CABO JONAS O MAIOR CONTADOR DE “CAUSOS” E LOROTAS DO PONTAL

cabo jonas

abobreira artigoPor José Henrique Abobreira

Ele nasceu e se criou na aldeia do Pontal e, muito tempo depois, mudou-se de armas e bagagens para o Banco da Vitória e foi ídolo popular nesses dois locais. Por onde passou espalhou os seus causos engraçados, lorota pura.  Pensem num sujeito multi-facetado, pau pra toda obra, de comentarista carnavalesco na Rádio Baiana, a eletricista, pedreiro, encanador, capoeirista, açougueiro, marujo das lanchas e besouros na travessia Ilhéus-Pontal, árbitro de futebol, treinador, compositor, pai de santo e puxador de bloco afro e o mais prazeroso mentiroso, como o definiu o contador das “estórias de Banco da Vitória, historiador Roberto C.Rodrigues no seu livro “Causo e prosa de Banco da Vitória”. Sim, ele existiu e era conhecido no velho Pontal do São João da Barra como o cabo Jonas, militar reformado da Aeronáutica (na verdade era outra mentira bem contada por ele. Trabalhou no campo de aviação e ocupou o cargo de cabo de turma, mas no convívio com os militares da FAB tomou gosto pela patente e auto-intitulou-se Cabo Jonas, da reserva da Aeronáutica).

Muito inteligente e astuto tinha uma larga lista de amizades com gente granfina da localidade e, para demonstrar prestígio e intimidade junto aos bacanas os chamava intimamente de neném na vista de todos, além dos abraços e tapinhas nas costas. Cabo Jonas era um porreta.

A sua ginga no andar  era um misto de pança de dançarino e jogador de capoeira, era um cara invocado, manso e conversador com os amigos que aplaudiam as suas lorotas, mas valente como ninguém quando abespinhado. Quando menino, de manhã cedo a perambular pelas ruas arenosas do Pontal, me deparei com uma cena insólita: em fila indiana caminhavam o cabo Jonas na frente, segurando com um pano  na mão esquerda o braço direito, na altura do ombro por onde surgia um filete de sangue. No meio vinha o soldado Zé Luiz, sub delegado do Pontal, conduzindo coercitivamente o cabo Jonas e logo atrás um jovem  trajado com paletó e gravata, protestando em altos brados contra a violência do policial. Descobri que o PM tinha baleado o cabo Jonas e me impressionei com a atitude altaneira deste, mesmo baleado mas de cabeça erguida, desafiador (o jovem engravatado, viria a saber depois, já adulto, era o conhecido jornalista Paulo Lima-Índio) de Itabuna. Curioso, como toda criança, acompanhei o séquito que se dirigia à delegacia, na rua onde atualmente moro, onde Jonas foi jogado numa pequena cela. O soldado Zé Luiz, num Pontal com zero ocorrências policiais, naquela época, costumava afirmar sua autoridade, ameaçando furar a bola de crianças que jogavam futebol na areia das ruas pontalenses. Nesse dia ele tentou furar a bola de uma criança em frente ao açougue do cabo Jonas, este se enfureceu, reclamou, e partiu pra cima do PM. No rabo de arraia aplicado o soldado caído, já com a arma na mão deflagrou um tiro, felizmente só lhe atingiu de raspão.

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ESQUERDA VERSUS DIREITA

jose eli da veiga (1)Por José Eli da Veiga/publicado hoje no jornal Valor

A importância da contradição entre esquerda e direita tenderá a diminuir no longo prazo? Perdão decepcionar quem faz essa aposta, ou conta com isso, mas as evidências disponíveis sugerem que a resposta negativa seja a hipótese mais plausível. Nem tanto devido a claras manifestações atuais de seu vigor (nas eleições do Canadá e dos EUA, por exemplo), mas principalmente porque fica cada vez mais claro que essa polarização é de natureza antes de tudo cultural e determinada por fatores que mal começam a ser descobertos pela pesquisa em ciência política.

Origens remotas

Em sociedades antigas a direita foi sistematicamente associada ao bem, à limpeza, à luz e à masculinidade. No cristianismo, o filho de Deus sempre esteve de seu lado direito, e na última ceia Cristo colocou à direita seu apóstolo favorito, João. Além disso, a contraposição entre “os caminhos da direita e da esquerda” faz parte de todos os esoterismos, dos mais antigos aos mais novos, das mais antigas magias à maçonaria, passando por todos os gnosticismos. E em quase todas as línguas direito é o que é certo e bom, enquanto esquerdo evoca sobras (inglês), coisas confusas (francês) ou sinistras (italiano). Em português algo errado pode ser chamado de canhestro, jamais de destro.

Não é de estranhar, portanto, que nos regimes absolutistas os nobres tanto se empenhassem em ficar à direita de seu rei, jamais à sua esquerda. Também não foi por mero acaso, portanto, que diante da Assembleia dos Estados Gerais, reunida em 1789 no Hôtel des Menus­Plaisirs, de Versalhes, Luís XVI tenha posicionado, logo abaixo de si, uma ala à esquerda formada pelas mulheres que não poderiam herdar o reino, e outra à direita com os homens que eram seus potenciais sucessores.

Foi em nítida manifestação de inércia evolucionária, portanto, que os representantes do Terceiro Estado, ao instalar a Assembleia Nacional, nem pestanejaram em disponibilizar os assentos da direita à nata da aristocracia e do alto clero, enquanto ocupavam os da esquerda, acompanhados de alguns raros nobres e expoentes do baixo clero.

Tal arranjo só mostrou o seu real impacto simbólico quando a assembleia começou a tomar decisões sobre direitos humanos e a adotar regras constitucionais sobre o poder de veto do soberano. Processo que logo deixou evidente que nada se mostrava viável sem a adesão e o engajamento de centristas. Eles se tornaram o fiel da balança, em incontornável “ménage à trois”.

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A MORTE DO AMIGO LUIS EDUARDO PRECIPITOU O CALVÁRIO DE JABES RIBEIRO.

Luis Eduardo Magalhães (falecido em abril de 1998) e Jabes Ribeiro.
Luis Eduardo Magalhães (falecido em abril de 1998) e Jabes Ribeiro.
Abobreira.
Abobreira.

Por José Henrique Abobreira

Em primeiro lugar quero esclarecer aos meus leitores que nesse relato não tenho a intenção de jogar pedras, nem sou movido por qualquer ressentimento passado na minha relação política  com Jabes. Até porque a política é assim mesmo, junta e aproxima, depois afasta e separa numa dinâmica própria dos acontecimentos. É um processo. Nesses últimos tempos, Jabes e eu estivemos em campos opostos, mas sempre administramos as divergências sem perdermos de vista o respeito pessoal, o espírito público e os interesses maiores da sociedade. Tanto foi assim, que nos reaproximamos politicamente em 2012, nas eleições municipais, em prol da reorganização de Ilhéus que fora devastada pelo tsunami Valderico/Newton Lima. Na montagem do novo governo, Jabes convidou-me para ocupar uma secretaria municipal, mas, recusei por razões de saúde.

Mas vamos aos fatos que testemunhei presencialmente durante a campanha de 1996, quando Jabes e eu vencemos as eleições de prefeito e vice, e, depois de eleitos, no governo. Vejo um filme passando no sentido inverso, me permitindo resgatar aqueles momentos históricos.

Ainda na campanha, Nelson Simões (liderança do PT ilheense nos anos 80 e 90) me alertara, dizendo que nos comícios somente eu batia em ACM. Ele achava que Jabes tangenciava o tema. Postura estranha para um candidato de oposição ao governo estadual. Na véspera da eleição, um fato não se encaixou bem na minha mente. No comitê eleitoral da campanha recebemos a visita do coronel designado pelo governador para o comando da segurança do pleito na região. ACM e seus seguidores não permitiam esses arroubos de cortesia para com os adversários.

Já no governo, o pessoal do PT vivia a repassar mensagens de deputados da legenda em Brasília, de que Jabes era figura carimbada no gabinete do deputado Luis Eduardo Magalhães, sempre que ia a Brasília tratar de assuntos do interesse da municipalidade. Eu não ligava muito para essas notícias que pretendiam me alarmar, pois o meu foco era concentrado no trabalho de organização das forças produtivas e na arregimentação dos trabalhadores em organizações associativistas, principalmente na zona rural, mas também na cidade. As minhas ações no governo seguiam as resoluções Internas aprovadas nos sucessivos congressos nacionais do PT. O êxito alcançado por esse trabalho foi objeto de editorial de primeira página numa das edições do jornal “A REGIÃO”, com a matéria intitulada “PT-PURO TRABALHO”, elogiando o meu desempenho e os projetos em favor dos trabalhadores.

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NAPOLEÃO MARQUES, UM SOCIALISTA HISTÓRICO EM ILHÉUS

Da esquerda para a direita: Miguel Arraes, Napoleão Marques e Teotônio Vilela.
Da esquerda para a direita: Miguel Arraes, Napoleão Marques e Teotônio Vilela durante um comício realizado em Ilhéus, no início da década de 80. Imagem do arquivo pessoal de Francisco Silva (filho de Napoleão Marques).

Por José Henrique Abobreira

O conheci apresentado pelo amigo Florisvaldo Nonato, o Florinho, filho do portuário Ciro Nonato e irmão de Flory-Quito. No seu consultório de dentista, no oitavo andar do Edifício Cidade de Ilhéus, funcionava o “bunker” dos esquerdistas e democratas da resistência à ditadura em Ilhéus.

Escrevo sobre Napoleão Marques, que atendia  à fina flor da burguesia dos cacauicultores no seu consultório de ortodontia mas, diferentemente do perfil de sua clientela, era um profissional liberal  progressista, de ideal e convicção política avançados, um autêntico socxialista. Por ser fazendeiro, além de profissional liberal renomado, tinha livre trânsito na elite de Ilhéus. A esquerda se aproveitava dessa proximidade com Napoleão para escapar das garras da pressão policial sobre as atividades de militância clandestina.

Um pedido seu sempre era atendido pelo delegado de polícia Lulu Carneiro, que liberava a meninada presa pela Federal  em razão de andarem distribuindo o jornal HORA DO POVO, aos trabalhadores em todo o centro da cidade de Ilhéus. Florinho, Quito, Carlinhos Pereira, Jorge  Anunciação eram fregueses certos dos camburões, ou, das inúmeras carreiras de policiais quando distribuíam o jornal clandestino do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro).

O funcionário da sua fazenda, conhecido como Higino, foi um dos primeiros militantes do movimento dos sem terra na região e militante fundador da CUT. Esse vínculo se constituía num fato sem precedentes. Um fazendeiro respeitar a militância política do funcionário. Napoleão era assim, uma ilha de resistência e igualitarismo, num mar de conservadorismo.

Ao tomar posse do governo da Bahia, no início de 1987, Waldir Pires rompeu com o presidente da república, José Sarney. Esse fato, levou Antonio Carlos Magalhães (ministro das comunicações da Nova República e gente da cozinha do Sarney) a tentar promover um governo paralelo na Bahia, boicotando o envio de verbas e convênios para o estado. Waldir reagiu prontamente, e aqui  em Ilhéus, como em todo o estado,acompanhamos o governador Pires e promovemos o FORA SARNEY.

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MARCELO MENDONÇA, OS JESUÍTAS E OS ÍNDIOS

Marcelo Medonça: a aristocracia que ignora a história.
Marcelo Medonça: a aristocracia que ignora a história.

O antropólogo mambembe Alcides Kruschewsky, porta-voz e idealizador de preconceitos contra os índios Tupinambás (correto no plural segundo Antônio Lopes) tem formado alunos.

Há cerca de um mês, o empresário Marcelo Mendonça, conhecido representante da aristocracia ilheense e comodoro do Iate Clube, questionou um cacique Tupinambá no programa O Tabuleiro, de Vila Nova.

“Se vocês são índios por que perderam suas tradições?”, perguntou Marcelo Mendonça.

A indagação encontra respostas na história. A região de Olivença recebeu um aldeamento jesuíta por volta de 1680.

Como agiam os padres de Cristo em relação à cultura dos índios?

No livro “A Ferro e Fogo – A História e a Devastação da Mata atlântica Brasileira”, o historiador norte americano Warren Dean, um brasilianista respeitado em nossas academias, cita Luiz Felipe Baeta Neves, autor da obra “O combate dos soldados de cristo na terra dos papagaios”.

“Os jesuítas combatiam os cultos dos tupis para destruir a força de seus competidores, os curandeiros, que exaltavam as virtudes da virilidade e bravura, atributos extremamente inadequados a uma casta conquistada. Os jesuítas desejavam também afirmar a separação entre o divino e o natural. Optaram por identificar o deus cristão com um espírito remoto e sem culto, tupã, o trovejador, e aviltaram os espíritos da floresta, que caracterizavam, indiscriminadamente, como diabos. Assim, a Mata Atlântica se tornou a morada do diabo, uma metáfora conveniente para aqueles que receavam e pretendiam eliminá-la”.

Essa é uma das respostas que pode aliviar a dúvida de Marcelo Mendonça, capaz de livrá-lo do achismo e de lugares-comuns, caso ele se disponha a abrir mão da intransigência.

Fica a dica de leitura.

HISTÓRIA: DITADURA MILITAR CONCLUIU QUE BRIZOLA ERA HONESTO

Leonel Brizola.
Leonel Brizola.

Do Blog de Mário Magalhães

De 18 de fevereiro de 1970 a 22 de abril de 1971, no decorrer de 429 dias, uma comissão criada pela ditadura esquadrinhou exaustivamente o patrimônio do então exilado Leonel de Moura Brizola (1922-2004). Com declarações de Imposto de Renda, extratos de contas bancárias e registros de imóveis urbanos e rurais à mão, a subcomissão gaúcha da Comissão Geral de Investigação (CGI) concluiu que os bens do ex-governador do Rio Grande do Sul eram compatíveis com sua renda. A investigação foi arquivada e, implicitamente, a ditadura chancelou a honestidade de um dos seus mais figadais inimigos.

Em 1964, o ex-governador Brizola era deputado federal pelo governista Partido Trabalhista Brasileiro, mesma agremiação de João Goulart, seu cunhado. Como o presidente, Brizola foi cassado pela ditadura (1964-85) nascida com o golpe de 1º de abril. Ele insistiu na resistência aos golpistas, mas não convenceu Jango. Ficaria no estrangeiro até a anistia, em 1979. Em 1982, elegeu-se governador do Rio de Janeiro, Estado que voltaria a administrar ao triunfar no pleito de 1990.

A apuração sobre o patrimônio de Brizola consta de um processo de 18 páginas, hoje sob guarda do Arquivo Nacional. A revelação histórica é de autoria do repórter Guilherme Amado, no jornal “O Globo”. O fac-símile integral da documentação pode ser lido clicando aqui.

Leia mais.

A HISTÓRIA FEITA COM CORAGEM, HONRA E GENEROSIDADE.

carlos-pereiraPor Carlos Pereira Neto

Gracias La Vida é o título do livro, o autor é Cid Benjamim, hoje jornalista, na década de 1960 foi destacado líder estudantil e guerrilheiro, era dirigente do MR8, sendo um dos principais arquitetos e executores do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick. O sequestro foi romanceado no livro “O Que é Isso Companheiro?”, de Fernando Gabeira. No Gracias a La Vida não há versão, é a realidade crua, não existe tentativa de valorização de atos pessoais, mitificação, e muito menos renegação do passado. Com memória prodigiosa, distanciamento crítico e um texto impecável, Cid narra e reflete sobre fatos e um período em que viveu e foi protagonista. Faz autocrítica da opção pela luta armada, mas demonstra as razões da escolha, o clima da época, a abnegação e o heroísmo de jovens (alguns velhos também) na reação a um regime ditatorial e assassino. Erro político mas luta legítima.

Cid foi preso e barbaramente torturado, teve um comportamento exemplar, ninguém caiu em razão de sua queda, pelo contrário, dentro da prisão ainda contribuiu para libertar companheiros. Mas ele não se autovaloriza e procura refletir as razões humanas de tamanha resistência à dor, generoso, procura também compreender os que não foram tão duros e firmes (“a pior dor é a dor da alma”), e, sem maniqueísmos, na linha de Hanna Arendt no livro “Eichmann em Jerusalém”, sem desconsiderar que existiam torturadores sádicos e psicopatas, demonstra o simplismo de pensar que todos assim eram. Não, a maioria eram burocratas capazes de naturalmente exercerem os seus ofícios e logo após irem para casa jantar com a família, eram mesmo bons amigos, pais e maridos.  É a banalidade do mal.

É uma observação importante diante de nossa formação social escravagista e de uma República nada republicana, onde o histórico de violações aos direitos humanos é uma rotina e a igualdade de aplicação das leis uma quimera. O STF, lamentavelmente, ao estender a anistia aos torturadores e assassinos de presos políticos não contribui para que a tortura seja abolida na rotina das prisões brasileiras.

O livro não se resume a narrativa do período da lua armada, é um livro de memória e reflexão, trata do golpe de 64, do exílio, das lutas da esquerda no mundo, da volta, da fundação do PT, do Lulismo e trata do hoje. Esperanças e decepções, a cada nova queda, um novo recomeço. Não é um livro de aposentado, é um livro de quem não desiste de lutar

Ao ler Gracias a la Vida, recordei o  “Valeu a Pena” de Apolônio de Carvalho. É uma vida de quem faria diferente, se tivesse tal possibilidade, mas não mudaria o objetivo. Cid escreve bem, resume em si o estilo de Graciliano Ramos, muita economia de palavras e poucos adjetivos, “o caso como ele é”, e um humor Machadiano. É um baita escritor.

Além da orelha, do prefácio (muito bons, a primeira de Cristina e Leandro Konder e o segundo de Milton Temer) da apresentação, de dois anexos e uma cronologia, são treze capítulos em média com 22 páginas, num total de 292. Se ler de uma sentada.

De jeito modesto, o autor se auto define como “um especialista em generalidade”, em verdade, do modo como interpreta a vida, é um especialista em generosidade: “duro, mas sem perder a ternura”.

Cada capítulo é encimado por um aforismo ou versos, dentre eles há um de Oscar Wilde: “Chamamos de ética as coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando. Chamamos de caráter as coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando”. Além de generoso, Cid Benjamim tem caráter.

É livro de leitura imprescindível para quem quer saber em primeira mão sobre a história da luta e da resistência armada à ditadura civil-militar. Mas também é um instrumento de luta para o presente e o futuro. Leiam o livro!

Carlos Pereira Neto é professor da UESC e advogado.

SEIS ANOS DA CASSAÇÃO DE VALDERICO REIS

Valderico Reis.
Valderico Reis.

Hoje, dia 29 de agosto de 2013, a cassação do ex-prefeito de Ilhéus, Valderico Reis, completa seis anos.

Por 12 X 1, a Câmara de Vereadores presidida por Alisson Mendonça (PT) cassou o então mandatário. O motivo (na verdade a gota d’água) foi o não repasse dos recursos do legislativo (duodécimo). Apenas o então vereador Rodolfo Macedo votou contra.

O Blog do Gusmão foi testemunha ocular. Acompanhamos toda a sessão, encerrada por volta das 2 horas da madrugada. Momentos depois, publicamos um vídeo com o resumo.

Com o passar do tempo, o fato sugere múltiplas interpretações. A cassação de Valderico ascendeu Newton Lima ao topo.

Deixe o seu comentário. A história não para.

“INDEPENDÊNCIA NÃO SE FAZ COM GRITO”, ENTREVISTA COM O PROFESSOR ARLÉO BARBOSA SOBRE O 2 DE JULHO

2 de julho

Arléo Barbosa.
Arléo Barbosa.

Essa entrevista foi publicada no dia 02 de julho de 2010. Vale a pena repeti-la.

Conversamos nesta manhã (sexta-feira/02) com o professor e historiador Carlos Roberto Arléo Barbosa, que nos concedeu uma explicação sucinta e ao mesmo tempo rica, sobre a importância do 2 de julho para a história do Brasil e da Bahia.

Arléo desmistifica o 7 de setembro e o grito “Independência ou Morte” de D Pedro I. Segundo ele, o país tornou-se independente através das lutas travadas na Bahia  e não da frase emblemática dita pelo primeiro imperador, “às margens do Ipiranga”.

Vale a pena ouvir o significado de algumas personalidades humildes que se transformaram em heróis da nossa história.

 

 

O BAÚ DO ABOBREIRA

Continuamos a série “O baú do Abobreira” com imagens históricas da política ilheense, copiadas dos álbuns fotográficos do ex-vereador e ex-vice-prefeito de Ilhéus, José Henrique Abobreira.

O ex-deputado Fernando Gabeira, militante ecológico e defensor da liberação da maconha esteve conosco em 1997, quando eu exercia as funções de Secretário de Desenvolvimento Econômico no município de Ilhéus. Antecipou em décadas, naquela ocasião, a visão a respeito da idéia de certificação do CACAU SELO VERDE em decorrência da conservação produtiva da MATA ATLÂNTICA, agregando valor ao comércio de amêndoas e proporcionando o surgimento de um polo chocolateiro gourmet justamente pela diferenciação do terroir. Gabeira aqui também antecipou em décadas a luta pela liberação/legalização do uso da maconha. A sua vestimenta e os calçados que usava eram todos elaborados com o cânhamo a fibra da maconha, sua esposa tinha uma boutique em Copacabana RJ que comercializava esses artigos(dei a foto ontem de Gabeira a Gusmão para soltar no blog-coluna O BAÚ DO ABOBREIRA, cobrem dele a publicação).
O ex-deputado Fernando Gabeira (PV), militante ecológico e defensor da liberação da maconha, esteve conosco em 1997 quando eu exercia as funções de Secretário de Desenvolvimento Econômico do município de Ilhéus. Naquela ocasião, antecipou em décadas a ideia de certificação do CACAU SELO VERDE, em decorrência da conservação produtiva da MATA ATLÂNTICA. O objetivo é agregar valor ao comércio de amêndoas, proporcionando o surgimento de um polo chocolateiro gourmet, justamente pela diferenciação do terroir. Gabeira também antecipou em décadas a luta pela liberação/legalização do uso da maconha. A sua vestimenta e os calçados que usava eram todos elaborados com o cânhamo da fibra da maconha. Sua esposa tinha uma boutique em Copacabana, Rio de Janeiro, onde comercializava esses artigos. Texto: José Henrique Abobreira. Na foto, além de Gabeira e Abobreira, aparecem o deputado federal Jutahy Junior (PSDB) e o prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro, que exercia o 2º mandato.

O BAÚ DO ABOBREIRA

O Blog do Gusmão continua a série “O baú do Abobreira” com imagens históricas da política ilheense, copiadas dos álbuns fotográficos do ex-vereador e ex-vice-prefeito de Ilhéus, José Henrique Abobreira.

Festival do Peixe da Lagoa Encantada, assinatura de convênios para liberação de tanques-redep/gerar emprego e renda moradores, peixamento da lagoa com meio milhão de alevinos, construção de atracadouros p/fomentar turismo. Na foto Rui Rocha, Sergio Barbosa presidente Ilheustur, , Jabes e o tomador de whisky. 1998.
Festival do Peixe da Lagoa Encantada realizado em 1998.  Da esquerda para a direita aparecem o Professor Rui Rocha, Sérgio Barbosa (na época presidente da Ilhéustur), Jabes Ribeiro (no 2º mandato) e José Henrique Abobreira (vice-prefeito).

WALDENY ANDRADE CONCLUI O LIVRO “VIDAS CRUZADAS (CONFISSÕES DE UM ENFERMO)”

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O Mestre Waldeny Andrade.

O jornalista e radialista Waldeny Andrade concluiu o livro Vidas Cruzadas (Confissões de um enfermo). Com cerca de 280 páginas, a obra está em fase de editoração.

As tramas do livro são narradas em terceira pessoa e acontecem em Ilhéus e Itabuna, entre os anos de 1957 a 1969, final da era dos “coronéis do cacau”.

O livro, uma espécie de “flash-back”, mistura fatos históricos e ficção sobre dramas reais cobertos por Waldeny no início de sua carreira profissional.  As histórias se interligam para um final surpreendente ao leitor.

Um pouco da trajetória do Waldeny Andrade.

Em 1969, como 1º suplente, assumiu o mandato na câmara de vereadores de Ilhéus, mas foi cassado pelos militares que o consideraram comunista e subversivo; foi responsável durante 29 anos pela direção geral da Rádio Jornal de Itabuna e do Diário de Itabuna; recebeu 8 troféus Imprensa do Cacau, como melhor comentarista político e melhor diretor de rádio e jornal do Sul da Bahia.

O BAÚ DO ABOBREIRA

A partir de hoje, o Blog do Gusmão lança a série “O baú do Abobreira” com imagens históricas da política ilheense, copiadas dos álbuns fotográficos do ex-vereador e ex-vice-prefeito de Ilhéus, José Henrique Abobreira.

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Vereadores governistas da legislatura 1997 a 2000, acompanhados de Jabes Ribeiro (prefeito eleito pelo PSDB) e José Henrique Abobreira (vice-prefeito eleito pelo PT). Da esquerda para a direita, em pé: Pastor Jonas, José Cruz, Joabs Ribeiro, Loyola (do Banco da Vitória), Bezerra, José Henrique Abobreira, Jabes Ribeiro, Francisco Sampaio, Nizam Lima. Sentados: Gildo Pinto, Professor Rodolfo, Ana Margarida, Maria de Lurdes (da Rua da Horta), Jailson Nascimento e Alisson Mendonça. Na época, a Câmara de Vereadores de Ilhéus possuía 19 vagas. Não aparecem nessa foto os parlamentares Cosme Araujo, Raimundo Borges, Cacá da Etesi, Romualdo Pereira, José Fernandes e Álvaro Simões.

Comentários jocosos.

Abobreira fazia jus ao apelido “cara de papeira” bolado por um menino da Cidade Nova. Joabs era o magrão de fato. Francisco Sampaio sentia-se confortável com Jabes. O experiente vereador Nizan Lima já acumulava os pedidos de “impeachment” contra Antonio Olímpio e Jabes feitos na câmara em mandatos diferentes. Jabes Ribeiro não chorava tanto como hoje. Jailson Nascimento, espaçoso, pressionava as pernas de Maria de Lurdes e Alisson (semblante de seminarista).

O PASSADO ATORMENTA

Circula pelo facebook denúncia feita pelo governo do ex-prefeito Valderico Reis (cassado pela câmara), em dezembro de 2005, sobre um suposto rombo deixado pelo prefeito Jabes Ribeiro no seu penúltimo governo encerrado em 2004
Circula pelo facebook denúncia feita pelo governo do ex-prefeito Valderico Reis (cassado pela câmara em setembro de 2007), no Jornal Agora, datada em dezembro de 2005, sobre um suposto rombo deixado pelo prefeito Jabes Ribeiro na sua penúltima gestão, encerrada em 2004.  A publicação tem sido disseminada por militantes do PT que auxiliavam o fracassado ex-prefeito Newton Lima. O momento histórico do surgimento dessa acusação torna necessário que ela seja analisada com muito critério. Valderico foi símbolo do antijabismo. Por outro lado, o próprio Jabes admite que responde a muitos processos. Sendo assim, a opinião pública merece ser esclarecida sobre os desdobramentos desse fato.

O NOVO LIVRO SOBRE CARLOS MARIGHELLA

Por Denise Rollemberg

Capa do livro. Valor R$ 46,00.

Para o pesquisador do tempo presente, seja ele historiador ou jornalista, o desafio de escrever uma biografia de um personagem como Carlos Marighella é enorme.

As razões são muitas. A principal envolve as confusões que embaralham história e memória, como diria o historiador Henry Rousso. Vencidas as ditaduras e restabelecida a democracia, a tendência da sociedade é lembrar o passado recente buscando, por um lado, afastar-se de qualquer relação com o regime anterior; por outro, glorificar aqueles que lutaram contra ele.

Nesse percurso, as contradições e as ambivalências próprias a indivíduos e sociedade desaparecem e as versões mitificadas prosperam, apaziguando consciências, idealizando aqueles que não se submeteram.

Nos dois casos, a memória construída pouco tem a ver com a história.

Mário Magalhães
enfrentou o desafio. As mais de 700 páginas do livro são resultado de uma pesquisa de notável fôlego. Entre história e memória, desconstruiu alguns mitos, reafirmou outros.

Um avanço considerável quanto à tendência da maior parte dos estudos acerca da luta armada e de seus revolucionários refere-se à natureza do combate: ao enfrentar a ditadura teriam lutado pela democracia ou visavam à reconstrução de outra ordem que não àquela existente desde o fim do Estado Novo?

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