L.A.T.A – LEGIÃO ANÔNIMA TRABALHADOR AUTÔNOMO

Por Thiago Dias

Era noite no Pontal. A senhora vociferou: “Largue! Largue meu lixo! Não mexa! Não venha bagunçar meu lixo”!

Pensei que a mulher enxotava um cão. Mas o animal do qual ela defendia seu lixo nos era semelhante. Notei isso quando o homem levantou e caminhou até o próximo monte de sacolas. Delas, ele re-colheu duas latas. Depois disso, o trabalhador seguiu seu caminho e a senhora voltou ao grupo de vizinhos reunido na calçada.

As personagens se foram. A impressão produzida pela cena, não. Intimamente, solidarizei-me com o homem tratado feito cão. Mas não ousei manifestar-me contra o sentimento de posse que aquela mulher nutria pelo seu lixo. Não convinha desafiar sua raiva. Muito menos explicar-lhe o valor ecológico e socioeconômico da Legião Anônima de Trabalhadores Autônomos.

Ou será que aquele catador sempre bagunça o lixo da senhora e, dessa vez, ela lhe flagrou? Certamente, isso justificaria a violência da velha. Afinal, não se pode sair por aí revirando o lixo alheio, sem pedir licença ao dono. 

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¹ Link para descrição do documentário que inspirou esse título

A PRINCESA, OS TABLÓIDES E OS CAVALOS

Por Malu Fontes

Em tempos de velhas e novas guerras, catástrofes naturais no mundo e avalanches diárias de violência na TV doméstica, nada mais recomendável para o olhar saturado do telespectador do que voltar aos arquétipos imemoriais dos contos de fadas e consumir doses diárias de emoção alheia, de um tipo ao mesmo tempo novelesco e real: um casamento de princesa que, no mundo inteiro, anuncia-se em contagem regressiva. Quando, no próximo sábado, o príncipe inglês William e a plebeia Catherine Elizabeth Middleton trocarem alianças e pactos de amor eterno na Abadia de Westminster, em Londres, no mesmo lugar onde há 30 anos casaram-se Diana e Charles (pais do noivo), nada menos que 2,5 bilhões de telespectadores em todo o mundo estarão de olhos vidrados na tela. E, estranhamente, cada telespectador saberá mais detalhes da vida privada do casal do que sabe sobre sua própria família.

Sedenta de novos personagens para encher os olhos da audiência, a TV do mundo rendeu-se aos encantos de Kate Middleton desde que o noivado com o príncipe inglês foi anunciado oficialmente ao mundo e ela foi entronizada como o mais novo ícone fashion, embalada em um wrap dress azul (vestido envelope) e ostentando um anel de diamantes e safira do acervo da falecida sogra. Desde então, e num crescendo à proporção que o casamento aproximava-se, o casal principesco foi ocupando com a força de um tsunami todos os espaços midiáticos, dos jornais impressos regionais do interior do Brasil aos sites de moda mais antenados de Tóquio, passando por generosos espaços no francês Le Figaro, que na última quarta-feira inseria um caderno especial dedicado ao casal real. Blasè como exige o comportamento francês, o jornal falava da moça a pretexto de abordar curiosidades dos ingleses, e não dos franceses, claro, sobre a moça. Ah, tá.

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CASAIS QUE FALAM COMO BEBÊS SÃO MAIS FELIZES

Da Super Interessante

Ô, delixinha minha, toisinha mais totosa do mundo! É, voxêêê, voxê meeesmo, meu bebezinho. Vem cá com o seu amorzinho! Vamos ver um filmezinho hoje? Fofurinha! (Bilú, bilú.)

Sabe aqueles casais insuportáveis que falam desse jeito? Eles são mais felizes. Insuportavelmente mais felizes.

Em uma pesquisa feita nos EUA, 75% dos participantes assumiu usar o linguajar fofinho com o parceiro. E, segundo os pesquisadores, os casais que falavam nesse tatibitati para adultos demonstraram maior satisfação, intimidade e segurança no relacionamento, além de terem uma vida sexual mais movimentada.

A justificativa é que, ao abandonar o papel de “adulto normal”, assumindo seu lado bobão e romântico sem economia, a pessoa se permite criar um nível de intimidade mais elevado com a cara-metade. E isso, é claro, favorece o relacionamento.

DESTAQUES DA REVISTA CONTUDO

A décima edição da revista CONTUDO, que chegou às bancas neste sábado (26), traz na capa uma realidade que merece, no mínimo, reflexão. A taxa de evasão nos cursos da UESC.

A cobertura da procissão de São José, uma das mais tradicionais manifestações populares de Itabuna, teve destaque nessa edição. Como não poderia faltar, a reportagem retrata também o viés político que se apresentou na festa.

A CONTUDO é vendida por R$ 2,00 em todas as bancas de Ilhéus e Itabuna.

BETHÂNIA PODE CAPTAR 1,3 MILHÃO PARA CRIAR BLOG

A cantora Maria Bethânia conseguiu autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão e criar um blog.

A ideia é que o site “O Mundo Precisa de Poesia” traga diariamente um vídeo da cantora interpretando grandes obras da literatura. O diretor Andrucha Waddington seria o responsável pelos 365 vídeos.

Há cerca de três anos, Bethânia teve um pedido de captação de R$ 1,8 milhão para uma turnê rejeitado.  No entanto, Juca Ferreira (titular do ministério na ocasião) ignorou o parecer e autorizou a captação um pouco inferior (R$ 1,5 milhão).

HORAS DE ESPERA SALTANDO POCINHAS

Por Malu Fontes

O marketing tem, sim, o poder de matar ou fazer explodir positivamente um jeito de se fazer Carnaval em Salvador. O debate é velho, mas não mais velho que a repetição das mesmas imagens, dos mesmos enquadramentos que, durante uma semana, se vê, com raras exceções, em todas as emissoras locais de TV.

Algumas dessas emissoras reivindicam para si e suas crias um protagonismo maior do que o da própria festa em si. E quando acha-se que já se viu tudo o que poderia haver de pior, eis que alguma transmissão vai ao ar para provar que tudo sempre pode piorar. Este ano a piora foi o caso da mocinha Lola Melnick (ucraniana, dizem), uma espécie de cover estéril da recém-falecida condessa Carola Scarpa (que Deus a tenha!). A curvilínea calipígia foi enviada pela emissora de Sílvio Santos para matar de vergonha os profissionais locais do jornalismo da TV Aratu, retransmissora do SBT em Salvador.

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O VACILO DA MINISTRA HELENA CHAGAS

Ministra Helena Chagas.

A ministra da Comuncação Social, Helena Chagas, passou a maior saia justa na tarde da ultima terça-feira (08).

Pelo Twitter, Helena retransmitiu aos seus 7.679 seguidores, uma frase que critica petistas ilustres e aliados do governo federal

A mensagem de Lourival Bonetti, dizia: “ganhar menos que esta raça devoradora, políticos como Sarney, Mubarak, Kadaf, Buch, Lula, Dirceu, Genuíno, me envergonham, que nojo”.

Por meio da assessoria, Helena Chagas disse que retransmitir a mensagem foi um erro, e que a culpa era de sua péssima coordenação motora.

VIVA E DEIXE VIVER!

Por Gustavo Pestana.

(In)decisão. Amo essa palavra, decisão, cisão.

A decisão é o ato de cindir, romper com algo que nos prende. Quando um bebê nasce seu cordão umbilical deve ser cortado, cindido, para que ele possa viver, pois caso isso não aconteça ele nem estará no ventre da mãe e tão pouco apto a viver fora dela. Ao decidir o rompimento do cordão umbilical de uma criança, ela entrará no mundo das decisões, o qual a tornará livre, dona do livre arbítrio. Ele poderá agora responder e escolher o que ela quer para o restante de sua vida. Você pode ter visto ou até conhece pessoas que até hoje estão pressas por “cordões umbilicais”, laços que não as deixam viver, “nem uma vida fora do ventre, nem dentro do ventre”. O que seria um “ventre”?

Ventre é algo que abriga, nutri e protege um feto. Neste local, o feto pode desenvolver-se e constituir-se como ser humano. Mas depois de 9 meses acontece/chega a hora do parto, ele, o bebê, necessitará sair do ventre materno e conhecer o mundo que o cerca, o qual o espera. Quando um bebe nasce antes dos 9 meses dar-se-á o nome de prematuro e quando supera esse período dar-se-á o nome de supermaduro. Mas quando ele nasce e não se separa do cordão umbilical como ele é classificado? Não há classificação, é algo (in)definido.

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O SABOTADOR

Por Tico Santa Cruz, em seu blog.

Se me rendí aos realitys? Digamos que estou de refém. Acompanhando por comentários de rede sociais, muito mais do que assistindo realmente. Não decorei nomes e muito menos sei quem é o quê ou o que pretende fazer. Vi uma bundinha ou outra gostosa. Um bando de marmanjo pronto pra guerra. Percebi que a ordem é ir para cima e divertir o povo.

Como? Basicamente com insinuações sexuais, poses, músculos e rastilhos de pólvora espalhados prontos para uma explosão. É o que funciona. Também gosto muito.

Todavia, entendo que o reality seja um jogo puramente psicológico e tem perfis pré-determinados muito claros. Nem preciso me aprofundar nessa questão. A grande maioria que enxerga mais do que o óbvio já sabe.

É uma oportunidade de sair do anonimato, uma chance de ganhar um bom dinheiro, mas deveria servir também como utilidade nas reflexões sociais, afinal, é um jogo de sociedade. Quando paro para assistir, é o que busco. Refletir sobre certos comportamentos humanos. Um laboratório onde, inclusive, já fui um rato.

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PRAZERES CAMALEÔNICOS

Você sabia que a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) possui uma TV?

É a TV Uesc, onde alunos de comunicação social são responsáveis pela produção do conteúdo. A sintonia da TV, por enquanto, é restrita aos campus da universidade, mas uma parceria com o Canal Futura permite a exibição do que é produzido por aqui para uma audiência maior.

O vídeo abaixo é da série “Encena”, onde vários assuntos são debatidos de uma maneira, digamos, descontraída. Neste episódio o tema debatido foi a vida sexual de um casal.

Confira:

BAIANO É PREGUIÇOSO, E DAÍ?

Do Blog O Provocador:

Gal Costa disse, pelo Twitter, que os baianos são “preguiçosos”. Logo ela, uma legítima baiana. Pois levou tanta porrada virtual que abandonou o mundinho do microblog, magoada e coberta de razão. Ô, gentinha!

Rita Lee também falou umas bobagens, foi linchada e se despediu do treco, para depois voltar, cheia de nenhuma justificativa. Ela deve sentir alguma emoção em participar da miniblogosfera. Ué.

O que eu percebo é o seguinte: as pessoas estão tendo uma vida muito miserável. E não somos só nós, eu e você. Tenho me esforçado, e não cheguei tão baixo a ponto de brigar com quem não conheço pessoalmente.

Bastam as cretinices que sou obrigado a ouvir das pessoas que realmente me cercam. São tantas. Por que perderia tempo cavoucando a estupidez que se propaga pelo infinito da internet?

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TELEANÁLISE: O LADRÃO DE COBRE

Por Malu Fontes.

As cenas televisivas mais marcantes da semana foram as torrentes de água, terra e lama desmanchando boa parte das cidades serranas do Rio de Janeiro (Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo), somando, até a manhã de quinta-feira, mais de 350 mortes confirmadas. No entanto, antes de essa tragédia acontecer, uma cena brasileira exibida na TV merece reflexão, como tradução de uma certa (i)moralidade nacional que se espraia, cada vez a passos mais largos. Na ultima terça-feira, um repórter cinematográfico da Rede Globo registrou, com requintes de detalhes, um homem, em plena luz do dia, na Ponte da Freguesia do Ó, em São Paulo, quebrando com golpes de picareta a mureta da ponte para roubar fios de cobre da rede de iluminação pública.

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