Lula, preso, trabalha na cadeia

Por Julio Gomes.

No dia 07/04/2018 – há quase um ano atrás – ocorreu a prisão do ex-Presidente Lula, por ordem do então Juiz Sergio Moro. Logo em seguida, como efeito desta mesma Sentença, Lula foi impedido de conceder entrevistas e de concorrer à Presidência da República, além de sofrer graves restrições ao recebimento das visitas a que teria direito. Lula permanece preso, cumprindo sentença em regime fechado, na distante e fria Curitiba, longe de sua família que mora em São Paulo, mesmo tendo 73 anos de idade.

Seu Algoz, por sua vez, largou a magistratura e como “prêmio” se tornou Ministro da Justiça do governo que, sem dívida alguma, contribuiu de forma fundamental para eleger, tomando posse em 01/01/2019 no seu novo cargo, junto com o novo Presidente, tendo sido o primeiro ministro a ser empossado pelo novo Governo.

Lula se encontra hoje preso em Curitiba, onde a Juíza então responsável pela execução penal continuou a impor restrições inaceitáveis e ilegais ao ex-Presidente, tais como, recentemente, a negativa de sair da prisão para acompanhar o enterro de seu irmão Genival Inácio da Silva, falecido em 29/01/2019, contrariando expressamente o que dispõe a Lei de Execução Penal em seu artigo 120, que estabelece que os condenados que cumprem pena em regime fechado poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer o falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão. Milhares de presos em todo o Brasil tiveram o deferimento deste direito, que a Lula foi simplesmente negado.

Entretanto, há um aspecto que precisa urgentemente ser ressaltado: Lula, na prisão, trabalha! E seu trabalho consiste, exatamente, em manter-se preso com dignidade, recebendo as visitas que são permitidas, e sustentando, com sua presença viva, ainda que no cárcere, os ideais pelos quais lutou durante toda a sua vida.

Talvez o governo Brasileiro aceitasse um pedido de extradição de Lula para outro país, coisa que ele jamais encaminhou. Talvez concordasse – dada a natureza política de sua condenação, que se fundamentada unicamente em denúncias de delatores ameaçados de prisão – que em um “acordo” o ex-Presidente ficasse fora da cadeia, caso se retirasse da vida pública. Mas Lula é inteligente e tem vivência suficiente para entender que deverá sair da cadeia, unicamente, pela mesma porta da frente em que entrou, e que enquanto isto não ocorre sua melhor forma de atuação política e social é permanecer encarcerado.

Lula, preso, simboliza a prisão injusta e a exclusão dos mais pobres deste país. Simboliza que é possível erradicar a fome e a miséria, mas que quem está no poder não permite isto. Significa que é possível que pobres frequentem a universidade e se formem, que sejam consumidores de fato, que viagem de avião, que comam três vezes ao dia, que tenham salário e aposentadoria dignos. Em uma palavra: que o Estado, por meio de um governo que abrace tais objetivos, possa torná-los cidadãos de fato, e que se isso não ocorre é porque há interesses que se opõem radicalmente a isto.

Lula, preso, é motivo de mobilização social e mantém seus ideais vivos, como o fez Nelson Mandela na África do Sul há poucas décadas atrás. E Lula, tal como Mandela, não pode ser solto, porque senão o povo o tornará Presidente de novo. Quem o prendeu sabe disso, e por isso, unicamente, o mantém preso, pouco importando quais sejam as acusações, a defesa, as testemunhas e as provas. O que importa, para quem não tolera a ideia de que pobre viva dignamente, é manter Lula preso até o fim. Nada mais importa.

Lula sabe de tudo isso. Experiente, maduro, sabe que seus ideais valem mais do que sua própria vida e, preso, exerce o simbolismo necessário para que toda a luta pelos excluídos permaneça viva.

E o trabalho de Lula dará frutos porque, para desespero de quem o odeia, Lula receberá, muito provavelmente ainda na cadeia, o Prêmio Nobel da Paz, sendo o único brasileiro a conquistar tal feito, porque ousou, até o fim, lutar por quem mais precisava: pelos pobres e excluídos do Brasil.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

LULA ENTRA NO STF COM PEDIDO DE LIBERDADE APÓS MORO ACEITAR CONVITE DE BOLSONARO

O ex-presidente Lula, Jair Bolsonaro (presidente eleito) e futuro ministro Sergio Moro.

Da Agência Brasil.

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com um novo pedido de liberdade no Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que a ida do juiz Sergio Moro para o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro demonstra parcialidade do magistrado e também que ele agiu “politicamente”.

Os advogados de Lula querem que seja reconhecida a suspeição de Moro para julgar processos contra o ex-presidente e que sejam considerados nulos todos os atos processuais que resultaram na condenação no caso do tríplex do Guarujá (SP).

O pedido ainda requer que sejam suspensas outras ações penais contra Lula que estavam sob a responsabilidade de Moro, como as que tratam de suposto favorecimento por meio da reforma de um sítio em Atibaia (SP) e de supostas propinas da empresa Odebrecht. Nesta última, o depoimento do ex-presidente está marcado para 14 de novembro.

“Lula está sendo vítima de verdadeira caçada judicial entabulada por um agente togado que se utilizou indevidamente de expedientes jurídicos para perseguir politicamente um cidadão, buscando nulificar, uma a uma, suas liberdades e seus direitos”, afirmam os advogados.

Ao pedir pela liberdade de Lula, os advogados afirmam ainda que o Supremo deve ser imune a pressões externas resultantes do clamor popular. “A História (em maiúsculo) não acaba em 2018. Juízes justiceiros vêm e vão. O Supremo Tribunal Federal permanece”, escreveram os advogados.

A defesa cita ao menos 33 atos de Moro que demonstrariam sua parcialidade para julgar Lula, entre eles a divulgação da delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, cujo sigilo foi retirado pelo juiz a poucos dias do primeiro turno das eleições deste ano. Caberá a relator, ministro Edson Fachin, decidir se os argumentos justificam a soltura do ex-presidente.

Nesta segunda-feira, Moro saiu de férias, após ter aceitado, na semana passada, assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro. O magistrado já se afastou de todos os casos da Lava Jato, que são assumidos interinamente pela juíza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt.

Lula está preso desde 7 de abril na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, após ter sua condenação confirmada pelo Tribunal Regional Federal 4ª Região (TRF4), que impôs pena de 12 anos e um mês de prisão ao ex-presidente, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O PRESENTE DE LULA PARA A DIREITA

Imagem: Pedro Ladeira/Folha de São Paulo.

Por Juan Arias, publicado no site do El País/Brasil.

Lula, considerado um dos maiores estrategistas políticos da América Latina, poderia estar dando um grande presente à direita com sua estratégia de impedir, num momento tão crítico para as forças progressistas deste país, a união dos partidos de esquerda. Entrincheirado em sua cela e em seu castelo de onipotência, está desorientando não só o seu partido, o PT, ao qual está desidratando, mas também o resto das forças de esquerda, que pela primeira vez poderiam concorrer unidas nas eleições para frear o ímpeto não só da direita, mas também da extrema direita valentona dos Bolsonaros.

É possível que, perante a impossibilidade de disputar as eleições, impedido pela lei da Ficha Limpa, Lula queira jogar todas as suas fichas em manter a qualquer custo a liderança da esquerda, mesmo que ao preço de condená-la à oposição, deixando o campo livre para as forças conservadoras que já mostraram suas garras e sua vontade de governar. Não que não tenham direito a isso, mas, num país onde a maioria ainda vive na pobreza, onde quase 40 milhões não concluíram o ensino básico e 25 milhões os estudos secundários, num país devorado pela violência, pela desigualdade social, pelos preconceitos raciais e pela corrupção política, é um pecado deixar a nação nas mãos dos conservadores.

A responsabilidade de Lula nesta hora é grande e grave. Ninguém lhe pede que deixe de defender sua inocência, se acreditar nela, mas ao mesmo tempo tampouco pode expor o país a uma crise política com táticas puramente defensivas, que possam envenenar uma eleição já muito convulsionada. Não parece respeitoso com o país agarrar-se a qualquer estratégia, inclusive conúbios pouco republicanos com setores da direita, sacrificando as outras forças de esquerdas para se manter sob os holofotes.

Vivemos submersos numa modernidade, inclusive política, que não tem mais nada a ver com os arroubos de grandeza dos Reis-Sóis, que proclamavam “O Estado sou eu” ou “depois de mim, o dilúvio”. Toda identificação de qualquer força política com o Estado é não só um atraso tresloucado como também um perigo para a própria democracia, que se nutre da seiva de toda a sociedade que é o sujeito e não o objeto da política e da civilização.

É possível que Lula, com sua estratégia do Sansão bíblico de “morra eu com todos os filisteus”, consiga manter vivo o mito de que ele é não só a esquerda, toda a esquerda, mas também todo o país, mesmo que isso signifique colocá-lo à beira do precipício. O popular e carismático ex-sindicalista já deu provas em outros momentos históricos de entrega aos melhores valores deste país, merecendo a estima internacional. Talvez tenha chegado o momento de ele demonstrar grandeza de espírito colocando-se não como única e exclusiva salvaguarda do país, e sim se somando à caravana de todas as forças do progresso, que mais do que nunca precisam estar abraçadas e em uníssono para impedir que continue levantando-se o muro não só das desigualdades sociais, mas também do atraso cultural, da sangria da corrupção e das tentações autoritárias.

É nos momentos cruciais da história que os verdadeiros estadistas se diferenciaram dos charlatães. A receita sempre foi a do próprio sacrifício pessoal em nome do bem comum, como demonstraram os grandes e autênticos guias das sociedades em perigo, de Moisés ao profeta Jesus, de Gandhi a Luther King e Mandela. Lula já se equiparou a todos eles. Tomara que a história possa um dia inscrevê-lo naquele livro de ouro, e não no dos condenados ao esquecimento.

TRF-4 MANDA SOLTAR LULA

Ex-presidente Lula. Imagem: Google.

Do G1.

Em decisão neste domingo (8), o desembargador federal Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), com sede em Porto Alegre, decidiu conceder liberdade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde 7 de abril deste ano em Curitiba. Lula foi condenado no processo do triplex, no âmbito da Operação Lava Jato, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O despacho determina a suspensão da execução provisória da pena e a liberdade de Lula.

“Cumpra-se em regime de URGÊNCIA nesta data mediante apresentação do Alvará de Soltura ou desta ordem a qualquer autoridade policial presente na sede da carceragem da Superintendência da Policia Federal em Curitiba, onde se encontra recluso o paciente”, diz trecho da decisão.

POR QUE QUEREM ME CONDENAR

downloadPor Luiz Inácio Lula da Silva/publicado na edição de hoje da Folha de São Paulo.

Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.

Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.

Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.

Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.

Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.

Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.

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AS NARRATIVAS POPULISTAS NA DEMOCRACIA

FOTO REINALDO JORNALPor Reinaldo Soares.

Narrativa é uma exposição de fatos, uma narração, um conto ou uma história que se desenvolve em torno de um enredo e tema, conduzidos por um personagem. Na história política contemporânea, a narrativa como forma de instrumentalizar e legitimar o poder começou com Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista.

Frases como “uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade” e “ nós não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito” tornaram  Goebbels o grande responsável pela expansão e consolidação da ideologia nazista nas décadas de 1930 e 1940, além de precursor do marketing político tão utilizado hoje em dia.

Referindo-se ao populisno, o cientista político italiano Noberto Bobbio, conceitua que essa forma de fazer política tem o povo como “fonte principal de inspiração e termo constante de referência”. Ele acrescenta que o populismo se apresenta messiânico e “busca sua sobrevivência ou preservação em formas carismáticas, em intérpretes quase sagrados da vontade e do espírito do povo”.

Diante desse contexto, a adolescente democracia brasileira tem vivenciado construções de narrativas para justificar ou desconstruir interesses e ações dos grupos políticos protagonizadores do processo político nacional.

Com a primeira eleição de Lula na Presidência da República, a primeira grande narrativa foi construída com objetivo de consolidar o imaginário coletivo em torno de um retirante nordestino, operário, homem do povo que assumiu o alto poder e depois de Getúlio Vargas, tornava-se o grande messias, chegando a ser chamado pelo Presidente Barack Obama de “o cara”. O líder se orgulhava que seu primeiro diploma foi de Presidente da República.

Grandes avanços sociais foram alcançados neste período e com eles surgiu a narrativa “nunca antes nesse país”. Esta narrativa objetivava consolidar a construção do mito do presidente operário, dividindo a história política brasileira em antes e depois dele, fazendo parte de concepções messiânicas que permeiam os regimes populistas.

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SUPREMO TIRA GRAVAÇÕES DE LULA DO JUIZ SERGIO MORO

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No voto, o ministro Teori Zavascki lembrou o fato de uma das conversas ter sido gravada depois do pedido para que as interceptações fossem suspensasAntonio Cruz/ Agência Brasil.

Da Agência Brasil.

Por oito votos a dois, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na tarde desta quinta-feira (31) que as investigações da Operação Lava Jato sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem permanecer na Corte.

A maioria dos ministros decidiu manter a decisão anterior do ministro relator, Teori Zavascki.  Com a posição do plenário, a parte da investigação que envolve Lula permanecerá no STF e não com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da operação na primeira instância.

No voto, o ministro Zavascki afirmou que, apesar da questão da legitimidade das interceptações das conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fazer parte do julgamento desta tarde, algumas das provas podem perder validade. O ministro citou o fato de uma das conversas ter sido gravada depois do pedido para que as interceptações fossem suspensas.

Pedido relevante

“Cumpre enfatizar que não se adianta aqui qualquer juízo sobre a legitimidade ou não da interceptação telefônica em si mesma, tema que não está em causa, embora aparentemente uma das mais importante conversas tornadas públicas foi gravada depois de ter sido suspensa a ordem de interceptação. De modo que será muito difícil convalidar a validade desta prova. Mas isso, de qualquer forma, não está em questão”, acrescentou Teori.

O relator disse ainda que havia relevância no pedido da Presidência da República para que sejam suspensos os efeitos da decisão que tornou pública as conversas interceptadas.

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NÃO AO GOLPE E NÃO À POLITICA DE DILMA

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Carlos PereiraPor Carlos Pereira Neto

A despolitização da militância do PT é de doer. De um lado, andam fazendo postagens indagando por que o Temer, já que rompeu e golpeia Dilma, não renuncia. Não renuncia porque o seu mandato não é do PT e nem de Dilma. Ele é um golpista, isso é fato, mas é besteirol esse negócio de renúncia. Ele dá golpe porque não precisa renunciar. (Tem uma outra babaquice, que vi depois que escrevi. É uma foto de Dilma como um bocado de militares atrás batendo continência e a frase; ” ela lutou por nós, precisamos lutar por ela agora”. Santo Deus, deve ser por essa “enorme” politização que devemos estar nessa bagunça toda!)

Por outro lado, ficam criando o mito da capacidade de Lula resolver tudo e que morrem de medo dele. É verdade, os golpistas o temem eleitoralmente , mas ele é o grande responsável de ter criado a sua própria arapuca. Não fez nenhuma reforma estrutural, nem mesmo tentou democratizar o sistema de comunicações. Entrou no jogo das elites pensando que seria parte dela (é o tipo da empregada doméstica que acha que é da família) não era, mas elas sempre souberam quem ele era.

Lula pode sim, ainda, realizar um papel na resistência. Sobretudo se aprender a deixar de ser o Lula. Deixar de ser o eterno conciliador e apaziguador das massas e procurar ser um dos porta-vozes dos seus interesses imediatos e históricos, mas isso é quase impossível por sua formação. Lula ainda não é “suco” mas também não é o Super-Homem.

Houve avanços sociais nos governos petistas, mas o que deixou de se fazer é muito maior. É preciso parar de olhar o passado e as mitologias e politizar o presente e resistir ao golpe da direita e dos empresários, mas criando uma pauta mínima de defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores.

Defender os parâmetros legais da Constituição Federal e as conquistas democráticas, mesmo tão poucas efetivamente, não significa, de forma alguma, defender a política econômica e social do governo Dilma.

O governo Dilma é um desastre para os interesses dos trabalhadores e populares e também para a soberania nacional, é indefensável politicamente, o que está a se defender são as regras do jogo democrático e a segurança jurídica que ele deveria ter.

Não é Dilma e o seu governo que é defendido, mas a legitimidade do seu mandato, mesmo o seu exercício tendo sido ruim para soberania nacional e o povo trabalhador.

Luta-se contra a investida golpista da Globo/Fiesp e seu capitães-do-mato no mundo da política e nas instituições do Estado e também contra a continuidade da política econômica neoliberal.

Carlos Pereira Neto é advogado e professor do curso de direito da Universidade Estadual de Santa Cruz.

MORO IGNOROU LEI E CONSTITUIÇÃO NO CASO DE LULA, DIZ TEORI ZAVASCKI

teori e moro

Por Pedro Canário do site Conjur.

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba envie para o STF todas as investigações que envolvem o ex-presidente Lula. Segundo Teori, o juiz Sergio Moro, titular da vara, ao constatar que conversas de Lula com autoridades com prerrogativa de foro foram gravadas e anexadas ao processo, deveria ter enviado os autos ao Supremo, para que a corte decidisse sobre a cisão ou não do processo. A decisão é desta terça-feira (22/3).

Teori ainda cassou a decisão de Moro que levantou o sigilo dos grampos telefônicos envolvendo Lula, por entender que o magistrado não tinha competência para tomá-la. Segundo o ministro, Moro decidiu “sem nenhuma das cautelas exigidas em lei”. Os grampos envolviam conversas entre Lula e a presidente Dilma Rousseff e o então ministro da Casa Civil, Jacques Wagner, hoje chefe de gabinete da Presidência.

De acordo com o ministro, o decreto de fim do sigilo dos grampos foi ilegal e inconstitucional. Primeiro porque foi o resultado de uma decisão de primeiro grau a respeito de fatos envolvendo réus com prerrogativa de foro no Supremo. Depois porque, ao divulgar o conteúdo dos grampos, Moro violou o direito constitucional à garantia de sigilo dos envolvidos nas conversas.

Ainda segundo Teori, a Lei das Interceptações, “além de vedar expressamente a divulgação de qualquer conversa interceptada (artigo 8º), determina a inutilização das gravações que não interessem à investigação criminal (artigo 9º)”.

“Não há como conceber, portanto, a divulgação pública das conversações do modo como se operou, especialmente daquelas que sequer têm relação com o objeto da investigação criminal. Contra essa ordenação expressa, que — repita-se, tem fundamento de validade constitucional — é descabida a invocação do interesse público da divulgação ou a condição de pessoas públicas dos interlocutores atingidos, como se essas autoridades, ou seus interlocutores, estivessem plenamente desprotegidas em sua intimidade e privacidade.”

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HUMOR: PROGRAMAÇÃO DE HOJE DA REDE GLOBO

Lula, lula, lula
Rede Globo oferece programação bem diversificada.

Rolando no whatsapp

Hoje a programação da Globo é:
Bom dia Lula
Mais Lula
Bem Lula
Encontro com Lula
LulaTV
Lula Esporte
Lula Hoje
Vídeo Lula
Sessão do Lula
Vale a Pena ver o Lula
Lulação
Eta Lula Bom
Totalmente Lula
Lula Jornal
Velho lula
Big Lula Brasil
Lula Reporter
Jornal do Lula
😂😂😂😂

“JAMAIS IREI PARA O GOVERNO PARA ME PROTEGER”, DIZ LULA EM GRAMPO

Da Folha de São Paulo

Numa conversa interceptada pela Operação Lava Jato o ex-presidente Lula refuta a ideia de que viraria ministro para escapar do julgamento do juiz Sergio Moro, como interpretam muitos analistas: “Jamais irei para o governo para me proteger”, diz o ex-presidente para o governador do Piauí Wellington Dias (PT).

No diálogo, Lula informa a Wellington Dias qual seria a receita econômica que recomendaria a Dilma caso se tornasse ministro.

“A coisa mais simples que ela tem de fazer é liberar financiamento para governadores e fazer o BNDES liberar dinheiro do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], do PIL [Programa de Investimento em Logística], da puta que o pariu”.

Não há a data da conversa divulgada pela Justiça federal do Paraná, mas o ex-presidente ainda não havia aceitado o cargo de ministro-chefe da Casa Civil.

Em outra conversa, com o cientista político chamado Alberto Carlos, Lula comenta sobre uma suposta ordem de prisão do juiz Sergio Moro: “Ele deve fazer para ver o que acontece”.

O ex-presidente afirma na conversa não temer nenhum tipo de investigação. “Podem investigar minha conta na casa do caralho que não tem um centavo. Esses caras sabem que não tenho apartamento, que não tenho chácara. Fui o conferencista mais bem pago do começo do século 21”, orgulha-se, comparando-se com o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton. Lula contou em depoimento à PF que recebia US$ 200 mil por palestra.

O juiz Sergio Moro diz ter ordenado o monitoramento do telefone de um assessor de Lula, já que o ex-presidente não usa celular.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, acusa Moro de estimular uma “convulsão social” com a divulgação de telefonemas. ” Isso não é papel do Judiciário”, disse.

EX-MINISTRO DO GOVERNO LULA, CARLOS MINC DEIXA O PT

Carlos Minc.
Carlos Minc.

Carlos Minc, ex-ministro do meio ambiente do segundo mandato de Lula e atualmente deputado estadual, decidiu deixar o PT. Alega conflitos éticos e cita a decisão da sigla de apoiar para prefeito do Rio de Janeiro, o peemedebista Pedro Paulo Carvalho, que já confessou ter agredido a ex-mulher.

Minc tem vinculações políticas e históricas com o movimento das mulheres, e já foi considerado simbolo do PT do Rio.

Leia a carta de desligamento.

Prezados amigos(as), parceiras(os), companheiros(as),

É com imensa tristeza que vos comunico através da presente carta o meu desligamento do Partido dos Trabalhadores.

Tenho orgulho de tudo que fiz no PT: o combate às desigualdades, às discriminações e a luta pela proteção do meio ambiente e pelo desenvolvimento sustentável. Entendo que honrei meus mandatos, no legislativo e no executivo, sempre agindo de acordo com os ideais eco-libertários, éticos e com os programas partidários.

Avançamos imensamente, tiramos milhões da pobreza, colocamos milhões de jovens nas universidades e escolas técnicas, mas cometemos muitos erros, na política, na ética, na economia. Não soubemos entender e reverter estes erros, que acabaram sendo também objeto de manipulação e amplificação através de tratamentos diferenciados e seletivos da oposição e de alguns setores da mídia, da Justiça e do Ministério Público. E nós, que sempre defendemos a luta contra a impunidade e os privilégios, ficamos emparedados.

Fato é que, infelizmente, não ocorreu a implementação de um movimento de correção de rumos, de “refundação do partido”, como sustentou o companheiro Tarso Genro.  Esta combinação perversa nos levou ao isolamento crescente e ao estigma da corrupção, que afastou, sobretudo, os formadores de opinião, as classes médias, a juventude, os intelectuais, dentre outros. Isso tudo acabou criando bases para o ressurgimento da direita reacionária (que andava escondidinha…), e para a radicalização insana da política, com ameaça real às grandes conquistas obtidas e até mesmo às liberdades democráticas. 

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MULHER DE MARQUETEIRO DO PT, MÔNICA MOURA DECIDE FAZER DELAÇÃO

Monica Moura

Do Estadão Conteúdo

A empresária Mônica Moura, mulher e sócia do publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas presidenciais de Lula (2006) e de Dilma (2010 e 2014), decidiu fazer delação premiada. O casal foi preso na operação Acarajé, 23ª fase da Lava Jato.

Mônica ainda não formalizou o acordo. Os termos da colaboração estão sendo definidos com os procuradores com a força-tarefa da Lava Jato.

A mulher de Santana cuidava da parte financeira da Polis Propaganda e Marketing, empresa que fez as campanhas de Dilma. O casal está sob suspeita de recebimento de US$ 7,5 milhões da Odebrecht via offshore no exterior.

Mônica trocou de advogado na semana passada. Ela contratou Juliano Campelo Prestes, que atua em Curitiba, base da Lava jato, onde ela está detida. O advogado fez a delação premiada do lobista Milton Pascowitch –pivô da prisão do ex-ministro José Dirceu, também na Lava Jato.

Santana continuará sendo defendido pelo criminalista Fabio Tofic. A tese da defesa é que Santana atuava apenas na parte de criação da agência.

Nesta segunda-feira (14), foi divulgado que o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que o juiz Sérgio Moro apresente informações sobre a prisão de Santana. A defesa do publicitário entrou com pedido para que a Suprema Corte anule sua prisão.

A defesa de Santana questiona a autoridade de Moro para conduzir as investigações. A alegação é de que “se trata de apurar a ocorrência de possíveis crimes eleitorais, que envolvem, ao que tudo indica, autoridades detentoras de prerrogativa de foro”.

De acordo com os advogados do marqueteiro, as investigações sempre tiveram como objetivo as campanhas eleitorais de Lula e Dilma. Por isso, deveriam ser examinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não pela Justiça Federal do Paraná.

LÍDERES POLÍTICOS INTERNACIONAIS MANIFESTAM APOIO A LULA

Ex-presidente Lula foi obrigado a depor à PF.
Ex-presidente Lula.

Do Instituto Lula

São Paulo, 11 de março de 2016

Ex-chefes de Estado e de governo de diversos países da Europa e América Latina publicaram uma declaração de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dentre os 14 primeiros signatários estão José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai, Cristina Kírchner, ex-presidenta da Argentina e Felipe González, ex-presidente de governo da Espanha. 

O texto destaca a ” tentativa de alguns setores de destruir a imagem deste grande brasileiro” e as conquistas sociais do Brasil durante os mandatos de Lula. 

Leia abaixo o manifesto: 

DECLARAÇÃO

Durante várias décadas, Luiz Inácio Lula da Silva destacou-se como sindicalista, lutador social, criador e dirigente do Partido dos Trabalhadores.

Eleito Presidente da República, em 2002, Lula levou adiante um ambicioso programa de mudança social no Brasil, que tirou da pobreza e da miséria milhões de homens e mulheres. Sua política econômica permitiu a criação de milhões de empregos e uma extraordinária elevação da renda dos trabalhadores.

Seu Governo aprofundou a democracia, estimulando a diversidade política e cultural do país, a transparência do Estado e da vida pública. O Executivo, o Ministério Público e o Poder Judiciário puderam realizar investigações de atos de corrupção eventualmente ocorridos na administração direta ou indireta do Estado.

Preocupa à opinião democrática, no entanto, a tentativa de alguns setores de destruir a imagem deste grande brasileiro. 

Lula não se considera nem está acima das leis. Mas tampouco pode ser objeto de injustificados ataques a sua integridade pessoal.

Estamos com ele e seguros de que a verdade prevalecerá.

Cristina Kirchner (Argentina)

Eduardo Duhalde (Argentina)

Carlos Mesa (Bolívia)

Ricardo Lagos (Chile)

Ernesto Samper (Colômbia)

Maurício Funes (El Salvador)

Felipe Gonzalez (Espanha)

Manuel Zelaya (Honduras)

Massímo D”Alema (Itália)

MartinTorrijos (Panamá)

Nicanor Duarte (Paraguai)

Fernando Lugo (Paraguai)

Leonel  Fernandes (República Dominicana)

José Mujica (Uruguai)

Juan Manuel Insulza (OEA)

A INTENÇÃO DO CARNAVAL

verissimo

Por Luis Fernando Veríssimo/ extraído do Blog do Noblat.

‘Ninguém está acima da lei” foi o refrão que acompanhou a ida do Lula, à força, para depor na semana passada. Perfeito. Numa república democrática, ninguém deve se considerar acima da lei, nem ex-presidentes. Mas faltou um adendo: “Nem juízes”.

A condução coercitiva determinada pelo Moro foi, mais do que um circo desnecessário, uma ilegalidade. Pela lei, a condução coercitiva é usada quando uma intimação não é atendida. Não foi o caso do Lula, que já tinha deposto três vezes sem necessidade da força. Se uma ação policial é descabida e fora da lei e, mesmo assim, é realizada, e com estardalhaço, resta especular sobre o que motivou a ação e o estardalhaço. Foi só para humilhar o Lula? Foi uma deliberada demonstração de força, tão compulsiva que se fez mesmo em desafio à sua evidente ilegalidade e sua previsível repercussão? 

É difícil acreditar que a Polícia Federal não tivesse outro canto de São Paulo para ouvir o Lula a não ser o Aeroporto de Congonhas, com sua implícita pequena distância, de avião, de Curitiba e da prisão, se a polícia assim quisesse. E, no fim, ainda tivemos a espantosa declaração do Moro de que o método e o local do depoimento do Lula tinham sido escolhidos para proteger o ex-presidente.

Ninguém está imune a ela, de acordo, mas a biografia de alguém deveria valer alguma coisa ao se avaliar sua posição, acima ou abaixo da lei. Para ficar só nos ex-presidentes: o Fernando Henrique Cardoso, pelo seu histórico de intelectual engajado e homem público — não importa o que você pensa do governo dele —, não merece ver sua vida privada transformada numa novela das nove e ter que dar explicações sobre um assunto que é só da conta dele e da família dele. Da mesma forma, o Lula, pela sua história, pelo que ele representa, deveria ter outras considerações além da pequena regalia de não precisar usar algemas. Ou talvez a intenção do carnaval fosse essa mesma, a de mostrar para quem o idolatra que, só porque foi presidente, tem adega com vinhos caros e pedalinhos pras crianças, ele continua um torneiro mecânico iletrado sem direito a rapapés.

Militares

Um leitor me adverte que 90% dos militares brasileiros concordam com o que diz o Jair Bolsonaro. Noventa por cento dos militares brasileiros concordam que a ditadura deveria ter matado, em vez de apenas torturado, quem prendeu? Duvido.