O GRANDE PASSADOR DE VOTOS

Valmir Freitas (PT).
Valmir Freitas (SDD).

É inegável a força do vereador Valmir Freitas no distrito de Inema em Ilhéus.

Arthur Maia e Eduardo Salles, candidatos apoiados pelo parlamentar, conquistaram mais de 60% dos votos válidos da localidade.

O deputado federal Arthur Maia (SDD) obteve 458  votos (65,7%). Já o ex-secretário estadual de agricultura Eduardo Salles (PP) saiu de Inema com 424 (63,2%).

A dupla também pescou dezenas de “votinhos” em outros lugarejos que formam a base de Valmir.

O vereador dá assistência permanente a alguns distritos. Durante 4 anos manteve uma “casa de passagem” no bairro do Malhado para seus correligionários da zona rural.

Nela era possível dormir e fazer refeições gratuitas antes de consultas médicas, fazer ou retirar documentos no SAC de Ilhéus e outros compromissos.

Para conseguir a hospedagem e o “rango” bastava ser amigo do vereador, informar a necessidade e esperar uma vaga.

Por falta de recursos a “casa de passagem” foi desativada no final do ano passado, mas, será reaberta em 2015.

BENITO REPASSOU R$ 500 MIL PARA AZEVEDO. RESULTADO: 2082 VOTOS

Azevedo e Benito: nunca mais.
Azevedo e Benito: nunca mais.

O investimento financeiro que Benito Gama (PTB) fez no Capitão Azevedo (DEM) foi de um esbanjamento impressionante.

Ao todo o presidente nacional do PTB repassou R$ 500 mil para o ex-prefeito de Itabuna, divididos em três parcelas.

A “grana” não saiu do bolso de Benito, e sim, de empresas que ajudaram o PTB com volumosas contribuições. Dentre as principais, destacamos a Vigor Alimentos, JBS (proprietária da Friboi), Bradesco Vida e Arcelormittal. Parte desses dados está na prestação de contas informada ao TSE.

A “mão aberta” não surtiu o efeito esperado. Em Itabuna, único reduto de Azevedo, Benito saiu das urnas com apenas 2082 votos.

Fonte ouvida por este blog disse que o voto saiu muito caro, pouco mais de R$ 240 “a cabeça”.

“Esse resultado ruim significa que a ‘grana de Benito’ não fluiu naturalmente como esperado”, brincou o analista.

Benito foi eleito e retornará à Câmara dos Deputados após 12 anos de afastamento. Resta saber se ainda terá coragem de “dobrar” com o Capitão.

DECEPCIONADO COM O DESEMPENHO DE MARINA NO DEBATE, GUSMÃO DÁ COMO CERTO AÉCIO NO 2º TURNO

Gusmão esperava mais de Marina.
Gusmão esperava mais de Marina.

O desempenho ruim de Marina Silva (PSB), no debate de ontem da Rede Globo, era tudo que Aécio Neves (PSDB) necessitava para chegar ao 2º turno da eleição presidencial contra a presidente Dilma (PT).

Segundo o comunicólogo Emílio Gusmão, Marina cometeu erros só explicados pela teimosia. Ela livrou Dilma “das cordas” quando lembrou poucas vezes o escândalo de corrupção na Petrobrás. A ex-senadora, por ausência, delegou ao tucano o papel de principal oponente dos petistas.

O editor deste blog lembra o 3º bloco do debate, de perguntas com temas livres, quando ao perguntar a Dilma, Marina só entrou no assunto “petrolão” na réplica.

Eleitor de Marina, o blogueiro afirma que a maior parte dos ambientalistas tem grande dificuldade para se comunicar e transmitir os valores que são imprescindíveis à manutenção da vida no planeta. Ele cita exemplo de um candidato a vereador ligado às causas da sustentabilidade. Influenciado por uma “ativista de ocasião”, nas eleições de 2012 (em Ilhéus), ele abriu mão dos carros de som para diminuir a poluição sonora. Com a atitude consciente, o pretenso parlamentar inviabilizou a propaganda do seu número junto ao eleitorado.

Gusmão admite que a poluição sonora incomoda muitas pessoas, mas, lembra que a “cultura do barulho” também é parte do cotidiano e atrai a simpatia de muitos jovens identificados com ritmos da moda, a exemplo do arrocha. O comentário abaixo trata de algumas contradições e alerta que não é possível mudar de hábitos de maneira repentina.

De volta a Marina, o editor arrisca que só um milagre será capaz de colocá-la no 2º turno.

Ouça.

AS VANTAGENS DE UM BANCO CENTRAL INDEPENDENTE

cristiano romeroPor Cristiano Romero. Artigo publicado na edição de hoje do Jornal Valor.

A independência formal do Banco Central (BC) não é uma panaceia. Não resolveria todos os problemas da economia brasileira. A experiência internacional mostra, porém, que os países que institucionalizaram a autonomia sempre estiveram em melhor situação do que os que não fizeram isso. Nessas economias, a inflação é mais baixa, a volatilidade do produto é menor e a capacidade de reagir a crises, maior, como ficou comprovado recentemente.

Mesmo com todas as críticas feitas ao bancos centrais das economias avançadas – especialmente, ao Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos, e ao Banco Central Europeu -, onde se originou a crise mundial de 2007/20008, em nenhum momento se colocou em questão a independência da autoridade monetária. Esses BCs têm sido vistos como principais gestores da crise. Seu papel tem sido mais importante que o das políticas fiscais anticíclicas.

A história mostra que existe uma correlação entre democracia e independência do banco central. Quanto mais democrático um país, maior a independência do BC. Isso é particularmente verdadeiro nos Estados Unidos, na Europa, nos países escandinavos e na Oceania. Mais recentemente, países emergentes da Ásia, como Tailândia, Indonésia e Índia, e da América Latina, como México, Chile e Colômbia, também decidiram fortalecer a independência da autoridade monetária.

No caso da AL, não é coincidência o fato de o BC não possuir independência justamente nas nações de democracia frágil e instabilidade política, como Venezuela e Argentina. Onde, aliás, o crescimento da economia tem sido menor e a inflação, mais alta.

Em seu processo de modernização econômica, o Brasil claramente ficou no meio do caminho. À quebra dos monopólios estatais, seguiu-se a criação de agências reguladoras. Era o caminho natural para a transição de uma economia autárquica, em que o Estado é o principal empresário, para uma economia de mercado.

Com as privatizações, as agências eram o modelo ideal para lidar com estruturas oligopolizadas que nascem por decisão do Estado ou do mercado. O problema é que, nos últimos 12 anos, antes mesmo de essas agências se consolidarem como entes independentes, o governo fez intervenções e entregou seu comando a partidos políticos, sob a alegação de que cabe ao presidente eleito pelo voto popular definir as políticas públicas.

A crítica que se faz às agências independentes é que, se não estão a serviço do governo, elas são facilmente capturadas pelos entes regulados. Desta forma, a Aneel o seria pelas empresas de energia, a Anatel pelas de comunicação, a Anac pelas companhias aéreas, a CVM pelas sociedades de capital aberto e o Banco Central, pelos bancos.

Mesmo admitindo-se que o risco de captura é real, as agências não podem ser comparadas a uma espécie de Quarto Poder, num arcabouço em que apenas os três poderes da República podem ser independentes. Numa democracia, o aperfeiçoamento das instituições é tarefa permanente e o Congresso sempre pode mudar o status legal de uma agência.

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CIÊNCIA E FÉ

Eduaardo-Giannetti_smallPor Eduardo Gianetti/artigo publicado hoje na Folha de São Paulo.

“A fama”, escreveu o poeta alemão Rilke, “é a quintessência dos mal-entendidos que se juntam a um nome”. A versão brasileira, devidamente aclimatada ao nosso ambiente intelectual, ficou a cargo de Nelson Rodrigues: “A nossa reputação é a soma dos palavrões que inspiramos nas esquinas, salas e botecos”.

“Fundamentalismo” e “criacionismo” são alguns dos palavrões, em sentido lato, que o desconhecimento de uns e desespero eleitoral de outros vêm tentando colar ao nome de Marina Silva. O difícil, nestes casos, é saber onde termina a ignorância e tem início a má-fé.

Enquanto ela estava fora do páreo, prevalecia a indiferença condescendente. Agora que lidera as pesquisas, são todos especialistas em Marina: uma brigada de colunistas, blogueiros e franco atiradores sente-se autorizada a despejar na mídia e na cracolândia da internet uma pavorosa barragem de desinformação e preconceito saturado de rancor sobre a candidata.

Que sua ascensão a torne alvo preferencial é natural e salutar. É hora de explicitar acordos e divergências. O que espanta, contudo, é ver pretensos guardiões da ciência e racionalidade embarcarem em grosseiras inverdades factuais.

O filósofo Hélio Schwartsman, por exemplo, renuncia à costumeira acuidade e não hesita em incluir Marina na seita dos “criacionistas da Terra Jovem” (“Opinião”, 2/9). Já o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite medicaliza o seu “fundamentalismo cristão” e atribui a “perversão intelectual” a uma “desordem do desenvolvimento neural” (Tendências/Debates, 31/8). O Simão Bacamarte de “O alienista” não faria melhor.

Marina nunca endossou o criacionismo ou defendeu que fosse ensinado nas escolas. Ao contrário das lideranças petistas e tucanas, Dilma e Aécio à frente, que foram beijar a mão do bispo na inauguração do Templo de Salomão, ela sempre rejeitou qualquer ação visando instrumentalizar sua fé cristã com fins políticos. O seu respeito pelo Estado laico é irretocável.

Marina acredita em Deus, mas ela compreende perfeitamente que ciência e fé, bem compreendidas, habitam espaços conceituais distintos e respondem a diferentes anseios humanos, como aliás atestam a religiosidade e o teísmo de Newton, Darwin e Einstein. A fé cristã não implica o criacionismo, assim como o apreço pela ciência não implica o cientificismo.

A ciência ilumina, mas não sacia. “Mesmo que todas as questões científicas possíveis sejam respondidas”, argumenta o filósofo austríaco Wittgenstein, “os problemas da vida ainda não terão sido sequer tocados”. Ignorar os limites da ciência diante das questões éticas e existenciais que nos movem revela uma grave falha de formação intelectual –é a ciência como superstição.

Eduardo Giannetti é formado em economia e em ciências sociais pela USP e PhD em Economia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Foi professor na Faculdade de Economia de Cambridge, na FEA-USP e no Insper São Paulo. É autor de artigos e livros, entre eles: “Vícios privados, benefícios públicos?” (1993); “Autoengano” (1997); “Felicidade” (2002) e “A ilusão da alma” (2010).

NECA SETUBAL: “SER HERDEIRA DO ITAÚ NÃO APAGA 30 ANOS DE TRABALHO NA EDUCAÇÃO”

A socióloga Neca Setubal, única mulher filha do banqueiro Olavo Setubal, morto em 2008 (Foto: Divulgação/PSB).
A socióloga Neca Setubal, única mulher filha do banqueiro Olavo Setubal, morto em 2008 (Foto: Divulgação/PSB).

Por Rodrigo Rodrigues para o Terra Magazine.

Filha do banqueiro Olavo Setubal, fundador do Banco Itaú, a socióloga Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, virou, contra a própria vontade, a palmatória que sustenta as críticas que brotaram na internet contra a candidata Marina Silva (PSB). Isso desde que a mesma tornou-se candidata, substituindo o falecido Eduardo Campos na corrida eleitoral.

Conselheira e amiga pessoal da candidata acreana desde 2009, Neca Setubal coordena, ao lado do ex-deputado Maurício Rands, a elaboração do plano de governo de Marina Silva, desde quando Eduardo Campos ainda era o candidato.

Uma das principais articuladoras da fundação da Rede Sustentabilidade, Neca ganhou importância na campanha com a substituição de Campos por Marina. Virou vitrine exatamente por ser irmã de Roberto Setubal, atual presidente do Itaú Unibanco. E por ser dona de 3,5% das ações do banco.

As principais críticas dizem respeito à informação de que Marina Silva, se presidente, dará autonomia formal ao Banco Central, notícia que foi capa de jornais na semana passada, depois da proposta ser vocalizada pela própria Neca.

Por ter ligação com o Itaú, Neca foi acusada por comentaristas da esquerda e da direita de ser a articuladora da proposta, já que há tempos é do interesse do mercado financeiro que o Banco Central tenha essa autonomia formal.

Essa proposta foi assumida pelo Eduardo Campos lá atrás, quando a campanha começou. Não tem nenhuma relação comigo. A Marina que resolveu abraçar e manter tudo que já tinha sido discutido nas reuniões de elaboração de programa de governo, na época que o Eduardo ainda estava vivo”, lembra a socióloga.

Neca Setubal se diz um pouco incomodada com os ataques que recebeu após a ascensão de Marina nas pesquisas, mas afirma encarar de forma natural as críticas:

Ser herdeira do Itaú não apaga os trinta anos de trabalho que tenho na Educação. Tenho vários livros publicados sobre o assunto, ganhei vários prêmios pelo trabalho nessa área. Nunca fiz parte do conselho ou diretoria do banco, nem da Fundação [Itaú Social]. Me orgulho do trabalho do meu pai e do meu irmão, mas tomamos caminhos diferentes. As críticas são naturais, porque agora todos que estão perto da Marina viram alvo. Até os jornais descrevem todo mundo da campanha como ambientalista, economista, mas quando chega a hora de me descrever só usam o “herdeira do Itaú”. É uma opção editorial que não vale discutir, só lamentar o reducionismo”, argumenta Neca Setúbal.

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ILHÉUS: CAMPANHA DE RUI COSTA NÃO DECOLA

Em Ilhéus, os aliados de Rui Costa estão engalfinhados enquanto persiste na timidez.
Em Ilhéus, os aliados de Rui Costa estão engalfinhados enquanto a campanha persiste na timidez.

Percebe-se que a campanha do petista Rui Costa ao governo da Bahia está fraca em Ilhéus.

O grupo do prefeito Jabes Ribeiro faz vistas grossas. A aproximação do vice-prefeito Cacá Colchões (PMDB) com a cúpula da oposição indica que o importante é buscar um guarda-chuva após as eleições. Apesar dos rumores de um provável rompimento entre Jabes e Cacá, observadores apostam que se o vice tiver seu espaço ampliado no governo, o desenlace não irá acontecer. De olho nas pesquisas, JR já estaria disposto a ceder mais espaço ao seu imediato, com a perspectiva de uma nova aproximação com o grupo de Paulo Souto.

Já o PT ilheense está mais preocupado com a reeleição do deputado federal Josias Gomes. Edinei Mendonça, dono do partido, gasta muito tempo com a fiscalização da dobradinha Josias e Ângela Sousa (deputada estadual do PSD). A “irmã Ângela” não é dada a honrar compromissos e isso preocupa os “companheiros”. Sem tempo para tocar a campanha de Rui Costa, Edinei está sempre com Marcão (filho muito esperto da parlamentar do “Deus Abençoe”).

Fora essas dificuldades, os aliados locais de Rui Costa não buscam um esforço em conjunto. A desconfiança entre jabistas e petistas é muito forte.

Na última semana, Edinei Mendonça pediu ao jabista Eduardo Sobral que viabilizasse estrutura ligada ao governo do município para ações eleitorais. Coordenador das campanhas dos candidatos de Jabes (Mario Negromonte Jr. e Eduardo Sales), Sobral disse que Enilda Mendonça (irmã de Edinei e presidente do sindicato dos professores) costuma denunciar o prefeito ao Ministério Público. Vendo um adversário em sua frente, afirmou: “Seu pedido não merece qualquer confiança”.

Enquanto isso, organizada pelo vice-prefeito, a campanha de Paulo Souto ganha as ruas de Ilhéus com volume e barulho.

Já a propaganda de Rui se resume a algumas placas espalhadas pelo centro e zona sul. A música da campanha (jingle) petista continua desconhecida e santinhos não sujam varandas e quintais das residências.

MARINA É LULA DE SAIAS

Marina e Lula 1

Por Alberto Carlos Almeida | publicado no jornal Valor em 22/08/2014

Quando Marina Silva foi escolhida candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, tive a oportunidade de publicar um artigo nesta coluna cujo título era “Vice é Rubinho Barrichello”. Tratava-se de uma referência ao fato de que o vice não importa diretamente para o eleitor. Em minha argumentação, sustentada por dados, previa que Marina não teria a capacidade de levar votos para Eduardo Campos. Isto acontece porque os eleitores não votam por conta de apoios políticos. Marina de vice não é o mesmo que Marina na cabeça de chapa. Tanto isso é verdade que, agora que Marina foi alçada à condição de candidata a presidente, a intenção de voto em seu nome é bem maior que a de Eduardo Campos. A lição é simples: vota-se em Marina, mas não se vota no candidato apoiado por ela.

Outra lição pode ser retirada da subida meteórica de Marina nas intenções de voto: a absoluta irrelevância das máquinas políticas e do apoio dos políticos. Acreditar na força eleitoral do apoio de políticos é uma forma de pensamento mágico. A liderança de Marina nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno ocorreu sem que ela tenha tido sequer um mísero apoio de um governador de Estado, senador, deputado ou de qualquer máquina política partidária. Nem mesmo o apoio oficial do PSB aconteceu antes que ela tivesse alcançado a liderança, quando seu nome era confrontado com o de Dilma.

Na verdade, é bem provável que a partir de agora ocorra o inverso: muitas máquinas políticas vão apoiar Marina, porque ela está liderando as pesquisas de intenção de voto em segundo turno. Se isso acontecer, de nada servirá ao PSDB ter o controle dos dois maiores colégios eleitorais do Brasil, São Paulo e Minas, que, somados, entram com 34% dos votos válidos em eleições presidenciais. Todas as análises que relacionam força dos apoios regionais e favoritismo no voto nacional sempre estiveram erradas. O que ocorreu agora foi um episódio que revelou tal erro. Haverá quem revise tais análises e afirme que, para se manter competitivo nas intenções de voto, é preciso ter o apoio das máquinas regionais. Isso é algo que ainda será testado no decorrer da campanha.

Marina tem a atual força eleitoral por alguns motivos. O primeiro é que ela já foi votada por 20% do eleitorado brasileiro em 2010. Esta é a proporção de pessoas que entrou na cabine de votação, digitou o número de Marina, apertou a tecla “confirma” e ouviu o barulhinho que encerra o voto. O retorno de Marina à campanha eleitoral reaviva a memória do voto nesse eleitorado. Quem votou uma vez em Marina vota uma segunda com facilidade. O segundo motivo é que Marina ocupa o terreno da oposição, e aqueles que rejeitam o governo Dilma tendem a votar em candidatos de oposição. Quanto a isso, Marina disputa os mesmos eleitores de Aécio.

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MARINA

Marina SilvaPor Orlando Senna

No momento em que escrevo essas linhas, madrugada de 15 de agosto, a televisão está reprisando as distintas opinões de políticos e jornalistas, que foram ao ar durante todo o dia de ontem, sobre a possível postulação de Marina Silva à presidência da República do Brasil, herdando a candidatura de Eduardo Campos, onde estava como vice. A comoção pela morte do jovem, culto, bonito, progressista e indiscutivelmente promissor político pernambucano atingiu em cheio a alma brasileira e abalou a política do País, desestabilizando a campanha eleitoral, apesar de contar hoje com apenas 10% da preferência dos eleitores. O candidato Eduardo Campos estava desenhando com nitidez uma terceira posição com possibilidade de romper o compasso binário da política brasileira nos últimos vinte anos, o dualismo Partido dos Trabalhadores/Partido da Social Democracia Brasileira, PT e PSDB. Possivelmente não venceria as eleições, mas estabeleceria uma triangulação, uma situação mais democrática.

O Partido Socialista Brasileiro, PSB, de Eduardo Campos, que abrigava (ou ainda abriga) essa possibilidade da terceira posição, discute se Marina é ou não é a herdeira natural da candidatura, galvanizando a atenção e o suspense da política nacional. No centro da discussão está o agronegócio, responsável por 35% da balança comercial brasileira. Marina afirma que o agronegócio é tecnologicamente atrasado, ainda usa pecuária e agricultura extensivas, esbanja recursos e causa danos ambientais. Ou seja, defende tecnologia de produtividade, mais produção em menos espaço. Mas a poderosa Confederação da Agricultura e Pecuária, CNA, com forte influência no PSB, acha que as ideias de Marina são “desastrosas” para a economia brasileira. Parte do PSB teme que isso tenha repercussão muito negativa na campanha.

É mais um capítulo na extraordinária história dessa mulher de 56 anos, que começou em um seringal perdido na Amazônia chamado Bagaço, foi alfabetizada tardiamente, passou por momentos de miséria, aflição, dores e amores, lutas, vitórias, alegrias, por uma campanha ambientalista e de desenvolvimento sustentável que chamou a atenção do mundo, pelo Senado, por um Ministério do Meio Ambiente, por uma candidatura a presidente (2010) que ganhou surpreendentes 20 milhões de votos, um quinto do eleitorado nacional. Não vou sintetizar aqui a biografia de Marina, que é bem conhecida. A propósito, a cineasta Sandra Werneck está tentando viabilizar um filme sobre ela, com base no livro Marina, a vida por uma causa da jornalista Marília de Camargo César.

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RECONHECIMENTO MERECIDO

Abobreira com Davidson, Bebeto e Lídice.
Abobreira com Davidson, Bebeto e Lídice.

Recentemente, dois candidatos à Câmara dos Deputados homenagearam o ex-vice-prefeito e ex-vereador de Ilhéus, José Henrique Abobreira.

Bebeto Galvão (PSB) e Davidson Magalhães (PC do B), em dois eventos distintos, trataram o convidado de honra como um referencial nas lutas pelas causas coletivas. Os elogios foram corroborados pela Senadora Lídice da Mata, candidata ao governo da Bahia.

Entre 1993 a 1996, Abobreira se destacou na Câmara de Vereadores por encampar diversas lutas em prol dos direitos humanos. Lídice, Bebeto e Davidson, hoje em partidos diferentes, lembraram a atuação destacada do então parlamentar em defesa dos trabalhadores da Itaísa e no apoio a assentamentos de reforma agrária. Como vice-prefeito, entre 1997 a 2000, ele estimulou os índios de Olivença a se reconhecerem como parte de uma etnia, passo importante para a reivindicação dos seus direitos.

No mesmo período, exerceu forte influência no fortalecimento da agricultura familiar. A atenção de Abobreira com o homem do campo é reconhecida pelo Vereador Dero Farias (PT), principal representante político do setor em Ilhéus.

O editor deste blog carrega com orgulho a lembrança de ter dado o seu primeiro voto a José Henrique Abobreira, candidato a vereador pelo PT em 1992, cuja frase de campanha era: “A Opção Socialista”.

Neste espaço, ele tem uma testemunha do grande exemplo e das boas recordações que a sua atuação política deixou.

Em tempo: mesmo sem mandato, o militante socialista continua atuante, com participação ativa em movimentos comunitários. A promoção da cidadania é um dos remédios que ele usa em seu tratamento de saúde.

ALISSON MENDONÇA ESTÁ DE MALAS PRONTAS

Rosemberg, Alisson e Geraldo Simões: "Adeus companheiros!"
Rosemberg, Alisson e Geraldo Simões: “Adeus companheiros!”

O vereador de cinco mandatos Alisson Mendonça está em processo de mudança.

Com os olhos nas eleições municipais de 2016, “Alisêca” já percebeu que o PT ilheense é um cartório comandado “à mão de ferro” por Ednei e Carmelita.

Essa situação não anima o edil que sonha em “acomodar o corpo” na cadeira principal do Palácio Paranaguá.

Como primeiro passo, Alisson rompeu politicamente com a dupla de deputados do PT, Rosemberg Pinto (estadual) e Geraldo Simões (federal).

Os dois insistiam em não lhe dar a devida atenção.

Bom de votos, o quase ex-petista fechou com Felix Mendonça Jr. para deputado federal, e Vitor Bonfim deputado estadual, ambos do PDT.

No acordo, caberá a Alisson o comando da sigla fundada pelo saudoso Leonel Brizola em Ilhéus.