ENTREVISTA: GURITA REVELA DIVERGÊNCIAS COM JABES E NEGA ACUSAÇÃO DE NEWTON LIMA

Newton Lima, Jabes Ribeiro e Professor Gurita.
Newton Lima, Jabes Ribeiro e Professor Gurita.

Mais conhecido em Ilhéus como Professor Gurita, o vereador Alzimário Belmonte (PP) concedeu entrevista ao Blog do Gusmão no último domingo (1º).

O parlamentar revelou ao editor deste blog, Emílio Gusmão, as divergências que o afastaram recentemente dos posicionamentos defendidos pelo governo Jabes Ribeiro.

Gurita votou contra o projeto de atualização do código tributário que resultou no aumento substancial do IPTU em Ilhéus. Apesar da aprovação “esmagadora” garantida pela base aliada, o prefeito Jabes Ribeiro não é do tipo que esquece fácil um ato de desobediência de “um dos seus”.

O vereador Gurita fala na entrevista sobre o caminho que o legislativo ilheense deve seguir para melhorar sua reputação abalada. Também rebate a acusação feita pelo ex-prefeito Newton Lima contra ele e outros quatro vereadores ilheenses. O episódio ocorreu em maio de 2014 e ficou conhecido como o “caso cinquentinha”. Leia.

Blog do Gusmão – O senhor é um correligionário antigo do prefeito Jabes Ribeiro. Nos últimos meses tem dado sinais de que pretende romper com o prefeito, mesmo sendo do partido dele (PP). O que está acontecendo?

Gurita: independência é o caminho para o legislativo ilheense.
Gurita: “Meus princípios estão além da sigla partidária”.

Vereador Professor Gurita – Na vida nós precisamos, constantemente, ser transparentes. No que diz respeito ao governo do prefeito Jabes Ribeiro, pessoa a que tenho respeito muito grande e que tem capacidade para governar Ilhéus, alguns temas dentro do governo andam em total discordância em relação ao modo como penso. Por conta desses temas, tive que tomar atitudes de vereador. Em algumas circunstâncias, você precisa fazer essa representação de maneira mais contundente e efetiva, se não você incorre no erro de inverter a função: ao invés de representar o povo, você passa a representar o Executivo.

Blog do Gusmão – Quais são os pontos divergentes?

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“NÃO EXISTE HORÁRIO DE TOLERÂNCIA PARA O BARULHO”, AFIRMA CHEFE DA FISCALIZAÇÃO

Equipamento de som apreendido em Ilhéus em setembro de 2013 e Paulo Fonseca. Imagens: Polícia Civil e    Blog do Gusmão.
Som apreendido em Ilhéus em setembro de 2013 e Paulo Fonseca. Imagens: Polícia Civil e Blog do Gusmão.

Na última terça-feira, 12, entrevistamos Paulo Fonseca, chefe de fiscalização ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Graduado em gestão ambiental, Paulo assumiu o cargo em janeiro de 2013. Na entrevista, falou sobre a rotina da “Patrulha do Silêncio”, equipe de fiscais do municicípio que combate a poluição sonora em Ilhéus. Também revela quais pontos da cidade mais sofrem com o problema.

Por enquanto, o plantão da patrulha só funciona entre sexta-feira e domingo. O telefone para reclamações é (73) 8846-4900.

Paulo também esclarece uma dúvida muito comum sobre poluição sonora e horário. Todo barulho deve ser tolerado durante o dia? Leia a entrevista.

Blog do Gusmão – Poluição sonora pode ser qualificada em quais tipos de crimes?

Isso incomoda muita gente.
Isso incomoda muita gente.

Paulo Fonseca – A poluição sonora é classificada como crime ambiental. Por Ilhéus ser uma cidade praiana, esse crime está no nosso cotidiano. Parece que as pessoas tendem a cometer exageros aqui (risos).

Ilhéus tem cerca de 180 mil habitantes. No verão, com a presença de visitantes de várias partes da região e do país, a população da cidade ganha aproximadamente mais 80 mil pessoas. Por isso, as ocorrências de perturbação do sossego são mais frequentes nessa época.

Blog do Gusmão – É verdade que a poluição sonora deve ser tolerada durante o dia, sendo proibida apenas durante a noite?

Paulo Fonseca – Não. Isso não é verdade. Não existe horário de tolerância para o barulho. As leis do país devem ser respeitadas a qualquer hora. Antigamente, o povo falava da “lei das 22 horas”. Isso não existe. Tudo que prejudica o sossego do outro é encarado como crime e deve ser evitado.

O que consideramos é o limite tolerável do volume do som, que varia de acordo com o horário. Por exemplo, o cidadão está em seu quarto e não consegue dormir por causa do barulho de um som de carro perto da sua casa. Isso pode acontecer de manhã, à tarde ou à noite. Não importa o horário, se o técnico do município constatar que o volume da música está alto dentro residência do reclamante, a perturbação do sossego alheio fica provada. 

Paulo fala sobre o trabalho da Patrulha do Silêncio.
Paulo fala sobre o trabalho da Patrulha do Silêncio.

Blog do Gusmão – Quantos decibéis são tolerados nessa circunstância? O técnico mede o volume do som dentro do quarto?

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OCEANÓGRAFO DA UESC FALA SOBRE OS EFEITOS DO AQUECIMENTO GLOBAL EM ILHÉUS

Mar avançará ainda mais sobre as casas do bairro São Miguel, em Ilhéus. Imagem: José Nazal.
De acordo com Gil Reuss, o mar avançará ainda mais sobre as casas do bairro São Miguel. Imagem: José Nazal.

Blog do Gusmão com exclusividade.

As crises climáticas preocupam povos de várias nações. Segundo o Projeto de Realidade Climática, iniciativa internacional criada pelo ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, 99,99% da comunidade científica de todo o mundo, ligada ao estudo do tema, admite a elevação da temperatura da Terra como fenômeno anormal. A causa está na emissão, cada vez mais descontrolada, de gases provenientes de combustíveis fósseis.

Em 2014, São Paulo registrou o mês de janeiro mais quente da história. A temperatura máxima atingiu 31,9ºC, e a média 25ºC. No passado, os paulistas quase que dizimaram a Mata Atlântica. No presente, secas ocorridas na Região Norte (cuja raiz do problema está no desmatamento da Floresta Amazônica) diminuem a evaporação da água, impedindo que nuvens carregadas de chuvas cheguem ao principal centro financeiro do país.  Resultado: o Sistema Cantareira, uma das bacias hidrográficas responsáveis pelo abastecimento de água da “pauliceia”, desceu ao menor nível dos últimos 10 anos.

Mas, aqui entre nós, o que Ilhéus tem a ver com isso?

O território ilheense tem aproximadamente 80 km de costa litorânea. Parte é composta por terras costeiras de baixa elevação. Com o crescimento do nível do mar (entre um e dois metros até 2100) inundações ocorrerão em áreas próximas do oceano Atlântico, ou, de rios da nossa bacia hidrográfica. Populações de baixa renda e até condomínios de classe média serão afetados. A costa nordeste do Brasil é especialmente vulnerável e Ilhéus – assim como os demais municípios da Costa do Cacau – terá muitas de suas praias erodidas.

O oceanógrafo Gil Reuss, professor da UESC, é um pesquisador atento a essas previsões. Nessa entrevista ao Blog do Gusmão, ele aponta caminhos para o mundo se livrar das crises climáticas, prevê cenários nada otimistas para Ilhéus e fala sobre os pouquíssimos céticos da comunidade científica que insistem em discordar da tese do aquecimento global.

No final da entrevista, publicamos um vídeo criado por Pedro Spanghero e Tássio Moreira (estudantes de Geografia da UESC) que mostra a perspectiva de um cenário drástico para Ilhéus em 2100.

Vale a pena conferir. Pela primeira vez um veículo de comunicação do eixo Ilhéus-Itabuna discute os prováveis efeitos locais das mudanças climáticas.

Imagens aéreas gentilmente cedidas pelo fotógrafo e especialista em Ilhéus José Nazal.

BLOG DO GUSMÃO – Professor Gil Reuss, hoje a comunidade científica ligada ao clima e ao estudo dos oceanos fala de uma nova realidade climática até 2010. De onde vem esse alerta?

Gil Reuss – Existem dois motores para as alterações climáticas. Um é o sol, que traz o calor para a terra. Desde que se tem registro, o sol funciona como um relógio. A atividade solar tem um ciclo de cerca de onze anos. Esse ciclo tem ocorrido, mais ou menos, de forma regular.

Porém, existe outro fator que influencia o clima: a composição da atmosfera. O clima na terra depende da energia emitida pelo sol, mas, também tem relação com a composição da atmosfera. É essa composição atmosférica que está sendo alterada pela ação humana. Com a queima de combustíveis fósseis, o homem conseguiu alterar essa composição e fez com que o aumento de gases responsáveis pelo efeito estufa chegasse a causar um aumento da temperatura média na atmosfera. Junto a isso, temos percebido o aumento de fenômenos extremos, de seca, de chuva, de tempestades tropicais, que ocorrem de forma aleatória, pelo menos, no nosso entendimento até agora.

BLOG DO GUSMÃO – A seca em São Paulo, na Cantareira, é um exemplo?

A seca em São Paulo, pelo que tem sido colocado pela comunidade científica, tem relação muito forte com o desmatamento na Amazônia. Existe um projeto antigo chamado “rios flutuantes”, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia). Ele consiste em medir a umidade de locais específicos da Amazônia e também na atmosfera com aparelhos transportados por aviões. Com isso, os pesquisadores perceberam que havia uma quantidade muito grande de umidade vinda da evapotranspiração natural da Amazônia. Essa evapotranspiração é levada por ventos (a grandes altitudes) na direção sul, diretamente para a região sudeste do Brasil. Esses ventos continuam ocorrendo, só que a evapotranspiração na Amazônia diminuiu muito. Com isso, esse vento tem chegado seco lá em São Paulo. Os últimos anos registraram uma progressiva diminuição da umidade e da pluviosidade dessa região. Portanto, há forte possibilidade de haver conexão entre esses fenômenos.

SONY DSCA Barra tem grande probabilidade de ser invadida pelo mar, inclusive já existe problema de erosão praial ali e é possível que isso seja agravado.

BLOG DO GUSMÃO – Segundo o IPCC, se continuarmos emitindo CO2 na quantidade atual a temperatura da terra pode aumentar até 5,8 graus. Isso é verdade?

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MUJICA FALA SOBRE ABORTO, MACONHA E TORTURA

José Mujica. Imagem: TV Araj.
José Mujica. Imagem: TV Araj.

O presidente do Uruguai, José Alberto Mujica Cordano, 79 anos, está na reta final do seu mandato. A legislação do país não permite reeleição consecutiva. A Frente Ampla, coalizão de esquerda a que pertence “Pepe Mujica”, deve permanecer no comando da presidência com a volta de Tabaré Vázques na eleição desse domingo, 30.

Desde 2005, quando a Frente Ampla assumiu o poder, o número de uruguaios pobres caiu 28%. Nos últimos dois anos, sob o comando de Mujica, o Uruguai descriminalizou o aborto e legalizou a produção e o consumo de maconha.

Mujica concedeu entrevista à Folha de S. Paulo. Na conversa com a repórter Sylvia Colombo, o presidente explica que o governo uruguaio “não gosta de maconha” nem defende o aborto. Legalizar o consumo da planta foi a maneira que o Estado encontrou para desestabilizar o narcotráfico e superar o fracasso do modelo repressivo de combate às drogas.

Ao contrário do que o discurso conservador argumenta, explica Mujica, a legalização do aborto é um gesto em defesa da vida. Milhares de mulheres morrem todos os anos em clínicas clandestinas. O Uruguai realizou 6.676 abortos seguros no primeiro ano de vigor da nova lei (2012-2013): nenhuma paciente morreu.

Na entrevista, Mujica também fala do seu modo de vida simples e da relação que estabelece com as “coisas que não podemos esquecer”, como as lembranças da tortura. O ex-guerrilheiro tupamaro foi preso e torturado pela ditadura uruguaia. Leia.

Folha – Como avalia a implementação da lei da maconha no Uruguai?

José “Pepe” Mujica – Nós não gostamos da maconha nem de nenhum vício. Mas pior que a maconha é o narcotráfico. O que está acontecendo é que, pela via repressiva, o narcotráfico está se matando de rir. Cada vez se trafica mais, se gasta mais dinheiro em polícia, em colocar gente nas prisões. Estamos cultivando uma esplêndida derrota.

Todos os governos da América Latina, desde esse ponto de vista, parecemos estados falidos. Cada vez armamos aparatos maiores para reprimir, cada vez temos mais gente presa, e cada vez há mais tráfico de drogas!

Nós queremos achar um outro caminho. Se você quer mudar, não pode seguir fazendo a mesma coisa, tem que buscar outra maneira. Eu não sei por que o mundo não vê o que está acontecendo, parece que colocamos uma venda sobre os olhos, como se a droga fosse uma coisa feia que não se pode mencionar.

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PEQUENOS AGRICULTORES E ÍNDIOS TUPINAMBÁS BUSCAM ENTENDIMENTO

Abiel da Silva Santos. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.
Abiel da Silva Santos. Imagens: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

A afirmação é de Abiel da Silva Santos, 46 anos, Presidente da Associação de Pequenos Agricultores de Ilhéus, Una e Buerarema. Na entrevista concedida ao repórter Thiago Dias na última segunda, 10, Abiel falou sobre o conflito entre tupinambás e pequenos produtores rurais pelo território que se estende entre os municípios de Ilhéus, Una e Buerarema.

A propriedade de Abiel está ocupada desde 2011. O sítio de 12 hectares fica no Acuípe do Meio, distrito ilheense. Segundo ele, benfeitorias construídas no terreno foram danificadas de modo irreversível, como um tanque de piscicultura. Outros cento e cinquenta associados tiveram suas propriedades invadidas. 

O assassinato do agricultor Juraci Santana, 44 anos, um dos casos emblemáticos do sofrimento dos pequenos produtores, também é tema da entrevista. O crime ocorreu na madrugada do dia 11 de fevereiro de 2014, no Assentamento Ipiranga. As investigações policiais ainda não identificaram os autores do homicídio. 

Alguns assassinatos de indígenas também não foram desvendados. Os crimes relacionados com o conflito por terra são investigados pela Polícia Federal. Conforme informação apurada por este blog, o Ministério da Justiça proibiu agentes e delegados da PF de se manifestar sobre ocorrências desse tipo.

Amparados pela convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho e pelo artigo 231 da Constituição, os indígenas reivindicam a demarcação imediada do território reconhecido por estudo da Fundação Nacional do Índio.

Na entrevista abaixo, Abiel afirma que os verdadeiros habitantes tradicionais da terra disputada são os pequenos produtores rurais e que as pesquisas coordenadas pela FUNAI são fraudulentas. Ele também informa que tupinambás e representantes da associação buscam construir um canal de diálogo.

Blog do Gusmão –  A associação que o senhor preside tem quantos membros?

Abiel Santos – Nós temos 8.790 membros.

Blog do Gusmão – Quantas propriedades foram ocupadas?

Abiel Santos – Cento e cinquenta.

Blog do Gusmão – De modo geral, como ocorrem as invasões?

Abiel Santos – Na maioria dos casos, com raríssimas exceções, eles chegam à noite ou de madrugada e determinam a retirada imediata dos moradores que ali estão. Muitas vezes são pessoas infiltradas, que se passam por indígenas para invadir propriedades. Usam armas de fogo, torturam famílias e tem um detalhe: levam tudo o que a pessoa tem. Em vários casos, eles saquearam e abandonaram as propriedades.

Nós temos chamado a atenção das autoridades: tem muita gente se aproveitando do movimento indígena para se passar como índio. Não vou lhe afirmar que os autores desses atos são indígenas, mas, tem muita gente que se aproveita do movimento.

BG – Como a propriedade do senhor foi invadida?

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EX-COMANDANTE DA GUARDA MUNICIPAL DEFENDE O PORTE DE ARMA

Daniel Sena é a favor do porte de arma para os guardas municipais. Foto: Blog do Gusmão/Thiago Dias.
Daniel Sena é a favor do porte de arma para os guardas municipais. Foto: Blog do Gusmão/Thiago Dias.

A presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou sem vetos o Estatuto Geral das Guardas Municipais. O Diário Oficial da União publicou a decisão no último dia 11.

A nova lei autoriza as guardas municipais de todo o país a habilitarem seus agentes para o uso de arma de fogo. Esse aspecto do dispositivo legal gerou polêmica.

O estatuto também confere poder de policia às guardas municipais e prevê que elas serão completamente subordinadas aos prefeitos.

Nessa segunda-feira, 18, entrevistamos o guarda municipal ilheense Daniel Sena sobre a polêmica gerada pela sanção do estatuto. Ele é ex-comandante da Guarda Municipal de Ilhéus, estuda Direito e defende o porte de arma para a sua corporação. Leia.

Blog do Gusmão  – A guarda municipal de Ilhéus está preparada para conferir o porte de arma aos seus integrantes?

Daniel Sena – Nesse momento, não, pois ainda não atendemos aos requisitos técnicos para utilizar arma de fogo. Entretanto, nós podemos afirmar que tão logo tenhamos acesso ao treinamento adequado, isso será viável, sem problema algum.

BG – Quem terá mais autoridade no policiamento ostensivo, nas ruas, a Polícia Militar ou a Guarda Municipal?

Daniel Sena – O Estatuto Geral das Guardas Municipais deixa bem claro quais são as competências de cada uma dessas instituições. Antes dessa lei, a própria Constituição distinguiu as atribuições desses órgãos, no artigo 134, que trata da segurança pública. Lá estão as atribuições da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. No oitavo parágrafo do mesmo artigo, encontramos a seguinte redação: “Os municípios poderão constituir guardas municipais para a proteção dos seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei”.

Essa lei não existia, passou a existir com a sanção presidencial do estatuto. Agora temos um dispositivo legal que regulamenta as atividades das guardas municipais.

Pode-se afirmar inclusive que o texto trata de atividade policial, por isso tem sido colocado por alguns juristas que a regulamentação criou uma nova polícia. A Polícia Municipal, que já existia em outros países, como Itália, Estados Unidos e Argentina.

Sobre qual polícia terá mais poder, essa hierarquia não existe, uma vez que as competências de cada uma delas estão estabelecidas. Não haverá conflitos, porque a lei define as atribuições dessas instituições.

BG – Hoje, o acesso às faculdades está mais fácil devido aos programas Prouni e Fies. O fato do guarda municipal estar cursando nível superior é suficiente para ele andar armado?

Daniel Sena – Não é suficiente. O nível superior não confere a ninguém a capacitação para portar uma arma de fogo. O que proporciona essa preparação é o curso de armamento e tiro, avaliações psicológicas e uma série de pré-requisitos estabelecidos pela Lei 10.826, comumente conhecida como o Estatuto do Desarmamento.

A partir do momento que o servidor atender todos os critérios, ele passará a ser um agente apto a portar e, se for necessário, utilizar uma arma de fogo.

BG – Como está o relacionamento da guarda municipal de Ilhéus com a administração Jabes Ribeiro? Não há um risco da guarda ser utilizada politicamente pelo prefeito, já que ela terá mais poder?

Daniel Sena – Eu prefiro falar sobre o risco da utilização política das guardas municipais pelos prefeitos, mas, me refiro a todos os municípios do país, não só no caso de Ilhéus. Esse risco existe, porém, é minimizado na medida em que essas instituições se orientam por critérios rigorosos de controle interno e externo.

O controle interno é feito pela própria corregedoria do órgão municipal. Também deverão ser criadas as ouvidorias, para que possam receber opiniões e críticas da sociedade. Paralelo a isso, teremos o controle externo exercido pelo Ministério Público. Os promotores fiscalizam as instituições e não será diferente com as guardas municipais.

LAUDO INOCENTA FABIO BARRETO DA ACUSAÇÃO DE TENTATIVA DE ESTUPRO, AFIRMA ADVOGADO

Fabio Barreto pode morrer dentro do presídio. Segundo Paulo Oliveira "armaram" contra o seu cliente.
Fabio Barreto pode morrer dentro do presídio. Segundo Paulo Oliveira “armaram” contra o seu cliente.

O Blog do Gusmão entrevistou o advogado criminalista Paulo Oliveira, responsável pela defesa de Fabio Barreto, preso no dia 23 de julho por tentativa de assassinato contra o estudante Igor do Carmo, membro do grupo Reúne Ilhéus.

Fabio Barreto também é investigado devido a uma suposta tentativa de estupro contra um menor,  e responde processos por lesões corporais.

Na entrevista, Paulo Oliveira rebate as acusações da delegada Andrea Oliveira contra o seu cliente, publicadas neste blog na última quinta-feira, dia 24.

Áudio gravado sexta-feira, 25 de julho.

Principais destaques:

Segundo o advogado, as testemunhas contrárias a Fabio Barreto integram o grupo Reúne Ilhéus e não agiram com isenção;

Paulo Oliveira fala que, possivelmente, um advogado do Reúne Ilhéus orientou as testemunhas;

Fabio Barreto nunca foi um santo, mas não deve ser julgado pelo histórico de confusões;

“Prisão foi arbitrária e lembra o tempo da ditadura militar”, afirma o defensor;

Um vídeo que inocenta;

“Fabio Barreto não é marginal, nunca se envolveu com drogas e jamais utilizou armas”;

Querem se vingar de Fabio Barreto com acusações infundadas;

Laudo “definitivo” da polícia técnica prova que Fabio Barreto não cometeu estupro. Menor deu um depoimento que altera o caso.

Advogado teme pela vida de Fabio Barreto que está isolado dentro do Presídio Ariston Cardoso. Presos juraram seu cliente.

Ouça a entrevista.

DELEGADA ANDREA OLIVEIRA DÁ DETALHES SOBRE A PRISÃO DE FABIO BARRETO

Delegada Andrea Oliveira. Imagem: Emílio Gusmão.
Delegada Andrea Oliveira. Imagem: Emílio Gusmão.

A prisão de Fabio Barreto rendeu várias mensagens de agradecimento, afirmou a delegada Andrea Oliveira durante entrevista ao Blog do Gusmão, na tarde dessa quinta-feira, 24.

Titular da 1º delegacia territorial da 7ª Coorpin de Ilhéus, Andrea Oliveira explica os motivos que fundamentaram o pedido de prisão preventiva acatado pela justiça criminal. Fabio Barreto é acusado de tentar matar o estudante Igor do Carmo, no dia 29 de março, em frente à Câmara de Vereadores de Ilhéus.

Fabio Barreto. Foto: Emílio Gusmão.
Fabio Barreto. Foto: Emílio Gusmão.

Principais destaques:

Delegada explica as provas e detalha o histórico de crimes do acusado;

Fabio Barreto também é acusado de tentativa de estupro contra um menor;

Andrea Oliveira explica por que grande parte da sociedade ilheense odeia Fabio Barreto;

A pressão dos estudantes pela apuração do crime contra Igor do Carmo;

Delegada pede que a sociedade acredite nas suas instituições e ressalta o bom trabalho da Polícia Civil;

Andrea Oliveira comenta o choro de Fabio Barreto ao ser preso.

Ouça a entrevista.

JABES E JOHN RIBEIRO TERIAM CONTRATADO FABIO BARRETO PARA OFENDER CARMELITA

Fabio Barreto. Foto: Emílio Gusmão.
Fabio Barreto: “Cansei de ser usado”. Foto: Emílio Gusmão.

A acusação é do suposto contratado, Fabio Barreto, durante entrevista “bombástica” ao Blog do Gusmão. Outros vereadores, inclusive da base governista, também teriam sido alvos dos ataques, a exemplo de Gurita e Dr. Jó.

Fabio pediu desculpas às vítimas das ofensas que disparou, supostamente, a mando dos irmãos Ribeiro. A Professora Carmelita (PT), ex-candidata a prefeita derrotada por Jabes Ribeiro em 2012, também teria sofrido ataques caluniosos.

Tentamos ouvir o prefeito sobre a grave acusação. JR disse que Fabio Barreto não tem credibilidade e, por isso, prefere não se manifestar.

Entrevistamos Fabio Barreto na manhã desta quarta-feira, 18, em Ilhéus.  Ele também negou a acusação do servidor municipal Igor do Carmo (o jovem ativista afirma que Barreto o esfaqueou “a mando de alguém”). Ouça. 

TORCIDA DO COLO-COLO É A TERCEIRA MAIOR DA BAHIA, DIZ WALTER TELLES

Walter Telles. Imagem: Thiago Dias.
Walter Telles. Imagem: Thiago Dias.

Após a final do campeonato baiano da segunda divisão, ontem no Estádio Mário Pessoa, o Blog do Gusmão entrevistou Walter Telles, presidente do Colo-Colo.

Durante a conversa, perguntamos sobre os planos da diretoria para firmar o clube ilheense na primeira divisão do futebol estadual.

Principais destaques:

“A cidade de Ilhéus ama o Colo-Colo”;

fora Jorge Amado, Gabriela e o cacau, o Colo-Colo é o motivo do ilheense ter alegria, afirma Walter Telles;

prêmios dos jogadores campeões serão pagos com cheques pré-datados;

as dívidas do clube;

Colo-Colo precisa se profissionalizar;

segundo a Federação Baiana de Futebol, a torcida do Colo-Colo é a terceira maior do estado (depois de Bahia e Vitória) e a primeira do interior;

uma grande torcida não é suficiente para manter um clube;

Walter Telles garante que o Colo-Colo terá o programa sócio-torcedor em 2015, na 1ª divisão. Ouça a entrevista.

ENTREVISTA COM EUGÊNIO SPENGLER: “IBAMA FOI CRITERIOSO EM RELAÇÃO AO PORTO SUL”

Eugênio Spengler. Imagem: José Nazal.
Eugênio Spengler. Imagem: José Nazal.

Eugênio Spengler assumiu a Secretaria Estadual de Meio Ambiente em abril de 2010. Na manhã dessa quarta-feira, 21, pela primeira vez ele esteve a poucos quilômetros de distância do Parque Estadual Serra do Conduru.

A unidade possui 9.275 hectares de Mata Atlântica situados nos territórios de Ilhéus, Uruçuca e Itacaré. Criado em 1997 pelo então Governador Paulo Souto, o parque tem problemas fundiários graves. Apesar dos 17 anos de existência, antigos proprietários de terras que hoje pertencem ao parque aguardam indenizações. Caçadores e madeireiros continuam atuando ilegalmente dentro do que deveria ser uma unidade de conservação integral.

O Parque Estadual Serra do Conduru é recordista em biodiversidade. Dentro dos seus limites há espécies endêmicas de plantas e animais, ou seja, que existem apenas nele. Além do mais, o PESC abriga animais ameaçados de extinção, como a irara, a lontra, o macaco-prego-do-peito-amarelo, o jacaré-do-papo-amarelo, a onça parda, além de aves raras como o mutum-do-sudeste e a harpia (Por que é importante salvar animais ameaçados de extinção? Leia aqui).

De volta a Eugênio Spengler, o Blog do Gusmão entrevistou o secretário em Serra Grande, após uma reunião dele com o Conselho Gestor do PESC. Segundo Salvador Ribeiro, secretário executivo do conselho, o encontro foi positivo (veja no final).

O Porto Sul, projeto que ameaça áreas remanescentes de Mata Atlântica da região, também motivou algumas perguntas.

Blog do Gusmão – O Parque Estadual Serra do Conduru tem um problema fundiário grave. Apenas 52% de sua área foi regularizada. Esse entrave vem se arrastando e o governo Wagner não conseguiu resolvê-lo, apesar de eleger essa região como pólo fundamental para o projeto desenvolvimentista do Porto Sul. O senhor trouxe uma boa nova para resolver essa situação? É possível resolvê-la até o final do governo Wagner?

Eugênio Spengler – Eu não creio que a gente consiga resolver 100% da questão fundiária em tão pouco tempo. O que nós estamos avançando na discussão do governo do estado é a compensação de passivos de reserva legal dentro das unidades de conservação. Nesse sentido, nós já tivemos uma reunião com a Petrobrás, que tem passivo de reserva legal no bioma Mata Atlântica. Eles manifestaram interesse em adquirir áreas ainda não regularizadas fundiariamente dentro do Parque Estadual Serra do Conduru. Além disso, agora com a definição do modo de operação da compensação ambiental, também nós teremos uma maior facilidade de adquirir essas terras, porque os devedores da compensação ambiental poderão fazer essa compra diretamente, transferindo a titularidade para o Estado.

SONY DSCEu não acho que a chegada da ferrovia e a instalação do porto, por si só, seja um problema que vai destruir a região. Eu acho que nós temos que ter uma atenção grande sobre como esse processo vai ocorrer.

BG – Fora a questão fundiária, comunidades do entorno continuam caçando e retirando madeira dentro da unidade. Falta monitoramento, guardas-parques que possam ter um trabalho mais rigoroso. Há também um questionamento sobre guardas-parques da região que, por terem vínculos com os moradores do entorno, não podem fazer um trabalho mais efetivo.

Spengler – Essa questão do guarda-parque ser das comunidades do entorno tem dois fatores: o risco de ter algum problema em relação a dificuldades com conhecidos, vizinhos, mas tem outro fator muito positivo, pois ele permite que a comunidade também se aproxime do parque, e entenda que tem alguém da sua localidade trabalhando, sustentando sua família. Nesse caso, o parque está gerando emprego para alguém do entorno.

Qualquer fator sempre vai ter, nessas questões, vantagens e desvantagens. Isso é natural, mas, nós entendemos que a utilização de mão de obra do entorno valoriza o parque e a comunidade. Esse é um entendimento que a gente tem como regra geral, o que não quer dizer que não possa ter situações que nos obriguem a tomar decisões diferentes.

Há também outro aspecto. Nós não vamos conseguir apenas com fiscalização e monitoramento controlar o roubo de madeira, a caça, e outras práticas indevidas dentro do parque. Nós precisamos ter uma política de valorização das atividades econômicas de quem vive no entorno, como o fortalecimento da agricultura familiar, práticas de educação ambiental e práticas de mobilização da comunidade. Precisamos diversificar a ação econômica, atividades culturais, de lazer, com as comunidades do entorno, para que as pessoas comecem a enxergar o parque como seu. O empoderamento, o sentimento de pertencimento é o principal fator de um respeito maior a essas questões. O parque é grande, tem muitas formas de chegar, colocar uma armadilha, matar um animal, cortar uma árvore e não ser percebido.

Bg – E como avançar nessas questões de maneira efetiva? O parque está perdendo área, está sendo suprimido lentamente.

Spengler – O que nós estamos fazendo é isso. Hoje foram apresentadas algumas questões. Por exemplo, por edital, nós queremos selecionar entidades da sociedade civil da região, para nos ajudar na gestão do parque, desenvolver atividades de gestão para melhoria da visitação e desenvolver esse tipo de trabalho com as comunidades do entorno.

O Estado conseguiu definir um modus de operação e administração do recurso da compensação ambiental. Então, através do conselho gestor e sendo apresentadas as demandas, nós gradativamente poderemos iniciar um processo de financiamento e fomento a essas iniciativas.

SONY DSCÉ importante salientar que o governo do estado está definindo uma política de manejo do cacau cabruca, justamente para termos investimentos e maior capacidade de produção dessa atividade agrícola, também florestal e cultural.

BG – Como está o processo de criação do novo Parque Estadual da Ponta da tulha?

Spengler – Nós teremos agora no dia 29 de maio a consulta pública, que é obrigatória por lei. Percorrido os trâmites legais de consulta pública e do tempo para opinião, será decretado o parque naquela unidade, naqueles 1700 hectares. A antiga área escolhida para o porto será decretada como parque estadual, formando um grande mosaico com a APA da Lagoa Encantada, o Parque do Conduru e a APA de Itacaré. Enfim, a gente vai avançar para ter uma política de mosaicos de unidades de conservação.

BG – Nesse novo parque a área já foi indenizada, mas, há uma invasão.

Spengler – Grande parte da área já foi regularizada. O Estado já pagou. Temos algumas pendências, mas estamos resolvendo. Nós receberemos uma área regularizada. A Casa Civil e a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano estão tratando as questões das invasões.

BG – O senhor é uma figura respeitada entre os pesquisadores. Tem uma trajetória e já trabalhou no Ministério do Meio Ambiente. O Sul da Bahia detém parte significativa do que ainda resta da Mata Atlântica, mesmo assim, será alvo de um projeto desenvolvimentista que vai colocar em risco o pouco que ainda temos desse bioma. O senhor não se sente frustrado? Isso não lhe causa desconforto?

Spengler – Não. Primeiro, eu não acho que a chegada da ferrovia e a instalação do porto, por si só, seja um problema que vai destruir a região. Eu acho que nós temos que ter uma atenção grande sobre como esse processo vai ocorrer, e quais são as condições e seguranças que deverão ser adotadas para que ele contribua para o desenvolvimento da região, e não seja apenas um problema. Esse é um aspecto. É importante salientar que o governo do estado está definindo uma política de manejo do cacau cabruca, justamente para termos investimentos e maior capacidade de produção dessa atividade agrícola, também florestal e cultural. O cacau cabruca reúne três aspectos, para nós consolidarmos isso. Presta um serviço ambiental importante, garante conectividade entre remanescentes florestais e serve como corredor de biodiversidade. Então, na verdade, não é só porto que está sendo olhado, não é só a ferrovia que está sendo olhada, existe toda uma dinâmica sendo estruturada com o envolvimento da CEPLAC, no sentido de recuperarmos e dinamizarmos a cadeia do cacau. Isso também vai possibilitar a dinamização e a recuperação da cadeia da indústria moveleira na região, se nós tivermos capacidade de organizar.

Eu entendo que o porto causa impactos negativos, mas, também tem impactos positivos, e nós temos a capacidade de entender isso como uma oportunidade, no sentido de garantir uma maior preservação dos nossos ativos ambientais.

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Eu discordo que não tenha sido utilizada base científica e dados científicos. Discordo que os conhecimentos da área de botânica e da área de biodiversidade marinha não tenham sido ouvidos. Mesmo assim, respeito a opinião da senadora Marina Silva.

BG – A ex-ministra Marina Silva, numa entrevista coletiva dada aqui na região, disse que estudiosos e pesquisadores não foram adequadamente ouvidos sobre a localização ideal do Porto Sul. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Spengler – Eu posso dizer o seguinte: o IBAMA foi extremamente criterioso em relação ao licenciamento do Porto Sul.

BG – Mas houve forçação política.

Spengler – Sempre vai ter demanda política, porque a questão do desenvolvimento não é apenas uma peça técnica de orientação, é também parte de um processo político de desenvolvimento, de atração de investimentos e dinamização da economia. Entretanto, todos os aspectos econômicos, ambientais e de desenvolvimento foram considerados. Todos os estudos levantados foram considerados. O que o estudo ambiental não considerou, no primeiro momento, foi considerado depois por demanda e pressão da sociedade e por instituições tipo ministério público e universidades.

E repito. O IBAMA foi extremamente criterioso na análise dessa licença. Mais do que isso, o presidente nacional do IBAMA, o doutor Volnei Zanardi Júnior, disse que o Porto Sul serve como parâmetro na análise de licenciamentos. O IBAMA entende que o processo de licenciamento desse porto contribuiu para melhorar, e melhorar muito o projeto. Inclusive, o IBAMA indicou que a área inicial da Ponta da Tulha não era segura, por isso foi apontada como alternativa locacional uma segunda área, que está sendo estudada e ainda está em processo de análise, mas já tem licença prévia e terá a licença de instalação. Eu não acompanho diretamente isso, mas, acho que o governo do estado vai entregar nos próximos meses o pedido de licença de instalação do porto.

Eu discordo que não tenha sido utilizada base científica e dados científicos. Discordo que os conhecimentos da área de botânica e da área de biodiversidade marinha não tenham sido ouvidos. Mesmo assim, respeito a opinião da senadora Marina Silva.

BG – E se de repente um pesquisador encontrar recifes de corais em Aritaguá, como foi encontrado em Ponta da Tulha? isso não vai colocar o processo de licenciamento em risco?

Spengler – Pode. Se for encontrado, pode colocar em risco o processo de licenciamento. O Ibama vai ter que fazer uma análise e dizer se tem que inviabilizar a instalação do empreendimento, ou se tem que ser compensado com alguma situação em outro lugar. Isso é da competência do órgão ambiental, assim como nós fazemos quando analisamos processos de licenciamento pelo estado.

O Blog do Gusmão também entrevistou o engenheiro florestal Salvador Ribeiro, secretário executivo do Conselho Gestor do Parque Estadual Serra do Conduru. A avaliação do encontro com Eugênio Spengler foi positiva. Ouça.

ELIANA CALMON ELOGIA MUDANÇAS NO TJ-BA E DEFENDE A LIBERDADE DE IMPRENSA

Eliana Calmon durante entrevista ao BG.
Eliana Calmon durante entrevista ao BG. Imagem: Juliana Rocha.

Durante entrevista ao Blog do Gusmão na última sexta-feira 02, a ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Ministra Eliana Calmon, comentou as interferências do CNJ no Tribunal de Justiça da Bahia.

Ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon elogiou a gestão do Desembargador Eserval Rocha na presidência do TJ, principalmente em relação ao corte de despesas.

Pré-candidata ao senado pelo PSB, a magistrada discorreu sobre o hábito de alguns juízes de 1ª instância, useiros e vezeiros na aplicação de “censura prévia” em veículos e profissionais de imprensa.

Ela manifestou posição contrária à prática da mordaça judicial e expôs as ações que desenvolveu no CNJ para instruir os seus colegas de toga.

Eliana Calmon disse que a magistratura nacional desconhece a importância da imprensa como ferramenta de trabalho.

Ouça a entrevista gravada na Faculdade de Ilhéus durante o encontro regional do PSB.

PORTO SUL: MARINA DIZ QUE ESTUDIOSOS E AMBIENTALISTAS NÃO FORAM OUVIDOS ADEQUADAMENTE

Bebeto Galvão, Lídice da Mata , Eduardo Campos, Marina Silva e Eliana Calmon durante a coletiva.
Bebeto Galvão, Lídice da Mata, Eduardo Campos e Marina Silva durante a coletiva.

Nessa sexta-feira 02, o ex-governador Eduardo Campos e a ex-ministra Marina Silva concederam entrevista coletiva à imprensa do eixo Ilhéus-Itabuna.

Na Faculdade de Ilhéus, os dois presidenciáveis comentaram temas importantes para o Sul da Bahia.

Principais destaques.

Porto Sul. Segundo Marina, governos estadual e federal não ouviram adequadamente estudiosos e ambientalistas. Dilma abriu mão da gestão ambiental integrada.

Eduardo e Marina querem revitalizar a Ceplac. Eles não possuem uma fórmula pronta, mas estão dispostos a ouvir.

Aécio Neves não considera o candidato do PSB como adversário. Eduardo e Marina pensam diferente.

Eduardo Campos não quer aliança com o velho cacique José Sarney, mas em Pernambuco tem como aliado Inocêncio Oliveira (acusado de trabalho escravo).

Eduardo Campos fala sobre compromissos com a região cacaueira.

Os caçadores de índios tupinambás do PSB de Ilhéus.

Ouça a entrevista.

AÉCIO NEVES, ACM NETO E GEDDEL COMENTAM A CANDIDATURA DE PAULO SOUTO

A oposição, enfim, unida.
A oposição, enfim, unida. Imagem e áudio: Ascom Democratas.

Nesta segunda-feira 14, a oposição fez o lançamento oficial da pré-candidatura de Paulo Souto (DEM) ao governo da Bahia. O ex-deputado Joaci Góes (PSDB) é o pré-candidato a vice da chapa. Geddel Vieira Lima disputará uma vaga no Senado. O evento aconteceu no Sheraton Hotel da Bahia, em Salvador.

Ouça as entrevistas de Aécio Neves, Acm Neto, Geddel Vieira Lima e Paulo Souto sobre a chapa dos partidos de oposição.

PRESIDENTE DO CONSELHO DE EDUCAÇÃO RESPONDE A JABES: “DESUMANO É INICIAR O ANO LETIVO EM OUTUBRO”

Reinado Soares: documentação farta que prova os erros da secretaria de educaçãoReinaldo Soares, a decisão do conselho está fundamentada nos erros da secretaria de educação
Reinaldo Soares: documentação farta que prova os erros da secretaria de educação.

O Blog do Gusmão entrevistou o professor Reinaldo Soares, presidente do Conselho Municipal de Educação, conselheiro que deu o voto de “minerva” para a anulação do ano letivo de 2013, nas escolas municipais de Ilhéus que só foram ter aulas a partir de outubro.

O Prefeito de Ilhéus afirmou que a decisão do Conselho Municipal de Educação, votada e aprovada no dia 18 de dezembro, é desumana.

Formado em História, com mestrado em Cultura e Turismo pela UESC, Reinaldo Soares, 44 anos, durante entrevista concedida ontem (sexta-feira, 03), a este blog, respondeu a Jabes Ribeiro:

“Desumano é você iniciar o ano letivo em outubro. Desumano é não oferecer transporte escolar e fazer com que as crianças percorram de 5 a 6 km a pé. Desumano é liberar os alunos para os professores fazerem planejamento, que é direito dos professores (obviamente), mas o governo deveria criar condições para que os alunos não fossem liberados. Desumano é nem sequer disponibilizar diários de classe para as escolas, coisa que nunca ocorreu em Ilhéus. E no ano letivo de 2013 nem diário de classe houve nas escolas, o que houve foi improviso, Xerox, impressões de cada escola, sem nenhum critério específico para garantir a lisura de um documento tão importante”.

Principais destaques:

Atenção pais de alunos! Reinaldo Soares revela os nomes das escolas que tiveram o ano letivo anulado;

secretaria de educação propôs reposição de aulas sem alunos nas salas;

escolas liberavam alunos nas sextas-feiras para que os professores fizessem planejamento;

secretaria de educação apresentou dados “incongruentes”, sugerindo a este blog de que foram burlados;

o Conselho de Educação foi severo no desgoverno Newton Lima/PT ?

Como Reinaldo Soares, representante de uma escola privada, tornou-se presidente do Conselho?

Qual prefeito criou a lei que permite ao Conselho de Educação anular o ano letivo? Jabes, Valderico ou Newton?

Há seriedade e falta de gestão na SEDUC?

Reinaldo Soares compara as escolas de Ilhéus com as de outros municípios;

governo de Jabes permite que 45 professores fiquem fora das salas de aulas, à disposição da secretaria;

Faltam técnicos na secretaria de educação?

Jabes Ribeiro e a postura que não lembra um estadista.

O confronto entre o sindicato dos professores (controlado pelo PT) e o governo Jabes;

a secretária Marlúcia Rocha abriu mão da técnica para fazer só política?

Ouça a entrevista.

PREFEITO REPETITIVO, BLOGUEIRO DESMOTIVADO

Jabes entre Paixão Barbosa e Cacá Colchões: "tudo será como antes amanhã".
Jabes entre Paixão Barbosa e Cacá Colchões: “tudo será como antes amanhã”. Imagem: Emílio Gusmão.

Por Emílio Gusmão

Depois de retornar de Vitória da Conquista, onde assisti um show de Milton Nascimento em praça pública, este inquieto blogueiro foi até o Palácio Paranaguá ouvir as “boas novas” do prefeito de Ilhéus.

Ontem, dia 23, Jabes Ribeiro concedeu mais uma entrevista coletiva à imprensa.

O discurso foi o mesmo, decorado ao longo do ano: a esculhambação nos governos de Valderico Reis e Newton Lima, os servidores municipais não terão reajuste, podem ocorrer demissões, a solução é o pacto federativo, a crise regional, ameaças aos sindicatos e velhas promessas dos governos estadual e federal (supostos R$ 400 milhões em investimentos).

O “long play” de JR só tem o lado A. Na visão dele, Ilhéus não tem alternativas. Provavelmente, 2014 será muito semelhante a 2013. O prefeito tentará fazer que os sindicatos engulam uma política de redução de salários, sem direito a contestações sobre despesas com cargos comissionados e secretários.

Desmotivado, pedi um novo discurso, sem retórica e com boas perspectivas. O prefeito insistiu na repetição como modo de convencimento e tentou discutir a natureza de cada olhar diante da sua gestão.

Ouça.