RESENHA LITERÁRIA: MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

Por Evorah Landi.

Cada dia que passa fico mais propenso a crer que a vida realmente imita a ficção, e esta também à vida; relembro um parente meu, que apesar de nascido de família ilustre, jamais fez algo de importante; uma pessoa sem projetos que passou pela existência sem construir qualquer realização efetiva; não se casou, nem teve filhos, tampouco trabalhou, vivendo sempre do sustento da sua família. E, até o momento que escrevo, permanece com setenta anos neste mesmo labor; bebendo, comendo e dormindo! Uma vida inteiramente desperdiçada, vazia, sem conhecer vitórias nem derrotas!

Este é a vida e cópia fiel de Brás Cubas, personagem da ficção classificado pelos críticos como o grande hipócrita da literatura brasileira, criação de Machado de Assis (1839-1908) em seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”,

Se José de Alencar foi o grande expoente do romance, Machado colocou a prosa brasileira no mais alto nível mundial do seu tempo. Sua obra não apenas divertia, moralizava os costumes ou os valores nacionais, mas a sua pena esmiuçava o espírito humano, a realidade psicológica dos personagens, desviando o foco de espaços externos e investindo no interior das pessoas, expondo-as em suas contradições e problemáticas existenciais.

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SITE SOBRE LITERATURA FAZ HOMENAGEM A JORGE MEDAUAR

A obra do escritor baiano Jorge Medauar pode ser contemplada agora na web. O site Cronópios – um dos mais importantes sobre literatura brasileira – está promovendo a revalorização do acervo literário do autor.

Jorge Medauar ganhou destaque na literatura nacional devido aos seus contos, embora tenha inciado sua trajetória através da poesia.

Uma página especial foi criada com diversos textos sobre a vida e obra do escritor nascido em Água Preta do Mocambo, atual Uruçuca. O Cronópios também está elaborando um documentário.

Saiba mais sobre o projeto acessando aqui.

GENETON MORAES NETO ENTREVISTA NÉLSON RODRIGUES

Entrevista importante e fundamental publicada no Observatório da Imprensa.

Reproduzida do blog do autor, publicada originalmente em 9/3/2004; realizada em 1/5/1978.

As incríveis cenas dos bastidores de um encontro com Nélson Rodrigues, maior dramaturgo brasileiro, pernambucano exilado no Rio, estilista número um da crônica esportiva

Meu primeiro, único e último encontro com o gênio Nélson Rodrigues (1912-1980) começou com uma dúvida devastadora: por que diabos ele teria marcado nossa entrevista justamente para a hora de um jogo da seleção brasileira? Não é possível, deve ter havido algum engano – eu pensava com meus botões, enquanto caminhava pelas calçadas do Leme, na beira-mar, no Rio de Janeiro, em direção ao apartamento do homem.

Se Nélson Rodrigues escrevia aquelas crônicas geniais sobre futebol no jornal O Globo, é óbvio que ele não iria dar uma entrevista a um forasteiro pernambucano no exato momento em que a seleção brasileira entrava em campo, no Maracanã, com transmissão ao vivo pela TV. Se desse, como é que ele iria escrever sobre o jogo no jornal do dia seguinte? Não, deve ter havido um grande equívoco. É melhor que eu desista. Nélson não iria dar entrevista alguma num momento tão inoportuno. Ou iria?

Mergulhado num poço de constrangimento, aperto a campainha. A entrevista tinha sido marcada por telefone. Uma mulher abre a porta. Ao fundo, vejo a imagem de Nélson Rodrigues esparramado numa poltrona. Os pés estão fora dos sapatos. Não faz frio, mas ele veste um suéter sobre a camisa de mangas curtas. Pende na parede da sala uma foto emoldurada de Nélson Rodrigues em companhia de Sônia Braga e de Neville de Almeida – atriz e diretor da versão cinematográfica de A Dama do Lotação.

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“A MULHER DO PRÓXIMO”, DE GAY TALESE

“Numa noite de domingo, quando voltavam ao campus num ônibus da Greyhound, na sequência de uma troca de beijos e carícias cada vez mais apaixonados no veículo escuro, ele instou-a a fazer uma felação nele ali mesmo, sob um cobertor. Ela ficou surpresa com o pedido e mais ainda com a própria disposição de ceder ao desejo dele sem relutância ou constragimento, tão ansiosa estava no momento para agradar-lhe, bem como excitada pela idéia de executar aquele ato nas costas dos outros passageiros. Quando abaixou a cabeça e pôs o pênis de Hugh na boca, sentiu não somente amor por ele, mas também o despertar intenso de sua própria libertação”.

Trecho do livro A Mulher do Próximo. Uma crônica da permissividade americana antes da era da Aids, do escritor norte-americano Gay Talese.

NOVOS LIVROS SÃO ENTREGUES A BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ITABUNA

Pela segunda vez em menos de um ano, a Biblioteca Nacional forneceu mil novos títulos para a Biblioteca Municipal Plínio de Almeida, em Itabuna. A iniciativa ocorreu após a aprovação de um projeto enviado pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc).

Além dos livros, a instituição recebeu também CDs e DVDs educativos, estantes, mesas com cadeiras, mural, ventiladores e estofados para a sala de leitura infantil.

“VASSOURA” DE DANIEL THAME: DIVERSÃO E INSPIRAÇÃO

Batemos um papo com o jornalista e escritor Daniel Thame, que lançou na noite desta terça-feira (18), o livro “Vassoura”, da editora Via Litterarum, sua primeira incursão pela literatura. O evento aconteceu no Centro de Cultura Adonias Filho (Itabuna).

Em pauta jornalismo, literatura, diversão e inspiração.

Ouça na Rádio Gusmão.

DANIEL THAME LANÇA LIVRO

Será lançado no próximo dia 18 de maio, em Itabuna, o livro “Vassoura”, do jornalista Daniel Thame. A obra retrata em uma série de contos e crônicas sobre a vassoura-de-bruxa na região cacaueira da Bahia.

As histórias contadas são ficcionais e abordam as tragédias pessoais ocasionadas pelo fungo. “A despeito do impacto negativo que provocou na vida de milhares de pessoas, enquanto literatura o tema é fascinante e foi isso que o procurei fazer”, afirmou o jornalista.

Daniel completou ainda que “o que a princípio remete a um livro pessimista, é na verdade uma peça de otimismo, que começa no apocalipse final e termina no gênesis do (re)início dos tempos”.

O livro custará 15 reais e poderá ser comprado através do site www.vialiterarum.com.br ou dos telefones (73) 3212-6034 ou (73) 9981-7482.

ONDE BOTAR OS LIVROS?

Por Ronaldo Correia de Brito, para o Terra Magazine.

O escritor Ronaldo Correia de Brito se diz conformado que "nem todos são como José Mindlin", mas não custa nada demonstrar um pouco de interesse pelos livros.

Ainda lerei Os Buddenbrooks, de Thomas Mann? Provavelmente não. Já atravessei as centenas de páginas de A Montanha Mágica, romance considerado por Ítalo Calvino como a introdução mais completa à cultura do século XX. De quebra, li as novelas Morte em Veneza, O Eleito e Tônio Kröger. Chega de Mann. Nem pelo Doutor Fausto ou José e Seus Irmãos eu me aventurarei mais.

E por que teimo em guardar os livros se tenho certeza que nunca os lerei? Por cupidez ou esquecimento. Mais provavelmente porque os deixei na oitava prateleira de minha estante monumental, onde quase nunca os alcanço. Amamos até mesmo os que nunca lemos, pois eles fazem parte de nossa história. O desmonte de uma biblioteca nos obriga a repensar o significado dos livros, a avaliar se continuamos ou não com eles, a desfazer um contrato amoroso que dura trinta ou quarenta anos.

O mais difícil em mudar de casa é a troca de hábitos. As casas são geralmente amplas e possuem cômodos largos. Deixamos a biblioteca proliferar em estantes de até quatro metros de altura. Alimentamos a ilusão de uma eterna juventude, de continuar capazes de subir em escadas e alcançar um livro esquecido, comprado talvez na juventude.

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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: MORTE DO LEITEIRO

“Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro.”

“No ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue… não sei.”

Mais um grande poema de Carlos Drummond de Andrade que a Rádio Gusmão disponibiliza aos seus visitantes, recitado pelo próprio poeta.

Ouça e leia.

Duração: 3 minutos.

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Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

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DRUMMOND: “OH! SEJAMOS PORNOGRÁFICOS”

O livro Brejo das Almas, publicado em 1934, do Itabirano Carlos Drummond de Andrade, não era considerado importante, dentre os melhores do poeta.

De uns tempos para cá, muitos estudiosos redobraram a atenção sobre a obra, passando a rediscuti-la e valorizá-la.

Este blogueiro, ousadamente, decidiu recitar “Em Face dos Últimos Acontecimentos”, poema notável,  parte do livro. A gravação não ficou muito boa (feita no celular).

Se possível ouça e leia.

Em face dos últimos acontecimentos

Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
Que o nosso avô português?

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“BRASIL NÃO RECONHECE JORGE AMADO”

Reportagem do Terra Magazine, por Cláudio Leal.

A família do escritor Jorge Amado desmente os boatos de que esteja à venda a casa do Rio Vermelho, onde o romancista baiano viveu a partir dos anos 60, em Salvador (BA). “Essa notícia não tem nenhum fundo de verdade. A casa é nossa, cuidamos dela, nunca nos deram um tostão para preservar”, reage Paloma Amado, filha de Jorge e Zélia Gattai. Em conversa com Terra Magazine, ela afirma que não pretende “entrar em polêmica” sobre o assunto, mas rebate uma nota publicada pela revista “IstoÉ”.

Inicialmente, houve a ideia de que a casa se transformasse num memorial ou museu, como relatou a escritora Zélia Gattai no livro “Memorial do Amor” (2004). “Por que não aproveitá-la para um museu?”, sugeriu Jorge Amado. Para escrever suas obras, ele dividia-se entre a casa da rua Alagoinhas, 33, em Salvador, e um apartamento no bairro do Marais, em Paris. “Por que ficaria eu sozinha nessa casa? Por que não manter abertas as portas para os admiradores de Jorge Amado, aqueles que aparecem diariamente, ansiosos de conhecer o ambiente onde o escritor viveu durante tantos anos, inspirou-se e escreveu seus romances?”, cogitou Zélia.

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MÁRIO QUINTANA RECITA: PEQUENA CRÔNICA POLICIAL

Sobre Mário Quintana, assim escreveu Manuel Bandeira:

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares…
Perdão! digo quintanares.

Mário Quintana perdeu três vezes a eleição para uma vaga na Academia Brasileira de Letras.

Recusou o convite para a quarta tentativa, mesmo tendo a certeza de que seria escolhido por unanimidade.

“Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro”.

No faixa de áudio abaixo, o “POETA DAS COISAS SIMPLES” recita: “Pequena Crônica Policial”.

Jazia no chão, sem vida,
E estava toda pintada!
Nem a morte lhe emprestara
A sua grave beleza…
Com fria curiosidade,
Vinha gente a espiar-lhe a cara,
As fundas marcas da idade,
Das canseiras, da bebida…
Triste da mulher perdida
Que um marinheiro esfaqueara!
Vieram uns homens de branco,
Foi levada ao necrotério.
E quando abriam, na mesa,
O seu corpo sem mistério,
Que linda e alegre menina
Entrou correndo no Céu?!
Lá continuou como era
Antes que o mundo lhe desse
A sua maldita sina:
Sem nada saber da vida,
De vícios ou de perigos,
Sem nada saber de nada…
Com a sua trança comprida,
Os seus sonhos de menina,
Os seus sapatos antigos!

ROTARY CLUBE COMEMORA ANIVERSÁRIO

Será realizada na próxima terça-feira (23) uma comemoração que marca o 105° aniversário do Rotary Clube Internacional. O evento acontecerá no Rotary de Itabuna e contará com uma palestra do rotariano João Otávio Macedo, fazendo uma retrospectiva sobre a história do clube. Haverá também a entrega de prêmios do Concurso Literário Adelindo Kfoury a estudantes itabunenses.

Segundo João Macedo, “O objetivo inicial do Rotary que era o auxílio mútuo é acrescido e suplantado pelo ideal de servir, visando especialmente a Paz Mundial”. Atualmente, o Rotary Clube é considerado a entidade privada que outorga o maior número de bolsas internacionais de estudo no mundo.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: CASO DO VESTIDO

Nesta gravação de 1978, da Philips, o “Itabirano” Carlos Drummond de Andrade recita o poema “Caso do Vestido”.

Mais uma preciosidade do Blog do Gusmão aos seus visitantes.


Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

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SUFOCO

Uma reflexão sobre o casamento e os danos causados, muitas vezes, às mulheres.

Encontrado no Terra Magazine. Por João Pedro Goulart.

“As ideias perturbam a regularidade da vida”. Isso ficou escondido no diário da Susan Sontag por dezenas de anos (saiu agora no Brasil pela Companhia das Letras). Ela tinha 16, quando rabiscou a frase. Dezesseis. Em seguida ela se pergunta: “…E o que é ser jovem durante anos e de repente despertar para a angustia, a premência da vida?” Dezesseis anos…

E eu me ponho a pensar. Não somente sobre a Susan Sontag, mas sobre as Susans Sontags que sempre pontificaram a minha imaginação. Onde elas estão? Onde elas andam? Qual a razão de muitas dessas mulheres brilhantes optarem, invariavelmente depois casamentos intrincados, por relacionamentos homossexuais? Sontag terminou a vida ao lado da fotógrafa Annie Leibowitz. Simone de Beauvoir tinha um casamento “fraterno” com Sartre. Durante a vida dividiu o leito com homens, e em especial com mulheres, com intensidade.

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