PEGA, MATA, ESFOLA

Por Mohammad Jamal.

Pega, mata… Esfola! – O momento político da cidade é crítico, trágico, patético, dramático, burlesco ou o amargo pastelão embalado por contumazes expertises dos seus personagens no cenário parlamentar? Não sei bem o nome da Operação; se Operação Pega-ratos, Operação Corta Prepúcio, acho que é a Operação Prelúdio! Mais uma tentativa de passar rodo e o rastelo na corrupção que se alastre como pandemia no país. Só que lá na frente, passadas as agruras presenciais impostas pelo rito enérgico e a correição da Primeira Instância, eles relaxam, folgam o cinto e, às vezes, ate gozam o usufruto do Capital integralizado acostado aos Ativos financeiros pelas expertises da corrupção. Nos tribunais as Ações que respondem encontram discreta a discreta cortesia, o aplomb e algum fair-play das discussões recursais em absenteísmo do dos réus, a essa altura, com caras untadas em finíssimo óleo de peroba… E por ai vão.

Caolhos míopes, mandriões estagnados – Em Ilhéus não é diferente. Aqui tudo em si assemelha à transliteração do amargor dramático do Nelson Rodrigues mesclado à intuitiva verve prosélita empregada no sentido literal das Críticas à organização e ao funcionamento da sociedade russa da primeira metade do século XIX, examinadas sob a ótica de Nikolai Gogol. O Inspetor Geral; que, alias, serviu de inspiração ao escritor, dramaturgo e diretor teatral, Romualdo Lisboa, para escrever produzir e dirigir a peça: Teodorico, as últimas horas de um prefeito, levada com muito sucesso aqui e em grande parte no Brasil e exterior.  Na obra de Nikolay Gogol, confrontamos as presenças marcantes do sentido e humor satírico com nítido realismo social. Ele sugere reformas sociais e políticas, embora não fosse um político, para a Rússia. Faz observações minuciosas. Aduz magistralmente a criação de personagens exuberantes. Usou metáforas e simbolismos para escapar da censura do governo russo da época e até utilizou formas de prosas não convencionais e fez uso frequente de elementos relacionados ao fantástico em metalinguagem. À semelhança das situações esdrúxulas tais como as que confrontamos no atual momento político ilheense: densamente tosco e irracionalmente equivocado em suas proporcionalidades exageradas em feéricas fantasias baratas do inexequível.

Quibe de moscas – Vendo sonhos! Bolinhos de Esperanças, de anelos, de indulgência, terrenos no céu, e as porras, tudo embalado na mais fina farinha de quimeras. Está aberta a disputa pela caça ao tesouro! Não aquele tesouro do pirata Barba Negra, nem aquele outro que supõem encontrar-se numa das pontas do arco-íris. É coisa muito maior que fica num califado riquíssimo nas terras das mil e uma noites, Brasília e capitais dos estados das terras brasileiras. Captou?  

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O ÂNUS ELOQUENTE E SEUS FLATOS PROGRAMÁTICOS

Por Mohammad Jamal.

Cruz credo. Nunca vou esquecer o horror que congelou minhas glândulas, quando a palavra funesta cicatrizou em meu cérebro vertiginoso. Andei desorientado pelas ruas como um homem com concussão. A cena que assisto teria destruído minha sanidade. Eu estava em pé na porta do Palácio, de onde presenciei estarrecido à terrível cena quando suas hemorroidas explodiram no carro em movimento e se enroscaram na roda traseira do veículo. Ele ficou completamente estripado, deixando para trás uma carcaça vazia, ali sentada no estofamento de pele de canguru do carro. Ate os olhos e o cérebro, ambos se foram com um barulho gutural horrível. Um plóft! Como o sacar duma rolha numa garrafa de vinho.

Incutindo o terror. Acho que já lhes relatei aquele caso do político que ensinou o ânus a falar, ou não? Não, não era do PT não… O abdome dele mexia-se para cima e para baixo e ele peidava palavras em um som borbulhante, denso, estagnado… Um som que dava para cheirar a estilística socialista marxista da retórica. O homem trabalhava com afinco a própria campanha e de mais alguém. Aquilo começou por ser um novo número de ventriloquias onde promessas e atributos personalíssimos eram peidados em praças públicas em promessas inexequíveis e loas factoides exorbitadas a bem candidato. E ia dando certo. O candidato crescia a cada dia nas pesquisas de intenção de voto.

Doa males, o pior. Só que depois um tempo, incompreensivelmente, o eloquente ânus, personagem mais importante do seu marketing político, começou a falar sozinho. O “dono” entrava num diálogo político-ideológico sem script previamente ensaiado e seu ânus, mente agudizada e infamante, respondia às piadas sobre outros políticos e às conjecturas ideológicas com risível e sarcástica ironia. Um ânus controverso, opositivo, crítico e contestador. Uma ameaça ideológica convincente com verve prosélita e incisivamente cooptativa, que peidava frases intelectualmente complexas e difíceis de contestar, começara a se fazer predominar sobre a situação.

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CARTA À JUVENTUDE CRISTÃ

Por Marcos Vinicius Vieira Reis (Marcolino).

Eu nunca saberei o que significa a dor de parto literalmente, no entanto, eu sinto nascer algo que está sendo gerado dentro de mim há meses. Me chamo Marcos Vinicius Vieira Reis, mas me popularizei pelo nome de Marcolino, nome que ainda tento identificar a origem. .

Pois bem, eu quero falar com você que lê essa carta sobre um tema caro, complexo, no entanto fácil de ser entendido. Política e Religião. Espiritualidade e Cidadania.

É necessário abordar alguns conceitos antes d’eu continuar esta carta.

Primeiro. Há anos deixei de ser militante em movimento social, sindical, estudantil e negro. Por motivos de saúde e posteriormente por escolha particular.

Segundo. A mentalidade reducionista: “política é escândalos de corrupção”, ou “apenas eleições periódicas” e/ou “confusões” é fruto da pouca participação cidadã e fomento do analfabetismo político. Política é o equilíbrio do bem viver e bem comum.

Terceiro. Religião é diferente de espiritualidade. Ao menos no meu ponto de ver e viver. Religião cria dogmas e regras, a espiritualidade liberta e traz um estilo de bem viver.

Dito isso, prossigo com esta carta à juventude cristã, parcela etária que componho, agora em um ambiente menos hostil.

Minha adolescência e início da vida adulta foi marcada pela política, como participante ou co-realizador de conferências, seminários, congressos, calouradas, eventos, passeatas, manifestações, protestos, caminhadas, audiências públicas, palestras e outras atividades que me forjaram uma mentalidade: Perceber, analisar, conjecturar, definir conjunturas e contextualizar as nossas vidas social, econômica e política.

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MULHER

Por Mohammad Jamal.

A emasculação no cepo. Pode crer. O mundo sem a mulher? Pode ser? Claro que não. Fico pensando e, quanto mais penso mais concluo pela absoluta incapacidade de coexistirmos sem a onipresença da mulher. Sem sua “química”, sua mágica, sua metafísica, sua alquimia cósmica, seus feitiços. Dá um frio danado na espinha quando imagino um mundo sem a mulher. Um apavoramento indescritível, um vazio inenarrável, um pavor.

O PT voltou? Vige! Dia desses tive um sonho, melhor dizendo, um pesadelo horrível em que me via exausto de caminhar à procura de um rosto feminino e, por mais que procurasse, só encontrava barbados, bigodudos. Só homens; nem uma Nuri, uma ninfa sequer. Acordei suado, agitado, taquicárdico com a minha Nuri, Edimunda, se desvencilhando de mim e gritando ao meu ouvido: _ Me solta Mehmed! Estas me sufocando, me apertando demais… Isso e hora homem! Ainda bem, graças a Deus, era só um pesadelo. Logo abracei suavemente minha musa por trás. O contato com a sua rica “poupança” e suas costas aveludadas, acalmou-me como um passe de mágica, seu calorzinho, seu perfume suave, sua maciez, meu céu! Refeito do susto; dei-lhe um beijo no cangote e, cheio de amor pra dar, lutei pra conciliar o sono outra vez. A contragosto, com algum esforço e tempo, consegui voltar a dormir.

CC? Não. Vejam se não estou correto de pensar assim: O homem faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê? O sujeito quer ficar famoso pra quê? O indivíduo malha, faz exercícios pra quê? A verdade é que a é mulher o mítico objetivo do homem. Tudo que eu quis e quero dizer, é que o homem vive em função da mulher. Vivemos e pensamos em mulher o dia inteiro, a vida inteira. Se a mulher não existisse, o mundo não teria ido pra frente, evoluído. Homem algum iria fazer algo na vida para impressionar outro homem, para conquistar outro sujeito igual a ele, de bigode, peito e sovacos cabeludos, “CC”, chulé e toda sua catinga masculina carregada na testosterona.

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DAS RAZÕES: SOBRE O PORQUÊ DO NÃO ME CALAR AO SILENCIO DE MIM MESMO

Por Mohammad Jamal.

Palavras são palavras, nada mais que palavras” (Dep. Justo Veríssimo, do Chico Anísio).

Não é incomum para quem escreve ver-se compelido pela necessidade de escrever e de produzir muito e depressa. Sairmos da letargia e, lentamente mirarmos as palavras como se fossem flechas que devam atingir certeiras os alvos cernes das emoções, e que nenhuma delas caia sobre o barro ou a pedra onde não ecoam compreensão e sentimentos.

Sou fróida digitando erudições no Whatsapp!

Para escrever rápido e fluente é preciso termos pensado muito sobre o tema, ter debruçado sobre as ideias inspiradoras, termos levado o assunto ao passeio, ao banheiro, ao barzinho – por quem os frequenta – ao restaurante e até às vezes à casa da namorada. Já dizia E. Delacroix enquanto degustava palavras; “A arte é uma coisa tão ideal e tão fugitiva que as ferramentas nunca são bastante apropriadas nem os meios bastante expeditos”. E isso acontece na literatura tanto quanto na pintura, no cinzelar de uma escultura quanto ao escrever uma partitura musical ou um artigo despretensioso para a mídia que admiramos.

Atanásio quer sair como Destaque na Escola de Samba do Vilela! Imagina?

Algumas pessoas que conheço e que escrevem por impulso, por necessidade, por profissão, começam por carregar montes de papéis, rabiscos e esboços imaginários escritos sobre quase tudo que lhes ofereça uma face plana ou flexível. Eles chamam isso de cobrir sua tela; as tintas que as preenchem são o imaginário das palavras que supõe impregnadas a coerência e harmonia das razões. Essa operação confusa tem por objetivo não se perder nada daquilo que, observem que agora passo a primeira pessoa, intuímos no esboço mentalizado com todos os elementos literários. Mas ainda assim, depois de lerem, relerem, copiarem, seus criadores, compulsivos, ficam cortando, podando, reinserindo e desbastando palavras e os ímpetos das emoções que elas infligirão ou farão refletir àqueles que as lerem. Mesmo que o resultado seja considerado excelente e satisfatório, continuamos abusando do tempo e do talento como se eles fossem algo inexaurível em nossa compulsiva busca pela perfeição.

“Me amarrei” na Cora Coralina: O saber se aprende com os mestres. A sabedoria, só com o corriqueiro da vida.”.

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AGORA É “NÓIS”! PROTAGONISMO OU FIGURAÇÃO? VOCÊ ESCOLHE

Por Mohammad Jamal.

Bem aventurados os autistas.

Vivemos sob um processo moral e ético sociologicamente apenso do relativismo. Coisa que não podemos minimizar com meros eufemismos para um atávico niilismo coletivo ou uma simples derivação da moral social na plenitude da sua informalidade. Nesse caso, os pressupostos da inocência dão lugar à ambiguidade e põe dúvidas sobre velhos comportamentos agora considerados popularescos, quanto do cultivo da honradez; da verdade, da justiça… É tudo muito relativo; um relativismo impositivo e convenientemente direcional.

A Democracia plural. “In alio pediculum, in te ricinum non vides” (Petronius) Tu vês um piolho no outro, mas não um carrapato em si mesmo.

O que representa a verdade para mim; pode não ser verdade para outrem; mas isso não tem importância alguma. A verdade no relativismo é aquilo que eu “percebo” como verdade. E não importam as origens de fatores indutivos que incidem verticalmente do particular para o coletivo. Tudo ocorre independentemente da opinião alheia ou das conclusões obtidas pelos outros sobre o mesmo tema refletido. Claro, neste caso, o relativismo deteriora as relações humanas e conduz a um ambiente de desconfiança mútua; de suspeição permanente; do desagrado ao questionável, ao ambíguo, etc. que alguns relativistas denominam em política, de Democracia plural.

Lá no Sul dizem que morcegos perdem as asas e viram rato! Imagina se não perdesse as asas?

Esse relativismo não é congênito; ele advém dum evolucionismo sociológico; aquele mesmo que também influi na inserção de novas condutas sociais e políticas, novos termos à prosódia e jargão ou, na supressão de outros por caduquice da semasiologia das línguas vivas. Modismos, maneirismos, neologismos… Quase inescapáveis. Tudo num ambiente fugidio das subjetividades, das mentiras quase verdades e das verdades subjetivamente mentirosas. Eu não queria cair no quase inescapável lugar comum; o processo onde assistimos impassíveis a reformatação da nova moral social e a criminalização da ética e seus sucedâneos filosóficos. Isso porque ha nos ares democráticos do país o cheirinho de comida farta, gratuita e fácil para aqueles ditos mais expertos, os penetras simulacros de líderes do povo. Há um clima de Black Friday açulando os impulsos de consumo, um alvoroço nunca visto, como se os alvoroçados entes da política, putas velhas e quengas neófitas estreantes no “brega” eleitoral, um salve-se-quem-puder, um agora-está-fácil, é agora ou nunca, numa ganancia desenfreada ao escancaro do pudor e ao destemor das vítimas eleitoras àqueles mais afoitos que estão colocando até mãe no fazemos-qualquer-negócio um “التجارة” um comerciozinho, um lucrinho… Diria um saudita.  (mais…)

O PRESENTE DE LULA PARA A DIREITA

Imagem: Pedro Ladeira/Folha de São Paulo.

Por Juan Arias, publicado no site do El País/Brasil.

Lula, considerado um dos maiores estrategistas políticos da América Latina, poderia estar dando um grande presente à direita com sua estratégia de impedir, num momento tão crítico para as forças progressistas deste país, a união dos partidos de esquerda. Entrincheirado em sua cela e em seu castelo de onipotência, está desorientando não só o seu partido, o PT, ao qual está desidratando, mas também o resto das forças de esquerda, que pela primeira vez poderiam concorrer unidas nas eleições para frear o ímpeto não só da direita, mas também da extrema direita valentona dos Bolsonaros.

É possível que, perante a impossibilidade de disputar as eleições, impedido pela lei da Ficha Limpa, Lula queira jogar todas as suas fichas em manter a qualquer custo a liderança da esquerda, mesmo que ao preço de condená-la à oposição, deixando o campo livre para as forças conservadoras que já mostraram suas garras e sua vontade de governar. Não que não tenham direito a isso, mas, num país onde a maioria ainda vive na pobreza, onde quase 40 milhões não concluíram o ensino básico e 25 milhões os estudos secundários, num país devorado pela violência, pela desigualdade social, pelos preconceitos raciais e pela corrupção política, é um pecado deixar a nação nas mãos dos conservadores.

A responsabilidade de Lula nesta hora é grande e grave. Ninguém lhe pede que deixe de defender sua inocência, se acreditar nela, mas ao mesmo tempo tampouco pode expor o país a uma crise política com táticas puramente defensivas, que possam envenenar uma eleição já muito convulsionada. Não parece respeitoso com o país agarrar-se a qualquer estratégia, inclusive conúbios pouco republicanos com setores da direita, sacrificando as outras forças de esquerdas para se manter sob os holofotes.

Vivemos submersos numa modernidade, inclusive política, que não tem mais nada a ver com os arroubos de grandeza dos Reis-Sóis, que proclamavam “O Estado sou eu” ou “depois de mim, o dilúvio”. Toda identificação de qualquer força política com o Estado é não só um atraso tresloucado como também um perigo para a própria democracia, que se nutre da seiva de toda a sociedade que é o sujeito e não o objeto da política e da civilização.

É possível que Lula, com sua estratégia do Sansão bíblico de “morra eu com todos os filisteus”, consiga manter vivo o mito de que ele é não só a esquerda, toda a esquerda, mas também todo o país, mesmo que isso signifique colocá-lo à beira do precipício. O popular e carismático ex-sindicalista já deu provas em outros momentos históricos de entrega aos melhores valores deste país, merecendo a estima internacional. Talvez tenha chegado o momento de ele demonstrar grandeza de espírito colocando-se não como única e exclusiva salvaguarda do país, e sim se somando à caravana de todas as forças do progresso, que mais do que nunca precisam estar abraçadas e em uníssono para impedir que continue levantando-se o muro não só das desigualdades sociais, mas também do atraso cultural, da sangria da corrupção e das tentações autoritárias.

É nos momentos cruciais da história que os verdadeiros estadistas se diferenciaram dos charlatães. A receita sempre foi a do próprio sacrifício pessoal em nome do bem comum, como demonstraram os grandes e autênticos guias das sociedades em perigo, de Moisés ao profeta Jesus, de Gandhi a Luther King e Mandela. Lula já se equiparou a todos eles. Tomara que a história possa um dia inscrevê-lo naquele livro de ouro, e não no dos condenados ao esquecimento.

NOSSA INSURGENTE ECOLOGIA SEXUAL

Por Elisabeth Zorgetz.

Tive dez dias de férias, o que me permitiu sair relativamente de um redemoinho de tensões reais e inventadas, prazos, relações interpessoais, horários impossíveis e tudo mais. Sou uma moça contraditoriamente careta e carrego minhas demências moral-romântico-bucólicas por aí. Mas estou vivendo um curioso momento de intensos pensamentos que me atravessam como as cores elétricas e formas absurdas do final de Annihilation. Portanto, aqui estamos para falar sobre um conteúdo socialmente indecente, amplamente inapropriado, e de teor ainda mais descarado que a filosofia aleatória de um filme de ficção científica.

Realmente conheço poucas pessoas que acreditam em sexo. Que acreditam nele como uma atividade com potencial de fortalecer os laços, melhorar nossas vidas, abrir as janelas do espírito, ou mesmo mudar o mundo. Mas todos temos um forte desejo pelo poder enquanto capacidade de afetar algo ou alguém. Nos perguntamos em algum momento da vida: transar menos e com menos pessoas nos torna mais virtuosos do que o contrário? Nossa ética não é medida por esses valores, mas pelo cuidado com o qual as tratamos e nos permitimos ser tratados ou tratadas. Por quanto nos suportamos com honestidade o suficiente para admitirmos quem somos respeitando o restante.

A economia dominante nos faz acreditar na lógica da carência sobre o que é precioso. Isso nos faz acreditar que, se algo é muito bom, como transar com alguém ou se masturbar, devemos evitar, poupar ou enclausurar. Como uma coisa, não uma relação. Tenho apenas dedilhado a economia, mas sou um todo profundo de intuições. Tenho hipóteses que mais sugestões podem proporcionar mais desejo, mais prazer pode produzir mais conexões, maior cobertura emocional, mais amizades e boas relações. Como uma economia holística, uma ecologia sexual coletivista, compartilhando o corpo e os sentidos como uma ação positiva e se opondo firmemente a esta economia de fome, medo e relações apavorantes. Isso me pareceu muito hippie agora, e pensá-lo me faz uma bruta preconceituosa. Também me faz lembrar alguém que alegremente não me perdoaria por usar holismo, coletivismo e ecologia no mesmo texto. O que importa é: esse parágrafo não deve ser encarado como uma orgia naturalista. Longe disso, embora nada contra.

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مع السلامة MA’A AS-SALAMAH

Por Mohammad Jamal.

Há algo de muito sério dentro do processo de seleção. As necessidades da empresa e/ou da instituição são os elementos primordiais perseguidos pelo selecionador de mão de obra. Ela deve ser conduzida por normas e procedimentos criados para a atração de pessoas e deve estar ligada às necessidades e à cultura de cada empresa. Nesses últimos anos, novas abordagens de seleção tomaram conta do mercado de trabalho; refiro-me à metodologia de Seleção por Competências. Essa, por sua vez, tem como foco principal a perspectiva de resultados no cargo e na função, deixando de lado os critérios tradicionais das atribuições e perfis generalistas de personalidades, além de tornar mais ágil e objetivo o processo de seleção com foco único no sucesso que se pretende obter para a empresa através o selecionado. É Regra? É, mas apenas na iniciativa privada e/ou, em raros casos excepcionais, quando ao “selecionar-se” assessor alterego funcional para exercer a parte laboral de gestão executiva para algum incompetente, mas esperto, analfabeto institucional com aspirações políticas futuras, nomeado para cargo público de alguma relevância.

A grande maioria dos profissionais da área de Gestão de pessoas está atenta ao programa que traz uma forma inovadora de seleção, que coloca em desafio os participantes com o objetivo de avaliar o perfil de cada concorrente frente da função que lhe for atribuída, sem concessões de escusas diante inabilidades, incompetência ou falta de talento. Repito, no âmbito da iniciativa privada.

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DAVIDSON E CORONEL: MAIS UM ATENTADO À SIMBOLOGIA COMUNISTA

Foice e martelo espremidos por Coronel e Davidson. A realidade é muita dura para os sonhadores.

Por Emilio Gusmão.

Antes de ser definido como suplente do atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Ângelo Coronel, na disputa por uma vaga no Senado, o comunista Davidson Magalhães já namorava o PSD, partido considerado de direita, ou, de maneira mais compreensiva, de centro- direita.

O partido de Oto Alencar minou a senadora Lidice da Mata pelas beiradas e o primeiro passo foi um bem planejado processo de cooptação do PC do B da Bahia.

Como Davidson buscava manter-se na Câmara dos Deputados, Oto e Coronel lhe ofereceram alguns municípios governados pelo PSD, para que ele pudesse conquistar mais votos e saísse das urnas como titular da vaga, ao invés da suplência conquistada em 2014.

Ideologia às favas, Davidson iniciou pré-campanha em Ibicuí, Gongogi, Camacan e Ibirapitanga.

Dentre os partidos com representantes no Congresso Nacional, o PC do B é o mais rico simbolicamente. Traz consigo a foice, o martelo e toda uma história de lutas heroicas. É também uma cepa do velho partidão (PCB).

Mesmo que tenha defendido a ditadura do proletariado (um erro histórico revelado primeiramente pelo “Relatório Kruschev” em 1956, e destruído no desmoronamento do bloco soviético, em 1989), o Partido Comunista do Brasil tem um passado de grandes exemplos, constatado facilmente na abnegação de vários militantes que dedicaram suas vidas ao combate à iniquidade. Pedro Pomar e Maurício Grabois, fundadores do PC do B, foram assassinados no exercício da luta partidária.

Quem leu biografias de Luiz Carlos Prestes, Carlos Marighella e a autobiografia de Gregório Bezerra*, e ficou tocado pelos exemplos notáveis de obstinação, humildade, honestidade e coerência, pode ter dificuldades para aceitar o comportamento político de Davidson Magalhães, que apesar dos pesares, ainda se considera comunista.

Como presidente do PC do B da Bahia, Davidson ficou calado diante do alijamento da senadora Lídice da Mata da chapa do governador Rui Costa. Calou-se por já ter negociado com Oto e Coronel em seu benefício. O problema é do PSB? É claro que sim. Contudo, o silêncio é mais uma prova do afastamento do PC do B da “luta de classes” (lamentável para um partido comunista). Ignorou a expulsão de Lidice da chapa e aceitou a suplência de um político convencional e aristocrata.

Pode parecer bobagem a citação de referências históricas e ideológicas diante de uma realidade política clientelista e de fisiologismo. No caso em análise não é. O autor do texto não é comunista. Considera-se, apenas, um admirador de algumas personalidades do movimento, e, nesta análise, não consegue se desvincular da questão simbólica.

Por conta dela, Anita Leocádia, filha de Prestes, protestou em 2012 quando o PC do B tentou anular a cassação do mandato do “Cavaleiro da Esperança”, ocorrida no Senado Federal em 1948.

Anita Leocádia chamou o episodio de “oportunismo imoral”.

 

*Os três foram lideranças comunistas exemplares. Não pertenceram ao PC do B.

O AMULETO DE PAI AL-ATOCHÁ!

Por Mohammad Jamal.

(Da série: “Epopeias da Capitania”)

O “homi” já chegou chegando: carnavalesco, espalhafatoso, alegórico, um Joãozinho Trinta e suas fantasias de brilho ofuscantes; como se Cleópatra adentrando ruidosa a Roma ao encontro do seu Marco Antonio ao tempo em que estarrece o mundo incivilizado da Colônia, exibindo luxo e riqueza aos senadores e à louca e desesperada população, em êxtase. O místico afoxé Filhos de Gandhi adentrando a Avenida Sete para socorrer com o “descarrego” os quebrantos dos agônicos soteropolitanos e neobaianizados em suas abadas coloridas.

Alto, bonito, corpulento, trazia um enorme sorriso cinzelado sobre o mármore branco-ofuscante dos dentes alvejados, perfeitos, instalados no semblante vitorioso/conquistador, tipo Alexandre Magno entrando na Pérsia submetida. Tinha em si, o que propositalmente deixava transparecer em evidente marketing pessoal: uma enorme bateria supercarregada muito acima da sua capacidade nominal de volts, a ponto de impregnar a todos à sua volta com o magnetismo e condutiva “eletrostática” arrebatadora que emanava isótropos irradiantes que a todos energizava com simpatias, autoconfiança, esperanças. Uma usina açucareira pronta pra derramar toneladas de glicose às bocas do povo hiperglicêmico, insulinodependente e desassistidos do SUS, um espanto; um Sidenafil em hipotenso! Podia-se dizer que trazia consigo, a tiracolo, o ufanismo meritório dos grandes vencedores, como se portasse o poderoso amuleto de Oxóssi e sua lança fálica vindos diretamente do Gantoir!

E cavalgou assim garboso, impassível e poderoso pelas ruas da decadente cidade, montado a seu cavalo branco, um árabe puro-sangue ricamente ajaezado que pisava cuidadoso, saltando ao desviar-se de montes de merda e lixo aqui e acolá espalhados a esmo. Em vultosa procissão, o povão, loucos e lazarentos, ao seu redor, desesperados, gritava o seu nome “Hão” entre rogos e súplicas lacrimosas. A certa altura do desfile ele estacou seu bagual puro sangue ali, – (ali, é advérbio de lugar e não Ali nome próprio árabe. O nome do cavalo é Bucéfalo, viu?) – bem no meio da praça, acionou os freios de estacionamento do corcel dos emirados e, “amuntado mermo” (em nordestinês), sem apear, promulgou a plenos pulmões a lá Consul Júlio Cesar, o seu Veni, Vidi, Vici: “Quando vi nessa cidade, tanto horror e iniquidade, resolvi tudo acudir*”. O “acudir*” é nosso e, aqui há um perceptível control C, control V, da Ode a Geni; poema musical do Chico Buarque.

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JUDITH, A MOÇA ESTELIONATO. EM LONGOS PARÁGRAFOS METAPSICOLÓGICOS…

Por Mohammad Jamal.

O dia transcorreu soturno, pesado e tedioso, um sepulcro atemporal. Hoje carreguei toneladas de apatia; confrontei rostos banidos da esperança cujos corpos e suas texturas transpareciam personagens extraditados da Divina Comédia. O estupor do medo desenha olhos de barro em seus rostos macilentos. A üzüntü, Dünya… “Kasvetli olmanın nesi mükemmel?”, diria assim vovô, no seu turco carregado de expressionismo linguístico (tristeza, depressão… “O que há de tão grande nesta depressão?”). Tento escapar ileso desse redemoinho de existencialidades sem perdas e danos. A palavra é a ficção de um vazio; um parcel de questionamentos existenciais de onde assisto a moral, essa desavergonhada, entregar-se lasciva à vida de pública da devassidão por trinta moedas de um real, ou muito menos, ou por quase nada… Mixaria.

Lapso, me pego de pé, totalmente despido de pudores, nu no meio daquele quarto/alcova. Que mais poderia eu fazer nesse fim de tarde, quando a escuridão sepulta sem dó o dia ainda agonizante para mim com pesado atraso? Que fazer senão atender ao apelo, apoiar meu corpo suado sobre o corpo daquela mulher de “negócios” esparramada nua; pernas abertas e olhar macilento fitando a impassibilidade da própria apatia que vê estampada no bolor que desenha mapas no teto, nas paredes, na memória? Que fazer senão copular burocraticamente como num tedioso rito processual de agravos restringentes como montam ao povo políticos corruptos? A mulher é só a sombra de um constitutivo abstrato numa ficção de palavras surreais traçadas a pinceladas impressionistas. Salvador Dali não é, nem de longe, o que eu chamaria de o louco daqui. Dali abstraiu-se no surreal; aqui é concretismo existencial.

Havia silêncio no ar e uma única lâmpada no ambiente, tal como se fora enforcada no centro do quarto pendendo no bocal por um fio coberto pelas teias do tempo.  Debilitada e mortiça, sua fraca luminescência tingia os poucos móveis, além da cama e o criado mudo, de um amarelo ictérico como a bile que também me amarelecia fantasmagoricamente as feições a ponto da memória gustativa me fazer sentir amarga a saliva que me brotava sob a língua. E desabei inteiro, inapetente e sem ganas sobre aquele corpo feminino, um serventuário com manchas roxas da lida ali e acolá. Passei em seguida aos movimentos rítmicos ondulares, como se coreografando um funk fúnebre ou réquiem litúrgico para exéquias de uma vagina pós-exumada. Foi quando a vagina exumada, ou melhor, a voz da mulher serventuária, de negócios baratos, deu sinais de vida. Ela fala!

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ENXUGANDO GELO, EU? FALA SÉRIO, VAI.

Por Mohammad Jamal.

Um “pancada” como sou. O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que “o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver.”. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração. Liberdade não é um terno novo ou uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento alienante ou disfarce para se vestir. Como eu, voluntariamente desestereotipado e íntegro no comum da minha trivialidade doméstica. Mas ainda assim, um homem literalmente intransparente, desculpem-me pelo forçoso neologismo para acompanharem a minha linha de pensamento crítico auto filosófico. No entanto, em contrapartida, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado ao pescoço. 

Botocudos ou Cherbongs? Diga-me qual é a sua tribo e, eu lhe direi qual é a sua clausura. São cativeiros bem mais agradáveis do que os ex-Carandirus, Bangus e Papudas da vida: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luís Estevão, Lula, figurões; só que temos que advogar em causa própria e habeas corpus, nem pensar. O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos voos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza, submete e serviliza sob o peso de Contrato irrecorrível e inquebrantável onde o contratante é a sociedade maniqueísta e as carentes fraquezas da sua própria vaidade. A carcereira de você.

Nem andarilho nem sultão. Viver sem laços igualmente pode nos reter e manietar. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho. Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma grande vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente e voluntária. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real e concreto, entre quatro paredes.

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EU EXISTO

Por Mohammad Jamal.

Equívoco petulante. (“Die Religion… Sie ist das Opium des Volkes.“). “A religião é o ópio do povo” esta é uma frase muito presente na Introdução da obra, em Alemão “Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie – Einleitung”, Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, de Karl Marx. Alias, não foi, todavia Karl Marx, o primeiro a se utilizar dessa impactante analogia, muito embora se lhe atribuam frequentemente à outorga autoral. Ele, de fato, sintetizou uma ideia que esteve presente em diversas obras literárias e filosóficas de grandes autores do século XVIII.

O Xis da questão. Se nos fixarmos no sentido lato dessa ideia, no seu filosofismo sintético, sua hermenêutica crítica e seu tendencioso antropomorfismo; vamos confrontar à frente, caso tenhamos projetado essa “ideia”, amálgama de doutrina sociológica de concepções heterogêneas, rolando-a ao longo dos séculos XVIII ao XXII, dentro de um torvelinho de equívocos axiomáticos mutagênicos que jamais alcançarão o pretenso sentido de regra geral; as dimensões de “A religião é o ópio do povo” não transcendem os processos sociopolíticos, embora os balizem de alguma forma.

A silagem suplementar está servida! O homem, sua língua, seus costumes, necessidades e anseios coletivos, não diria que evoluem cultural e sociologicamente racionais em sintonia e adequação à sobrevivência e consonância coletiva. Entretanto, percebemos implícita uma indisfarçável ambivalência multipolarizada, instável e imprevisível como as alternâncias das marés nos oceanos, diferente em cada um deles. O homem enquanto elemento de observação sociológica é deslumbrante e admirável conceitualmente nesse instante, mas logo se torna repulsivo e abjeto no momento seguinte. Suas instabilidades humorais, seus impulsos e carências, sua gana pelo abstrato sensorial, sua exagerada autoestima, sua ânsia entre o Borderline e o bipolar o faz (touro de Minos) o Minotauro que afrontou à razão lógica, aqui trato figurativamente a “razão” como sendo a Poseidon, seu álter ego de plantão.

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28 DE JUNHO DE 2018. CONFIDÊNCIAS AO MEU QUERIDO DIÁRIO. FESTEJAR O QUE?

Por Mohammad Jamal.

Aimra’at qunbula (Mulher bomba). Querido diário. Não repare por não te dar Bom Dia. É que hoje é uma daquelas manhãs, do Chico, “Tem dias que a gente se sente/Como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente.”. Pois é, hoje acordei e estanquei de repente pra lá de Bagdá, quiçá em Baquba, Aleppo… Faixa de Gaza… Devastadinha da Silva, raivosa, antropofágica, e não é TPM garanto, não tenho mais hormônios nem idade pra isso. É overdose de homens ruins… Bofes montados sobre uma velha em menopausa.

“caia matano em cima dos homi”. E Agamenilda, é minha secretária do lar e, às vezes, confidente; vêm toda condoída querer me consolar com seus conselhos feministas-sodomitas de usuária e consumidora inveterada de homens de todas as marcas, modelos e anos de IPVA. “_D. Ilhéus, faça como eu, caia matano em cima dos homi, minha neguinha!”.  Sempre reajo com respostas onomatopeicas tipo arre, arg… Ela não entenderia minha adjetivação puritana e ortodoxa de mulher recatada. Estou cansada de homens; eu não sou dessas mulheres comuns, meu querido Diário. Sou uma mulher “maçaneta”, reconheço, mas involuntariamente compelida a essa promiscuidade mundana. Sou levada a isso por mera imposição do sistema que impera sobre os bons partidos. Sou bom partido, por isso, caça e presa fácil para aos “casamentos” por conveniências com figurões financeiramente combalidos, à cata de financiamento a fundos perdidos; os meus. Meus fundos já eram! Estou empobrecida e abandonada, uma indigente à minha própria sorte.

A Inês de, rainha póstuma. Querido Diário. Você conhece a maior parte das estórias da minha vida. Pra você eu não devo repetir catarses existenciais envoltas em arrependimentos e lágrimas tardias. Lembra-se do primeiro homem, do Jorge? O Jorge Figueiredo, aquele português supostamente rico e nobre? Meu primeiro casamento por pressão familiar e conveniências mis. Eu ainda na flor da idade, uma menina virgem pura, casta e inexperiente, oferecida em casamento àquele estranho que vivia de bar em bar e nos bregas das noites do Algarve e da Beira; o Jorge. E tudo por Carta Precatória, “por correspondência”, a Internet daquela época! Não sei se foi por problemas de disfunção erétil, por falta de grana pra viagem longa, por desinteresse por mulher. Más é fato, e você sabe Querido Diário, que ele não deu as caras, não veio! Mandou um representante pra cá tomar conta de mim, ou melhor, dos meus bens, porque continuei sozinha e virgem ardendo em brasas sem que homem algum tocasse sequer num solitário pelinho pubiano meu, minha caranguejeira faminta!

A inesquecível Bubalina, de Níkos Kazantzákis, em “Zorba o grego”. Querido Diário, você sabe que fui para meu segundo casamento virgem, literalmente intocada. Minha Lua de Mel foi lá na Fazenda de papai. Banhos de rio, passeios no mato, etc. Foi lá que pela primeira vez ele brincou de médico comigo! Teria sido ótimo sem aquelas formigas caga-fogo que nos deixaram encalombados. O idiota me deitou sobre o formigueiro e, pra completar, teve um episódio de ejaculação precoce! O fdp me deixou lá pra trás sozinha no meio do mato!

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TRIBUTO AO ESTADISTA WALDIR PIRES

Waldir ao lado de Napoleão
Waldir Pires ao lado do saudoso Napoleão Marques durante um comício realizado em Ilhéus, em 1982. Nesse ano, Waldir foi candidato ao senado federal e perdeu as eleições para Luiz Viana Filho. Nesta imagem do arquivo pessoal de Francisco Silva (filho caçula de Napoleão Marques) aparece um cartaz de Jabes Ribeiro, candidato a Prefeito de Ilhéus em 1982, ano de sua primeira vitória.

Esse artigo foi publicado no dia 19 de fevereiro de 2015.

Em homenagem ao grande Waldir Pires, que faleceu nessa sexta-feira, 22 de junho de 2018, decidimos publicá-lo novamente. 

Por José Henrique Abobreira

Abobreira.
Abobreira.

Conheci pessoalmente o Professor Waldir Pires logo após a decretação da anistia política com o retorno dos exilados ao país, em 1979. Por intermédio de Jabes Ribeiro, fora levado a proferir uma palestra para os estudantes da FESPI, hoje UESC. Saí impressionado com a exposição do professor a respeito da conjuntura e sua análise da estratégia para travar o enfrentamento democrático contras as forças do atraso e das trevas ditatoriais, na Bahia representadas pelo carlismo vivo, atuante e malvado.  Fui conhecê-lo como tribuno ímpar, o maior que conheço até hoje, meses depois, num comício organizado por Carlinhos Pereira, amigo e militante esquerdista do Mr8, na associação 19 de março em Ilhéus, evento em favor da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, que contou com a participação das estrelas da oposição encasteladas no velho MDB das lutas populares e democráticas do Brasil. Participaram Waldir Pires, Miguel Arraes e Jorge Hage. Chico Pinto não pode participar, o MDB de Ilhéus avaliava que tiraria votos de Jorge Viana, então deputado federal, na sua base.

Lá pela meia noite, terminado o ato, me dirigi para casa a pé. Já tinha ultrapassado o horário de funcionamento do transporte público, e não percebi a longa distância que percorri, da Avenida Itabuna ao Pontal, matutando o que tinha ouvido dos líderes democráticos. Fiquei impressionado com o discurso de Waldir Pires e ao chegar em casa perdi o sono com as palavras dele martelando nos meus ouvidos. Sim, era preciso reorganizar a Nação Brasileira sob outros moldes políticos, encerrando aquele ciclo ditatorial vigente há vinte anos. Era preciso botar o povo na rua reivindicando uma Assembléia Constituinte e as eleições diretas para presidente da República. E assim tomei Waldir Pires como o meu guia político e decidi mergulhar de cabeça na militância político-partidária com a convicção, baseada no exemplo de Waldir, de que as mudanças só ocorrerão se todos derem um pouco de colaboração na vida pública e na luta política de nossa cidade, do nosso estado e do Brasil.

A campanha de 1986 ao governo do estado da Bahia com Waldir encabeçando a chapa das oposições fora uma campanha cívica e eleitoral memorável. As multidões paravam a comitiva do candidato a governador em todos os rincões do estado. Queriam ouvir uma palavra, uma mensagem de esperança por tempos melhores. No que pude, acompanhei a maioria dos comícios aqui na região. Em Itabuna vi o dia amanhecer na Praça Adami aguardando os principais oradores.  Waldir e Ulysses Guimarães falaram para uma multidão. Em Ilhéus e toda a região não foi diferente, as pessoas choravam de emoção com a fala do DoutorWaldir lembrando as atrocidades praticadas pelo “carlismo” na Bahia.

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