Cacique Babau denuncia suposto plano para matar membros de sua família

Cacique Babau. Fotos: Emilio Gusmão.

Reportagem de Rubens Valente na Folha de São Paulo traz denúncia do Cacique Babau, da tribo Tupinambá da Serra do Padeiro, em Buerarema, sobre um suposto plano de fazendeiros da região para assassinar alguns de seus parentes.

Babau pediu proteção para sua família ao Governo da Bahia e ao Ministério Público Federal. A informação sobre o plano lhe foi passada em janeiro passado por uma fonte dos índios. Conforme a versão, fazendeiros, policiais civis e militares discutiram uma forma de montar uma incriminação falsa relacionada ao tráfico de drogas, como também, uma troca de tiros para matar três irmãos do Cacique e duas sobrinhas.

As drogas e as armas seriam plantadas nos carros do indígenas, após uma blitz, para depois serem divulgadas em emissoras de rádio e TV da região.

Babau não quis denunciar as Polícias Civil e Militar, mas sim, alguns infratores que integram as corporações e fazem parte do plano.

A reportagem na íntegra está neste link.

O Blog do Gusmão foi o primeiro veículo de comunicação do sul da Bahia que entrevistou o Cacique Babau. Predomina na maior parte da imprensa regional uma posição política alinhada a alguns grandes fazendeiros, contrária e preconceituosa com o povo Tupinambá. O BG decidiu dar voz à luta dos índios e ouvir também os pequenos agricultores.

Recorde a entrevista gravada em abril de 2013

ALBA RECEBE MOÇÃO DE APLAUSOS POR ENTREGAR COMENDA AO CACIQUE BABAU

Cacique Babau e o deputado Marcelino Galo (PT). Foto: Daniel Ferreira.

Quarenta entidades ligadas aos movimentos: sociais, ambientalistas e de universidades assinaram uma moção de aplausos a Assembleia Legislativa da Bahia pela entrega da Comenda 2 de Julho ao Cacique Babau, Tupinambá da Serra do Padeiro, que vai receber nesta sexta-feira, 30, às 9h, a mais alta condecoração concedida pelo Poder Legislativo do Estado. A homenagem é proposta pelo deputado estadual Marcelino Galo (PT).

“Não temos dúvida de que a decisão unânime dos parlamentares baianos foi norteada por tudo que o homenageado representa para a luta dos povos indígenas do Brasil na defesa do seu território tradicionalmente ocupado e o sentido mais profundo da relação que os povos indígenas nutrem com a natureza. O reconhecimento da luta do Cacique Babau extrapola as fronteiras do país”, observa trecho da nota.

O documento recorda que em 2014 Cacique Babau foi convidado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Papa Francisco para um encontro no Vaticano, quando entregou um documento sobre a violação dos povos indígenas brasileiros às autoridades religiosas. “O Cacique Babau merece, a ALBA decidiu e o título será entregue com os aplausos de todos os Movimentos Sociais e daqueles e daquelas que se vinculam à luta dos povos da terra”, enfatiza as entidades.

“Nossos parentes indígenas são, em geral, relegados ao lugar de quem reivindica, muitas vezes criminalizados ou vítimas da violência social e sobretudo institucional do Estado, sem que nos demos conta de que são, antes de todos nós, construtores desta Nação, e, por isso mesmo, devem ser tratados com o respeito, as honrarias e toda deferência que merecem”, afirma Galo, ao ressaltar que o Brasil tem uma “dívida histórica” com a população indígena.

UFSB SEDIA DEBATE SOBRE ÍNDIOS BAIANOS

Diálogos Indígenas

Nos dias 03 (terça-feira) e 04 (quarta-feira) de abril, a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) vai realizar o evento “Diálogos Indígenas, a luta dos povos baianos pela existência”.

O evento é realizado por estudantes, com apoio institucional da Pró-Reitoria de Sustentabilidade e Integração Social (PROSIS).

A conferência vai reunir no Campus Jorge Amado, em Itabuna, lideranças indígenas com o objetivo de reconhecer os saberes tradicionais destes povos e fomentar o debate em torno das causas indigenistas. Os participantes vão discutir temas como: demarcação de terras, educação e direitos dos povos indígenas. 

As atividades estão marcadas para as 14 horas no turno vespertino e, 18 horas, no noturno.  As práticas serão abertas à toda comunidade e contará com emissão de certificados para os participantes.

TUPINAMBÁS PROTESTAM CONTRA O “MARCO TEMPORAL”

População indígena contra o "marco temporal".
População indígena contra o “marco temporal”.

No último domingo (24), no trajeto entre Olivença e a praia do Cururupe, o povo tupinambá realizou a XVII Caminhada dos Mártires. No ato,  os índios empunharam uma faixa com a frase: “Nossa história não começou em 1988. Não ao marco temporal”.

O marco temporal é uma tese ruralista e ameaça as demarcações das terras indígenas e quilombolas do país, porque defende que apenas o povo que já estava no território reivindicado em 1988, ano da Constituição Federal, tem direito originário à terra.

O argumento dos ruralistas é frágil porque a Constituição não estabeleceu o critério temporal ao reconhecer os direitos dos povos tradicionais, que antecedem inclusive a existência do Estado brasileiro.

PEDRO TAVARES CRITICA O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Pedro Tavares.
Pedro Tavares.

A morte do produtor rural Juraci Santana, líder do Assentamento Ipiranga, em Una, mostrou que a solução para os conflitos indígenas nas terras ocupadas na região sul ainda está longe de acontecer. A base fixa que ficava no local onde aconteceu a morte, foi desmontada na última sexta-feira (07) por decisão do Ministério da Justiça.

O caso e a gravidade da situação foi lembrada pelo deputado estadual Pedro Tavares (PMDB) durante discurso no plenário da Assembleia Legislativa. O parlamentar voltou a cobrar a retomada imediata da Força Nacional às bases de pacificação, e defendeu a união dos parlamentares para solicitar do governo estadual e federal atitudes emergenciais para a situação. “A retirada dessas bases é simplesmente um absurdo. É preciso que o governo estadual tome as rédeas da situação e cobre do Ministério da Justiça uma solução rápida para os conflitos que vem acontecendo frequentemente. Será que vai ser preciso mais mortes e mais violência para que se tome uma atitude?”, criticou.

DELEGADO DESMENTE “TEMPORADA DE CAÇA” AO CACIQUE BABAU

Não há ordem prisão contra o Cacique Babau, garantiu o delegado.
Não há ordem prisão contra o Cacique Babau, garantiu o delegado. Imagens: Emílio Gusmão.

Durante contato com este blog na manhã dessa segunda-feira, 03, o delegado Mario Lima, chefe da Polícia Federal em Ilhéus, desmentiu que o Cacique Babau, da etnia tupinambá, é alvo de captura “vivo ou morto”.

A informação foi publicada no blog do Bené.

Segundo o delegado, Babau é uma liderança indígena que merece respeito, “não é um animal sujeito à caça”. Enfático, afirmou desconhecer que a Polícia Federal e Força Nacional saiam “por aí” caçando indígenas.

Mario Lima confirmou a ocorrência de tiroteios na região de Buerarema, entretanto, explicou que as investigações ainda não apontam responsáveis. Sobre o cadáver em adiantado estado de decomposição, encontrado na semana passada, disse que o corpo estava na região de Sapucaieira, longe da Serra do Padeiro, área de influência de Babau.

MPF PEDE INVESTIGAÇÃO SOBRE A MORTE DOS TRÊS ÍNDIOS

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Da assessoria de comunicação do MPF

O Ministério Público Federal (MPF) em Ilhéus requisitou à Polícia Federal investigações acerca a morte de três índios da comunidade Tupinambá de Olivença, ocorrida na noite da última sexta-feira, 8 de novembro, na localidade conhecida como “Mamão”, no sul da Bahia. A apuração foi motivada após a veiculação de notícias sobre o possível assassinato dos índios.

De acordo com os procuradores da República Ovídio Augusto Amoedo Machado e Tiago Modesto Rabelo, as informações coletadas revelam que os três índios foram emboscados por três homens armados que estavam em duas motocicletas, e foram mortos por disparos de armas de fogo.

Em função dos fatos noticiados, o MPF determinou a instauração de inquérito policial com o objetivo de apurar o caso, o qual deve contar com o auxílio da Fundação Nacional do Índio (Funai). A partir de tal requisição, a Polícia Federal deverá realizar os exames periciais de corpo de delito, a análise do local do crime e ouvir testemunhas, a fim de que o MPF possa buscar a responsabilização dos envolvidos.

Histórico – a indefinição quanto à demarcação de terras Tupinambás tem gerado conflitos violentos entre indígenas e fazendeiros no Sul da Bahia. Em setembro, o MPF em Ilhéus ajuizou ação civil pública com pedido liminar contra a União, requerendo que o Judiciário determine prazo para o Ministro da Justiça decidir sobre o processo demarcatório Tupinambá. Iniciados em 2004, os procedimentos para a demarcação aguardam decisão, pelo Ministério, desde março de 2012.

BR 101 CONTINUA FECHADA POR MOBILIZAÇÃO INDÍGENA

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A Mobilização Nacional Indígena decidiu manter fechada a  BR 101, no KM 767 no sul da Bahia, por tempo indeterminado. A decisão foi tomada ontem (02), após manterem a BR interditada por cerca de 14h. Segundo os índios, suas reivindicações não foram atendidas e por isso a manifestação continua.

No fim da tarde de ontem já se somava cerca de 1300 indígenas das etnias Pataxó Meridional e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia e os Pataxó Hã-Hã-Hãe do sul da Bahia, em protesto para denunciar que os direitos indígenas garantidos na Constituição Brasileira de 1988, estão sendo violados pelo Congresso Nacional e pelo Poder Executivo.

Hoje por volta das 5h da manhã a rodovia voltou a ser fechada, e segundo as lideranças, diferente de ontem que a BR era liberada a cada seis horas e mesmo assim provocou um congestionamento de 10km, hoje não será aberta em nenhum momento.

A coordenação do Movimento informou que a ação só termina quando a Presidenta da Funai ou o Ministro da Justiça chegarem ao local, ou quando houver um posicionamento do Ministério da Justiça quanto aos pedidos de resolução das questões fundiárias, que envolvem os territórios indígenas na Bahia, bem como os arquivamentos das PEC, PLP e Portarias que ferem os direitos indígenas.

INDÍGENAS REALIZAM CAMINHADA DOS MÁRTIRES TUPINAMBÁ

CAMINHADA POVO TUPINAMBÁ OLIVENÇA CURURUPE-ILHÉS. 29.09.2013 (41)

Cerca de mil indígenas Tupinambás de Olivença se uniram a representantes de entidades da sociedade civil, estudantes, movimentos sociais e igrejas, e realizaram na manhã desse domingo (29), a XIII Caminhada dos Mártires Tupinambá, que saiu da  Igreja Nossa Senhora da Escada no centro de Olivença e se dirigiu até a praia do Cururupe. 

O objetivo da estirada é trazer para toda a sociedade, a lembrança de um passado não muito distante e que não difere do momento atual pelo que passa o povo Tupinambá, onde segundo eles, a violência da elite local volta à tona de maneira preconceituosa e colonialista.

O fato que mais chama atenção na caminhada é a lembrança da conhecida “Batalha dos Nadadores”, quando o  o então governador geral da Bahia, Men de Sá, no ano de 1559, deferiu um ataque aos povos indígenas da região, o que culminou com a morte de milhares de índios. Eles relacionam a perseguição e violência ao processo de demarcação das terras indígenas que se arrasta desde 2004. A demora na publicação da portaria do referido processo tem causado um enorme clima de tensão e violência na região.

Uma das faixas exposta na caminhada dizia: “Ei! Tirem às mãos das minhas terras, elas não são moedas de troca”

Algumas entidades presentes no movimento divulgaram nota de apoio e solidariedade a luta do povo Tupinambá, onde pedem que providências urgentes sejam tomadas para encerrar os conflitos entre índios e fazendeiros.

Clique aqui e veja a nota.

PROFESSORES INDÍGENAS REIVINDICAM REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA

Reunião da Bancada do PT da Assembleia Legislativa da Bahia.
Reunião da Bancada do PT da Assembleia Legislativa da Bahia.

Nessa terça-feira (24), durante mais uma reunião da Bancada do PT da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), um grupo de professores indígenas reivindicaram a reestruturação da carreira para os profissionais que trabalham nas tribos.

A categoria pleiteia o aumento de salário, que chega a ser 40 % menor do que os outros professores, além  da realização de novos concursos públicos, que não acontece há 13 anos. 

Os índios esperam que o projeto de lei que regulamenta a criação de um plano de cargos e salários para a categoria, seja aprovado na Alba, e para ter a solução rápida, o grupo se mostrou flexível à uma conversa com a oposição ao governo. A Bancada só tem 14 deputados a favor do governo e eles precisam de no mínimo 32 para que o projeto seja aprovado.

No total, cerca de oito mil jovens estudam nas 18 escolas indígenas disponíveis em todo estado. 

BUERAREMA: DEPUTADO PEDE AÇÃO EFETIVA DO GOVERNO DO ESTADO

Pedro Tavares no gabineteO deputado estadual Pedro Tavares (PMDB) voltou a cobrar nessa segunda-feira (23), durante audiência pública proposta pela Comissão de Direitos Humanos, na Assembleia Legislativa, ação efetiva do governo do estado para solucionar os conflitos por disputa de terras em Buerarema.

Segundo o parlamentar, a resolução do impasse é de responsabilidade do governo federal, mas quem está sofrendo é o povo e a economia da Bahia. “Já passou da hora do governador intervir junto ao governo federal na busca de solução para esse conflito que aterroriza Buerarema e região. Será que ele vai esperar um derramamento de sangue para se dá conta da gravidade?” Questionou o deputado.

Tavares defende ainda a suspensão imediata das demarcações de terra e a presença permanente da Força Nacional, não apenas na sede, como também no interior do município para inibir os conflitos.

GOVERNADOR FALA SOBRE O CONFLITO EM BUERAREMA

wagner com índiosO governador Jaques Wagner terá reunião essa semana em Brasília com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para discutir o conflito entre produtores rurais e povos indígenas por terras na região de Buerarema.

Esse assunto é tema do programa Conversa com o Governador dessa terça-feira (10), que também aborda o fim da construção da Via Expressa, maior intervenção urbana em Salvador, depois da construção da Avenida Paralela, além de destacar o esforço do governo para melhorar a arrecadação e fazer mais investimentos nas áreas de saúde e educação. Ele também responde uma pergunta de internauta, sobre a BA-210.

Ouça o programa.

MPF PEDE REFORÇO POLICIAL PARA CONFLITO NO SUL DA BAHIA

indiosSegundo informações do Jornal A Tarde, o Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Ministério da Justiça e ao governo da Bahia para reforçar o policiamento no sul da Bahia, sobretudo na região conhecida como Serra do Padeiro, onde índios tupinambás ocupam várias propriedades rurais como forma de pressionar o governo federal a concluir o processo de criação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença.

Após reunião com lideranças indígenas e agricultores, os procuradores da República em Ilhéus expediram ofícios ao ministério e ao governo estadual para relatar que o número de policiais na região é insuficiente para mediar o conflito entre índios e produtores rurais.

Além de pedir reforço das forças de segurança pública na região, o MPF solicitou ao Ministério da Justiça que se manifeste sobre a criação da terra indígena, pois o silêncio gera incerteza, tensão e acirramento dos ânimos, sendo uma das principais causas dos conflitos na região.

BUERAREMA RECEBE MAIS REFORÇO POLICIAL

Imagem: Gilvan Martins.
Imagem: Gilvan Martins.

No último sábado (24), foram registrados diversos conflitos entre índios e fazendeiros em Buerarema, onde pelo menos 8 automóveis foram incendiados, estabelecimentos comerciais destruídos e uma casa foi queimada.

O clima está  tenso na cidade. As aulas das redes municipal e estadual estão suspensas desde a última quarta-feira (21).

Nem mesmo os soldados da Força Nacional de Segurança, que chegaram à cidade no último dia 20 para tentar apaziguar os ânimos no local, conseguiram conter completamente os conflitos.

Na tarde de ontem (25), segundo informações do Macuco News, cerca de 150 policiais de choque de Salvador chegaram na cidade para ajudar a controlar a situação.

FAZENDEIROS ACAMPAM EM FRENTE À PREFEITURA DE BUERAREMA

Praça da Prefeitura em Buerarema.
Praça da Prefeitura de Buerarema.

Na manhã de hoje (21), manifestantes montaram barracas na praça em frente a prefeitura da cidade. Até o momento, 6 fazendeiros já se instalaram no local.

Segundo informações do vereador Lobo, em entrevista à rádio difusora, as aulas já foram canceladas em algumas escolas, pois os carros que levam alunos da zona rural foram suspensos, por medida de segurança.

O clima é tenso na cidade e os moradores contam com o apoio da polícia militar e força nacional para garantir a segurança da população.

INDÍGENAS MONTAM SITE E CONTAM SUA VERSÃO DA HISTÓRIA EM MATERIAIS DIDÁTICOS

indioeduca-450x337Do Catraca Livre.

Ainda nos primeiros anos da escola, quando as crianças têm seus contatos iniciais com a história brasileira, uma das perguntas propostas por muitos professores é “Quem descobriu o Brasil?”. A esta indagação, é comum que se espere que a criançada em coro responda “Pedro Álvares Cabral”.

Ao atribuir ao navegador português a descoberta do país, esta versão dos acontecimentos desconsidera as estimadas 5 milhões de pessoas que aqui viviam antes da chegada dos europeus. Para tentar minimizar este e muitos outros desrespeitos à cultura indígena, a ONG Thydêwá resolveu criar uma plataforma online para que os índios desenvolvam materiais didáticos que contem sua história e atualidade.

No site Índio Educa, é possível encontrar artigos a respeito de diferentes etnias e tribos brasileiras, todos escritos por indígenas. Os assuntos são diversos, e vão de aspectos históricos ao cotidiano. ”A época do índio sem voz está terminando. Este projeto tem o objetivo de empoderar o indígena para dialogar. Trabalhamos em cima dos preconceitos que existem, como pessoas que acham que eles ainda vivem nus”, conta o presidente da Thydêwá, Sebastian Gerlic.

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