A esperança irradiada no caminho das palavras

Quem escreve, escreve motivado por alguma coisa. Eu, de forma recorrente, escrevo sobre minhas reflexões e preocupações acerca dos rumos que o Brasil vem tomando. Segundo amigos íntimos, ao priorizar essa temática, dou vazão a uma espécie de obsessão pela pátria querida. Mas, apegado ao racional – aliás, como um bom virginiano – refuto essas tentativas de patologizar meu exercício de cidadania política. Não aceito ser indiferente, ou mesmo adotar o discurso demonizador da política. Prefiro reverberar a lógica aristotélica e vocalizar: o homem é um animal político! Daí, negar, secundarizar, desconsiderar, silenciar, demonizar, vilipendiar ou mesmo abominar a política, implicaria destituir-me da condição de ser humano.

 

 Por Caio Pinheiro 

Todavia, na tessitura desse caminho de palavras, me dedicarei a falar de esperança, ou melhor, das minhas esperanças. Falar de esperança é falar do combustível que propulsiona as utopias. Falar em esperança é confiar na capacidade do improvável subverter o fatalismo trágico dos destinos imutáveis. Falar movido pela esperança é afugentar as certezas retóricas de que não se pode escolher caminhos outros. Falar de esperança é crê na força que supera a morte, pois é a esperança, sobretudo ela, que me fez validar o que disse Pitágoras: há algo que antecede a matéria!

Assim, desde a tenra infância, principalmente no transcurso tortuoso do adolescer, quando as contingências do caminhar tendem a ser superestimadas, decidir tomar a esperança como a raiz de um existir arvorado. Essa decisão não foi fácil. Demandou maturação. Horas de reflexão e enfrentamento dos meus demônios. Mas em todas essas pelejas, sentia uma espécie de acalanto. Era como se mãos com poder de cura não me deixasse curvar ao desanimo. Ouvia também as vozes do porvir. Eram altivas. Impositivas, diziam: espere e jamais distancie-se da esperança!

Embriago de esperança conseguir. Atingir metas. Realizei projetos. Conquistei respeitabilidade pública. Assumir papéis que exigem norral ético e técnico. Estruturei uma vida. Entendi ser preciso jogar o jogo. Fui me metamorfoseando. Cuidei e fui cuidado. Aprendi ser o amor a maior força do universo. Nesse aspecto, sem dúvidas, a esperança me permitiu o maior aprendizado. Compreendi que por mais controverso que parecer ser, toda forma de amar vale apena, pois quem ama tem esperança, e a esperança jamais será uniforme, já que não se pode exigir a uniformidade daquilo que é essencialmente plural.

E assim chego aos 43. Nessa altura posso me permitir algumas certezas. A que hoje mais aflige o espírito é a obrigação de ser um “ser no mundo feliz”. Antes que seja mal compreendido, esclareço: não me refiro em ser feliz num mundo feliz, mas ser feliz no meu mundo interior para que consiga contribuir para a felicidade do mundo exterior. Orgulho-me dessa decisão! No meu caminho terapêutico vejo que trata-se de uma escolha urgente. Permiti afugentar a desesperança, e com ela as dores da alma responsáveis por ceifar milhões de vidas desesperançadas. Como disse um amigo poeta: ser feliz é um ato de coragem!

Todavia, ter coragem não implica acertar nas escolhas, pois viver é submeter-se ao escrutínio das desventuras. Se o tempo é inexorável, a vida é um emaranhado de caminhos permitidos, mas nem sempre ideais. Então pergunto-me: qual caminho escolher? Essa pergunta é perturbadora, já que muitas escolhas precisam ser ‘’para sempre”. Com efeito, escolher o “para sempre” quase nunca é uma decisão que se toma sozinho. Desta feita, enquanto o “para sempre” encontra-se interditado, opto pelo “para mim”. Mesmo esmagado pelas lembranças do feromônio que me nutria de esperança, ao menos até o porvir decidir, aquieto-me em mim, sem jamais esquecer do qual forte é o esperançar no “para nós”.

E assim sigo: dias de dor, dias só, dias de medo, dias incertos, dias de sono, dias de fuga do sono, dias claros quando estou escuro, dias passando por dia. Mas tudo vai passando mesmo que tema não passar. São impressões de quem decidiu caminhar para dentro. Mesmo sendo tentador olhar para fora, há escolhas que são feitas longe das nossas vontades. Somente o tempo mostrará o desfecho. O tempo é esperança. O Tempo é caminho. O tempo é Exu. O tempo é rei e eu não posso mais correr de mim mesmo, porque nunca mais é tempo demais para deixar de ter esperança. Enquanto espero sob a obscuridade do amanhã, apego-me à luz da esperança que inspirou a tessitura desse caminho de palavras.

.Caio Pinheiro é professor, especialista em história do Brasil e história regional e mestre em história.

Rumos equivocados para um Brasil sustentável e promissor

Eles passarão, mas sobrará política ambiental de pé? Foto: Marcos Corrêa/PR.

 

Por Suzana Padua/O Eco

As áreas socioambientais do Brasil, que são a maior riqueza do país, estão sendo dizimadas sobre nossos olhares. A biodiversidade, quase nem mencionada pelo governo atual, é uma riqueza do Brasil e do planeta, agrade ou não ao presidente. Tivemos a sorte de nascer no Brasil, que tem aproximadamente 20% de toda a vida do planeta e o maior reservatório de água doce. Doce também deveria ser a responsabilidade por proteger tamanho patrimônio. Mas não tem sido assim – tudo está em risco de arder e a culpa é nossa.

A sensação é de impotência diante de tanta barbárie. Muitos ambientalistas encontram-se estupefatos, pois se veem sob escrutínio de críticas infundadas, mas que muitos brasileiros desinformados acreditam. A competência tem sido ignorada, seja advinda de profissionais de carreira, principalmente aqueles ligados a órgãos ambientais como ICMBio e IBAMA, seja dos que trabalham em organizações não governamentais (ONGs), estes últimos responsabilizados por tudo de errado que ocorre no país.

É como a metáfora do sapo na água quente. Quando a água esquenta de repente o sapo consegue sentir e pula fora rapidamente. Mas, se aquecer lentamente, custa a perceber e acaba morrendo. Na verdade esse governo ferveu a água de tal jeito que só nos resta pular. Mas, para onde? O pensamento e a ação precisam ser estratégicos porque as barbaridades têm sido diárias e inusitadas. Cada dia um susto novo. (mais…)

Do Pudor, dos falos dos anjos e de Aristóteles: um strip-teaser imoral

“É impossível se arrepender de um arrependimento. Esse sentimento é protegido de si mesmo, foi feito para ficar, pois querer que ele desapareça é desejar a recorrência do erro e, portanto, a reaparição do mesmo arrependimento. Arrepender-se é manter friamente o ato que o gera em sua própria esfera de cometimento; é, simultaneamente, o espelho, a face do erro e a reflexão de um no outro. Esse modelo metafísico filosófico refletido ou projetado, às vezes ofuscante, outras embaçado, densamente opacificado e supostamente imperscrutável que acomete alguns homens públicos; esse embarcamento densamente opacificado que administradores públicos interpõem zelosamente como tapumes obstrutores à antevisão das suas personalidades e condutas tal quanto à interpretação e leitura das escriturações contábeis dos seus gastos, são caracteristicamente circunstanciais”.

Por Mohammad Jamal.

Adão e Eva eram nus sem o saber. Aí souberam demais. Uma vez sabedores, tinham tudo a esconder e se arrependeram de estar nus. O arrependimento é o desejo de não ter feito algo, encurralado, por um lado, pelo fato “desse” algo ter sido feito, e por outro, pelo incontestável desejo de não mais fazê-lo. Alain Badiou diz que “jamais há nudez no teatro, tampouco, mas trajes obrigatórios, a nudez sendo ela própria um traje, e dos mais vistosos”. Há nudez apenas no pensamento, não na natureza. E como o pensamento é algo humano, só há nudez humana. Entretanto, o que há, para nós, nessa nudez exclusiva, que demanda constante cobertura? Seria a nudez vergonhosa por natureza? “Vergonha de que?”, pergunta-nos Derrida; “Vergonha de estar nu como um animal”, responde o filósofo. A nudez do animal é seu nome, sobrenome e, sobretudo o seu ser. Já para o homem, nome e o sobrenome são as primeiras vestimentas com as quais o seu ser naturalmente despido é definitivamente encoberto. Essa primeira fantasia nominal, por sua vez, é customizada a partir dos andrajos da cultura, e, uma vez em tais hábitos abstratos, as demais vestes concretas são apenas as efêmeras películas com que o homem impermeabiliza-se ainda mais contra a própria natureza humana.

 É impossível se arrepender de um arrependimento. Esse sentimento é protegido de si mesmo, foi feito para ficar, pois querer que ele desapareça é desejar a recorrência do erro e, portanto, a reaparição do mesmo arrependimento. Arrepender-se é manter friamente o ato que o gera em sua própria esfera de cometimento; é, simultaneamente, o espelho, a face do erro e a reflexão de um no outro. Esse modelo metafísico filosófico refletido ou projetado, às vezes ofuscante, outras embaçado, densamente opacificado e supostamente imperscrutável que acomete alguns homens públicos; esse embarcamento densamente opacificado que administradores públicos interpõem zelosamente como tapumes obstrutores à antevisão das suas personalidades e condutas tal quanto à interpretação e leitura das escriturações contábeis dos seus gastos, são caracteristicamente circunstanciais.

Gato escondido, e o rabo? Os elementos linguísticos presentes nas escriturações tentam disfarçar ou justificar as aplicações das verbas “carimbadas” para os fins que não àqueles a que foram previamente destinadas. A ocultação dos apontamentos e destinações das receitas tributárias; dos repasses financeiros federais e estaduais que dão justificativa aos gastos com o dinheiro público, o erário, são lugar comum por aqui. Fica sabido, portanto, que o cometimento de tais omissões corriqueiramente usuais, já não nos estarrece. Quem nunca comeu carne de iaque do Himalaia jamais sentirá falta do seu sabor! Ou não? Comeu?

VIP Eu? Há algo exemplar oportunamente bem pinçado no estiloso e seletíssimo Condomínio Moradas dos Deuses. Aqui mesmo, no nobre bairro Teotônio Vilela, à Alameda Cleveland da Silva, na península do Barro Vermelho. Condomínio Classe A, com seguranças 24 horas; várias piscinas; campos de futebol, de polo, de golfe, tênis; com cavalariças e pistas para equitação, saunas e academias próprias, atracadouros para lanchas, heliportos, etc. e as porras. Aqui o síndico também age assim! Nenhum condômino consegue saber onde estão ou para onde foram as vultosas quantias arrecadadas em nossos bolsos Vips!

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Vamos levar nossos artistas para as rádios de Ilhéus

Daquela conversa e da experiência de ter meu pedido atendido pela Gabriela FM, surgiu a intenção de escrever este relato para propor uma ideia óbvia. Vamos ocupar as rádios da nossa cidade com as músicas dos artistas que admiramos e conhecemos de perto, porque apresentar suas obras para mais pessoas é uma forma de impulsioná-los.

Por Thiago Dias.

Há quase seis anos escrevi neste blog artigo em que questionei a ausência das músicas da banda OQuadro, grupo ilheense, nas rádios de Ilhéus. Continuo a sentir falta do som dos caras, que levam o nome da cidade pelo mundo, nas nossas emissoras. Mas, hoje, venho relatar uma experiência de satisfação com o programa “Ligou, pediu, tocou”, comandado pelo radialista Renatinho Bad Boy na Gabriela FM.

Mandei mensagem para o WhatsApp do programa (73 8829-1029) e pedi a música “Falando Sério”, de Cijay, com participação de Marcos SDR, dois artistas de Ilhéus. A emissora atendeu o pedido. Ouvir o som dos caras nesse contexto me emocionou, porque acredito que foi uma boa oportunidade de aumentar o alcance da canção entre os conterrâneos dos músicos.

A emoção da experiência me trouxe a lembrança de uma conversa que tive com Jef Rodrigues, um dos mestres de cerimônia d’OQuadro. Na ocasião, ele falava sobre um tipo de propagação popular da música regional. Citou o exemplo da galera que coloca as músicas dos artistas regionais para tocar nos carros, na praia, nas rádios, em todo lugar.

Jef, filósofo e estudioso da indústria cultural, classificou a atitude dessa galera como uma espécie de militância em favor da arte que ela aprecia. Um esforço para ocupar os espaços públicos e dar visibilidade aos artistas da região, sem que exista necessariamente uma consciência como motor desse movimento.

Daquela conversa e da experiência de ter meu pedido atendido pela Gabriela FM, surgiu a intenção de escrever este relato para propor uma ideia óbvia. Vamos ocupar as rádios da nossa cidade com as músicas dos artistas que admiramos e conhecemos de perto, porque apresentar suas obras para mais pessoas é uma forma de impulsioná-los.

Vamos ocupar as emissoras de Ilhéus com as músicas d’OQuadro, Cijay, Cabeça Isidoro, Gabriela Maja, Laís Marques, Eloah Monteiro, Brenda Gonçalves, Herval Lemos, Tony Canabrava e companhia. Escolha o artista que merece sua preza.

Se alguém não concorda com a relevância da presença dos artistas no rádio por causa dos canais da internet, penso que esse raciocínio é equivocado, porque ignora o alcance regional das emissoras – o seu poder de comunicar de forma massificada.

Foi bom saber que muitas pessoas ouviram “Falando sério” ao mesmo tempo. Provavelmente, várias delas ainda não conheciam a música. É também provável que a maioria dessa audiência não se transformou num passe de mágica em fã do Cijay, mas foi um momento de abertura para sua obra, que amadurece a cada dia.

Laroiê, Exu! Abre caminho, deixa nossa arte tocar.

Segue o link para o clipe da música no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=SMLcedCf-vc

Thiago Dias é comunicólogo e estagiário do escritório Carvalho & Padilha Advocacia. Foi repórter do Blog do Gusmão entre 2013 e 2018.

Que não me tremam as mãos

“O cabelo branco que se desenvolve vorazmente sobre meu ovo é assustador e fantasmagórico, como disse antes, um Alien. Com indisfarçável ansiedade, procurei ontem um atendimento numa UPA do SUS. Passadas seis horas de espera foi finalmente chamada a minha vez para consulta. O médico: _ E aí… Que te traz aqui? Ele ouviu a minha primeira frase relatando o advento inesperado do cabelo no ovo. Interrompeu o meu relato com firmeza e segurança assegurando-me tratar-se de caso grave e raro, portanto, de difícil solução”.

Por Mohammad Jamal.

Socorro tem uma Alien aqui embaixo. Que não me tremam as mãos, tampouco que o medo do desconhecido, do inumano, obscureça o meu raciocínio nesse momento em que confronto hirto de pavor esse fenômeno supra-humano que se abate devastador sobre o meu equilíbrio, ameaçando meu discernimento e razão intelectual. É sério. Sinto tremer de pavor todo o meu sistema nervoso central como se um inverno austral me enregelasse por dentro a ponto de fazer brotar cristais de neve sobre a minha pele. Respiro profundamente e revelo meu desespero existencial em profundo estado de pavor e apreensão.

Sabotagem no ovo. Hoje cedo, logo ao despertar nessa madrugada, quando finalmente arregimento forças para levantar o meu pesado corpanzil da cama, eis que, já sentado, despido fito de soslaio “minhas partes” e assustado, me deparo com um estranho cabelo banco, ao que transparece viçosamente brotando solitário no meu ovo! Num reflexo auto protetivo, muito rapidamente, chocado, fito meu olhar sobre a mesinha de cabeceira onde algumas flores agonizam murchas, desbotando sua seiva na agua apodrecida de um jarro de vidro. Há uma implícita correlação entre os cenários, algo ao estilo das incertezas vagas e colóquios inesperados de Kafka e as narrativas mórbidas de Edgar Allan Põe, mestre ao nos incutir o medo do vazio. Em Compunção, volto a fitar o fúnebre cenário montado sobre o meu ovo direito. Horror e estupefação me dominam. Ele está lá.

Meus documentos em grave ameaça. Álien, meu primeiro passageiro solitário, está lá firme e forte, bem fincado no rugoso tecido escrotal cravando profundamente suas raízes quiçá, com pretensões de infiltrar meu epidídimo, meu tecido testicular, incrível. Temo que ele planeje sabotar minha hirsuta masculinidade emasculando-me na androginia dos gêneros.

Anatomia de um criminoso. Solilóquio – Penso sobre o fantasmagórico cabelo: curto, grosso, branco como as neves do Himalaia, infiltrando raízes, sugando minhas seivas, gorando meu ovo e que, vasectômico, vai secando minha prolificidade em direção a mais absoluta infertilidade. Filhos, nunca mais. Mas conforta-me que não serei mãe, jamais. Não suportaria as dores do parto ou um marmanjo sugando os mamilos do meu tórax atlético cobertos por pelos negros lustrosos, coisa que as mulheres adoram acariciar e se excitam. Ah isso não, definitivamente não.

Ele, Ivã o terrífico, o Gengis Khan, o flagelo de Allah? O cabelo branco que se desenvolve vorazmente sobre meu ovo é assustador e fantasmagórico, como disse antes, um Alien. Com indisfarçável ansiedade, procurei ontem um atendimento numa UPA do SUS. Passadas seis horas de espera foi finalmente chamada a minha vez para consulta. O médico: _ E aí… Que te traz aqui? Ele ouviu a minha primeira frase relatando o advento inesperado do cabelo no ovo. Interrompeu o meu relato com firmeza e segurança assegurando-me tratar-se de caso grave e raro, portanto, de difícil solução. Que eu deveria procurar em grandes centros de São Saulo-SP hospitais padrão Sírio & Libanês, Albert Einstein, etc. Pensei “tô fodido”, lá não atende o Plano SUSto.

O avanço do Filisteu. Estou ficando cada dia pior. Parece que o fatídico cabelo branco sobre nosso ovo lança suas raízes por todo o meu corpo. Estou ofegante, tenho acessos de pigarros, tosse, falta de ar. Meu medo maior é que essas raízes infiltrem meu cérebro impedindo-me de pensar e reagir racionalmente. Forçado pelas circunstâncias, com alguma coragem e minhas parcas economias, arrisquei um atendimento no Hop. Santa Marcelina em Sampa. Vou sintetizar minhas desventuras: O médico paulista: _ É cirúrgico. Uma grande intervenção. Vamos dissecando com bisturi elétrico e a lazer removendo uma por uma as raízes que forem possíveis remover. O resto vai ter que ficar por aí para esperarmos a evolução do seu quadro. Vai encarar? Não. Claro que não. Até já estou pensando num receituário agrotóxico emitido por especialista para borrifar esse cabelo branco com herbicida. O presidente liberou muitas substâncias químicas para uso na agricultura! Quem sabe esteja aí a salvação do meu ovo?

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O Porto Sul e o ambientalismo de ocasião do PT

O PT se levanta contra a devastação da Floresta Amazônica incentivada pelo governo Bolsonaro, mas foram os governos petistas que abriram caminho para a usina de Belo Monte, empreendimento que rendeu um puxão de orelha no Brasil no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos, aquela que poderá ser acionada pela defesa do ex-presidente Lula, caso se esgotem os recursos contra o processo de exceção que o impediu de voltar à Presidência da República.

Por Thiago Dias.

Há quem diga que o posicionamento contra o Porto Sul deriva de interesses escusos patrocinados por agentes contrários ao desenvolvimento de Ilhéus. Portanto, é necessário fazer um esforço de comunicação para explicar por que esse empreendimento não cabe na Mata Atlântica do Sul da Bahia.

A explicação parte do entendimento de que esse projeto não tem nada a ver com as vocações naturais do território. Os modos de ser que habitam esta terra, caso o porto saia do papel, serão feridos de morte, para que minério de ferro seja levado para o outro lado do mundo, durante trinta anos. E depois? O que sobrará depois?

Há alternativas estratégicas para o desenvolvimento regional, como o incentivo à agricultura familiar, à pesca não predatória e ao turismo de baixo impacto. Esses são apenas três exemplos óbvios, e existem pessoas mais preparadas para desenvolver essa argumentação do que este mero escriba.

Agora, contento-me em apontar a contradição no discurso desenvolvimentista do Partido dos Trabalhadores.

O PT se levanta contra a devastação da Floresta Amazônica incentivada pelo governo Bolsonaro, mas foram os governos petistas que abriram caminho para a usina de Belo Monte, empreendimento que rendeu um puxão de orelha no Brasil no âmbito da Corte Interamericana de Direitos Humanos, aquela que poderá ser acionada pela defesa do ex-presidente Lula, caso se esgotem os recursos contra o processo de exceção que o impediu de voltar à Presidência da República.

“Falo com tranquilidade” (Da VAN, Julinho), porque votei no PT nas últimas quatro eleições presidenciais. Por fim, lembro da luta do povo tupinambá pela demarcação da sua terra – não parece, mas esses são debates intimamente ligados, pois dizem respeito ao envio de destino que daremos ao território sulbaiano. Afinal, “pra que lado vai o Colosso do Sul?” (Mundo Livre S/A).

“Não existe guerra alguma, apesar de todo esse barulho infernal. É só o capital cruzando o mar, e hoje ele voa mais rápido e certeiro do que qualquer míssil. E, quando retorna da missão, tudo o que deixa é terra arrasada” (Mundo Livre S/A).

Thiago Dias é comunicólogo e estagiário do escritório Carvalho & Padilha Advocacia. Foi repórter do Blog do Gusmão entre 2013 e 2018.

O crime de pensar não implica a morte

“A facilidade instantânea das comunicações pelo ciberespaço escancara o vácuo para o vazio do imediatismo, das banalidades coloquiais interativas, os modismos efêmeros, posturas supostamente pós-modernistas, não obstante haverem sido resgatadas e reconfiguradas dos próprios históricos predominantes nas populações em seus devidos estratos sociais.”

Por Mohammad Jamal

Ratoeiras para humanos. Humano, demasiado humano, disse Friedrich Nietzsche. Quando assistimos passivamente a sociedade moderna enveredar maciçamente pelos novos conceitos que a balizam irrecorríveis e que não permitem nem abrem espaços às tidas atualmente como obsoletas e arcaicas as antigas derivações politico-filosóficas no comportamento coletivo de alguns povos. Quando vemos as “tendências pré-programadas” propaladas por sábios influencers predominantes nos espaços voltados às comunicações e interações interpessoais, ficamos aterrorizados diante a antevisão da instintividade, ablação do intelecto e da razão reflexiva do consciente coletivo. E toda essa manipulação, produto de um jogo de cartas marcadas, invariavelmente, sempre em benefício de grupos sociais da elite financeira capitalista visando o predomínio dos poderes paralelizados no conluio entre o capital e a política.

Represento apenas o “um” nessa imensa gradiente estatística. A facilidade instantânea das comunicações pelo ciberespaço escancara o vácuo para o vazio do imediatismo, das banalidades coloquiais interativas, os modismos efêmeros, posturas supostamente pós-modernistas, não obstante haverem sido resgatadas e reconfiguradas dos próprios históricos predominantes nas populações em seus devidos estratos sociais.

Big Brother ou, o big bode – em “nordestinês”. Estamos dentro até o talo! E isso nos remete à antevisão do Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudónimo George Orwell; foi um escritor, jornalista e ensaísta político inglês, autor do livro 1984. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada, uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo e uma paixão pela clareza da escrita. Apontado como simpatizante da proposta anarquista, o escritor faz, em seu singular estilo, uma defesa da autogestão ou autonomismo, enquanto rebate inteligentemente irônico, o controle absoluto sobre o tecido social, inclusive do pensamento, onde o autor nos remete ao “crime do pensamento”, afora mínimas transgressões ao comportamento vigiado e controlado, a ponto de vetar inclusive, o crescimento das populações via reprodução exógena assistida, isenta de conjunção carnal. E tudo isso ainda ficou distante das aberrações que estamos habituados ver acontecerem contra as massas populacionais, manipuladas subliminar ou diretamente por agentes indutores irresistíveis via mídias do ciberespaço, uma guerra contra o pensar, o livre pensar racional e coerentemente. (*) “O essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas de produtos do trabalho humano. A guerra é um meio de despedaçar, ou de libertar na estratosfera, ou de afundar nas profundezas do mar, materiais que de outra forma teriam de ser usados para tornar as massas demasiado confortáveis e, portanto, com o passar do tempo, inteligentes.”. (George Orwell). O homem do futuro pensara por inteligência artificial pré-assistida. Imagina?

Livro? Que bicho é esse? Tira não. Esse aí está escorando o pé quebrado do meu sofá! No livro QS – Inteligência Espiritual, lançado há uns cinco anos, a física e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema ainda atualmente tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, tornando-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida. O Quociente Espiritual. Coisa que o atual modelo existencial pré-elaborado abomina porquanto fere um princípio pétreo da matemática avançada das linguagens binárias, sintéticas, faladas impositivamente no quarto, nas salas, ao telefone, em shows ou digitadas graficamente nas dezenas de Apps de comunicação instantâneas gratuitos, liderados pelo Whatsapp, Telegram, Face book, Hangouts, Messenger, WeChat, Instagram, etc.

What? Uma imagem de São Francisco ou um bom disco do Noel? Os cientistas descobriram que temos um “Ponto de Deus” no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experiência espiritual. Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual.

Pena, inúteis porque não servem para discursos programáticos ou base para campanhas políticas. Outro tipo de inteligência nos permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, emotivo e sensitivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de insights, formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação.

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Caminhando contra o vento…

“Caminhar contra o vento significa dizer não quando querem simplesmente que a gente “siga o fluxo”, significa quebrar paradigmas, é acreditar em rupturas. É rebelar-se quando dizem para você se acomodar. É falar a verdade, mesmo que incômoda, quando todos querem que você se cale. E mesmo que às vezes doa em você também. Afinal de contas, o primeiro vento contrário a ser vencido é você mesmo, em suas acomodações e vacilações. E antes de tudo, é preciso tomar a decisão do primeiro passo, pois só se chega ao destino caminhando. É preciso também caminhar junto de quem quer chegar junto, pois sozinho não dá pra chegar a lugar algum.”

Por Guilhardes Jr.

Tem coisas para as quais a gente precisa de muita coragem. Nesse item, cada um sabe de si, de sua capacidade, de seu contexto, de sua possibilidade de juntar forças e ir em frente. Nem sempre as condições parecem ser favoráveis, e nem sempre dá pra ir na mesma direção que os outros vão ou querem que você vá. Num ser humano que tem responsabilidade e compromisso as vacilações sempre existirão. Aprendi a desconfiar de quem não tem medo de nada ou tem certezas absolutas. Desconfio também de quem em todo o tempo simplesmente segue o que parece ser a opinião da maioria, sem ao menos pensar em consequências do que é falado ou praticado.

Certo é que vivemos em tempos de grandes indefinições. As coisas vão se tornando cada vez mais complexas, e nem sempre dá pra ter certeza nem mesmo da continuidade da vida até o final do dia. Mas creio que sempre dá pra continuar mantendo o curso firme, mesmo quando os ventos são (ou parecem ser) contrários. E sempre dá pra crescer e se desenvolver indo na direção contrária dos ventos.

Exemplo disso é o avião. A aeronave só decola contra o vento! É justamente a força contrária do vento que cria as condições necessárias para que um avião levante voo. No mundo dos negócios, há muitos exemplos de empresas que cresceram absurdamente em tempos de crise, e outras que foram simplesmente à bancarrota justamente quando tudo parecia estar indo muito bem. Somente para relembrar, é justamente nos momentos considerados difíceis que somos obrigados a nos esforçar, correr riscos, usar a criatividade e buscar inovar no pensamento e nos processos, buscando maior eficácia e efetividade em tudo o que fazemos. Quando “tudo vai bem” a gente tende a se acomodar e deixar que as coisas andem no seu próprio compasso, sem nos atentar de que o “vai bem” pode nos levar pro atoleiro.

Caminhar contra o vento significa dizer não quando querem simplesmente que a gente “siga o fluxo”, significa quebrar paradigmas, é acreditar em rupturas. É rebelar-se quando dizem para você se acomodar. É falar a verdade, mesmo que incômoda, quando todos querem que você se cale. E mesmo que às vezes doa em você também. Afinal de contas, o primeiro vento contrário a ser vencido é você mesmo, em suas acomodações e vacilações. E antes de tudo, é preciso tomar a decisão do primeiro passo, pois só se chega ao destino caminhando. É preciso também caminhar junto de quem quer chegar junto, pois sozinho não dá pra chegar a lugar algum.

Nem sempre dá também pra ir com tudo certinho, com um GPS bem calibrado, ou com bases bem sólidas. É preciso ter coragem e flexibilidade para aguentar as intempéries que virão. Às vezes é preciso somente cara e coragem, nada no bolso ou nas mãos, mas é preciso seguir vivendo, e caminhando, e juntando, e chegando. Por quê não?

Guilhardes Jr. é advogado e professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

Delirante, perseguidor e ambientalmente devastador: os atributos do governo Bolsonaro que seduzem a classe média

“Num quadro como este, passamos a ter uma economia mais refém das oscilações nos mercados externos. Para piorar, o presidente trata as relações comerciais internacionais como a luta do bem contra o mal. Orientando-se por um ideologismo barato, ataca parceiros comerciais estratégicos, a exemplo do Irã. Fiel à doutrina Monroe, o mito arrisca até mesmo o apoio da bancada ruralista, tão fundamental na sua corrida ao palácio do planalto, mas que ainda o suporta dada sua anuência em torno da orgia dos agrotóxicos (com uma só canetada foram liberados 239 novos registros dessas substâncias) e os ataques ao complexo florestal amazônico e outros biomas protegidos legislativamente”.

Por Caio Pinheiro.

Há aqueles (as) que afirmam ser o Brasil um país sem lei, eu, ao cambo de algumas reflexões, concluo que não é a ausência de leis o problema do nosso país, mas a interpretação e aplicação das leis de forma política. Com essa realidade, nossa nação vem ganhado o status de terra da insegurança jurídica. Uma terra onde prevalece um sistema jurídico que reiteradamente extrapola suas prerrogativas em favor dos interesses daqueles que ocupam o topo da cadeia socioeconômica.

Numa terra dirigida por um “banana” apoiado por “laranjas”, rico-corrupto jamais sente o frio do cárcere, salve casos excepcionais. Mas tudo vai bem, já que muitos miseráveis são midiaticamente levados a acreditar que basta defender as pautas da elite para automaticamente integrar suas fileiras. Assistimos uma espécie de delírio coletivo como atesta a filósofa Marcia Tiburi, ao cabo dele, infelizmente ainda desconsideramos onde e como iremos ficar.

Evidencias desse estado delirante sobram. Ver frações substantivas da classe média apoiando abertamente a Reforma da Previdência, sem conhecer suas especificidades e malefícios é surreal. Com efeito, para isso, Jessé Sousa nos oferece uma explicação sociológica brilhante no seu livro “A classe média no espelho”. Na visão deste sociólogo, “a estratégia da elite em relação à classe média foi recorrer ao uso da violência simbólica”. Trata-se de uma violência que não parece violência, mas que se vende como convencimento, retirando a capacidade de reflexão e, portanto, de qualquer autonomia da vontade.

E assim a classe média tomou as ruas para defender os interesses da restrita elite de proprietários, quer seja no mercado, no Estado ou na esfera pública. Uma vez mais, sob a batuta ideológica da classe do privilégio, a “massa” da classe média e até setores populares criminalizam e vociferam ódio ao Estado. Esquecem estes, que na história não há experiências exitosas de equalização das desigualdades que ousaram prescindir do Estado. Enquanto isso, os privilegiados arautos do liberalismo tupiniquim, aumentam seu patrimônio se apropriando do mesmo Estado que ensinaram a classe média odiar. Basta verificar a evolução exponencial dos lucros auferidos pelo sistema financeiro.

Acontece que essa situação produz danos sistêmicos, ou seja, as repercussões nefastas do modelo de país instaurado desde a ascensão de Michel Temer são sentidas por todos. Para os setores produtivos, quer sejam nacionais ou estrangeiros, a precarização das relações de trabalho, fruto da Reforma Trabalhista, em curto prazo já achata o mercado consumidor interno, visto que subtraiu o poder de consumo da população, excetuando segmentos numericamente pouco expressivos da classe média e os supericos.

Num quadro como este, passamos a ter uma economia mais refém das oscilações nos mercados externos. Para piorar, o presidente trata as relações comerciais internacionais como a luta do bem contra o mal. Orientando-se por um ideologismo barato, ataca parceiros comerciais estratégicos, a exemplo do Irã. Fiel à doutrina Monroe, o mito arrisca até mesmo o apoio da bancada ruralista, tão fundamental na sua corrida ao palácio do planalto, mas que ainda o suporta dada sua anuência em torno da orgia dos agrotóxicos (com uma só canetada foram liberados 239 novos registros dessas substâncias) e os ataques ao complexo florestal amazônico e outros biomas protegidos legislativamente.

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Importando mercenários

“Nunca se viu na história desse país tanto furor e ganância, algo sem precedentes de tamanha dimensão e magnitude. Falo isso me referindo ao furor destrutivo que se levanta na imprensa contra as instituições do Estado e o governo constituído eleito pelo povo, diga-se por maioria do voto livre e democrático. E isso não se restringe ao ambiente exclusivo da nação; essa voracidade transcende às fronteiras geográficas do país a ponto dos “combates”, praticados a partir de linguagem das bocas imundas dos militantes insurgentes que estandardizam difamações e infâmias e, que denigrem e emporcalham a imagem do Brasil no contexto das nações como se uma terra sem leis, sem ordem social, sem justiça, porquanto dominada por ditadores de ultradireita que usurparam o poder via eleições fraudadas. É surpreendente não”.

Por Mohammad Jamal.

Tema político prepucial? Chamava-se Eberhardt Tibúrcio da silva santos, que lá em casa tratavam-no como Ebe; na rua era Tambu, diminutivo de tamborete. Tambu foi Herança viva deixada por vovô assumida por papai – alguns agregados que viveram por décadas em nossa casa na fazenda em Bagé – lá nos frios campos dos pampas. Ebe ou Tambu era baixinho, troncudo, muito forte, de pouca conversa; andava sempre de bombachas e carregando uma enorme peixeira na cintura. Fui eu que, já rapaz, propus a mudança do seu simplório, mas carinhoso apelido de Tambu para o elástico e flexível Prepúcio. Coisa que ele gostou muito porque o achava parecido com Vespúcio, o navegador, escritor e comerciante florentino Américo Vespúcio. Colou igual uma comenda, tal qual àquela que brasileiros carregam pesada sobre seus destinos políticos. Por aqui povo não fode nem sai de cima, só os políticos são orgásticos por natureza e status. Nós somos apenas e tão somente o tecido prepucial que acolhe ou expõe resignado o ator principal em suas performances copulares na cena política.

PP ou, pulando o prólogo desimportante, mas, necessário. Vamos ao nosso bagual Prepúcio. Eu _ Prepúcio! Que fazes aí por tanto tempo trancado nesse quartinho? Ele _ Estou terminando de esculpir minha obra de arte: Cago e a cinzelo. Pois é, Prepúcio estudou ate o quarto ano primário, mas converteu-se autodidaticamente num sátiro filósofo do cotidiano. Suas tiradas eram ferinas, mordazes, picantes, afinal ele era “o prepúcio”, não? Tudo a ver.

Professor Prepúcio. Aprendi muito com o Prepúcio. Lembro que ele tremia de medo do Papai, homem enorme, forte e decidido que não costumava aceitar desculpas e escapismos espertos de empregados relapsos. As matreirices do Prepúcio resumiam-se ao seu “filosofismo” singular ele era o maiúsculo prepucial das palavras e frases de efeitos. Eu volto ao Prepúcio mais tarde, mas por enquanto, vamos encarar nossa dura realidade; sério.

Arregaçando o Brasil. Nunca se viu na história desse país tanto furor e ganância, algo sem precedentes de tamanha dimensão e magnitude. Falo isso me referindo ao furor destrutivo que se levanta na imprensa contra as instituições do Estado e o governo constituído eleito pelo povo, diga-se por maioria do voto livre e democrático. E isso não se restringe ao ambiente exclusivo da nação; essa voracidade transcende às fronteiras geográficas do país a ponto dos “combates”, praticados a partir de linguagem das bocas imundas dos militantes insurgentes que estandardizam difamações e infâmias e, que denigrem e emporcalham a imagem do Brasil no contexto das nações como se uma terra sem leis, sem ordem social, sem justiça, porquanto dominada por ditadores de ultradireita que usurparam o poder via eleições fraudadas. É surpreendente não. De fato surpreendem-nos o volume dos recursos financeiros e as suas obscuras origens, que custeiam essas operações midiático-escandalosas nitidamente tendenciosas que se supõe direcionadas a beneficiar algumas lideranças e bandeiras políticas varridas do cenário eleitoral brasileiro pelo “teje preso” da autoridade judicial.

Importando mercenários. (Permitam-me este solilóquio) Foi particularmente notável a presença militar cubana na África, com mais de 36.000 efetivos em 1985, especialmente em Angola (23.000) e Etiópia (12.000). Dentro de Cuba, o regime justificava o envio “soldados” cubanos para as distantes guerras africanas sob o discurso de que Cuba era uma nação «latino-africana». O «internacionalismo militar cubano» que incluíram tanto as intervenções militares diretas (envio de forças militares) como indiretas (apoio logístico de governos ou de movimentos guerrilheiros, atividade do serviço de inteligência, incitação de golpes de Estado). O regime socialista cubano deu preferência ao patrocínio de organizações de esquerda — em resposta às políticas de vários países latino-americanos que optaram apoiar as medidas dos Estados Unidos contra Cuba, como a Nicarágua, dos Somoza e a Guatemala de Miguel Ydígoras Fuentes, que apoiaram a invasão da Baía dos Porcos. Cuba até apoiou a resistência clandestina contra Augusto Pinochet e contra as juntas militares na Argentina. O regime socialista cubano nos planos de expansão da sua influência, também deu preferência por direcionar as intervenções militares diretas nas conflagrações ocorridas na África subsaariana. Observem que não mencionei nem de longe o movimento socialista comunista no Brasil que forçaram o desencadeamento da Revolução de 1964, que restaurou a democracia e libertou o país das mãos sangrentas de ideólogos oportunistas de esquerda radical.

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Quem são os seus digitais “influencers”? Dá um “like” aí vai!

As mais relevantes instituições constitucionais da pátria foram substituídas pelos novos “institutos” que demandam e opinam opróbios veementes aos ouvidos das massas. Refiro-me aos poderosos influenciadores no ciberespaço: redes sociais, Whatsapp, Face book, sites, Fake News e tudo o mais que se dissemina através a Internet disfarçados de informações de utilidade pública e pseudojornalismo de conveniências singulares. Na verdade, armadilhas pra capturar porco cateto, javali, esfomeados e excluídos na labilidade dos guetos da obtusidade cultural.

Por Mohammad Jamal.

Há algo diferente no ar e uma sensação tal como se viajássemos num trem ou num metrô e admirássemos a paisagem feérica através os vidros das janelas. Tudo passa rápido e desfocado como se as visse através um espelho côncavo onde as figuras passam como se voassem soltas no espaço impossibilitando-nos fita-las em detalhes; é como se vultos disformes, algo desconhecido, amorfo e sem contornos; sombras produzidas pela interposição de objetos à luz fazem brotar seres alienistas, monstros pictóricos que nossa imaginação não consegue denominar ou associa-las a algo da nossa memória. Não obstante tenhamos nascido e sido criados por aqui, não enxergamos nas figuras desses seres míticos, algo familiar ao nosso corriqueiro existencial. E não estamos em Marte; aqui é a terra e esse, supomos, é o nosso velho Brasil, o mesmo que alguns desocupados viajantes lusitanos asseguram haver descoberto e colonizado. Ou não?

Será que introduziram algo estupefaciente psicoativo, alguma droga pesada ao nosso narguilé das cinco? Ou estamos todos sob os efeitos alucinógenos de alguma substância, algo gigantesco e quimicamente poderoso capaz de induzir as massas a intensa psicolepsia esquizoide? Ou seria algo resultado dos efeitos colaterais de quando se combinam liberdade de imprensa com o massivo tráfego cibernético? Esse etéreo QSP, veículo inoculador utilizado por poderosos “influencers” para disseminar seus cânticos míticos fecundos em denúncias infamantes, arma retórica para promover as mentiras transmutadas em verdades, instilar o veneno da desconfiança e capturar vulneráveis susceptíveis, os tais excluídos; a massa de manobras políticas, aquela com fome, desempregada, abaixo da linha da pobreza, facilmente açulada pelo rancor dos frustros e malogros repetidos e, usada como munição barata por eloquentes influencers midiáticos para chantagear os coringas no poder, disseminar suspeitas e desconfianças nos seios da massa, fomentar inquietações e desordem social enquanto tentam desmoralizar caluniosamente uma das mais importantes instituições representativas da nação, o Judiciário, adjudicando-o em simbiose junto àquelas mesmas desgastadas figuras de sempre no executivo e legislativo, que ainda subsistem à nossa custa sustentadas sobre esteios morais podres, com mimos, vantagens, as tais “conquistas”, num ciberespaço em degradante e inexorável expansão degenerativa. 

As mais relevantes instituições constitucionais da pátria foram substituídas pelos novos “institutos” que demandam e opinam opróbios veementes aos ouvidos das massas. Refiro-me aos poderosos influenciadores no ciberespaço: redes sociais, Whatsapp, Face book, sites, Fake News e tudo o mais que se dissemina através a Internet disfarçados de informações de utilidade pública e pseudojornalismo de conveniências singulares. Na verdade, armadilhas pra capturar porco cateto, javali, esfomeados e excluídos na labilidade dos guetos da obtusidade cultural.

(Je pense, donc je suis) está no livro Discurso do Método, de 1637. Pensologo existo conhecida por sua forma em latim, Cogito, ergo sum, é uma frase do filósofo francês René Descartes, outrora inquestionável; hoje, nem tanto, porquanto já é quase totalmente questionável. Existimos mesmo ou somos apenas alguns caracteres binários presentes nos bancos de dados do Google e outros buscadores autonômicos? Fala sério, viu! Você tem pensado racionalmente de forma analítica e crítica sobre o que é você ou como te representam nesse universo de zeros e uns? 10001010000010010100. Esse aí sou eu! Gostou da minha representação?

Vejamo-nos por outra ótica, por exemplo, a ótica de schopenhauer.  Quando lemos, outra pessoa pensa por nós; nessa situação, apenas repetimos seu processo mental, do mesmo modo que um estudante, ao aprender a escrever, refaz com a caneta os traços que seu professor fizera a lápis. Quando lemos, somos dispensados em grande parte do trabalho de pensar. É por isso que sentimos um alívio ao passamos da ocupação com nossos próprios pensamentos para a leitura, ou quiçá para a mera audição da subversora oratória alheia, muito em voga na “Net”. No entanto nossa cabeça é, durante a leitura, apenas uma arena de pensamentos alheios. Quando eles se retiram, o que resta? Em consequência disso, quem lê muito quase todos os dias, mas nos intervalos passa seu tempo sem pensar em nada, perde a capacidade de pensar por si mesmo, como alguém que, de tanto cavalgar, acabasse desaprendendo a andar com as próprias pernas. E é aí que mora o perigo. Lincham e malham um inocente só porque se ouviu alguém bradar alto: Pega!… Ladrão… Estuprou meu jumento!

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Parodiando: O auto dos Compadecidos

“Sobre as inter-relações dos poderes democráticos, Estado e povo, predomina uma neorrealidade ambivalente, desavergonhadamente deletéria, escancarada e clientelista. Povo e governo vivem em mundos distintamente antagônicos, separados que estamos por muros altos de faces duplas. Somos parceiros distintos de nós mesmos no ambiente supostamente pátrio; a pátria é deles e, em nome da suposta “democracia plural”, negociam como commodities os princípios pétreos legados por Rousseau, pai da moderna democracia, claro, não isso que vige no Brasil”.

Por Mohammad Jamal.

Falar sobre as malfeitorias políticas já não dá mais audiência, ibope, leitura, público. Notícias estampadas sob o cunho apelativo em manchetes chamativas ou sensacionalistas já não despertam interesse algum nos leitores. Há um processo contínuo de erosão moral cronificado sobre as condutas das figuras públicas na política brasileira. Antigamente morria-se de rir das piadas e esquetes teatralizados em caráter cômico pastelão ou tórridos de ironias e críticas ferinas aos atos e condutas das aberrantes personagens do métieur político!  Imagino que o humorismo temático daquela época supunha-se singularmente ficcional; pode ser. Mas a corporificação do ficcionismo que se supunha preso e estacionário sob o abstracionismo do humor como tema, de fato, evoluiu e transmutou-se para um concretismo existencial amargo e intratável. A realidade superou em muito a ficção.

Quem poderia imaginar? A moça liberada, que arriscou fazer sexo antes do casamento, denominaram-na puta. E àquele que roubava; que tomava por empréstimo e não devolvia; que prometia e não cumpria com os compromissos assumidos, eram chamados de ladrões! Os pequenos delinquentes morais daquela época são hoje, condescendentemente imputados como simples e corriqueiros inadimplentes; mercê da reinterpretação semântica do adjetivo “ladrão”, que na atualidade é plenamente lavável, reciclável, reutilizável, reerguido como vestal e, portanto, plenamente reelegível por muitos com a ajuda implícita do texto da Constituição Brasileira de 1988 em seu artigo 5°, inciso LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Por isso, reprimimos a ânsia do vômito quando somos obrigados a votar “nos mesmos”, tão sujos quanto esteio de poleiro de galináceos. A tanto desceu o padrão de tolerância que já há congressistas condenados e encarcerados, mas liberados extemporaneamente para o pleno exercício das atividades parlamentares inerentes aos seus mandatos na câmara, interagindo sabe-se lá, Allah, costurando remendos à Constituição Brasileira e ao vetusto Código Penal em causa própria pela manutenção das suas “conquistas” no decurso da “velha política” teimosa e resistente às fumigações antiparasitárias.

Sobre as inter-relações dos poderes democráticos, Estado e povo, predomina uma neorrealidade ambivalente, desavergonhadamente deletéria, escancarada e clientelista. Povo e governo vivem em mundos distintamente antagônicos, separados que estamos por muros altos de faces duplas. Somos parceiros distintos de nós mesmos no ambiente supostamente pátrio; a pátria é deles e, em nome da suposta “democracia plural”, negociam como commodities os princípios pétreos legados por Rousseau, pai da moderna democracia, claro, não isso que vige no Brasil. No lado de dentro, o lado “deles”, simbolicamente as ruas são seguras; acarpetadas para carruagens douradas na forma dos seus carros blindados, luxuosos importados; motorista particular e parrudos seguranças pessoais; jatinhos executivos e viagens em primeira classe dão o toque VIP à “autoridade” personificada pagos pelo nosso suado dinheirinho, extorquido em via impostas e taxas. Cartões corporativos dão acesso a bebedouros seletivos que vertem champanhe; vinhos caros… Água mineral Perrier. Jornais, revistas, sites e bancos estão sempre de portas escancaradas para recebê-los efusivamente; mulheres e Adônis, prontos para servi-los a tempo e a qualquer hora.

Do lado de lá, as urnas para coleta de envelopes de sugestões e possíveis reclamações com tapinhas nas costas, substituem as desconfortáveis Delegacias Circunscricionais de polícia, onde ralamos para registrar um B.O. Além disso, lá não há juízes, promotores, Ministério Público, Tribunais, etc. que perturbem seus doces farnientes. Um céu de mimos e privilégios… Até o SUS a que nos foi quase totalmente suprimido o acesso por sucateado; do lado de lá atende no Sírio e Libanês; Albert Einstein… Clínica Bambina, “tudo free”, com ouvi dizer lá em Serra Talhada: “De grátis”! Mas do lado de cá, nosso lado, nem é preciso falar; seria redundantemente tedioso repetir o que todos nós, povo, vivenciamos no dia-a-dia. No lado de cá, nosso lado, SUS é SUS mesmo, um SUSto apenas! E não adianta gritar, engula a dor; gritar e gemer piora o humor do apressado doutor com centenas de doentes para atender em quatro horas de plantão!

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As manifestações favoráveis a Moro e o uso da liberdade de expressão

“Apoiar Moro neste momento, com atos públicos na rua, soa tão desarrazoado quanto apoiar os policiais militares de São Paulo acusados de estuprar dentro da própria viatura uma jovem que lhes pediu auxílio, ou apoiar o sargento da Aeronáutica flagrado na Espanha com 39 quilos de cocaína em sua mala”.

Por Julio Gomes.

No dia 30 de junho de 2019 assistimos as manifestações a favor do hoje ministro e ex-juiz Sérgio Moro, que ocorreram em várias capitais e cidades brasileiras.

Como vivemos e acompanhamos os fatos em Ilhéus, tendo assistido pessoalmente à manifestação pró Moro quando a mesma passou em frente ao local onde resido, a tentação de fazer uma avaliação quanto ao tamanho, número de carros, composição de pessoas e outros detalhes é grande, mas resistiremos a ela em nome de um objetivo maior: analisar o que cabe ou não no atual momento por que passa o Brasil.

É necessário deixar claro, em primeiro lugar, que o direito de manifestar-se nas ruas é legítimo e está previsto legal e constitucionalmente. Afinal de contas, ainda temos traços de democracia, embora enfraquecidos, e este direito deve ser defendido e preservado.

Entretanto, diante da gravidade da conduta imputada ao então Juiz Sérgio Moro, cabem reflexões mais amplas. Vejamos.

Um dos requisitos legais mais sagrados na atuação de um Juiz de Direito é sua imparcialidade. Os advogados têm a atribuição de defender a uma das partes e, no processo penal, cabe à promotoria a função de acusar. É assim que deve e tem que funcionar o Poder Judiciário, no Brasil e em qualquer lugar do mundo, para que se busque fazer Justiça!

Quando um Juiz de Direito pende para um dos lados em disputa judicial, ajudando a defesa ou a promotoria, acaba-se a imparcialidade do Juiz. É exatamente isso que as recentes denúncias veiculadas pelo site The Intercept têm nos mostrado, que o Juiz Moro, ao julgar o Presidente Lula, teria orientado a Promotoria quanto à seleção de testemunhas, de procedimentos acusatórios, de quem deveria ou não ser denunciado pelo Ministério Público, das provas a serem produzidas nos autos, enfim, teria atuado decisivamente em favor da acusação, atos que resultam, obviamente, na condenação de qualquer réu.

O momento, ante a gravidade da conduta imputada ao ex- juiz Moro, não seria de apoio, mas de exigir que todas as denúncias sejam rigorosamente apuradas, para que não pairem dúvidas sobre a conduta do magistrado, que caso se mostre tendenciosa, deve resultar na anulação de todo o processo e em seu retorno à Primeira Instância, para que possa ser julgado por um Juiz imparcial, como a lei exige.

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Sai de baixo. Lá vem o Brasil descendo a ladeira…

“Lembram a Petrobrás? Até dia desses quebrada e falida ao extremo, vítima dos saques, assaltos e furtos qualificados praticados por quadrilhas políticas muito bem organizadas! Pois é, ela está novinha em folha e riquíssima novamente, até já distribuindo dividendos aos seus acionistas! Nada como uma boa política de preços, pra eles claro, para ressuscitar a saúde financeira de grandes conglomerados estatais. Gasolina, óleo diesel, gás de cozinha, naftas e solventes vendidos quase de graça aos consumidores brasileiros né. Pena que a fronteira com a Venezuela fica um pouco longe senão iríamos abastecer nossas carroças automotivas por lá”.

Por Mohammad Jamal.

Sócrates bebeu cicuta, e você, vai tomar uma? Aqueles que se dão ao trabalho de ler as bobagens existenciais que escrevo por aqui sabem. Não gosto de escrever sobre política porque o assunto nos deixa com um ranço apodrecido muito ruim na boca envenena nossos humores e contamina nossos líquidos corporais com radicais tóxicos, um veneno lento e mortal.

Com vaselina e cunilíngua é mais caro. Falar sobre política fazia-me sentir igual àquelas prostitutas de antigamente, quando pelas manhãs iam se banhar e lavar ‘as partes’ do labor e da faina de ontem à noite nas águas mornas e cristalinas do Rio Cachoeira, que outrora sobrevivia belo e balneável quando por aqui cheguei ainda criança, a umas dezenas de anos passados. No wash up das manhãs diga-se, o único do dia, elas, as prostitutas, queixavam-se umas às outras sobre os calotes e “penduras” aplicados na noite anterior por fudeões expertos e matreiros cuja cor do نقود ‘naqud’ (dinheiro) não veria nunca mais. Era no ritual coletivo do banho matinal, enquanto desembaraçavam e penteavam-se umas às outras, catando um piolho aqui, um chato ali, esmagados sem dó nem piedade entre as unhas dos polegares, num “ploft” mortal, quase um revide sobre o simulacro corporificado do algoz caloteiro, enquanto faziam seu muro das lamentações inserindo não os bilhetinhos com queixas e rogos nas frestas de pedras, mas os seus cânticos fúnebres lamentosos aos ouvidos das colegas de tão infortunada profissão! – Ufa, que parágrafo longo não! – Isso porque nada, absolutamente nada, nem a Lava Jato, poderia repatriar de volta às suas bolsas empobrecidas a paga pelos serviços, a assistência sexual performática que forneceu profissional e dedicadamente ao sedento visitante. Tal como acontece com os calotes políticos, claro, data vênia, ressalvadas e resguardadas devidamente as imagens e conceito públicos dessas probas profissionais do sexo a quem não cabe censura alguma à sua honestidade e princípios.

As míticas personagens do Sermão do Bom Ladrão – Os Sermões (padre Antônio Vieira) Mas nossos políticos? Me acudam (sic) aí porque eu estou aqui pra acudir vocês! A eles, os políticos, essas enguias viscosas, ninguém pega, ninguém tasca, ninguém dá calote. Raríssimos caíram porque afoitos demais, exageraram na quantidade e volume do saque e pilhagem muito evidentes na bagagem. Raros foram temporariamente parar atrás das grades aguardarem impacientes à iminente transferência para o conforto do semiaberto nas suas mansões e coberturas tríplex, que ninguém é menino.

“Só se deverá acreditar num Deus que ordene aos homens a justiça e a igualdade” (George Sand). A vista cansada, a rigidez muscular reumática talvez, padecentes na fase crônica na chikungúnya, os braços curtos e as pernas trôpegas claudicantes da nossa justiça amparada por num cajado frágil, um código processual conspícuo não obstante desvirtuado e enxertado por medidas de exceções, vacinas, ressalvas e privilégios para legisladores eleitos pelo povo, permitem que títulos de indulgências e salvaguardas transformem políticos em senhores do universo, deuses no Olimpo nos céus do país de São Saruê. “Eu tenho a força” (He-Man) e o poder… E ai de quem mexer comigo! E lá se vão eles, escada acima, enriquecendo prematura e vorazmente a cada dia de mandato, e o Brasil, segue cabisbaixo, e vencido, desce a ladeira; todo fodido, pobre, arregaçado tal e qual seus indesejados inquilinos, o povo, o trabalhador, o aposentado, o produtor, os tais que insistem em estrilar e reclamar entre muxoxos e resmungos silenciosos contra o gigantismo das aberrações praticadas por nossos representantes no executivo e legislativo contra os contribuintes; os mesmos miseráveis contumazes pagadores de impostos, extraídos na tora dos salários e aposentadorias e embutidos em tudo que consumimos, até as exéquias e urnas funerárias estão tributados.

A rainha estuprada refez seu hímen cirurgicamente! Agora está pronta pra servir a outra orgia monetária.   Lembram a Petrobrás? Até dia desses quebrada e falida ao extremo, vítima dos saques, assaltos e furtos qualificados praticados por quadrilhas políticas muito bem organizadas! Pois é, ela está novinha em folha e riquíssima novamente, até já distribuindo dividendos aos seus acionistas! Nada como uma boa política de preços, pra eles claro, para ressuscitar a saúde financeira de grandes conglomerados estatais. Gasolina, óleo diesel, gás de cozinha, naftas e solventes vendidos quase de graça aos consumidores brasileiros né. Pena que a fronteira com a Venezuela fica um pouco longe senão iríamos abastecer nossas carroças automotivas por lá.

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É da lei e natureza do escorpião

“A verdade é que, em vez de usar seu tempo na prefeitura para administrar – e bem – Canavieiras, utiliza parte de seu tempo para atacar os adversários pelas redes sociais, num português chulo e ortografia ridícula, tratando seus desafetos como verdadeiros inimigos figadais. Se esses escusos procedimentos fossem só no particular já não pegaria bem, imagine editando uma “live” no Facebook, gravada dentro do próprio gabinete do prefeito”.

Por Walmir Rosário.

Dizia Tancredo Neves que o político tem de ter medo até para descer do meio-fio e para isso precisa se cercar de todos os cuidados. E o mais mineiros dos políticos sabia muito bem do que afirmava, de promotor público em São João Del-Rei, foi vereador, deputado estadual, federal, senador, governador e presidente da República, que embora não tenha tomado posse, foi eleito pela esperança do povo na construção de um Brasil melhor. Mas isso não faz diferença para o prefeito de Canavieiras, Clóvis Almeida.

Outra lei implacável é a conhecida terceira lei de Newton, cuja teoria diz: “Para toda ação (força) sobre um objeto, em resposta à interação com outro objeto, existirá uma reação (força) de mesmo valor e direção, mas com sentido oposto. Mas, ao que parece, o prefeito Almeida talvez não saiba ou não acate o que seu professor de física ensinou em sala de aula. Pode ser que não deva ter dado a importância necessária, ou, quem sabe, tentar mostrar que Newton estaria errado…

A verdade é que, em vez de usar seu tempo na prefeitura para administrar – e bem – Canavieiras, utiliza parte de seu tempo para atacar os adversários pelas redes sociais, num português chulo e ortografia ridícula, tratando seus desafetos como verdadeiros inimigos figadais. Se esses escusos procedimentos fossem só no particular já não pegaria bem, imagine editando uma “live” no Facebook, gravada dentro do próprio gabinete do prefeito.

Para ele não existe local mais adequado. Em algumas “lives” em que foi obrigado – ou aconselhado – a apagar, cometia crimes de discriminação e homofobia, xingava outros tantos, ofendia familiares de vereadores e ainda atentava contra a religião. Esse procedimento de ditador ganha o mundo pelas redes sociais sem qualquer cerimônia e num discurso chegou a ofender os conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) sem qualquer dissimulação.

E age de forma descivilizada no varejo ou no atacado sem qualquer cerimônia, não se sabe por entender que, como conseguiu escapar da cassação pelo Tribunal Regional Eleitoral num processo com provas robustas de crime por abuso de abuso do poder econômico, inclusive com depoimentos testemunhais e notas fiscais emitidas fora de hora. Para o prefeito de Canavieiras, a frase “a justiça tarda mas não falha” é coisa de zé mané, e que o Ministério Público é coisa pra inglês ver. Basta ter paciência que seu dia chegará.

De certa maneira, seus atos espalhafatosos não são divulgados com o destaque que deveria nos meios de comunicação para não parecer perseguição. Nos momentos em que são levados ao conhecimento por meio dos veículos – rádio, jornal e TV – tenta se defender como se fosse um homem de Deus, apenas por ter ingressado numa religião protestante, acreditando que ao exclamar as palavras, amém, aleluia, Oh, Glória, Jesus está no comando, apagará todos os seus pecados. Ledo engano!

De motoprópria não conseguiu chegar a um cargo público eletivo, mas por ironia da política se elegeu prefeito de Canavieiras com o apoio do ex-prefeito Zairo Loureiro, que tanto eles escrachava. Teriam falhado as leis de Tancredo Neves e Isaac Newton, ou foi uma simples coincidência. Aliás, o fato de Almeida pegar um carro de som e se postar em frente da prefeitura para esculhambar o prefeito foi bastante lembrado e se transformou num “meme” de campanha.

Pouco importou e Almeida, sem grupo político expressivo, mas com o apoio dos Talibãns – como é conhecido o grupo político liderado por Zairo Loureiro – vence a eleição. Antes mesmo da posse, como um escorpião, começa a destilar seu veneno contra os correligionários. Se chegou rachado à posse, assim que sentou na cadeira de prefeito, também agindo como escorpião, iniciou a canibalização do grupo, espalhando seus membros, em vez de ciscar pra dentro, como manda a lei da política.

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