Bolsonaro e Paulo Guedes: o amor líquido entre o bobo da corte e a raposa faminta

Nasceu 2020 e morreu 2019. Sim, o tempo inexorável, passou rapidamente. Parece que foi ontem quando comemorávamos o início de 2019. Naquele momento, como sempre, os bem-intencionados e otimistas de plantão, mesmo que utopicamente, conseguiram irradiar suas crenças num futuro próspero. Ouvia-se nos mais diversos espaços, frases do tipo: quero esquecer 2018, ele foi muito pesado! Mas, infelizmente, nos despedimos de 2019 e recepcionamos 2020 com um sentimento de frustração. Penso que o novo ano se inicia sob uma névoa a ocultar a precarização da vida de milhões de brasileiros.

Por: Caio Pinheiro.

Em termos conjunturais, esperava que no alvorecer de 2020 pudéssemos comemorar a reestruturação da economia, mas, infelizmente, temos que nos contentar com dados manipulados que estão longe de demonstrar nossa realidade econômica, onde a estagnação é uma condição objetivamente irrefutável. Nesse sentido, até aqui, todas as medidas capitaneadas pelo Chicago Boy Paulo Guedes apontam na direção da manutenção do quadro recessivo. Me parece que os deuses da economia bolsonarista perderam seus superpoderes.

Por conta dessa realidade, até mesmo grandes expoentes do nosso utraliberalismo, a exemplo de Armínio Franco, ex-presidente do Banco Central, colocam-se contrários ao receituário de Guedes.  Segundo Fraga, enquanto o enfrentamento da desigualdade social e a equalização da renda forem preocupações secundárias, ficará difícil materializar um ambiente economicamente promissor. E antes que seja acusado de “velhaco comunista” (comunista sou, mas, velhaco, não!), lembro que os EUA, referência maior para nossos liberais, enfrentou a crise de 2008 implementado uma política monetária expansionista. Ou seja, Invés de demonizar o Estado, realizou reformas que promoveram maior investimento em educação, ciência e infraestrutura. (mais…)

Urinoterapia, o dilúvio dos ureteres. Uma breve tragédia conjugal.

Quando garoto, nossa personagem, xisinho,  brincava à vontade com todos os meninos da vizinhança. Enturmava-se bem, era muito participativo e bem integrado com os adolescentes do nosso bairro à época. Ao passar do tempo, ele atingiu a maior idade tornando-se um homem alto, simpático e sempre muito educado para com todas as pessoas. Depois veio a mudança. Algo cósmico, senão metafísico envolvia a personalidade daquele jovem educado e gentil.

Por: Mohammad Jamal.

Coisas do João papa tudo

Uns falavam que era “mediunidade”; outros que era uma espiritualidade latente que estava aflorando. Outros, analistas mais superficialmente, julgavam-no meio “pancada”; com alguns surtos noturnos de ensandecimento que o acometia invariavelmente todas às noites. O rapaz ouvia vozes! Pontual e repetidamente todas as noites ele ouvia uma voz que, literalmente confuso, não compreendia o porquê nem a sua origem. Uma voz humana vinda do nada. Um comunicado alienígena; sabe-se lá se do mundo espiritual ou de outra dimensão nesse caleidoscópio de planos dimensionais que se medram ao viver.

De hoje você não passa.

Não esqueço a festa de casamento desse rapaz. Vamos cognominá-lo de senhor X. Foi uma festa muito bonita e concorrida. A igreja toda decorada com rosas brancas; casamento com pompa e circunstância. A noiva estava linda, toda de branco. Pena que a união não durou. Poucos meses depois a esposa pedia a separação alegando “graves impedimentos relacionais”! Foi um choque para todos nós que sabíamos que eles se amavam de verdade. Uma pena aquela separação tão precoce e dolorida para ambos.

 

Passei a noite procurando tu, procurando tu, tu. Passados alguns poucos meses, tentando se recuperar da perda da agora, ex-esposa, ele conhece outra moça por quem, em pouco tempo, demonstra paixão e propõe casamento. Dessa vez o casamento foi uma solenidade a petit-comitêe; algo discreto, restrito a convidados do círculo mais intimo de amigos prediletos e parentes próximos. Mas para nossa tristeza; passados três meses ficamos sabendo da separação consensual e amigável do casal, sob o relativo sigilo das alegações confidenciais jamais reveladas.

Coincidências entre infortunados por carmas e quebrantos. Como nada permanece eternamente em segredo nesse mundo. Foi assim que tendo ido participar de uma sessão espírita para removerem de um amigo blogueiro ameaçado, o encosto obsedante de um espírito de porco político que o atormentava por voto; eis que lá encontro de cara o senhor X que também e, coincidentemente, nessa dimensão, buscara entre os espíritos, da Coelba, quer dizer, de luz, a cura para a tal voz anserina que tanta infelicidade causava à sua vida e união conjugal. Penumbra, gemidos e resfolegares… Espíritos corporificando entre os “médiuns”. Silêncio e respeito. (mais…)

Idiotização dos intelectos sob a ditadura dos imbecis

Esse bagulho tá mais pra cocô de burro.

Será que alguém por aqui ainda não notou que estão nos imbecilizando? Que estão nos “videotizando” e, por complemento, nos “ciberbestializando” como se fôramos apêndices inúteis de um sistema robotizado irracional, dependente de tudo aquilo que se vê como modismo na metalinguagem pseudo silenciosa dos obtusos pacificados comandados por expertos “influêncers” das redes sociais via ciberespaço dos smartphones? Já estamos quase nos expressando em libras, tamanha a influência da comunicação em tempo real, diga-se, vazia de conteúdo, mas intensamente ativa a ponto de fazer-se “dependente” e, varar as madrugadas de olhos secos fixos nos perfis do instagram, compartilhando no wahtsapp, pavoneando fantasias no facebook, Linkedin abarrotado…?

Por Mohammad Jamal.

Recuso peremptoriamente a lobotomia e a emasculação intelectual. Quero não.

Revendo minhas lembranças no âmbito literário conclui que, estamos menos para o drama 1984 (George Orwell) por seu conteúdo sociopolítico e muito mais para a romance O Videota (Jerzy Kosinski) por seu conteúdo afásico ambientado e embalando no retardo psicológico que acomete muita gente, essas, ditas com pequenas limitações de caráter intelectual. O romance O videota é um brado de alarme, uma tentativa de expor o caráter imbecilizado que se tenta imputar a todos na realidade contemporânea tanto quanto a escancarada demarcação entre o que é ou não digno de ser considerado relevante. Não que essa característica seja absorvida passivamente por todos (longe disso, aliás), mas não se pode negar que tal intuito esteja presente em boa parte das programações televisivas, nos apelos musicais, nas peças teatrais, Internet, e até em certos livros e Cartilhas contendo figurinhas nada sutis, imerecidamente publicados. Há cadência no Videota e poucos parágrafos de descrição ou em que o narrador encaminha a história com suas “próprias palavras”.  O desenrolar da trama se dá em grande medida pelas conversas que os personagens mantêm entre si. Isso é um feito bastante interessante, visto que o protagonista de O videota nunca solta mais do que algumas frases esparsas, curtas, insignificantemente vazias. (mais…)

Subjeções de caráter moral, apenas subjeções

A fala carrega nossas hipocrisias: Constitui-se em grave ofensa aos cínicos quando dialética atropela a semântica, deflora a etimologia, prostitui a filosofia… Na verdade, cínicos não. Eles não passam de um monte de caras de pau.

E esse Rolex aí em seu pulso? _“Isso não me pertence. É do meu amigo”… “Eu não sabia de nada!”… “Eu nomeei ela porque quis. Ninguém me pediu”. “É bom o PSDB ter José Serra para qualquer candidatura”, Aécio Neves (2013). “Não houve mensalão”, Lula (2012). “O Delúbio deixou claro que não houve caixa dois”, José Dirceu (2005). “Ganhei 200 vezes na loteria”, João Alves (1993). “Vamos construir mais presídios para acabar com o problema da superlotação!” “Prender mais é a solução para o problema de segurança pública!”. “As leis penais no Brasil são muito brandas (pra eles). Precisamos de leis mais duras!” “Prometo que meu governo vai inserir Ilhéus no século 22!”. (já estamos lá). A esses falastrões fanfarrões que se repetem de quatro em quatro anos nos palanques, nas mídias, na porta do nosso barraco, prometendo mundos e fundos, chamam-nos equivocadamente de Cínicos, quando na verdade são apenas mentirosos, golpistas estelionatários da verdade, aduladores sazonais aplicando golpes do vigário no eleitorado em plena era globalizada. Diante à semelhante situação de degradação ético moral esparramada no âmbito da política. (mais…)

Feliz Natal!

Viver, existir, finitude. Sou apenas um humanista existencialista, portanto, não desperdice comigo os epítetos de depressivo, amargo, trágico, macambúzio.

Por: Mohammad Jamal.

Isso deveria ser comum a todas as pessoas. Um direito divino bem peculiar. Um determinado dia, antes do sol nascer, nós acordaríamos sabendo que o fim estava próximo, a morte, essa vizinha permanente, decidira corporificar-se presente para nos administrar nossas últimas gotas vida. Nessa hora nós já saberíamos que este seria nosso último dia de vida. Possivelmente nós já nos teríamos nos apercebidos que estávamos mal, mas como já sabíamos previamente quando nossa hora chegaria, nós comportaríamos com serena resignação. Aí, quem ainda os possui, chamaria seus entes queridos, avisaríamos a todos que iria morrer. Fecharíamos nossos olhos e, pacificamente morreríamos, simples e descomplicadamente. (mais…)

O cartesianismo filosófico de Rene, a crítica satírica de Gogol e o cinismo político de Maquiavel

Poderia parecer uma excrescência o meu modo de entender as coisas ditas ou escritas, não fossem elas comuns da usualidade cotidiana, do modo de pensar de todas as pessoas; sejam elas letradas ou iletradas como eu. Segundo os gramáticos, independentemente do teor, verossímil ou inverossímil, existencial ou ficcional; a sintaxe resume-se na disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si; a construção gramatical, etc. Claro, respeitando-se as regras de sinonímia, de substantivação, de adjetivação com as concordâncias de modo geral para que aquele que fala ou escreve se faça entender sem permitir derivações contraditórias ou equivocadas quanto às suas assertivas conceituais.

Por: Mohammad Jamal.

Bípede, com polegar opositor, racional? Eis dualismo psicofísico no ser humano.

Concluindo este breve prólogo; chego finalmente ao conteúdo daquilo pretendo por à baila com aqueles poucos que ainda me leem aqui. Refiro-me às Palavras desmoralizadas! Há! Como elas existem. E em que quantidade absurda elas participam do nosso interagir interlocutório; seja nas interações interpessoais mais básicas, quanto na comunicação escrita e, particularmente, na política e no marketing; como parte integrante naquilo que escutamos que lemos e que vemos no dia-a-dia incutirem-nos como bom e benéfico, ainda que esse “benefício” se contraponha às regras das equivalências básicas do equitativo solidário pelo meio conveniente de medir aquilo que pensamos, dizemos ou fazemos, consistindo de quatro curtas interrogações: (mais…)

O urubu vitorioso adormeceu o gigante preguiçoso: a ressaca com gosto de amnésia coletiva!

O Flamengo sagrou-se campeão duplamente. Primeiro, diante de uma torcida insana, disposta a arrebentar os nervos pelo time do coração, conseguiu arrancar nos idos do segundo tempo a taça Libertadores. Em seguida, tendo como respaldo a matemática dos pontos corridos, também se fez campeão brasileiro com algumas rodadas de antecedência. De fato, a nação rubro-negra tem motivos para comemorar! Todavia, o triunfo do time da Gávea foi sucedido de uma amnésia coletiva. Isso mesmo! Como num passe de mágica, os 14 milhões de desempregados, o retorno de 14 milhões de cidadãos à pobreza, a liquidação dos direitos trabalhistas, o sucateamento da previdência social e tantas outras maldades foram esquecidas. Mesmo assim há quem se contente em sermos o país do futebol!

Por: Caio P. Oliveira.

Contudo, me nego a integrar o coro do contentes, prefiro refletir acerca do que não temos para comemorar. Desta feita, pensando nos dias seguintes, quando a adrenalina voltou a níveis normais e a realidade ofuscou o sonho, tudo que efusivamente ficou claro imergiu na escuridão, e no lugar de expressões como “mengo campeão”, voltamos a ouvir lamentos do tipo “estou desempregado irmão”! E para esse lamento, infelizmente, o senso de oportunismo de Gabigol não pode ser tomado enquanto solução. Por mais que a predestinação desse atacante nos seduza a acreditar numa solução miraculosa, há um abismo incômodo entre sonho e realidade. (mais…)

A Dança das Vampiras

A “Noite da Agonia” E o pau comeu solto na corte de D. Pedro! O auge da crise ocorreu com a publicação no jornal Sentinela da Liberdade, de um texto assinado pelo “Brasileiro Resoluto” (pseudônimo de Francisco Antônio Soares) acusando dois oficiais lusos de traidores. Ofendidos, resolveram punir o autor do artigo. Na noite de 5 de novembro de 1823, os mal informados oficiais surraram a bengaladas o farmacêutico Daniel Pamplona Corte Real que nada tinha com o episódio. Pamplona, que não era brasileiro de nascimento, queixou-se à “soberana Assembleia” e o assunto foi discutido em plenário – onde Martim Francisco e Antônio Carlos, exaltados, bradavam por vingança, na sessão do dia 10 de novembro, com um significativo comparecimento da assustada população. Tipo as sessões da nossa egrégia Câmara. E não deu em nadinha, Assembleia foi dissolvida e, pra variar, em nossa Câmara, nobres legisladores engordam na pachorra enquanto tentam proteger ciosos seus pontuais Cofbreak calóricos, vespertinos, dos esfomeados ratos convivas que infestam o palácio legislativo. Uma desratização se faz necessária, murídeos são causadores de inúmeras e perigosas zoonoses.

Por: Mohammad Jamal.

As “Noites de Anemia”. A cidade em agonia sobrevive insone; há um clamor generalizado, porque ninguém não consegue fechar os olhos por mínimos instantes para um justo e merecido sono reparador. O terror está espalhado por toda a cidade, indiferente aos clichês pomposos dos endereços de condomínios e bairros grã-finos, tipo Barro Vermelho, Vilela, Rua do Mosquito, Vila Juerana, Itariri, tanto quanto nos recantos mais humildes, onde nem o Correio entrega correspondências; tipo Sítio São Paulo, Jardim Atlântico I, Condomínio Praias do Atlântico, Torres do Sul, etc. dentre outros tantos onde só moram pés rapados. Ate parece que estamos vivendo na romena Transilvânia, terra do conde Drácula, chupador emérito do sangue alheio, o pai de todos os vampiros. O caso é seríssimo. Elas chupam mesmo! Não importa seu grupo sanguíneo, seu baixo hematócrito, sua palidez anemiforme; sua deficiência de hemácias e baixa hemoglobina no sangue circulante.

A falta que nos faz o Inspetor Geral (de Nicolay Gogol)! Ainda ontem, já meio fraco e cambaleante, fui me deitar com Damiana logo depois de assistirmos ao erudito Programa do Ratinho, pra rebater aquela matança sangrenta da tardinha que assistimos no Datena. Como sempre, sem outra solução, nos cobrimos dos pés à cabeça com aquela velha coberta “dorme bem” que ganhamos de uma ONG de nome muito sugestivo a, Nordestino Também é Gente. Debaixo da coberta devia estar fazendo uns quarenta graus de calor, mas fazer o que? Era a nossa única salvaguarda contra as vampiras. Nessa estufa suarenta, mas necessária, eu ate aprovo os habeas corpus concedidos aos inúmeros flatos, podres, ministrados parcimoniosamente por minha companheira de cama, mesa e trabalho, minha suprema ministra, a Damiana. Que seria de mim, sem ela, sua المهبل e macia poupança? جحيم (mais…)

Bonitinha mas ordinária

Aquela mocinha sem pudores, liberada, Black Friday, moderninha, que faz sexo casual poli genérico, que experimenta todas as drogas e, acorda da noitada tranquila olhando o GPS para saber situar-se onde passou a noite; desobrigada das flexíveis regras morais da modernidade, já não nos espanta com seus arroubos de liberalismos permissivos. Não estou me referindo àquela septuagenária, mas ainda sexualmente ativa, à época, a Bubulina, personagem icônica em Zorba o Grego, livro de Nikos Kazantzakis, porque para alguns padrões atuais podemos dizer muito da sua recatada vestalidade. Tampouco traço referências paralelas àquelas moças de olhares gulosos, da Rua Augusta, das mais baratinhas da Avenida Jockey Club e, vou mais longe. Bangladesh é um dos poucos países muçulmanos onde a prostituição em bordéis registrados é legal. O Kandapara, em Tangail, tem cerca de 200 anos, sendo o mais antigo e um dos maiores da região. Têm também as infelizes mulheres de Nova Délhi, nascidas na etnia Perna, casta indiana que força as mulheres a se prostituir. Mas todo esse longo prólogo se faz necessário para que eu mesmo, em agonia moral, entenda alguns porquês da prostituição, ou seria criminalidade no âmbito politico partidário.

Por Mohammad Jamal.

Sodoma é aqui?

Mas isso não ocorre apenas em Daca, Nova Délhi, São Paulo, Brasília; predomina em todo Brasil. A prostituição moral, os desvios de condutas, as roubalheiras, etc.; deixaram de constituir ocorrências episódicas, passando a predominar como metodologia única o exercício e praticas políticas. A política brasileira, como julgam alguns, não vive um momento atípico, conforme demonstram o estranhamento e a indignação de todos os brasileiros com fatos recentes reprisados da nossa história. Apropriar-se de forma espúria do erário público em benefício próprio, passou a ser tão trivial quanto registrar uma candidatura no TRE: Apenas uma candidatura! Nada se perde. Estamos vivenciando um estado de consensualidade, condescendência e mútuas tolerâncias que, juntas, tornam impossível separar réus de vítimas; acho que somos todos, povo e políticos, os réus na materialidade desses delitos só apenáveis com cadeia depois de transitadas em julgado em segundas, terceiras, quartas instâncias; quer dizer: nunca. O exemplo clássico está aí mesmo, nas ruas em pré-campanha para presidente. Que horror!

Nos circos de antigamente tinha Mata Cachorros!

Dou por exemplo os trios elétricos e blocos carnavalescos baianos que utilizam cordas e leões de chácara para afastar penetras expertos, aqueles quem não pagaram por um “abadá”, situando-nos todos no mesmo bloco, mas por foras das cordas. Já anunciava o nosso craque Gerson, na propaganda dos cigarros Clássicos: “Brasileiro gosta de levar vantagem em tudo, certo?”. As “vantagens” continuadas estão custando-nos muito caro! Vê-se nitidamente, a desagregação que resulta do apodrecimento moral e ético que atinge uma classe em especial, a dos políticos. Indiferentes, eles fomentam o descrédito que acomete os brasileiros com relação aos institutos legais do Estado obscuramente representados pelo legislativo, executivo e, em sendo parcialmente politizado via “indicações”, quando deveria ser por méritos, o judiciário. Diante de tanta delinquência institucionalizada; alforrias auto atribuídas; “imunidades e foros especiais”, indulgências genéricas e impunidades. Nesse sumidouro imoral, o brasileiro vê-se como cidadão de segunda categoria quando afere e se dá conta da desimportância com que o estado de direito encara seus valores morais, sua idoneidade, sua integridade jurídica, seus direitos constitucionais, sua moral coletiva… É povo? Que se explodam! Diria o deputado Justus Verissimo (do Chico Anísio).

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Os dramas num mundo distante e desconhecido: A paixão de Aysha

Havia angústia e estupor estampados em seu semblante contraído, um rosto prematuramente envelhecido para seus vinte e oito anos; olhos tristes lacrimejantes, a tez branca do seu rosto transparecia murcha, sem viço algum, lábios ressequidos na palidez; o hijab (1) só lhe ocultava os cabelos que, ante o desespero corporificado, supus brancos farinhentos – (No Islã, o hijab é o vestuário que permite a privacidade, a modéstia e a moralidade, ou ainda “o véu que separa o homem de Deus”). Não obstante sua enorme emoção, ela conseguia falar pausada e compassadamente, o que me fez estarrecer em admiração, tamanho seu domínio e autocontrole evidentes.

Por: Mohammad Jamal.

Não pude conter minha admiração vendo a enorme força emocional contida num corpo mirrado, magrinho, delicado, mas ainda assim não totalmente abatido. Aparentando estoica resiliência, ela continuava lutando. Todo esse quadro impactante alterou minha fleuma masculina de muslime, mas dissimulei minha surpresa com um curto sorriso complacente e confortador, como se lhe afagasse com um abraço solidário. – Por aqui o homem não abraça a mulher senão no recato da alcova – por isso, o meu sorriso simbólico era o máximo que eu lhe poderia oferecer em termos solidários adequados à contida cordialidade dos nossos costumes.

Como se uma chuva de fagulhas de fótons, centenas de pensamentos contendo suposições e possíveis equivalências existenciais transpassaram meu cérebro em tempestade, ávido por antevisões plausíveis que fossem capazes de produzir tamanho sofrimento em alguém tão frágil e vulnerável, além de tudo, do sexo feminino, uma mulher. Meus pensamentos varreram o universo das minhas memórias recolhendo os mais variados e violentos referenciais, inclusive aqueles memoriais dramáticos da literatura russa da qual sou um apaixonado, tendo lido quase tudo que foi traduzido dela, um tesouro.

Com algum esforço, consigo recompor meu equilíbrio e serenidade interior, abalados. Não lhe posso oferecer água para beber, sal, chá ou convidá-la a sentar-se, este é o rito padrão por aqui. Fingindo calma, resguardo um silêncio respeitoso enquanto fito-a nas mãos ansiosas que se contorcem convulsivamente como se lutassem entre si e, no lapso enquanto me recomponho, dou mostras de que estou pronto para ouvir seu relato confessional. Estou sentado sobre uma almofada tendo minhas costas apoiada à parede, à mão, segura entre os dedos, tenho uma chávena com uma tisana de Karkadet (2) e hortelã verde que vou degustando com pequenos e compassados goles, cuidando para não derrama-lo minha com mão ainda trêmula, sobre Kandura (3) branca de linho que estou vestido. (mais…)

Consciência Negra e negros conscientes: nem sempre faces da mesma moeda!

Para as organizações negras, novembro é um mês emblemático, visto que no seu transcurso são desenvolvidas ações para celebrar o dia da Consciência Negra. Associado à morte de Zumbi dos Palmares, um dos maiores ícones da resistência à escravidão, o dia 20 de novembro foi definido como marco temporal da tomada de consciência em torno da seguinte questão: o que é ser negro no Brasil?

Por: Caio P. Oliveira e MC Ogiva.

Sem dúvida, esse é um questionamento que nunca perdeu ou perderá sua pertinência; pois, embora seja real que na última década nós negros conquistamos espaços que nos eram até então interditados, os obstáculos para conter nossa ascensão socioeconômica ainda continuam intactos. Contudo, devemos celebrar algumas conquistas: pela primeira vez na história do ensino superior brasileiro os negros são maioria nas universidades públicas. A universidade pública, espaço outrora hegemonicamente branco, enfim, passou a refletir com maior fidedignidade quantitativa a composição racial do país.

Todavia, estamos diante de um dado que precisa ser circunstanciado historicamente, sob o risco de tomarmos como dada uma realidade que demandou muita luta e conscientização para ser materializada. Assim, desde o final do século XIX, quando se deu a abolição da escravidão, ratificada em 13 de maio de 1888 através da Lei Imperial nº 3.353, a população negra vem buscando emancipar-se da condição marginal na qual foi imersa, encampando lutas por pautas fundamentais para a conquista da cidadania e questionando o lugar atribuído aos afrodescendentes na estruturação do Brasil como Estado-Nação. (mais…)

Um dia sem Rivotril

Se nos estagnamos indiferentes ao conhecimento, se acreditamos que já dominamos saberes suficientes para declinar todos os “verbos” inclusive, o intransitivo do “Existir” no presente do indicativo; se paramos de aprender, supondo já havermos atingido o ápice da sapiência e julgando que já nos abastamos à saciedade de doutos conhecimentos, coisa que nem os grandes sábios das ciências e filosofia conseguiram alcançar; é chegada a hora de procurarmos regularizar nosso Passaporte e solicitar um visto de entrada nalgum país de primeiro mundo, urgente.

Por: Mohammad Jamal.

Refiro-me a fixar residência e cidadania em um país, tecnológica, social, cultural, política e economicamente desenvolvido, com PIB, IDH ascendentes e promissores. Tipo Islândia; Hong Kong, China (SAR); Suécia; Cingapura; Holanda e (Países Baixos); Dinamarca; Canadá; Estados Unidos; Finlândia, etc. etc. e tal. Bem distantes dos índices medíocres de países da América Latina, dominados por quadrilhas políticas de esquerda e direita, gozando do apoio das Cartas Magnas Constitucionais desvirtuadas por PECs viciosas e convenientes legisladas em causa própria e mais a guarda e proteção da Justiça, que lhes assegura a permanência e retorno ao poder, à revelia dos crimes cometidos contra a economia do país e seu povo. Em sendo minoria aqui embaixo, não há razão alguma para ficar aqui gastando à toa a nossa combustível e farta sapiência sem a devida contrapartida social na escala do IDH.

Quem diz povo, diz muitas coisas: é esta uma expressão muito vasta, e fará espanto ver o muito do que ela abrange e até onde se estende o seu significado: há o povo que é o oposto dos grandes, e que é a populaça e a multidão; e há também o povo que é o oposto dos sábios, dos capazes e dos virtuosos, e, neste caso, tanto são povo os grandes como os pequenos. Os grandes governam-se pelo seu sentimento: almas ociosas, sobre as quais tudo faz de princípio, uma grande impressão. Se alguma coisa sucede, não falam senão disso, e falam demais, mas bem depressa começam a falar menos, e logo não falam mais, e mesmo nunca mais falam: a ação, conduta, trabalho, acontecimento, tudo é esquecido; não lhes peçam nunca nem correção, nem espírito de previsão, nem reflexão, nem reconhecimento, nem recompensa. Os juízos sobre certas pessoas vão aos dois extremos opostos; a sátira, depois de sua morte, é voz corrente entre o povo, ao mesmo tempo em que, nas abóbadas dos templos reboam os elogios fúnebres; muitas vezes, elas não merecem nem o libelo nem o discurso fúnebre: algumas vezes, porém, são igualmente dignas dos dois. No melhor resguardo do silêncio sobre os poderosos, haverá quase sempre alguma lisonja em dizer bem deles; e há perigo em dizer mal, enquanto vivem, e covardia, depois que morrem. (mais…)

Caneta Azul, funk, o Rap, as bundas cantantes, apedrejá-las por quê?

É nóis, amanhã”. Temos ouvido muita coisa que insistem teimosamente afirmar ser música da melhor qualidade. Muito surpreso, nos depararmos com os mais bizarros e poucos sutis textos musicados liderando as “paradas de sucessos” nacionais, fenômeno que também ocorre lá nas terras do tio Sam. Imagina! E para não transparecer fantasioso, vou citar alguns títulos, sem as devidas letras e “partituras”, evidentemente censuradas protegendo o recato e bom senso deste Blog: Desce daí seu corno e Eu levei foi gaia (Nenho); Fuleragem (MC WM); Caneta Azul (Manoel Gomes); Tum Tum Tum e, Papum (Kevinho); Joga Bunda (Aretuza Lovi); Zé Droguinha (Matheus Yurley); Popão Grandão (MC Neguinho do ITR); Vá Lavar o Toba e, pra finalizar, Posso te empurrar?* (MC Arraia).

Por: Mohammad Jamal

Todas essas celebridades musicais contam com centenas de milhares de execuções por dia e milhões de Reais arrecadados em Direitos Autorais, uma nina de diamantes! Fica uma questão. Esses “compositores”, cantores e suas temáticas místicas são prova inconteste da mediocrização cultural porque passa o Brasil ou somos nós, elitistas assustados com os temas bizarros e, além de invejosos, um bando de incompetentes incapazes de enriquecer vendendo cágados na Sibéria? Tenho cá minhas dúvidas.

Com Caneta Azul. Refletindo pedagogicamente sobre assunto tão premente, baladas, pancadões, paradas na noite, a evolução sociocultural de uma geração, etc. não encontro na gradiente evolutiva dos povos ditos culturalmente atrasados tampouco, dos muito atrasados, lapsos pontuais para sustentar uma análise sociológica no mínimo inteligível, porque racional, impossível. Aí lá me vou atrás de sustentação analógica naquele que é considerado o pai da química moderna, o francês, Antoine Laurent Lavoisier. (mais…)

Arbítrio, censura e pós-verdade robotomizada: o que mais esperar do nosso Mussolini tropical?

Mesmo tendo disposição para o debate político qualificado – daí decidir evitar rebater as verborragias que povoam as redes sociais, manifestadas com refinada ignorância pelos mínios – tornou-se impossível não qualificar de fascista o governo Bolsonaro. Reunindo atributos   ideologicamente identificados com o sistema doutrinário forjado por Benito Mussolini, numa Itália combalida pela I Guerra (1924-1918), o “mito” comporta-se como uma encarnação tropical do líder fascista italiano, porém em constante metamorfose catalisada pela força das conveniências.

Por Caio Pinheiro.

Como um animal político camaleônico, Bolsonaro encarna facetas que remetem a figuras históricas controversas. Hora Mussolini, hora Carlos Lacerda (líder entreguista da UDN, inimigo de primeira do nacionalismo varguista), hora Jânio Quadros (presidente eleito pela UDN e defensor de uma pauta extremante moralizante, mas incompetente administrativamente), hora Hitler (arquiteto do nazismo e responsáveis por todos os males que causou), hora Plínio Salgado (propositor do integralismo, movimento político que traduziu no país o pensamento nazifascista), hora paladino da luta contra corrupção, e hora que soma-se às horas em que não responde a simples pergunta: cadê Queiroz?  E assim segue o Brasil presidido por um camaleão, que muda o tempo todo sem conseguir mudar o quadro de desestruturação do país.

Os dias passam e o séquito dos desempregados aumenta. Já temos 14 milhões de cidadãos nessa condição aviltante. A economia patina no mar gelado das incertezas macroeconômicas do Chicago Boy Paulo Guedes. Fica cada vez mais claro a impossibilidade de se reorientar economicamente o país com ladainhas. A reforma trabalhista a curto e médio prazo foi incapaz de gerar os empregos prometidos. Agora as apostas estão voltadas para a nova previdência. Espera-se um milagre. Os investimentos estrangeiros são aguardados enquanto uma manifestação miraculosa. Em resumo, nossos liberais pensam da seguinte forma: arrumemos a casa para recebermos os ocupantes dos quartos que não sabemos quem são, quando e se virão.

Politicamente, mantendo seu discurso moralista, Bolsonaro asfixia-se nas próprias incongruências. Prometeu um governo de puritanos, mas nos fez engolir um conjunto de ministros suspeitos e condenados. Dos seus 22 ministros, seis enfrentam acusações na justiça. São casos que suscitaram processos e investigações por caixa dois, improbidade administrativa, desvio de recursos públicos e irregularidades em negócios com fundos de pensão. Algumas situações são escabrosas, destacando a do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), aquele do laranjal, acusado de se apropriar dos recursos do fundo partidário destinados às candidaturas femininas do PSL.

Outro infortúnio digno de nota é o vivido pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, que enfrenta uma ação civil pública ajuizada pelo MPF (Ministério Público Federal) em virtude da suspensão do edital da Ancine para produções de audiovisual que tinha como principais beneficiárias emissoras e televisão públicas. Considerada como a primeira medida de censura praticada pelo governo Bolsonaro, causou prejuízo aos cofres públicos uma vez que o governo federal já havia gastado R$ 1,8 milhões na análise de 613 propostas que disputavam o edital. (mais…)

Dialogar com sonhos, “Navegar é preciso, viver não é preciso” (*)

Esta semana um grande amigo que não gosta de festas ou comemorações fez aniversário, mas nem por seu recato, temperamento resguardado na singeleza discreta das suas condutas, não pôde escapar de afetuosa comemoração. Foi ele quem me ensinou a ler e escrever de carreirinha! Sei que ele não gosta que o perfilemos segundo a impressão que nos causa, mas digo: É elegante, terno e amorosamente romântico, às vezes apaixonado, é capaz das maiores demonstrações de violência e dramaticidade; embora a distimia o faça triste e depressivo, o contraponto da bipolaridade emocional arrebatamentos dramáticos; sua personalidade multifacetada o faz ir das lágrimas copiosas aos êxtases de felicidade entre beijos e afagos. A personagem, amiga, admirada, amada e cultuada, atemporal porque nunca envelhece, é o Livro. Dia 29, ontem, foi seu aniversário, O Dia do Livro.

Por: Mohammad Jamal.

Assim, com a física quântica dos sonhos e tendo o Universo Numa Casca de Noz (Stephen Hawking) eu dobro o espaço tempo. Viajo pelo mundo na caravela de Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen cujas aventuras foram compiladas por Rudolph Erich Raspe e publicadas em Londres em 1785. Aceito a minha própria companhia e, compreendendo-a, comprazemo-nos maravilhados empreendendo distantes viagens míticas ao tempo e espaço etéreo, o universo da literatura.

Bons amigos e parceiros, fomos à Pérsia do grande conquistador Alexandre, O Grande, com quem aprendemos uma célebre e inesquecível frase: “Ladrão, é também aquele que faz da genialidade de outro; a sua própria.”. Foi entre a Pérsia antiga e a França que em 1721 conhecemos dois amigos missivistas muito fluentes e satíricos, Rica e Usbek – Cartas Persas – (Montesquieu). Um fino traço irônico é explicitado logo na primeira carta: “Somos Rica e eu talvez os primeiros persas que, levados da sede de aprender, saímos do nosso país, abandonando as doçuras de uma vida sossegada para afadigar-nos em busca a sabedoria” (MONTESQUIEU, p. 31). Também fomos a Roma onde conhecemos Calpurnia, bem muxibenta, um caco, terceira esposa de Júlio Cesar. Aquele que se engraçou perdidamente pelos encantos de uma egípcia fogosa, gostosona, uma potranca no cio, e depois “sifu” no senado onde ardiam de inveja das suas fornicações e poder e urdiam sua queda em golpe violento. Com muito sangue, Cesar foi apunhalado no corredor do senado, inclusive por Brutus, seu filho adotivo; coisa parecida com o controle de natalidade aplicado pela PM que acontece na Cidade de Deus/RJ. Fomos ao Coliseu, más lá só vimos centuriões exibicionistas vestindo minissaias, sem calcinha, um horror. Nada de shows. Estavam em falta de material humano, figurantes cristãos, para contracenar com os leões. (mais…)