer as origens, os tipos e a legislação garantidora constitui tarefa de todos. Se desconhecemos o que nos é de direto, os usurpadores de direitos alimentarão nossa amnésia. Temos de “estar juntos” e armados de conhecimento.

Por Caio Pinheiro e Rans Spectro.

Para se consertar um país, é imperativo conhecê-lo para além das percepções superficiais. Todavia, é aí que reside o “x” da questão quando pensamos nas iniquidades socioeconômicas que flagelam milhares de habitantes desse canto ao sul da América Latina. Por aqui, educação, habitação, saneamento básico, distribuição de renda e desenvolvimento econômico carecem de conserto. Contudo, são muitos os brasileiros que desconhecem as engrenagens da nação. De gestores públicos a cidadãos indignados, predomina o achismo nas avaliações das nossas mazelas.

Assim, o exercício da cidadania política fica longe de produzir as resolutividades demandadas pelas urgências nacionais. É verdade que voltamos às ruas? Sim. Pela democracia, contra o racismo, criticando o recrudescimento das ideias fascistas, pelo fim do extermínio de vidas negras etc. Estamos requerendo direitos! Mas, considerando a morosidade das mudanças, fica evidente que nossos gritos não penetraram nos ouvidos moucos daqueles(as) responsáveis pela gestão da coisa pública.

Então, perguntamos: onde está o erro? Acreditamos que o erro se encontra na estratégia. Para vencer essa guerra, precisamos manter intactos os princípios e reavaliar constantemente as estratégias, do contrário padeceremos da síndrome do derrotismo. Para começar, podemos ser mais reticentes com as generalizações. Generalizar é um ato de preguiça intelectual. Colocar tudo/todos no mesmo balaio interdita a compreensão da complexidade dos problemas. Daí, nesse momento, a palavra de ordem deve ser “conhecer”.

Busque conhecer o funcionamento das instituições, dos poderes, dos direitos, das garantias, ou seja, vá em busca de informações variadas que ajudem na qualificação da cidadania. Todo cidadão é um ser de direitos, mas também garantidor dos mesmos. Para isso, conhecer as origens, os tipos e a legislação garantidora constitui tarefa de todos. Se desconhecemos o que nos é de direto, os usurpadores de direitos alimentarão nossa amnésia. Temos de “estar juntos” e armados de conhecimento.

No entanto, estarmos juntos pode não bastar? Interpretações desconexas das relações socioeconômicas fazem parte do jogo democrático. A pluralidade das narrativas é em si a democracia. Com efeito, nos regimes democráticos, toda e qualquer mudança se assenta no consenso. É a história de que a opinião da maioria deve sobrepor-se à minoria. Sob essa perspectiva, as mudanças que almejamos jamais serão bancadas pela uniformidade de ideias como defendem os protofascistas, mas, sim, através do consenso democrático que valoriza as diferenças que nos permitirão alcançar a unidade de propósitos.

Viver em sociedade é, queira ou não, aceitar as suas regras. Isso não necessariamente significa ser apático e permissivo ante o que se explicita como passível de mudança. E, para que tais mudanças e transformações se sucedam, existem duas formas básicas de ação: ou busca-se entendê-las e utilizar das ferramentas políticas que a sociedade nos oferta para operar e protagonizar as referidas mudanças, ou propõem-se rupturas drásticas, o que a História mostra que geralmente vem acompanhado de derramamento de sangue. Enquanto houver possibilidades democráticas de ação, assim cremos e assim nos diz o bom senso, vidas devem ser poupadas.

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Transporte público em Ilhéus, mobilidade urbana e saúde

Quantas vezes pegamos o carro ou o ônibus por puro vício, ou por extremo de acomodação, quando poderíamos nos exercitar com uma caminhada de 10 ou 20 minutos? Quantos de nós não poderiam, em uma cidade como Ilhéus, vencer distâncias um pouco maiores com o uso da bicicleta, sobretudo agora que temos ciclovias, ou ciclofaixas, ligando desde o início da rodovia Ilhéus – Olivença, passando pela maravilhosa Ponte Nova, até o Parque Infantil?

Por Julio Gomes.

A publicação do decreto que autorizou a reabertura de diversos estabelecimentos no comércio de Ilhéus antecipou o debate referente ao deslocamento de trabalhadores, de consumidores e do povo em geral até o Centro da cidade e demais localidades, criando um impasse, já que os ônibus urbanos, até o momento em que escrevemos estas linhas, não tiveram permissão para voltar a rodar.

Não pretendemos aqui debater sobre o acerto ou não de tais medidas, até porque quem é nosso leitor assíduo sabe de nossa posição contrária à reabertura de novos estabelecimentos comerciais e ao retorno dos ônibus neste momento em que a pandemia se alastra, aumentando diariamente o número de vítimas fatais, que já chegou a 35 mil brasileiros – em números oficiais, subnotificados – nesta data.

Entretanto, considerando que a necessidade de deslocamento está posta, restam pelos menos duas questões muito importantes a serem resolvidas: a primeira é de que forma se deslocar entre os diversos pontos da cidade; e a segunda é como fazer isso com segurança ante a inevitável presença do Corona Vírus.

Os motoboys, e mesmo eventual transporte alternativo feito em automóveis particulares, simplesmente não darão conta de todo o fluxo de pessoas. Também é razoável prever que com o retorno dos ônibus urbanos em data futura, estes passarão a circular ainda mais lotados do que ordinariamente o faziam, acarretando grave risco de biossegurança referente ao contágio pelo vírus.

Não há como, seja em transportes alternativos ou fornecidos pelas empresas; seja com motoboys ou nos ônibus urbanos, manter o distanciamento mínimo recomendado pelas autoridades sanitárias, nem evitar contato com objetos de uso comum, a começar pelo próprio assento, suportes e maçanetas destinadas aos passageiros.

Nesse contexto, lanço uma sugestão e, ao mesmo tempo, um desafio: como o retorno às atividades exigirá adaptações, cuidados extras e até mesmo que nos reinventemos em diversos aspectos, penso que seja hora de ousarmos e inserirmos, em nossas vidas, atitudes que não adotaríamos sem o “empurrão” da pandemia, e dentre elas a de mudar significativamente nossa forma de deslocamento na cidade, mediante o uso cada vez mais intenso da caminhada e da bicicleta.

Quantas vezes pegamos o carro ou o ônibus por puro vício, ou por extremo de acomodação, quando poderíamos nos exercitar com uma caminhada de 10 ou 20 minutos? Quantos de nós não poderiam, em uma cidade como Ilhéus, vencer distâncias um pouco maiores com o uso da bicicleta, sobretudo agora que temos ciclovias, ou ciclofaixas, ligando desde o início da rodovia Ilhéus – Olivença, passando pela maravilhosa Ponte Nova, até o Parque Infantil?

Este deslocamento urbano, a pé ou de bike, além de nos livrar de situações de risco potencialmente altos de contágio, nos propiciará economia de dinheiro e ganho de saúde, pois uma ida e um retorno de cerca de vinte minutos cada um, algumas vezes por semana, farão diferença substancial quanto à saúde, disposição e auto estima das pessoas, melhorando sua qualidade de vida.

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Chegamos aos 30 mil

Como Presidente, Bolsonaro dispõe de todo o mais caro e moderno aparato médico, de altíssima qualidade, para livrá-lo das consequências de uma contaminação por coronavírus. Enquanto isso, muitos dos que se entusiasmaram com seus exemplos morreram nas filas esperando um respirador, ou em casa, sem nenhuma assistência médica.

Por Julio Gomes.

O dia chegaria, inevitavelmente. Tinha certeza disso, embora não soubesse se estaria aqui, vivo, para ver. Mas a certeza já era inabalável desde os primeiros tempos da pandemia, e ficou associada à lembrança do vídeo que nunca saiu de minha cabeça desde que o vi, há cerca de dois anos atrás.

Desde o início da pandemia a evolução da curva de aumento do número de casos nunca me deixou duvidar de que chegaríamos a 30 mil mortos, como chegamos anteontem, dia 02 de junho, em números oficiais. Aliás, a única dúvida que sempre tive quanto a isto, é se esta tragédia seria traduzida adequadamente em números oficiais, e hoje tenho a certeza de que não está sendo, porque os números reais de vítimas, inclusive fatais, são muito maiores do que aqueles publicados oficialmente.

Quanto ao vídeo, se trata daquele exibido em TV aberta e fartamente acessível até hoje na internet, em que o atual Presidente, que na época era Deputado Federal, em entrevista a um programa na TV Bandeirantes, no ano de 1999, afirmou que no Brasil era preciso agir “fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil” (https://revistaforum.com.br/politica/brasil-bate-os-30-mil-mortos-quantidade-que-bolsonaro-queria-matar-quando-propos-golpe-em-1999/).

Quero, nesta data, reconhecer que Bolsonaro conseguiu: Já temos os 30 mil mortos a que ele se referia!

Bolsonaro, sem dúvida, contribuiu muito para isso: demitiu dois Ministros da Saúde que, sendo médicos, não concordaram com suas loucuras no enfrentamento à pandemia; indicou remédios ineficazes e com graves efeitos colaterais; debochou da peste que assola o mundo chamando-a de “resfriadinho”; colocou um general como Ministro da saúde e mais de vinte assessores militares no mesmo Ministério – todos sem nenhuma formação técnica em Saúde – e também deu seu exemplo pessoal quebrando o isolamento e o distanciamento social ao ir para as ruas durante dias seguidos para tirar fotos, comer e se abraçar a simpatizantes.

Como Presidente, Bolsonaro dispõe de todo o mais caro e moderno aparato médico, de altíssima qualidade, para livrá-lo das consequências de uma contaminação por coronavírus. Enquanto isso, muitos dos que se entusiasmaram com seus exemplos morreram nas filas esperando um respirador, ou em casa, sem nenhuma assistência médica.

Mas é preciso ressaltar que o atual Presidente não conseguiu esta façanha sozinho. Além da COVID-19, ele teve a ajuda de quem o elegeu, mesmo sabendo de suas expressões genocidas, de sua frieza psicopática, de seu desprezo pela vida humana, de seu incentivo ao ódio, à ignorância, de seu apoio à tortura, de suas atitudes misóginas, homofóbicas e racistas. Afinal, tudo isso era tão “engraçadinho”, não é mesmo?

Entendo que não é correto tratar com ironia as 30 mil mortes que tivemos no Brasil, e outras tantas que, infelizmente, virão, e que seriam evitáveis se o Brasil tivesse sido conduzido de maneira técnica e responsável no enfrentamento à pandemia.

Por isso, quero terminar este texto fazendo um sério apelo aos surdos, àqueles que continuam a apoiar tudo o que aconteceu e ainda acontece de ruim no Brasil: abra os olhos e saia disso! Há coisas na vida que não se apoia, que não se faz, que não se admite nem mesmo por brincadeira, para que não venhamos a nos tornar coautores, corresponsáveis por tudo de ruim que está acontecendo ao Brasil e ao povo brasileiro.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.

Reabertura do comércio em Ilhéus – quem pagará por isso?

Some-se a tudo isto os interessem que envolvem a retomada das atividades do comércio em Ilhéus: interesse – legítimo, mas talvez intempestivo – das empresas lucrarem; interesse de alguns órgãos que representam setores poderosos para viabilizar objetivos inconfessáveis; interesse – novamente legítimo, mas não prioritário – de reeleição de alguns políticos locais; e outros ligados às pessoas e grupos que detém de fato o poder em Ilhéus.

Por Julio Gomes.

Foi publicado no dia 1º de junho, em Ilhéus, o Decreto nº 042/2020 que “dispõe sobre o Plano para reabertura do comércio de Ilhéus” e, na prática, autoriza a reabertura de parte significativa das atividades comerciais a partir do próximo dia 3 de junho.

Segundo o Poder Executivo Municipal, a reabertura se dará em função, sobretudo, das condições favoráveis para tanto a partir de “estudos e conclusões técnicas emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde”, conforme se lê nas considerações que antecedem aos artigos do citado Decreto.

Já haveria, segundo a Secretaria de Saúde, condições que apontam para uma reabertura “consciente” do comércio ilheense, pois os dados do estudo que compõe o anexo I do Decreto indicariam tal condição; e as indicações do anexo II, o Plano para Reabertura do Comércio, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, assegurariam, segundo alguns critérios, a retomada gradual e segura destas atividades.

Ocorre que quando comparamos a situação de Ilhéus com a dos demais municípios da Região em que se insere, e com outros números, percebemos fortes inconsistências.

Primeiro me permito a descrer da adequada aplicação de testes para a detecção do coronavírus realizada em Ilhéus. Desde sempre surgiram denúncias de que pessoas sintomáticas não eram testadas, e não há segurança de que os testes tenham sido feitos em quantidade suficiente para estabelecer um quadro real da pandemia em Ilhéus. Ou seja: poucos testes realizados resultariam em poucos resultados positivos.

Ilhéus, apesar de ser o segundo município com mais óbitos por COVID-19 na Bahia com 28 mortes, perdendo apenas para Salvador, segundo o Boletim Epidemiológico nº 69, publicado pelo Governo do Estado da Bahia em 01/06/2020, aparece em terceiro lugar em números de casos confirmados (após Salvador e Itabuna) e em sexta colocação dentre os municípios com casos ativos (atrás de Salvador, Itabuna, Feira de Santana, Lauro de Freitas e Jequié). Tais números podem indicar uma subnotificação dos casos nas últimas semanas justamente para criar o “cenário” adequado para a reabertura do comércio. Pode não ter sido intencional, porém também não é impossível que o seja.

Outra questão a ser verificada é que Ilhéus possui apenas 31 leitos de ITI para COVID-19 e, segundo Boletim da secretaria Municipal de Saúde, em 27/05 todos estavam ocupados. Além destes há 29 leitos clínicos (de enfermaria) sendo que o Município de Ilhéus não divulga em seu boletim diário resumido quantos deles estão ocupados, gerando incertezas e insegurança, conforme dados extraídos do Anexo I, fls. 13 e 20 do Decreto em discussão.

Ora, ante a quase inexistência de leitos de UTI disponíveis e a não divulgação dos leitos clínicos ocupados, como podemos acreditar que Ilhéus estaria preparada para evitar uma elevação brutal de mortes, caso haja um aumento repentino na taxa de contágios?

Da mesma forma, não vemos Ilhéus como tendo cumprido nenhum dos seis critérios da OMS – Organização Mundial de Saúde para que se reabra o comércio, que vão desde o controle da transmissão até o engajamento pleno da sociedade às novas normas de convívio social, passando pela capacidade de detectar, testar, isolar e tratar cada caso, entre outros requisitos, conforme consta das páginas 30 do anexo I e página 10 do Anexo II do Decreto em análise.

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