Chocolate de origem do Sul da Bahia conquista consumidores de São Paulo

Foto: Daniel Thame.

Reportagem: Daniel Thame/Secom-BA.

Na semana que antecede a Páscoa, com a tradição dos ovos de chocolate, São Paulo recebeu o Chocolat Festival, realizado de sexta a domingo na Bienal do Ibirapuera.  O evento que teve o apoio do Governo da Bahia, recebeu cerca de 20 mil pessoas e gerou R$ 5 milhões  em negócios, abrindo um novo e importante mercado para o chocolate de origem produzido no Sul do Estado. O setor cresce 30% ao ano, com uma enorme demanda, em função da qualidade e com teores de amêndoas que variam de 50% até 100% de cacau, num produto de grande valor agregado.

 “A avaliação é altamente positiva. Passamos três anos planejando o festival e como o cacaueiro também frutifica em três anos, chegou o momento de expandir e consolidar o chocolate de origem afirmou o coordenador do evento Marco Lessa”. “As marcas chegam a São Paulo de forma madura, com qualidade, embalagens atraentes”. “O resultado disso é que muitos consumidores disseram que não precisam mais comprar produtos premium da Europa, o que demostra a potencialidade dos nossos produtos como negócio sustentável”, disse.

Marco Lessa. Foto: Daniel Thame.

Durante três dias, além da Feira do Chocolate, com mais de 40 marcas de origem do Sul da Bahia, o festival teve atividades como o Fórum do Cacau, Biofábrica de Cacau, Cozinha Show, Bean to Bar (da amendoa ao chocolate), ChocoDay, Ateliê do Chocolate e Cozinha Kids, um espaço especial para degustação e elaboração de chocolates, que fez a alegria das crianças.

Gerson Marques, que produz  o Chocolate Yrerê e também atua no setor de turismo rural, destaca que” Como primeiro festival em São Paulo do chocolate de origem da Bahia, ele cria condições para futuros eventos. Os produtores  estão muito satisfeitos com a exposição e as vendas realizadas e as perspectivas de novos negócios”. “Um sucesso de público e de negócios. Estamos chegando com força onde sonhamos e trabalhamos pra isso, que é o mercado paulista, que também pode ser a porta de acesso ao mercado internacional”, disse Henrique Almeida, do Chocolate Sagarana.

Gerson Marques. Foto: Daniel Thame.

Marly Brito, que produz um mix  de café, cacau e chocolate, destacou “recebemos muita visitação durante os três dias e comercializamos a totalidade dos produtos, além de garantir vendas futuras”. “Essa é uma oportunidade de aproximar o chocolate de qualidade do público paulista, que passa a perceber de um produto de origem com alto teor de cacau para o chocolate comum”.  Helen Schaly, da Conschá Chocolate, que é produzido numa unidade na própria fazenda, em Itacaré.  Já Leo Maia, do Chocolate Maia,  afirmou  que “foi  muito proveitoso, com um ótima aceitação para nossos produtos, especialmente o mel de cacau, que é o nosso carro chefe”.

Em junho, acontece em Ilhéus, o Festival Internacional do Cacau e Chocolat, o Chocolat Bahia, considerado o maior evento do gênero no país, que movimenta os setores de agroindústria, comércio, lazer, serviços e turismo.

Chocolat Festival em São Paulo vai ter expositores de 40 marcas do Sul da Bahia

Foto: Secom/BA.

O chocolate de origem do Sul da Bahia, produzido com algumas das melhores amêndoas do mundo, chega a São Paulo com a realização do Chocolat Festival São Paulo, que acontece entre os dias 12 e 14 de abril, no pavilhão da Bienal do Ibirapuera. O evento, que tem o apoio do Governo do Estado, reunirá 72 expositores, entre eles 40 marcas do chocolate da Região Cacaueira, no Sul do Estado. Entre as marcas, chocolates produzidos pela agricultura familiar, a exemplo do Bahia Cacau, que tem investimentos do Bahia Produtiva, programa que incentiva a qualificação, aumento da produtividade, capacitação de mão de obra e comercialização.

Além da exposição e venda de chocolates, o festival terá uma ampla programação com experiências sensoriais, uma série de atividades culturais, exposição A História do Chocolate, cursos e palestras como ChocoDay, Cozinha Show, Espaço Kids e Fórum do Cacau, com chocolatiers e palestrantes do Brasil e do Exterior.

Marco Lessa, coordenador do Chocolat Festival São Paulo. Foto: Secom/BA.

De acordo com o coordenador do Chocolat Festival São Paulo, Marco Lessa, “o desafio é muito grande e nossa expectativa é de que o evento abra espaço para o chocolate de origem do Sul da Bahia no maior mercado consumidor do país”.

“O evento vai alinhar duas áreas importantes, a produção de cacau e chocolate e o turismo. A Bahia precisa acelerar o processo de expansão e consolidação do polo chocolateiro, com profissionalização do setor e um trabalho permanente de promoção no Brasil e no Exterior”, disse.

Representantes do Banco Mundial visitam plantação de Cacau Cabruca em assentamento de Arataca

Foto: Karol Meira/ASCOM SDR.

Projetos produtivos voltados para o fortalecimento da cacauicultura no Território Litoral Sul da Bahia, que obtiveram investimentos do Governo do Estado, por meio do projeto Bahia Produtiva, receberam, na segunda-feira , 4, a visita de representantes do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD/Banco Mundial).

A visita integra a missão de supervisão do projeto Bahia Produtiva, que tem o objetivo de apresentar os avanços obtidos pelo projeto, nos três anos de execução, e os impactos na renda e na qualidade de vida das famílias beneficiadas.

O grupo, composto pelo diretor do Banco Mundial para o Brasil, Martin Raiser,  a gerente do projeto e especialista sênior em desenvolvimento rural, Fátima Amazonas, foi acompanhado pelo secretário de Desenvolvimento Rural, Jeandro Ribeiro, pelo diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Wilson Dias, e pelo coordenador do Bahia Produtiva, Fernando Cabral, suas respectivas equipes, e o diretor da AMMA Chocolates, Rafael Fernans.

A programação contou com visita ao Assentamento Terra Vista, em Arataca, onde o grupo visitou o plantio de cacau pelo método Cabruca. O assentamento, vinculado à Cooperativa Pau Brasil, foi um dos 53 empreendimentos contemplados no edital Alianças Produtivas Territoriais, que visa estimular o crescimento produtivo da agricultura familiar da Bahia, por meio de parcerias com o setor privado.

A expectativa com o edital é que o Terra Vista firme parceria comercial com a AMMA Chocolate, empresa localizada na região Metropolitana de Salvador, para fornecer amêndoas de qualidade à empresa.

Para Wilson Dias, a visita do Banco Mundial é mais uma oportunidade de avaliar e monitorar o estágio atual da execução do projeto: “É um momento para identificarmos os desafios e gargalos para realizarmos os investimentos necessários nos empreendimentos assistidos pelo Bahia Produtiva”. 

O representante do assentamento Terra Vista, Joelson Ferreira, apresentou o desenvolvimento que o local teve nos últimos anos: “Os investimentos do Governo do Estado foram importantes para que melhorássemos nossa produção e tivéssemos êxito em nossas ações. Hoje temos uma área reflorestada e produtiva”.

Fábrica de Chocolate

Em Ibicaraí, foi realizada uma visita à Bahia Cacau, primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do país, administrada pela Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), onde foi apresentado o trabalho de melhoramento da amêndoa e da agroindustrialização do cacau, que levou o chocolate da fábrica a se destacar como um dos melhores da Bahia.

De acordo com o secretário da SDR, Jeandro Ribeiro, a secretaria, por meio da CAR, investiu mais de R$70 milhões em projetos produtivos nessa região: “Desse investimento, quase 50% foi na cadeia produtiva do cacau e a visita à fábrica representa esse investimento em um empreendimento já consolidado, que apresenta a variedade de produtos fabricados a partir do cacau”.

Foto: Karol Meira/ASCOM SDR.

O diretor do Banco Mundial no Brasil, Martin Raiser, avaliou positivamente os locais visitados: “Fiquei impressionado com o assentamento, que foca no esforço comunitário e na educação dos jovens, e com a fábrica de chocolate que utiliza produtos dos agricultores da região. São bons exemplos dos esforços do Bahia Produtiva de integrar produtores rurais nas cadeias de valores até chegar aos mercados mais lucrativos e até exportação. Trabalhamos para construir cadeias em que produtores tenham mais renda, apliquem novas tecnologias em sua produção e que os consumidores tenham um produto melhor. Na cadeia do cacau, vejo que isso está dando certo”.

Nesta terça-feira, 5, em Ilhéus, o grupo visita o Instituto Biofábrica do Cacau – OSCIP, que tem como objetivo o cultivo e disseminação de mudas de frutas de espécies subtropicais.

Texto: Ascom SDR.

RAZÕES QUE ME LEVARAM A ESCOLHA VEGETARIANA

frigorifico
Carne pendurada no refrigerador de uma unidade de processamento. Uma rotina que afeta os trabalhadores que a vivenciam.

 

Suzana destaquePor Suzana Padua/publicado em OECO

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”, Paul McCartney

Quem come carne pode ser responsável por muitas ações nada éticas, mesmo que não queira admitir. Por exemplo, o desmatamento da Amazônia e de outros biomas, agora e no passado, ocorre principalmente para a criação de gado ou o plantio de soja. Ambos tem relação com a produção de carne, seja diretamente, como o gado criado para o abate, ou, no caso da soja, para exportação, servindo de alimento para bois e porcos criados no exterior. São muitos os agravantes nesse processo, além da perda de biodiversidade e dos ciclos naturais que mantém a vida, ou o metano liberado na atmosfera advindo do gado ruminante. E o Brasil exporta muita água com essas atividades, uma vez que mais de 70% da água doce disponível vai para agricultura, que inclui a grama para o gado. Poucos países têm a disponibilidade territorial ou se submetem à perda de tanta água com esse tipo de produção. Segundo Yolanda Kakabadse, ex-ministra do Meio Ambiente do Equador, hoje Presidente do WWF internacional, cada bife de 500 gramas consome seis mil litros de água para ser produzido, o que é especialmente significativo nesse momento de escassez hídrica do país e, portanto, merece reflexão.

Outro aspecto antiético é o próprio abate dos animais. Não é possível que nós humanos sejamos coniventes com a forma com que os animais são mortos. Na verdade, preferimos não ver e nem saber o que ocorre para não sentirmos culpa. Mas, como ouvi de alguém lúcido, se um matadouro fosse bonito e honroso, seria envidraçado para os consumidores apreciarem. A situação é tão violenta que os trabalhadores responsáveis pelo abate e separação da carne sofrem danos físicos e psicológicos acima da taxa observada em outras atividades trabalhistas. Imigrantes, sem opção de algo melhor são muitas vezes levados a preencherem as vagas nos matadouros, pois quem tem qualquer possibilidade de escolha opta por outra profissão. Essa é a realidade no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, haitianos que têm imigrado para o Acre estão sendo contratados para os frigoríficos de diversas regiões do país, por não serem legalizados e assim não terem como reclamar das péssimas condições de trabalho a que serão submetidos.

Sofrimento animal e trabalho precário

Os frangos também sofrem no processo de produção. Pintinhos considerados inaptos são triturados ainda vivos para não atrapalharem os demais, e viram ração ou algum insumo para outro produto vendável. A forma com que os animais são criados e alimentados raramente favorece o bem-estar deles. E certamente nem dos humanos, já que a quantidade de hormônios e alimentação desequilibrada ultrapassa a recomendação dos “standards” da saúde. Os animais não são mais vistos como seres vivos, e sim como um produto a ser comercializado.

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REALISMO INGÊNUO

jose eli da veiga (1)Por José Eli da Veiga/publicado hoje no jornal Valor

Como reagem jovens universitários se instigados a tomar conhecimento da agenda que deverá orientar todas as políticas públicas até 2030, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?

No aguardo de bem-vinda pesquisa do Ibope, Datafolha ou Instituto Análise, é preciso dar atenção ao principal resultado de uma repentista “qualitativa”, pois com certeza poderá ajudar muito na formulação de boas perguntas.

É quase unânime a curta e grossa exclamação “não vai dar certo” logo após a leitura dos cinco primeiros ODS: acabar com a pobreza e a fome; assegurar vida saudável e educação inclusiva de qualidade; alcançar equidade de gênero via empoderamento de todas as mulheres e meninas.

O mais relevante é o caráter pedagógico, orientador e sobretudo incentivador de agendas como os ODS

Tão forte desconfiança inviabiliza, é claro, qualquer insistência para que continuem a leitura dos demais objetivos que, pela ordem, são saneamento, energia, emprego, inovação, desigualdades, cidades, padrões de produção/consumo, clima, oceanos, biodiversidade, governança, justiça e paz.

Razoável hipótese para futura pesquisa parece ser, então, que tamanho ceticismo entre os mais educados segmentos da juventude seja simultaneamente dos mais saudáveis e muitíssimo pueril. Saudável ao demonstrar boa capacidade de comparar o discurso normativo comum às 193 nações que no âmbito da ONU pactuaram a Agenda 2030 a qualquer análise, mesmo que superficial, da gélida realidade dos fatos. A garotada está bem antenada e inteiramente coberta de razão ao logo notar que será impossível alcançar tão ambiciosos níveis de desenvolvimento em parcos quinze anos.

Não deixa de ser uma preocupante ingenuidade, porém, supor que um pacto global dessa natureza deva ser avaliado apenas pela probabilidade de que seus objetivos sejam ou não cumpridos no prazo estipulado. Confunde-se objetivos (que em certos casos podem ser até inalcançáveis) com o atendimento parcial de suas decorrentes metas, sempre expressas em proporções ou porcentagens. Pior ainda é a rejeição, sem qualquer piedade, do mais relevante: o caráter eminentemente pedagógico, orientador e sobretudo incentivador desse tipo de agenda.

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NÃO TURBINAR PARA DE FATO AVANÇAR

jose_eli_paulo_fridman_300vertPor José Eli da Veiga / Publicado na edição 87 da revista Página 22.

É preciso torcer para que os governantes que em 2015 assumirão a histórica responsabilidade pela “arrumação da casa” não cometam o erro de pretender turbinar o crescimento econômico. Se priorizarem reformas que melhorem a qualidade das instituições, com certeza a economia brasileira logo tenderá acrescer uns 3% ao ano, excelente taxa a ser mantida por longo prazo.

O crescimento econômico é meio, e não fim. tem capacidade muito variável de fazer que as sociedades atinjam os objetivos almejados. Duas singelas ideias que infelizmente ainda não imbuíram o pensamento dos estadistas que conduzem a fisiológica coalizão governamental, nem das oposições liberais que mais os combatem. Prisioneiros da obsessão pelo crescimento como fim em si mesmo, quase todos os políticos brasileiros comungam a ingênua suposição de que aumentos do PIB mantenham relação automática, constante, permanente, e até eterna, com o desenvolvimento.

Porém, o Brasil não deve invejar China, Índia, Coreia do Sul ou Chile. No limite,seria até o contrário, pois os benefícios do crescimento vêm sendo mais bem aproveitados por aqui.

Nos três últimos decênios, a capacidade de transformar crescimento em desenvolvimento foi bem mais superior no Brasil do que em todos os países citados. Quatro vezes a do Chile, por exemplo, pois aqui houve o mesmo aumento relativo de IDH com um quinto de sua taxa média de crescimento per capita. Até poderia parecer mentira, mas entre 1980 e 2012 o IDH do Brasil passou de 0,522 para 0,730, com apenas um oitavo do desempenho médio da economia sul-coreana e um décimo do da chinesa.

Também é bom lembrar que não éapenas nessa transmutação de crescimento em desenvolvimento que o Brasil vence a parada. Mais ainda no tocante à sua sustentabilidade ambiental. O País tem se mostrado superior aos quatro, malgrado a ininterrupta degradação de seus ecossistemas, a propensão de suas elites em desvalorizar o amanhã, e a infinidade de tristes conflitos ambientais que pipocam diariamente. Apesar disso tudo, o Brasil ainda está muitas léguas à frente da Índia, da Coréia do Sul e da China em qualquer Provão de sustentabilidade.

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PONTA DA TULHA: O ERRO GROSSEIRO DA BAMIN

Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem aérea de José Nazal.
Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem aérea de José Nazal.

Editorial do Blog do Gusmão.

É preciso fazer uma reflexão a respeito do recém-criado Parque Estadual Ponta da Tulha sobre a costa litorânea do Sul da Bahia. Houve um erro que deve ser exposto para que sirva de exemplo histórico.

Em 2007, a Ponta da Tulha foi apontada como área ideal para a construção de um porto de escoamento de minério de ferro. Esse equívoco foi cometido originalmente pela Bahia Mineração, quando elegeu esse local como de seu interesse para construir uma retroárea, onde seria armazenada a “commodity” trazida de Caetité, via mineroduto. A ideia inicial indicava exatamente a região de corais da Ponta da Tulha como local mais indicado para a construção do porto, devido à profundidade. O estudo de impacto ambiental realizado por empresas contratadas pela Bamim omitiu a existência dos recifes de corais.

Essa escolha, supostamente técnica feita pela Bahia Mineração, induziu o Governo do Estado da Bahia a orientar sua política de desenvolvimento logístico para esse local. Posteriormente, os dirigentes estaduais abriram mão do mineroduto e decidiram incorporar essa região no traçado da ferrovia Oeste-Leste. A partir do momento que essa decisão foi tomada, houve uma magnetização ainda maior para o litoral norte de Ilhéus.

Em novembro de 2010, quando o IBAMA constatou o erro técnico grosseiro da Bahia Mineração, surgiu a tentativa de consertá-lo levando o porto para Aritaguá.

Parque Estadual Ponta da Tulha. Imagem: José Nazal.
Ponta da Tulha. Imagem: José Nazal.

Novamente, outro erro está posto. Aritaguá também é uma área sensível, caracterizada pelo cacau cabruca e remanescentes de Mata Atlântica. Mais de 5 mil pessoas vivem na área de influência direta do porto, nos povoados ou distritos de Aritaguá, Castelo novo, Itariri, Valão, Juerana e no Assentamento Bom Gosto.

Essa região é fundamental para a subsistência dessas comunidades. Os estuários e manguezais são provedores de comida (robalo, caranguejo e etc). A qualidade ambiental do Rio Almada é imprescindível para o dia-a-dia de muitas pessoas. O patrimônio costeiro dessa região é fundamental para o turismo de longo prazo, atividade geradora de emprego e que mantém muita gente.

Antes do IBAMA sugerir que a Mata Atlântica da Ponta da Tulha fosse transformada em unidade de conservação, diversas vozes já haviam questionado o empreendimento naquele local. Por sorte ou capacidade técnica do governo brasileiro, o erro grosseiro não aconteceu.

O processo de licenciamento do porto em Aritaguá não passou despercebido pelas mesmas vozes que se levantaram contra a primeira alternativa locacional. Os alertas sobre as consequências sociais e ambientais nocivas à região são de conhecimento das autoridades.

Apesar das evidências contrárias, tudo indica que dessa vez o mais novo equívoco será ignorado. Infelizmente, o exemplo histórico de Ponta da Tulha não faz sentido quando se objetiva privilegiar um setor da economia em detrimento dos outros.

BRASIL PODE AUMENTAR PRODUÇÃO AGRÍCOLA SEM DESMATAR, DIZ ESTUDO

desmatamento na mata

Do Instituto Carbono Brasil

Pesquisa da Iniciativa de Política Climática afirma que, com as políticas e estratégias corretas, país pode aumentar a produtividade de seu setor agrícola e ao mesmo tempo conservar seus ecossistemas e florestas.

Um novo estudo da Iniciativa de Política Climática (CPI), intitulado ‘Produção e Proteção: Importantes Desafios para o Brasil’ (Production and Protection: A First Look at Key Challenges in Brazil),  afirma que o país tem espaço para melhorar a proteção de seus recursos naturais e ao mesmo tempo aumentar a produção agrícola.

A pesquisa avalia a produção agrícola, as tendências de uso da terra e as políticas que administram as áreas rurais brasileiras, e declara que é possível sim conciliar a produção com a conservação florestal, e ainda por cima aumentar nossas colheitas.

Índice

“Do ponto de vista da proteção, o país se beneficiaria com o desenvolvimento de mecanismos que aumentassem significativamente o custo de derrubar a vegetação nativa e com a criação de incentivos que promovessem práticas sustentáveis. Do ponto de vista da produção agrícola, há lugar para aumenta-la via ganhos de produtividade, sem custo aparente para a conservação ambiental”, coloca o relatório.

Em relação às recentes políticas brasileiras de conservação, o relatório mostra que nas últimas décadas, o país fez um progresso significativo na proteção de seus recursos naturais, especialmente na Amazônia. Por exemplo, em 2006 as áreas protegidas ocupavam mais de dez vezes a área que cobriam em 1985.

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DIA DA ÁRVORE É COMEMORADO COM AULA REFLEXIVA EM ILHÉUS

Alunos de Ilhéus plantam mudas em comemoração ao dia da árvore.
Alunos de Ilhéus plantam mudas em comemoração ao dia da árvore.

O último domingo (22), foi marcado pelo início da primavera. Também se comemorou o Dia da Árvore, no sábado (21). Para celebrar, a empresa Cidadelle Empreendimentos realizou um projeto, na última sexta-feira (20), na praça São João Batista, no Pontal, em Ilhéus, com estudantes do quinto ano de uma escola situada no bairro.

Com a orientação e supervisão de funcionários da Cidadelle, os estudantes plantaram mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, como ingá-de-periquito, janaúba, pau-pombo e amescla. As mudas foram doadas pelos Institutos de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia (IESB) e Floresta Viva.

A diretora da escola, Tânia Lemos, parabenizou a empresa pela iniciativa e ressaltou a urgência na necessidade de todos se unirem em prol da natureza. “A conscientização ambiental precisa ser despertada desde cedo para evitar que as próximas gerações sejam ainda mais prejudicadas do que a atual”.

A APROPRIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE PELAS GRANDES MARCAS GLOBAIS

Ricardo AbramovayPor Ricardo Abramovay

A sustentabilidade foi apropriada não só pelo discurso, mas pelas práticas das maiores marcas globais.

Coca-Cola, Nestlé, Procter&Gamble, Unilever, Walmart, McDonald’s, Nike, IBM, Google, Siemens ou General Electric, cada uma delas lançou, nos últimos cinco ou dez anos, ambiciosos programas em que migram para fontes credenciadas de fornecimento, reduzem suas emissões de gases de efeito estufa ou diminuem sua pegada hídrica.

Maquiagem, propaganda enganosa, mudança cosmética? Muitas vezes, certamente sim. Mas é expor-se a riscos incompatíveis com o tamanho desses negócios prometer neutralidade em água, abastecimento vindo de produtores certificados, eliminação de resíduos tóxicos ou transição para energias renováveis e imaginar que o não cumprimento dessas metas possa passar em branco.

Essa constatação suscita, é claro, uma questão crucial: será que a transição das maiores empresas do capitalismo global para o eco-negócio é capaz de interromper as perdas ecossistêmicas a que tem levado o crescimento da economia mundial? Peter Dauvergne e Jane Lister respondem a essa pergunta com um enfático não, em livro recém publicado pela prestigiosa editora do Massachussets Institute of Technology.

Nessa contradição entre o empenho em melhorar o uso dos recursos materiais, energéticos e bióticos e o agravamento da deterioração ambiental talvez resida o maior desafio atual das sociedades humanas. Por que as empresas globais estão fazendo da sustentabilidade um objetivo estratégico? Por que, apesar disso, a destruição continua? Quais os caminhos para enfrentar este impasse? (mais…)

DESENVOLVIMENTO SEM CRESCIMENTO E OS EFEITOS NOCIVOS DO CONSUMO

José Eli da Veiga , professor do instituto de relações internacionais da USP, fala da relação entre pobreza e desigualdade social. Minimizar o número de pobres não impede que a desigualdade de renda aumente. A redução de algumas desigualdades pode ser anulada pelo aumento de outras.

É TEMPO DE FECHAR A PORTA DO INFERNO

Por Clóvis Rossi

clovis rossiSe houvesse no mundo meia dúzia de líderes de verdade, a emergência ambiental que se está dando em cidades chinesas faria soar todos os alarmes: o mundo todo está vivendo uma situação de mudança climática que anuncia uma catástrofe em algum momento futuro.

Sei que esse tipo de alerta costuma cair no vazio quando feito por entidades ambientalistas, desprezadas como ecochatas.

Mas, agora, as sirenes estão sendo acionadas pelo empresariado, exatamente aquele que hesita em pagar os custos da adaptação da economia a modos de produção mais amigáveis ao ambiente.

O mais recente deles está no relatório “O Mundo em 2050” que uma portentosa consultoria, a PwC (PricewaterhouseCoopers), acaba de divulgar. Como se sabe, as Nações Unidas têm se esforçado, inutilmente, para que sejam adotadas medidas para que o aumento de temperatura global não passe de 2 graus, sob pena de ocorrer um apocalipse ambiental.

Pois bem, a PwC diz que, mantidas as coisas como estão, suas previsões para o crescimento da economia levariam a aumento de temperatura de 6 graus ou mais no longo prazo, três vezes além do aumento que abriria as portas do inferno.

Outro relatório oriundo do mundo empresarial, o dos Riscos Globais 2013, encomendado pelo Fórum Econômico Mundial, vai na mesma linha: “após um ano de medo causado por fenômenos climáticos extremos, do furacão Sandy às inundações na China, os pesquisados consideraram as crescentes emissões de gases do efeito estufa como o terceiro maior risco global, ao passo que o fracasso da adaptação à mudança climática é visto como o risco ambiental que terá o maior impacto na próxima década”.

Não é difícil entender por que o mundo dos negócios soa o alarme: é o custo dos desastres, como reconhece Axel Lehmann, chefe do Escritório de Risco do grupo segurador Zurich, citado no relatório do Fórum. “Com o crescente custo de eventos como o furacão Sandy, as grandes ameaças às nações-ilhas e às comunidades costeiras, e com nenhuma solução para a emissão de gases do efeito estufa, está escrito nas paredes que é tempo para agir”, diz Lehmann.

Levantamento de outra seguradora, a Munich Re, mostra que o custo global de catástrofes naturais relacionadas ao clima foi, no ano passado, de US$ 160 bilhões (R$ 325 bilhões).

Não custa aplicar o bom senso demonstrado por Peter Höppe, chefe de Pesquisas de Risco da Munich Re: “Numerosos estudos apontam um aumento de períodos de seca no verão na Costa Leste dos EUA no futuro e uma crescente possibilidade de severos ciclones ao longo da Costa Leste dos Estados Unidos no longo prazo. O aumento do nível do mar causado pela mudança climática aumentará ainda mais o risco de uma escalada de tempestades. E, sem perspectiva de progressos nas negociações sobre mudança climática, a adaptação para tais riscos, usando medidas protetoras adequadas, é absolutamente essencial”.

Atenção, não é o Greenpeace falando.

Artigo publicado na Folha de São Paulo no dia 17 de janeiro de 2013.

FÓRUM CRIADO NA RIO+20 VAI FISCALIZAR COMPROMISSOS

Atendendo interesse do País, órgão político da ONU cobrará metas de sustentabilidade

Lourival Santanna – O Estado de S.Paulo

RIO – A declaração final da Rio+20 contém 23.917 palavras. Apenas duas vezes aparece a palavra que define o resultado palpável de uma negociação: “decidimos”. Os outros parágrafos começam com “reafirmamos”, “reconhecemos” e equivalentes. As duas decisões se referem à criação do Fórum de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável.

Esse novo fórum é a expressão objetiva de um ganho intangível perseguido há décadas pela política externa brasileira: o avanço do multilateralismo. Ele substituirá a inofensiva Comissão do Desenvolvimento Sustentável, criada na Eco-92. Sua função será fiscalizar o cumprimento de compromissos sobre desenvolvimento sustentável assumidos na Agenda 21 (firmada na Eco-92), no Plano de Johannesburg (na Rio+10) e noutras conferências subsequentes, culminando na Rio+20.

A declaração lança um “processo de negociação aberto, transparente e inclusivo sob a Assembleia-Geral (da ONU) para definir o formato do fórum de alto nível e aspectos organizacionais com o objetivo de reuni-lo no começo da 68ª sessão da Assembleia-Geral (em setembro de 2013)”.

A criação de um órgão político da ONU com dentes voltado para o desenvolvimento sustentável atende ao mesmo tempo a dois objetivos do Brasil: reforçar o multilateralismo e criar condições para cobrar de todos os países, mas especialmente dos ricos em geral e dos Estados Unidos em particular, que façam a sua parte.

“A criação do fórum gera esperança de que as Nações Unidas possam trabalhar com a questão do desenvolvimento sustentável num outro patamar”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “Esperamos que o fórum de alto nível não só seja responsável pela avaliação da implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, mas que traga para a centralidade das questões da geopolítica internacional e do multilateralismo a discussão do desenvolvimento sustentável.”

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BRASIL DESMATA 20 MIL KM² POR ANO

Washington Novaes.

O Blog do Gusmão recomenda.

Vale a pena assistir a entrevista do jornalista e ambientalista Washington Novaes, ao programa Milênio, da Globo News, exibida no dia 30 de abril. Novaes é um dos pioneiros na produção de jornalismo ambiental no país.

Principais destaques.

“O Brasil perde mais de 17% da energia que passa pelas linhas de transmissão. O Japão perde 1%”.

O Brasil, em 1985, tinha 1,5% do comércio mundial, hoje tem menos de 1,2%. As exportações cresceram, mas o país não controla o valor das matérias-primas.

O Brasil exporta commodities que hoje valem menos do que valiam na depressão econômica de 1930.

“Se você ocupar um quarto da área que é ocupada hoje pelo reservatório da hidrelétrica de Itaipu com painéis solares, você gera tanta energia quanto a hidrelétrica de Itaipu”.

Se quiser assistir o vídeo, clique aqui.

Se quiser ler, clique abaixo, em leia mais.

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REFLEXOS DA ECONOMIA VERDE

Por Carlos Minc

Há contradição entre economia verde e desenvolvimento sustentável? Trata-se de iniciativa neoliberal para cooptar utopias planetárias? Há indícios para suspeição: empresas predatórias com matérias-primas, energia, água, emissões de carbono, mas que adotam medidas cosméticas, abatem emissões; pintam de verde a fachada do modelo predatório. Outra suspeição: a economia verde converteria em mercadoria água, saúde, a vida, as colocando no pregão da Bolsa, substituindo ação social, ciência, práticas ambientais por mecanismos de mercado

A economia verde constitui conjunto de medidas econômicas, financeiras, creditícias, tributárias, tecnológicas, sociais, regionais, que viabilizam o desenvolvimento sustentável, gerando empregos e inclusão com menos desperdício e emissões de carbono. Vejamos exemplos:

– A energia eólica no Brasil era 0,2% da matriz energética. A Carta dos Ventos, de 2009, elencou 12 medidas para viabilizá-la. Retiramos o IPI de turbinas, torres e hélices; garantimos leilões anuais. Desde então, quintuplicaram os investimentos, o preço caiu 60% viabilizando esta fonte renovável.

– A água era tida como infinita e gratuita, poluída e desperdiçada. Com a cobrança da Taxa de Recursos Hídricos e a destinação do recurso aos Comitês de Bacia, indústrias adotaram o reuso da água. Comitês aplicaram em saneamento e pagamento para agricultores plantarem matas ciliares, garantindo mais água.

– A lei do ICMS Verde-RJ não aumentou imposto; distribuiu mais recursos aos municípios que implantaram parques, fecharam lixões, ampliaram coleta seletiva, trataram esgoto. Em três anos dobrou a área protegida dos municípios e eliminamos 70% dos lixões.

– O Decreto de Compras e Construções Sustentáveis obriga órgãos públicos a adquirir equipamentos eficientes, materiais de construção recicláveis, captar água da chuva, usar asfalto-borracha, placas solares. Com escala, viabilizam-se alternativas.

– Parques com pesquisa científica, festivais culturais e gastronômicos protegem a biodiversidade criando empregos verdes em pousadas, restaurantes, ecoturismo.

– Há que estabelecer sistema de contabilidade verde que inclua a depreciação de florestas e solos, que mesure os tempos livres, a qualidade de vida, do ar. Destruição de espécies, engarrafamentos e internações hospitalares hoje aumentam o PIB.

Os desafios ambientais e climáticos estão longe de ser equacionados às vésperas da Rio+20. A crise europeia revela o caos financeiro e desvia recursos das tecnologias limpas nos países em desenvolvimento. A economia verde não substitui mudanças de padrão de produção e consumo, mas direciona a economia real à sustentabilidade, ao combate às desigualdades sociais e regionais, ao desperdício e às emissões de carbono que aumentam a febre da Terra. Elegê-la como grande vilã é um equívoco. Considerá-la a salvação do planeta, outro.

Carlos Minc é secretário de Ambiente do Estado do Rio e foi ministro do Meio Ambiente (2008-2010).
 

Este artigo foi publicado na seção Opinião (página 7) do jornal O Globo, de 07/05/2012.

RUI ROCHA: “MUITOS PROBLEMAS NOVOS SURGIRÃO COM O PORTO SUL”

O professor Rui Barbosa da Rocha, 45 anos, é um homem tranquilo de hábitos simples. Sua cordialidade e polidez são traços característicos de sua personalidade.

Sempre compreensivo, costuma dizer: “o homem como ser humano é intocável”, frase que demonstra seu humanismo cristão, ligado ao protestantismo da Igreja Batista Lindinópolis.

Esse engenheiro agrônomo, mestre em desenvolvimento e agricultura pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, fugiu à regra dos acadêmicos escondidos nos ambientes confortáveis das universidades. Professor da UESC, Rui decidiu lutar contra um projeto do governo baiano, que se for implantado, vai causar diversos problemas ao Sul da Bahia. Mesmo discreto, naturalmente assumiu a liderança do movimento contrário, e por isso, constantemente é vítima de calúnias e leviandades. Mesmo assim, jamais respondeu com agressões. É um homem do conhecimento, do debate civilizado. Suas explicações, sempre lúcidas, ultrapassam a barreira da ignorância e estremecem os argumentos nada confiáveis de muitos defensores do projeto.

Nessa entrevista ao Blog do Gusmão, Rui Rocha esclarece pontos obscuros do projeto Porto Sul, munido de um prêmio recente concedido pela UNESCO, por sua luta em defesa da Mata Atlântica.

Rui Rocha com o troféu Muriqui, concedido pela UNESCO no dia 06 de outubro desse ano, em São Paulo.

BG- A secretária da Casa Civil, Eva Chiavon, fala que o Relatório de Impacto Ambiental do Porto Sul, no que diz respeito à geração de empregos, segue exemplos de sucesso, de outros portos já construídos. Você concorda com essa comparação feita pela secretária?

RR- Eu não concordo. As experiências que temos com esses portos de escoamento de minério de ferro não geram desenvolvimento como o governo tem dito. A estrutura portuária e ferroviária presta basicamente aos interesses de um setor, que é o mineral. Ele não transforma a economia regional, como se diz, de um porto de uso múltiplo, que vai alavancar muitos negócios e indústrias. Isso não acontece. Um exemplo mais claro disso é o Porto de Itaqui no Maranhão, que já tem algum tempo funcionando, com a super ferrovia de Carajás, que traz minério de ferro de Marabá, região Sul do Pará. Essa região não se industrializou. Poderíamos imaginar que toda a estrutura produtiva da Amazônia, em torno dessa logística, poderia fazer e atrair pra essa região uma base industrial. Isso não aconteceu.

Um exemplo mais claro disso é o Porto de Itaqui no Maranhão, que já tem algum tempo funcionando, com a super ferrovia de Carajás, que traz minério de ferro de Marabá, região Sul do Pará. Essa região não se industrializou.

BG- Eraci Lafuentes, assessor da Casa Civil, afirma que as políticas de compensação ambiental serão prioridades do governo do estado. Ele também garante que as famílias do assentamento Bom Gosto (situado na área destinada ao Porto) serão reassentadas para melhor. Dá para confiar?

RR- Primeiro, temos que imaginar o que o Estado está fazendo para melhorar as condições de vida da população do Sul Bahia. Acreditar que o governo vai fazer uma série de coisas no futuro, quando o porto vier, nos deixa numa situação muito vulnerável. A sociedade regional tem que solicitar do governo uma ação imediata de qualificação dessa região. Temos vários investimentos, super necessários, colocados o tempo todo na ordem do dia, nos jornais e nos rádios. Os investimentos que a nossa região precisa, não devem ser associados ao porto, devem ser associados ao passivo que a região já tem, de 40 ou 50 anos. Precisamos melhorar a rodovia Ilhéus-Itabuna, os sistemas de educação e de saúde são precários e a nova ponte Ilhéus-Pontal, prometida há muito tempo, não se vê nenhum passo nessa direção. Precisamos da qualificação urbana de Ilhéus e das outras cidades da região cacaueira e também do saneamento básico. Esses investimentos, que são obrigação do estado, deveriam estar sendo feitos agora, ou ontem, ou anteontem.

BG- Isto significa que o Porto, com os novos moradores que aqui chegarão, vai aumentar a demanda por serviços públicos?

RR- Exatamente. Temos um conjunto de necessidades que não foram atendidas até hoje, e o porto e a ferrovia, por tudo que vão acarretar com a expectativa de novos empregos, e o grande fluxo migratório que será gerado, vão exercer uma forte pressão na cidade. Muitos problemas novos surgirão com o porto. E os problemas velhos que não foram resolvidos ainda? Não podemos receber essa mensagem, de que um paraíso vai descer sobre Ilhéus, com o Porto, na medida em que hoje, não temos provas contundentes de que o governo vai fazer a sua parte, ou já fez a sua parte.

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