“O REINO DOS KARAMÁZOV” II

Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski.

A importância da fé na imortalidade, segundo o ateu Ivan Fiódorovitch, um dos personagens de Os Irmãos Karamazov, romance de Fiodor Dostoiévski.

Não faz muito tempo que eu e Israel Nunes (meu amigo e irmão) dialogamos sobre o tema.

“Em toda a face da Terra não existe terminantemente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu à lei natural mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiódorovicth acrescentou, entre parênteses, que é isso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruindo-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia. Mas isso ainda é pouco: ele concluiu afirmando que, para cada indivíduo particular, por exemplo, como nós aqui, que não acredita em Deus nem na própria imortalidade, a lei moral da natureza deve ser imediatamente convertida no oposto total da lei religiosa anterior, e que o egoísmo, chegando até ao crime, não só deve permitido ao homem mas até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre para sua situação. Com base nesse paradoxo podem concluir, senhores, também sobre tudo mais que o nosso amável, excêntrico e paradoxista Ivan Fiódorovicth haverá por bem ou talvez ainda esteja propenso a proclamar”.

ILHÉUS REGISTRA 73 ASSASSINATOS EM 2010

De janeiro a julho deste ano,  a 7ª COORPIN registrou 66 homicídios, sendo que 26 não foram elucidados.

Números atualizados que incluem as ocorrências de agosto, aumentam a estatística macabra em mais sete casos, portanto, ao todo, 73 pessoas foram assassinadas em Ilhéus, até agora.

Grande parte das mortes está vinculada ao tráfico de drogas.

“O REINO DOS KARAMÁZOV” I

Trecho de “Os Irmãos Karamázov”, obra magistral do escritor russo Fiódor Dostoiévski.

Fiódor Dostoiévski.

“Não são os milagres que inclinam o realista para a fé. O verdadeiro realista, caso não creia, sempre encontrará em si força e capacidade para não acreditar no milagre, e se o milagre se apresenta diante dele como um fato irrefutável, é mais fácil ele descrer de seus sentidos que admitir o fato. E se o admite, admite-o como fato natural, que apenas lhe fora até então desconhecido. No realista a fé não nasce do milagre, mas é o milagre que nasce da fé. Se o realista acredita uma vez, é justamente por seu realismo que ele deve forçosamente admitir o milagre”.