CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: MORTE DO LEITEIRO

“Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro.”

“No ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue… não sei.”

Mais um grande poema de Carlos Drummond de Andrade que a Rádio Gusmão disponibiliza aos seus visitantes, recitado pelo próprio poeta.

Ouça e leia.

Duração: 3 minutos.

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Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

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DRUMMOND: “OH! SEJAMOS PORNOGRÁFICOS”

O livro Brejo das Almas, publicado em 1934, do Itabirano Carlos Drummond de Andrade, não era considerado importante, dentre os melhores do poeta.

De uns tempos para cá, muitos estudiosos redobraram a atenção sobre a obra, passando a rediscuti-la e valorizá-la.

Este blogueiro, ousadamente, decidiu recitar “Em Face dos Últimos Acontecimentos”, poema notável,  parte do livro. A gravação não ficou muito boa (feita no celular).

Se possível ouça e leia.

Em face dos últimos acontecimentos

Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
Que o nosso avô português?

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“BRASIL NÃO RECONHECE JORGE AMADO”

Reportagem do Terra Magazine, por Cláudio Leal.

A família do escritor Jorge Amado desmente os boatos de que esteja à venda a casa do Rio Vermelho, onde o romancista baiano viveu a partir dos anos 60, em Salvador (BA). “Essa notícia não tem nenhum fundo de verdade. A casa é nossa, cuidamos dela, nunca nos deram um tostão para preservar”, reage Paloma Amado, filha de Jorge e Zélia Gattai. Em conversa com Terra Magazine, ela afirma que não pretende “entrar em polêmica” sobre o assunto, mas rebate uma nota publicada pela revista “IstoÉ”.

Inicialmente, houve a ideia de que a casa se transformasse num memorial ou museu, como relatou a escritora Zélia Gattai no livro “Memorial do Amor” (2004). “Por que não aproveitá-la para um museu?”, sugeriu Jorge Amado. Para escrever suas obras, ele dividia-se entre a casa da rua Alagoinhas, 33, em Salvador, e um apartamento no bairro do Marais, em Paris. “Por que ficaria eu sozinha nessa casa? Por que não manter abertas as portas para os admiradores de Jorge Amado, aqueles que aparecem diariamente, ansiosos de conhecer o ambiente onde o escritor viveu durante tantos anos, inspirou-se e escreveu seus romances?”, cogitou Zélia.

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MÁRIO QUINTANA RECITA: PEQUENA CRÔNICA POLICIAL

Sobre Mário Quintana, assim escreveu Manuel Bandeira:

Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares…
Insólitos, singulares…
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares…
Perdão! digo quintanares.

Mário Quintana perdeu três vezes a eleição para uma vaga na Academia Brasileira de Letras.

Recusou o convite para a quarta tentativa, mesmo tendo a certeza de que seria escolhido por unanimidade.

“Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro”.

No faixa de áudio abaixo, o “POETA DAS COISAS SIMPLES” recita: “Pequena Crônica Policial”.

Jazia no chão, sem vida,
E estava toda pintada!
Nem a morte lhe emprestara
A sua grave beleza…
Com fria curiosidade,
Vinha gente a espiar-lhe a cara,
As fundas marcas da idade,
Das canseiras, da bebida…
Triste da mulher perdida
Que um marinheiro esfaqueara!
Vieram uns homens de branco,
Foi levada ao necrotério.
E quando abriam, na mesa,
O seu corpo sem mistério,
Que linda e alegre menina
Entrou correndo no Céu?!
Lá continuou como era
Antes que o mundo lhe desse
A sua maldita sina:
Sem nada saber da vida,
De vícios ou de perigos,
Sem nada saber de nada…
Com a sua trança comprida,
Os seus sonhos de menina,
Os seus sapatos antigos!

ROTARY CLUBE COMEMORA ANIVERSÁRIO

Será realizada na próxima terça-feira (23) uma comemoração que marca o 105° aniversário do Rotary Clube Internacional. O evento acontecerá no Rotary de Itabuna e contará com uma palestra do rotariano João Otávio Macedo, fazendo uma retrospectiva sobre a história do clube. Haverá também a entrega de prêmios do Concurso Literário Adelindo Kfoury a estudantes itabunenses.

Segundo João Macedo, “O objetivo inicial do Rotary que era o auxílio mútuo é acrescido e suplantado pelo ideal de servir, visando especialmente a Paz Mundial”. Atualmente, o Rotary Clube é considerado a entidade privada que outorga o maior número de bolsas internacionais de estudo no mundo.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE RECITA: CASO DO VESTIDO

Nesta gravação de 1978, da Philips, o “Itabirano” Carlos Drummond de Andrade recita o poema “Caso do Vestido”.

Mais uma preciosidade do Blog do Gusmão aos seus visitantes.


Nossa mãe, o que é aquele
vestido, naquele prego?

Minhas filhas, é o vestido
de uma dona que passou.

Passou quando, nossa mãe?
Era nossa conhecida?

Minhas filhas, boca presa.
Vosso pai evém chegando.

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SUFOCO

Uma reflexão sobre o casamento e os danos causados, muitas vezes, às mulheres.

Encontrado no Terra Magazine. Por João Pedro Goulart.

“As ideias perturbam a regularidade da vida”. Isso ficou escondido no diário da Susan Sontag por dezenas de anos (saiu agora no Brasil pela Companhia das Letras). Ela tinha 16, quando rabiscou a frase. Dezesseis. Em seguida ela se pergunta: “…E o que é ser jovem durante anos e de repente despertar para a angustia, a premência da vida?” Dezesseis anos…

E eu me ponho a pensar. Não somente sobre a Susan Sontag, mas sobre as Susans Sontags que sempre pontificaram a minha imaginação. Onde elas estão? Onde elas andam? Qual a razão de muitas dessas mulheres brilhantes optarem, invariavelmente depois casamentos intrincados, por relacionamentos homossexuais? Sontag terminou a vida ao lado da fotógrafa Annie Leibowitz. Simone de Beauvoir tinha um casamento “fraterno” com Sartre. Durante a vida dividiu o leito com homens, e em especial com mulheres, com intensidade.

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MANUEL BANDEIRA RECITA “A MORTE ABSOLUTA”

Uma preciosidade encontrada na internet!

No arquivo de áudio disponibilizado abaixo pela Rádio Gusmão, o poeta pernambucano Manuel Bandeira recita o surpreendente “A Morte Absoluta”.

A Morte Absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

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“O REINO DOS KARAMÁZOV” I

Trecho de “Os Irmãos Karamázov”, obra magistral do escritor russo Fiódor Dostoiévski.

Fiódor Dostoiévski.

“Não são os milagres que inclinam o realista para a fé. O verdadeiro realista, caso não creia, sempre encontrará em si força e capacidade para não acreditar no milagre, e se o milagre se apresenta diante dele como um fato irrefutável, é mais fácil ele descrer de seus sentidos que admitir o fato. E se o admite, admite-o como fato natural, que apenas lhe fora até então desconhecido. No realista a fé não nasce do milagre, mas é o milagre que nasce da fé. Se o realista acredita uma vez, é justamente por seu realismo que ele deve forçosamente admitir o milagre”.