Atestada a qualidade dos pescados de Ilhéus e região

Litoral de Ilhéus. Foto: Clodoaldo Ribeiro.

A pesquisa realizada pelo Centro de Excelência em Geoquímica do Petróleo (LEPETRO) avaliou a qualidade dos pescados nas zonas costeiras do litoral da Bahia, inclusive de Ilhéus. O parecer técnico, divulgado no final de 2019, concluiu que não foi constatada nos pescados, como nos do litoral sul, a presença dos 16 Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs) nas amostras dos pescados coletados em estuários, zona costeira e baías do estado.

Os pescados de Ilhéus apresentam índices seguros para o consumo. De acordo com o relatório autorizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) da Bahia, as localidades afetadas pelas manchas de óleo devem ser monitoradas periodicamente.

A pesquisa examinou 71 amostras, sendo 23 coletadas no Litoral Norte e Região Metropolitana de Salvador, e 48 entre o Sul, Baixo Sul e Extremo Sul, incluindo o município de Ilhéus. Os resultados detalhados pela pesquisa comprovaram que os níveis encontrados em espécies de crustáceos, moluscos e peixes são insignificantes dentro dos parâmetros referenciais adotados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e também por órgãos internacionais.

Confira o parecer técnico:  http://www.bahiapesca.ba.gov.br/arquivos/File/020120parecertecnico.pdf

Clima tornará Amazônia duas vezes mais inflamável neste século

A Amazônia é o bioma que registra o maior número de focos de calor (Foto: Greenpeace).

Fonte: O Eco

O aquecimento global deve tornar vastas porções da selva amazônica parecidas com a inflamável Austrália nos próximos 30 anos. Matas úmidas que antes não pegavam fogo deverão queimar anualmente, elevando ainda mais as emissões de gases de efeito estufa. Isso tende a ocorrer mesmo sem desmatamento – embora de forma menos grave se os brasileiros pararem de derrubar suas florestas.

O alerta foi feito na sexta-feira (10) por uma dezena de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos no periódico Science Advances. Em seu estudo, eles cruzaram o comportamento do fogo na Amazônia com os modelos climatológicos do IPCC, o painel do clima da ONU.

Antes que alguém diga que se trata apenas de suposição de acadêmicos, cabe lembrar que análise usou versões mais sofisticadas dos modelos computacionais que há pelo menos 13 anos já previam que a mudança do clima induziria secas severas e incêndios catastróficos no continente australiano, como os que estamos vendo desde setembro do ano passado.

O grupo liderado por Paulo Brando, da Universidade da Califórnia em Irvine e do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), estimou que os incêndios florestais induzidos pelo aquecimento da Terra atingirão 16% da Amazônia brasileira até 2050. A área de florestas sujeita a fogo anualmente dobrará em relação à década passada, já anormalmente seca – de 3,3 milhões de hectares pra 6,6 milhões. Nesse mesmo período, somente as emissões brutas por fogo em matas podem chegar a 17 bilhões de toneladas. É quase dez vezes o que o Brasil emite em toda a sua economia por ano.

Esses incêndios e essas emissões não devem ser confundidos com as emissões por queimadas e desmatamento. Neste último caso, criminosos derrubam florestas – frequentemente para plantar capim e especular com a terra, em busca de anistias futuras, como a dada por Jair Bolsonaro em dezembro – e tocam fogo na vegetação derrubada para “limpar” o terreno. Foi o que aconteceu em 2019, ano em que as queimadas na Amazônia aumentaram 30% em relação ao ano anterior, e que o desmatamento, vejam só, também subiu 30%. (mais…)

Projeto (a)mar alerta população para período de defeso do guaiamum

Projeto alerta população para a época do defeso.

O Projeto (a)mar iniciou uma campanha para orientar a população sobre a andada do Guaiamum, espécie em risco de extinção. A equipe alerta que este é um importante período para a reprodução e manutenção da espécie. O consumo, venda, captura e transporte neste período é proibido por lei federal. Seguimos cuidando desse berçário marinho que são os manguezais e também de suas espécies.

Em 2020, o 1º período de defeso vai de 10 a 15/ 01/ 2020, o 2º período de 09 a 14/ 02/ 2020 e o 3º acontece de 09 a 14/ 03/ 2020. Já o 4º e último período vai de 07 a 12/ 04/ 2020. A equipe do lançou a campanha #deixaoguaiamumnamorar e por meio do @projeto.amar.ba e do número 73 99812 2850 está disponível para tirar dúvidas e atender a população.

Ministério do Meio Ambiente vai criar Secretaria da Amazônia

Foto: Agência Brasil.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou a criação da Secretaria da Amazônia, com sede em Manaus, que terá atribuições em áreas como bioeconomia, combate ao desmatamento ilegal, regularização fundiária, pagamento por serviços ambientais, entre outros.

Em nota, o MMA informou hoje (9) que a criação da Secretaria da Amazônia “é um esforço para materializar a presença” do ministério na região.

“A Secretária da Amazônia, com sede em Manaus, ajudará muito na viabilização das ações de fiscalização e promoção do desenvolvimento sustentável para toda a região”, disse o ministro Ricardo Salles, em uma postagem no Twitter.

Fonte: Metro1

Manchas de óleo voltam a aparecer no litoral do Ceará

Adema/Governo de Sergipe.

Fonte: Agência Brasil

Manchas de óleo voltaram a aparecer em praia do litoral do Ceará entre a noite de ontem (29) e a manhã de hoje (30). A informação foi confirmada pelo Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), que acompanha o vazamento de óleo nas praias do Nordeste e Sudeste desde o fim de agosto. De acordo com o GAA, foram encontrados resíduos de óleo na praia de Caetanos de Cima, no município de Amontada, e na praia de Apiques, localizada em Itapipoca, ambas no litoral Oeste do Ceará.

Desde outubro a ocorrência de manchas não era registrada no litoral cearense. De acordo com o GAA, formado pela Marinha, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Agência Nacional de Petróleo (ANP), amostras do material estão sendo enviadas para análise no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) a fim de identificar o tipo de óleo.

“Participam do recolhimento dos vestígios de óleo militares da MB [Marinha do Brasil], membros do Ibama, da Defesa Civil e voluntários, sob coordenação do GAA. Mais militares estão sendo mobilizados para limpeza das áreas não habitadas das praias”, informou o grupo em nota.

O mais recente levantamento do Ibama, divulgado na última sexta-feira (27), mostra que o óleo atingiu 980 pontos, em todos os nove estados do Nordeste, além de praias nos estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.

Número de agrotóxicos registrados em 2019 é o maior desde 2005

Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil.

O Ministério da Agricultura aprovou o registro de 474 agrotóxicos em 2019. Segundo levantamento do G1, o número é o maior documentado pela pasta desde 2005 e está 5,5% acima do registrado em 2018, quando 449 pesticidas foram liberados – um recorde, até então. Os registros apresentam tendência de alta desde 2016.

Do total liberado em 2019, 26 dos pesticidas são inéditos (5,4%) e 448 são genéricos (94,5%), ou seja, são “cópias” de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes, ou produtos finais baseados em ingredientes já existentes no mercado.

A última leva de agrotóxicos liberados no ano foi publicada ontem (27), no Diário Oficial da União. Foram 36 produtos, todos genéricos.

O governo alega que a alta no ritmo de liberações se deve a medidas de desburocratização que foram adotadas desde 2015 para acelerar o andamento da fila de registros.

*Com informações do Metro1.

Comando unificado encerra situação de emergência no litoral baiano

Foto: Saul Gabriel Salomão.

Criado em outubro para o desenvolvimento de ações coordenadas em resposta ao avanço das manchas de óleo no litoral baiano, o Comando Unificado de Incidentes teve o caráter de emergência encerrado na tarde da quinta-feira (19). As instituições representadas continuarão a se reunir de forma sistemática, subdivididas em Grupo Temáticos (GTs), para ações de pesquisa, monitoramento, e mitigação dos impactos socioambientais das manchas de óleo.

A próxima reunião será realizada no dia 8 de janeiro e terá como principal ponto de pauta a articulação institucional para a realização de um seminário internacional sobre as ações do pós-óleo, com data prevista para março de 2020. “Recebemos propostas de apoio técnico internacional para atuação na limpeza do óleo nos mangues, estuários e em áreas recifais. Levamos as ofertas para análise do Comando Unificado, e, entre elas, a disponibilidade de especialistas da França e Espanha em compartilharem suas experiências conosco”, afirmou o secretário do Meio Ambiente, João Carlos Oliveira.

“Vamos reunir as demandas de cada instituição representada no comando para estruturamos a realização deste seminário, que visa apontar soluções para as áreas afetadas, monitoramento, pesquisa, e atuação estratégica em caso de desastres futuros”, acrescentou o secretário, que se reuniu com membros do Ministério da Transição Ecológica da França na manhã da quinta (19). (mais…)

Novo estudo do Inpe diz que óleo veio do mar da África

Foto: José Nazal.

Fonte: O Estadão

Estudos realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que a origem do derramamento de petróleo no litoral brasileiro estaria a milhares de quilômetros da costa do País. Mais precisamente as avaliações indicam que o óleo teria se deslocado da região sul do mar da África, em abril, até chegar à costa brasileira, em setembro.

Essa hipótese refuta completamente a linha mais recente de investigações divulgadas pela Marinha e pela Polícia Federal, que apontaram, como principal suspeito da tragédia, o navio Bouboulina, da empresa grega Delta Tankers. No início de novembro, o Ministério da Defesa, a Marinha e a PF declararam que, por meio de geointeligência, haviam identificado uma imagem de satélite do dia 29 de julho relacionada a uma mancha de óleo a 733,2 quilômetros da costa brasileira, na região leste do Estado da Paraíba. De um dia para o outro, essa mancha teria aparecido, na região por onde o navio passava.

A Delta Tankers negou qualquer tipo de incidente com a embarcação e se prontificou a auxiliar nas investigações. Nesta semana, a Marinha evitou falar sobre o assunto em audiência na CPI do Óleo, instalada na Câmara dos Deputados.

Vazamento de petróleo – Praias afetadas
A nova hipótese de que o local de origem seria o mar na região sul da África é detalhada por Ronald Buss de Souza, pesquisador do Inpe que atua no Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) da crise do óleo. Oceanógrafo, Souza é chefe de gabinete e diretor substituto do Inpe. Segundo o especialista, modelos estatísticos que levam em consideração situações tecnicamente reconhecidas sobre as correntes marítimas, vento e ondas indicam que o óleo, que efetivamente chegou ao litoral de forma submersa, teria como origem a região sul da África. O pesquisador, no entanto, não detalhou se seria um acidente com embarcações ou um vazamento.

Material pode estar estocado no fundo do oceano
O Inpe considera ainda que, apesar de não terem surgido novas manchas no litoral brasileiro, há chances de que parte do óleo ainda possa estar estocado no fundo do mar, preso a sedimentos. “A gente tem uma hipótese principal de que esse derrame aconteceu a partir de abril deste ano, e as manchas só chegaram ao País, em subsuperfície, de maneira difícil de ser detectada através de imagem de satélite, em setembro”, comentou Ronald Buss de Souza, que participou da reunião da CPI do Óleo, na quarta-feira. (mais…)

Amazônia: Brasil e Alemanha fazem cooperação para produção sustentável

Floresta Amazônica. Imagem do Exército do Brasil.

Fonte: Agência Brasil

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vai criar o Índice de Adequação Socioambiental para qualificação das cadeias produtivas de carne, soja e madeira no Amazonas, no Mato Grosso, no Pará, em Rondônia e no Tocantins. A iniciativa, para favorecer a conservação da Floresta Amazônica, faz parte de um projeto de cooperação técnica entre o Brasil e a Alemanha para o período de 2020 a 2024.

O índice terá como base de dados o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (CAR), previsto no Código Florestal Brasileiro, as guias de transição para controle da circulação de animais criados para corte e também informações da fiscalização contra a exploração de trabalho análogo à escravidão.

O acordo de cooperação, assinado na segunda-feira (9) na sede do ministério em Brasília, envolve a doação alemã de 25,5 milhões de euros e a contrapartida de 12 milhões de euros do governo brasileiro.

Segundo nota do ministério, as ações do projeto “buscam criar ferramentas para acompanhar a situação socioambiental dessas cadeias produtivas, gerar agregação de valor aos produtos dos setores com bons índices de sustentabilidade e fornecer assistência técnica e gerencial para os produtores com baixos índices de sustentabilidade”. (mais…)

5ºGBM/Ilhéus realiza a 4ª edição da campanha “Na onda contra o plástico”

Foto: Ascom/5ºGBM.

O 5º Grupamento de Bombeiros Militar (5°GBM) de Ilhéus, realizou n último sábado, 7, a quarta etapa da campanha “Na onda contra o plástico”, desafio on line Trashtag Challenge. O evento aconteceu no Rio Almada em Sambaituba, distrito atendido pelo 5° GBM. Cerca de 100 voluntários participaram do evento, com apoio da Marinha do Brasil, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, comunidade de Sambaituba, além dos voluntários da nossa unidade. Durante a atividade, foram recolhidos cerca de 500 sacos de material descartado indevidamente nas margens do Rio Almada.

“Essa luta deve ser diária e vai além do não sujar. A principal finalidade é promover a conscientização de contribuir com a limpeza do ambiente freqüentado pelo cidadão”, explicou o tenente-coronel BM Edinei Factum, comandante do 5ºGBM.

Na onda contra o plástico
Em março de 2019, a ong internacional WWF (World Wide Fund for Nature/Fundo Mundial para a Natureza) divulgou um estudo segundo o qual o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. O país também é um dos que menos recicla este tipo de lixo: apenas 1,2%.

Sem a destinação adequada, boa parte dos resíduos plásticos acabam nos oceanos. Segundo o relatório da WWF, o volume de plástico que chega aos oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas. Neste ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada quilometro, até 2050 haverá mais plástico nos mares do que peixes. Segundo a ONG, o último verão foi o recordista em animais mortos na costa brasileira, e boa parte dos grandes mamíferos tinham plástico em seus estômagos.

Sob Salles, ministério deixa 8 em 10 jornalistas sem resposta

No último dia de julho, Salles apresentou imagens Planet em coletiva onde contestou os dados do Deter, o sistema de alerta de desmatamento do INPE. Foto: Marcos Corrêa/PR.

Fonte: O Eco

Nos primeiros nove meses do governo Bolsonaro, a procura da imprensa por informações do Ministério do Meio Ambiente quadruplicou. No entanto, 77% dos pedidos de jornalistas não foram respondidos pela assessoria de comunicação do ministério. Quase oito em cada dez solicitações dos repórteres ficaram na gaveta.

Os dados são do próprio ministério e foram obtidos pelo Observatório do Clima e por O Eco por meio da Lei de Acesso à Informação. Eles consideram o período de janeiro a setembro.

Nesse intervalo, a assessoria de comunicação (Ascom) recebeu 2.221 demandas de imprensa e respondeu a 528 (23% do total). No ano passado, nos mesmos nove meses, foram 584 pedidos recebidos e 315 respondidos (54% do total). Mesmo considerando o aumento de 280%, o número de atendimentos caiu 40% em relação ao ano passado.

Os dados refletem a estratégia de comunicação imposta pelo ministro Ricardo Salles ao ministério e às autarquias vinculadas, em especial o Ibama e o Instituto Chico Mendes. Segundo funcionários e ex-funcionários da pasta, Salles centralizou a comunicação do ministério nele próprio, frequentemente deixando a Ascom às escuras.

O ministro tem um estilo peculiar de manejar a imprensa. Diferentemente de todos os seus antecessores, Salles evita conversar com repórteres especializados na cobertura ambiental e frequentemente, quando confrontado, critica o noticiário sobre sua pasta, dizendo que este ou aquele episódio “não é como foi noticiado”.

No caso da explosão do desmatamento em junho, por exemplo, o ministro convocou uma entrevista coletiva para apresentar resultados de uma análise supostamente feita pelo ministério que provaria que os dados do sistema Deter, do Inpe, continham “imprecisões” e que as manchetes eram, portanto, “sensacionalistas”. Nem a imprensa, nem o Inpe jamais tiveram acesso ao estudo.

A centralização das comunicações tem dificultado à imprensa cumprir a regra de ouro do jornalismo: ouvir sempre o outro lado de qualquer história. Reportagens que envolvem polêmicas ou decisões antiambientais do ministério em geral vêm com a explicação: “Procurado, o Ministério do Meio Ambiente não se manifestou”. Um caso típico ocorreu nesta quinta-feira (5), quando a Folha de S.Paulo publicou que Salles, após se reunir com criminosos ambientais, determinou a suspensão da fiscalização do ICMBio na Reserva Extrativista Chico Mendes, uma unidade de conservação federal.

O autor da reportagem, Fabiano Maisonnave, correspondente da Folha na Amazônia, conta que está acostumado a não ter resposta do MMA. “Enviei 11 solicitações a eles por e-mail desde o começo do ano e nenhuma foi respondida”, afirma.

Repórter com mais de duas décadas de experiência, Maisonnave já trabalhou como correspondente em Caracas, Pequim e nos EUA. “O único outro lugar em que nunca me respondiam era a Venezuela”, conta.

Mordaça (mais…)

Óleo nas praias: oceanógrafo pede cautela com o banho de mar

Rian Pereira.

O BG entrevistou Rian Pereira, graduado em Oceanologia pela FURG, mestre em Geociências pela UFRGS e doutor em Geologia Marinha, Costeira e Sedimentar pela UFBA. Na entrevista, Rian falou sobre as consequências do derramamento de óleo que em outubro assolou todo litoral do Nordeste. A conversa com o pesquisador aconteceu no último sábado, 30, durante a roda de conversas do Instituto Bambuzal no condomínio Vivendas do Atlântico. O evento é organizado pela professora e antropóloga Geórgia Couto que uma vez por mês, sempre aos sábados, reúne um especialista, para numa roda de conversas, debater temas da atualidade.

Segundo Rian, áreas como a Baía de Camamu, que é o maior estuário da região, tem grande potencial para receber as manchas, por ser uma área vulnerável à migração do óleo. O oceanógrafo informou também que nos colchões rochosos, a exemplo dos que existem em Itacaré, há grande variedade de organismos, de perfil incrustante (que se prende às rochas) como algumas algas, cujo ambiente é propício para fixação do óleo.

Segundo Rian, a ingestão de frutos do mar e o banho devem ser feitos com cautela, pois o fato é recente e é importante que os órgãos responsáveis analisem a balneabilidade das praias e acompanhem os pescados para verificar o grau de contaminação. “Mariscos e ostras, por serem organismos que se fixam à superfície do mar, só filtram a água daquele local em busca de nutrientes. Se a água estiver contaminada, afeta os tecidos do organismo que se for consumido pelo homem pode gerar problemas”, informou Rian.

Roda de conversa com Rian Pereira. Foto: Emilio Gusmão.

Ele destacou também que a responsabilidade pela limpeza das praias deveria ser do governo federal, mas quem de fato realizou o trabalho foram os governos estadual e municipal. “Em Ilhéus, a ação de voluntários como o Grupo de Amigos da Praia (GAP) foi de fundamental importância para a limpeza das praias. Outros órgãos como o Corpo de Bombeiros e os setores de limpeza da prefeitura contribuíram e somaram esforços pela limpeza” disse Rian.

Sobre a situação de aparente normalidade das praias, Rian acredita que o fato de não vermos manchas de óleo, não significa que a água esteja em condições próprias para o banho. É preciso aguardar as respostas dos órgãos que cuidam das praias até elas serem liberadas para banho, afirmou o oceanógrafo.

Ambientalistas pedem afastamento de Salles após chegada de óleo no Rio de Janeiro

Fonte: O Eco

Equipes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na Praia de Grussaí, em São João da Barra, litoral norte fluminense. Foto: Divulgação.

Após manchas de óleo atingirem o litoral do Rio de Janeiro, o Movimento Baía Viva ingressou nesta segunda-feira (25) com representação judicial junto à Procuradoria Geral da República (PGR) e ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pedindo a decretação de estado de emergência em saúde pública e o afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A mancha chegou ao litoral do Rio de Janeiro na última sexta-feira (22).

Fragmentos do óleo foram recolhidos para análise na Praia de Grussaí, em São João da Barra, no litoral norte fluminense. O material foi analisado pelo Instituto de Estudo do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e constatado ser compatível com o óleo encontrado no litoral da região Nordeste e Espírito Santo.

Nesta segunda-feira (25), o Movimento Baía Viva destacou cinco pontos na manifestação que requerem providências urgentes:

1- O afastamento do atual ministro Ricardo Salles. “Que seja ajuizada Ação Civil Pública Ambiental pelo imediato afastamento do cargo de Ministro do Meio Ambiente (Ricardo de Aquino Salles), que apesar de exercer a função de Autoridade Nacional do PNC (Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo), somente acionou o PNC após 41 (quarenta e um dias) após o aparecimento de grande quantidade de manchas de óleo nos estados do Nordeste, o que caracteriza os crimes de omissão, negligência, leniência, inépcia, inação, inércia e prevaricação”, ressalta o documento.

2- O bloqueio dos bens patrimoniais e financeiros do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. “(…) Para custear a reparação e descontaminação dos danos e impactos socioambientais e econômicos provocados seja nas economias locais (dos municípios), seja para ressarcir os lucros cessantes provocados às cadeias produtivas da pesca e do turismo; bem como para arcar com os custos financeiros relativos ao eventual tratamento de saúde de voluntários, trabalhadores do mar, soldados das Forças Armadas, garis e operários das Prefeituras em função da comprovação da toxicidade do óleo presente nas praias, rios e manguezais. (mais…)

Pesquisa da UFBA registra aumento na mortalidade de corais em praias da BA após chegada do óleo

Análise foi feita entre os recifes de Abaí e a Praia do Forte — Foto: Gabrielle Gomes/G1 Bahia.

Uma análise feita por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) concluiu que a mortalidade dos corais em quatro praias do litoral norte da Bahia, que normalmente é de cerca de 5% ao ano, aumentou para 51,92%, após as manchas de óleo que atingem o nordeste do país. Segundo os especialistas, o branqueamento do coral é um sinal de que o animal está doente e pode morrer se as condições do ambiente continuarem degradadas.

Os dados da análise foram divulgados durante uma coletiva realizada na manhã desta segunda-feira (25), pelo professor e pesquisador Francisco Kelmo, diretor do Instituto de Biologia (Ibio) da UFBA. A análise foi feita entre 17 a 20 de outubro, no trecho que compreende os recifes de Abaí, na cidade de Camaçari, até a Praia do Forte, em Mata de São João, ambas cidades da região metropolitana de Salvador. O estudo ainda concluiu que 46,88% do número de espécies que habitam nos recifes costeiros também foi reduzido e que houve redução em 65% dos animais vivos nessas praias. Animais como moluscos, caranguejos, siris e estrelas do mar sofreram com o impacto das manchas de óleo, segundo o pesquisador.

Os cientistas da UFBA estudam há mais de vinte anos a biodiversidade dos recifes nas quatro praias pesquisadas. Eles analisam, por amostragem, a quantidade de animais invertebrados por metro quadrado, como corais, esponjas e estrelas do mar. De acordo com os pesquisadores, análises mais detalhadas estão sendo realizadas para saber as os detalhes das causas, mas como não houve a variação de nenhum outro fator que causa branqueamento dos corais, a chegada das manchas de óleo é a principal suspeita, já que agentes químicos são capazes de produzir esse efeito nos corais.

A equipe do Ibio também coletou amostras de areia nos recifes para medir a quantidade de foraminíferos, microrganismos unicelulares. Segundo os especialistas, quanto maior a presença deles, mais saudável é considerado o ambiente. A análise das amostras coletadas depois do aparecimento do óleo revelou que houve uma grande diminuição da quantidade desses micro-organismos, que servem de alimento pra outros animais dos recifes. Essa diminuição é um sinal de que pode ter havido uma alteração drástica nesse ecossistema.

Com isso, a pesquisa concluiu que, após o aparecimento das manchas de óleo, “houve perda de patrimônio natural: redução no número de animais, redução da diversidade de animais e aumento das doenças/mortalidade nos corais. Assim, compromete a cadeia alimentar, causa desequilíbrio ecológico, e precisa ser monitorado pelos próximos seis meses”.

Ainda de acordo com o pesquisador, este problema nos recifes costeiros interferem diretamente na reprodução dos animais, que acontece entre o fim de setembro e fevereiro, e também cria um desequilíbrio ecológico. Segundo ele, no mês de dezembro, os pesquisadores vão analisar a presença do óleo nos recifes submersos. As machas de óleo começaram a aparecer na Bahia no começo de outubro. Ao menos 31 cidades baianas e o Parque Nacional de Abrolhos já foram atingidos. O Governo do Estado decretou situação de emergência.

Grilagem de terra é responsável por 35% do desmatamento na Amazônia, diz Ipam

Segundo análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a grilagem tem se mantido na Amazônia ano a ano, contribuindo para o desmatamento na região. Foto: Jeso Carneiro/Flickr.

Fonte: O Eco

A grilagem de terras públicas foi responsável por desmatar 3.416 quilômetros quadrados na Amazônia entre 01 de agosto de 2018 a 31 de junho de 2019. Os dados são do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que divulgou na quarta-feira (20) uma análise sobre o assunto.

É como se 85 áreas do tamanho do Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado do país, virassem pasto em um ano para que grileiros ocupassem ilegalmente terras públicas. Usurpar e forjar documentos para transformar área de floresta em terra produtiva é uma das causas do desmatamento na Amazônia.

Após a divulgação dos dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do INPE, os especialistas do IPAM analisaram que 35% da área desmatada ocorreu em áreas não-designadas e sem informação.

“Isso é grilagem de terras”, afirma o diretor-executivo do IPAM, André Guimarães. “Essas florestas são públicas, ou seja, é patrimônio de todos os brasileiros, que é dilapidado ilegalmente para ficar na mão de alguns poucos”, afirma André Guimarães.

Segundo a diretora sênior de Ciência do IPAM, Ane Alencar, a grilagem tem se mantido na Amazônia ano a ano, com um incremento recente em terras não-designadas.

A regularização fundiária de terras griladas na Amazônia é um dos objetivos do governo, que prepara uma medida provisória para implementar a chamada regularização por autodeclaração. A ideia é que proprietários, ocupantes e assentados possam apenas declarar posse e apresentar um georreferenciamento da suposta propriedade, para, assim, receber o título. Segundo especialistas, a proposta não apenas legaliza áreas de grilagem e roubo de terras públicas como aumenta os conflitos no campo.