Os dramas num mundo distante e desconhecido: A paixão de Aysha

Havia angústia e estupor estampados em seu semblante contraído, um rosto prematuramente envelhecido para seus vinte e oito anos; olhos tristes lacrimejantes, a tez branca do seu rosto transparecia murcha, sem viço algum, lábios ressequidos na palidez; o hijab (1) só lhe ocultava os cabelos que, ante o desespero corporificado, supus brancos farinhentos – (No Islã, o hijab é o vestuário que permite a privacidade, a modéstia e a moralidade, ou ainda “o véu que separa o homem de Deus”). Não obstante sua enorme emoção, ela conseguia falar pausada e compassadamente, o que me fez estarrecer em admiração, tamanho seu domínio e autocontrole evidentes.

Por: Mohammad Jamal.

Não pude conter minha admiração vendo a enorme força emocional contida num corpo mirrado, magrinho, delicado, mas ainda assim não totalmente abatido. Aparentando estoica resiliência, ela continuava lutando. Todo esse quadro impactante alterou minha fleuma masculina de muslime, mas dissimulei minha surpresa com um curto sorriso complacente e confortador, como se lhe afagasse com um abraço solidário. – Por aqui o homem não abraça a mulher senão no recato da alcova – por isso, o meu sorriso simbólico era o máximo que eu lhe poderia oferecer em termos solidários adequados à contida cordialidade dos nossos costumes.

Como se uma chuva de fagulhas de fótons, centenas de pensamentos contendo suposições e possíveis equivalências existenciais transpassaram meu cérebro em tempestade, ávido por antevisões plausíveis que fossem capazes de produzir tamanho sofrimento em alguém tão frágil e vulnerável, além de tudo, do sexo feminino, uma mulher. Meus pensamentos varreram o universo das minhas memórias recolhendo os mais variados e violentos referenciais, inclusive aqueles memoriais dramáticos da literatura russa da qual sou um apaixonado, tendo lido quase tudo que foi traduzido dela, um tesouro.

Com algum esforço, consigo recompor meu equilíbrio e serenidade interior, abalados. Não lhe posso oferecer água para beber, sal, chá ou convidá-la a sentar-se, este é o rito padrão por aqui. Fingindo calma, resguardo um silêncio respeitoso enquanto fito-a nas mãos ansiosas que se contorcem convulsivamente como se lutassem entre si e, no lapso enquanto me recomponho, dou mostras de que estou pronto para ouvir seu relato confessional. Estou sentado sobre uma almofada tendo minhas costas apoiada à parede, à mão, segura entre os dedos, tenho uma chávena com uma tisana de Karkadet (2) e hortelã verde que vou degustando com pequenos e compassados goles, cuidando para não derrama-lo minha com mão ainda trêmula, sobre Kandura (3) branca de linho que estou vestido. (mais…)

Consciência Negra e negros conscientes: nem sempre faces da mesma moeda!

Para as organizações negras, novembro é um mês emblemático, visto que no seu transcurso são desenvolvidas ações para celebrar o dia da Consciência Negra. Associado à morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores ícones da resistência à escravidão, o dia 20 de novembro foi definido como marco temporal da tomada de consciência em torno da seguinte questão: o que é ser negro no Brasil?

Por: Caio P. Oliveira e MC Ogiva.

Sem dúvida, esse é um questionamento que nunca perdeu ou perderá sua pertinência; pois, embora seja real que na última década nós negros conquistamos espaços que nos eram até então interditados, os obstáculos para conter nossa ascensão socioeconômica ainda continuam intactos. Contudo, devemos celebrar algumas conquistas: pela primeira vez na história do ensino superior brasileiro os negros são maioria nas universidades públicas. A universidade pública, espaço outrora hegemonicamente branco, enfim, passou a refletir com maior fidedignidade quantitativa a composição racial do país.

Todavia, estamos diante de um dado que precisa ser circunstanciado historicamente, sob o risco de tomarmos como dada uma realidade que demandou muita luta e conscientização para ser materializada. Assim, desde o final do século XIX, quando se deu a abolição da escravidão, ratificada em 13 de maio de 1888 através da Lei Imperial nº 3.353, a população negra vem buscando emancipar-se da condição marginal na qual foi imersa, encampando lutas por pautas fundamentais para a conquista da cidadania e questionando o lugar atribuído aos afrodescendentes na estruturação do Brasil como Estado-Nação. (mais…)

Um dia sem Rivotril

Se nos estagnamos indiferentes ao conhecimento, se acreditamos que já dominamos saberes suficientes para declinar todos os “verbos” inclusive, o intransitivo do “Existir” no presente do indicativo; se paramos de aprender, supondo já havermos atingido o ápice da sapiência e julgando que já nos abastamos à saciedade de doutos conhecimentos, coisa que nem os grandes sábios das ciências e filosofia conseguiram alcançar; é chegada a hora de procurarmos regularizar nosso Passaporte e solicitar um visto de entrada nalgum país de primeiro mundo, urgente.

Por: Mohammad Jamal.

Refiro-me a fixar residência e cidadania em um país, tecnológica, social, cultural, política e economicamente desenvolvido, com PIB, IDH ascendentes e promissores. Tipo Islândia; Hong Kong, China (SAR); Suécia; Cingapura; Holanda e (Países Baixos); Dinamarca; Canadá; Estados Unidos; Finlândia, etc. etc. e tal. Bem distantes dos índices medíocres de países da América Latina, dominados por quadrilhas políticas de esquerda e direita, gozando do apoio das Cartas Magnas Constitucionais desvirtuadas por PECs viciosas e convenientes legisladas em causa própria e mais a guarda e proteção da Justiça, que lhes assegura a permanência e retorno ao poder, à revelia dos crimes cometidos contra a economia do país e seu povo. Em sendo minoria aqui embaixo, não há razão alguma para ficar aqui gastando à toa a nossa combustível e farta sapiência sem a devida contrapartida social na escala do IDH.

Quem diz povo, diz muitas coisas: é esta uma expressão muito vasta, e fará espanto ver o muito do que ela abrange e até onde se estende o seu significado: há o povo que é o oposto dos grandes, e que é a populaça e a multidão; e há também o povo que é o oposto dos sábios, dos capazes e dos virtuosos, e, neste caso, tanto são povo os grandes como os pequenos. Os grandes governam-se pelo seu sentimento: almas ociosas, sobre as quais tudo faz de princípio, uma grande impressão. Se alguma coisa sucede, não falam senão disso, e falam demais, mas bem depressa começam a falar menos, e logo não falam mais, e mesmo nunca mais falam: a ação, conduta, trabalho, acontecimento, tudo é esquecido; não lhes peçam nunca nem correção, nem espírito de previsão, nem reflexão, nem reconhecimento, nem recompensa. Os juízos sobre certas pessoas vão aos dois extremos opostos; a sátira, depois de sua morte, é voz corrente entre o povo, ao mesmo tempo em que, nas abóbadas dos templos reboam os elogios fúnebres; muitas vezes, elas não merecem nem o libelo nem o discurso fúnebre: algumas vezes, porém, são igualmente dignas dos dois. No melhor resguardo do silêncio sobre os poderosos, haverá quase sempre alguma lisonja em dizer bem deles; e há perigo em dizer mal, enquanto vivem, e covardia, depois que morrem. (mais…)

Caneta Azul, funk, o Rap, as bundas cantantes, apedrejá-las por quê?

É nóis, amanhã”. Temos ouvido muita coisa que insistem teimosamente afirmar ser música da melhor qualidade. Muito surpreso, nos depararmos com os mais bizarros e poucos sutis textos musicados liderando as “paradas de sucessos” nacionais, fenômeno que também ocorre lá nas terras do tio Sam. Imagina! E para não transparecer fantasioso, vou citar alguns títulos, sem as devidas letras e “partituras”, evidentemente censuradas protegendo o recato e bom senso deste Blog: Desce daí seu corno e Eu levei foi gaia (Nenho); Fuleragem (MC WM); Caneta Azul (Manoel Gomes); Tum Tum Tum e, Papum (Kevinho); Joga Bunda (Aretuza Lovi); Zé Droguinha (Matheus Yurley); Popão Grandão (MC Neguinho do ITR); Vá Lavar o Toba e, pra finalizar, Posso te empurrar?* (MC Arraia).

Por: Mohammad Jamal

Todas essas celebridades musicais contam com centenas de milhares de execuções por dia e milhões de Reais arrecadados em Direitos Autorais, uma nina de diamantes! Fica uma questão. Esses “compositores”, cantores e suas temáticas místicas são prova inconteste da mediocrização cultural porque passa o Brasil ou somos nós, elitistas assustados com os temas bizarros e, além de invejosos, um bando de incompetentes incapazes de enriquecer vendendo cágados na Sibéria? Tenho cá minhas dúvidas.

Com Caneta Azul. Refletindo pedagogicamente sobre assunto tão premente, baladas, pancadões, paradas na noite, a evolução sociocultural de uma geração, etc. não encontro na gradiente evolutiva dos povos ditos culturalmente atrasados tampouco, dos muito atrasados, lapsos pontuais para sustentar uma análise sociológica no mínimo inteligível, porque racional, impossível. Aí lá me vou atrás de sustentação analógica naquele que é considerado o pai da química moderna, o francês, Antoine Laurent Lavoisier. (mais…)

Arbítrio, censura e pós-verdade robotomizada: o que mais esperar do nosso Mussolini tropical?

Mesmo tendo disposição para o debate político qualificado – daí decidir evitar rebater as verborragias que povoam as redes sociais, manifestadas com refinada ignorância pelos mínios – tornou-se impossível não qualificar de fascista o governo Bolsonaro. Reunindo atributos   ideologicamente identificados com o sistema doutrinário forjado por Benito Mussolini, numa Itália combalida pela I Guerra (1924-1918), o “mito” comporta-se como uma encarnação tropical do líder fascista italiano, porém em constante metamorfose catalisada pela força das conveniências.

Por Caio Pinheiro.

Como um animal político camaleônico, Bolsonaro encarna facetas que remetem a figuras históricas controversas. Hora Mussolini, hora Carlos Lacerda (líder entreguista da UDN, inimigo de primeira do nacionalismo varguista), hora Jânio Quadros (presidente eleito pela UDN e defensor de uma pauta extremante moralizante, mas incompetente administrativamente), hora Hitler (arquiteto do nazismo e responsáveis por todos os males que causou), hora Plínio Salgado (propositor do integralismo, movimento político que traduziu no país o pensamento nazifascista), hora paladino da luta contra corrupção, e hora que soma-se às horas em que não responde a simples pergunta: cadê Queiroz?  E assim segue o Brasil presidido por um camaleão, que muda o tempo todo sem conseguir mudar o quadro de desestruturação do país.

Os dias passam e o séquito dos desempregados aumenta. Já temos 14 milhões de cidadãos nessa condição aviltante. A economia patina no mar gelado das incertezas macroeconômicas do Chicago Boy Paulo Guedes. Fica cada vez mais claro a impossibilidade de se reorientar economicamente o país com ladainhas. A reforma trabalhista a curto e médio prazo foi incapaz de gerar os empregos prometidos. Agora as apostas estão voltadas para a nova previdência. Espera-se um milagre. Os investimentos estrangeiros são aguardados enquanto uma manifestação miraculosa. Em resumo, nossos liberais pensam da seguinte forma: arrumemos a casa para recebermos os ocupantes dos quartos que não sabemos quem são, quando e se virão.

Politicamente, mantendo seu discurso moralista, Bolsonaro asfixia-se nas próprias incongruências. Prometeu um governo de puritanos, mas nos fez engolir um conjunto de ministros suspeitos e condenados. Dos seus 22 ministros, seis enfrentam acusações na justiça. São casos que suscitaram processos e investigações por caixa dois, improbidade administrativa, desvio de recursos públicos e irregularidades em negócios com fundos de pensão. Algumas situações são escabrosas, destacando a do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), aquele do laranjal, acusado de se apropriar dos recursos do fundo partidário destinados às candidaturas femininas do PSL.

Outro infortúnio digno de nota é o vivido pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, que enfrenta uma ação civil pública ajuizada pelo MPF (Ministério Público Federal) em virtude da suspensão do edital da Ancine para produções de audiovisual que tinha como principais beneficiárias emissoras e televisão públicas. Considerada como a primeira medida de censura praticada pelo governo Bolsonaro, causou prejuízo aos cofres públicos uma vez que o governo federal já havia gastado R$ 1,8 milhões na análise de 613 propostas que disputavam o edital. (mais…)

Dialogar com sonhos, “Navegar é preciso, viver não é preciso” (*)

Esta semana um grande amigo que não gosta de festas ou comemorações fez aniversário, mas nem por seu recato, temperamento resguardado na singeleza discreta das suas condutas, não pôde escapar de afetuosa comemoração. Foi ele quem me ensinou a ler e escrever de carreirinha! Sei que ele não gosta que o perfilemos segundo a impressão que nos causa, mas digo: É elegante, terno e amorosamente romântico, às vezes apaixonado, é capaz das maiores demonstrações de violência e dramaticidade; embora a distimia o faça triste e depressivo, o contraponto da bipolaridade emocional arrebatamentos dramáticos; sua personalidade multifacetada o faz ir das lágrimas copiosas aos êxtases de felicidade entre beijos e afagos. A personagem, amiga, admirada, amada e cultuada, atemporal porque nunca envelhece, é o Livro. Dia 29, ontem, foi seu aniversário, O Dia do Livro.

Por: Mohammad Jamal.

Assim, com a física quântica dos sonhos e tendo o Universo Numa Casca de Noz (Stephen Hawking) eu dobro o espaço tempo. Viajo pelo mundo na caravela de Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen cujas aventuras foram compiladas por Rudolph Erich Raspe e publicadas em Londres em 1785. Aceito a minha própria companhia e, compreendendo-a, comprazemo-nos maravilhados empreendendo distantes viagens míticas ao tempo e espaço etéreo, o universo da literatura.

Bons amigos e parceiros, fomos à Pérsia do grande conquistador Alexandre, O Grande, com quem aprendemos uma célebre e inesquecível frase: “Ladrão, é também aquele que faz da genialidade de outro; a sua própria.”. Foi entre a Pérsia antiga e a França que em 1721 conhecemos dois amigos missivistas muito fluentes e satíricos, Rica e Usbek – Cartas Persas – (Montesquieu). Um fino traço irônico é explicitado logo na primeira carta: “Somos Rica e eu talvez os primeiros persas que, levados da sede de aprender, saímos do nosso país, abandonando as doçuras de uma vida sossegada para afadigar-nos em busca a sabedoria” (MONTESQUIEU, p. 31). Também fomos a Roma onde conhecemos Calpurnia, bem muxibenta, um caco, terceira esposa de Júlio Cesar. Aquele que se engraçou perdidamente pelos encantos de uma egípcia fogosa, gostosona, uma potranca no cio, e depois “sifu” no senado onde ardiam de inveja das suas fornicações e poder e urdiam sua queda em golpe violento. Com muito sangue, Cesar foi apunhalado no corredor do senado, inclusive por Brutus, seu filho adotivo; coisa parecida com o controle de natalidade aplicado pela PM que acontece na Cidade de Deus/RJ. Fomos ao Coliseu, más lá só vimos centuriões exibicionistas vestindo minissaias, sem calcinha, um horror. Nada de shows. Estavam em falta de material humano, figurantes cristãos, para contracenar com os leões. (mais…)

Escolas públicas militares e escolas públicas civis

Temos assistido, nos últimos anos, a um aumento considerável do número de colégios públicos que passaram a ser geridos pelas polícias militares estaduais, tal como ocorre, aqui em Ilhéus, com o CPM Rômulo Galvão, no bairro do Pontal.

Por: Julio Gomes

Essa militarização do ensino público, como quase tudo na vida, apresenta aspectos positivos e negativos, que podem ser melhor avaliados quando comparamos as escolas militarizadas com aqueloutras que continuam sendo administradas unicamente por educadores que são servidores públicos civis.

Em primeiro lugar, como ponto positivo a chamar a atenção para as escolas militarizadas, salta aos olhos a elevada disciplina de praticamente todos os envolvidos no processo educacional: alunos, professores, diretores, funcionários administrativos e de apoio, estendendo-se, creio, até à parte da comunidade envolvida e às famílias, em maior ou menor grau.

Este aspecto contrasta fortemente com o clima de certa indisciplina que encontramos na maior parte das escolas públicas civis, onde alunos se comportam de forma quase sem limite e, não raro, os próprios agentes públicos envolvidos no processo educacional não tratam com o zelo ideal o exercício de sua importante função. (mais…)

O aniversário de Lula e o que sobrou de nossas instituições

Ontem nas mais diversas cidades do Brasil e em várias das principais cidades do mundo se comemorou, publicamente, o aniversário de 74 anos de Lula, que se encontra, naquela mesma data, preso há 568 dias no distante estado do Paraná.

Por: Julio Gomes

Longe de tornar-se uma manifestação de culto à persona do líder, como é comum vermos na política, sobretudo quando o líder se encontra exercendo o poder – tal como ocorre tanto nas ditaduras totalitárias quanto em pequenas cidades do interior, onde os poderosos do dia são bajulados em busca de uma retribuição em forma de cargo remunerado – os atos em torno do aniversário do ex-Presidente assumiram um caráter bem diverso, que vai muito além da sua pessoa.

De fato, Lula foi brilhante quando, ao discursar em um dos mais significativos momentos da vida política brasileira, antes de entregar-se às forças policiais que o levariam para a carceragem em Curitiba, afirmou ipisis literis que “Eu não sou um ser humano, sou uma ideia. E não adianta tentar acabar com as ideias”. As comemorações do dia de ontem mostraram exatamente isso. (mais…)

Desmistificando o “déficit” e a crise da Previdência Social

Desmistificando o “déficit” e a crise da Previdência Social[1]

Sérgio Ricardo Ribeiro Lima[2]

Ricardo Candea Sá Barreto[3]

Atribui-se a Joseph Goebbels, político e ministro da propaganda do Partido Nazista na Alemanha, de 1933 a 1945, a seguinte frase que atravessou décadas: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Essa frase parece estar na ordem do dia.

Parece-me que virou um consenso a afirmação de que a Previdência Social é deficitária e se não for feita uma reforma urgentemente, o sistema previdenciário entrará em colapso. Não se trata de que não seja necessária uma reforma, mas, o que se questiona, é o artifício usado pelo governo para justificar a reforma e, mais ainda, a natureza dessa reforma que foi aprovada, no Congresso e no Senado.

O objetivo dessa resenha é desmistificar o discurso da falência da Previdência Social e mostrar, através de dados oficiais e com base na Constituição Federal de 1988, que, ao contrário do que se vem alardeando, a Previdência Social não está em crise nem é deficitária. O texto abaixo foi inspirado no livro que lançamos (apenas por meio eletrônico e gratuito) em setembro deste ano, sobre este tema.

A aprovação do Sistema de Seguridade Social e seu respectivo Orçamento, de várias fontes além das fontes tradicionais (trabalhadores, empresas e Estado), representou um avanço significativo para o sistema de saúde e de aposentadoria do cidadão brasileiro. Na realidade, o povo brasileiro, a partir dos avanços sociais na Constituição de 1988, passou a vivenciar o início de um Sistema de Proteção Social amplo. Avanço social conquistado pelos trabalhadores europeus, conhecido pelos 30 Anos Dourados, após a Segunda Guerra Mundial, até final da década de 1960, quando o capitalismo novamente entra em crise. (mais…)

O simulacro de procto-arma. O dedo ameaçador e o simbolismo do falo agressivo

As perdas momentâneas do autocontrole, do equilíbrio emocional, da razão ou, o tal do “ir pra cima”, tinham até recente passado, raras e pontuais ocorrências episódicas. Com o evoluir do tempo, passou à condição de usual e corriqueira, sobretudo quando nos referimos às emolduradas classes sociais mais altas e, àquelas ligadas ao poder político direta ou indiretamente, cujas personagens são mais susceptíveis e vulneráveis a esses convulsivos chiliques midiáticos. Não raro, essas refregas de furor na sua quase totalidade, não passem de simbólicos cânticos de guerra territorialista, como o dos pássaros que delimitam suas áreas de alimentação ou dos sapos-boi que bufam contra invasores que se insinuam para suas sapas no seu charco.

Por: Mohammad Jamal.

Nada que se conclua em olho roxo; dentes amolecidos, galos e pintos à cabeça (pintos galinhos) ou coisa que exija uma visitinha ao médico particular ou o disfarçar-se atrás de um óculo escuro de alguma grife famosa tipo Maui Jim; Oakley; Fendi ou Prada, dentre outras preciosidades mais caras do mundo Top. Chilique é coisa de gente chique; grã-fina e importante. Não é pra nós não. Aqui em baixo, no proletariado, agente sai é no pau, na porrada mesmo; depois vai pra fila do SUS, sem frescuras ou pudores tomar uns pontos; curar as lesões corporais, sem B. Os. Raras diferenças ficam pra depois. (mais…)

Governos, perguntem ao Nazal

Atitudes patéticas cometem os governos da Bahia e de Ilhéus ao anunciarem a construção de um novo presídio no município de Ilhéus, o que demonstra a falta de competência para gerir assuntos nem tão complicados. Inicialmente, o local definido foi próximo à BA-262, rodovia que liga Ilhéus a Uruçuca e onde o próprio Governo do Estado da Bahia desenvolve o projeto turístico Estrada do Chocolate.

Por Walmir Rosário

Com os protestos dos investidores interessados em participar dessa nova ação turística importante para o Sul da Bahia, eis que a Prefeitura de Ilhéus e o Governo do Estado, de forma atabalhoada, anunciam um novo local: às proximidades na BR-415, a Rodovia Jorge Amado, uma “avenida” que liga Ilhéus a Itabuna. Nada mais impróprio para a escolha tão burlesca para a localização.

Antes de entrar no mérito da questão, minha humilde mas acertada indicação aos tão perdidos governantes é que “baixem a bola” e procurem quem realmente conhece do riscado para localizar o novo conjunto penal. E eles sabem muito bem de quem estou falando: do vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal, um estudioso da região, notadamente de Ilhéus, que conhece todas as nuances do “território ilheense”.

Lembro que até há bem pouco tempo, sempre que o Governo do Estado pretendia implantar um equipamento público num dos seus municípios, enviava seus técnicos à Prefeitura para a escolha de um local adequado. E não se tratava de simples deferência e sim de uma série de informações, que iam desde a logística, a propriedade, a conveniência e o planejamento socioeconômico da área. (mais…)

Santa Irmã Dulce, como é importante teu exemplo de amor!

Neste mundo voltado para bens materiais e para os prazeres do corpo, onde o dinheiro parece ser um Deus com razões e ações próprias, cotidianamente cultuado com o nome de Mercado; e no qual somente importa para muitos a gula, o orgasmo ou a sensação de ilusória de felicidade, artificialmente obtida por meio do uso de uma infinidade de drogas cada vez mais potentes e destruidoras, parece não haver lugar para o amor ao próximo.

Por: Julio Gomes

Fechados em nosso egoísmo sem limites, dissimulado pela necessidade de obter os bens necessários à nossa sobrevivência, encontramos nesse mister a desculpa, o álibi perfeito para darmos as costas a tudo e a todos, baseados na máxima de que cada um deve cuidar de si, como se não vivêssemos em sociedade e não precisássemos, em todos os instantes, uns dos outros.

Irmã Dulce, desde o início, contrariou a lógica do egoísmo, do prazer, do lucro, da vaidade, vivendo e exemplificando os mais admiráveis valores pregados por Jesus Cristo. (mais…)

As sementes malditas, o arroz amargo, o pirão com sabor de sangue.

Por Mohammad Jamal.

Mesmo aqueles desatentos, cabeças ao vento, nem aí de preocupação com o alerta daquela canção soberba e dramática do famoso compositor, Nenho; “Desça daí, seu corno”, tampouco aqueles seguidores fanáticos dos receituários de “influencers” que lhes recomendam e incutem as coreografias da respiração, do cagar, do copular, do penteado, ate da assunção das intersexualidades; das distopias e do refutar a classificação dos gêneros, reconhecidamente, eméritos parasitas das redes sociais, já se aperceberam dos perigos que se nos avizinham. Ate mesmo eles, os internautas de celular, já sentiram o cheiro de cachorro molhado e escutaram à distância os uivos das matilhas de lobos famintos, sedentos por nosso sangue, nossos votos, nosso dinheiro suado no Fundo Partidário e o poder que lhes conferimos por eleição.

 

A arte de governar os povos é mutagênica. Pois é, lá vem ela, D. Política, corporificada com o espírito de Tomás de Torquemada (1420) beber nosso sangue enquanto atocha sem dó ou mínima piedade um falo enorme no combalido ovopositor do povo. A política, no caso do Brasil, não pode ser configurada como um desvio de personalidade porquanto se caracteriza reconhecidamente como uma tara degenerativa rumo à depravação absoluta da moral. É o que vemos com algum estarrecimento tardio. Sendo que, o pior é não nos apercebermos que a política para o eleitor é apenas um fato consumado. Você já pensou em algo que possa reverter ou, minimamente, diminuir os danos continuados praticados pelos políticos, aqueles mesmos que você elegeu? Mas fala sério. Análises pomposas expelidas por articulistas famosos nas principais mídias do país; críticas, apupos e opróbrios, xingamentos, rogo de pragas terríveis tipo o “flagelo de Allah”, ações judiciais, denuncias por improbidade, roubo configurado pela materialidade das provas… Mas eles continuam lá, mamando macio à custa do nosso suado dinheirinho extorquido friamente na forma de impostos e até dos milhões de trabalhadores na informalidade e dos 11,5 Mi de desempregados que não escapam à cobrança. (mais…)

O trabalho escravo e a proposta de extinção da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho

A Região Cacaueira e o Brasil assistiram, em fins de setembro e início de outubro deste ano de 2019, às denúncias veiculadas na imprensa sobre a existência de trabalho análogo às condições de escravo em fazendas situadas nos municípios de Uruçuca e Ilhéus.

POR: JÚLIO GOMES

Atentatórias aos mais elementares princípios de dignidade humana, a condição de extrema penúria, a precaríssima de higiene e, sobretudo, a dependência absoluta e a falta de liberdade para romper a relação de trabalho a que se encontravam submetidos, fazem com que estes trabalhadores e trabalhadoras estejam, de fato, assemelhados a escravos em pleno Século XXI, o que além de configurar a prática de um gravíssimo ilícito, causa forte repulsa a qualquer pessoa dotada de um mínimo de sensibilidade.

O perfil das pessoas encontradas nessa condição desumana é invariavelmente o mesmo: descendente direto de africanos ou de indígenas, analfabetos totais ou funcionais, pessoas desprovidas das mais elementares noções de direito e, também por conta disso, cruelmente exploradas, sendo tratadas unicamente como fonte de lucros, da forma mais abjeta possível. (mais…)

Escolas cívico-militares: castrar ou educar?

Quais os fundamentos do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares? Lançado pelo presidente Jair Bolsonaro, com o apoio entusiasmado do seu vice-presidente General Amilton Mourão, no dia 05 de setembro do ano corrente, o projeto atiçou debates entre especialistas da área. Vozes consonantes e dissonantes se levantaram.

 

Por: Nicole Rodrigues Vieira.

Em termos práticos – ou ideologicamente pragmáticos – a expectativa é que 216 escolas de educação básica estejam funcionando pelo sistema até 2023. Entretanto, esse número parece apenas um exercício de fala, pois quando questionado sobre a origem da dotação orçamentária que subsidiará a iniciativa, o ministro da educação Abraham Weintraub não conseguiu explicar, limitando-se apenas em afirmar querer que 10% das escolas do país estejam no programa até o final de 2026. O curioso é que para este cálculo, o ministro já considera a reeleição de Jair Bolsonaro como certa, além de não informar quantas instituições esses 10% representam.

A adesão das escolas ao programa depende da anuência dos estados. Cada estado poderá indicar duas instituições para participar do projeto piloto já em 2020. Para este fim, as escolas devem ter entre 500 e mil alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e/ ou ensino médio. Ademais, antes da adesão será necessária uma consulta pública para verificar se a comunidade escolar aceita aderir ao programa. Esse critério parece ser um suspiro de democracia e preservação da autonomia escolar num momento onde o controle da educação tem como meta dificultar a formação de cidadãos críticos e reflexivos.

Na visão do governo as escolas cívico-militares melhorarão a educação básica do país, visto que fortalecerá o vínculo entre gestores, professores, militares, estudantes e até mesmo pais e responsáveis. Tomado como de excelência, o modelo vai abranger as áreas didático-pedagógica, educacional e administrativa, tendo como foco preferencial regiões que apresentam situações de vulnerabilidade social e baixos Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). (mais…)