O discurso do governador Rui Costa sobre o meio ambiente não é verdadeiro

Editorial do Blog do Gusmão.

O governador Rui Costa. Imagem extraída de vídeo do Facebook.

No dia 11 de setembro, Rui Costa disse no programa Papo Correria que a Bahia respeita o meio ambiente: “tem um Brasil que pensa diferente. Um Brasil diverso, que respeita a democracia, valoriza o meio ambiente e aceita colaboração de outros países que quiserem fazer parcerias com a gente”, falou o governador.

Na tentativa de estabelecer uma oposição à visão destrutiva de Bolsonaro, que declara com sinceridade louca que não é favorável à conservação do meio ambiente, o discurso de Rui é apenas um exercício de retórica. Não tem nenhuma correspondência com a realidade, pois na Bahia a política ambiental do PT é muito parecida com a de Bolsonaro. Vale lembrar que as unidades de conservação estaduais estão abandonadas pelo governador e nunca foram objeto de interesse durante os governos do PT.

O Parque Estadual da Serra do Conduru possui uma questão fundiária que se arrasta desde seu surgimento na década de 90. Proprietários de áreas que foram anexadas ao parque sequer receberam indenização.

O governo do PT também criou o Parque Estadual da Ponta da Tulha, um remanescente importante de restinga arbórea, tipo de vegetação cada vez mais raro. Mas a unidade está completamente abandonada e só existe no papel. Não há vigilância, guardas-parques e equipe. Existe apenas um gestor nomeado que, sozinho, nada pode fazer.

Além disso, loteamentos irregulares estão destruindo o entorno do Parque Estadual da Ponta da Tulha, apoiados pelo deputado estadual Zé Neto, do PT. É comum passar pelo parque e ouvir o som estridente das motosserras.

Vale relembrar: o ex-governador Jaques Wagner também transformou o Conselho Estadual de Meio Ambiente num órgão meramente consultivo, sendo que antes era deliberativo. Com isso, o governo buscou dar celeridade em seus projetos desenvolvimentistas, sem qualquer escrúpulo com a conservação.

A Embasa continua sem cuidar dos mananciais que explora. Retira água, mas não possui programas de recuperação de nascentes e matas ciliares. A Embasa continua sendo dominada pela visão da construção civil, que interessada na gestão de recursos destinados às obras, acredita piamente que para solucionar os problemas de abastecimento de água basta apenas construir novas adutoras e sistemas de captação.

Os problemas ambientais que a Bahia vive são inúmeros, teríamos que escrever vários textos para relembrá-los. Mas o certo  é que a politica ambiental do PT na Bahia é igual à do presidente da República.

Há uma diferença apenas nos pronunciamentos, mas a prática é basicamente a mesma. Bolsonaro tem um discurso louco, descabido, porém sincero. O “capitão” é um inimigo à mostra que diz abertamente: “Não temos obrigação de conservar o meio ambiente”, enquanto o PT da Bahia não tem coragem de afirmar sua verdadeira intenção: “Nós não vamos conservar o meio ambiente, mas não queremos que você saiba disso”.

Esta é a única diferença.

Reunião de Marão com promotor Frank Ferrari não é atestado de idoneidade

Editorial do Blog do Gusmão.

Prefeito Mário Alexandre e o promotor Frank Ferrari. Imagem extraída do vídeo divulgado pela Secom/Ilhéus.

O prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre, recebeu ontem em seu gabinete o promotor do MP-BA, Frank Ferrari. A presença do secretário de administração, Bento Lima, foi dada como certa, mas ele não apareceu na foto.

O principal assunto discutido foi o fortalecimento dos mecanismos de controle interno do município por meio da modernização.

O encontro aconteceu em menos de 48 horas após os fatos surpreendentes da Operação Xavier, cujo mentor é Frank Ferrari, que desencadeou a ordem de encarceramento preventivo de dois vereadores (Lukas Paiva e Tarcísio Paixão), um secretário do governo Marão (Valmir de Inema), funcionários da Câmara Municipal e empresários.

Nas redes sociais, pessoas ligadas ao governo interpretam que o encontro com o respeitado (e temido) promotor rendeu um atestado de idoneidade. Ledo engano.

O MP-BA costuma visitar prefeitos para aconselhá-los a melhorar suas práticas. No primeiro momento, o diálogo é o melhor caminho para evitar problemas maiores. Se o governo não aprimorar os mecanismos questionados, a justiça será acionada.

Frank Ferrari tem conhecimento de algumas licitações duvidosas do atual governo e sabe que procuradores do Ministério Público Federal estão de olho no contrato de transporte escolar.

Ferrari também sabe que a ex-deputada estadual Ângela Sousa (mãe do prefeito) foi indiciada na Operação Águia de Haia por suposto recebimento de propinas, oriundas de contratos firmados em outros municípios, retiradas de recursos da educação.  A Justiça Federal bloqueou bens da ex-parlamentar em maio de 2018 (confira a denúncia do MPF).

O governo Mário Alexandre até o momento não possui problemas com a justiça, mas flutua na atmosfera da suspeição. O tempo do MP-BA e do poder judiciário não é o da opinião pública, cuja maior parte torce por uma devassa na Prefeitura de Ilhéus.

O encontro de Frank Ferrari não pode ser encarado como um salvo-conduto diante da possibilidade de novas investigações. Convém ter paciência e aguardar o momento certo dos acontecimentos. O tempo dirá.