Ex-alunos lançam livro em comemoração aos 50 anos de ingresso na EMARC

O memorialista José Rezende Mendonça é um dos autores do livro. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Os ex-alunos da EMARC, Fernando Berti Sanjuan e José Rezende Mendonça, lançarão o livro “Foi Assim: Memórias de 20 estudantes que passaram pela Escola Média de Agropecuária Regional da CEPLAC (EMARC), de Uruçuca, no período de 1969/1971”.

No livro constarão depoimentos de ex-diretores, ex-professores, de ex-alunos, memórias e relatos do dia-a-dia da EMARC com fotografias de acervo.

A Associação dos Técnicos de Fiscalização Federal Agropecuária do Estado da Bahia (ATEFFA) participou do patrocínio para a edição do livro, que já está no prelo, aos cuidados da Via Litterarum Editora.

O livro será lançado na reunião de comemoração dos 50 anos de ingresso da turma de técnicos agrícolas da EMARC/1969-1971, que ocorrerá nos dias 6 e 7 de setembro, em Ilhéus.

As comemorações do Golpe de 1964 e o futuro do Brasil

Por Julio Gomes.

A nação brasileira teve, na semana passada, a inusitada notícia de que, por determinação do atual Presidente da República, o Ministério da Defesa – e portanto, as forças armadas – deveriam voltar a comemorar a data de 31 de março de 1964, quando foi desencadeado o golpe militar que derrubou o governo do então presidente João Goulart e instalou no Brasil uma ditadura que duraria por 21 anos.

A comemoração do golpe, que já foi chamado de Revolução de 1964, havia sido excluída do calendário oficial de comemorações das forças armadas, e do Estado brasileiro, por ordem da Presidente Dilma Rousseff, no ano de 2011.

O retorno das comemorações determinado por Bolsonaro, que chegou a ser suspenso por meio de uma decisão liminar de uma Juíza da 6ª Vara da Justiça Federal em Brasília, deferida a requerimento da Advocacia Pública da União, acabou sendo posteriormente autorizado em virtude da decisão de uma desembargadora da Justiça Federal.

A comemoração do golpe de 1964 ainda é uma ferida aberta na sociedade brasileira. Sem dúvida acirra ânimos, soa como provocativa e inconveniente no delicadíssimo momento em que vive o Brasil. Parece que os problemas que temos são poucos, e que por isso fomos em busca de mais alguns.

Hoje, com a consciência que temos acerca da História e dos valores humanos, a comemoração de algumas datas deveria de fato ser revista, ou pelo menos ter seu caráter modificado, moderado e ressignificado.

Ao invés de comemorar o Dia D, data do desembarque das tropas aliadas na Normandia em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial; ou a rendição incondicional das tropas alemãs para os comunistas em Stalingrado, em 1942 – a primeira derrota imposta ao até então invencível Exército nazista – seria muito mais inteligente e sensato comemorarmos o dia 08 de maio de 1945, data em que a Guerra terminou na Europa, ou o 02 de setembro, data oficial do fim do conflito no Oriente, que marcou o fim do pesadelo chamado Segunda Guerra Mundial, estancando o desastre que ceifou cerca de 70 milhões de vidas.

Nada temos a comemorar com relação ao golpe de 31 de março de 1964, e menos ainda quanto ao que ocorreu depois dele: prisões, deportações, exílio, cassações, luta armada, atentados, sequestros, torturas, execuções. Se é certo que nada disso deve ser jamais esquecido, igualmente certo é que também não deve ser comemorado, por nenhum dos lados, por ninguém.

Se devemos comemorar algo, vamos então juntar o país e celebrar o retorno do país à Democracia, marcado em datas como as de aprovação e realização de eleições diretas para Presidente, a de Convocação e eleição direta da Assembleia Nacional Constituinte, a posse do primeiro Presidente eleito ao fim da ditadura mediante o voto direto do povo e, sobretudo, o dia 05 de outubro de 1988, data em que foi promulgada a atual Constituição Federal – democrática, moderna, garantista, cidadã – que marca o retorno ao Estado de Direito, à Democracia, ao império, mesmo que frágil, das leis, em direção a um futuro promissor de paz, desenvolvimento econômico e busca de inclusão social.

Esta deve ser a pauta para o futuro: inclusiva, solidária, positiva. Sem esquecer, porém sem jamais comemorar tudo aquilo que tanto nos infelicitou.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

A VOADORA DE ERIC CANTONA EM UM FASCISTA

Da Iconografia da História, no facebook.

No dia 25 de janeiro de 1995, o futebol inglês viveu um incidente que ficou marcado na história da Premier League. Expulso no empate por 1 a 1 entre Crystal Palace e Manchester United, o atacante francês Eric Cantona reagiu à provocação de um torcedor e, correndo na direção das arquibancadas, deu uma voadora em um jovem hooligan chamado Matthew Simmons. 

Simmons era filiado ao National Front, grupo considerado fascista e ao partido nacionalista britânico, tinha um histórico de violência, incluindo caso em que atacou um técnico de time após ter sido chamado de “lixo nazista” (nazi scum). O torcedor agredido estava provocando Cantona com ofensas xenófobas por ser estrangeiro.

Em entrevista para o jornal BBC, quando perguntado sobre o melhor momento de sua carreira, o craque declarou:

“Foi quando dei o chute kung fu em um hooligan, porque este tipo de gente não tem nada o que fazer em um jogo. Acredito que é um sonho para alguns dar um chute neste tipo de gente. Assim, eu fiz por eles, para que ficassem felizes. E eles falam até hoje sobre isso. Eu já vi muitos jogadores marcando gols e todos eles sabem a sensação. Mas esta, de pular e chutar um fascista não é algo que você encontra todos os dias.”

COMEÇAM HOJE AS COMEMORAÇÕES PELOS 102 ANOS DA PIEDADE

Capela da Piedade. Imagem: Thiago Dias/Blog do Gusmão.

Com a uma mesa-redonda sobre o tema: “Refletindo sobre família e valores,” serão abertas as comemorações dos 102 anos do Instituto Nossa Senhora da Piedade. As atividades prosseguem até sábado, 15, quando o colégio vai estar com as suas portas abertas para receber a população em geral em seu dia de “Responsabilidade Social”.

A mesa-redonda desta terça-feira, 11, às 19 horas, no auditório principal, terá as palestras: “Autoridade na família: respeito e diálogo, as drogas e violência”; “Adolescência, transformações e desafios”; “Elementos externos que atingem as famílias, colocando crianças e jovens em situação de vulnerabilidade”, aberta aos pais, alunos, professores e a comunidade em geral.

A programação prossegue na quarta-feira, 12, com abertura do tríduo na capela Nossa Senhora da Piedade, às 18 horas continuando quinta, 13, e sexta-feira, 14, com o tema destacando a “Bem-aventurada Maria, Virgem Piedosa, Mãe e Intercessora”.

Piedade: 102 anos em serviço

Sábado 15, a partir das 8 horas, o portão do estacionamento vai estar aberto para receber a população em geral. Nestes 102 anos de fundação o Instituto Nossa Senhora da Piedade avança na sua missão de servir e educar jovens de Ilhéus e região, com excelência, carisma e muito amor.

Para comemorar e celebração a este dia, o colégio, em parceria com diversas empresas e voluntários, num trabalho em mutirão, vai atender as demandas da população em diversas áreas, com serviços gratuitos de vacinação, fisioterapia, biomedicina, enfermagem, gastronomia, psicologia, atendimento odontológico, assistência social, educação física, música, beleza, cursos técnicos, educação superior, segurança do trabalho, segurança doméstica e primeiros socorros.  A programação será encerrada com uma missa campal às 14 horas.

Doação de Sangue

Também, para comemorar os 102 anos o colégio Instituto Nossa Senhora da Piedade, está em busca de 102 doadores de sangue, de qualquer tipo. Esta campanha tem o objetivo de beneficiar o Hemocentro da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus.

Em todas as atividades, às religiosas ursulinas, diretores, professores alunos, funcionários e país estão participando de forma ativa e voluntária.

Texto: Ascom Piedade.

O QUE BUSCAREMOS NAS CINZAS?

Por Elisabeth Zorgetz.

Já está feito. Já pegou fogo. Quer que faça o quê?

É uma pergunta verdadeiramente importante, a despeito do desprezo e incompetência nela contidas. Uma vez compreendida (inclusive internacionalmente) à exaustão a inflamável combinação de baixo orçamento e depreciação institucional de cima para baixo, cabe completarmos a pergunta capciosa. “Quer que faça o quê (para que nunca mais aconteça)”?

Então comecemos pelo mais simples e indispensável. Vamos conhecer o museu. O que está encoberto pela grossa camada de trabalho, tristeza e cinzas. O museu tem muitas histórias. Não tenho habilidade ou pré-requisitos suficientes para contá-las aqui. Muitos dos museus no Ocidente iniciaram seus trabalhos como coleções particulares, uma expressão da opulência de famílias e instituições ricas. A Galleria degli Uffizi, em Florença, quando surgiu em 1581, foi um espaço privado de exibição da coleção da família Medici. Ludovica, último membro da família assim conhecida, legou a maior parte do seu conteúdo ao estado da Toscana, dois séculos mais tarde, considerando-os um bem público inalienável. Por todos os grandes centros europeus, as coleções de história natural exibiam sua peculiaridade, mas também serviam de vitrine da sofisticação de seus proprietários. Salões de curiosidades apresentavam espécimes exóticos ao lado de artefatos, em variadas tentativas de classificar o mundo conhecido. Eram amostras da diligência perniciosa do colonialismo, que colocava a sociedade branca no cume da civilização e encarava outros lugares, povos e culturas como inferiores e exploráveis.

Correntes ideológicas diversas e muita história de contribuições políticas radicais e reformadoras alteraram ao longo dos anos o significado e valor social do museu. Embora não tenham começado como tal, os museus hoje são um bem público, ainda que alguns ainda sejam instituições privadas. Seu fortalecimento gradual foi acompanhado do progresso científico, da valorização e desvalorização de determinados campos do saber, de novos conceitos, movimentos da humanidade e o célere desenvolvimento da virtualidade. A chegada do último século tornou evidente como a tecnologia havia se apossado de um amplo espectro da vida e colocado em risco o prestígio do patrimônio histórico, e sobretudo os museus, como espaços irrelevantes. Estes espaços e seus profissionais, contudo, adotaram rapidamente mecanismos de sobrevivência para rejuvenescer ou reinventar o museu: digitalização, simulação eletrônica, ambientes virtuais, exposições interativas e inúmeras outras inovações foram oferecidas como dispositivos de acesso ao conhecimento. O saldo institucional universal foi positivo nesse processo, e os museus incrementaram seu significado social e cultural. Contudo, as desigualdades em que esse desenvolvimento ocorreu são gritantes, principalmente para aqueles que trabalham com patrimônio cultural e ciência lidando com orçamentos decrescentes, cortes, encerramento de programas e austeridade voraz.

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ENTREVISTA DO DIRETOR DO MUSEU NACIONAL, ALEXANDER KELLNER, SOBRE O INCÊNDIO

Vídeo encontrado em O Eco.

Entrevista do diretor do Museu Nacional concedida ontem, segunda-feira, 03. Alexander Kellner responde às perguntas dos jornalistas sobre a penúria do Museu, o descaso do governo e sobre o futuro. A entrevista foi postada na página do Le muséologue, no Facebook.

O Museu Nacional pegou fogo na noite de domingo, 2, em São Cristóvão, Rio de Janeiro.

ARQUIVO HISTÓRICO DA CÂMARA DE ILHÉUS É RECUPERADO

Foto: Ascom/Câmara de Ilhéus.

Quando assumiu a presidência da Câmara de Vereadores de Ilhéus em janeiro de 2017, Lukas Paiva encontrou o Palácio Teodolino Ferreira em péssimas condições e com ambientes insalubres.  

Dentre as melhorias realizadas pelo atual presidente e pela mesa diretora, destacamos a recuperação do arquivo histórico do legislativo ilheense.

Nele está a memória documental da Câmara de Vereadores, com grande parte de suas leis e atos camerais ao longo de várias décadas.

A recuperação comandada pelo vereador Makrisi (1º secretário da casa), em parceria com o Centro de Documentação e Memória Regional (Cedoc) da UESC, catalogou e limpou documentos, colocando-os num ambiente adequado.

Além dos documentos perdurados, a organização vai facilitar o trabalho dos servidores do próprio legislativo e o acesso dos pesquisadores.

Espera-se que a partir do novo arquivo, sejam evitadas votações de projetos de leis já existentes, erros comuns quando começam as novas legislaturas.

Recomendamos que o trabalho caminhe também para a digitalização.

ILHÉUS COMEMORA SUA PADROEIRA NESTA QUARTA-FEIRA

Painel de NSV pintado por Rildo Foge. Foto: Jonildo Glória.

Reportagem: Jonildo Glória.

Católicos de Ilhéus celebram nesta quarta-feira, 15, data em que é comemorada a Assunção de Nossa Senhora, a festa em louvor a Nossa Senhora das Vitórias, padroeira da cidade de Ilhéus. Este ano a festa começou no dia 6 com o tema “Bem aventurada a virgem Maria, mãe e intercessora”. As novenas serão celebradas, até o dia 14, às 19 horas.

Para o dia 15, a celebração festiva terá inicio às 7 horas com Missa das Intenções, às 10 horas Missa Solene, às 16 horas caminhada de fé, pelas ruas do bairro Teresópolis e do centro da cidade. Após o retorno ao Santuário, situado na Ladeira Nossa Senhora das Vitórias, no Teresópolis, a festa será encerrada com a benção do Santíssimo Sacramento.

Neste ano nacional do laicato (conforme estabelecido pela CNBB), o Santuário Nossa Senhora das Vitórias está passando por uma requalificação graças a iniciativa da professora e médica Monica Moura Costa. Toda a parede lateral da Igreja, ao lado do portão principal do cemitério recebeu a pintura do artista Rildo Moreira (Rildo Forge), que consiste num mosaico sacro com imagens referentes a Assunção de Nossa Senhora.

Também, o ferreiro Militão (frequentador da Missa dos homens, celebrada no Santuário, às 19 horas das quintas-feiras), fez a recuperação de todo gradil do pátio externo e da frente da Igreja. Para isso foi necessário a reconstrução de parte do muro existente. Essa mesma área foi pintada de branco. Toda a alameda principal do cemitério teve o piso de cimento restaurado e receberá tinta-piso verde. Os jardins laterais da Igreja receberam tratamento pela senhora Vânia Albagli.

Para efetivar o investimento, Monica Moura Costa, mandou confeccionar as “fitinhas de Nossa Senhora das Vitórias” que estão sendo vendidas ao preço de um real cada. Essas fitas poderão ser amarradas, pelos fieis, no gradil externo. Nesta área será instalado um acendedor de velas, onde as pessoas, a qualquer hora possam fazer as suas orações com os seus pedidos. “Trata-se de um local ideal para se colocar na presença de Deus. Lugar de beleza indescritível,” ressalta o padre Paulo Brandão. Para a reforma do telhado e da Igreja, Monica Moura Costa, espera autorização e captação de parceiros.

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ESCRITORES LANÇAM LIVROS DURANTE SEMANA DE CULTURA JORGE AMADO

Jorge Amado. Imagem: internet.

Os escritores Cyro de Mattos, Gérson dos Anjos, Gustavo Felicíssimo, José Maria Soares e Geraldo Magela participam do lançamento coletivo de livros promovido pela Secretaria de Cultura de Ilhéus, em parceria com a editora Mondrongo, nesta quinta-feira (9). A solenidade, que faz parte da programação da Semana de Cultura Jorge Amado, acontece na Casa de Cultura Jorge Amado, às 19 horas.

As obras literárias dos autores convidados são “Todo o peso terrestre”, de Cyro de Mattos; “Carta a Rubem Braga”, de Gustavo Felicíssimo; “Natalino, o homem que jogou na loteria”, de José Maria Soares; “Imagens”, de Gerson dos Anjos; e “Igreja Nossa Senhora da Escada”, de Geraldo Magela.

Aniversário – A programação em homenagem a Jorge Amado, no dia 10 de agosto, data de aniversário de nascimento do escritor, inclui a entrega do prêmio do concurso de crônicas de Gabriela, 17 horas e a Tenda de Jorge, espaço destinado à divulgação da sua obra, instalado em frente à Casa de Cultura, no centro histórico de Ilhéus, das 9 às 18 horas.

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TVE EXIBE DOCUMENTÁRIO “AS HISTÓRIAS DE WALDIR PIRES”

A TVE exibe na próxima segunda-feira, 02, às 21h45min, um documentário sobre o ex-governador da Bahia, Waldir Pires, que faleceu aos 91 anos no último dia 22, em Salvador. O filme “As histórias de Waldir Pires”, dirigido por Clauder Diniz e produzido por João Gollo conta a história de um dos políticos mais influentes da Bahia e que ocupou diversos cargos públicos. 

Um dos poucos personagens da história política que testemunharam os principais fatos do século XX no Brasil, Waldir Pires foi deputado federal durante o governo Juscelino Kubitschek, consultor-geral no governo de João Goulart, exilado político, ministro da Previdência de Tancredo Neves e, a partir do ano 2000, foi novamente deputado federal e ministro de Lula nas áreas de Defesa e da Controladoria-Geral da União. O político foi um dos últimos funcionários do alto escalão do governo a deixar o Palácio do Planalto no golpe militar de 1964.

O documentário conta detalhes da deposição do presidente Jango e a luta pela reconquista dos direitos políticos em plena vigência do AI-5, o período mais violento da ditadura militar. O político baiano foi também o principal adversário de um dos mais fortes representantes da política do Nordeste, Antônio Carlos Magalhães, a quem derrotou na disputa pelo governo baiano em 1986.

“As histórias de Waldir Pires” terá reapresentação no domingo (08), às 18h, e poderá ser acompanhado também pelo Portal (www.tve.ba.gov.br/tveonline).

Com informações ASCOM-IRDEB/TVE.

TRIBUTO AO ESTADISTA WALDIR PIRES

Waldir ao lado de Napoleão
Waldir Pires ao lado do saudoso Napoleão Marques durante um comício realizado em Ilhéus, em 1982. Nesse ano, Waldir foi candidato ao senado federal e perdeu as eleições para Luiz Viana Filho. Nesta imagem do arquivo pessoal de Francisco Silva (filho caçula de Napoleão Marques) aparece um cartaz de Jabes Ribeiro, candidato a Prefeito de Ilhéus em 1982, ano de sua primeira vitória.

Esse artigo foi publicado no dia 19 de fevereiro de 2015.

Em homenagem ao grande Waldir Pires, que faleceu nessa sexta-feira, 22 de junho de 2018, decidimos publicá-lo novamente. 

Por José Henrique Abobreira

Abobreira.
Abobreira.

Conheci pessoalmente o Professor Waldir Pires logo após a decretação da anistia política com o retorno dos exilados ao país, em 1979. Por intermédio de Jabes Ribeiro, fora levado a proferir uma palestra para os estudantes da FESPI, hoje UESC. Saí impressionado com a exposição do professor a respeito da conjuntura e sua análise da estratégia para travar o enfrentamento democrático contras as forças do atraso e das trevas ditatoriais, na Bahia representadas pelo carlismo vivo, atuante e malvado.  Fui conhecê-lo como tribuno ímpar, o maior que conheço até hoje, meses depois, num comício organizado por Carlinhos Pereira, amigo e militante esquerdista do Mr8, na associação 19 de março em Ilhéus, evento em favor da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, que contou com a participação das estrelas da oposição encasteladas no velho MDB das lutas populares e democráticas do Brasil. Participaram Waldir Pires, Miguel Arraes e Jorge Hage. Chico Pinto não pode participar, o MDB de Ilhéus avaliava que tiraria votos de Jorge Viana, então deputado federal, na sua base.

Lá pela meia noite, terminado o ato, me dirigi para casa a pé. Já tinha ultrapassado o horário de funcionamento do transporte público, e não percebi a longa distância que percorri, da Avenida Itabuna ao Pontal, matutando o que tinha ouvido dos líderes democráticos. Fiquei impressionado com o discurso de Waldir Pires e ao chegar em casa perdi o sono com as palavras dele martelando nos meus ouvidos. Sim, era preciso reorganizar a Nação Brasileira sob outros moldes políticos, encerrando aquele ciclo ditatorial vigente há vinte anos. Era preciso botar o povo na rua reivindicando uma Assembléia Constituinte e as eleições diretas para presidente da República. E assim tomei Waldir Pires como o meu guia político e decidi mergulhar de cabeça na militância político-partidária com a convicção, baseada no exemplo de Waldir, de que as mudanças só ocorrerão se todos derem um pouco de colaboração na vida pública e na luta política de nossa cidade, do nosso estado e do Brasil.

A campanha de 1986 ao governo do estado da Bahia com Waldir encabeçando a chapa das oposições fora uma campanha cívica e eleitoral memorável. As multidões paravam a comitiva do candidato a governador em todos os rincões do estado. Queriam ouvir uma palavra, uma mensagem de esperança por tempos melhores. No que pude, acompanhei a maioria dos comícios aqui na região. Em Itabuna vi o dia amanhecer na Praça Adami aguardando os principais oradores.  Waldir e Ulysses Guimarães falaram para uma multidão. Em Ilhéus e toda a região não foi diferente, as pessoas choravam de emoção com a fala do DoutorWaldir lembrando as atrocidades praticadas pelo “carlismo” na Bahia.

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DOCUMENTO DA CIA SOBRE GEISEL É PERTURBADOR

Do Blog de Marcelo Rubens Paiva no portal do Estadão.

Imagem: Estadão.

Geisel entrou para a História como o ditador que controlou os excessos da “tigrada”.

Depois da morte sob tortura nos porões do Exército (DOI-Codi) do diretor de jornalismo da TV Cultura, Wladimir Herzog, em 1975, e do operário Manuel Fiel Filho, em 1976, Geisel exonerou o general Ednardo D’Ávila Mello, comandante do II Exército.

Mais tarde, demitiu o general de linha-dura, Sylvio Frota, anunciou a política da Abertura, retirou os censores dos jornais e extinguiu o AI-5.

No entanto, o pesquisador brasileiro da FGV, Matias Spektor, encontrou um documento da CIA que contesta a imagem de bom pastor do ex-presidente.

É a primeira vez que aparece um documento que associa os nomes de Geisel e do general João Figueiredo em comandos de execução de presos políticos (“subversivos”).

O memorando de 11 de abril de 1974 que William Egan Colby (diretor da CIA entre 1973 e 1976) enviou ao Secretário de Estado, Henry Kissinger, tem um título nada sutil:

“Presidente brasileiro Ernesto Geisel decide continuar execução sumária de subversivos sob certas circunstâncias”.

Num texto curto de seis parágrafos, alguns deles ainda “not desclassified” (não liberados), o diretor relata que, em 30 de março de 1974, Geisel se reuniu com os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Danton de Paula Avelino, do Centro de Inteligência do Exército (CIE), e o general João Baptista Figueiredo, do Serviço Nacional de Inteligência (SNI).

Exatos 15 dias depois de tomar posse (15 de março de 1974).

Ouviu que o Brasil não poderia ignorar a “ameaça subversiva terrorista”.

O general Milton Tavares contou que métodos ilegais foram empregados contra “subversivos perigosos”, e que 104 pessoas foram sumariamente executadas pelo CIE nos últimos anos, diz a CIA.

Figueiredo apoiou a continuidade desse tipo de combate à subversão.

Segundo relatório da CIA, “em 1 de abril, o presidente Geisel disse ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que cuidados deveriam ser tomados para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados.”

No décimo aniversário do Golpe de 64.

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UFSB SEDIA DEBATE SOBRE ÍNDIOS BAIANOS

Diálogos Indígenas

Nos dias 03 (terça-feira) e 04 (quarta-feira) de abril, a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) vai realizar o evento “Diálogos Indígenas, a luta dos povos baianos pela existência”.

O evento é realizado por estudantes, com apoio institucional da Pró-Reitoria de Sustentabilidade e Integração Social (PROSIS).

A conferência vai reunir no Campus Jorge Amado, em Itabuna, lideranças indígenas com o objetivo de reconhecer os saberes tradicionais destes povos e fomentar o debate em torno das causas indigenistas. Os participantes vão discutir temas como: demarcação de terras, educação e direitos dos povos indígenas. 

As atividades estão marcadas para as 14 horas no turno vespertino e, 18 horas, no noturno.  As práticas serão abertas à toda comunidade e contará com emissão de certificados para os participantes.

CORREÇÃO: RADIALISTAS OSWALDO BERNARDES E WALDENY ANDRADE FORAM VEREADORES EM ILHÉUS ANTES DE GIL GOMES

Waldeny Andrade (à esquerda). Foto: Foto: Portal Sul da BA. Oswaldo Bernardes (à direita). Foto: vigilanciaeresistencia.com.br.
Waldeny Andrade (à esquerda), foto: Portal Sul da BA. Oswaldo Bernardes (à direita) foto: vigilanciaeresistencia.com.br.

No último 3 de outubro, este blog errou ao afirmar que Gil Gomes será o primeiro radialista (que vive do rádio) a exercer mandato na Câmara de Vereadores de Ilhéus. Antes de Gil, Waldeny Andrade foi empossado em 1969 após sair das urnas como 1º suplente. Conforme o próprio Waldeny, ele foi cassado pela ditadura militar por ter sido considerado comunista e subversivo.

Segundo o apresentador e jornalista Gerdan Rosário, o radialista Oswaldo Bernardes, proprietário da antiga Rádio Jornal de Ilhéus (hoje Santa Cruz) também foi eleito vereador. Gerdan não precisou o ano da eleição, mas afirmou que Bernardes também vivia do rádio.

AS NARRATIVAS POPULISTAS NA DEMOCRACIA

FOTO REINALDO JORNALPor Reinaldo Soares.

Narrativa é uma exposição de fatos, uma narração, um conto ou uma história que se desenvolve em torno de um enredo e tema, conduzidos por um personagem. Na história política contemporânea, a narrativa como forma de instrumentalizar e legitimar o poder começou com Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista.

Frases como “uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade” e “ nós não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito” tornaram  Goebbels o grande responsável pela expansão e consolidação da ideologia nazista nas décadas de 1930 e 1940, além de precursor do marketing político tão utilizado hoje em dia.

Referindo-se ao populisno, o cientista político italiano Noberto Bobbio, conceitua que essa forma de fazer política tem o povo como “fonte principal de inspiração e termo constante de referência”. Ele acrescenta que o populismo se apresenta messiânico e “busca sua sobrevivência ou preservação em formas carismáticas, em intérpretes quase sagrados da vontade e do espírito do povo”.

Diante desse contexto, a adolescente democracia brasileira tem vivenciado construções de narrativas para justificar ou desconstruir interesses e ações dos grupos políticos protagonizadores do processo político nacional.

Com a primeira eleição de Lula na Presidência da República, a primeira grande narrativa foi construída com objetivo de consolidar o imaginário coletivo em torno de um retirante nordestino, operário, homem do povo que assumiu o alto poder e depois de Getúlio Vargas, tornava-se o grande messias, chegando a ser chamado pelo Presidente Barack Obama de “o cara”. O líder se orgulhava que seu primeiro diploma foi de Presidente da República.

Grandes avanços sociais foram alcançados neste período e com eles surgiu a narrativa “nunca antes nesse país”. Esta narrativa objetivava consolidar a construção do mito do presidente operário, dividindo a história política brasileira em antes e depois dele, fazendo parte de concepções messiânicas que permeiam os regimes populistas.

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