Todo o respeito e amor a Maria, mãe de Jesus

Jesus é sempre modelo: de ser humano, de amigo, de companheiro, de conduta, e não deixaria de sê-lo como filho.

Por Julio Gomes.

Dia 15 de setembro é celebrado, tradicionalmente, como sendo o dia em que os cristãos, especialmente católicos, se voltam para Nossa Senhora, para Maria, mãe de Jesus, com especial enfoque em seu sofrimento em razão do sacrifício e morte do filho amado.

Libertando-nos da visão católica acerca desta data e dos acontecimentos que a ensejaram, porém sem desprezar o referencial histórico, cultural e religioso que a religião sediada em Roma nos legou, trazemos aqui algumas reflexões de cristão liberto de amarras dogmáticas e voltado, sobretudo, para Jesus e sua incomparável mãe.

Jesus, em nossa visão de homem, de historiador e de pessoa, foi o ser humano perfeito. O único em tal condição a pisar sobre a Terra, posto que todos nós outros – sem exceções – temos defeitos e erros, seja eles mais ou menos evidentes.

O mestre, sendo perfeito, além de nos mostrar o Caminho a ser seguido mediante seu exemplo e a doação de sua própria vida, não descuidou de seus deveres de homem, de cidadão e de filho para com a pessoa de sua família que, ao tempo de sua morte, necessitava de sua assistência: sua mãe. (mais…)

Estou com dinheiro, estou bem!?

Ao chegar à casa do assistido, o preletor viu que se tratava de suntuosa mansão de grandes muros e largos portões, em que adentrou. Saltando de seu carro, divisou grande e elegante casa de dois pavimentos, cercada por piscinas, jardins e nobres recantos

Por Julio Gomes.

Quando criança, e em boa parte de minha adolescência, muitas vezes ouvi meus parentes mais próximos, sobretudo os mais idosos, dizerem: fulano está muito bem. Mora em tal lugar, tem uma ótima renda, tem patrimônio, está muito bem mesmo!

Como se tratava da conversa de pessoas mais velhas, limitava-me a ouvir calado, como ocorria antigamente. Mas a boca fechada a indagações não impedia que elas se represassem na alma, achando algo estranho, incompleto ou mesmo simplesmente desprovido de sentido naquelas palavras, embora não conseguisse, àquela altura da vida, formular nem compreender claramente tais conceitos.

Passaram os anos. Estudei, trabalhei, me formei, fui pai e casei (não necessariamente nesta ordem) e fui em busca do sustento da família, como devem fazer todas as pessoas responsáveis por um lar.

Mas a lembrança e a desconfiança para com a expressão “fulano está com dinheiro, está bem”, nunca saiu de dentro de mim, permaneceu latente.

Há não muito tempo atrás, ao assistir uma palestra em uma instituição religiosa, quando já contava mais de 50 anos, o relato do palestrante me fez visitar novamente àquele questionamento represado em meu ser.

Dizia o palestrante que fora convocado a prestar assistência religiosa a determinada pessoa, que se encontrava muito mal de saúde, em deplorável estado psicológico e sem paz de espírito.

Ambos moravam no interior de São Paulo, assistente e assistido, porém há cerca de 300 km de distância entre si, o que fez com que, inicialmente, o responsável por ministrar a assistência religiosa resistisse ao convite. Porém, instado por instâncias superiores, apesar de um tanto contrafeito, não poderia, em virtude de seu compromisso cristão, se recusar à empreitada. (mais…)

As religiões, o crime e cada um de nós

Uma pastora evangélica. Um padre católico. Um médium espírita.

Por Julio Gomes.

Causou forte comoção em todo o Brasil o caso da líder evangélica e Deputada Federal pastora Flordelis, eleita em 2018 pelo PSD do Rio de Janeiro – a Mulher mais votada naquele estado, com quase de 200 mil votos – que hoje se encontra indiciada pela Polícia e denunciada pelo Ministério Público sob a grave acusação de ter sido a mentora e, junto com os demais membros de sua família, ter assassinado seu próprio marido, o pastor Anderson do Carmo.

Também recentemente tornou-se um escândalo de proporções nacionais a acusação que recaiu sobre o padre Robson de Oliveira, responsável pelo Santuário Basílica de Trindade, em Goiânia. Fundador e presidente da Afipe, entidade responsável pelo Santuário, o religioso, além de ter de explicar a compra de fazendas, casas de praia e outros imóveis de luxo, também é acusado de, sob extorsão por parte de um homem com quem mantinha um relacionamento, ter desviado a alta soma de 120 milhões doados por fiéis àquela entidade.

Por fim, há o caso do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, acusado de ter cometido mais de 300 estupros e recentemente condenado a 40 anos de reclusão em regime fechado por ter estuprado cinco mulheres durante “atendimentos espirituais” em Abadiânia (GO), segundo informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça de Goiás.

Uma pastora evangélica. Um padre católico. Um médium espírita.

Não, não venham agora dizer que eles não são ligados às instituições pelas quais se tornaram conhecidos, porque até antes de cada escândalo – ou crime – nenhuma pessoa, em nenhuma destas três respeitáveis correntes religiosas, jamais os desautorizou ou se pronunciou fazendo qualquer tipo de ressalva às suas condutas. (mais…)

Concessionária de Corpos

Se você leu Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo); George Orwell (1984); Júlio Verne (Vinte mil léguas submarinas); Franz Kafka (O Processo); H. G. Wells (A guerra dos mundos), Machado de Assis (O Alienista) e por aí vai… Entenderá perfeitamente os porquês e as influências que me levam a mergulhar na ficção possível, quase risível e algo relaxada que nos aguarda numa não tão distante posteridade, o amanhã. A fábrica de corpos.

Por Mohammad Jamal.

Esse surpreendente Mundo Novo. Estamos vivendo um mundo diferente daquele que foi objeto e inspiração para a obra de George Orwell descrita no livro 1984; à época, assustadoramente realista e chocante. De lá pra cá a humanidade avançou claudicante no âmbito das ideologias e quase estagnou no humanismo e nas relações internacionais onde predomina agressivamente um feroz colonialismo individualista pelo poder absoluto e a caça irrestrita pelo domínio dos bens de capital e recursos naturais dos países abaixo da sua linha de poder. Simultaneamente, ao poderio avassalador das armas e do capital agregam-se os avanços tecnológicos no campo da cibernética, da automação, das pesquisas no campo da medicina e farmacologia, incluindo-se aí o mapeamento dos genomas com a biotecnologia celular e molecular e o desenvolvimento das armas de destruição em massa, via energia atômica e a malignidade mortal das bactérias e vírus para uso estratégico sobre as massas. Algo semelhante tal como vemos agora nesse pipocar de vacinas para a Covid custeadas por financiamentos a fundos perdidos com milhões de dólares pelos governos dos países mais ricos e uns poucos gatos pingados, em desenvolvimento, na ânsia de evitar a falência das suas já combalidas economias.

O livro 1984, nessa “atualidade”, passou a condizer-se como sucinto relato da sociopolítica antiquada e sobejamente superada porquanto ainda baseada na recondução primitiva dos indivíduos a uma ressocialização conveniente ao ‘sistema’ através a infringência de privações fisiológicas, dor e o sofrimento físico e psicológico ao proletariado. Metodologia muito comum na Idade Média, depois ressuscitada e largamente empregada durante a dominação do ditador sanguinário Stálin para submeter o povo russo, dentre alguns outros semelhantes com idênticas metodologias que também fizeram suas histórias escritas com sangue humano, Haile Selassie; Idi Amin; Saddam Hussein, al-Gaddafi, etc. Diferente neste contexto, a geopolítica da União Soviética se refletiu na escolha do modelo econômico soviético, concebido originalmente para garantir a sobrevivência da URSS num contexto de quase autarquia, atenuo.

Só como o que me faz bem! Mas neste artigo – parêntese, por favor – porque abominei; não suporto mais ver por isso não leio nem ouço mais nada sobre a “Cov”, faz tempo; porque essas saturações impositivas das mídias pelos próprios interesses e audiência, tanto quando em sendo usadas como veículos dos interesses políticos financeiros predominantes, apenas se prestam a incutir e disseminar o desespero coletivo e agravando o sofrimento e angustiando mais a população diante de um problema gravíssimo de saúde pública cuja solução nos transparece longe, mesmo quando, precipitadamente, os interessados nos grandes negócios buscam desenvolver o remédio milagroso que será vendido a peso de ouro, enquanto os efeitos colaterais imprevistos, “Allah wahdah yaelam”, só Deus sabe. (mais…)

Não é só com você, todas as pessoas estão assim

Por fim, as perdas causadas pela Covid-19, que antes ocorriam na Europa, nos EUA, em São Paulo, agora acontecem com amigos, com vizinhos, com pessoas que estudaram e trabalharam conosco, com parentes próximos. Penso que não há como agir de forma “normal” em uma situação como esta.

Por Julio Gomes.

Tenho visto, ao longo das últimas semanas, pessoas se queixando de forma recorrente das mesmas coisas: insônia, dores de cabeça, angústia, nervosismo, apetite descontrolado, grande ansiedade, ausência de vontade de trabalhar e queda na produtividade, alheamento geral e uma falta de paciência que a qualquer momento pode resultar em grave discussão no ambiente doméstico ou no local de trabalho.

Bem, em primeiro lugar, uma boa notícia: isto prova que você é um ser humano dotado de sensibilidade, que não reage de forma fria, insensível aos acontecimentos à sua volta.

O preço da atenção para com o próximo, da preocupação com a comunidade, com o bem comum, é uma certa angústia, porque o mundo não é um mar de rosas, e porque grande parte dos problemas que temos – eu diria que a imensa maioria – são causados ou por nós mesmos, por nossa má conduta; ou pelos outros que, na vida em comum, fazem com que seus erros recaiam sobre nós.

Todas as dificuldades, sentimentos negativos e frustrações que vivenciamos no momento atual têm justificativas plausíveis: perdemos cerca de 110 mil pessoas para a Covid-19, nosso país está com a economia em frangalhos, o desemprego aumenta vertiginosamente e a realidade política do Brasil só nos dá desgostos, decepções e uma total incerteza quanto ao que acontecerá no futuro.

Por fim, as perdas causadas pela Covid-19, que antes ocorriam na Europa, nos EUA, em São Paulo, agora acontecem com amigos, com vizinhos, com pessoas que estudaram e trabalharam conosco, com parentes próximos. Penso que não há como agir de forma “normal” em uma situação como esta.

Digo tudo isso para que você não se exaspere com suas enxaquecas cada vez mais frequentes. Para que não se agaste com a insônia que te acorda às 2:30 da madrugada e não te deixa mais dormir.

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As drogas e a vida: onde estão os limites?

Nessa fase adulta e difícil da vida a droga estará presente, de uma ou outra forma. E o que ela tem para nos oferecer? Soluções? Despesas? Fugas? Alienação? Um pouco de alegria? Ou a derrota total?

Por Julio Gomes.

A vida começa com a plena força da juventude, com uma explosão incontrolável de hormônios e energia, com uma sede sem fim de viver aventuras, experiências, de combater por tudo aquilo em que acreditamos ou que queremos com todas as forças, de forma temerariamente ilimitada.

Ainda no início da juventude, como que em um ritual de passagem para nos tornarmos adultos, travamos um inevitável contato com as bebidas alcoólicas, normalmente apresentadas a nós por nossos pais ou parentes mais próximos, desde a infância. Não, eles não precisam nos oferecer, basta que consumam em nossa presença, pois os exemplos são mais eficazes do que as palavras.

Os primeiros contatos com as bebidas são sempre festejados, lúdicos, um desafio vencido! Daí podemos ou não progredir no uso do álcool, ou passarmos ao consumo de outras drogas, normalmente a maconha, mais popular e muito acessível.

Outros, querendo afirmar-se como “homens” ou “mulheres”, ou talvez por determinação biológica, seguirão rumo a drogas mais potentes, onde o consumo não é tido como social, mas gera um outro mundo em torno de si, absorvendo física e psicologicamente a muitos dos que nele adentram, amiúde sem retorno.

O roteiro acima, seja por experiência própria, de alguém bem próximo ou por ouvir dizer, é do conhecimento de todos, sem exceções. Por que, então, falar sobre isso?

Porque entre a juventude e a maturidade há um aumento crucial da responsabilidade, dos problemas, das dificuldades a serem superadas e de sua variedade, seja quanto à sobrevivência econômica, seja quanto ao lugar que ocupamos na sociedade, seja com o aumento da complexidade no relacionamento com as demais pessoas e com o mundo. O fato é que a vida vai recrudescendo, exigindo, decepcionando, marcando a ferro e fogo e ninguém escapa disso, por mais que poste fotos sorridentes nas redes sociais. (mais…)

Cacá Colchões e a promessa de 11 mil empregos

Cacá reedita a velha tática dos empregos futuros.

Por Emilio Gusmão.

O pré-candidato a prefeito de Ilhéus, Cacá Colchões (PP), desenvolveu de maneira considerável a capacidade de oratória. A voz aguda, cujo tom destoa do grave jabista, ganhou boa dicção, fôlego e convicções.

A respiração no ritmo normal é digna de nota, pois Cacá sofreu durante 20 dias num leito hospitalar. Contaminado pelo SarsCov-2, foi internado em leito de UTI como medida preventiva.

Recuperado, Cacá encheu-se de otimismo e tem feito várias promessas sem gaguejar. Uma em especial instigou o meu senso crítico.

Em plena crise sanitária, com a economia em crise e sem perspectiva de retomada, o candidato promete gerar 11 mil empregos, em 8 anos, por meio de um parque industrial que seria instalado no limite territorial com Itabuna, numa área que faz parte da Fazenda Primavera.

Observadores atentos do panorama econômico brasileiro destacam que nos últimos 30 anos, o setor industrial vem diminuindo sua importância no Produto Interno Bruto (PIB). O país passa por um processo de reprimarização que notabiliza o agronegócio e a exportação de commodities como fontes da riqueza nacional.

O pensamento econômico neoliberal, digno de minha repulsa, mas vigente, também estabeleceu um paradigma chamado “custo Brasil”. Por essa ótica, a atividade empresarial não cresce como deveria no país devido ao valor da mão de obra. Empregos formais oneram as grandes empresas, que sem alternativa interna, procuram outros territórios cujas leis trabalhistas foram precarizadas e permitem maior exploração da força de trabalho humana. Na América do Sul, o Paraguai tem se destacado como exemplo do modelo chinês, com um atrativo a mais: energia elétrica de custo mais baixo propiciada pela Usina de Itaipu.

Outra constatação que joga por terra o devaneio eleitoral de Cacá é a Quarta Revolução Industrial. Pelo mundo afora, o chão de fábrica deixou de ser o ambiente típico do trabalho contemporâneo e as indústrias já não empregam na mesma proporção de antes.

Segundo Klaus Schwab, consultor do Fórum Econômico Mundial, em 1990 as três maiores empresas de Detroit (EUA) possuíam capitalização de mercado combinada (CMB) de US$ 36 bilhões, faturamento US$ 250 bilhões e 1,2 milhão de empregados. Já em 2014, as três maiores empresas do Vale do Silício (também nos EUA) possuíam CMB de US$ 1,09 trilhão, faturamento US$ 247 bilhões e bem menos empregados, 137 mil.

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Chega!

Talvez meu desamor eterno a essa visão de mundo chamada “senso comum”, coisa sem validade comprovada e, igualmente, aos conselhos da Globo e ao que certas pessoas, por conta própria, estabeleceram como verdade verdadeira, me force a ir na contramão de tal “sabedoria”.

Por Antônio Lopes.

Em geral, as pessoas costumam fazer planos de vida na passagem de um ano para o outro (planos que, em geral, não cumprem!). Eu, diante dos aborrecimentos que tive em dias recentes, resolvi fazer os meus (e cumpri-los), doa a quem doer, mas esperando não causar dor a ninguém.

O indivíduo, salvo a exceção dos que nascem em berço nobre, não eu, que sempre estive mais perto da Senzala do que da Casa Grande, se chega à idade madura, enfrenta um dilema meio shakespeariano de fazer ou não fazer (o que quer): quase sempre não o faz, pois são grandes as pressões familiares, de trabalho ou, por último mas nã menos importante, a falta de condições financeiras. Este é um país capitalista que, pelas ideias do facínora que nos dirige, só nos deixará livre o pensamento – até o uso da praia tende a ser tributado, passando a ser território dos ricos.

É regra sabida que os idosos têm de ser protegidos, empacotados em meias, cachecol, galochas, canja de galinha, chazinho de camomila, essas coisas. Nada de comida “pesada”, sendo o máximo da farra chegar ao peito de frango grelhado e salada crua. Bebida alcoólica, nem pensar. Uma dose de uísque, então, é pôr na cova os dois pés, e nunca mais os tirar.

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Considerações sobre os testes para coronavírus realizados nas escolas estaduais em Ilhéus: é possível voltar às aulas?

Entretanto, como o Governo do estado da Bahia decidiu pela aplicação do teste rápido, é de se supor que levará em consideração a possível margem de erro, mas que está em busca de números que, de forma ampla e rápida, permitam um diagnóstico, ainda que não seja 100% exato, de como estão os níveis de infecção nas comunidades escolares.

Por Julio Gomes.

Na segunda-feira, dia 10/08/2020, o Estado da Bahia iniciou uma ampla testagem entre professores, alunos e funcionários de apoio que trabalham nas escolas estaduais situadas em Ilhéus, em um processo de coleta de resultados que deverá se estender até a próxima semana.

Como o ciclo de testagem não foi concluído, não temos ainda o resultado geral. Mas faremos algumas considerações com base nos números disponibilizados até agora pelos veículos de imprensa Bahia OnLine, O Tabuleiro e A Tarde. Vamos aos números.

Segundo o conceituado Jornal A Tarde, em sua versão eletrônica publicada em 14/08/2020, “Até o momento, o Estado já detectou que em um total de 966 estudantes avaliados, 271 testaram positivo; dos 322 professores, 24 apresentam o vírus no organismo; e entre 161 trabalhadores em Educação, 16 também testaram positivo”.

Em um resumo dos números acima, aponta o jornal A Tarde que “Do total de 1.449 testes para o Coronavírus realizados na comunidade escolar da rede estadual de Ilhéus, 311 tiveram resultado positivo. Isto significa que a cada 100 pessoas testadas nos três primeiros dias, 21 estão infectadas e assintomáticas”.

Sabemos que os testes rápidos podem ser imprecisos, tendo margem de erro maior. O ideal seria aplicar o teste PCR, padrão ouro, mais complexo, mais caro e também bem mais confiável quanto aos resultados apresentados. (mais…)

Vampiros, eles estão aqui.

Há quem se questione por que diabos é tão difícil ser uma pessoa perfeita – boa; amorosa e que ajuda a todos sem nada esperar. Se você é um desses, não se apoquente. Como Fiódor Dostoiévski prova em “O idiota”, ser perfeito não é bom. Melhor é ser prefeito.

Por Mohammad Jamal.

A taxa de hemoglobina está à quase zero, mas vou chupar assim mesmo. Fodam-se! A fome, as privações dos recursos básicos para sobrevivência, o desemprego, a obscuridade sobre o futuro, as doenças e a má assistência social e médica prestadas pelo município e Estado, as incertezas sobre quem sobreviverá ou não a essa doença devastadora e como a família irá se sustentar à ausência do seu provedor. Tudo isso ligado ao caos político-administrativo, à roubalheira e malversação do dinheiro publico do Estado brasileiro por mãos sujas. Como se manter ou sobreviver a esse estado de incertezas administrado por incompetentes expertos? Falar ou criticar o cidadão carente porque vota errado é fácil, quando toda a culpa e responsabilidade recaem nas mãos despreparadas dos políticos, ou melhor, bem preparadas, no sentido inverso do bem do povo. Estamos chegando a uma situação onde não vemos sequer uma luzinha no fundo do túnel, embora desconfiemos que lá no fundo tenha muita gente enriquecendo criminosamente à custa de vidas da população vampirizada pelos bandos e revoadas de hematófagos alados em seus jatinhos de luxo.

A dança dos Vampiros – Dormentes em seus currais, eleitores insistem em não acreditar ou temer os Dráculas, embora percebam que são diariamente chupados e drenados do próprio sangue nas suas jugulares já cheias de cicatrizes, tipo as veias dos drogados. Ainda se fossem somente sanguessugas, mas são seres alados, grandes, gordos, rotundos, poderosos, influentes; em sua maioria, com foro privilegiado ou com parceiros poderosos nos três poderes. E lá vamos nós como aquelas crianças da caatinga nordestina que comem muito barro, calangos, ratos jupati, preás, abatidas a pedradas. Barrigas dilatadas e enormes, opados e anêmicos, pés rachados e olhos tristes, desacolhidos do frio invernal, insaciados na fome crônica sob os mantos impassíveis da exclusão e do abandono. “Meu povo!”. “Trago comigo a solução de todos os seus problemas sociais…” Quiçá um falo longo e grosso pra atochar fundo “em nóis”.

Não… Não. Cunilíngua não, por favor! E esses boquetes venoso-financeiros não ocorrem apenas em São Paulo, Brasília, Bahia, Ilhéus; predominam em todo Brasil. Os desvios de conduta, as roubalheiras, etc. deixaram de constituir ocorrências episódicas e passaram a predominar como metodologia única no cotidiano do exercício das praticas políticas mais corriqueiras. Todos a querem montar, plantar sua semente danosa, seu DNA corrupto no útero financeiro do Brasil, fazer sua poupança rendosa, um lucrinho besta de alguns milhões de reais. Política é um negócio da China. Viram o Covid-2? Temos hordas de políticos, empresários, servidores e intrujões parceiros cagando sangue fresco e dinheiro – no sentido analógico, claro – indiferentes, alegres e faceiros a despeito do ceifador de vidas, sobrecarregado, estar a fazer horas extras para cumprir as cotas de óbitos exigidos nas contrapartidas das verbas milionárias. Bandidos conscientes e seguros de que a Jihad de justiça jamais os atingirá, viraram ricos, literalmente podres de ricos! (mais…)

A bomba atômica, seus efeitos e a questão racial

Ainda aguardamos os dias em que a detonação das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki serão compreendidas com esta dimensão que de fato tiveram: um ato de genocídio racista praticado em nome do objetivo de supremacia política.

Por Julio Gomes.

Manhã do dia 06 de agosto de 1945. O avião bombardeiro norte-americano B-29 sobrevoa os céus do Japão. O potente quadrimotor se aproxima de Hiroshima, furtivamente, e lança uma enorme bomba que mudaria tristemente o destino da humanidade, para sempre.

Às 8:16 horas da manhã explodia, a 580 metros acima da cidade japonesa, a primeira bomba atômica, pulverizando, calcinando, fazendo com que voassem pelos ares e virassem poeira prédios, automóveis e seres humanos. Entre 90 mil a 166 mil pessoas perderam a vida, a maioria mulheres, idosos e crianças.

No dia 9, três dias depois, a mesma cena se repetiria sobre a cidade de Nagasaki, matando entre 60.000 e 80.000 pessoas, a maioria instantaneamente e outros, talvez menos felizes, queimados e vítimas de câncer causado pela radiação, em sofrimentos atrozes, morreriam nos dias, meses e anos seguintes à terrível explosão.

Sempre que se comenta sobre as bombas atômicas, isto ocorre quase sempre para tentar justificá-las como armas para pôr fim à 2ª Guerra Mundial no oriente, pois a Alemanha e a Itália, aliadas ocidentais do Japão, já haviam se rendido; ou então para explicar a nova ordem mundial que se seguiu àquele momento histórico, caracterizada pela Guerra Fria, disputa entre os blocos capitalista e comunista representados, respectivamente, por Estados Unidos e União Soviética.

Neste momento que marca os 75 anos das duas explosões nucleares, desejo abordar esta questão crucial para a humanidade, mas sob outro ponto de vista.

Quero aqui ressaltar que o genocídio cometido no Japão teve uma forte e indisfarçável presença do racismo contra os povos não brancos, aqui representados, segundo a ótica racista, pelos miúdos, amarelos e insolentes japoneses, que ousaram enfrentar militarmente a maior potência do mundo, de igual para igual. (mais…)

Será que acordaremos do pesadelo mais altruístas e menos egoístas?

É o peso do desconhecimento, do preconceito, da apatia e do desdém. E tudo isso funciona, para a nossa alma, como uma espécie de corrente, que carregamos por aí, corrente essa que geralmente é encarada como característica, algo bom.

Por Caio Pinheiro e Rodrigo Melo.

Perder-se para achar-se! Essa frase bem que poderia estar na porta de algum centro de meditação, onde espiritualistas se reúnem em busca do sonho mais alentado pela filosofia, quer seja, a autocompreensão humana. Mas, ficcionismo à parte, esse é um quadro experimentado por milhares de pessoas mundo afora. A crise sanitária nos coagiu ao auto- isolamento. Limitadas as relações sociais, fomos obrigados a caminhar sobre o terreno movediço das incertezas inquietantes.

Sem estarmos preparados, começamos a percorrer territórios desconhecidos, pois a ligeireza dos papéis sociais que desempenhamos adiou ou mesmo apagou a ciência dos mesmos. Fazemos esse percurso já fadigados por questões que tornam o caminhar penosamente insuportável. Hoje precisamos enxergar o que estávamos habituados a ver. Há uma geração sucumbindo ao adoecimento da alma. Em muitos o deseja de viver foi obscurecido!

Contudo, otimistas e amantes da natureza humana, acreditam num porvir floreado. Insistem no caráter pedagógico das dores. Proferem frases do tipo: não é possível que não aprenderemos nada com toda essa desgraça! Creem numa “Era do altruísmo”, onde o bem-estar comum será a meta da existência humano. Mas, sinceramente, tudo isso pode ser apenas uma utopia inalcançável. Longe do ceticismo, o fluxo dos acontecimentos aponta para um amanhã repleto de amarguras. Seremos nós o nosso maior problema?

Somos fruto de nossas escolhas! Essa, sem dúvidas, é uma verdade áspera. Amantes do livre arbítrio, alimentamos a ideia de que tudo podemos, sem, contudo, na maior parte das vezes, dimensionarmos as consequências dessa controversa liberalidade. E assim, mais do que nunca, tornamos os desejos imperativos. Nada pode interromper o ébrio desejo da satisfação imediata. Daí rimos do “morra quem morrer”! (mais…)

Calma, Marão, olha a liturgia do cargo

Na contabilidade do prefeito Marão, em quatro anos estará de volta, abraçando e beijando os eleitores de memória fraca e já acostumados a perder para os políticos experientes, gente de boa lábia e fácil persuasão.

Por Walmir Rosário.

Por causa do título não deveríamos levar a sério a recomendação, por ter sido uma recomendação especial dos ex-presidentes José Sarney e Michel Temer, pois seria o mesmo que dizer faça o que mando, mas não o que faço. Mas o recado precisa ser dito ao prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, o Marão, pelo seu comportamento durante a visita a um dos bairros da cidade, o Vila Nazaré, em busca de voto.

Basta uma olhada na imagem – um pequeno vídeo filmado por alguém do povo, acredito – nota-se que não se tratava de uma visita de trabalho, ou uma passagem a caminho de outra localidade. Não, a imagem é proposital e representa um escárnio ao povo de Ilhéus, aquele mesmo que o prefeito – há meses – mandou ficar em casa e pediu a ajuda ao governador para que a Polícia Militar prendesse que saísse às ruas.

Desta vez, quem está nas ruas – em plena pandemia – é o prefeito e seus assessores, fazendo tudo o que proibiu, como a aglomeração e o ajuntamento com cumprimentos de mão e abraços. No pequeno vídeo está implícito que ele deixa a rua, onde ensaiava passos de dança para ir dar um abraço num amigo e, quem sabe, possível eleitor nas eleições que se aproximam.

Essa talvez seja a única coisa que o prefeito Marão saiba, de fato, fazer: sair às ruas em busca de eleitores com tapinha nas costas, beijos e abraços, mesmo com o risco de contaminação pela Covid-19, se não dele que já positivou e curou, mas dos acompanhantes. Como médico, Marão que prometeu cuidar do povo, mostra que não tem a menor intenção de cumprir a promessa de campanha, pelo contrário, mostra comportamento inadequado diante do perigo da infecção. (mais…)

Afinal, de que o brasileiro gosta?

E aqui na Bahia aprendemos que o ano só começa depois do Carnaval! Precisa dizer mais alguma coisa? Pois Bem! Agora, em plena pandemia, com mais de 90 mil mortos no Brasil, vejo este povo – este mesmo povo – dizendo desesperadamente que quer trabalhar!

Por Julio Gomes.

Somos conhecidos, pelo menos entre nós mesmo, por sermos um povo que gosta de festas, de domingo, de feriados, de farras, praia, sol e cerveja. Embora seja uma visão um tanto estereotipada do brasileiro, não se pode dizer que seja incorreta.

Sempre ouvi dizer que sexta-feira é o dia da cerveja. Até concordo, pois quem trabalhou a semana inteira tem direito de ter este prazer fugaz, erigido como mania nacional.

Da mesma forma, embora isso não seja dito, vejo que as pessoas encaram com grande contrariedade o fato de ter que trabalhar no sábado pela manhã. Consideram isso coisa de operário, de peão obreiro, aqui vistos pejorativamente, revelando uma face obscura de nosso caráter.

Também desde que comecei a me entender como gente, sempre escutei falarem que segunda-feira é o dia da ressaca e da preguiça. Nunca consegui entender isso. Já na fase adulta da vida passei a achar que a pessoa deveria ter administrado mal seu fim de semana, bebido demais e descansado pouco. Engano! Eu ainda não havia percebido que a malícia brasileira vai muito além das aparências.

Entre profissionais liberais e empresários de maior destaque, como médicos, advogados e outros que se entendem como membros deste seleto grupo, observei que para muitos há um costume e até um orgulho, em Ilhéus, de na sexta-feira só trabalharem até meio dia, antecipando a cerveja de final de expediente para a hora do almoço e, entre amigos, emendá-la por todo o fim de semana. (mais…)

Nós falamos por nós: o racismo não tirará nosso direito de narrar nossa existência!

Nós agora falamos por nós! Com nessa decisão, as mulheres negras têm falado mais alto. Na condição de mulher negra e da resistência, a filósofa Djamila Ribeiro chama a atenção dos/das leitores/as em seu livro “O que é lugar de fala? ”, que não há mais condição de falar de diversas manifestações de violências sofridas por nós (mulheres e homens negros) sem estarmos nesse lugar de opressão e de dominação.

Por Áurea Silva e Caio Pinheiro.

A luta pelo acesso à educação sempre foi uma das principais bandeiras do Movimento Negro. Desde o século XIX, as organizações negras vêm pautando esse direito como forma de driblar as inúmeras interdições à emancipação socioeconômica dos afro-brasileiros. Embora não tenhamos vivido sob a égide de um sistema segregacionista – a exemplo do Apartheid na África do Sul -, ontem e hoje as possibilidades de emancipação intelectual dos negros, quer seja via escola ou universidade são dificultadas. Foi da necessidade de se contrapor a esse estado de coisas, que a luta negra reivindicou e reivindica ações afirmativas de reparação.

País de passado escravocrata, o Brasil está longe de ter conseguido superar a correlação entre diversidade racial e desigualdade social. A farsa do paraíso das raças propagandeada pelo “mito da democracia racial”, dissolve-se diante das precárias condições em que vivem milhares de afro-brasileiros. O idílico país onde impera a harmonia racial quando desmentido, revelou que nos bolsões de pobreza, a epidérmica preta é dominante. Democracia racial é o caralho!

A par dessa realidade precisamos compreender como ainda hoje o racismo estrutura as relações sociais. Desqualificada graças aos avanços da Engenharia Genética, a ideia de raça resistiu ao seu descrédito científico. Assim, as atitudes que tentam responsabilizar o negro pelos seus infortúnios, são, na verdade, “mimimi” racista. Contudo, as possibilidades de qualificação profissional e inserção exitosa no mercado de trabalho, possibilitadas pelas políticas afirmativas, destacadamente o sistema de cotas, demonstraram que os insucessos do negro não podem ser creditados à sua pseudo inferioridade racial.

Isso tem raízes no passado! Após a abolição da escravidão (1888) e proclamação da República (1889), ganhou impulso a política de branqueamento. Sob o argumento de que os trabalhadores nacionais – negros livres e libertos – eram incapazes de se adequarem à lógica capitalista, o Estado subvencionou (financiou) a vinda de imigrantes europeus para suprir a suposta “falta de braços”, quando na verdade o objetivo era promover o apagamento físico e cultural da África através da miscigenação. (mais…)