As drogas e a vida: onde estão os limites?

Nessa fase adulta e difícil da vida a droga estará presente, de uma ou outra forma. E o que ela tem para nos oferecer? Soluções? Despesas? Fugas? Alienação? Um pouco de alegria? Ou a derrota total?

Por Julio Gomes.

A vida começa com a plena força da juventude, com uma explosão incontrolável de hormônios e energia, com uma sede sem fim de viver aventuras, experiências, de combater por tudo aquilo em que acreditamos ou que queremos com todas as forças, de forma temerariamente ilimitada.

Ainda no início da juventude, como que em um ritual de passagem para nos tornarmos adultos, travamos um inevitável contato com as bebidas alcoólicas, normalmente apresentadas a nós por nossos pais ou parentes mais próximos, desde a infância. Não, eles não precisam nos oferecer, basta que consumam em nossa presença, pois os exemplos são mais eficazes do que as palavras.

Os primeiros contatos com as bebidas são sempre festejados, lúdicos, um desafio vencido! Daí podemos ou não progredir no uso do álcool, ou passarmos ao consumo de outras drogas, normalmente a maconha, mais popular e muito acessível.

Outros, querendo afirmar-se como “homens” ou “mulheres”, ou talvez por determinação biológica, seguirão rumo a drogas mais potentes, onde o consumo não é tido como social, mas gera um outro mundo em torno de si, absorvendo física e psicologicamente a muitos dos que nele adentram, amiúde sem retorno.

O roteiro acima, seja por experiência própria, de alguém bem próximo ou por ouvir dizer, é do conhecimento de todos, sem exceções. Por que, então, falar sobre isso?

Porque entre a juventude e a maturidade há um aumento crucial da responsabilidade, dos problemas, das dificuldades a serem superadas e de sua variedade, seja quanto à sobrevivência econômica, seja quanto ao lugar que ocupamos na sociedade, seja com o aumento da complexidade no relacionamento com as demais pessoas e com o mundo. O fato é que a vida vai recrudescendo, exigindo, decepcionando, marcando a ferro e fogo e ninguém escapa disso, por mais que poste fotos sorridentes nas redes sociais. (mais…)

Cacá Colchões e a promessa de 11 mil empregos

Cacá reedita a velha tática dos empregos futuros.

Por Emilio Gusmão.

O pré-candidato a prefeito de Ilhéus, Cacá Colchões (PP), desenvolveu de maneira considerável a capacidade de oratória. A voz aguda, cujo tom destoa do grave jabista, ganhou boa dicção, fôlego e convicções.

A respiração no ritmo normal é digna de nota, pois Cacá sofreu durante 20 dias num leito hospitalar. Contaminado pelo SarsCov-2, foi internado em leito de UTI como medida preventiva.

Recuperado, Cacá encheu-se de otimismo e tem feito várias promessas sem gaguejar. Uma em especial instigou o meu senso crítico.

Em plena crise sanitária, com a economia em crise e sem perspectiva de retomada, o candidato promete gerar 11 mil empregos, em 8 anos, por meio de um parque industrial que seria instalado no limite territorial com Itabuna, numa área que faz parte da Fazenda Primavera.

Observadores atentos do panorama econômico brasileiro destacam que nos últimos 30 anos, o setor industrial vem diminuindo sua importância no Produto Interno Bruto (PIB). O país passa por um processo de reprimarização que notabiliza o agronegócio e a exportação de commodities como fontes da riqueza nacional.

O pensamento econômico neoliberal, digno de minha repulsa, mas vigente, também estabeleceu um paradigma chamado “custo Brasil”. Por essa ótica, a atividade empresarial não cresce como deveria no país devido ao valor da mão de obra. Empregos formais oneram as grandes empresas, que sem alternativa interna, procuram outros territórios cujas leis trabalhistas foram precarizadas e permitem maior exploração da força de trabalho humana. Na América do Sul, o Paraguai tem se destacado como exemplo do modelo chinês, com um atrativo a mais: energia elétrica de custo mais baixo propiciada pela Usina de Itaipu.

Outra constatação que joga por terra o devaneio eleitoral de Cacá é a Quarta Revolução Industrial. Pelo mundo afora, o chão de fábrica deixou de ser o ambiente típico do trabalho contemporâneo e as indústrias já não empregam na mesma proporção de antes.

Segundo Klaus Schwab, consultor do Fórum Econômico Mundial, em 1990 as três maiores empresas de Detroit (EUA) possuíam capitalização de mercado combinada (CMB) de US$ 36 bilhões, faturamento US$ 250 bilhões e 1,2 milhão de empregados. Já em 2014, as três maiores empresas do Vale do Silício (também nos EUA) possuíam CMB de US$ 1,09 trilhão, faturamento US$ 247 bilhões e bem menos empregados, 137 mil.

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Chega!

Talvez meu desamor eterno a essa visão de mundo chamada “senso comum”, coisa sem validade comprovada e, igualmente, aos conselhos da Globo e ao que certas pessoas, por conta própria, estabeleceram como verdade verdadeira, me force a ir na contramão de tal “sabedoria”.

Por Antônio Lopes.

Em geral, as pessoas costumam fazer planos de vida na passagem de um ano para o outro (planos que, em geral, não cumprem!). Eu, diante dos aborrecimentos que tive em dias recentes, resolvi fazer os meus (e cumpri-los), doa a quem doer, mas esperando não causar dor a ninguém.

O indivíduo, salvo a exceção dos que nascem em berço nobre, não eu, que sempre estive mais perto da Senzala do que da Casa Grande, se chega à idade madura, enfrenta um dilema meio shakespeariano de fazer ou não fazer (o que quer): quase sempre não o faz, pois são grandes as pressões familiares, de trabalho ou, por último mas nã menos importante, a falta de condições financeiras. Este é um país capitalista que, pelas ideias do facínora que nos dirige, só nos deixará livre o pensamento – até o uso da praia tende a ser tributado, passando a ser território dos ricos.

É regra sabida que os idosos têm de ser protegidos, empacotados em meias, cachecol, galochas, canja de galinha, chazinho de camomila, essas coisas. Nada de comida “pesada”, sendo o máximo da farra chegar ao peito de frango grelhado e salada crua. Bebida alcoólica, nem pensar. Uma dose de uísque, então, é pôr na cova os dois pés, e nunca mais os tirar.

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Considerações sobre os testes para coronavírus realizados nas escolas estaduais em Ilhéus: é possível voltar às aulas?

Entretanto, como o Governo do estado da Bahia decidiu pela aplicação do teste rápido, é de se supor que levará em consideração a possível margem de erro, mas que está em busca de números que, de forma ampla e rápida, permitam um diagnóstico, ainda que não seja 100% exato, de como estão os níveis de infecção nas comunidades escolares.

Por Julio Gomes.

Na segunda-feira, dia 10/08/2020, o Estado da Bahia iniciou uma ampla testagem entre professores, alunos e funcionários de apoio que trabalham nas escolas estaduais situadas em Ilhéus, em um processo de coleta de resultados que deverá se estender até a próxima semana.

Como o ciclo de testagem não foi concluído, não temos ainda o resultado geral. Mas faremos algumas considerações com base nos números disponibilizados até agora pelos veículos de imprensa Bahia OnLine, O Tabuleiro e A Tarde. Vamos aos números.

Segundo o conceituado Jornal A Tarde, em sua versão eletrônica publicada em 14/08/2020, “Até o momento, o Estado já detectou que em um total de 966 estudantes avaliados, 271 testaram positivo; dos 322 professores, 24 apresentam o vírus no organismo; e entre 161 trabalhadores em Educação, 16 também testaram positivo”.

Em um resumo dos números acima, aponta o jornal A Tarde que “Do total de 1.449 testes para o Coronavírus realizados na comunidade escolar da rede estadual de Ilhéus, 311 tiveram resultado positivo. Isto significa que a cada 100 pessoas testadas nos três primeiros dias, 21 estão infectadas e assintomáticas”.

Sabemos que os testes rápidos podem ser imprecisos, tendo margem de erro maior. O ideal seria aplicar o teste PCR, padrão ouro, mais complexo, mais caro e também bem mais confiável quanto aos resultados apresentados. (mais…)

Vampiros, eles estão aqui.

Há quem se questione por que diabos é tão difícil ser uma pessoa perfeita – boa; amorosa e que ajuda a todos sem nada esperar. Se você é um desses, não se apoquente. Como Fiódor Dostoiévski prova em “O idiota”, ser perfeito não é bom. Melhor é ser prefeito.

Por Mohammad Jamal.

A taxa de hemoglobina está à quase zero, mas vou chupar assim mesmo. Fodam-se! A fome, as privações dos recursos básicos para sobrevivência, o desemprego, a obscuridade sobre o futuro, as doenças e a má assistência social e médica prestadas pelo município e Estado, as incertezas sobre quem sobreviverá ou não a essa doença devastadora e como a família irá se sustentar à ausência do seu provedor. Tudo isso ligado ao caos político-administrativo, à roubalheira e malversação do dinheiro publico do Estado brasileiro por mãos sujas. Como se manter ou sobreviver a esse estado de incertezas administrado por incompetentes expertos? Falar ou criticar o cidadão carente porque vota errado é fácil, quando toda a culpa e responsabilidade recaem nas mãos despreparadas dos políticos, ou melhor, bem preparadas, no sentido inverso do bem do povo. Estamos chegando a uma situação onde não vemos sequer uma luzinha no fundo do túnel, embora desconfiemos que lá no fundo tenha muita gente enriquecendo criminosamente à custa de vidas da população vampirizada pelos bandos e revoadas de hematófagos alados em seus jatinhos de luxo.

A dança dos Vampiros – Dormentes em seus currais, eleitores insistem em não acreditar ou temer os Dráculas, embora percebam que são diariamente chupados e drenados do próprio sangue nas suas jugulares já cheias de cicatrizes, tipo as veias dos drogados. Ainda se fossem somente sanguessugas, mas são seres alados, grandes, gordos, rotundos, poderosos, influentes; em sua maioria, com foro privilegiado ou com parceiros poderosos nos três poderes. E lá vamos nós como aquelas crianças da caatinga nordestina que comem muito barro, calangos, ratos jupati, preás, abatidas a pedradas. Barrigas dilatadas e enormes, opados e anêmicos, pés rachados e olhos tristes, desacolhidos do frio invernal, insaciados na fome crônica sob os mantos impassíveis da exclusão e do abandono. “Meu povo!”. “Trago comigo a solução de todos os seus problemas sociais…” Quiçá um falo longo e grosso pra atochar fundo “em nóis”.

Não… Não. Cunilíngua não, por favor! E esses boquetes venoso-financeiros não ocorrem apenas em São Paulo, Brasília, Bahia, Ilhéus; predominam em todo Brasil. Os desvios de conduta, as roubalheiras, etc. deixaram de constituir ocorrências episódicas e passaram a predominar como metodologia única no cotidiano do exercício das praticas políticas mais corriqueiras. Todos a querem montar, plantar sua semente danosa, seu DNA corrupto no útero financeiro do Brasil, fazer sua poupança rendosa, um lucrinho besta de alguns milhões de reais. Política é um negócio da China. Viram o Covid-2? Temos hordas de políticos, empresários, servidores e intrujões parceiros cagando sangue fresco e dinheiro – no sentido analógico, claro – indiferentes, alegres e faceiros a despeito do ceifador de vidas, sobrecarregado, estar a fazer horas extras para cumprir as cotas de óbitos exigidos nas contrapartidas das verbas milionárias. Bandidos conscientes e seguros de que a Jihad de justiça jamais os atingirá, viraram ricos, literalmente podres de ricos! (mais…)

A bomba atômica, seus efeitos e a questão racial

Ainda aguardamos os dias em que a detonação das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki serão compreendidas com esta dimensão que de fato tiveram: um ato de genocídio racista praticado em nome do objetivo de supremacia política.

Por Julio Gomes.

Manhã do dia 06 de agosto de 1945. O avião bombardeiro norte-americano B-29 sobrevoa os céus do Japão. O potente quadrimotor se aproxima de Hiroshima, furtivamente, e lança uma enorme bomba que mudaria tristemente o destino da humanidade, para sempre.

Às 8:16 horas da manhã explodia, a 580 metros acima da cidade japonesa, a primeira bomba atômica, pulverizando, calcinando, fazendo com que voassem pelos ares e virassem poeira prédios, automóveis e seres humanos. Entre 90 mil a 166 mil pessoas perderam a vida, a maioria mulheres, idosos e crianças.

No dia 9, três dias depois, a mesma cena se repetiria sobre a cidade de Nagasaki, matando entre 60.000 e 80.000 pessoas, a maioria instantaneamente e outros, talvez menos felizes, queimados e vítimas de câncer causado pela radiação, em sofrimentos atrozes, morreriam nos dias, meses e anos seguintes à terrível explosão.

Sempre que se comenta sobre as bombas atômicas, isto ocorre quase sempre para tentar justificá-las como armas para pôr fim à 2ª Guerra Mundial no oriente, pois a Alemanha e a Itália, aliadas ocidentais do Japão, já haviam se rendido; ou então para explicar a nova ordem mundial que se seguiu àquele momento histórico, caracterizada pela Guerra Fria, disputa entre os blocos capitalista e comunista representados, respectivamente, por Estados Unidos e União Soviética.

Neste momento que marca os 75 anos das duas explosões nucleares, desejo abordar esta questão crucial para a humanidade, mas sob outro ponto de vista.

Quero aqui ressaltar que o genocídio cometido no Japão teve uma forte e indisfarçável presença do racismo contra os povos não brancos, aqui representados, segundo a ótica racista, pelos miúdos, amarelos e insolentes japoneses, que ousaram enfrentar militarmente a maior potência do mundo, de igual para igual. (mais…)

Será que acordaremos do pesadelo mais altruístas e menos egoístas?

É o peso do desconhecimento, do preconceito, da apatia e do desdém. E tudo isso funciona, para a nossa alma, como uma espécie de corrente, que carregamos por aí, corrente essa que geralmente é encarada como característica, algo bom.

Por Caio Pinheiro e Rodrigo Melo.

Perder-se para achar-se! Essa frase bem que poderia estar na porta de algum centro de meditação, onde espiritualistas se reúnem em busca do sonho mais alentado pela filosofia, quer seja, a autocompreensão humana. Mas, ficcionismo à parte, esse é um quadro experimentado por milhares de pessoas mundo afora. A crise sanitária nos coagiu ao auto- isolamento. Limitadas as relações sociais, fomos obrigados a caminhar sobre o terreno movediço das incertezas inquietantes.

Sem estarmos preparados, começamos a percorrer territórios desconhecidos, pois a ligeireza dos papéis sociais que desempenhamos adiou ou mesmo apagou a ciência dos mesmos. Fazemos esse percurso já fadigados por questões que tornam o caminhar penosamente insuportável. Hoje precisamos enxergar o que estávamos habituados a ver. Há uma geração sucumbindo ao adoecimento da alma. Em muitos o deseja de viver foi obscurecido!

Contudo, otimistas e amantes da natureza humana, acreditam num porvir floreado. Insistem no caráter pedagógico das dores. Proferem frases do tipo: não é possível que não aprenderemos nada com toda essa desgraça! Creem numa “Era do altruísmo”, onde o bem-estar comum será a meta da existência humano. Mas, sinceramente, tudo isso pode ser apenas uma utopia inalcançável. Longe do ceticismo, o fluxo dos acontecimentos aponta para um amanhã repleto de amarguras. Seremos nós o nosso maior problema?

Somos fruto de nossas escolhas! Essa, sem dúvidas, é uma verdade áspera. Amantes do livre arbítrio, alimentamos a ideia de que tudo podemos, sem, contudo, na maior parte das vezes, dimensionarmos as consequências dessa controversa liberalidade. E assim, mais do que nunca, tornamos os desejos imperativos. Nada pode interromper o ébrio desejo da satisfação imediata. Daí rimos do “morra quem morrer”! (mais…)

Calma, Marão, olha a liturgia do cargo

Na contabilidade do prefeito Marão, em quatro anos estará de volta, abraçando e beijando os eleitores de memória fraca e já acostumados a perder para os políticos experientes, gente de boa lábia e fácil persuasão.

Por Walmir Rosário.

Por causa do título não deveríamos levar a sério a recomendação, por ter sido uma recomendação especial dos ex-presidentes José Sarney e Michel Temer, pois seria o mesmo que dizer faça o que mando, mas não o que faço. Mas o recado precisa ser dito ao prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, o Marão, pelo seu comportamento durante a visita a um dos bairros da cidade, o Vila Nazaré, em busca de voto.

Basta uma olhada na imagem – um pequeno vídeo filmado por alguém do povo, acredito – nota-se que não se tratava de uma visita de trabalho, ou uma passagem a caminho de outra localidade. Não, a imagem é proposital e representa um escárnio ao povo de Ilhéus, aquele mesmo que o prefeito – há meses – mandou ficar em casa e pediu a ajuda ao governador para que a Polícia Militar prendesse que saísse às ruas.

Desta vez, quem está nas ruas – em plena pandemia – é o prefeito e seus assessores, fazendo tudo o que proibiu, como a aglomeração e o ajuntamento com cumprimentos de mão e abraços. No pequeno vídeo está implícito que ele deixa a rua, onde ensaiava passos de dança para ir dar um abraço num amigo e, quem sabe, possível eleitor nas eleições que se aproximam.

Essa talvez seja a única coisa que o prefeito Marão saiba, de fato, fazer: sair às ruas em busca de eleitores com tapinha nas costas, beijos e abraços, mesmo com o risco de contaminação pela Covid-19, se não dele que já positivou e curou, mas dos acompanhantes. Como médico, Marão que prometeu cuidar do povo, mostra que não tem a menor intenção de cumprir a promessa de campanha, pelo contrário, mostra comportamento inadequado diante do perigo da infecção. (mais…)

Afinal, de que o brasileiro gosta?

E aqui na Bahia aprendemos que o ano só começa depois do Carnaval! Precisa dizer mais alguma coisa? Pois Bem! Agora, em plena pandemia, com mais de 90 mil mortos no Brasil, vejo este povo – este mesmo povo – dizendo desesperadamente que quer trabalhar!

Por Julio Gomes.

Somos conhecidos, pelo menos entre nós mesmo, por sermos um povo que gosta de festas, de domingo, de feriados, de farras, praia, sol e cerveja. Embora seja uma visão um tanto estereotipada do brasileiro, não se pode dizer que seja incorreta.

Sempre ouvi dizer que sexta-feira é o dia da cerveja. Até concordo, pois quem trabalhou a semana inteira tem direito de ter este prazer fugaz, erigido como mania nacional.

Da mesma forma, embora isso não seja dito, vejo que as pessoas encaram com grande contrariedade o fato de ter que trabalhar no sábado pela manhã. Consideram isso coisa de operário, de peão obreiro, aqui vistos pejorativamente, revelando uma face obscura de nosso caráter.

Também desde que comecei a me entender como gente, sempre escutei falarem que segunda-feira é o dia da ressaca e da preguiça. Nunca consegui entender isso. Já na fase adulta da vida passei a achar que a pessoa deveria ter administrado mal seu fim de semana, bebido demais e descansado pouco. Engano! Eu ainda não havia percebido que a malícia brasileira vai muito além das aparências.

Entre profissionais liberais e empresários de maior destaque, como médicos, advogados e outros que se entendem como membros deste seleto grupo, observei que para muitos há um costume e até um orgulho, em Ilhéus, de na sexta-feira só trabalharem até meio dia, antecipando a cerveja de final de expediente para a hora do almoço e, entre amigos, emendá-la por todo o fim de semana. (mais…)

Nós falamos por nós: o racismo não tirará nosso direito de narrar nossa existência!

Nós agora falamos por nós! Com nessa decisão, as mulheres negras têm falado mais alto. Na condição de mulher negra e da resistência, a filósofa Djamila Ribeiro chama a atenção dos/das leitores/as em seu livro “O que é lugar de fala? ”, que não há mais condição de falar de diversas manifestações de violências sofridas por nós (mulheres e homens negros) sem estarmos nesse lugar de opressão e de dominação.

Por Áurea Silva e Caio Pinheiro.

A luta pelo acesso à educação sempre foi uma das principais bandeiras do Movimento Negro. Desde o século XIX, as organizações negras vêm pautando esse direito como forma de driblar as inúmeras interdições à emancipação socioeconômica dos afro-brasileiros. Embora não tenhamos vivido sob a égide de um sistema segregacionista – a exemplo do Apartheid na África do Sul -, ontem e hoje as possibilidades de emancipação intelectual dos negros, quer seja via escola ou universidade são dificultadas. Foi da necessidade de se contrapor a esse estado de coisas, que a luta negra reivindicou e reivindica ações afirmativas de reparação.

País de passado escravocrata, o Brasil está longe de ter conseguido superar a correlação entre diversidade racial e desigualdade social. A farsa do paraíso das raças propagandeada pelo “mito da democracia racial”, dissolve-se diante das precárias condições em que vivem milhares de afro-brasileiros. O idílico país onde impera a harmonia racial quando desmentido, revelou que nos bolsões de pobreza, a epidérmica preta é dominante. Democracia racial é o caralho!

A par dessa realidade precisamos compreender como ainda hoje o racismo estrutura as relações sociais. Desqualificada graças aos avanços da Engenharia Genética, a ideia de raça resistiu ao seu descrédito científico. Assim, as atitudes que tentam responsabilizar o negro pelos seus infortúnios, são, na verdade, “mimimi” racista. Contudo, as possibilidades de qualificação profissional e inserção exitosa no mercado de trabalho, possibilitadas pelas políticas afirmativas, destacadamente o sistema de cotas, demonstraram que os insucessos do negro não podem ser creditados à sua pseudo inferioridade racial.

Isso tem raízes no passado! Após a abolição da escravidão (1888) e proclamação da República (1889), ganhou impulso a política de branqueamento. Sob o argumento de que os trabalhadores nacionais – negros livres e libertos – eram incapazes de se adequarem à lógica capitalista, o Estado subvencionou (financiou) a vinda de imigrantes europeus para suprir a suposta “falta de braços”, quando na verdade o objetivo era promover o apagamento físico e cultural da África através da miscigenação. (mais…)

De quem tenho inveja

Imagino a ventura infinita de quem o viu curar, de quem o viu comer, de quem o viu andar e passar, ainda que ao longe, sempre belíssimo, sempre sublime, sempre inesquecível.

Por: Julio Gomes.

Seu belo carro não me causa inveja. Talvez devesse causar, pois o meu está precisando, talvez, de aposentar-se. Também não desejo ter uma mansão imensa, com inúmeros quartos, salas, garagens, cômodos em profusão. Não! Daria trabalho para limpar e manter, daria despesas e simplesmente não preciso disso tudo. O tamanho de minha família não justifica a posse de tal morada.

Do importante cargo que você ocupa, pleno de altas responsabilidades, talvez eu quisesse o poder para realizar, no seu exercício, algo de bom para todos, mesmo sabendo das complicações que isto inevitavelmente traria. Mas o salário, o status, a posição social em si mesma, nada me dizem, se dissociadas da possibilidade de realizar alguma coisa proveitosa em favor, especialmente, de quem mais precisa.

Dinheiro? Seria bom ter uma reserva, algum patrimônio que fornecesse segurança econômica, algo que não deve ser desprezado, que se deve até buscar, dentro de certos limites. Porém nada de ficar obcecado por ter o primeiro milhão, nem de entesourar riquezas, nem de querer figurar entre os mais ricos. Caixão não tem gaveta e dinheiro não é sinônimo de felicidade.

Seus louros de vitória, seus bens, sua posição social, embora tendo meu respeitoso reconhecimento, muito pouco me dizem.

Quer saber a quem e ao que realmente invejo? De quem eu gostaria de estar no lugar, ao ponto de achar que valeria a pena correr o risco de perder a própria vida para isto? Aqueles a quem entendo que foi dada a mais sublime fortuna, a glória máxima que se pode ter aqui na Terra? (mais…)

Covid-19 em Ilhéus: resistência, disciplina e agradecimento

Não é uma gripezinha. A Covid-19 está levando embora pessoas cada vez mais próximas de nós e as pessoas comuns, como eu e você, devem fazer a parte que lhes cabe, continuando com todas as cautelas possíveis dentro da realidade de cada um.

Por: Julio Gomes.

Vê-se que muitas pessoas já “decretaram”, por si mesmas, o fim da epidemia de Coronavírus em Ilhéus. Ou pelo menos, já decidiram ignorar as mais elementares medidas e condutas de proteção ao contágio, com exceção, às vezes, do uso da máscara em locais públicos, talvez por obrigação social, para evitar problemas com as demais pessoas, para não serem chamadas a atenção em público.

Esta conduta de muitos decerto se relaciona com o que vimos na semana passada e continuamos a ver, com altos e baixos, nesta semana: uma elevação do número de óbitos, tornando-se vulgar termos quatro, as vezes cinco ou mais notificações de óbitos por dia causados pela Covid-19. Além disso, permanecermos com as UTIs sempre no limite de sua lotação, ou completamente lotadas. Tudo isso segundo números oficiais, que todos sabemos que podem estar sujeitos a subnotificações.

Penso que seja verdadeira loucura o que vejo em nossa cidade: alguns estabelecimentos comerciais chegam a lotar; pessoas não cuidam de manter a mínima distância entre si e outros simplesmente aboliram o uso de máscaras, até mesmo nas vias públicas e em seu local de trabalho.

Faço este texto dirigido não àqueles que se enquadram na conduta acima, mas aqueloutros que, disciplinados, conscientes do grave risco e do trágico momento que vivemos, não abrem mão de manter todas as cautelas possíveis ao seu alcance, em casa, no trabalho, no comércio, nas relações familiares.

Dirijo-me sobretudo àqueles que, assim como eu, não negligenciam, em hipótese alguma, do uso da máscara facial ao sair às ruas; que ao fazê-lo mantém a distância necessária quanto às demais pessoas; que evitam as saídas desnecessárias, reunindo todas as tarefas do dia em uma única saída de casa, o quanto seja possível; que ao fazer seu exercício buscam estar sozinhas e em locais o mais vazios possíveis; àqueles que assim que retornam ao lar continuam deixando os calçados junto à porta e indo direto para o banho; àqueles que, sendo idosos ou portadores de alguma enfermidade debilitante, sabem que devem permanecer em casa porque suas chances de sobreviver a uma eventual contaminação são menores do que as das demais pessoas. (mais…)

Autorizada a abertura de mais estabelecimentos em Ilhéus – Morra quem morrer!

É assim em Itabuna, e em Ilhéus não há de ser diferente.

Os grupos de interesse e as pessoas que, por isto ou aquilo, acreditam que o comércio deve ser reaberto venceram uma importante batalha, e o resto que se dane!

Por: Júlio Gomes.

Neste momento em que a Covid-19 avança em nossa cidade, causando elevação nas notificações de óbitos diárias, lotação dos leitos de UTIs disponíveis e no qual vivemos a trágica realidade da perda de um número cada vez maior de pessoas, o Município de Ilhéus autorizou, nesta terça-feira, dia 22/07/2020, por meio do Decreto nº 52, a abertura de novas categorias de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços.

Não vamos aqui nos estender em intrincadas elucubrações técnicas. Dois fatos falam alto o bastante para ultrapassarmos esta questão. O primeiro é que no Boletim divulgado pelo Município de Ilhéus na segunda-feira, dia 21, foram registradas mais dez mortes de moradores de nosso Município por Covid-21.

O segundo é que cada um de nós aqui em Ilhéus já perdeu um conhecido, ao menos um amigo para esta pandemia. E muitas famílias já perderam entes queridos, em tristes casos que todos nós conhecemos.

Em razão da vigência do Decreto Municipal nº 052/2020, a partir da 0 (zero) hora do dia 22 de julho de 2020 ficam autorizados o funcionamento de floriculturas, papelarias e livrarias; lojas de eletrodomésticos, áudios e vídeos; lojas de equipamentos de telefonia e comunicações, tabacarias, lojas de brinquedo e artigos recreativos; lojas de departamentos de variedades ou magazines; de estabelecimentos bancários e financeiros; do comércio varejista de suprimentos de informática e lojas de cosméticos; de hotéis e afins (motéis). Enfim, quase tudo, sendo exceção o que deverá permanecer fechado. (mais…)

Quero comprar um imóvel em Salvador! Quanto devo guardar?

Créditos: Freepik.

Saiba o que é preciso fazer para guardar dinheiro, e quanto, para comprar seu imóvel

Se você está pensando em pesquisar casas ou imóveis à venda em Salvador para se mudar, mas não sabe por onde começar a se organizar, então este artigo foi feito para você. A conquista da casa ou apartamento próprio requer um planejamento financeiro detalhado, para que seja possível não entrar em enrascadas com o dinheiro e, literalmente, se afundar em dívidas que você não conseguirá dar conta, na hora de pagar. E se a ideia aqui é guardar dinheiro, é preciso ter ainda mais atenção e, antes de tudo, será necessário reavaliar seus hábitos de consumo para que seja possível ter dinheiro suficiente. Por isso, preparamos uma série de dicas que podem ajudar você a tirar o sonho de conquistar o imóvel próprio do papel, quer ver? Então confira abaixo.

PLANEJANDO: Antes de tudo, se você está pensando em economizar para comprar uma casa ou apartamento, é preciso investir em bom planejamento financeiro. Para isso, avalie os seguintes itens:

  • Quanto posso economizar para guardar por mês?
  • De acordo com o valor mensal recolhido, em quanto tempo você terá o montante que precisa?
  • Será que não me organizo melhor, se colocar todos os meus gastos em uma planilha?

Entender seus gastos e definir metas de economia, é uma solução indispensável para controlar seu fluxo de caixa e determinar o valor que deve ser “guardado” de maneira mensal. Verifique também todas as despesas esporádicas como IPVA, materiais de trabalho, licenciamento de veículo, médico, veterinário, enfim. O ponto aqui é ser coerente e analisar tudo para que não falte dinheiro e tudo saia dentro do planejado. Quanto mais informações você reunir sobre seus gastos, mais controlados eles estarão. (mais…)

O que vale mais, um mandato ou um aeroporto?

O motivo é bem simples: O aeroporto de Canavieiras foi reformado pelo Governo do Estado atendendo a diversas gestões do ex-prefeito Almir Melo, que negociou com algumas empresas aéreas regionais com o objetivo que operassem no aeroporto, com aeronaves de até 70 passageiros, pois é considerado um dos mais seguros, tanto pela extensão da pista, quanto pelas correntes de vento.

Por: Walmir Rosário.

Desde que me entendo por gente ouço dizer que o transporte aéreo é uma das principais ferramentas para o incremento do turismo nas cidades com essa vocação. Os grandes investimentos em infraestrutura turística também dependem da aviação para receber mais facilmente seus hóspedes. Investidores de outras áreas – principalmente agroindustriais – também consideram o transporte aéreo essencial para seus empreendimentos.

E poderia aqui escrever mais uma centena de linhas para falar das vantagens do transporte aéreo e das cidades que possuem aeroporto com pista longa (1.360 metros), asfaltada e estrutura de embarque e desembarque de passageiros. Todos sabem e tecem loas, menos o prefeito de Canavieiras, que pretende destruir o aeroporto, na sua totalidade, inclusive arrancando a pista de asfalto.

Desde que foi eleito, o prefeito demonstra não ser afeito ao desenvolvimento da cidade, que não conta, nestes quase quatro anos, um só investimento em infraestrutura ou empreendimentos para a geração de emprego e renda. Dentro de sua ótica administrativa, até que ele não está errado: se não pretende desenvolver Canavieiras, para que aeroporto? Para que transporte aéreo?

Há muitos anos viajar de avião deixou de ser um costume dos mais ricos. A estabilidade da moeda, aliada à cedibilidade na economia e disposição das empresas em crescer tornaram as viagens aéreas possíveis a todas as classes sociais, que podem chegar em menos tempo nos seus destinos e ainda pagar as passagens em até 12 suaves prestações no cartão de crédito. (mais…)