MAIS INFORMAÇÃO, ECONOMIA MELHOR

Por Washington Novaes

Se se prestasse mais atenção à informação precisa, ver-se-ia, como tantos estudos têm mostrado, que o País não precisa de mais desmatamento, mais ocupação de áreas de preservação, para aumentar a produção agropecuária. Ao contrário. A produção depende da conservação da biodiversidade, até em coisas que a alguns parecem estapafúrdias – como a preservação de morcegos e de abelhas.

Um mínimo de prudência e bom senso poderia ter evitado ao Brasil o vexame de se tornar objeto de uma decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo que suspenda imediatamente o licenciamento e a construção da usina de Belo Monte, por causa do ‘potencial prejuízo da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do Rio Xingu’.

Ao longo de muitos anos, o autor destas linhas tem escrito sobre esse tema neste espaço, mostrando a inacreditável falta de informações consistentes sobre o valor da obra (agora ‘estimado’ em R$ 26 bilhões, mas que ‘poderão ser mais’); o potencial efetivo (que dependerá de transposição de águas de outro canal e, possivelmente, da escavação de um canal maior que o do Panamá – sem saber onde colocar os sedimentos retirados); a destinação da energia a ser produzida (a da usina de Tucuruí, por exemplo, só agora, décadas depois da construção, chega a Manaus e Macapá, para beneficiar a população amazonense, e não apenas a exportação de alumínio); os prejuízos reais para as populações indígenas e ribeirinhas (razão do comunicado da OEA); e, mais que tudo, a real necessidade dessa usina, dentro de uma discussão ampla sobre a matriz energética brasileira.

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ONGS PEDEM CAUTELA

Do Poder Online

Renato Cunha

A decisão do governador da Bahia, Jaques Wagner, de excluir definitivamente a Ponta da Tulha, em Ilhéus, como local para instalação do Porto Sul foi bem recebida pela coalização de 11 ONGs envolvidas na questão. Mas, o grupo ainda faz questão de registrar sua cautela. 

“Temos muitas dúvidas em relação à nova localidade e estamos abertos para discutir junto com a sociedade e com o governo essa possibilidade. Certamente houve um avanço, pois o olhar se voltou para a questão da preservação dos recifes de corais e da biodiversidade” – afirma Renato Cunha, coordenador-executivo do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) e coordenador da Rede Sul.

Segundo Cunha, o novo local fica a apenas 5 km de distância da Ponta da Tulha. As ONGs pedem uma distância bem maior.

GOVERNO ESTUDA NOVA LOCALIZAÇÃO PARA O PORTO DA BAMIM

Por Paulo Paiva

O IBAMA solicitou a Bahia Mineração – BAMIN, um estudo de alternativa locacional, desaconselhando categoricamente a construção de um porto na região da Ponta da Tulha. Mas o anuncio de uma nova área de estudo está sendo interpretada pela empresa e pelo movimento local Pró-Porto Sul, como um manobra para garantir o seu licenciamento. Prova dessa estratégia é a declaração da empresa de que seria estudada uma nova localização, mas, desde que o IBAMA apontasse a opção mais viável.

Os jornalistas que defendem o projeto já complementaram essa ideia de manobra ao publicarem suas conclusões: Porto Sul será construído em Aritaguá ! Pode até ser, mas não é verdadeira essa notícia. O que foi pedido ao órgão foram novos estudos de viabilidade, e são esses estudos que serão avaliados para a emissão de uma licença de instalação. Não cabe ao órgão licenciador informar “a localização mais viável”, e sim, ao empreendedor.

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OEA PEDE SUSPENSÃO DE BELO MONTE

Rio Xingu, onde será construída a hidrelétrica.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou oficialmente ao governo brasileiro a suspensão imediata do processo de licenciamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). 

O órgão pede que nenhuma obra seja iniciada sem antes consultar e mostrar as comunidades indígenas os impactos ambientais, além de garantir a integridade física dos índios.  A entidade deu prazo de 15 dias para que o governo brasileiro adote uma série de medidas em defesa da proteção dos povos indígenas da Bacia do Rio Xingu.

A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada, em novembro de 2010, por entidades dos setores indígenas e ambientais.

Em nota oficial divulgada ontem à noite (05), o governo disse ter recebido com “perplexidade” a recomendação e considera as orientações “precipitadas e injustificáveis”.

O Itamaraty lembra que o processo de licitação foi autorizado pelo Congresso Nacional, em 2005, com base em estudos técnicos de ordem econômica e ambiental.

Também ressalta que houve consulta a órgãos como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Informações Yahoo!

A REVOLUÇÃO É ÍNTIMA, SÓCIO-AMBIENTAL E COLABORATIVA

Por Fabrício KC

Quais são hoje em dia os caminhos e os meios para alcançar a revolução universal que poderia redistribuir e gerenciar melhor os recursos humanos, os recursos naturais, os mercados comerciais e as riquezas espirituais?

Sim, o termo é revolução – e tudo o que essa palavra invoca hoje deve ser rechaçado ou aceito, desde que assumamos que a vida mesma é revolução e o conservadorismo – que defende o status quo – defende a utopia total, pois supõe a imobilização da história.

Outra consideração sobre a palavra: revolução não se restringe mais a substituição de grupos de poder, nem deve ser pensada só em termos nacional nem continental, ou mesmo ocidental ou oriental – mas sim Universal e Local.

A revolução é íntima, sócio-ambiental, limpa e colaborativa – e tal processo está em curso.

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O CACAU E O MINÉRIO DE FERRO

Por Paulo Paiva

O traçado projetado para a Ferrovia Leste-Oeste atinge em cheio as fazendas de cacau do Sul da Bahia (200 propriedades), mas só agora, depois de denúncias de invasão de propriedade e corte arbitrário de cacaueiros por topógrafos, a VALEC ouve os cacauicultores em uma reunião no Sindicato Rural de Ilhéus. A reunião foi conduzida pelo engenheiro Neville Chamberlain Barbosa da Silva, representante do governo nessa penosa missão de nos convencer que o projeto é benéfico para a região.

O encontro repetiu o que vem acontecendo toda vez que o projeto de exportar minério de ferro pelo Sul da Bahia é apresentado: muita tensão, dúvidas e interrogações.

Não é nada fácil defender a ferrovia. O Sr. Neville Barbosa, homem distinto e educado, que enfrenta pressões de todos os lados em reuniões, normalmente, muito conturbadas; algumas vezes, parece acuado diante de tantos protestos. Mas ele, sem fugir das preocupações ambientais, encontra forças para defender que essa região demonstrou ao longo de sua história, que também é vocacionada para as ferrovias e portos, além do cacau e do turismo.

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PORTO DA BAMIM: O PARECER CONTRÁRIO DO IBAMA

Por Paulo Paiva

A publicação do texto do Relatório Técnico do IBAMA pelo Blog do Gusmão negando a Licença ao Porto da Bamin confirma algumas opiniões que temos defendido nesse blog. Já são três anos de busca de diálogo, e reflexão de opiniões sobre o projeto denominado Complexo Porto Sul.

Foram 29 postagens (aqui) para refletir os principais aspectos técnicos do projeto, aprofundar as informações, estabelecer o debate, e acompanhar o desenrolar dos fatos sobre a pertinência de seu licenciamento.

Nesse tempo, a sociedade se dividiu em duas frentes que se opõem fortemente. Uma, que entende o projeto como vetor de desenvolvimento estratégico, e outra, que vê no projeto uma séria ameaça ao futuro da região.

Temos tomado uma posição clara, e contrária, desde o início, especialmente quanto à localização do Complexo numa Área Protegida, mas temos nos permitido pensar em alternativas. Seria possível conciliar o novo modelo de desenvolvimento proposto com nossas inequívocas e históricas vocações?

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INFORMATIVO DO INSTITUTO FLORESTA VIVA

Reserva legal e reserva particular

O Instituto Floresta Viva em seu programa de Áreas Protegidas tem o objetivo de apoiar proprietários rurais que buscam cumprir a legislação ambiental brasileira, e a adesão voluntária ao Plano Estadual de Adequação e Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais, decreto 12.071 de 23 de abril de 2010.

Assim, está colocando a disposição da sociedade os serviços de elaboração de processos para Averbação de Reserva legal – RL de propriedades até 100 hectares, e apoiar o Reconhecimento de Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN.

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A REFLEXÃO DO DESENVOLVIMENTO

Por Paulo Paiva

O carnaval acabou, e desembocamos na quaresma, período de quarenta dias que antecedem aressureição de nosso senhor Jesus Cristo. É tempo de reflexão, e ela vem em boa hora, pois o país precisa refazer uma previsão de receitas superdimensionada para o progresso rápido, e o sul da Bahiaprecisa entender o maior pacote de promessas de sua história.

Boa hora que trás a Campanha da Fraternidade com o tema Fraternidade e a Vida do Planeta, uma reflexão que está no centro das questões do desenvolvimento nacional e regional.Se o sul da Bahia ficou tanto tempo esquecido, vivendo na “autônoma ditadura social do cacau”, ganhou do outro lado da moeda, uma inédita preservação de riquezas, tornou-se relíquia territorial, que agora vê-se redescoberta por gregos e troianos, e é colocada na trilha das ambições do progresso nacional. Assim vem atraindo todo tipo de investimentos, de industrias, tornou-se alvo de grandes especulações em todas as áreas, e podemos até dizer que o Sul da Bahia “está virando moda”.

É justamente nessa hora de tantos olhos sobre nós, que devemos se conhecer e pensar nosso destino com a benção da reflexão sobre o desenvolvimento fraterno, e cuidadoso com o planeta . Reflexão que o Bispo Dom Mauro Montagnoli nos chama com encontro marcado no próximo domingo na Catedral de São Sebastião.De uma coisa já sabemos: o sul da Bahia está encontrando a porta de saida da crise economica com suas próprias pernas, e prova disso são os investimentos privados no comércio, habitação e rede hoteleira, os milhares de turistas, etc. Mas existem muitas ideias vindas de fora que precisamos entender, e não são apenas ideias, são também interesses que precisamos conhecer a fundo.

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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança nesta quarta-feira (09) a nova Campanha da Fraternidade, que, em 2011, terá como tema “Fraternidade e Vida no Planeta”.  

O objetivo é incentivar discussões em torno das causas do aquecimento global e as atividades humanas, discutir o atual modelo energético do país, denunciar desmatamento e queimadas, debater o agronegócio e o atual modelo de desenvolvimento. A CNBB também pretende fazer alertas para o risco de escassez de água no mundo.

Esta é a 47ª edição da campanha, criada em 1964.

PROGRESSO

Compreensivelmente, parte da população local defende a construção do porto e da siderúrgica. O projeto trará desenvolvimento para a cidade e o entorno. Mas, antes de sonhar com os benefícios do progresso, aconselho os interessados a entrarem em contato com a Prefeitura do Rio de Janeiro.

Por Fernanda Torres

O MODELO em cera do casal de Australopithecus afarensis na savana ancestral da África faz parte da minha agenda obrigatória sempre que vou a Nova York. Ele está no National History Museum e foi criado a partir de pegadas perpetuadas na cinza vulcânica da planície de Laetoli, na Tanzânia, 3,6 milhões de anos atrás.

O par não está caçando ou fugindo; macho e fêmea passeiam abraçados, namoram enquanto contemplam o horizonte.

Na minha última visita, encontrei um jovem amigo assim que saí do museu. Ele andava interessado no estudo do cristianismo e, quando citei meus Australopithecus de estimação, o moço me cortou dizendo que não acreditava em Darwin. Uma barreira invisível se ergueu entre nós.

O belo rapaz defendia a tese de que não viemos dos macacos. O homem seria destinado a ser homem desde a sua criação e o triunfo da maldade humana seria a prova de que a evolução jamais existiu. “Não evoluímos”, dizia ele.

Eu argumentei que o julgamento moral não faz parte, a priori, da mãe natureza. A teoria da evolução não é promessa de uma linha reta em direção ao bem, ao bom e ao belo. Elefantes diminuem se privados de comida; teclados estapafúrdios, eternizados nos nossos computadores, foram desenhados justamente para ralentar o ritmo da digitação nas antigas máquinas de escrever que engastalhavam com toques rápidos. No fim, foi cada um para o seu lado sem dar crédito ao pensamento do outro.

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DEBATE SOBRE O PORTO SUL: AÇÃO ILHÉUS X COESO

A presidente da Associação Ação Ilhéus, Socorro Mendonça, através da internet, trava uma batalha de idéias contra Aldicemiro Duarte (Mirinho),  coordenador do COESO (Comitê de Entidades Sociais em Defesa dos Interesses de Ilhéus e Região), grupo que apóia a empresa Bahia Mineração.

Este blog, que em outras ocasiões defendeu idéias de Mirinho sobre outros assuntos, não pode deixar de admitir que Socorro deu um banho de informação e conhecimento no coordenador do COESO.

O artigo escrito por  Mirinho: “A miopia pede óculos. Ou… as forças ocultas e os interesses travestidos”, em defesa do Porto Sul, foi totalmente desconstruído, deixando evidente que o autor apelou para o senso comum e a desinformação.

Leia você mesmo e tire suas conclusões.

Mirinho

Propagam que o cacau e o turismo não podem conviver com o complexo logístico e as indústrias que ele irá atrair. Argumento míope e falso.

Socorro.

Míope é quem não enxerga riqueza na natureza que temos e quem afirma que a cacauicultura foi dizimada. Falso é quem desrespeita as gerações futuras mesmo sendo responsável por trazer ao mundo, alguns Seres Humanos, que comporão essa geração. Cacau será afetado diretamente pela Ferrovia passando pelas Fazendas e ainda com a monília sendo trazida pelos trilhos (você sabe o que é isso?). A ferrovia não ligará o Atlântico ao Pacífico? Estude um pouco sobre isso. Quanto ao Turismo, nenhum Porto que escoa Minério de Ferro foi apresentado ainda como sendo benchmarking de convivência com o Turismo. Aponte um no mundo! Conhecemos Portos que destroem vidas com doenças da poeira. Veja alguns vídeos com a realidade da qual falamos:

1 – http://www.youtube.com/watch?v=ScAn5zLWL7s

2 – http://www.youtube.com/watch?v=g9xODXqNqKw

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ÂNGELA VOLTOU ATRÁS

A deputada estadual Ângela Sousa voltou atrás. Agora ela também integra a comissão especial da Assembléia Legislativa, que vai discutir a implantação do Porto Sul. Ângela se negou a assinar o requerimento que criou a comissão. Com certeza, ela percebeu que abriria mão de bons holofotes. Por e-mail, a deputada enviou esta fotografia, auxiliada por um texto que não identifica os outros parlamentares. Seria mais interessante que tivesse enviado apenas a sua imagem.

POLÍTICOS PAULISTAS APÓIAM COMISSÃO DO PORTO SUL

Augusto Castro

O deputado estadual Augusto Castro (PSDB) recebeu apoio de políticos paulistas para criar uma comissão especial na assembléia legislativa, incumbida de discutir o projeto do Porto Sul.

Fábio Feldmann (PV-SP) soube do requerimento do baiano por meio da mídia e ficou interessado nos trabalhos (futuros) da Comissão.

Feldmann foi deputado federal e milita em defesa do meio ambiente desde os anos 70.

O deputado tucano também foi parabenizado por Bruno Covas (PSDB-SP), secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo.