PARODIANDO O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, (OBRA PRIMA DE ALDOUS LEONARD HUXLEY). VOCÊ LEU?

Por Mohammad Jamal.

Maquiavelismo-oportunismo. Quando o Estado se sobrepõe à vida das pessoas, certo grau de corrupção exerce um efeito benéfico sobre o caráter das mesmas. Mas, apenas quando até determinado ponto, é claro; uma vez que o estado se torne o todo-poderoso e a corrupção oficial também se torne total como assistimos, ambos sufocarão a criação de riquezas, e haverá um empobrecimento generalizado. No final desse processo, será constatada uma desmonetarização aguda da economia, tal como se deu no comunismo e socialismos.

Eu quero mamar. O Brasil, não obstante sua aparente pujança, está chegando a esse estágio, economia e finanças enfraquecidas, governo débil, ordem social vulnerável, justiça lenta, gigantismo dos delitos contra o patrimônio da nação e aceleração da corrupção em todas as frentes delegadas por critérios meramente políticos a agentes incompetentes.  O país agoniza, seu povo sofre e morre de inanição, carentes ante as privações impostas pelo estado via omissões, incompetências, desvios e corrupções praticadas sistematicamente por entes investidos no Estado e dos altíssimos custos para a manutenção dessa máquina pública sequiosa e servil que sustenta luxos e mimos nababescos aos três poderes da nação, cuja conta bancamos em lágrimas secas.

Votos de safra. Mas nossos políticos, especialistas do agronegócio eleitoral, sempre se mostram espertos o suficiente para não necessitar abater sua fonte produtora, matar a galinha dos ovos de ouro, de onde os preciosos zigotos albuminados são pontual e sistematicamente extraídos sem anestésicos; do ovopositor do povo, sem gemidos ou reclamações pontuais.

Cevando o porquinho. Quanto mais a sociedade enriquece, mais se pode extrair dela na forma de impostos. Nesse sentido, o que é bom para os negócios é bom para eles, os políticos corruptos. Nessas circunstâncias, o uso da influência pessoal e do suborno praticados por um ente público no balcão da corrupção para locupletamento pessoal e/ou do seu grupo político pode representar um valioso incremento e prova de eficiência no fortalecimento do capital político concomitantemente à discreta evolução nos negócios e meios circulantes financeiros do país, sem evidências, alardes ou estrelismos que caracterizam os repentinos novos ricos de primeiro mandato.

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RODRIGO MELO É UM DESVELADOR DO COTIDIANO

O escritor Rodrigo Melo.

O escritor Rodrigo Melo costuma compartilhar escritos no Facebook. São pequenas histórias com a marca do seu talento para desvelar os sentidos do cotidiano – aberturas para o desembotamento da cotidianidade.

A narrativa abaixo é um exemplo dessa capacidade de provocar o estranhamento diante das situações do dia a dia, do que costuma passar despercebido ou naturalizado, como a violência da legalidade que autoriza a apreensão de um veículo do seu proprietário. O Blog do Gusmão recomenda vivamente a leitura.

“foi ontem à tarde. eu pensava na novelinha que estou escrevendo e na dificuldade em dar um rumo a ela, mesmo com os bons e generosos toques de alguns camaradas – a impressão de que perdi um pouco do jeito pra coisa ou como se repentinamente descobrisse que nunca houve tanto jeito assim. a porra simplesmente travou. mais nenhum coelho sairá daquela cartola. e, se sair, será um coelho magro e meio banguela. de todo modo, lá estava eu, dirigindo o meu gurgel e pensando nessas coisas, quando dei de cara com uma bliz. mas não era uma blitz qualquer. era um troço gigantesco. no meio da pista, uma multidão formada por funcionários do detran, policiais militares, guardas de trânsito e uns sete ou oito guinchos. todo mundo alvoroçado, correndo de um lado para o outro, na agonia de fiscalizar. a mulher parada à minha frente tinha algo na mão, talvez um tablet, e foi naquilo que ela digitou a placa do meu carro. siga pelo corredor!, ela me disse. o que está acontecendo?, perguntei. senhor, siga pelo corredor!!! logo um policial apareceu e pediu os documentos. avisei que a carteira estava vencida, mas que já havia começado o processo para renovar, com exame marcado e tudo, o que era verdade. não adiantou. uma multa. o documento do carro também estava atrasado. apenas dois meses, mas atrasado mesmo assim. senhor, ele disse, o seu carro vai ser levado. bem, não dá pra explicar o que senti. foi terrível. uma mistura de raiva e desânimo. e aquele pessoal lá, parando mais e mais carros, preenchendo fichas, autuando, ao mesmo tempo em que fazia piadas e tomava açaí. policiais, detran e guardas de trânsito interagindo, enquanto eu os questionava se agora iam tapar a merda do buraco na pista. dava pra ver um enorme buraco de onde estávamos. ninguém respondeu. assinei um papel, tomaram a chave do carro, jogaram dentro de uma caixa onde havia mais umas trinta e me liberaram. pensei que era assim na época das cruzadas, quando invadiam e pilhavam cidades inteiras. pensei na porra da novelinha, que empacou. e caminhei até o ponto de ônibus. dois caras passaram de bicicleta. olha só aquela porcaria, um deles disse. olhei e vi que falava do meu gurgel. as multas devem valer mais do que o carro, o outro falou. às minhas costas, o sol se punha. o sol da baía do pontal, onde golfinhos e botos nadam, felizes e despreocupados. um sol impiedoso, mesmo às cinco e meia da tarde. um sol incandescente e cor de abóbora feito a camisa do pessoal do detran.”

Rodrigo Melo publicou os livros de conto O sangue que corre nas veias e Jogando dardos sem mirar no alvo e o de poesias Enquanto o mundo dorme. Siga o autor no Facebook.

VAI-SE UM MESTRE

Boris Schnaiderman  (Foto: Fernando Donasci / Agência O Globo)
Boris Schnaiderman (Foto: Fernando Donasci / Agência O Globo)

antonio riserioPor Antonio Riserio/publicado nessa segunda-feira, 23, no Blog do Noblat.

Enquanto figuretas culturalmente insignificantes, de Renan Calheiros a coletivos estudantis, berram sobre a suposta importância de um Ministério da Cultura no Brasil, perdemos alguém que de fato contava – e muito – no deserto intelectual que nos cerca.

Quem conhece o assunto, sabe. É simplesmente impossível falar de Rússia e cultura russa entre nós, impossível falar da presença e do influxo dos russos no Brasil, sem colocar em primeiríssimo lugar o nome de Boris Schnaiderman.

Boris foi um mestre, ensinando-nos a andar pelo mundo da cultura russa moderna. Pelos campos do fazer textual criativo e das viagens pioneiras de artistas e intelectuais russos na dimensão das metalinguagens.

No caso da poesia, juntamente com os irmãos Campos, traduziu para o português criações do mel do melhor feito em língua russa. Pasternak, Iessiênin, Maiakóvski, Khlébnikov, etc., chegando a Vozniessiênski. Fez um livro que é um exemplo simultâneo de erudição e humildade, coisa raríssima: um livro feito de notas aos textos traduzidos – “A Poética de Maiakóvski”.

E não foi só a vanguarda. Boris nos ensinou também a apreciar o verdadeiro Dostoiévski, que, antes de suas traduções, conhecíamos mal e indiretamente, em versões feitas a partir de versões francesas, que sempre disfarçavam em “littérature” o brutalismo do autor de “Os Irmãos Karamázov”.

Trouxe também para o mundo de língua portuguesa, pioneiramente, textos críticos e teóricos de ponta, com o jovem Jakobson e a chamada Escola Formalista (Chklóvski, Eikhenbaum, Tiniânov, etc.). Para nos remeter, adiante, aos estudos extraordinários de Iuri Lotman e seus companheiros semioticistas.

A tristeza é que morre um homem como Boris (como, antes, Décio Pignatari) e a nossa (vossa) mídia não diz nada. Estamos condenados aqui ao narcisismo corporativista. Basta o sujeito ser profissional da mídia que, ao morrer, ela o transforma em super-herói cultural do país. Nem que o cara seja um mero fotógrafo de telenovela, cantor ou autor de reportagens televisuais.

Me lembro de uma conversa com Augusto de Campos, na São Paulo da década de 1970, quando fiz uma provocação geral, dizendo: pelo andar da carruagem, ainda vamos ter uma enciclopédia brasileira de cultura que dedique menos de 10 linhas a Guimarães Rosa e mais de 100 linhas a Erasmo Carlos. Infelizmente, eu estava certo. Esse tempo chegou. E é bem mais feio do que o pintei. De qualquer sorte, deixo aqui, gritando sobre as cabeças-de-camarão dos imbecis, o meu VIVA BORIS!

Antônio Risério é escritor, autor de, entre outros, “A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros” (2007), “A Cidade no Brasil” (2012) e do romance “Que Você É Esse?” (a ser lançado em junho pela editora Record).

PROPOSTA DE REFLEXÃO: CACAU GOURMET E A LITERATURA DE EUCLIDES NETO

O escritor baiano Euclides Neto na fazenda Diamantina, em Ipiaú (BA), em 1991
Euclides Neto na fazenda Diamantina, em Ipiaú, em 1991. Imagem encontrada no site da Folha de São Paulo. Ao lado, dois frutos de cacau.

Editorial do Blog do Gusmão

O cacau gourmet e a fabricação de chocolate com percentuais mais elevados de cacau se revelam como a saída promissora para a lavoura cacaueira.

Este blog é entusiasta desse viés, mas espera que os cacauicultores reflitam sobre o passado, sobretudo, em torno das condições de miserabilidade que atormentavam os trabalhadores rurais nessa região. Aquele modelo arcaico, que concentrava renda, não vai mudar o Sul da Bahia. Acreditamos no cooperativismo e na agricultura familiar como soluções que possam traçar um novo rumo com equidade social.

A realidade verificada em muitas fazendas coloca os “meeiros” como parceiros por necessidade, já que os proprietários das fazendas não possuem condições de arcar com os encargos trabalhistas. Essa relação pode perdurar (com as necessárias adequações) e dar início a um novo modelo na relação com os trabalhadores (colaboradores). Isso não significa abandonar o modelo “celetista”. Os produtores em melhor situação, capazes de sair do modelo “exportação de commoditie” e que fabricam chocolate, podem manter esses vínculos amparados nas leis trabalhistas.

De volta ao passado, a pobreza nas fazendas está impregnada na história oral e no universo literário de escritores como Jorge Amado, Adonias Filho e Euclides Neto.

Destacamos o último, nascido em Ipiaú, ex-prefeito de sua terra natal, precursor da reforma agrária no Sul da Bahia e autor de um romance dramático e formidável (dentre outros de igual qualidade) chamado “Os Magros”.

Nesse livro , o agregado Adão sofre para pagar uma ferramenta de trabalho adquirida no armazém da fazenda. O dinheiro que sobra, depois de abatido o valor das prestações do facão, é muito pouco, só dá para comprar farinha e algumas tripas de boi. Os filhos de Adão comem barro. Quando morre uma criança, a família fica feliz, pois terá uma barriga a menos para matar a fome.

Enquanto isso, a esposa estéril e neurótica de Dr. Jorge, o rico patrão fazendeiro, ameniza seus dramas cuidando de uma boneca como se fosse filha. Hábitos supérfluos e muito dinheiro lhe estimulam a levar sua “descendente” para fazer caro tratamento com um pediatra desonesto.

Os dois cenários revelam dramas, mas o primeiro traz a iniquidade, um traço marcante da civilização do cacau .

Mesmo tendo consciência de que a miséria diminuiu graças ao crescimento econômico e aos programas de distribuição de renda dos últimos anos, nesse artigo, propomos que a literatura de Euclides Neto possa ser o ponto de partida dessa reflexão.

A obra desse importante escritor grapiúna foi relançada em março desse ano e obteve destaque na Folha de São Paulo. Leia aqui. Seus livros podem ser encontrados no site da Livraria Cultura, a R$ 25,00 cada.

JACKSON COSTA ABRE 1ª FEIRA DO LIVRO DA UESC

Jackson CostaA Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) promove, de 21 a 24 de outubro, a 1ª Feira Universitária do Livro. A abertura oficial da Feira será no dia 21, às 19h, no auditório Paulo Souto, na Universidade.

O ator e apresentador Jackson Costa, que participa de projetos importantes para a leitura, abrirá o evento com um “Papo Literário” com Aleilton Fonseca e Ruy Póvoas (escritores e professores), sobre o Tema “Novas Leituras, Novos Leitores”. A proposta é uma reflexão sobre o atual perfil do público diante das possibilidades abertas pela criação de suportes, utilização de diferentes linguagens e a entrada de outros atores no cenário editorial.

O evento contará também com oficinas, palestras, lançamentos de livros,  contação de histórias e reflexões sobre a literatura do sul da Bahia.

Clique aqui e confira a programação completa.

INFERNO VENDE 4 VEZES MAIS QUE PADRE MARCELO

Mario Magalhães | UOL

 Acaba de sair o novo ranking do Publishnews, a principal referência do mercado de livros do país. Na semana de 27 de maio a 2 de junho, a principal novidade é que “Kairós”, do Padre Marcelo, perdeu o segundo posto para “O silêncio das montanhas”, de Khaled Hosseini.

“Inferno”, romance de Dan Brown, continua tranquilo em primeiro lugar, com 23.729 exemplares vendidos na semana. “Kairós” somou 6.443. Arredondando, a média é de quatro por um. Embora faça o levantamento mais amplo, o Publishnews  dá conta de 30% a 50% do total de cópias comercializadas, conforme projeções que já ouvi de editores e livreiros.

Suponho que tenham sido feitas muitas brincadeiras com o título do sucesso de Brown e o nome do Padre Marcelo, mas não resisti a perpetrar mais uma, com o “placar” lá em cima. Para conhecer a pesquisa completa do Publishnews, basta clicar aqui.

Registro obrigatório: muitos grandes livros jamais alcançaram as listas de best-sellers, que tantas vezes são ocupadas… deixa pra lá.

WALDENY ANDRADE CONCLUI O LIVRO “VIDAS CRUZADAS (CONFISSÕES DE UM ENFERMO)”

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O Mestre Waldeny Andrade.

O jornalista e radialista Waldeny Andrade concluiu o livro Vidas Cruzadas (Confissões de um enfermo). Com cerca de 280 páginas, a obra está em fase de editoração.

As tramas do livro são narradas em terceira pessoa e acontecem em Ilhéus e Itabuna, entre os anos de 1957 a 1969, final da era dos “coronéis do cacau”.

O livro, uma espécie de “flash-back”, mistura fatos históricos e ficção sobre dramas reais cobertos por Waldeny no início de sua carreira profissional.  As histórias se interligam para um final surpreendente ao leitor.

Um pouco da trajetória do Waldeny Andrade.

Em 1969, como 1º suplente, assumiu o mandato na câmara de vereadores de Ilhéus, mas foi cassado pelos militares que o consideraram comunista e subversivo; foi responsável durante 29 anos pela direção geral da Rádio Jornal de Itabuna e do Diário de Itabuna; recebeu 8 troféus Imprensa do Cacau, como melhor comentarista político e melhor diretor de rádio e jornal do Sul da Bahia.

A PROVOCAÇÃO DO DIA

antonioolinto“O jornalismo trata dos mesmos dramas que a literatura, só que através do filtro da rotina. Se consegue ir além da visão da rotina, o jornalismo pode até ser visto como obra de arte, pois é também um trabalho de criação, da busca de um estilo, da descrição do patético, do trágico, do pungente, do comum e do extraordinário que os acontecimentos trazem consigo. Se não consegue ir além da visão de rotina, transforma-se o jornalismo, ele próprio… Em rotina!”

Antonio Olintho

O BLOG DO GUSMÃO RECOMENDA: A MULHER DO PRÓXIMO

capa-mulher-do-proximoHá muitos iludidos certos de que fazem grande jornalismo.

Essa foi a constatação deste editor ao concluir a leitura de “A Mulher do Próximo”, de Gay Talese, uma reportagem “pra valer” em que pouquíssimos seriam capazes de chegar.

O autor, uma das referências do “New Jornalism”, choca os que têm certeza do passado mais careta (noção infantil).

Cuidadoso trabalho de pesquisa, cujo estilo mistura elementos da produção literária, a obra expõe o furor sexual da sociedade norte-americana antes da explosão da AIDS (final da década de 70).

Mulheres reais são expostas por segredos íntimos desvendados (na prática). O macho “dono da fêmea” fica vergonhosamente nu diante da liberdade feminina, sedenta por saciar desejos sexuais tão comuns (porém ignorados) quanto os dos homens.

O livro relata a coragem dos primeiros editores da indústria pornográfica e a intensa luta que travaram – contra o fundamentalismo religioso e moral – para fazer valer um dos princípios da 1ª emenda da constituição ianque (liberdade de expressão).

A vida de prazeres de Hugh Hefner (fundador da Revista Playboy) é descrita pelo olhar objetivo e encantado de Talese (eu queria estar no lugar dele).

A capa de uma sociedade supostamente puritana cai nos relatos das casas de swing e de seitas onde a permissividade era comum.

‘O paraíso da carne” (definição de John Updike) é objeto de investigação jornalística. O autor expõe seus entrevistados com surpreendente realismo (e concordância).

Há também um breve acerto de contas, quando o próprio Talese se mostra.

O livro é muito bom, excitante, um tijolo na testa dos preconceitos.

gay talese“Numa noite de domingo, quando voltavam ao campus num ônibus da Greyhound, na sequência de uma troca de beijos e carícias cada vez mais apaixonados no veículo escuro, ele instou-a a fazer uma felação nele ali mesmo, sob um cobertor. Ela ficou surpresa com o pedido e mais ainda com a própria disposição de ceder ao desejo dele sem relutância ou constragimento, tão ansiosa estava no momento para agradar-lhe, bem como excitada pela idéia de executar aquele ato nas costas dos outros passageiros. Quando abaixou a cabeça e pôs o pênis de Hugh na boca, sentiu não somente amor por ele, mas também o despertar intenso de sua própria libertação”.

Trecho do livro A Mulher do Próximo. Uma crônica da permissividade americana antes da era da Aids, do escritor norte-americano Gay Talese.

CRÍTICA SOBRE O LIVRO CAMPEÃO DE VENDAS “CINQUENTA TONS DE CINZA”

Do blog de Paulo Costa Lima no Terra Magazine

cinza

50 TONS DE ARTE E PORNOGRAFIA

O herói é um sádico. Mas é bilionário, jovem, forte, bonito e americano. Poderia almejar os mais belos e desafiadores ideais concebíveis — e, no entanto, seu sonho e paixão é construir uma sala super requintada de torturas sexuais.

Quem diria que esse tipo de imaginário está vendendo milhões e milhões de livros, especialmente ao público feminino! Pior: vem levando escritores das mais longínquas partes do mundo a ‘tentar a mão’ na direção do erótico explícito, muitas vezes de maneira forçada. A santa pornografia embalada como literatura!

A arte vai ser engolida pela pornografia? Ou irá absorvê-la como mais um recurso ficcional? Mas será mesmo possível considerar a simples pornografia como ficção? Existe arte pornográfica, ou uma coisa exclui a outra?

O assunto merece ser discutido e analisado. Um observador cauteloso terá de reconhecer que não se trata de fenômeno de superfície, envolve muitos ângulos (e câmeras), não é nada extemporâneo, pois:

i. se a arte (tratada como mercadoria) tende a se confundir com a publicidade;

ii. e se a publicidade depende mais e mais de apelos e referências sexuais;

iii. então, arte e pornografia deverão convergir de alguma forma.

A Oxford University Press publicou recentemente o título — Art and Pornography: Philosophical Essays, editado por Hans Maes e Jerrold Levinson. Questiona-se neste trabalho justamente porque um fenômeno tão abrangente mereceu tão pouca reflexão filosófica até hoje. Busca-se, dessa forma, revisar o ‘status’ artístico e a ‘dimensão estética’ da pornografia.

Pois é: a dimensão estética. Embora reconheçam que existem poucos trabalhos na área de artes que possam ser reconhecidos diretamente como pornografia, os autores citam vários exemplos que poderiam ser descritos vagamente como ‘arte pornográfica’.

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ENCONTRO COM ESCRITORES NA CASA DOS ARTISTAS

Daniela Galdino.
Daniela Galdino.

O Teatro Popular de Ilhéus, através da sua editora, a Mondrongo Livros, promove nesta quarta-feira, dia 27, na Casa dos Artistas, o segundo Encontros do público com escritores sulbaianos. Sob mediação de Gustavo Felicíssimo, o evento receberá Daniela Galdino e Piligra, às 19 horas e com entrada gratuita. Antes, às 17 horas, acontece no mesmo local o Transeunte, intervenção poética e musical, com Jef e André Rosa.

O encontro tem como objetivo difundir a obra de autores sulbaianos entre os leitores da região e promover um bate-papo informal entre público e escritores, que falarão a respeito do processo criativo, influências, seus livros, e sobre questões fundamentais que envolvem a criação, tudo com a participação ativa do público. 

JOSÉ SARAMAGO E AS DUAS MORTES DE LÁZARO

José Saramago.
José Saramago.

Trecho do livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, obra combatida pela igreja católica. Nela, o escritor português interpretou livremente os escritos sagrados e criticou sem piedade o dogmatismo religioso.

“Lázaro, levanta-te, e Lázaro levantar-se-á porque Deus o quis, mas é neste instante, em verdade último e derradeiro, que Maria de Magdala põe uma mão no ombro de Jesus e diz, ninguém na vida teve tantos pecados que mereça morrer duas vezes, então Jesus deixou cair os braços e saiu para chorar.”

Pag 428.

NAZIR MARON LANÇA LIVRO NESTA QUARTA

Capa do livro.
Capa do livro.

Uma coletânea bem humorada de poemas que relatam desde as pitorescas praias de Ilhéus aos sentimentos mais íntimos como a solidão, amores, encontros sensuais e abandonos amorosos. Assim é o livro “Fragmentos de um Lobo Solitário” do poeta, escritor, artista plástico, filósofo e empresário Nazir Maron, que será lançado nesta quarta-feira (09), às 18h30min, na Academia de Letras de Ilhéus.

“Fragmentos de um Lobo Solitário” é uma obra escrita em 25 anos de arte e reúne quase 50 poemas e oito fragmentos que fazem uma viagem ao coração, seguindo do amor ao desamor, da política a questões sociais, da tristeza ao humor e da solidão humana inerente à vida de cada um.

O livro tem prefácio do professor de Literatura Brasileira Jorge Alessandro, que fará uma breve apresentação da obra durante o lançamento.

ONDE NASCEU JORGE AMADO?

Por Isaac Albagli

Encarregado de preencher as “fichas” da Academia de Letras de Ilhéus criada em 1958, o seu primeiro secretário, jovem advogado Francolino Neto, aguardou quatro anos para, pessoalmente, colher os dados do acadêmico Jorge Amado. De caneta em punho e após preencher o nome, endereço e filiação do romancista, à época já famoso, fez a pergunta: “Local de nascimento?”. “Pergunte ao meu pai…” – se esquivou Jorge Amado. Na sua carteira de identidade constava a cidade de Itabuna como local do nascimento, mas no fundo ele sabia que havia uma polêmica tanto familiar como “de ordem pública”. Francolino Neto não se fez de rogado e foi até Itajuípe para se encontrar com o fazendeiro João Amado, pai do escritor. O Coronel João não vinha a Ilhéus há muito tempo, pois tinha pavor a vergalho de boi… Diziam as más línguas que o coronel se engraçou com uma mulher casada e acabou tomando uma surra de vergalho de boi. Mas voltemos ao encontro de Dr. Francolino com o Coronel João Amado. Encontraram-se na firma compradora de cacau Wildberg & Cia. e o secretário da Academia foi direto ao assunto. O Coronel  João Amado disse então a Francolino: “Jorge nasceu na Fazenda Auricídia que ficava na zona do Repartimento no limite entre os municípios de Itabuna e Itajuípe.”

A maior parte da fazenda pertencia em 1912, ano do nascimento de Jorge, a Itabuna, antiga Tabocas que em 1910 tinha se emancipado de Ilhéus. Mais precisamente no distrito de Ferradas, na época próspero entroncamento de tropeiros. A outra parte da fazenda pertencia ao 7º Distrito de Ilhéus, denominado de Pirangí, mais tarde emancipado e que originou o município de Itajuípe. Dr. Francolino, rápido no raciocínio fez então a pergunta fatal. “E de que lado ficava a sede da fazenda?” João Amado não titubeou: “Ficava em Pirangí”. Francolino deu uma risadinha marota e tascou na “ficha” de Jorge Amado – Local de Nascimento: Ilhéus, Bahia, Brasil. A Lei 807 de 28 de julho de 1910, que criou o município de Itabuna, sancionada pelo então governador Araújo Pinho, não era muito precisa nas indicações dos limites territoriais, principalmente quando não existiam rios ou ribeirões para delimitação com maior precisão.

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TEODORICO MAJESTADE E GILTON MUNHECA NO PAPEL

O dramaturgo Romualdo Lisboa, diretor do Teatro Popular de Ilhéus, é um inquieto ativista cultural. Sempre na trilha da ousadia, imerso na cultura grapiúna, ele decidiu lançar os textos de "Teodorico Majestade" e "O Inspetor Geral" em livro. As duas obras foram escritas em cordel. Reunidas num livro de acabamento impecável, propiciam a leitura de uma deliciosa sátira envolvendo as falcatruas dos políticos corruptos de Ilha Bela. O lançamento aconteceu na Casa dos Artistas, no último sábado (01), e foi a estréia do selo Mondrongo, editora que objetiva a publicação de obras produzidas por autores regionais, em pequenas tiragens. No evento, o Blog do Gusmão bateu um papo com o criador de Malote, Teodorico, Gilton Munheca, Pai Didão Jorge Paraíba e cia. Ouça a entrevista.

 

 

 

  

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