Navegação de cabotagem pelos manguezais canavieirenses

“Pegar o voo de uma garça, então, é a glória, que dirá os saltos de peixes e a paisagem bucólicas das casas dos pescadores e agricultores”.

 

Por Walmir Rosário.

Eu tinha a simples percepção que essa viagem não daria certo, apesar de ser uma pessoa otimista que sempre acredita nas coisas novas, mesmo quando experimentais, principalmente quando vislumbro aventura. Além do mais, pelo cenário pictórico dos manguezais, com suas plantas exuberantes, deixando à mostra suas enormes raízes e folhas, numa viagem emocionante pelos canais fluviais entre Canavieiras e Belmonte.

Minha apreensão não se prendia às qualidades e habilidade do piloto da lancha, marinheiros acostumados às constantes viagens de turismo ou simples transportes entre essas duas cidades, encantando seus passageiros. Conhecimento da área não faltam aos experimentados marinheiros, que sabem – sem consultar o Google ou os livros – os horários das marés, os ventos e outras intempéries.

Buscam, sempre, o “mar de Almirante”, para deixar à vontade seus clientes, ávidos por fotos e filmes com a exuberante paisagem e fauna, buscando emoções nas imagens, em que caranguejos e guaiamuns se transformam em artistas de cinema, mais, ainda, verdadeiros astros. Pegar o voo de uma garça, então, é a glória, que dirá os saltos de peixes e a paisagem bucólicas das casas dos pescadores e agricultores.

Mais essa viagem não seria apenas um simples translado de Canavieiras a Belmonte, cidades tão próximas que, às vezes parecem distantes. O percurso, feito em apenas 40 a 50 minutos, a depender das condições de navegabilidade, seria feito com esmero. E para garantir a segurança dos Irmãos, não teria comandante mais gabaritado do que Raimundo Antônio Tedesco, versão canavieirense de Vasco Moscoso de Aragão, Capitão de Longo Curso.

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A Covid-19 e os que perseveram

Saiba que não está sozinho, que é credor de admiração e respeito, e tenha a certeza de que contribuiu, sim, para que muitos pudessem ser salvos.

Por Julio Gomes.

Desde fevereiro/março 2020 o Brasil vive, dentro de seu território, com o drama de conviver com a Covid-19 e seus efeitos: sociais, econômicos, culturais e, obviamente, com os adoecimentos, mortes e sofrimentos que dela decorrem.

Também desde o início se enfatizou a necessidade de isolamento social, o “fique em casa”, o imprescindível uso de máscara, álcool 70º e demais medidas para conter o avanço do vírus.

Viu-se também, na contracorrente das medidas acima, a pregação aberta, teórica e sobretudo prática, ao desprezo de quase tudo o que foi descrito no parágrafo anterior, feita por parte de algumas autoridades de renome e de eminentes figuras que incentivaram a população o tempo todo a desrespeitar todas as normas sociais e profiláticas de prevenção à doença.

O curioso é que estas mesmas altas figuras, quando eventualmente contaminados pelo vírus, corriam para hospitais do padrão do Albert Einstein, em São Paulo, ou mesmo para o Hospital das Forças Armadas, em Brasília, valendo-se da excelência do atendimento destas instituições, enquanto milhares de seus entusiasmados seguidores morriam sob a ação do mesmo vírus nas portas do SUS, abarrotadas ou fechadas; e contribuíam para que o vírus passasse adiante, em busca de uma vítima mais frágil, destinatária à morte.

Mas houve e há aqueles que, em ato de firme responsabilidade social, adotaram desde o princípio e se mantiveram firmes nas medidas de prevenção, no isolamento possível, na solidariedade, no silencioso e anônimo trabalho de se limitarem com relação a inúmeros afazeres, prazeres e até algumas necessidades, para dar sua contribuição, pessoal, intransferível e importantíssima para que pudéssemos caminhar para uma superação menos trágica deste momento doloroso. (mais…)

A ponte que liga o paraíso ao transtorno

Após a construção da “ponte do paraíso” vem ainda mais; o “transtorno” para os moradores.

Por Benedito Souza.

Uma determinada ‘escola’ de filosofia sempre destacou uma diferença fundamental entre a razão instrumental e a razão crítica. A primeira tem medo dos avanços e da tecnologia. A segunda afirma que todos os avanços e todas as tecnologias são bem-vindas, no entanto que venham para o bem da humanidade e que tragam benefícios para o gênero humano.

Desta forma, a aspiração de toda a comunidade ilheense era a chegada da nova ponte para que pudesse resolver problemas de décadas de mobilidade urbana que estavam insustentáveis. Falei ‘toda’, pois não há uma só pessoa na cidade, bem como na região, que não almejasse com esperança a construção da ponte que ligaria o centro da cidade de Ilhéus à zona sul, lugar de belíssimas praias e outros encantos.

No entanto, mais uma vez, foi demonstrada uma concepção liberal dos administradores públicos; com a chegada de um novo cartão postal, expulsa-se a comunidade que historicamente vivia no local para dar lugar a grandes empreendimentos turísticos. Uma prática nociva que se repete, onde o capital tem poder.

A comunidade da Nova Brasília teve perdas irreversíveis com essa construção. Começando com os pescadores que ali viviam (já que muitos foram obrigados a deixar suas casas) com a dificuldade de colocar seus barcos de pesca para sair da baía do Pontal. O assoreamento deixou a saída das embarcações perigosa, e com a maré baixa o canal da barra fica com apenas um metro de profundidade, não sendo possível passar para garantir o sustento, só podendo sair a cada 12 horas.

É bom lembrar também que um dos primeiros episódios de impacto na comunidade diz respeito à retirada de um colégio público estadual, cujos estudantes eram, em sua maioria, da Nova Brasília, sem a devida construção de outra unidade escolar em nenhum lugar da cidade. (mais…)

Porque precisam que você seja um idiota

Quem aceita muito lixo na cultura também o consumirá nas informações buscadas na internet, nas manifestações artísticas, procurando sempre e invariavelmente na TV e nas redes sociais o grotesco, o sangrento, o baixo nível.

Por Julio Gomes.

Estamos no tempo da estupidez exacerbada, das execuções festejadas, do elogio da violência, da tortura, da afirmação do grotesco. Não é por acaso. Nada é por acaso.

Nós, povo brasileiro, já ouvimos no passado muita música de qualidade, desde o Já saudoso e distante no tempo Luiz Gonzaga até os não tão distantes, mas também saudosos roqueiros Cazuza e Chorão.

Já assistimos excelentes novelas, mesmo na tão criticada Rede Globo. Quem pode negar o quanto era bom assistir Roque Santeiro, O Bem-Amado, Gabriela e outros folhetins televisivos que nos levavam do riso às emoções mais profundas?

Também já tivemos excelentes autores, em prosa e verso, de Guimarães Rosa e Carlos Drumond de Andrade até nosso conterrâneo Jorge Amado.

E será que não há, hoje, bons músicos, boas produções para TV e bons cronistas? É claro que há, sim, muitos e excelentes. O que não existe mais é espaço para que eles apareçam, para que seus trabalhos se tornem cultura de massa.

Desde alguns anos, talvez desde o início dos anos 2000, temos visto uma perda de qualidade contínua e assustadora da produção artística que chega à maioria da população, ressalvadas poucas exceções. (mais…)

A contemporaneidade das Ciclofaixas na Cidade de São Jorge dos Ilhéus

“Todo mundo tem direito à vida, todo mundo tem direito igual”.

Por Elvis Pereira Barbosa*

Motoqueiro caminhão pedestre
Carro importado carro nacional
Mas tem que dirigir direito
Para não congestionar o local
Tanto faz você chegar primeiro
O primeiro foi seu ancestral
É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial
A cidade é tanto do mendigo
Quanto do policial
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

(Trecho da música Rua da Passagem, Lenine).

Vivemos tempos diferentes, o ano de 2020 tem nos mostrado isto a todo instante. Esta afirmação pode ser aplicada à nossa cidade, São Jorge dos Ilhéus como carinhosamente gosto de chamá-la.

Mostrando o quão diferente estamos, gostaria de chamar a atenção para a maneira como nos deslocamos dentro do nosso território, principalmente na zona urbana. Nestes tempos de pandemia, após passarmos meses em confinamento por conta da crise sanitária (eu ainda sigo confinado, saindo de casa apenas quando há necessidade), redescobrimos a cidade e percebemos como é maravilhoso poder circular por ela, seja a pé ou de bicicleta. Entretanto, alguns dos velhos atores seguem ignorando essa mudança de paradigma e que tem influenciado positivamente muitas pessoas, levando-as a “descobrirem estas novas maneiras” de interagir com a cidade.

Nestes últimos meses, o número de novos ciclistas aumentou significativamente e a ciclovia da nova ponte demonstrou a urgência da ligação da zona Norte com a zona Sul para facilitar a circulação de bicicletas pela cidade. Um fato a ser observado é o aumento do fluxo de ciclistas na ciclofaixa do Malhado/Litorânea Norte e recentemente na nova ciclofaixa Parque Infantil – Barra. Os ciclistas comuns, que usam a bicicleta para o trabalho/deslocamento estão usando de maneira intensa aquele trecho. Porém, nem tudo são flores. (mais…)

Impossível calar a imprensa ilheense

Não é a primeira vez que um comunicador se depara com esse golpe contra a dignidade da pessoa, em que um poderoso tenta lhe tirar o emprego. Mais que isso, querem lhe tirar a dignidade, a capacidade de trabalhar e com o suor do seu rosto manter as obrigações mínimas de sua casa, cuidar de sua família, levar para casa o pão de cada dia, como todo o trabalhador.

Por Walmir Rosário.

Conheço o radialista Luke Rey há muitos anos, com quem tive o prazer trabalhar junto. Um repórter nato, daqueles que não briga com a notícia, dos que numa análise rápida enxerga o futuro, sabe perguntar e respeita o entrevistado. Há muito não nos vemos e recentemente soube que virou notícia, daquelas que ele sabe fazer. O que me intrigou foi que o bom comunicador faz notícia, não se transforma em notícia.

Imediatamente, pensei…tem alguma coisa errada, pois Luke Rey nunca foi de pular para o outro lado do balcão. Após uma busca na internet, chego aos fatos. Luke Rey foi obrigado a deixar o comando do programa Gabriela News, na Gabriela FM. Até aí tudo bem, não fosse a violência perpetrada contra ele pelo prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, o conhecido Marão.

E Marão usou contra Luke Rey – um fiscal da sociedade – uma arma torpe, aquela usada pelos poderosos, os de alto poder econômico: as ações judiciais, num total de nove, contra um comunicador indefenso, cuja uma única arma que possui é o microfone e as ondas do rádio. O crime cometido – pasmem os senhores e senhora –, apontar erros de uma administração pífia, desorientada, de olhar enviesado para os problemas da cidade.

– A minha voz ficará muda, não sei até quando – reclama o radialista.

E Luke Rey não é um menino afoito, daquele que empunha um microfone como se fosse um justiceiro, policial, membro do Ministério Público, um juiz ao sentenciar. O profissional Luke Rey sabe muito bem distinguir a qualidade da notícia, a análise dos fatos, o que dizer aos seus ouvintes. Não agradará a todos e isso é fato, principalmente aos que prometem administrar uma cidade e nem sempre cumprem o compromisso. (mais…)

Ciclovias em Ilhéus: críticas e reconhecimento

Entretanto, há pelo menos mais um aspecto desta discussão que merece atenção, pois se é correto avaliar e tecer críticas às obras realizadas pelo Poder Público, é preciso, igualmente, reconhecer a positividade da iniciativa de quem tenta fazer algo de bom, mesmo correndo o risco de cometer algum erro.

Por Julio Gomes.

Muito se tem comentado, sobretudo entre ciclistas, sobre a implantação de um novo trecho de ciclovia na Barra, no espaço que vai do Parque Infantil até a sinaleira situada ao fim da Barra, junto à rua que dá acesso à passarela para o São Miguel.

O principal ponto de controvérsia gira em torno do fato de que a ciclovia já existente, que vem do malhado pelo lado direito da via (para quem trafega no sentido Centro – Zona Norte) é interrompida pouco antes do Posto de Saúde Sara Kubitschek e ressurge cerca de cem metros após, só que do lado esquerdo da pista, o que obrigará o ciclista a cruzar a via para poder continuar trafegando pela ciclovia.

Para tornar ainda mais dramática a situação, após passar para o lado esquerdo da pista e pedalar por cerca de 500 metros, a ciclovia se interrompe novamente para retornar para o lado direito da mesma pista, obrigando o ciclista a cruzá-la de volta, criando dois riscos de grave acidente por atropelamento, há cerca de 500 metros entre si.

Quem é ciclista sabe o quanto é perigoso ficar cruzando uma pista de um lado para outro, e também está ciente de que em caso de acidente com outro veículo a parte mais frágil é a bicicleta, e o candidato preferencial a sofrer grave lesão ou morrer é o ciclista.

Por tudo isso não se trata, aqui, de uma questão menor, sem importância, mas de algo que pode salvar ou fazer com que se perca uma vida humana. E por isso inúmeros ciclistas questionam a forma como a ciclovia está sendo colocada, e reivindicam que ela deveria continuar, do início ao fim, sempre pelo mesmo lado da pista – no caso o lado direito – para melhor prevenir contra a ocorrência de graves acidentes. (mais…)

Que a vida de Antônia possa inspirar seu voto!

Embora admirável, a vida de minha mãe deveria ter sido menos aflitiva, caso tivéssemos políticos compromissados com a superação do racismo e das iniquidades correlatas.

Por Áurea Silva Oliveira.

Quando criança, acreditava que todos éramos iguais. Na escola e nas múltiplas dimensões da convivência social essa (in)verdade era disseminada. Na realidade, hoje, portadora de um olhar crítico, forjado na formação acadêmica e no diálogo jamais interrompido com o feminismo negro, vejo que tudo não passava de malabarismo discursivo para me fazer crer na falsa simetria entre pobres e ricos, brancos e negros.

Ao longo da adolescência comecei a perceber as fissuras sociais. Começava a tomar ciência de que elas tinham uma estreita relação com a má distribuição de renda e o racismo. Foi um momento conflituoso. Essa consciência me fez questionar as iniquidades sociais, e, por conseguinte, refutar jargões como “manda quem pode e obedece quem tem juízo” ou “cada macaco em seu galho”. Desejava modificar esse estado de coisas!

Não queria mais tomar a pobreza enquanto destino trágico de determinados grupos socioraciais. Sem base intelectual, mas movida pela indignação típica daqueles que negam resignação à miséria, perguntava-me: por que a maioria dos miseráveis eram negros? A primeira voz que ouvi se manifestar contra esse estado de coisas foi a de Antônia, minha mãe.

Antônia durante boa da parte do seu existir sentiu na sua pele preta a brutalidade das iniquidades. Todavia, com uma resiliência que até hoje não consigo nominar, resistiu e resiste. Era e é uma mulher à frente de seu tempo. Ao seu modo e possibilidades, impediu a marginalização da sua prole.  Embora nunca tenha sido simpática à política, incorporou a educação enquanto o meio mais eficaz de evitar o ostracismo social de filhos e netos, sendo essa a principal bandeira do movimento negro. (mais…)

A pseudoelite bolsonarista de Ilhéus acha que o povo é bobo!

Falam em moralidade, do combate à corrupção, da devoção ao povo, ensaiam até mesmo um discurso antirracista – mas logo abraçam a cômoda democracia racial, já que na verdade adoram a conveniência dos todos somos iguais -, mas são apressados em aprender os mecanismos espúrios de apropriação dos recursos públicos.

Por Caio Pinheiro.

As eleições municipais estão na iminência de acontecer. Mesmo com o descrédito na política, milhões de brasileiros irão às urnas eleger ou reeleger prefeitos e vereadores. Articulações políticas sob os mais diversos vieses acontecem. Esquerda, centro e direita, dentro das suas linhas programáticas e pragmáticas, querem ocupar espaços privilegiados do poder político nos 5.570 municípios brasileiros, tomando como referência os dados do IBGE.

Será uma eleição atípica, sem dúvidas. Embora o efeito lava jato tem sofrido reveses, ainda subsiste na subjetividade de muitos cidadãos a demonização da política. Para estes, a corrupção é uma característica escrita no código genético de todo político. Todavia, há exceções entre os portadores dos ambicionados votos. Falo de eleitores que têm suas escolhas pautadas em convicções político-ideológicas, na análise acurada dos programas e propostas dos candidatos ou no puro pragmatismo, já que seu voto lhe beneficiará individualmente.

Contudo, nessa simplória crônica da vida citadina, fugirei um pouco das análises conjunturais. Proponho uma reflexão sobre o comportamento de determinados pleiteantes ao executivo e legislativo da nossa amada Ilhéus. Esse mergulho no local tem motivo? Vem me impressionando a forma pela qual os candidatos socialmente ligados a elite ilheense estão amorosamente assediando os pobres. Cidadãos que até pouco tempo eles mesmos chamavam de “bolsa esmola”, em referência ao Bolsa Família, agora são alvo do seu acalento.

Julgando pelos posts das redes sociais desses candidatos, só agora descobriram que Ilhéus é muitos mais do que a Avenida Soares Lopes ou os bares e restaurantes badalados da Zona Sul. Virou coqueluche tirar self abraçando moradores e lideranças comunitárias de bairros periféricos. Eu, cá do meu lado de ser melindrado, típico virginiano com três planetas em terra, penso que essas criaturas viviam em Nárnia ou sofrem de antirrealismo crônico. (mais…)

Impactos da pandemia do coronavírus sobre as empresas de Ilhéus e Itabuna

Impactos da pandemia do coronavírus sobre as empresas na Região Intermediária Ilhéus-Itabuna e nos municípios de Ilhéus e Itabuna.

Por Sérgio Ricardo Ribeiro Lima.

O saldo das empresas na Região Intermediária Ilhéus-Itabuna (51 municípios) no 2º trimestre de 2020 acusou um resultado negativo de 27 empresas, com 383 empresas constituídas e 410 empresas extintas. Embora o saldo negativo seja razoável para o período tenso do impacto da pandemia, quando comparamos com o mesmo período de 2019 e com o 1º trimestre de 2020, os resultados são expressivos. No 2º trimestre de 2019, foram constituídas 663 empresas e extintas 702, também com saldo negativo; para o 1º trimestre de 2020, foram 599 empresas constituídas e 669 extintas; saldo negativo de 70 empresas. O saldo total do 1º semestre (janeiro a junho) de 2020 foi de 982 empresas constituídas e 1.079 empresas extintas, com saldo negativo 97 empresas. Para o 1º semestre de 2019, foram 1.279 empresas constituídas e 1.430 empresas extintas, com saldo negativo de 151 empresas.

Em síntese, os dados mostram que embora no 1º semestre de 2019 o volume total de empresas (constituídas e extintas) tenha sido superior ao 1º semestre de 2020, o mais importante é que o saldo negativo foi bem maior em 2019 do que em 2020. Isso sinaliza para duas hipóteses. A primeira é que o cenário negativo das empresas refletiu, comparativamente para o 1º semestre deste ano, menos o impacto do coronavírus e mais o impacto da crise estrutural que vem vivenciando a região, decorrente da crise econômica nacional e seu impacto no aprofundamento da crise econômica no Sul da Bahia, desde início da década de 1990. A segunda hipótese é que a situação mais favorável das empresas em 2020 comparada a 2019 tenha sido decorrente do programa de auxílio emergencial criado para minimizar o impacto do coronavírus sobre a população mais carente.

Para Ilhéus, o total de empresas constituídas no 1º semestre de 2020 (janeiro a junho) foi de 82 empresas contra 140 extintas, com saldo negativo de 58 empresas. Comparado ao mesmo período de 2019, foram 124 empresas constituídas e 201 extintas, com saldo negativo de 77 empresas, superior a 2020, apesar da pandemia. (mais…)

Todo o respeito e amor a Maria, mãe de Jesus

Jesus é sempre modelo: de ser humano, de amigo, de companheiro, de conduta, e não deixaria de sê-lo como filho.

Por Julio Gomes.

Dia 15 de setembro é celebrado, tradicionalmente, como sendo o dia em que os cristãos, especialmente católicos, se voltam para Nossa Senhora, para Maria, mãe de Jesus, com especial enfoque em seu sofrimento em razão do sacrifício e morte do filho amado.

Libertando-nos da visão católica acerca desta data e dos acontecimentos que a ensejaram, porém sem desprezar o referencial histórico, cultural e religioso que a religião sediada em Roma nos legou, trazemos aqui algumas reflexões de cristão liberto de amarras dogmáticas e voltado, sobretudo, para Jesus e sua incomparável mãe.

Jesus, em nossa visão de homem, de historiador e de pessoa, foi o ser humano perfeito. O único em tal condição a pisar sobre a Terra, posto que todos nós outros – sem exceções – temos defeitos e erros, seja eles mais ou menos evidentes.

O mestre, sendo perfeito, além de nos mostrar o Caminho a ser seguido mediante seu exemplo e a doação de sua própria vida, não descuidou de seus deveres de homem, de cidadão e de filho para com a pessoa de sua família que, ao tempo de sua morte, necessitava de sua assistência: sua mãe. (mais…)

Estou com dinheiro, estou bem!?

Ao chegar à casa do assistido, o preletor viu que se tratava de suntuosa mansão de grandes muros e largos portões, em que adentrou. Saltando de seu carro, divisou grande e elegante casa de dois pavimentos, cercada por piscinas, jardins e nobres recantos

Por Julio Gomes.

Quando criança, e em boa parte de minha adolescência, muitas vezes ouvi meus parentes mais próximos, sobretudo os mais idosos, dizerem: fulano está muito bem. Mora em tal lugar, tem uma ótima renda, tem patrimônio, está muito bem mesmo!

Como se tratava da conversa de pessoas mais velhas, limitava-me a ouvir calado, como ocorria antigamente. Mas a boca fechada a indagações não impedia que elas se represassem na alma, achando algo estranho, incompleto ou mesmo simplesmente desprovido de sentido naquelas palavras, embora não conseguisse, àquela altura da vida, formular nem compreender claramente tais conceitos.

Passaram os anos. Estudei, trabalhei, me formei, fui pai e casei (não necessariamente nesta ordem) e fui em busca do sustento da família, como devem fazer todas as pessoas responsáveis por um lar.

Mas a lembrança e a desconfiança para com a expressão “fulano está com dinheiro, está bem”, nunca saiu de dentro de mim, permaneceu latente.

Há não muito tempo atrás, ao assistir uma palestra em uma instituição religiosa, quando já contava mais de 50 anos, o relato do palestrante me fez visitar novamente àquele questionamento represado em meu ser.

Dizia o palestrante que fora convocado a prestar assistência religiosa a determinada pessoa, que se encontrava muito mal de saúde, em deplorável estado psicológico e sem paz de espírito.

Ambos moravam no interior de São Paulo, assistente e assistido, porém há cerca de 300 km de distância entre si, o que fez com que, inicialmente, o responsável por ministrar a assistência religiosa resistisse ao convite. Porém, instado por instâncias superiores, apesar de um tanto contrafeito, não poderia, em virtude de seu compromisso cristão, se recusar à empreitada. (mais…)

As religiões, o crime e cada um de nós

Uma pastora evangélica. Um padre católico. Um médium espírita.

Por Julio Gomes.

Causou forte comoção em todo o Brasil o caso da líder evangélica e Deputada Federal pastora Flordelis, eleita em 2018 pelo PSD do Rio de Janeiro – a Mulher mais votada naquele estado, com quase de 200 mil votos – que hoje se encontra indiciada pela Polícia e denunciada pelo Ministério Público sob a grave acusação de ter sido a mentora e, junto com os demais membros de sua família, ter assassinado seu próprio marido, o pastor Anderson do Carmo.

Também recentemente tornou-se um escândalo de proporções nacionais a acusação que recaiu sobre o padre Robson de Oliveira, responsável pelo Santuário Basílica de Trindade, em Goiânia. Fundador e presidente da Afipe, entidade responsável pelo Santuário, o religioso, além de ter de explicar a compra de fazendas, casas de praia e outros imóveis de luxo, também é acusado de, sob extorsão por parte de um homem com quem mantinha um relacionamento, ter desviado a alta soma de 120 milhões doados por fiéis àquela entidade.

Por fim, há o caso do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, acusado de ter cometido mais de 300 estupros e recentemente condenado a 40 anos de reclusão em regime fechado por ter estuprado cinco mulheres durante “atendimentos espirituais” em Abadiânia (GO), segundo informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça de Goiás.

Uma pastora evangélica. Um padre católico. Um médium espírita.

Não, não venham agora dizer que eles não são ligados às instituições pelas quais se tornaram conhecidos, porque até antes de cada escândalo – ou crime – nenhuma pessoa, em nenhuma destas três respeitáveis correntes religiosas, jamais os desautorizou ou se pronunciou fazendo qualquer tipo de ressalva às suas condutas. (mais…)

Concessionária de Corpos

Se você leu Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo); George Orwell (1984); Júlio Verne (Vinte mil léguas submarinas); Franz Kafka (O Processo); H. G. Wells (A guerra dos mundos), Machado de Assis (O Alienista) e por aí vai… Entenderá perfeitamente os porquês e as influências que me levam a mergulhar na ficção possível, quase risível e algo relaxada que nos aguarda numa não tão distante posteridade, o amanhã. A fábrica de corpos.

Por Mohammad Jamal.

Esse surpreendente Mundo Novo. Estamos vivendo um mundo diferente daquele que foi objeto e inspiração para a obra de George Orwell descrita no livro 1984; à época, assustadoramente realista e chocante. De lá pra cá a humanidade avançou claudicante no âmbito das ideologias e quase estagnou no humanismo e nas relações internacionais onde predomina agressivamente um feroz colonialismo individualista pelo poder absoluto e a caça irrestrita pelo domínio dos bens de capital e recursos naturais dos países abaixo da sua linha de poder. Simultaneamente, ao poderio avassalador das armas e do capital agregam-se os avanços tecnológicos no campo da cibernética, da automação, das pesquisas no campo da medicina e farmacologia, incluindo-se aí o mapeamento dos genomas com a biotecnologia celular e molecular e o desenvolvimento das armas de destruição em massa, via energia atômica e a malignidade mortal das bactérias e vírus para uso estratégico sobre as massas. Algo semelhante tal como vemos agora nesse pipocar de vacinas para a Covid custeadas por financiamentos a fundos perdidos com milhões de dólares pelos governos dos países mais ricos e uns poucos gatos pingados, em desenvolvimento, na ânsia de evitar a falência das suas já combalidas economias.

O livro 1984, nessa “atualidade”, passou a condizer-se como sucinto relato da sociopolítica antiquada e sobejamente superada porquanto ainda baseada na recondução primitiva dos indivíduos a uma ressocialização conveniente ao ‘sistema’ através a infringência de privações fisiológicas, dor e o sofrimento físico e psicológico ao proletariado. Metodologia muito comum na Idade Média, depois ressuscitada e largamente empregada durante a dominação do ditador sanguinário Stálin para submeter o povo russo, dentre alguns outros semelhantes com idênticas metodologias que também fizeram suas histórias escritas com sangue humano, Haile Selassie; Idi Amin; Saddam Hussein, al-Gaddafi, etc. Diferente neste contexto, a geopolítica da União Soviética se refletiu na escolha do modelo econômico soviético, concebido originalmente para garantir a sobrevivência da URSS num contexto de quase autarquia, atenuo.

Só como o que me faz bem! Mas neste artigo – parêntese, por favor – porque abominei; não suporto mais ver por isso não leio nem ouço mais nada sobre a “Cov”, faz tempo; porque essas saturações impositivas das mídias pelos próprios interesses e audiência, tanto quando em sendo usadas como veículos dos interesses políticos financeiros predominantes, apenas se prestam a incutir e disseminar o desespero coletivo e agravando o sofrimento e angustiando mais a população diante de um problema gravíssimo de saúde pública cuja solução nos transparece longe, mesmo quando, precipitadamente, os interessados nos grandes negócios buscam desenvolver o remédio milagroso que será vendido a peso de ouro, enquanto os efeitos colaterais imprevistos, “Allah wahdah yaelam”, só Deus sabe. (mais…)

Não é só com você, todas as pessoas estão assim

Por fim, as perdas causadas pela Covid-19, que antes ocorriam na Europa, nos EUA, em São Paulo, agora acontecem com amigos, com vizinhos, com pessoas que estudaram e trabalharam conosco, com parentes próximos. Penso que não há como agir de forma “normal” em uma situação como esta.

Por Julio Gomes.

Tenho visto, ao longo das últimas semanas, pessoas se queixando de forma recorrente das mesmas coisas: insônia, dores de cabeça, angústia, nervosismo, apetite descontrolado, grande ansiedade, ausência de vontade de trabalhar e queda na produtividade, alheamento geral e uma falta de paciência que a qualquer momento pode resultar em grave discussão no ambiente doméstico ou no local de trabalho.

Bem, em primeiro lugar, uma boa notícia: isto prova que você é um ser humano dotado de sensibilidade, que não reage de forma fria, insensível aos acontecimentos à sua volta.

O preço da atenção para com o próximo, da preocupação com a comunidade, com o bem comum, é uma certa angústia, porque o mundo não é um mar de rosas, e porque grande parte dos problemas que temos – eu diria que a imensa maioria – são causados ou por nós mesmos, por nossa má conduta; ou pelos outros que, na vida em comum, fazem com que seus erros recaiam sobre nós.

Todas as dificuldades, sentimentos negativos e frustrações que vivenciamos no momento atual têm justificativas plausíveis: perdemos cerca de 110 mil pessoas para a Covid-19, nosso país está com a economia em frangalhos, o desemprego aumenta vertiginosamente e a realidade política do Brasil só nos dá desgostos, decepções e uma total incerteza quanto ao que acontecerá no futuro.

Por fim, as perdas causadas pela Covid-19, que antes ocorriam na Europa, nos EUA, em São Paulo, agora acontecem com amigos, com vizinhos, com pessoas que estudaram e trabalharam conosco, com parentes próximos. Penso que não há como agir de forma “normal” em uma situação como esta.

Digo tudo isso para que você não se exaspere com suas enxaquecas cada vez mais frequentes. Para que não se agaste com a insônia que te acorda às 2:30 da madrugada e não te deixa mais dormir.

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