A PROVOCAÇÃO DO DIA

antonioolinto“O jornalismo trata dos mesmos dramas que a literatura, só que através do filtro da rotina. Se consegue ir além da visão da rotina, o jornalismo pode até ser visto como obra de arte, pois é também um trabalho de criação, da busca de um estilo, da descrição do patético, do trágico, do pungente, do comum e do extraordinário que os acontecimentos trazem consigo. Se não consegue ir além da visão de rotina, transforma-se o jornalismo, ele próprio… Em rotina!”

Antonio Olintho

O BLOG DO GUSMÃO RECOMENDA: A MULHER DO PRÓXIMO

capa-mulher-do-proximoHá muitos iludidos certos de que fazem grande jornalismo.

Essa foi a constatação deste editor ao concluir a leitura de “A Mulher do Próximo”, de Gay Talese, uma reportagem “pra valer” em que pouquíssimos seriam capazes de chegar.

O autor, uma das referências do “New Jornalism”, choca os que têm certeza do passado mais careta (noção infantil).

Cuidadoso trabalho de pesquisa, cujo estilo mistura elementos da produção literária, a obra expõe o furor sexual da sociedade norte-americana antes da explosão da AIDS (final da década de 70).

Mulheres reais são expostas por segredos íntimos desvendados (na prática). O macho “dono da fêmea” fica vergonhosamente nu diante da liberdade feminina, sedenta por saciar desejos sexuais tão comuns (porém ignorados) quanto os dos homens.

O livro relata a coragem dos primeiros editores da indústria pornográfica e a intensa luta que travaram – contra o fundamentalismo religioso e moral – para fazer valer um dos princípios da 1ª emenda da constituição ianque (liberdade de expressão).

A vida de prazeres de Hugh Hefner (fundador da Revista Playboy) é descrita pelo olhar objetivo e encantado de Talese (eu queria estar no lugar dele).

A capa de uma sociedade supostamente puritana cai nos relatos das casas de swing e de seitas onde a permissividade era comum.

‘O paraíso da carne” (definição de John Updike) é objeto de investigação jornalística. O autor expõe seus entrevistados com surpreendente realismo (e concordância).

Há também um breve acerto de contas, quando o próprio Talese se mostra.

O livro é muito bom, excitante, um tijolo na testa dos preconceitos.

gay talese“Numa noite de domingo, quando voltavam ao campus num ônibus da Greyhound, na sequência de uma troca de beijos e carícias cada vez mais apaixonados no veículo escuro, ele instou-a a fazer uma felação nele ali mesmo, sob um cobertor. Ela ficou surpresa com o pedido e mais ainda com a própria disposição de ceder ao desejo dele sem relutância ou constragimento, tão ansiosa estava no momento para agradar-lhe, bem como excitada pela idéia de executar aquele ato nas costas dos outros passageiros. Quando abaixou a cabeça e pôs o pênis de Hugh na boca, sentiu não somente amor por ele, mas também o despertar intenso de sua própria libertação”.

Trecho do livro A Mulher do Próximo. Uma crônica da permissividade americana antes da era da Aids, do escritor norte-americano Gay Talese.

CRÍTICA SOBRE O LIVRO CAMPEÃO DE VENDAS “CINQUENTA TONS DE CINZA”

Do blog de Paulo Costa Lima no Terra Magazine

cinza

50 TONS DE ARTE E PORNOGRAFIA

O herói é um sádico. Mas é bilionário, jovem, forte, bonito e americano. Poderia almejar os mais belos e desafiadores ideais concebíveis — e, no entanto, seu sonho e paixão é construir uma sala super requintada de torturas sexuais.

Quem diria que esse tipo de imaginário está vendendo milhões e milhões de livros, especialmente ao público feminino! Pior: vem levando escritores das mais longínquas partes do mundo a ‘tentar a mão’ na direção do erótico explícito, muitas vezes de maneira forçada. A santa pornografia embalada como literatura!

A arte vai ser engolida pela pornografia? Ou irá absorvê-la como mais um recurso ficcional? Mas será mesmo possível considerar a simples pornografia como ficção? Existe arte pornográfica, ou uma coisa exclui a outra?

O assunto merece ser discutido e analisado. Um observador cauteloso terá de reconhecer que não se trata de fenômeno de superfície, envolve muitos ângulos (e câmeras), não é nada extemporâneo, pois:

i. se a arte (tratada como mercadoria) tende a se confundir com a publicidade;

ii. e se a publicidade depende mais e mais de apelos e referências sexuais;

iii. então, arte e pornografia deverão convergir de alguma forma.

A Oxford University Press publicou recentemente o título — Art and Pornography: Philosophical Essays, editado por Hans Maes e Jerrold Levinson. Questiona-se neste trabalho justamente porque um fenômeno tão abrangente mereceu tão pouca reflexão filosófica até hoje. Busca-se, dessa forma, revisar o ‘status’ artístico e a ‘dimensão estética’ da pornografia.

Pois é: a dimensão estética. Embora reconheçam que existem poucos trabalhos na área de artes que possam ser reconhecidos diretamente como pornografia, os autores citam vários exemplos que poderiam ser descritos vagamente como ‘arte pornográfica’.

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ENCONTRO COM ESCRITORES NA CASA DOS ARTISTAS

Daniela Galdino.
Daniela Galdino.

O Teatro Popular de Ilhéus, através da sua editora, a Mondrongo Livros, promove nesta quarta-feira, dia 27, na Casa dos Artistas, o segundo Encontros do público com escritores sulbaianos. Sob mediação de Gustavo Felicíssimo, o evento receberá Daniela Galdino e Piligra, às 19 horas e com entrada gratuita. Antes, às 17 horas, acontece no mesmo local o Transeunte, intervenção poética e musical, com Jef e André Rosa.

O encontro tem como objetivo difundir a obra de autores sulbaianos entre os leitores da região e promover um bate-papo informal entre público e escritores, que falarão a respeito do processo criativo, influências, seus livros, e sobre questões fundamentais que envolvem a criação, tudo com a participação ativa do público. 

JOSÉ SARAMAGO E AS DUAS MORTES DE LÁZARO

José Saramago.
José Saramago.

Trecho do livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, obra combatida pela igreja católica. Nela, o escritor português interpretou livremente os escritos sagrados e criticou sem piedade o dogmatismo religioso.

“Lázaro, levanta-te, e Lázaro levantar-se-á porque Deus o quis, mas é neste instante, em verdade último e derradeiro, que Maria de Magdala põe uma mão no ombro de Jesus e diz, ninguém na vida teve tantos pecados que mereça morrer duas vezes, então Jesus deixou cair os braços e saiu para chorar.”

Pag 428.

NAZIR MARON LANÇA LIVRO NESTA QUARTA

Capa do livro.
Capa do livro.

Uma coletânea bem humorada de poemas que relatam desde as pitorescas praias de Ilhéus aos sentimentos mais íntimos como a solidão, amores, encontros sensuais e abandonos amorosos. Assim é o livro “Fragmentos de um Lobo Solitário” do poeta, escritor, artista plástico, filósofo e empresário Nazir Maron, que será lançado nesta quarta-feira (09), às 18h30min, na Academia de Letras de Ilhéus.

“Fragmentos de um Lobo Solitário” é uma obra escrita em 25 anos de arte e reúne quase 50 poemas e oito fragmentos que fazem uma viagem ao coração, seguindo do amor ao desamor, da política a questões sociais, da tristeza ao humor e da solidão humana inerente à vida de cada um.

O livro tem prefácio do professor de Literatura Brasileira Jorge Alessandro, que fará uma breve apresentação da obra durante o lançamento.

ONDE NASCEU JORGE AMADO?

Por Isaac Albagli

Encarregado de preencher as “fichas” da Academia de Letras de Ilhéus criada em 1958, o seu primeiro secretário, jovem advogado Francolino Neto, aguardou quatro anos para, pessoalmente, colher os dados do acadêmico Jorge Amado. De caneta em punho e após preencher o nome, endereço e filiação do romancista, à época já famoso, fez a pergunta: “Local de nascimento?”. “Pergunte ao meu pai…” – se esquivou Jorge Amado. Na sua carteira de identidade constava a cidade de Itabuna como local do nascimento, mas no fundo ele sabia que havia uma polêmica tanto familiar como “de ordem pública”. Francolino Neto não se fez de rogado e foi até Itajuípe para se encontrar com o fazendeiro João Amado, pai do escritor. O Coronel João não vinha a Ilhéus há muito tempo, pois tinha pavor a vergalho de boi… Diziam as más línguas que o coronel se engraçou com uma mulher casada e acabou tomando uma surra de vergalho de boi. Mas voltemos ao encontro de Dr. Francolino com o Coronel João Amado. Encontraram-se na firma compradora de cacau Wildberg & Cia. e o secretário da Academia foi direto ao assunto. O Coronel  João Amado disse então a Francolino: “Jorge nasceu na Fazenda Auricídia que ficava na zona do Repartimento no limite entre os municípios de Itabuna e Itajuípe.”

A maior parte da fazenda pertencia em 1912, ano do nascimento de Jorge, a Itabuna, antiga Tabocas que em 1910 tinha se emancipado de Ilhéus. Mais precisamente no distrito de Ferradas, na época próspero entroncamento de tropeiros. A outra parte da fazenda pertencia ao 7º Distrito de Ilhéus, denominado de Pirangí, mais tarde emancipado e que originou o município de Itajuípe. Dr. Francolino, rápido no raciocínio fez então a pergunta fatal. “E de que lado ficava a sede da fazenda?” João Amado não titubeou: “Ficava em Pirangí”. Francolino deu uma risadinha marota e tascou na “ficha” de Jorge Amado – Local de Nascimento: Ilhéus, Bahia, Brasil. A Lei 807 de 28 de julho de 1910, que criou o município de Itabuna, sancionada pelo então governador Araújo Pinho, não era muito precisa nas indicações dos limites territoriais, principalmente quando não existiam rios ou ribeirões para delimitação com maior precisão.

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TEODORICO MAJESTADE E GILTON MUNHECA NO PAPEL

O dramaturgo Romualdo Lisboa, diretor do Teatro Popular de Ilhéus, é um inquieto ativista cultural. Sempre na trilha da ousadia, imerso na cultura grapiúna, ele decidiu lançar os textos de "Teodorico Majestade" e "O Inspetor Geral" em livro. As duas obras foram escritas em cordel. Reunidas num livro de acabamento impecável, propiciam a leitura de uma deliciosa sátira envolvendo as falcatruas dos políticos corruptos de Ilha Bela. O lançamento aconteceu na Casa dos Artistas, no último sábado (01), e foi a estréia do selo Mondrongo, editora que objetiva a publicação de obras produzidas por autores regionais, em pequenas tiragens. No evento, o Blog do Gusmão bateu um papo com o criador de Malote, Teodorico, Gilton Munheca, Pai Didão Jorge Paraíba e cia. Ouça a entrevista.

 

 

 

  

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ILHÉUS TEVE A PRIMEIRA BIBLIOTECA DA BAHIA, E HOJE…

Por Carlos Mascarenhas

Na sua coluna publicada no Jornal A Tarde de 24.09.2011, com o título de “A primeira biblioteca da Bahia”, o antropólogo Luiz Mott, professor titular de Antropologia da UFBA, informa que “salvo erro, tenho o privilégio de ter descoberto no arquivo da Inquisição de Lisboa a primeira biblioteca particular da Bahia, quiçá do Brasil, datada de 1574, propriedade de Rafael Olivi, italiano de Florença morador na Fazenda São João, no termo de Ilhéus. Foi acusado ao Santo Ofício de ter dito uma série de proposições heréticas, do tipo “a religião fora inventada para sujeitar os povos e os milagres dos santos não passavam de artes mágicas”. Ao ser preso pelo vigário e alcaide de Ilhéus, encontraram 27 livros em sua fazenda! Entre eles obras religiosas como o Breviário, A Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Tesouro dos Pobres; obras literárias, como Viagi Fallida, Rime de Monsenhor Pero Lobo Pirotichiria, Comédia de Sacrifícios e, sobretudo, livros científicos: La Nova Ciencia, de Nicoló Tertaglia, Aristóteles, Libelus de Tactus, Discorsi de Nicoló (Machiavel), Josefus Judaico e outros.”

Vale acrescentar que Luiz Carlos Villalta, no seu artigo Bibliotecas Privadas e Práticas de Leitura no Brasil Colonial, quando fala de estudos quantitativos da posse de livros no Brasil colônia, assim se refere a Rafael Olivi e à sua biblioteca “O maior proprietário de livros no século XVI, foi provavelmente Rafael Olivi, italiano estabelecido em Ilhéus, no atual estado da Bahia, dono de 27 volumes.”

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UESC PROMOVE CURSO SOBRE CULTURA POPULAR

A Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) disponibiliza 60 vagas para o curso de extensão Metodologia da Pesquisa em Cultura Popular.

As inscrições acontecerão no próximo dia 15, e serão preenchidas das 12h30 às 13h30, por ordem de inscrição, na Sala 2201, 2º andar do Pavilhão Adonias Filho da UESC.

O curso será ministrado nos dias 15, 16, 22 e 23 deste mês, das 13h30min às 18h. A inscrição é gratuita.

“O REINO DOS KARAMÁZOV” II

Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski.

A importância da fé na imortalidade, segundo o ateu Ivan Fiódorovitch, um dos personagens de Os Irmãos Karamazov, romance de Fiodor Dostoiévski.

Não faz muito tempo que eu e Israel Nunes (meu amigo e irmão) dialogamos sobre o tema.

“Em toda a face da Terra não existe terminantemente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu à lei natural mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiódorovicth acrescentou, entre parênteses, que é isso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruindo-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia. Mas isso ainda é pouco: ele concluiu afirmando que, para cada indivíduo particular, por exemplo, como nós aqui, que não acredita em Deus nem na própria imortalidade, a lei moral da natureza deve ser imediatamente convertida no oposto total da lei religiosa anterior, e que o egoísmo, chegando até ao crime, não só deve permitido ao homem mas até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre para sua situação. Com base nesse paradoxo podem concluir, senhores, também sobre tudo mais que o nosso amável, excêntrico e paradoxista Ivan Fiódorovicth haverá por bem ou talvez ainda esteja propenso a proclamar”.

O PRAZER DE TROCAR IDÉIAS E O SER DISCRETO

Discutir as complexidades do mundo com o professor Otávio é sempre muito bom.

As divagações sobre as agruras da condição humana, os dilemas, as perguntas propositivas e necessárias, e, sobretudo, a obra do jogador, do quase fuzilado no frio siberiano.

O prazer do bom papo, da discussão proveitosa, mesmo que rara, persiste.

É importante que haja sensibilidade e franqueza entre as partes. Respeito entre quem ensina e quem está disposto a aprender, ler, escrever, apreender.

Bem melhor assim, desse jeito, sem armas guardadas, na ausência do ser discreto que ouve tudo e se ofende por não ter lido, que alcunha por desconhecer.

No final, um livro emprestado, muitas referências, pouquíssimas certezas e a alegria de conversar com um professor de verdade.

O FACÃO IMPONENTE

Trecho retirado do livro “Uma trufa e…1000 lojas depois”, de Alexandre Tadeu da Costa, fundador e presidente da Cacau Show:

“Quem construiu algo a partir do próprio esforço tende a ter uma visão bem diferente sobre dinheiro do que a de quem teve uma vida mais confortável (…) Muitas pessoas se espantam ao tomar conhecimento de que só recentemente, aos 37 anos, comprei meu primeiro carro zero quilômetro, apesar dos impressionantes números de expansão da Cacau Show. O fato é que, como eu já contei, sempre priorizei os reinvestimentos na empresa.

A nossa preocupação constante em cortar custos se materializou em um objeto: um facão que ganhei de presente de um dos trabalhadores da lavoura cacaueira de Ilhéus (BA). Uma peça muito bonita, com detalhes trabalhados. Nas reuniões de orçamento, basta colocá-lo em cima da mesa para dar o recado… “

LANÇAMENTO DA 2ª EDIÇÃO DE “DIÁLOGOS”

A obra “Diálogos – Panorama da Nova Poesia Grapiúna” (Editus/Via Litterarum) chega à sua segunda edição. O lançamento acontecerá no dia 11 de dezembro (sábado), às 18:00 horas, na academia de letras de Ilhéus.

Na oportunidade, haverá um bate-papo sobre a poesia baiana contemporânea, com o organizador da obra, Gustavo Felicíssimo, o prefaciador Jorge de Souza Araujo e Aleilton Fonseca, membro da Academia de letras da Bahia.